Um dia a noite (acho que inicio de junho-2009) eu encontrei a Gisele meio desanimada descendo a ladeira do SBTSB pois ela estava sem igreja, sem perspectivas profissionais, etc, daí conversamos e falei sobre fazer mestrado em educação musical na UFRJ, pois já havia uma doutora com formação em musicoterapia lá, isso porque, a Gi tem graduação nesse ramo também. Ela nem deu bola e perdeu até as dicas que dei anotadas em um pequeno papel, no entanto, por acaso, encontrei com ela novamente descendo a rua José Higino e voltei a tocar no assunto e ela disse: eu vou encarar isso. E ela entrou devagarzinho como quem não quer nada, assistindo as aulas como aluna especial.
Fez as disciplinas, no entanto, chegou a dizer que faria a prova mas não passaria, e eu dizia: Gi! Confie em você...e ela foi caminhando em meio a luz e trevas, entretanto, quando faltava luz ela descia ao inferno e acendia uma tocha e voltava.
Quando chegou na reta final, diante do edital de inscrições, ela pisou fundo e acelerou, acelerou como dizia o Djavan, até inglês ela aprendeu em 1 mês (ninja ela). Fez a prova. Eu enviei um torpedo cedinho dizendo: Baixinha! O Pai, o filho e o Espírito santo falam português e inglês e outras línguas, e ele vai te ajudar. E Gi fez a prova e quando saiu o resultado tava lá naquele mural sagrado que registrou aquele momento histórico e mágico o nome de Gisele Rosa Batista. OS CÉUS MANIFESTAM A GLÓRIA DE GI, O FIRMAMENTO ANUNCIA A FORÇA DE SUAS MÃOS.
A trajetória de Gisele esse semestre foi idêntica a de uma maratonista experiente que poupa energia no inicio da prova pra depois usá-la na reta final.
Parabéns Gi, pois você é a mais nova mestranda da UFRJ. Tu é mais uma ministra de música , pastora, musicoterapeuta, que abriu um buraco existencial e deixou fluir a seiva da visão revolucionária. Os batistas, a AMBB, a UFRJ, UNIRIO, o mundo, os céus e o inferno serão beneficiados pela sua bravura e perseverança estratégica.
Estou muito feliz em poder acompanhar-te nessa trajetória brilhante.
Que a Dra Thelma Alvares e os deuses te abençoe rumo ao doutorado.
Marcadores: AMBB, DJAVAN, Dra Thelma Alvares, Gisele Rosa Batista, PPGM UFRJ, PPGM UNIRIO, STBSB
FILOSOFIA PARA TODOS dia 26/11/09 as 18h30 na FE da UFRJ
0 comentários Published by Joe Black on 19/11/09 às 11:48BIENAL NOCHMAL! UM KAMASUTRA MUSICAL. Impressões e expressões de Joeblackvan sobre a XVIII BIENAL DE MÚSICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
0 comentários Published by Joe Black on 11/11/09 às 16:17BIENAL NOCHMAL! UM KAMASUTRA MUSICAL.
Impressões e expressões de Joeblackvan sobre a XVIII BIENAL DE MÚSICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA realizada entre 23 de outubro a 01 de novembro de 2009.
Dedicado ao grande compositor Caio Senna (Prof da UNIRIO), pois foi ele quem me convidou para Bienal de Música Contemporânea 2009, e a pianista e amiga Patricia Bretas porque tem mãos de polvo e braços de Hércules (musa szongorista).
“Deveria ser proibido debochar de alguém que se aventura a escrever em língua estrangeira (Filme Budapeste baseado no romance de Chico Buarque)”.
“Um mesmo texto possibilita inúmeras interpretações (Nietzsche falando sobre hermenêutica em Fragmentos finais)”.
Um texto bem escrito é aquele que é claro e direto; Quando se ouve nochmal (outra vez em alemão) é porque ainda tá confuso (Ricardo Tacuchian na aula da pós-graduação sobre música e literatura na UNIRIO-novembro de 2009).
“Estilo não é uma questão de técnica, mas de visão (Beckett falando sobre Proust)”.
Há uns 15 dias atrás estive na sala FUNARTE no centro do Rio assistindo um concerto de lançamento de partituras para coro juvenil. Fui convidado e intimado pela minha amiga-professora-pianista-compositora-arranjadora e cabeçona Stella Júnia. No final do concerto, me deparei com o simpático e sorridente Caio Senna, daí, falei sobre meu projeto de filosofia e música para 2010, que denominei de jazz nietzschiano: a tragédia sonora que contará com a participação de um filósofo, de um teólogo e de um pastor que discutirão após o concerto (músicas de minha autoria e convidados) sobre alguns temas do pensamento do Nietzsche. Aproveitando o assunto, o Caio foi logo me convidando para assistir uma peça dele na bienal que ocorreria na semana seguinte. Eu disse: legal! Estarei lá e fui mesmo. Fiquei mais motivado ainda, quando assisti o ensaio do Ernani Aguiar e André Cardoso com sua orquestra mágica e me interessei por uma peça do jovem compositor Rafael Bezerra, aliás, é uma promessa, espécie de Robinho ligetiano.
Quando eu entrava na sala Cecília Meirelles, geralmente a primeira pessoa que eu me deparava era com o professor e craque acadêmico Carlos Alberto Figueredo, que em minha opinião, é um dos maiores intelectuais de nosso país no âmbito da música. Quietinho no cantinho dele, com aquela atenciosa voz mansa e doce, dizia: Joe! Sempre que posso venho nas bienais, porque sempre surge muita coisa boa em meio ao hibridismo e à diversidade sonora/estética/estilística advindo de conhecidos e desconhecidos. Como dizia Einstein: “a mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original”. Nietzsche dizia: os sinais estão por toda a parte, faltam olhos para vê-los. Olhem a garotada, pois a bienal elucida descoberta de vocações musicais e de meninos prodígios capazes de abrir um buraco nas palavras e nos sons.
Numa bienal de composição, é normal que os compositores enviem as partituras selecionadas para um endereço X, e essas peças vão parar nas mãos de intérpretes que precisam ter um caso de amor com essas partes, pois a relação entre intérprete e partitura é como uma relação entre duas pessoas (tem que rolar química). Isso ficou evidente na peça Metafonia (2009) de Aluisio Didier, interpretada por Maria Teresa Madeira ao piano e Antonio del Claro. Além da química entre esses dois instrumentistas no processo sonoro afetivo com essa lindíssima obra, outro fator que fez a grande diferença foi a enorme experiência de ambos (são anos e anos de estrada). Aliás, na hora de fazer amor, a experiência conta muito, pois ela estimula a ousadia com mais frieza e sem sentimento de culpa. É fazendo e aprendendo. Um sujeito que escutou essa peça, jamais tornará a aderir à guerra desigual, pois só na arte há salvação dizia Dostoiévisk; só a arte liberta-nos do calejamento das mãos devido ao pecado solitário internetiano.
Enquanto o excelente pianista Luiz Senise executava uma peça ao piano fazendo duo com um violoncelista, o colega que estava do meu lado cochichou: Não entendi nada. Eu perguntei a ele: Fulano! Quando você lê um livro, tens o costume de ler as notas de rodapé? Ele disse: não. Então eu prossegui e assinalei: O compositor da peça que acabaste de ouvir, se inspirou nas notas de rodapé do kamasutra musical, pois ele costuma dar valor as coisas simples da vida; ele valoriza o desprezível, pois é de Belém da Judéia que costuma sair o messias. Das posições e opções mais esdrúxulas, é possível obter bons orgasmos sonoros, mas é preciso aprender os macetes para não se machucar no ato da escuta e do fazer musical.
Adorei a ousadia do compositor Jean-Pierre Caron, que se preparou com afinco para apresentar publicamente uma peça para piano preparado. Imagino o trabalho que deu. Meu Deus! Haja paciência para adestrar um piano selvagem em sua configuração primitiva, no entanto, as pessoas costumam não ter paciência, pois os ouvidos estão despreparados para novas sonoridades. Caron apesar de gerar microfonias timbrísticas nos ouvidos tradicionalmente pensantes, foi capaz de filosofar deleuzianamente musicalmente, pois Deleuze diz: é preciso dizer o indizível indo além dos clichês. Caron tentou ir além da radiografia, por isso, é gente que faz.
Num dos intervalos, ouvi alguém reclamando: Até agora não ouvi música acusmática. Será se vai rolar alguma? Falei, que tal invocar o nome do santo Koellreutter, pedindo que ele opere o milagre do signo novo. Como diz o texto bíblico: pedi com fé e sinceridade e dar-se vos á. E o sinistro milagre aconteceu via acaso. O cineasta polonês Kieslowisk (autor de trilogia das cores) mostra-nos que o acaso é sempre condição de possibilidades, de mudanças, de reflexões profundas, e de titubeamento proativo. Um compositor paulista enviou a peça, porém segundo a direção da bienal, a partitura “não chegou” nas mãos dos intérpretes. Tenho instinto de jornalista e to sempre com meu desconfiomêtro ligado diante das notícias. Enfim, avisaram publicamente que por motivos de força e caso abafado maior, não seria possível a execução, no entanto, o compositor com extrema bravura, pediu que todos se silenciassem, pois a tal música seria executada por um CD. Não houve fitas, mas houve um acusmatismo CDniano que agradou a maioria dos presentes, sensação externalizada por convulsivos aplausos aquele rapaz de talento. E ainda tem gente que diz que música acusmática não agrada mais ninguém. Quando Deus age, ele usa quem ele quer, na hora que ele quer, e todos se rendem diante do mistério, da substância suprema-aleatória, pois somos módulos dessa substância dinâmica como dizia Espinosa. Aliás, Planck e Heisenberg ao criarem a teoria quântica, mostraram que as partículas do mundo microfísico costumam escolher vários modos de agir. O vento sopra onde quer e ninguém sabe de onde ele vem e nem para onde ele vai.
Ninguém sabe o que vem após uma peça inédita, pois a disposição seqüencial inserida no programa costuma surpreender-nos, pois no mundo moderno, coadunamos com Max Weber e suas teias de relações, por isso nos preocupamos mais com o movimento da aranha do que com a arquitetura da teia. Tudo ia muito pós-tonal, atonal, serial, panimétrico, com esporádicas pitadas sineréticas, no entanto, o curioso caso de Benjamitri Buttom fez todo mundo se preocupar com a arquitetura sonora daquele evento. A peça começou com tendências tonais, mas migrou para dimensões modais, terminando em tonal novamente, fazendo tudo voltar à estaca zero, devido insistentes cadências V-I, e arpejos em tríades pelo violão. Após a peça houve mistura de aplausos e descontentamento. As opiniões se dividiram. Mister MARAVIIIIIIIILHA me disse: essa peça merece um SUBLIME bem gostoso. O livreiro da UNIRIO me perguntou: O que-que é aquilo? Fuks e Carneiro morriam de rir vendo aquilo tudo e Carlos Alberto Figueredo frisou: Isso é Bienal: diversidade e pontos de vista sobre a mesma obra. Talvez o compositor gaúcho Dimitri Cervo, quis voltar a ser criança, a simplicidade lúdica, pois das criancinhas é o reino dos céus e lá há espaço para um cantinho um violão, uma orquestra, uma paixão. A análise transacional diz que todos nós possuímos o modo do pai, o modo adulto e o modo criança. Para apreciar uma peça como a que me referi, só nascendo de novo como Nicodemos. Para apreciar aquele momento, é preciso ser humilde e cantar: “Quero voltar ao início de tudo (...), quero rever meus conceitos e valores (...), vou regressar ao caminho,vou ver as primeiras obras Senhor (...). Eu quero voltar ao primeiro amor, ao primeiro amor, eu quero voltar a Deus”.
Existem novos compositores que além de talentosos, possuem uma sede intensa de escrever e produzir algo diferencial. Sortudo é aquele que consegue um padrinho acadêmico que funciona como uma mulher insaciável, que sempre quer mais, que sempre exige mais do aluno. No filme Budapeste baseado no romance de Chico Buarque, conta a história de um escritor que sempre escrevia no corpo de uma mulher filézona-gostosona, entretanto, a noite ela sempre apagava o que ele escreveu para que ele não se acomodasse e não parasse de escrever algo novo no dia seguinte. Bons professores, além de estimuladores, também costumam ser hereges, pois dão asas a subversividade divina. Esses costumam a dizer: Aquele que beber da minha fonte, sempre terá sede de algo novo, pois o segredo da busca é que não se acha (Fausto de Fernando Pessoa). Para apaziguar a ira dos deuses, só cantando: Eu te busco te procuro ó Deus, no silêncio tu estás.
Por isso, Chico Buarque estava certíssimo a advogar que deveria ser proibido debochar de alguém que se aventura a escrever em língua estrangeira. Parabéns aos mestres que com tanto carinho, experiência e dedicação, atiçam prá vida esses novos talentos, detentores da ousadia, que são artistas cidadãos-compositores de uma pátria desconhecida. Ai vai meus parabéns pelos seguintes gurus, que fazem simbiose dos sons com a sua própria vida, atuando como pedagogos do cotidiano, cada um com sua singularidade, conduzindo os alunos com amabilidade em meio às instabilidades: Pauxy Gentil Nunes, Marcos Lucas, Caio Senna, Davi Koryntiene, Ricardo Tacuchian (mestre do humor), Marcos Nogueira, Rodrigo Cicelli, Ronaldo Miranda, Arnaldo Antunes, Edino Krieger, Rodolfo Caesar, Ernani Aguiar, Marcelo Carneiro, Edson Zampronha, Almeida Prado, João Guilherme Ripper, Eduardo Biato e Roberto Macedo (dupla contraponto), Marco Pereira (criação, improvisação de MPB, JAZZ e afins), Ian Guest, Marcelo Rauta, Yan Wagner (sindicato), Carol Gubernikoff (russa-francesa) e outros, inclusive os intérpretes (adorei aquele guri do clarinete que tocou a peça do Marcos Lucas, pois ele é um fenômeno...vai longe, pode crer)..
