A PARÁBOLA DO SERVO AFRO-CÍNICO\ CÍNICO-AFRO



Jesus, de forma didática, exibiu um filme chamado AS IDAS E VINDAS DO AMOR. Após curta exibição cinematográfica, ele começou a recitar uma história muito inquietante.
Um jovem senhor foi pregar e cantar na igreja a convite do colega, porém, ao ver o seu amigo amando cautelosamente uma musa, ficou de olho grande (olho gordo) ao ver tanta beleza alheia e cobiçou a diva do colega. Utilizando uma manobra estratégica no aconselhamento pastoral, ele queimou malandramente seu parceiro para a amada, alegando que tal ato, era em nome da dignidade, espiritualidade e da sustentabilidade ministerial. Tal ato munido de intencionalidade afetiva rompeu a aliança entre as duas partes e os estilhaços messiânicos começaram a clamar em nome da manipulação no presente. O fluxo do tempo foi dinâmico e a marcha lenta foi apontando os desvios e recursos no desenvolvimento da engrenagem afetiva, porque como dizia minha mãe: A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS.
As separações geográficas e sagacidades com persona de santidade foram condição de possibilidade para novos encontros e interações afetivas. Dizem as “más” línguas, que no sul o sol amoroso brilha democraticamente à luz do dia, porém, em terras de Noel, tudo costuma ficar nos bastidores escuros, porque há um leão lá fora com HD de dinossauro.
Daí Lucas falou: Eh, tu lembra daquele dia que ele inventou de levar uma tradutora para a capela dos profetas ? Aham...Vimos vultos lá trás no escurinho agarradinho minutos antes dos procedimentos lingüísticos. É, eles deviam estar treinando jogos de língua espirituais. André falou: Você lembra aquela vez que ele ficou dando uma de traçador se relacionando nos bastidores com a musa do “amigo” ? Ih...esse caso é hilário e lamentável...por isso é que ele gostava de cantar jobinianamente: “Lúcio, arranjei novo amor no Leblon que pele branquinha (...)”. Falaram que ele andou ligando desesperadamente para o amigo prejudicado pedindo para abafar o caso entre os discentes e ameaçando telefonicamente levar documentos a polícia, pois ele temeu perder o posto profissional. Aham....confirmou Judas Isca de Bode.
Thiago ainda questionou: Mas porque ele fez isso ? É porque ele fez uma viagem ao paraíso epistêmico, mas por motivo de força mainor ou meior, ele optou por deixar a sua amada entregue as baratas e animais famintos. Quando ele voltou, ele perdeu tudo que tinha afetivamente. Então, ele entrou nessa armadilha afetiva sobrevivendo discretamente. Mas, agora ele está disposto a vender tudo que tem para retornar ao mesmo paraíso levando consigo a dama proibida.
Mateus sacano, ainda comentou: É, a mulher foi embora, mas ele não agüentou e foi atrás, pois quer reatar na cara e na coragem aquela relação marcada pelo desejo e perigo. Lucas ficou grilado e disse: Aaaahhh! Por isso que eu sempre perguntei a ele, o porque, dele não assumir a relação depois de tanto tempo sobrevivendo nos cantinhos afetuosos e tortuosos, mas ele argumentava que precisava conhecer melhor as pessoas. Aham....Daí Salomão pediu a palavra e falou: “Você lembra aquela vez que meu irmão afro perguntou a ele sobre esse rolo ?” Aham, mas ele disse que namorava uma de Niterói. Poucas semanas depois, num outro confronto, ele disse que namorava uma de Paris. Num terceiro confronto mais íntimo e mais seguro, ele assinalou ao amigo-inimigo que namorava uma “gaúcha”. Então Davi e Salomão disseram que tal servo afro precisava ler Fernando Pessoa para dominar a técnica e sutileza de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Alvaro de Campos. Faltou nele a sutileza e a grandeza de um Poeta. Faltou HETERONICIDADE NA AFETIVIDADE.
Tomé duvidoso ainda alertou: “Certa vez, esse sujeito resolveu as pressas lançar um CD, mas ele malandramente não comunicou aquela comunidade de fé, que tudo aquilo não passava de um lançamento de surubas, esfirras e melões, porque nessas horas de intenso jogo de interesse, o que importa é ter uma IGREJA DE ESPERANÇA.
E agora José ? Judas falou que ele foi pisar com pés descalços na Terra de Noel e furou o pé. Agora entrou na Toca de Ipanema, mas o tatu tem se move via satélite vendo tanto cinismo espiritual em pleno retiro espiritual.
Jesus terminou a parábola dizendo: “Meus filhinhos! Quando tiveres uma boa quantia de dinheiro e uma boa buceta, guarde no cantinho do paraíso, porque há traças e ladrões nas estradas e curvas da vida”. Ele ainda deu uma palhinha ao falar sobre os falsos profetas, mas Tomé e Judas pediram a palavra e disseram que na pós-modernidade, devemos ter cuidado com os falsos patetas, porque esses costumam beijar o rosto do mestre para enfraquecer o mestre. Pedro ainda zuou dizendo: “Eh! O problema é que o mestre é um grande leitor de Foucault e sabe que tal sacanagem implicou em relações de desejo, poder e perigo”.
Daí Tiago e Mateus recomendaram a exibição do curta metragem "PEITÕES PARA O PLANETA", porque segundo eles, a montagem e filmagem, foi feita nos bastidores em off, as custas do sofrimento depressivo da alma dilacerada alheia.
Tem coisas que nem Freud explica talvez a teologia afro explique tais acontecimentos.
Na nota de rodapé, discretamente o tradutor colocou a pequena frase apócrifa dita por Jesus muito pau da vida: SACANEAR O AMIGO PARA TIRAR PROVEITO E FICAR EM VANTAGEM E DEPOIS SE ENVOLVER COM A MULHER, É PURA DESONESTIDADE, POIS TIRA-SE O AMIGO DA JOGADA COMO DAVI TIROU URIAS NO CASO BATESABÊ.
Imagino a cara de fúria dos nossos deuses germânicos hamburguenses, descortinados com tamanha cara-de-pau em terra brasilis. Es tut mir leid, aber (...) viele Probleme auf den Weg. Dizem que Jesus foi orar no momento muito cabisbaixo, certo de que até o monte se tornaria monte negro.
Não se deve jamais brincar com lucidez de um Lúcifer finalizou Joesus.