Ricardo Tacuchian, ao avaliar esses novos compositores, fez um diagnóstico de amor (Luckesi) e uma análise formativa (Perrenoud), alertando que é preciso atentar para o time (tempo) certo para cada peça, pois existe hora de começar, hora de expandir, e hora de terminar. Alguns novatos, não sabem administrar a empolgação e tem uma ejaculação precoce ao tentar dizer tudo em um minuto, porém, outros ultrapassam os 11 minutos que Paulo Coelho recomenda em seu célebre livro e costumam ir além da medida. O grande orquestrador Claus Orgerman valoriza a importância da economia diante dos detalhes, para não saturar a peça com elementos desnecessários, passando do ponto G de bobeira e por falta de atenção e sensibilidade. Para engendrar momentos prazerosos, é preciso que o compositor saiba fazer amor com a mente, pois o tempo está na mente (Santo Agostinho). Para lidar com as fantasias sonoras, é preciso recorrer a Bergson e Proust que falam da simultaneidade dos tempos: passado, presente e futuro que constituem o que Deleuze chama de INSTANTE.
Há tempo prá tudo dizia o poeta no livro de Eclesiastes, por isso, há tempo para encerrar a Bienal e isto ocorreu em primeiro de novembro. Era um domingo e o tempo estava confuso pela manhã, e a tarde choveu muito, além de tudo, foi dia de arco-íris e fuca-fuca no Foucault em Copacabana, mas optei por ficar em casa assistindo o filme Querelle de Fassbinder, porque não eu não tava a fim de molhar o biscoito. Quando a chuva cessou, pude ir ao encerramento do passeio dos sons, pois lá sexo é música e música é tesão.
Um abraço batista-budista-musicista e cardecista. “Todo som é sagrado”. Se arruma! Aqui que ta bom; aqui ta bem. Se arruma! Tem espaço na VAN (Ed Motta).
www.joevancaitano.blogspot.com www.myspace.com/joevancaitano
É o Self que perdoa. Ensaios sobre Jesus via psicanálise.
2 comentários Published by Joe Black on 26/10/09 às 17:52“Nunca profanei o sagrado nome do amor” (Nietzsche em Fragmentos Finais).
“O perdão é o alimento da alma; o pão é o alimento do corpo” (Luiz Longuini Neto).
“O tempo cura, mas se o tempo for a doença? Então é preciso se curvar perante ele para continuar vivendo” (Wim Wenders).
Jesus quando ensinou os discípulos a orar, ele mencionou a força do mal. Ele disse: Pai ! livra-nos do mal, porque nós temos uma parte que é má também e ela também pode se manifestar em determinadas situações. O grande reformador Lutero foi um homem que confrontou o pensamento humanista de que o ser humano é bonzinho, pois ele intuitivamente raciocinava como Melanie Klein que defendia que a criancinha ao nascer já possui dentro de si mesmo a amabilidade e a agressividade inata, que se manifesta, quando a mãe cede ou não cede o seio prazeroso para ela. Lutero sabia que o homem é bom e mau. Ele andava brigando com o Diabo, vendo demônios, coisas esquisitas, mas via Deus no meio dessa muvuca toda, por isso que digo que ele tem um pé na idade média. Ele também era uma coisa e outra, como preconiza a moderna antropologia ao dizer que somos seres humanos divididos, e não indivíduos como preconizava antigamente. Somos divíduos e estamos sempre devendo alguma coisa à sociedade como assinalou Gilles Deleuze. É preciso, encarar frente a frente, o mal-estar das dívidas, porque devemos dar a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus. Sendo assim, faz-se necessário perdoar 70 x7 a quem nos causou algum dano moral, material, espiritual, sexual, musical, etc, etc, etc.
Quando um homem se casa com uma mulher (aplica-se a casais homo também), ele não se casa com a mulher ideal, que ele almejou, mas no fundo no fundo, ele procura e junta a uma mulher que seja projeção da sua mãe (o modelo). Nos primeiros dias de convivência, quando se experimenta os primeiros bafos afetivos quando se acordam, é que a porca costuma torcer o rabo. Aí aparecem: as manias, as virtudes e as deficiências começam a se manifestar. Aí começam as primeiras brigas, que tendem a intensificar-se devido o aumento da intensidade na intimidade. A nossa mulher (companheiro-a) precisa perdoar as nossas infantilidades, porque se não houver isso, não há relação que dure. Perdoar vem de perdoare. Per é o superlativo, por isso, perdoar é ir ao extremo da nossa capacidade; é se doar ao extremo.
Na oração do Pai Nosso, Jesus insere a força dos três P´s (ppp) que são eles: pai, pão e perdão. O perdão é a graxa dessa engrenagem que é a graça divina, pois ela nos ajuda a não ficarmos presos à conseqüência dos nossos atos. Não há futuro para o mundo se não houver perdão e reconciliação. Só o perdão pode impedir a escalada da violência. A grande filósofa Hannah Arendt escreveu que perdoar é livrar-se da irreversibilidade do passado. Perdoar é não aprisionar o outro nas conseqüências de seus atos. Só o perdão é capaz de driblar a mentira num país onde os governantes defendem a mentira desbravadamente, para criar um país diariamente.
O perdão consiste na justiça reparadora ao invés de condenadora. Justiça é saber que os nossos atos têm conseqüências (lei do carma). O teólogo ortodoxo e psicólogo Jean Yves Leloup, admite que o percurso ideal para perdoarmos, é irmos pelo caminho da direita em direção à esquerda, pois o lado direito simboliza a justiça, a conscientização, no entanto, o lado esquerdo é o do coração, da misericórdia.
É natural que quando um colega, amigo (a), etc, pisa na bola conosco, fiquemos furiosos, desacreditados, se sentindo traído, e às vezes desejamos o mau e sua confraria maléfica, no entanto, a raiva é importante no caminho do perdão, pois quando não há perdão nos deparamos com o inferno que é o fechamento do ciclo do amor. Quando o nosso ser, se fecha à circulação da vento amoroso, ficamos rancorosos, no entanto, o ato de perdoar se constitui na ruptura que gera a abertura para livre circulação da seiva do amor. O perdão desata o nó que impede fluxo dessa seiva afetiva.
É muito difícil a gente perdoar alguém que assassinou um parente nosso, alguém que nos traiu, entretanto, é mais sinistro perdoar uma pessoa que abusou sexualmente de uma criança, de um ser “indefeso”. Muitas mães vêem os abusos sexuais, mas ficam caladas e fingem não acreditar no que está na cara, devido à tamanha animalidade, por isso, a criança se sente culpada, mas a criança grita, ela dá sinais. Nietzsche dizia: os sinais estão por toda a parte, restam olhos para vê-los (e coragem também). Não há perdão sem o grito.
Jesus ao se deparar com aquela mulher adúltera, ele não usou a lei para analisar o caso dela, mas ele foi mais fundo, ele compreendeu as carências femininas, pois ele supôs que ela quisesse trocar um amor capenga que ela tinha em casa por outro melhor, quem sabe um amante, etc, etc. Esse episódio bíblico nos remete à música do cantor e compositor Frejat: “procuro um amor que seja bom prá mim, vou procurar, eu vou até o fim”. Qual de nós não faria o mesmo se estivéssemos mal resolvidos afetivamente dentro de nossa casa? A gente tenderia a fazer o mesmo: pularia a cerca pra preencher nossas carências. Quando a carência bate à porta, é muito difícil segurar por que o desejo e o perigo se manifestam com enorme intensidade, e agimos à sangue frio mesmo quando sabendo que há um Leão lá fora. Jesus sabia de tudo isso e disse: mulher bonita! Segue a vida e bola prá frente, mas não peques mais, ou seja, tenha juízo viu gata?
Somos aprisionados por nosso ego, e ele é muito forte, por isso, precisamos compreender que o ego não pode perdoar o que é imperdoável. É preciso invocar o SELF que é o todo que nós somos, e com ele vem o anima e o animus (nossa parte masculina e feminina), vem a persona, a sombra, os deuses e demônios que habitam dentro de nós, pois essa plenitude humana é capaz de liberar o perdão que gera a salvação. É o SELF que perdoa: Pai! Perdoa porque eles não sabem o que fazem disse Jesus gemendo de dor na cruz. Aquele que é maior do que eu é que perdoa. Deus é a força estranha que mobiliza o perdão, pois Ele é maior que o nosso coração, é maior que a nossa cabeça, é maior que a nossa imagem, é maior que nossa voracidade, maior que o nosso pecado, maior que o nosso buraco negro.
abraços e muuuuuuito perdão..libera geral o perdão.
Joeblackvan
Idéias extraídas da mensagem do reverendo Edson Fernando (26/10/09)na IPVI.
Lançamento de partituras pra coro Juvenil (amanhã as 17h-sala funarte-centro do Rio)
0 comentários Published by Joe Black on 16/10/09 às 09:50
Stella Júnia (professora, pianista, compositora, arranjadora) escreveu no blog dela e e eu copiei e colei
Próximo sábado acontecerá este concerto anunciado no cartaz acima:
Na sala Funarte- Rua da Imprensa 16 - às 17hs.
O cartaz é objetivo na informação: 'Lançamento de 12 partituras para Coro Juvenil.
Mas há muito movimento por trás desse cartaz, por trás dessas partituras.
Alguns compositores do Brasil foram selecionados para compor , cada um, uma canção para este projeto.
Eu tenho a honra se estar entre eles. Mais um filho meu nasceu, e estará viajando pelo mundo através do site da Funarte.
Pois é: essas partituras ficarão disponíveis no site da Funarte para download free, e o regente que decidir realizar a música com o seu coral poderá ouvir a gravação feita pelos coros citados no cartaz.
Uma grande inicitaiva da Funarte para suprir o movimento Coral de material brasileiro.
Foram convidados compositores de várias regiões do Brasil, o que faz com que o projeto tenha sabores variados, 'pratos' para todos os gostos musicais.
Eu fui triplamente honrada:
entrei com uma composição minha,
gravei a minha música , gravei músicas de outros compositores ao piano, e estarei tocando no lançamento anunciado pelo cartaz acima.
É uma grande vitória da Funarte , grande vitória do Canto Coral Brasileiro e ....
que direi eu ????
à Ele.
Para quem quiser ouvir :
"É madrugada"
letra e música; Stella Junia
Coral Harte Vocal
Piano: Stella
baixo- MArio Zazv
Percussão- Carlos Cesar
basta clicar abaixo:
www.myspace.com/stellajunia
APAREÇAM LÁ.
BJ
SJ
FILOSOFIA PARA TODOS – LISE 20 anos
Sétimo Encontro : A Filosofia Cristã : Das origens a São Tomás de Aquino
Uma introdução aos autores e temas da filosofia num diálogo criativo com o cinema e a MPB
Curso gratuito oferecido pelo LISE e ministrado pelo professor Doutor Reuber Gerbassi Scofano da Faculdade de Educação da UFRJ
Dia 29 de Outubrode 2009 às 18:30 hs na sala Anisio Teixeira – UFRJ Campus Praia Vermelha Avenida Pasteur 250
Obs: eu Joevan , estive assistindo no mes passado sobre epicuro e estoicismo...e foi demais de bom...o prof é muito fera e muito didático e engraçado...vale a pena assistir.
abraços
Joe
Festiart com Cláudia Luz e Café com Jazz. (confira)
1 comentários Published by Joe Black on 04/09/09 às 10:33Marcadores: café com jazz, claudia luz montenegro, festiart, PIB ANDARAI
APRENDA RUSSO! no centro de cultura Esvala- LAPA -RIO DE JANEIRO
0 comentários Published by Joe Black on às 10:17



В. В. МАЯКОВСКИЙ
APRENDA RUSSO!
TEL. 2221-3967
Э-мейл: culturaeslava@mail.ru
Centro de Cultura Eslava
www.culturaeslava.com.br
Cursos de língua russa e culinária típica
В. В. МАЯКОВСКИЙ
APRENDA RUSSO! na LAPA (na rua da sala Cecília Meirelles) Rio de Janeiro.
TEL. 2221-3967
Э-мейл: culturaeslava@mail.ru
Centro de Cultura Eslava
www.culturaeslava.com.br
Cursos de língua russa e culinária típica
esse curso é muuuuuuito bom...barato e o professor Marcos Coelho é um graaande educador na língua russa...ensina com extremo carinho pois ama o que faz...
Jamais me esquecerei a majestosa recepção que ele me deu em 2007 quando visitei o curso para conhecer...fui tratado como um princípe...retornei lá depois de quase 3 anos e agora para fazer parte da familia...Na casa de meu pai há muitas moradas, por isso eu escolho as melhores...cada dia durmo numa casa diferente.
Marcadores: aprenda Russo, Centro de Cultura Eslava, culinária russa.
Branca que mula. Um les convite à linguagem.
0 comentários Published by Joe Black on 19/08/09 às 21:43Branca que mula.
Um les convite à linguagem.
Um sujeito envia uma mensagem cujo, o enunciado é: “Trate o mulato com carinho! adoro branca suave”. A mensagem é interceptada e o anti míssel pergunta: “Que papo F (...) é esse? Remetente responde: são duas frases + contraste pela linguagem. Mas, bateria anti-aérea não engole e fala: “precisamos ter uma conversa séria ao vivo”. O outro responde positivamente com uma condição: pode ser no posto 9 de Ipanema (point churros)? Então houve bonança.
Polivalente e polifuncional, a linguagem humana exprime, constata, transmite, argumenta, dissimula, proclama, prescreve. A lingüística concebeu a linguagem como um sistema objetivo e autônomo do qual isolou regras e estruturas (Saussure e Jacobson) e, depois, explorou as condições de atividade. Quando Wittgenstein quis situar o problema essencial do conhecimento, deslocou a questão do knowing para a do meaning. Na sequência, a filosofia analítica acreditou, ancorando-se na lingüística, abandonar as areias movediças do filosofismo para adquirir o rigor científico e integrou o problema do pensamento no da linguagem.
A sociedade faz a linguagem que a faz, e o homem faz a linguagem que o faz e fala a linguagem que o exprime. Como diz Charles Becker: “Não sei se eu falo, se sou expressão da linguagem ou se se fala através de mim. Cada enunciado corresponde às especificidades próprias à coerência lingüística de cada língua, especificidades subjetivas, culturais, sociológicas e históricas. Russell (1969), indicou que, “as palavras, as frases, exprimem alguma coisa diferente delas próprias”. Saussure observou justamente que, embora sendo “um todo em si”, a linguagem “tomada no seu todo”, é multiforme e heteróclita, e é relacionada aos vários domínios. A neurolingüística, a neuropsicologia (Hecaen), a sociolingüística, mostra nos a profundidade, a radicalidade, a complexidade do vínculo entre a linguagem, o aparelho neurocerebral, o psiquismo humano, a cultura e a sociedade. A linguagem depende da interação entre os indivíduos, as quais dependem da linguagem.
Precisamos conceber a linguagem como sendo uma máquina auto-sócio-organizadora dentro da máquina sociocultural, ela própria auto-organizadora. Em um primeiro nível, a linguagem é uma máquina de dupla articulação, na qual conjuntos de fonemas sem sentido constituem enunciados com sentido. Essa máquina obedece, em cada língua, a regras gramaticais, sintaxe, vocabulário, e as próprias regras obedecem a determinações e “estruturas” profundas, ainda misteriosas e controvertidas. Em um segundo nível, a linguagem é uma máquina que funciona em associação com as maquinarias lógica e analógica, dependentes das regras fundamentais da computação/cogitação próprias à maquinaria cerebral humana. Em um terceiro nível, a linguagem é uma máquina que coloca (e por eles é colocada) em atividade os paradigmas, categorias, esquemas, modelos de pensar, característicos de cada cultura, integrando, portanto, a máquina cultural.
Para falar em termos marxistas, a linguagem é parte organizadora da superestrutura social. No primeiro caso, co-organiza o próprio ser da sociedade que integra. No segundo, co-organiza os mitos e idéias. É a maquinaria universal da antropo-sócio-noosfera. Pode-se, pensar que todo sistema complexo de comunicação necessita do princípio hierárquico e lógico da dupla articulação, o qual permite um número enorme de combinações e enunciados; foi o que ocorreu com a comunicação física/química entre moléculas desde que se constituiu um organismo vivo. A decifração do código DNA revelou-nos uma linguagem tão velha quanto a vida, que é a mais viva de todas as linguagens (Beadle, 1966). A linguagem humana é não apenas viva, mas também o que há de mais radicalmente vivo nas interações antropossociais e na organização da noosfera.
Enquanto a lingüística estrutural permite estabelecer uma ponte teórica entre a linguagem humana e a “linguagem” genética, a lingüística generativa estabelece uma segunda ligação com o mundo biológico através do cérebro humano. Com efeito, Chomsky chegou a idéia de que a aprendizagem da língua por toda criança só é possível graças à existência de competências inatas, inscritas nas potencialidades cerebrais do Homo sapiens.
Ferdinand de Saussure concebera, de fato, a língua simultaneamente como sistema e como organismo, este termo conotando profundamente a idéia de organização viva. A linguagem está em movimentação permanente porque se regenera em permanência. A língua vive como uma grande árvore, cujas raízes encontram-se nas profundezas das vidas social e cerebral e cujos galhos se espalham pela noosfera. Há os ramos práticos, os ramos poéticos, os ramos de gírias e familiares. O filósofo Heidegger tem a impressão de que é a linguagem, não o homem, que fala, porque o poeta tem o sentimento de que “as palavras sabem a nosso respeito aquilo que ignoramos sobre elas” (Char).
O sentido é uma emergência que, saída das atividades da linguagem, não somente retroage de maneira initerrupta sobre essas atividades, mas constitui o seu nível sintético global. Segundo a expressão de Thom, a palavra “germina e estala”, isto é, faz jorrar o sentido contido até então de maneira virtual. O sentido estabelece a relação sintética entre significante/significado/referente e a relação cognitiva entre os objetos lingüísticos e extralingüísticos que designa. O sentido é o que se fecha em círculo; podemos senti-lo, vê-lo, em uma versão latina ou a partir da identificação de palavras conhecidas que fazem emergir insularmente potencialidades polissêmicas. O sentido emerge de todo um processo psíquico/cerebral, o qual se realiza a partir de um fundo cultural (armazenado em nossa memória ou em um dicionário) e da nossa experiência marcada pelo passado vivo.
Wittgenstein instalara justamente o problema do knowing no do meaning, isto é, do sentido. Mas o knowing não se dilui no meaning, a lógica do pensamento não se dissolve na da semiótica. Tudo se encontra incluído no sentido, mas este é uma emergência desse todo. As palavras usuais são polissêmicas, isto é, comportam, na maioria, uma pluralidade de sentidos diferentes que se sobrepõem produzindo como que franjas de interferência. Segundo o contexto, onde um dos seus sentidos exclui os outros e impõe-se ao enunciado; uma vez mais, o todo contribui para dar sentido à parte, a qual contribui para dar sentido à parte, a qual contribui para dar sentido ao todo.
Todas as linguagens são com dupla articulação; todas, inclusive as das sociedades mais arcaicas, são linguagens plenamente desenvolvidas, não menos complexas em seu gênero que o inglês ou o francês. A linguagem natural, por oposição às linguagens formalizadas, é que oferece suporte à invenção, à imaginação, à criação. A linguagem comum permite evitar a rigidez, mesmo mantendo o rigor de um discurso, e, além disso, permite, o que a linguagem formalizada proíbe a analogia, a metáfora, ingredientes necessários não somente à poesia, mas ao próprio pensamento. A linguagem comum é aquela que oferece ao espírito humano o seu campo mais aberto. As linguagens artificiais que se opõem à linguagem natural permitem sofisticações abstratas, formais ou técnicas, mas estão privadas das complexidades da vida.
A linguagem, como vimos, é um cruzamento bioantropológico e antropo-sócio-noológico. Somos, na e através da linguagem, abertos pelas palavras, fechados nas palavras, abertos para o outro (comunicação), fechados para o outro (mentira, erro), abertos para as idéias, fechados nas idéias, abertos para o mundo, fechados ao mundo. Reencontramos o paradoxo cognitivo maior: somos prisioneiros daquilo que nos liberta e libertos por aquilo que nos cerca.
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Cravistas são paquitas. O curioso caso de Marcelo Fagersom.
1 comentários Published by Joe Black on 06/08/09 às 22:52“Mudei para poder continuar o mesmo” (Jean Paul Sartre).
"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão" (filme O Leopardo de Luchino Visconti).
Quarta-feira , dia 08 de julho de 2009, por volta de 14h20, eu estava finalizando a disciplina tratados de teclado do século XVIII na UFRJ referente ao curso de mestrado. Começamos a discussão, e cada um teve a oportunidade de expor oralmente seu trabalho. O meu foi TRATARICANTO: UMA VISÃO HOLÍSTICA SOBRE OS TRATADOS DOS SÉCULOS XVII E XVIII E SUAS APLICAÇÕES NO PIANO POPULAR DE NOSSOS DIAS. Defendi a idéia de que os compositores Carl Philipp Emannuel Bach, Ramon, Frescobaldi, Couperin e Santa Maria, escreveram esses manuais, para servirem de suporte técnico sonoro, mostrando ao aluno que o objetivo de tudo isso, é fazer o instrumento cantar, aliás, construímos instrumentos musicais intencionando imitar a voz humana. No meio da discussão, o Professor Marcelo Fagerlande, interrompeu-nos e surpreendentemente por força do acaso, eu acho, contou-nos um episódio muito engraçado de uma aluna de cravo que resolveu virar paquita...rs... a turma morreu de rir...O CURIOSO CASO DA PAQUITAMIM CRAVOTTOM na classe de Marcelo Fagersom. Eu imagino que ela olhou para o professor e recitou na cara de pau uma frase do Foucault: “Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo”. Nós seres humanos mudamos de A para Z com facilidade, mas o importante é sermos felizes nas nossas escolhas, migrações e surpresas. Os compositores modernos adoram resoluções deceptivas. Só quem não está acostumado, irá achar estranho, mas depois que acostumam-se, até mico se passa por gente.
Muitos irão defender com unhas e dentes que essa jovem sonora/gostosa, cometeu um pecado gravíssimo ao deixar a música para virar xuxinha, no entanto, eu acredito que ela tenha lido o mito de Fausto de Paul Valèry, onde ocorre o diálogo invertido entre o Fausto e Mephisto (diabo). O Fausto debocha do Mephisto outrora poderoso, ao dizer: “Você se sente perdido, e como que despossuído diante de todas essas pessoas que pecam sem o saber, sem atribuir importância a isso, que arriscam a vida delas dez vezes ao dia para desfrutar das inovações, que tua magia nunca sonhou em realizar. Você não assomba mais o espírito dos homens; você não mete mais medo em ninguém” (Paul Valèry). Observe que há uma inversão, pois nas outras versões, Mephisto que é o espírito luciferiano aparece para tentar o Fausto, entretanto, agora é o Fausto que está tentando Lúcifer. Isso mostra-nos que esse diabo não tem mais nenhum espaço, nenhum poder, ele está totalmente dissolvido na nossa vida cotidiana. Deixar o cravo ou violino em prol de uma nova aventura que envolve mais projeção visual e financeira, implica em liberdade de escolha; implica em domínio das técnicas ensinadas pela serpente do mito do paraíso bíblico, chamado de Jardim do Éden. Consiste em consciência resolvida para decidir entre o bom ou ruim que é de cunho subjetivo.
O sujeito moderno (e cravista-paquita moderno) é como o Fausto moderno que tem absoluto controle sobre o corpo, é consciente do seu ser e dos seus impulsos naturais. Ele é uma pança que pensa (ou não..rs), sendo que o pensamento só existe em função de um não saber; o pensamento só existe via negação de si mesmo. Processo de auto reflexão é processo de auto-negação. Talvez a jovenzinha, queria apenas descobrir outros universos. Quem sabe, ela fosse uma exploradora de ambientes. Essa paquita é conchava do Fausto moderno que é aquele que quer saber tudo; é aquele que não se contenta com nenhum tipo de limite.
Ao ouvir esse episódio sobre a mutação musical, pensei no fator auto descobrir-se, e recorri a fenomenologia de Sartre. Aonde nós vamos nos descobrir? Nós vamos nos descobrir na rua, na cidade, no meio da multidão, coisa entre coisas, homens entre homens, entre outras paquitas, cravistas, pianistas, violinistas. Tudo isso gera uma teia de relações que geram ações, mutações, resultantes dos agentes dessas ações (Max Weber).
O que é o sujeito? O que é a realidade humana? É aquilo que cada um projeta ser. O projeto é aquilo que ainda não é. Nós somos aquilo que ainda não somos. Somos aquilo que projetamos ser. Quem projeta? O que deseja ser? De onde vem esse puro projetar? A consciência é um puro movimento que Sartre chama de liberdade; esse constante projetar-se, transcender-se é a liberdade. A liberdade não é um atributo do sujeito, não é uma questão de saber se o sujeito tem ou não um atributo livre. Se definirmos a consciência como esse ato, esse vento, isso é a liberdade e não pode deixar de ser. Na filosofia sartriana existe um paradoxo proposital, pois ele defende que somos livres para tudo, menos para deixarmos de ser livres. Podemos fazer qualquer opção, mas não podemos deixar de optar. Como Sartre gostava de frases bombásticas ele recitava: “O homem está condenado a ser livre” (a paquita também).
Esse constante transcender-se, esse constante inventar-se, nós não podemos nos livrar disso. O que é a realidade humana? Sartre define como sendo aquele ser que tem o seu ser fora dele. É aquilo que ele não é, e sempre será aquilo que ele ainda não é (ponto de vista existencial). Posteriormente, Sartre passa do projeto existencial para o projeto histórico. Mudei para poder continuar o mesmo dizia Sartre. Aliás, Sartre polemizava com os marxistas quando eles diziam que o sujeito é um reflexo das condições objetivas, no entanto, Sartre dizia que não era verdade, mas que o sujeito é liberdade. Se o sujeito é aquilo que fazem dele não é bem assim, pois somos aquilo que fazemos com aquilo que fazem de nós. A nossa liberdade não é uma liberdade, mas é uma libertação. Somos livres para nos libertamos, ou para tentar nos libertamos, entretanto, é compreensível que a liberdade tenha dificuldades para exercer historicamente.
O indivíduo é determinado pela história, mas ele é responsável pela história, porque ele é uma singularidade que filtra as determinações da história. O rigor ético de Sartre é: “Apesar de todas as determinações históricas, não há como abdicar da liberdade, pois abdicar dela é abdicar do nosso ser, de uma responsabilidade ética que consiste no reconhecimento daquilo que nós somos como ser. Dizer sim a abdicação é cometer uma traição a si próprio.
A consciência é a liberdade na raiz. Somos isso; somos liberdade. Abdicar de nossa liberdade é dupla traição: 1. Traição à finalidade do nosso projeto, nossa existência, nosso germe histórico. 2. Traição a nossa origem, isto é, aquilo que somos, a nossa consciência. Salve as cravistas, as paquitas, as violinistas, e sobretudo, as gatinhas, porque elas também são humanas demasiadas humanas, portanto, são nietzschianas e alvo joiano.
Abraços
Joeblackvan
Por Joeblackvan (www.joevancaitano.blogspot.com)
www.myspace.com/joevancaitano
“Preocupo mais com o movimento da aranha do que com a arquitetura da teia” (GABRIEL COHN – Prof de Ciências Políticas da USP falando sobre a sociologia de Max Weber).
“O último fundamento é o abismo” (Martim Heidegger).
“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).