Caim e Cristo como signos do Masoquismo em Gilles Deleuze.

Os dois grandes personagens masculinos na obra de Masoch são Caim e Cristo. O signo dos dois é o mesmo, o signo pelo qual Caim estava marcado já era o sinal da cruz, que se escrevia “x” ou “+”. Ao colocar grande parte da sua obra sob o signo de Caim, Masoch implica muitas coisas: o crime, sempre presente na natureza e na história; a imens


idão dos sofrimentos (“minha punição é grande demais para ser suportada”). Mas Caim é também o agricultor, o preferido da mãe. Eva saudou seu nascimento com gritos de alegria, mas não teve alegria por Abel, o pastor, colocado do lado do pai. O preferido da mãe chegou ao crime para romper a aliança do pai com o outro filho: ele matou a semelhança do pai e tornou Eva a deusa-mãe. (Hermann Hesse escreveu um curioso romance, Demian, onde se misturam os temas nietzschianos e masoquistas: aparece a identificação da deusa-mãe com Eva, gigante que tem na testa a marca de Caim.) Não é apenas pelos tormentos que sofreu que Caim é tão querido por Masoch, mas também pelo crime cometido. Seu crime não apresenta símbolo sadomasoquista algum. Ele pertence inteiramente ao mundo masoquista, pelo projeto que sustenta, a fidelidade ao mundo materno que o inspira, a eleição da mãe oral e a exclusão do pai, o humor e a provocação. Seu “legado” é um “signo”. Que Caim seja punido pelo Pai marca a volta ofensiva deste último, sua volta alucinatória. Fim do primeiro episódio. Segundo episódio: Cristo. A semelhança do pai é novamente abolida (“Por que me abandonastes¿”). E é a Mãe que põe o Filho na cruz. É a virgem que, pessoalmente, põe Cristo na cruz – contribuição masoquista para a fantasia mariana, versão masoquista de “Deus morreu”. E colocando-o na cruz, num signo que o liga ao filho de Eva, ela dá prosseguimento à tarefa da deusa-mãe, da grande Mãe-oral: assegura ao filho uma ressurreição como segundo nascimento partenogenético. Não é tanto o Filho que morre, mas sim Deus Pai, a semelhança do pai no filho. A cruz representa aqui a imagem materna de morte, o espelho onde o eu narcísico de Cristo (= Caim) apercebe-se do eu ideal (Cristo ressuscitado). (...)
A mãe de Deus coloca seu filho na cruz precisamente para que ele se torne seu filho e goze de um nascimento que se deve apenas a ela. (...) Tornar-se um homem significa então renascer da mulher apenas, ser objeto de um segundo nascimento. (...)
O masoquista atua simultaneamente em três processos de denegação: um que magnífica a mãe, emprestando-lhe o falo próprio para fazê-lo renascer; outro que exclui o pai como não tendo função alguma nesse segundo nascimento; e outro ainda que incide propriamente no prazer sexual, interrompendo-o e abolindo a genitalidade para transformá-lo em prazer de renascer. De Caim a Cristo, Masoch exprime o fim último de toda a sua obra: Cristo não como filho de Deus, mas como o novo Homem, isto é, com a semelhança do pai abolida, “o Homem na cruz, sem amor sexual, sem propriedade, sem pátria, sem disputas, sem trabalho...”

(DELEUZE, Gilles. SACHER-MASOCH: o frio e o cruel. Tradução: Jorge Bastos. Revisão Técnica: Roberto Machado. Rio de Janeiro: Zahar, 2009, p. 95-99)


 

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