Uma vez me perguntaram: Joe! Porque você não freqüenta os encontros da AMBB e CBB? Eu respondi na cara de pau e com a sinceridade de sempre: “Porque eu não estou a fim” (rs). Gosto da força do acaso, daquilo que não é planejado, por isso adoro os filmes do cineasta polonês Kieslowski como TRIOLOGIA DAS CORES e O DECÁLOGO que abordam sobre os personagens que acolhem os acasos. Não gosto de ninguém enchendo o meu saco querendo me converter prá isso ou aquilo. Quando eu tiver vontade eu me associo, pois acredito na força da teia de relações (Max Weber). Respeitem o tempo de Deus e o tempo de Joe. Minha percepção é interessada e desinteressada. Sou ligado e desligado. Por força do acaso, eu almoçei com a MM Gisele Rosa (musa de pequena estatura), e durante o papeamento fofocolóide em pleno centro do Rio, ela assinalou-me que haveria um encontro da AMBB no STBSB aqui na cidade maravilhosa. Com sensualidade vocal, ela atiçou-me a vontade de ir nesse encontro de músicos brazucas-aleluias. Disse que a Stella Preta Júnia iria tocar, então eu disse: vou lá ver a negona, Mário Bob Marley e seu contrabaixo mágico e o Thiago fragoso e seus punhos que emitem a fragrância rítmica oquyriana e aproveito para rever alguns amigos e fazer novos amigos. Encontrei o Edu Lakchevitz (dr Dudu), Paulo Júnior fominha de piano, Hélio Júnior, Paraguassú, Léo Gomes, Márcia Leite, Tânia Kammer, Adimar, Nathan, Sidney Chiabai, Gláucia Brum, Andréia paulista, meu primo Felipe Mattos, Martita cubana, Macla, Marcos Vinícius, Ana Flávia (Fafá cabeçona), Maurilio regente e outros. Ganhei novos parceiros como Emirson Justino, Mére Prado patrimônio tombado de Itacibá, Urgel Rusi, Ana e Márcio do estúdio, e outros.
No primeiro e segundo dia de encontros, cheguei pegando o bonde andando, mas entrei com um saco na mão, pois Deleuze fala que fazer filosofia é passear com um saco na mão a tempo e fora de tempo e colocar dentro tudo o que me interessa. Lá estava o Pr Sidney Costa falando sobre um monte de coisas relacionados a administração, engajamento, gestão e potencialização de pessoas no ministério de artes. Ele citou uma frase que me interessou muito e ensacolei-a: “Se você utilizar o melhor de cada um de sua equipe, você terá uma equipe ótima”. Particularmente adoro Genesis 3, e a serpente dando uma “aula ministerial” de como atiçar a sensibilidade no processo de enfrentamento das ESCOLHAS, ilustrada pela árvore do bom e do ruim. Saber escolher é um desafio, principalmente quando a decisão envolve decidir entre o bom e o melhor. John Maxwell categoriza: “Existem aqueles que querem a bola, mas não podem ter ficar com ela; existem aqueles que querem a bola, mas precisam ser treinadas para não pisar na bola; e existem aqueles que querem a bola e devem estar com elas, pois desequilibram e fazem a equipe vencer”.
Depois foi a vez do Pr Paulo Davi que mencionou sobre o tal do caminho de Emaús. Lembrei-me de uma mensagem do gênio teológico Alessandro Akil falando que Jesus se encontrou com as pessoas no caminho de casa, porque é em casa que somos o que somos, sem máscaras, sem frescuras, sem lero-leros. Em casa ficamos pelados diante de Deus e dos parentes; eles sabem das nossas virtudes e deficiências, das nossas manias, das nossas feridas, das nossas intimidades. Na vida social, o nosso eu morre dizia Marcel Proust. Na vida social somos um eu/nós dizia Fernando Pessoa. Por isso, nos encontros da AMBB, CBB, CCBB, CNBB ou CBSTA TCHE, nós somos uma coisa e outra como dizia Roger Bastide, porque precisamos rezar a cartilha, precisamos saber ler signos daquele contexto específico, porque se não soubermos ler esses signos, a gente acaba pagando mico e se passando como metido, corpo estranho, bossau, intelectolóide, intruso, etc (Livro de Giles Deleuze em Proust e os Signos). O encontro sincero com Jesus se dará no retorno, no percurso, no processo, de cada ministro para a sua realidade da sua cidade, fora da comodidade carioca, fora das aparências, do conforto das SIGLAS MM, fora do MEU MANTO PROTETOR. O encontro com Deus se dá na NOSSA NUDEZ. Deus costuma ceiar com os NN, ao invés de MM. Deus nos beija no caminho de casa, na trajetória rumo a nossa nudez existencial.
Mesmo numa ceia onde se pisam em ovos devido a Espírito Santo dos signos, os micos são riscos. Acabei pagando maior mico chamando a preletora e cantora Eloísa Baldin de Capixaba, artista de Vitória, etc...tive que sair pela tangente com papos de Deus na USP, porque ele serve à um Deus paulista que se manifesta no Morumbi ao invés de Maracanã. O grande amigo pernambucano Apolônio Ataíde também me confundiu com um sujeito de Vitória. Tive que mostrar minhas mãos perfuradas-cicatrizadas de chumbos das listas de debate e dizer: Mano! Eu sou o Joe...ele não acreditou, alegando que sou diferente das fotos do Orkut. Culpa dele porque foi raspar o bigode, perdeu a identidade de si e dos outros (rs)...Apolônio sem bigode...kkk não dá. A MM Alzira também não me reconheceu, pois sem aquela cabeleira Black Power fiquei = judeu na segunda guerra mundial, sem identidade. “A identidade torna-se uma celebração móvel” advoga Stuart Hall em seu livro A IDENTIDADE NA PÓS-MODERNIDADE.
Um de meus amigos cutucou os meus ouvidos dizendo: A AMBB mudou. Por que? Questionei-o. Ele respondeu-me: Sou do tempo em que o Hiram Rollo Jr regia o coro num estilo mais relax e conservador, agora trouxeram a swingueira SINDARA ROSA munida da pressão brookliana fazendo o povo coreografar a canção AMIGO SOU DE DEUS e alguns paradoxos temáticos-sonoros como o COMEÇO DO FIM a raiz de todas as palmas, aplausos, assobios e firulas wagnerianas. Enquanto o MM Wagner Araújo e companhia sacudiam a morada dos deuses, minha memória involuntária remetia as aulas sobre Martin Heidegger e o paradoxo do ABISMO DOS FUNDAMENTOS. Na língua alemã GRUND é fundamento e ABGRUND é abismo, isto é sem fundamento. Deus prá mim é isso, mix de Grund e Abgrund. Heidegger dizia: “O último fundamento é o abismo”. Isso tem simetria com CATÁSTROFE E TRAGÉDIA GREGA que consiste em tomar consciência daquilo que desde sempre foi a verdade da origem, quanto o ultrapassamento dessa origem. Nietzsche ressalta que a origem do fundamentalismo (logos socrático) já é na sua origem o suicídio do fundamento.“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).
Com base nessa muvuca paradoxal, aposto na suposição de que a teologia dos achados e perdidos se resume na primeira frase da linda canção EU TE BUSCO TE PROCURO Ó DEUS, NO SILÊNCIO TÚ ESTÁS. O segredo da busca é que não se acha (Fausto de Fernando Pessoa). Deus é o abrigo, é o riso, mas é também o risco.
Muitas pessoas ouviram e cantaram a música paradoxana que tematiza sobre O COMEÇO DO FIM, no entanto, o texto remete-nos a idéia de ressurreição do corpo de Jesus, como também a teoria do eterno retorno nietzschiana com interpretação deleuziana que defende o eterno retorno do diferente, por isso a turma não o reconheceu pós-ressurreição. Imagino aquele defunto solitário estendido no chão da cova-caveira-cavernosa, no entanto, a morte silencia diante de um sorriso musical. Não consigo imaginar alguém morto perto do cantor Wagner Araújo, pois com o carisma que ele possui, faz qualquer múmia desrespeitar a força da gravidade, fazendo-a sempre querer cair para cima e ressuscitar. Eis o curioso caso de Wagner Araújo Buttom.
Ressuscitar talentos é a função de todo grande ministro de música, pois toda a arte é um processo de descoberta que necessita de atores de intensidade ao invés de intenção. Contemplo um gestor como um pioneiro, um explorador de ambientes, um cientista, acima de tudo, ele atua como um servo que serve em prol da materialização do processo criativo, que implica em criar arte instantaneamente. Esse desbravador ele se sedimenta em tradições, mas é novo todas as noites. Sua rotina tem a ver com ganhar a vida e correr riscos enormes; tem a ver com perder tudo e encontrar o amor; se submete a difícil missão de manter as coisas simples, e vestir-se com elegância. Enfim, ele representa todas essas contradições. Ele consegue reconciliar esses opostos da nossa vida diária.Ele lava a poeira da vida do dia-a-dia.
Esse sujeito empreendedor, deve sempre imitar Proust e dizer: “A minha vida é uma vocação; é o relato de uma aprendizagem. Uma aprendizagem que consiste em aprender a dominar técnicas desde como pescar o peixe, como também, de colocá-lo sobre a mesma. Colocar o peixe sobre a mesma é uma tarefa árdua, pois exige paciência na espera, isca correta, purificação dos pecados das escamas e demônios internos do peixe. E quando o pastor fede a chatisse? Às vezes, são os membros da comunidade que costumam feder. Desempenhar o ministério sem deixar a peteca cair implica em habilidade de saber engolir sapos também. Preparar uma liturgia saborosa implica em boa vontade, sensibilidade, experiência e bom gosto. Rubem Alves disse que o cozinheiro é o mestre dos prazeres da boca. O ministério tem como grande tese: PRODUZIR PRAZER NUMA BOA, SEM STRESS. Nem sempre é o complexo-chique-rebuscado que agrada o coração de Deus, mas Ele também ama os simples e humildes de coração. Como o pintor Cézanne que sempre voltava a sua adorada montanha ou as laranjas na mesa de sua cozinha, e isso bastava para explorar os mistérios do universo, é possível achar um número infinito de possibilidades diante da pequena palavra DEUS.
Valeu, abraços e aticem a curiosidade nas buscas pelo vôo 777.
Joeblackvan
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Memórias de Jazz Cubas. Por Joe Sabugas. Uma aventura de fé no PALACE XIX
6 comentários Published by Joe Black on 27/07/09 às 23:13“A canção é o sino da memória” (Wynton Marsalis-trompetista de jazz).
“Não há como fugir de ontem porque ontem nos deformou, ou foi por nós deformado” (Beckett sobre Proust).
Dentro da palavra LOUCURA está a palavra CURA (Dr Luiz Longuini Neto).
1. Dia 12 de fevereiro de 2000 eu desembarcava na cidade maravilhosa e fui encaminhado diretamente para o Palace XIX. Não havia fechaduras na porta do meu quarto, na verdade, mal eu sabia que aquilo era pura sacanagem estratégica da administração para facilitar o acesso dos veteranos e atiçar meu tormento típico de calouro. Na primeira noite eu rodei legal nos trotes, aliás, nem meu pai, um coroa sagrado, escapou daquele massacre batismal. “Aquele que beber dessa fonte jamais terá sede”, diziam os teólogos palacianos apossados de seus “conteúdos” fedoríficos –mágicos- enlatados. Para entender tudo aquilo, somente meditando nas NARRATIVAS DO ESPÓLIO de Franz Kafka sobre A QUESTÃO DAS LEIS: “Nossas leis não são universalmente conhecidas, são segredo do pequeno grupo de nobres que nos dominam”. Fui “dormir”.
2. Enquanto “repousava”, ouvi por três vezes a voz de Samuel Beckett alertando: “A morte não pede um dia livre”. Então, naquela mesma semana, eu e meus colegas fomos acordados repentinamente por volta de 2h da madrugada, sob o pretexto da necessidade de participarmos de um culto de confraternização. Quando me aproximei do local de koynonia, o ambiente era escuro, e avistei meus colegas calouríferos apavorados, então eu ouvia uma voz que dizia: Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque vocês (meus conchavos...quais?) estão comigo. Fomos submetidos ao ritual católico-batistiniano, e vibrei com o sorriso daquela magnífica imagem da santa Nossa Senhora negra Aparecida. Fred, meu colega de quarto, torcia pelo aparecimento relâmpago do Reitor, mas a cúpula teológica dizia: sem mim (sem nós), nada podeis fazer. Disse baixinho no ouvido de Fredinho: “mano! Há um medo que nos protege, mas há um medo que nos paralisa”. Ação já, solução já! Não pensei duas vezes e beijei a preta e cantei Caetano Veloso: “Você é linda mais que demais”. Com esse ato de ousadia política, me fiz de louco para ganhar os loucos, e acabei ganhando...rs,..fiquei amigo dos caras, aliás, atualmente, boa parte desses luciferianos, são doutores, professores, ou pastores que combatem o bom combate, mas não tem pretensão de acabar a carreira nem tão cedo, pois tem poder e din din na jogada, a raiz de todos os (“males?”) (q nada, é de todas as gatas).
3. Me lembro, do dia em que voltei de férias, meio cabisbaixo porque não tinha sido aprovado na prova para graduação na UNIRIO (fevereiro de 2001), daí quando eu entro no quarto, me deparo com uma bateria monstruosa que ocupava mais de 50% do espaço. Eu, André Codeço, Diogo Rebel e Lucão ficamos perguntando: De quem é isso? O que é isso? Quem permitiu isso? Quem é esse maluco bateriano? Do nada, aparece o Daniel Batera com aquele sotaque gaúcho e aquele jeitão Alá 777 tatuado no braço, com pinta de mais que perfeito, com trejeitos de deus branco. Já fomos aterrorizando o cara, alertando que se ele quisesse dormir no nosso quarto, ele teria que beijar a tal da Santa Preta, mas ele reagiu furiosamente e disse: “Jamais farei isso, pois não trairei o meu Deus”...(kkkk)...Dani batera, reagiu de cabeça erguida contra força do sistema CAP GOSPEL, no entanto, por ser desertor, pagou o preço firminiano durante os quatro anos que morou como príncipe. Não se vendeu, mas também não se formou.
4. Deserto num palace? Deserto nos remete ao habitat de serpentes, cobras, etc, animais perigosos, no entanto, só eu sei as esquinas por que passei, só eu sei o que fizemos para capturar o animal pecaminoso fora do Jardim do Éden. É fácil domesticá-lo quando ele está dentro do quadrado, mas difícil é pastoreiá-lo quando ele foge do aprisco. Hauley Valim (grande pensador), tinha trejeitos de teólogo Hippie, além disso, tinha costumes esdrúxulos, pois insistia em criar uma cobra coral dentro de uma caixa em pleno seu aposento. Mas um dia, ela resolveu fugir, daí foi um samba do crioulo. Houve toque de recolher, mas ninguém obedeceu à voz de Deus, e saíram em busca da serpente, mas eu resolvi potencializar o meu tempo, e fui para a praia da Barra para apreciar as Evas. Por volta de 17h, a cobrinha foi realmente capturada. Ela estava na parte superior da porta da escada. O zelador alegou que ela estava recolhida e disse a ele: ”Estava nu e tive medo” e ainda cantou Vanessa da Mata: “Não me deixe só, eu tenho medo do escuro, (...) dos fantasmas da minha voz”.
5. Loucura mesmo foi o que fez meu brother e ministro de música Lucão (o ninja afetivo) que praticava a unção da bigamia off enquanto cursava música sacra. No período de aulas, ele namorava a filha do tio Amú, mas nas horas vagas (período de férias) ele namorava a mulher da cidade dele. Como diz o Reverendo Longuini: o amor vence todo o segredo (...), então, o dia do tira-teima se concretizou no recital de formatura dele. A mulher daqui preparou tudo no que se refere à produção e divulgação, e a mulher de lá apenas orou e veio prestigiar. Na hora dos agradecimentos, o pai dele tomou a palavra, encheu a bola do filho e pediu que a ilustre namorada dele ficasse de pé, entretanto, as duas se levantaram (rs). Houve um silêncio unânime na capela do STBSB ficando evidente a surpresa na face dos convidados como também o ciúme escancarado no rosto das duas musas, e o recital acabou ali mesmo, porque faltou luz (os deuses se revoltaram? Só faltou o véu se rasgar). Proust estava certíssimo ao defender a tese que por detrás do amor está o ciúme. Amamos para ter ciúmes é a grande tese proustiana.
6. O amor vence todo o medo diz a Bíblia, mas o álcool costuma liberar todos os segredos também, mesmo correndo esse risco, alguns de meus parceiros viviam movidos pelo cinismo e BUXIXO. Esses adoravam tomar uma birita antes de subir nas plataformas catequéticas. Um desses após ficar porre, pediu para o companheiro de quarto dá uma cavalgada (rs). Disciplinaram o cara em nome de Deus só porque o álcool denunciou que ele era VIADO PASSIVO RADICAL (atitudes de terceiro mundo). Coitado! deu azar, porque se fosse na época do culto da gravata nos anos 90, ele ia poder saborear vários tipos de sorvete sem condenação pois os caras adoravam o deus Sartre que defendia que todos estão condenados à liberdade.
7. Pensar embriaguez via discursos é falar de pastor Herodes, pois ele foi uma figura importante para a difusão da unção trapaçadora, pois ele aceitava a tese de que a mentira é um mal necessário. Um dia interrompeu a aula para pedir grana aos colegas, tendo em vista que corria o risco de perder a matrícula devido a dívidas de mensalidades anteriores. Enfim, a turma gentilmente arrecadou uma oferta de solidariedade e entregou-o, no entanto, ele riu sarcasticamente e passou duas semanas degustando e experimentando os prazeres dos mestres do kamasutra da boca na churrascaria ESTRELA DO SUL regado a vinho e uísque importados. O CADS tinha essa fama de carnalidade dionisíaca, pois ao invés de pedir a cabeça de João Batista, preferia as moedas discentes-messiânicas, ao dizerem: “DÊ A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR E A deus O QUE É DE deus”.
8. Malucos existem, mas é cômico quando um sujeito é normal, no entanto, aparenta ser esquizofrênico. Frederico Macedo tinha esse perfil de flautista-psicopata. Devido a sua aparência estranha, grande criatividade e poder retórico, ele atormentou o confessional Pr Ailton Rocha sob o suposto desejo de assassinar-me durante o ano de 2000. Era época de GQ, e as simulações de ameaças e sintomas se intensificaram, ao ponto do Ailton ligar para farmácia altas horas da noite solicitando Gardenal para um seminarista mentalmente despirocado. Recebi vários alertas como: Joe! Retire todas as facas, garfos, e outros objetos perigosos do seu quarto, pois, sua velha assinalou que irá te matar (rs). No dia combinado, lá estava eu todo encharcado de tinta vermelha e Catchup por todo o corpo e com a cabeça por debaixo da cama. Quando o Ailton retornou da Farmácia, eu comecei a me estribuchar e titubear estendido no chão, e minha velha Fred capeta, apareceu com uma faca “encatchupiada” perante o confessional: Ele agarrou fortemente o “assassino” e gritava: Edwin! Edwin! Edwin! O Fred matou o Joe...rs...daí a galera palaciana chegou junto sorrindo e dizendo: É apenas uma brincadeira, relaxa e goza amado, mas ele estava suado e com o coração saindo pela boca. Esse episódio macabro-teatral me lembrou do filme mudo AS MÃOS DE ORLAC, de 1924, do cineasta alemão Robert Wiene, que conta a história de um pianista virtuoso que sofre um acidente de trem e tem suas mãos decepadas. Em um procedimento experimental, lhe são implantadas as mãos de um assassino que acabara de ser executado. Quando descobre a quem pertenciam suas novas mãos, Orlac acredita que agora também tem predisposição para matar.
9. A boca fala do que o coração está cheio diz a Santa Palavra de Deus. Por isso, Samuel de Pádua ao desembarcar pela primeira vez no terminal rodoviário do carioca, verbalizou com extrema sinceridade: Tô no Rio de Janeiro!!! Hehe...”nenhum dinheiro do mundo paga esse momento histórico-sagrado”. O taxista ouviu esse mico e foi logo convidando o futuro ateuzinho para que entrasse no carro e sinalizasse o destino. Sam disse: Sou do interior de Minas ..mineiro uai...quero ir para o seminário X, endereço Y, e vou estudar teologia. O taxista disse: Você serve a um Deus que é dono da prata e do ouro, por isso, fique tranqüilo que iremos chegar em paz ao seu destino. O taxista malandramente, fez um “pequeno” tour pela cidade, fazendo o Sam ficar enfeitiçado com as belezas naturais. Enquanto o Sam vibrava com as bandeiras de seu time favorito em volta do Maracanã, o taxista aplicava a bandeira II, bandeira III-IV em plena manhã de sol. Ao chegar em frente ao Palace XIX, o taxímetro registrava R$ 151,90 pela corrida maravilhosa, no entanto, o filho de Deus chiou. Mas o taxista com magistral sabedoria trouxe a AQUELA memória mineira: “Estou aqui no Rio e não tem dinheiro no mundo que pague essa aventura”. Sam pagou, mas ralou depois (rs).
10. Quem experimenta uma perda inesperada, tem que suar a camisa para recuperar aquilo que foi tomado, além de ter que suportar muita dor de cabeça. Não adianta apenas cantar: “Restitui! eu quero de volta o que meu, sara-me, põe teu azeite no buraco arrombado”. É preciso agir, e se preciso acionar o desconfiômetro. Era inicio de Julho de 2007, época dos JOGOS PAN AMERICANOS aqui no Rio, e o Palace XIX estava quase deserto, com exceção de alguns moradores que ficaram por N motivos. Minha carteira foi roubada, com R$ 250,00 e alguns documentos. Não tinha pistas, mas mexi os pauzinhos, corri atrás via câmera escondida, detetives internos, sondagem via moradores e descobri que o sujeito suspeito já havia roubado outros moradores, além de ter ficado na cadeia por cinco anos em Sampa devido acusação de estupro. Ele era um jovem talentoso na música, e tinha projetos teológicos-pastorais, no entanto, pelas pistas, tudo indicava que era um dependente de drogas que estava passando por crises de abstinência. Pressionei e torturei verbalmente esse colega objetivando a confissão que só ocorreu após ele ter descoberto que eu havia mapeado toda a vida dele e que ele poderia virar mulherzinha na cadeia carioca. Tive que mentir na delegacia inventando outra história no BO para salvar a vida daquele colega embora o delegado insistisse que eu deveria botar ele no paredão, entretanto, pedi ao pastor dele e a família que o enviasse para uma clínica de recuperação de drogados no interior de São Paulo. Foi muito emocionante jantar com ele no supermercado EXTRA mesmo sabendo que ele havia me furtado para comprar drogas segundo ele admitiu. Eu estava nu perante ele e ele perante mim, pois rolou uma sinceridade e o desejo de recuperação. Naquela mesma semana eu fazia um curso intensivo de alemão no Instituto Goethe-Rio, e uma das tarefas em classe foi verbalizar o que ocorreu no dia anterior, então eu falei que havia jantado com o ladrão que me roubou...ninguém entendeu nada...falei: imagine Hitler beijando um Judeu em plena segunda Guerra Mundial... Jesus fez isso papeando com a mulher samaritana. Este caso ficou em off no campus para preservar o sujeito, mas pelas informações que obtive, esse colega casou-se e está caminhando de cabeça erguida vencendo a cada dia.
11. Vencer e vencer, era o lema de Pr Saulo (saulinho), grande neguinho sem beija- flor, mas cheio de humor, que veio para vencer em terras do sambianas. Ele dizia: Joe, hoje tô na merda nesse inicio de carreira, mas eu tenho talento, e vou dar a volta por cima. Saulinho era o retrato da grandeza de ser pequeno. Ralou muito via inclusive nos projetos afetivos. Depois de muitos foras e nãos, por força do acaso e perseverança, ele se deparou com uma missionária paraguaia e casou-se lá e aqui. Saulinho representa a glória de ser perseverante, além disso, ele é um personagem kieslowskiano, pois sabe acolher os acasos. E os casos de amor que o Kenner Terra tinha pelas manhãs com a língua grega e sua concubina exegese do NT? Kenner, (em breve doutorando na UMESP) ralou com disciplina lendo tijolos diariamente na biblioteca, mas sempre tinha tempo para pecar nas peladas do PECADÃO, pois ele sabia que todas as tardes, Deus vinha conversar com ele em pleno movimento de corpos e bolas. Quem se recusa a ouvir a voz de Deus acaba dando com a cara na trave como ocorreu com Eduardo Trave, no entanto, ele já está de bem com Deus, pois Deus é amor, às vezes é uma jumenta, mas também se manifesta nas traves da vida.
12. Quem se recusa a rezar a cartilha no arraial do povo de Deus, acaba pagando mico e se deparando conseqüências (às vezes). Foi assim que ocorreu com a dupla de velhas Samuel e Jordilei que cursavam o segundo ano do curso de teologia. Samuel era seminarista estagiário e atuava como professor na EBD, entretanto, ele cismou de dizer às ovelhas que o mar vermelho não se abriu, mas que era um mito, pois era um mar de juncos (rsssss). Daí um diácono foi até o pastor da igreja e perguntou: Pr! O Mar vermelho abriu ou não? O Pr malandramente disse: claro que sim meu caro irmão. Por que? Por que o seminarista Samuel disse que não abriu coisa nenhuma. Me parece, que o Sam se indignou com toda a fachada catéquica e foi limado por desvio de doutrina, no entanto, seu conchavo Jordilei seguiu firme dizendo que se a igreja continuasse pagando o carnê dele mensal ele pregaria que o mar vermelho se abriu com dinossauros, tubarão, marcinha pandeirão e muito mais.
13. A figura de Jordilei é importante, pois precisamos saber ler signos como dizia o Deleuze, pois quem não sabe ler signos, corre o enorme risco de se “ferrar legal”, no entanto, a figura do Samuel também é hiper importante, pois ele nos remete ao ousado Tomé que duvidou da ressurreição de Jesus. Em todo local haverá pessoas que vão dizer aleluia amém e irão se conformar, porém, haverá o risco de surgir um espírito de porco e questionar tudo. Quem se conforma, não vive pela fé porque está protegido pelas cercas do quadrado, mas quem se propõe a questionar, vive de fé mesmo, pois ela tende a pular a cerca e transitar fora do quadrado, da comodidade, porque o pensamento não tem fronteiras, e aspiram abrir um buraco nas palavras. Jimmy Sudário e Osvaldo Ribeiro são exemplos de focinhos que fuçam, fuçam e fuçam...quebram o coco mas não arrebentam a sapucaia.
14. Quando ouço sobre cocos, açaí e sapucaia, minha memória involuntária remete as regiões em que habitei durante a minha infância: Pará, Amazonas, pertinho do Acre. Falar de teologia tupi-açaí e tucupi-guarani é falar dos pastores Romario Ney e sua performance alá Caio Fabiniana e Agnaldo (Pr Curumim) e sua simpatia mixada com raça tucumânica. No encontro com sua noiva Júlia houve esperança, mas na cantada Messenger-juliniana de Justi, nasceu o inimigo da lambança. Faltou ao teólogo Justi o instinto Don juânico que o pastor bombeiro tinha. Ilustre mesmo é o Eliéziu e seu curioso caso com a teologia joanina. Nos momentos de reflexão na serralheria ele costuma reverenciar contemplação ética de Wittgenstein dirigida à possibilidade de ocorrência de alguma coisa. Daí ele pergunta: Para onde fugirei do teu Espírito? Se eu estou na comunidade dos discípulos amados, tu estás; se eu estou no Encantado, tu estás (hehe...rs). O problema é que Pneuma no grego é uma palavra feminina. Isso é um caso sério ao som de um bolero.
15. Caso sério ao som de dois fagotes excepcionais diz respeito aos Pastores Elias maluco e Tavares sargento porque eles eram temidos por seus colegas por possuírem uma perna a mais. Os deuses no ato da engenharia muscular concederam-os, o privilégio de poderem caminhar sobre as gatas, provocando dores, temores e tremores perante aqueles (a) que se arriscam de aproximá-los de forma inadequada sem a couraça da justiça inimiga. Por elas, só resta-nos pensar na compaixão. Só cabeções aptos para a liturgia da fecundação.
16. Caso sério mesmo é você querer afetivizar com vocacionadas que não entendem nada de sacrifício de louvor. Diz o texto bíblico que Deus curte oferta com aroma suave e agradável. Mas quando (a) espiritual tem chavasca de bacalhau? Você pode orar até 30 vezes que não resolve, porque o cheiro diabólico bacalhônico fica arquivado até no sub-inconsciente, daí o ousado-azarado-vocacionado corre o risco de brochar diante do Auschwitz Batista, chamado carinhosamente de CONCÍLIO EXAMINATÓRIO. Tem coisas que nem Freud explica, talvez a paixão explique.
17. Pior do que concílios são os “aconselhamentos proibidos”, pois se o sacerdote não dominar a malandragem, ele corre o risco de revelar e entregar o colega ou amigo, trazendo prejuízos incalculáveis, restando ao prejudicado recitar a frase de Karl Marx: “Sofro igual Jó, apesar de não ser tão temente a Deus”. Depois que o vulcão entra em erupção, as luzes se revoltam, e daí não adianta rezar, orar, nem tampouco lambrear no monte, pois até o monte fica MONTENEGRO.
18. Negro mesmo era a figura do arcanjo Bissiati que misturava uma carapuça de batista com doutrina gótica. Ele era uma coisa e outra, mistura de ternura e loucura, de amigo e perigo, mas era um sujeito com um coração grande, pueril, que misturava bondade e simplicidade capaz de alcançar o coração de Deus com sua pitada de confusa e difusa diversão. Dentro da palavra LOUCURA está a palavra CURA, por isso, Freud dizia que o amor está perto da loucura. O amor vence todo o degredo (o exílio). Os loucos são os caras mais livres.
19. Divertido mesmo foi na cerimônia de formatura de 2003 na PIB do Rio, quando o dirigente solicitou, que todos os professores da academia sagrada ficassem em pé, daí o meu jovem amigo Mário Zazv, que na época era professor também, erigiu seu corpo, no entanto, um dos medalhões da convenção solicitou-o que voltasse a ficar sentado, pois somente os professores deveriam ficar de pé. Queria que ele ficasse de mão porque usava trajes brancos, cabelos rastafári e chinelos afros amacumbados. Esses não curtem (temem) preto velho, quem dirá preto novo.
20. Monte negro foi aonde subi várias vezes, mas foi difícil falar com Deus. Às vezes tive que lamber o chão para comer cú de burro (=miojo sendo cozido com salsicha navegando solitariamente sobre as larvas da fé). Tive que engolir sapo e ouvir alguns pastores dizerem: Joe! Escolhe: ou igreja ou teus estudos sabendo que o curso de música numa universidade federal funciona em tempo integral...ouvia: ”vc tem que virar escravinho de Deus enchendo o saco de Deus a semana toda -ministério full time” (rs..em plena era da internet)...É PRECISO SEPARAR O JOIO DO TRIGO E O JOE DOS LIVROS, eles queriam. E eu olhava para o céu e dizia: Deus! não posso ser burro, vou chutar o balde, mas vai comigo nietzschianamente e assim eu fiz. É fácil alguém que tem uma família estabilizada financeiramente, chutar o balde quando está sobre pressão; difícil mesmo é o cara abrir mão de ministério de cabeça erguida sabendo que a família não pode lhe ajudar com nada (só com orações). É preciso ter raça para dizer: missão cumprida e bola prá frente e ainda ter fôlego para cantar Renascer Praiser: Dependo de Ti, mesmo que os que me amam, não consigam me ajudar, eu dependo, dependo de ti. Se liga! Viver na dependência de Deus é viver fora do quadrado porque o vento de Deus ou é aleatoriedade ou é circular, mas é sempre condição de possibilidades. Nessas horas o anjo do Senhor acampa-se ao redor daqueles que são porras-louca e joga junto sem deixar a peteca cair. Quem joga com Longuini, tem tudo para jogar com Mancini ou com Maldini.
21. Quem joga em condições adversas sabe dançar na beira do abismo (Nietzsche); sabe rir com a faca no coração (Denise Fraga falando sobre Brecht). Quem morou no Palace XIX sabe que o cômico e o dramático se confundem; sabem que Deus e o Diabo andam de mãos dadas, por isso, é preciso saudá-los, pois o mundo dá voltas. Não adianta fugir, nem mentir, aqui dentro e sempre, pois há taaaaaaaaaaanta vida lá fora, tanto para aquele que quer construir, como também para aquele que quer roubar, zoar e destruir, porque afinal, no caminho Emaús, muitos serão lesados, mas alguns veículos serão escolhidos, cogita o ministro dos transportes Gilberto Gito. Quem viveu na morada dos deuses (Palace ou Pavilhão XIX?) experimentou a jornada da alma, por isso tem a estranha mania de ter fé na vida. Tivemos o imenso privilégio de ouvir e cantar juntos: Nada a pedir, só agradecer de Edwin Ferraz. “A canção é o sino da memória”.
Alô galera do XIX! akele abraço; alô torcida do XVIII! Akele abraço; XXIII e XXX akele abraço tb.
Joeblackvan O Ancestral – ferveiro de 2000 a julho de 2009 (saudades...mas,em tudo daí graças rumo ao doutorado)
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BOLDO COM SABOR DE MEL
Por Clayton Téologo
claytonteologo@bol.com.br
Em toda a minha vida, todos os dias em que o meu fígado resolvia dar férias coletivas para o bem estar, a intervenção sapiencial da minha avó, incisivamente restaurava-me a saúde. Tudo bom e maravilhoso se este método milagroso não fosse embebido num copo pequeno com dois dedos de um sumo retirado das folhas de uma planta chamada “BOLDO”. Entendi que na verdade não melhorava, na verdade o amargo intenso e voraz desta planta me fazia esquecer as dores.
Após o meu primeiro contato com esta experiência fitoterápica, passei a ter pavor de problemas hepáticos, não me entendam mal, o meu desespero era sequer cogitar a possibilidade de ver minha querida avó caminhar em minha direção com o suco de uma erva, que para mim parece ter sido cultivada nos jardins do inferno.
Sobretudo queridos, o amargo do sumo retirado das atitudes de um determinado REITOR (ou quem sabe FEITOR) tem suplantado o gosto ruim do boldo.
O despotismo e a obtusidade nunca poderiam ser percebidos nas atitudes de um homem que carrega em seus ombros a missão de administrar uma instituição de 120 anos; uma instituição que foi gerada nos sonhos de pessoas que mesmo há um século atrás, que mesmo sendo naturais de uma terra distante, já entendiam que a educação é o fio condutor do esclarecimento, da formação de opinião, dos questionamentos e do inconformismo à segregação.
Estou com vontade de entrar numa dessas inúmeras lojas de sucos ou quem sabe até num bar ou restaurante e gritar ao garçon:
- Por favor, um copo duplo de boldo!
Ilustração surreal? Surreal é achar que por ocupar o cargo máximo administrativo de uma instituição acadêmica, tem o direito de cometer injustiças, de achar que em meio às suas funções está também a de interromper sonhos, de interromper projetos de vida, de pegar os textos que temos escrito para os nossos dias e colocar pontos, vírgulas e sinais de interrogação.
Tenho tentado digerir e não acumular dentro do meu peito (pela minha saúde), tais desmandos... mas não tenho obtido êxito.
Nunca mais reclamarei das doses de boldo administradas pela minha avó, tenho sido forçado a beber coisa pior.
Se você que está lendo este texto, e se indigna com tais arbitrariedades, junte seu grito ao meu e ao de todos os alunos que tiveram sua jornada acadêmica interrompida e a conclusão do seu curso impedida pela simples decisão de um reitor de extinguir alguns cursos.
Hoje estou sendo forçado a beber o amargo líquido do descaso e da incoerência, este líquido faz com que eu beba copos e mais copos de boldo numa só golada deliciosamente, pois pra mim estes copos hoje nada mais são do que:
BOLDO COM SABOR DE MEL!!!
Clayton R. Mendes
Estudante do 6º período do (extinto) curso de Teologia da UniBennett.
Obs: Joe, por favor repasse para todos que você conhece este meu texto de repúdio. Grato.
Marcadores: Boldo, Mel, Teologia do AT, UniBennett
Amariles de elevador com Michael Jackson.Um diário mortal.
3 comentários Published by Joe Black on 27/06/09 às 01:50“Michael Jackson ao chegar ao céu, foi logo perguntando para Deus: Cadê o menino Jesus”?
"Eu acredito num Deus que dança" (Nietzsche).
“Para mim o viver é Cristo (e Bila Canto tb) e o morrer é lucro” (São Paulo e Rainha Amariles).
“ Na juventude, a gente não dá valor ao tempo, mas quando a gente chega na velhice, começamos a valorizar cada segundo” (filme INVASÕES BÁRBARAS).
Ontém, 25 de junho (quinta feira), foi um dia muito agitado e confuso para mim. Cedinho a impressora deu pau, mas nos descontos do segundo tempo, o Sam conseguiu imprimir meu trabalho de seminário de Educação. Na mecanografia na Lapa, houve complicações para encadernar o trabalho, fazendo com que eu chegasse atrasado à aula do mestrado. Saí da aula correndo e engoli a comida durante o almoço, e corri para a escola Corcovado no Jardim Botânico, pois havia agendado fazer o teste de língua alemã ONDAF. Prova cascudérrima, e acabei levando chumbo legal, porém, sou igual o Lula, e não desisto, sou perseverante até a próstata, daí, ao entrar no BUS 409 eu continuei cantando de cabeça erguida: TENTE OUTRA VEZ.
Durante o percurso, meu celular tocou, e eu atendi dizendo: Fala FABÍIIIIIIIOLA. Era a Bila Canto me comunicando sobre o falecimento da vovó dela, nossa amigona e rainha do entusiasmo: Amariles. Disse prá ela, to chegando à minha casa, mas daqui há pouco, estarei aí no hospital BARRA DOR. Chego em casa, tomo banho desesperadamente, e ligo a TV enquanto me arrumo. Tá rolando a partida da semifinal da COPA DAS CONFEDERAÇÕES entre Brasil e África do Sul. O jogo é favorável aos sul africanos, no entanto, com uma bola parada no final do jogo, Daniel Alves decreta morte súbita em pleno tempo normal de jogo. Numa boa, eu tava feliz e tenso, porque minha memória involuntária falava de morte no futebol e morte no BARRA DOR.
Complicações também para inserir créditos no meu celular, devido o sistema estar fora do ar na loja PONTO FRIO, entretanto, uma farmácia bobinha salvou minha pátria. Pego o BUS 234, e Bila canto me diz: Joe! Esquece BARRA DOR, venha direto para minha casa no recreio. Ao chegar lá, o irmão dela, Felipe vem me recepcionar. Felipe Suvinil, é um cara saradão, musculoso, fortão, boa aparência, estudioso, pegador, e jovem com um futuro promissor, como a maioria dos jovens da região da Barra da Tijuca e do Recreio, no entanto, ele parecia um menininho raquítico diante da perda da vovó amada. Pela primeira vez, meu abraço magérrimo, foi mais forte do que toda aquela estrutura muscular. Papeamos um pouco e comentei: Bicho! A vida é muito frágil. Domingo passado estávamos conversando com ela e agora ela tão longe e tão perto devido a nossa recordação. Filipe Suvinil dizia: é Joe, quando eu nasci minha avó nasceu junto, pois ela me criou a vida inteira...tá fóda superar essa perda.
Entro calmamente no apto, e me deparo com a Shirlei (mãe da bila) igual uma barata tonta, juntamente com o cachorro estava totalmente desnorteado e desapontado, por isso, latia roucamente e tristemente. Fabíola Carvalho tava no quarto e parecia que havia tomado um porre da pesada, pois não sabia onde botava as roupas, os sapatos, e me pediu ajuda para arrumar o quarto. O cheiro da avó que dormia com ela, tonteava-a, saculejava-á. Quando amamos alguém, mesmo que haja a separação da morte ou do divórcio, o cheiro permanece por muito tempo. Quem nos separará do amor do cheiro? Se divorciar do corpo é um “pouco fácil”, difícil é escapar da força do cheiro e da lembrança.
Bila canto, vai para a sala e começa a cantarolar algumas canções do Tom Jobim, e alguns cânticos, dentre eles, EM ESPÍRITO E EM VERDADE, MAIS PERTO QUERO ESTAR e outros comigo ao piano. Sentimos uma paz e nos ligamos um ao outro, num ato de garra e profunda adoração, pois nessas horas vale à pena se apegar a qualquer santo, talismã, etc, por isso, naquele momento doloroso, nos apegamos ao santo Dostoiévski porque ele diz que sem arte não há salvação. Bila Canto, com sua voz penetrante, arruma forças de onde não tinha e mantém a afinação, não deixando a peteca cair, chegando com isso ao sétimo céu, no ouvido de Deus. Com a sensualidade sonora, os deuses é quem descem a terra para ouví-la e lhe assegurarem: “Eu sou o guarda de Israel, sou fiel na guarita, e não durmo só para ver sua vovó dormindo” (Salmo 121). Fabíola ria e chorava, fazia uma mistureba total, mas eu dizia: relax gata! coisas de artista; coisas de Fabíola.
Prá dormir, foi muuuuuuuuuito sinistro, pois eu também entrei numa deprê do cassete, e fui encontrar consolo na voz de uma amiga cabeça via telefone. Quase duas horas de papo que me atiçaram para a vida novamente. Cedinho, rumamos para Caxias, destino: CEMITÉRIO CORTE 8 (onde o Judas perdeu as botas). A ficha parecia que não tinha caído para a gente, mas quando eu vi aquele corpo estendido sobre o caixão, meus olhos projetaram um remelexo lagrimal, e eu querendo manter a pose e o mito de homem não chora, chorei quase em off, me questionando: Cadê aquela energia vigorosa que essa velha tinha? Cadê? Cadê? Se foi...perdemos o controle sobre ela. Enquanto chorava, recordava as palavras da Rebeca (nora) sobre a cena da marketeira AMARILES no BARRA SHOPING panfletando e divulgando na cara de pau o show da neta Fabíola, Cristina Biscaia, Vinny Black, e Flávio Ferr e o grupo OS FILHOS DA PAUTA (quase filhos da puta...salvo pelo signo pentagrônico..que tal ler Proust e os signos de Deleuze e as palavras e as coisas de Michel Foucault?). Esse show ocorreu no SHOPING DOWNTOWN no domingo dia 21/06/09 e eu estava lá na primeira fila. Enquanto chorávamos, me lembrava de uma hipótese da amiga Stella Júnia, que aposta que durante o choro diante da morte do outro, estamos chorando a nossa própria morte.
13h15, o padre reza uma pequena missa de corpo presente, os familiares estão abatidos, mas cercados de abraços, carinhos e beijinhos “sem ter fim”, e Bila Canto que não queria ver o corpo, pede para cantar DEUS ENVIOU...E QUANDO ENFIM CHEGAR A HORA EM QUE A MORTE ENFRENTAREI, SEM MEDO ENTÃO TEREI VITÓRIA, VEREI NA GLÓRIA O MEU JESUS (E A AMARILES) TAMBÉM QUE VIVO ESTÁ. Com esse canto, Fabíola profere um ato de respeito para com o próprio medo...medo de ver o corpo inanimado-imobilizado-encaixotado, mas sem medo de ver com os olhos da fé, uma imagem, uma representação mental do sorriso animado que ela visualizava nos braços do Pai. No caixão estava escrito um frase de Jesus: “Aquele que crer em mim viverá”.
14h (sehr punktlich, keine Verspätung to Amariles), o caixão é transportado rumo á cova. Todos caminham lentamente naquele caminho do Getsemâni-Gólgota carioca-caxiniano. A Shirlei mãe da Fabíola e filha da rainha Amariles, caminha aos trancos e barrancos com respiração pesada, lágrimas de filha, no entanto, ela ainda arrumava forças para cantar CAZUZA em interno-off-silencioso: “ Querida Amariles! O tempo passa arrastado só para eu ficar do teu lado ”.
O caixão é colocado na cova, e todos retornam sem o modelo, sem a referência afetiva familiar. Creio que boa parte dos familiares, perguntavam: Como caminhar daqui para frente sem a figura da Amariles? 25 de abril de 2009, foi marcado pela morte viva do modelo, pois Amariles era pura vivacidade e singularidade estilística, pois para ela, estilo não é uma questão de técnica, mas de visão (Proust). Na modernidade, muitos filósofos, incluindo Nietzsche, constataram a morte de Deus, isto é, a morte do modelo. Para eles, era preciso matar o pai, matar a referência. Diante dessa nova situação pós Idade Média, a humanidade começou a se questionar se era possível viver sem Deus. Uns conseguem, porém, outros não conseguem, e outros ainda ficam em brigando consigo mesmo e com o quebra cabeça metafísico. Para onde fugirei do teu Espírito? Se eu vou dar uma barrigada, tu estás lá; se eu vou à praia, tu estás lá; se eu vou à universidade, tu estás lá, se eu vou à igreja, tu também estás lá (na maior parte em forma de gaiolas teológicas e doutrinárias). Quem será o modelo na família da Fabíola? O Fred pesquisador, o Felipe Suvinil, o prof Léo ou a Fabíola Bila Canto? O tempo dirá, mas a música MULHER DE ATITUDE já deu a dica...os anjos já sussuraram o nome da fera, da promessa...Deus sabe de todas as coisas.
Chegamos à casa da Bila e todos vão aos poucos retomando suas vidas. O papo e o sorriso rolam soltos, acompanhado por um caldo verde e um bom vinho. Ambiente regado pela solidariedade e espiritualidade, pois cumprimos nossa função bíblica do chorai com os que choram e alegrai-vos com os que se alegram. Foi a primeira vez que eu vi uma morte terminar em pizza com todo mundo rindo e chorando, aliás, AMARILES era a RAINHA DO ENTUSIASMO e acreditava num Deus que dança, por isso, foi selecionada para subir de elevador com o Rei do Pop: Michael Jackson (espero que ele não tenha levado consigo o kamasutra kid, pois somente a música, dança e o Quincy Jones tá de bom tamanho). Preciosa é a morte dos seus santos disse o salmista e poeta bíblico. O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída desde agora e para sempre.
Abraços
Joeblackvan
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Fecundação Espermatológica! Uma Loucademia de Família.
1 comentários Published by Joe Black on 06/06/09 às 20:29Fecundação Espermatológica. Uma Loucademia de Família.
Por Joeblackvan www.joevancaitano.blogspot.com www.myspace.com/joevancaitano
“Cada um cria o seu mundo dentro de si, e fica preso nele, e da sua cela ele vê a cela dos outros” (Wim Wenders-Filme Tão Longe, Tão Perto).
Nesse momento, interrompo a leitura de um livro magnífico BEETHOVEN. A música e a Vida de Lewis Lockwood, editora Códex, obra indicada pelo Dr e brother Marcelo Verzoni (grande pianista e gênio do ensino). Minha interrupção se deve ao fato de encontrar no dito livro, uma frase espetacular de Flaubert: “Na sua obra, o autor deveria ser como Deus no universo; sempre presente, mas em nenhum lugar visível”. Sou deleuziano porque para Deleuze, fazer filosofia é andar com um saco na mão e ir colocando dentro tudo que for interessante. Por isso ensacolei o Flaubert antes que eu perca-o de vista. Precisamos ser oportunistas diante das idéias, pois a inspiração é como a morte, que chega pontualmente na hora incerta.
Vivi minha infância na roça, no interior do Estado do Pará, mas quando me tornei adolescente, comecei a paquerar e namorar a música, vindo a me casar com ela posteriormente. Aprendi na catequese sobre a importância do CRESCEI E MULTIPLICAI de Heloim (Deus da criação). Comecei adotando alguns filhos alheios, no entanto, toda adoção comporta dentro de si, uma adaptação e uma moldação que desemboca em mutação. Dessa forma, compreendi o que era fazer arranjos musicais: o bom arranjo é aquele que modifica sem tirar as características genéticas do filho adotivo musical. O bom arranjador valoriza a singularidade sem descaracterizar a obra original.
Apesar de crescer num contexto cristão de apologia a monogamia, quem ama espera, etc, etc, em off eu sempre curti essa onda de poligamia, aliás, tenho raiz afro por parte de pai, e em algumas partes da África é normal ter muitas mulheres (desde que o macho consiga sustentar..hehe). Defendo a idéia de que quando o homem “traí”, ele passa a sentir mais tesão com a mulher principal. O macho é fabricado biologicamente, instintivamente para ter várias mulheres. Por isso, após casar-me na igreja com a música, sob a benção dos pais, pastores, professores, amigos (alguns da onça), gerei alguns filhos comportados, espirituais, “a imagem e semelhança de Deus”, com DNA de adoradores como: PAI ETERNO, REFLEXÃO, ARMADILHA MACABRA, GRANDE AMOR e outros. No entanto, meu instinto falou mais forte e eu me envolvi com a teologia, daí fiz amor com Paul Tillich, Joaquim Jeremias, Karl Barth, Feuerbach, Osvaldo Ribeiro, Edson Fernando, Luiz Longuini, Luiz Roberto, Jürgen Mooltmann, Rubens Alves, Leonardo Boff, John Stott e outros. Outra mulher implica em outra configuração de DNA. Como fruto dessa nova relação, gerei O KAMASUTRA MUSICAL. Foi uma gravidez em off, sem chá de bebê, nem mídia, etc. A barriga cresceu rápido e ele nasceu. Foi apresentado publicamente em 31/05/06 no Coliseu e Vaticano dos Batistas (capela do STBSB). Muitos adoraram o bebê, outros odiaram o bebê e outros moralisticamente disseram: “Música só após o casamento” (rs..kkk). Quiseram matar a mãe e o bebê, mas ambos tinham (e tem) alta imunidade. O bebe, a mãe-pai sobreviveram, pois eram nietzchianos, e pela fé acreditavam na profecia: “Aquilo que não nos destrói nos fortalece”. Como fruto dessa relação gerei outros filhos como: Adoração é cachorrada; Sacrifício de Louvor ou de terror?; Vida e Morte: Tym ou Chak; Um cajado que consola ou Isola! Proibido para pastores, ministros de música, bodes, ovelhas e afins; Jesus no estrebológico e outros.
Continuei minha ampliação afetiva me envolvendo com a filosofia, daí tive muitas relações com Foucault, Nietzsche, Platão, Deleuze, Schopenhauer, Hegel, Schiller, Schelling, Heidegger, Hussern, Sartre, Merleau Ponty, Edgar Morin e outros. Roberto Machado disse que a filosofia até hoje vive gozando nas costas de Platão, pois toda a filosofia no decorrer da história são pés- de- páginas do pensamento platônico. O cristianismo foi o que mais gozou. Frutos dessa relação-gozação, eu gerei muitos filhos exóticos como: O diabo é bom demais; Maysa: espiritualidade em forma de Wisky e Música; Dercy Gonçalves! Uma porra louca mamando no seio de Abraão e outros.
Atualmente estou tendo um caso sério com o cinema e o escritor Marcel Proust, pois todos os dias costumo fazer amor com um cineasta. Já fecundei e fui fecundado por Irgman Bergmann, Godard, Wim Wenders, Spielberg, Werner Herzog, Dziga Vertozi, Fassibinder, Fellini, Antonioni, Resnais, Visconti, Raoul Luiz e outros (a). Já nasceu o primeiro de muitos filhos (espero): JESUS E A GANGUE DE SAMURAIS! UMA HERESIA SEXY CINEMATOGRÁFICA, aliás, foi um filho muito ousado. Mais uma vez pediram aos presbíteros e Reverendo parceiro que cortassem minha cabeça, mas escapei mais uma vez...rs. Podem falar o que quiserem dos meus filhos, mas são meus filhos, gerados de dentro de mim. Todos fazem parte da minha família, e como cada um é fruto de uma mulher diferente, eles possuem características diferentes. Uns são comportados, outros são com cara de crente, outros parecem capetinhas, outros são ousados, políticos, agressivos, etc, etc, mas...são meus filhos e eu amo-os do jeito que são.
Quem deseja criar uma obra de arte diferenciada, precisa desapegar-se dos modelos, precisa se arriscar, aceitando se tornar discípulo de Deleuze, pois “feliz é aquele que vê além do óbvio, além do empírico, além do clichê” (Deleuze). Ir além do normal, é aceitar a morte de Deus constatada por Nietzsche e os filósofos da modernidade, pois se Deus é o criador de tudo, o homem é um babaca e tudo o que ele fizer é uma mera cópia do modelo dos MODELOS. Se Deus morre, o homem passa a ter possibilidades de criação do original, o artista que cria, passa a ser um “pequeno Deus”. Para criar uma obra de arte com características musicológicas/pedagogógicas/filosóficas/teológicas/estrebológicas/heretológicas (etc), é necessário à aspiração de um desenvolvimento do germe criativo, que vai levá-lo a um processo de atiçamento harmônico/ melódico/rítmico ampliando as fronteiras estéticas e formação. O artista é um cidadão de uma pátria desconhecida, pois viajam comunicando a variedade de seus sentimentos. Viajar é ter novos olhos mesmo que seja para as mesmas paisagens. Viajar é ter o novo e não existem regras para criar o novo. Como educador, preciso apontar para a viagem que dá maior intensidade para que o aluno possa expressar artisticamente as impressões e as sensações.
“É preciso ter boa opinião sobre si mesmo para se reproduzir sendo que o filho é a vida; o filho é a afirmação da vida” (filme O declínio do império americano). Cada artista constrói sua família, com muita inspiração e muito mais com expiração-ralação e trabalho árduo. As pessoas têm resistência ao novo, mas o que movimenta o criador é a força da criação, sem ela o artista não vive. O artista é taxado de louco, por isso, ele gera loucos mirins (pequenos hereges estéticos) que habitam e co-habitam dentro da LOUCADEMIA DE FAMÍLIA, cujo, o espaço, visa a fornecer uma aprendizagem significativa (Ausubel) permitindo também uma deliciosa vagabundagem contemplativa (Rubem Alves).
Para Proust, o nosso EU vive morto na vida social, pois nós vivemos como mortos num mundo de mortos. O Eu superficial é o EU social. Quando se entra numa reunião social, o EU morre. Social para Proust é o mundano que obriga-nos a rezar a cartilha e impede-nos de sermos nós mesmos. Proust defende a solidão criadora, porque nela, há o assassinato da censura. “Cada um cria o seu mundo dentro de si, e fica preso nele, e da sua cela ele vê a cela dos outros” (Wim Wenders - Filme Tão Longe, Tão Perto).
Abraços
Joeblackvan
Obs: Casei-me com a arte e gerei filhos com ela porque a arte oferece a estabilidade afetiva que geralmente a mulher não oferece. O ruim da buceta é que a mulher vem junto.
Jesus e a gangue dos samurais. Uma heresia sexy cinematográfica
0 comentários Published by Joe Black on 05/05/09 às 02:21Jesus e a gangue dos samurais.
Uma heresia sexy cinematográfica
Dedicado aos amigos (a) Samuel velha (Sam o esteta), Prof Dr Roberto Machado (filosofia e cinema-IFCS-UFRJ), Prof Dr Osvaldo Ribeiro (teólogo e gênio), Cláudia Luz (música e cinema), Pr Prof Luiz Roberto (foi me ensinar grego, acabei me “heretizando”) Stella Júnia (inteligente, criativa e sábia ao quadrado), Jimmy Sudário (o esforçado-a promessa teológica), Reverendo Dr Luiz Longuini (pastor, amigo, gênio pedagógico e cabeção), Rev Dr Edson Fernando (o poeta sábio) e galera das antigas do Palace XIX.
Por www.joevancaitano.blogspot.com www.myspace.com/joevancaitano.com
"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão"
Tancredi Falconeri, em filme O Leopardo de Luchino Visconti.
“É preciso jogar a imaginação na escrita porque a realidade também é subjetiva” (Proust).
“Feliz é aquele vê além do óbvio, além do clichê, além do empírico, que vê além da imagem” (Deleuze).
“O legal na vida é você achar o máximo aquilo que está fazendo” (Roberto Machado).
“Foi assim e assim eu quis” (Nietzsche).
Adoro o cinema europeu, o cinema oriental porque os cineastas são cabeções e me estimulam a pensar. Curto demais o Kurusawa. Em OS SETE SAMURAIS ele conta a história de uma tribo de camponeses que era constantemente atacada-assaltada por uma gangue de bandidos que roubavam alimentos, etc, etc. O chefe da tribo resolve contratar um samurai experiente e hiper competente, porém, ninguém dava muito crédito à ele na cidade pois nunca havia sido um campeão. Daí ele arregimenta mais 6 samurais e montam um grupo perfeito (SETE). O samurai chefe treina com os demais e bola estratégias de como vencer a gangue de 40 salteadores. Era a estratégia contra a quantidade e melhor estrutura. No final a qualidade estratégia vence a quantidade estrutural. Lembrou-me o episódio de João 1 principalmente a frase que João vira para a comunidade joanina e diz: pessoal! Pare tudo, olhe atentamente (behold), pois aqui está o cordeiro ativo de Deus que carrega os pecados do mundo. Imagino que a galera não demonstrou muita confiança naquele Messias, pois ele era muito na dele. Mas esse guri fez toda a diferença desde a infância. Algumas histórias dos textos apócrifos mostram o menino Jesus atravessando paredes, brincando de barquinho, aprontando anormalicamente. Há a narrativa do confronto do guri com os doutores da lei trocando altos papos teológicos-filosóficos. Há aquele episódio macabro que ele encontra uma gangue de demônios e ele rapidamente resolve a parada transferindo os capetinhas para os porcos. “Nada se perde, tudo se aproveita”, disse Ele ao rapaz aliviado. Jesus não era um samurai kurusawiano, mas ele juntou e treinou uma equipe bem diversificada incluindo desde zelotes lutadores da pesada até pescadores. Para o sucesso nas batalhas, contava com a ajuda tanto de surubins e de serafins. Na hora que o bicho pega qualquer santo ajuda, alertava ele aos discípulos. Ele costuma a avisar: Se liguem, pois integridade não é sinônimo de imunidade. A figura de Jó era um exemplo citado porque ele era uma fortaleza, um forte de integridade e espiritualidade, entretanto, toda boa fortaleza deve sempre possuir uma brecha para atrair o inimigo para dentro e pegar de surpresa. O problema é que no caso jóiano, o inimigo entrou e fez a festa, até o Deus bom se recuperar, coitadinho do Jó...mas ele cantou: te louvarei não importam as circunstâncias.
Jean Luc Godard ao contar a história do nascimento de Jesus com elementos da modernidade via filme JE VOUS SALUE MARIE, ele menciona o conselho do anjo francês: “Maria! Seja pura, seja dura, apenas siga o seu caminho, não esqueça. E ela assim o fez, e o menino nasceu e cresceu cheio de sabedoria, graça e ousadia. Ele sempre vivia dizendo: ”Pessoal, no mundo tereis aflições, mas tendes bom ânimo, não desanime e bola prá frente”. Jesus era nietzschiano porque decretou a morte do Deus do templo de Jerusalém. Era foucaultiano porque dominava a arqueologia do olhar enxergando no fundo as necessidades das pessoas. Era espinosiano porque proporcionava muuuuuuuuuitos bons encontros. Era adorniano porque pregava uma educação contra a barbárie; era freudiano porque estava atento ao mal estar da civilização; era deleuziano apostava na relevância da diferença e da originalidade; era schopenhauriano e bergsoniano porque valorizava a intuição, vontade e representação; era kantiano porque observava a condição de possibilidade; era proustiano porque adorava expressar sobre impressões cotidianas; era tillichiano porque acreditava na dinâmica da fé subjetiva diante da tese DEUS É SÍMBOLO PARA DEUS; era roggeriano porque valorizava a educação centrada no aluno; era John Stottiano pois defendia que crer é também pensar; era batista-budista porque dialogava com a diversidade; era jobiniano pois entendia do medo dos medos (eu quis amar mas tive medo cantou a mulher adúltera); era junguiano pois tinha experiência com os arquétipos e a jornada da alma; era Woody alleiano pois sua vida também tinha uma pitada de comédia porque valorizava a saúde...sorria porque eu te amo...alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.
Jesus não discriminava pessoas, até mesmo quando rolava desperdício como foi o caso daquela mulher que derramou o perfume caríssimo nos pés de Jesus enxugando-o com os seus cabelos. Jesus disse à platéia pão dura: ela assistiu o filme A FESTA DE BABETE e sabe do valor de dar tudo que tem por um momento de amor profundo e sincero. Num ato de amor sexual, há enorme desperdício de espermatozóides que não conseguem fecundar o óvulo (180 milhões morrem). Jesus não economizava amor em meio aos riscos da pluralidade. Jesus era deleuziano, portanto, ele sacava que tudo eram signos e que é preciso saber interpretar signos. As pessoas cantavam a música LEIA NA MINHA CAMISA de Caetano Veloso e Jesus sabia ler com fluência tanto as camisas da Barra da Tijuca quanto a camisa da Pavuna, da Rocinha, de Ipanema, do colorido mistureba de Copacabana, etc, lia até de paulistas. Tomava vinho importado e vinho sangue de boi, como tomava champanhe importado e guaraná TOBI e suco de caju quando necessário. Quem não sabe ler as camisas acaba pagando mico.
Jesus se recusou a transformar pedra em pães porque disse ao diabito: campeão! Quem ama espera. Imagino que tenha tomado um porre de Red Bull com Shake mix de baunilha da Forever, dai deu para aguentar o tempo de Deus no deserto (tempo da liberdade cronológica; tempo acronológico da não sucessão). Tempo divino inclui o tempo da simultaneidade do sucessivo, o paradoxo do tempo, momentos do tempo como dizia Beckett. Ele também se recusou a saltar do pináculo do templo porque era vertiginoso. Jesus era hitchochiano e provavelmente tinha assistido o filme VERTIGO (corpo que cai). Jesus disse ao capeta: “non non nin non non...cada um com suas loucuras, mas...uma parte de mim tem medo, a outra é cética”. O diabo queria estimular a fé de Jesus à enésima potência. Ao ser interrogado na festa de Caná da Galiléia sobre o porque do vinho novo só ter sido servido no final ele citou Proust:” o que é precioso só se descobre por último”. Geralmente se serve o ruim no começo logo porque depois de bêbado o sujeito toma desde vinho sangue de boi até cerveja itaipava..tá porre mesmo.
Jesus disse que para entendermos o reino de Deus era preciso entender a dinâmica dos ciclos, pois é preciso nascer de novo, voltar a ser criança. Jesus exemplificou isso no ESTRANHO CASO DE NICODEMOS BUTTOM. Tudo nasce, tudo cresce, reproduz e morre. Somos blocos de energia condensada que passeamos dinamicamente em meio a um universo de energia. Quando morremos, esse bloco de energia condensada se dissolve, no entanto, os átomos e partículas se espalham universo afora e irão gerar novas formas de energia, portanto, nenhuma condenação há para todos os blocos, pois todos são e vieram da SUPREMA -AMORFA ENERGIA (ENERGIA TOTAL=Deus). Estamos Nele e retornaremos a Ele na morte. Todos nós nascemos de novo, via rejuvenescimento de células, desintegração e migração de átomos, partículas, quarks, etc. Até Jesus ao morrer, retornou via ressurreição de forma diferente e subiu aos céus novamente. E o vento levou... Jesus era nietzschiano-deleuziano e valorizava o eterno retorno do diferente.
Jesus ao encontrar as pessoas doentes, deprimidas, machucadas afetivamente, discriminada, desacreditadas, etc, ele costumava cantar a música de Ivan Lins: “O amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida, já curou desenganados, já fechou tantas feridas, fica tão cicatrizado que ninguém diz que é colocado”. Ao se despedir desses aflitos ele mandava a real sem frescura: Fulano! Ciclano! Beltrano! O tempo cura, mas... e se o tempo for a doença? Então é preciso se curvar perante ele para continuar vivendo. Ronaldo fenômeno é um exemplo de gênio HUMANO DEMASIADAMENTE HUMANO, amado e conchavo de Deus, pois mostra a força da recuperação-superação (selbstaufhebung) em meio aos travécos e bolas na trave, mas ele sempre acaba nos braços do GOL inflamando uma torcida e fazendo a taça pegar fogo. Zaratustra era cinza e virou fogo...acho que era corintiano também.
Jesus odiava a síndrome da canonização bíblica, da teologia correta dos cânticos e hinos, pois tinha plena consciência que diante do Mistério não há possibilidades de regras e gaiolas doutrinárias. Diante de DEUS há sempre um EU e todo ser humano possui um vazio do tamanho de Deus. É a presença de uma ausência, diria Rubem Alves e também acrescenta: para voar é preciso amar o vazio e como assinalava o físico Heisenberg, “diante dos vácuos há sempre condição de possibilidade”. Acheguemos diante de Deus com nosso louvor hamartiano-barthiniano e ele se alegrará conosco e com as nossas VERDADES, pois cada um tem a sua VERDADE. Deus é Espírito e onde há o Espírito há a liberdade para erotizar e heretizar liturgicamente. Culto criativo pode ser pensado semelhantemente à uma obra em que o compositor apesar de estar apoiado numa ancora modelar, ele cria e executa desprendido de regras de harmonia, contraponto, etc, objetivando uma nova sonoridade, um novo sabor. Jesus foi o maior transgressor teológico ao ferrar com a teologia da inércia litúrgica-geográfica ao dizer ABA Pai (paizinho). Segundo o teólogo alemão Joaquim Jeremias, essa expressão era usada somente dentro de casa por um filho de até 12, se falasse isso na rua, certamente tomaria umas porradas do pai e dos caras na rua. Jesus ao falar ABA PAI em alto e bom som, ele tava mandando os sacerdotes do templo de Jerusalém e sua liturgia centrada-engessada tomarem no cú e democratizando a adoração e ampliando a geografia litúrgica. Provavelmente tenha recomendado aos discípulos o filme ADEUS LENIN, adeus muro de Berlim. Jesus rompeu o contrato com a canonização do(s) modelo (s) bem antes dos filósofos da modernidade. É preciso dinamizar, kamasutriar liturgicamente sem fugir da âncora subjetiva que é o SAGRADO lembrando que não existem regras para criar o novo pois o talento é capaz de entrar em simbiose com a natureza (Kant). Quando avançarmos para desvendar nossos enigmas, é importante sempre retornar a base porque avançar sem chão é como liturgiar na vida eterna. Na vida eterna, só existe flutuações, mas nós precisamos de chão, queremos sentir o peso durante nossas aventuras litúrgicas-existenciais; precisamos voar, mas precisamos retornar e ancorar nos braços do PAI e até retornarmos novamente. Ele guardará a tua entrada e tua saída, desde agora e para sempre (Salmos 121).
Jesus ao chamar os fariseus de raça de víboras e sepulcro caiado ele tava mandando um recado para muitos medalhões e moralistas que adoram usar o dedo de Deus para fuder os outros (se pudessem, usavam a pica de Deus). As pessoas levantam as mãozinhas para o alto, louvam ao Deus altíssimo (querem que Ele fique bem longe mesmo porque se Deus estivesse perto denunciava a fachada), promovem cultos cedinho para acordar (pertubar) Deus e mostrar espiritualidade, mas no fundo boa parte dessa gente é hiper elitista, apegada aos dogmas, homofóbicos, fundamentalistas ao extremo, adoram terninho e gravata e se acham detentores da verdade absoluta e pregam um cristianismo moleza da mentira de JESUS DORIL A DOR SUMIU. Esses não entram e nem deixam os outros entrarem no Reino de Deus. Isso remete ao filme TROPA DE ELITE quando mostra aquela cena da passeata dos playboizinhos da PUC do Rio devido a dois ou três playboizinhos (a) que foram linchados pelo tráfico no morro. Mathias disse: Isso é pura fachada, pois eles que consomem drogas e ajudam a manter o tráfico com manequins de ONGS.
Jesus quando colheu espigas no sábado ele quebrou regras para matar a fome, embora não acreditasse na utopia do FOME ZERO. Isso me lembrou o filme DEPOIS DA CHUVA de Kurusawa que conta a história de um samurai que lutou por dinheiro algumas vezes para trazer comida para uma família faminta e por isso ele nunca parava em emprego nenhum porque na cultura samurônica lutar por dinheiro era um pecado gravíssimo. Apesar de ser hiper competente como samurai, ele sempre quebrava as regras em nome da generosidade.
Viver dentro do quadrado é fácil, o difícil é viver fora do quadrado, pois viver fora do quadrado é viver debaixo da instabilidade. Jesus disse: quem quiser me seguir tome a sua cruz e siga-me. Viver fora do quadrado é viver pela fé. Nietzsche assinalou: A vida é um risco e quem não se arrisca não vence.
Ao conversar com a mulher adúltera ele precisou usar o lado feminino para entender aquela mulher. Ao ver a muvuca condenativa-discriminativa ele perguntou aos machista-moralistas: quem não tem mais de uma personalidade que atire a primeira pedra. Todo mundo ficou pianinho. Jesus não se preocupava com a nudez do corpo, pois é mais inocente do que a nudez da alma na qual os sacerdotes costumam lidar. Jesus se relacionou com ela via chavécos espirituais e depois recomendou à ela o filme CIDADE DAS MULHERES (Citta de la Donna) de Frederico Fellini. Jesus se relacionava com a diversidade e dualidade apolínea-dionisíaca e bem que poderia ter profetizado que o homem teria a Sodoma e a mulher teria a Gomorra. Imagino que ele sonhava e tinha altos papos paranormais com Proust e Foucault porque não tinha saco para ouvir o apóstolo PAULO. Para Marcel Proust, em SODOMA E GOMORRA está o segredo da sexualidade ou da homossexualidade. Proust escreve sobre a teoria da sexualidade ou homossexualidade no início do livro SODOMA E GOMORRA. Ele fala sobre a CÓPULA CONTRA A NATUREZA onde cita o Zangão e a orquídea. Para Deleuze, a teoria de Proust é sobre a transsexualidade. Todos nós somos uma coisa e outra. Temos uma parte masculina e feminina. Quando nos relacionamos com o outro, a nossa parte masculina pode se relacionar com a parte feminina do outro, ou a parte feminina pode se relacionar com a masculina do outro, ou a nossa parte masculina pode se relacionar com a parte masculina do outro, ou a nossa parte feminina pode se relacionar com a parte feminina do outro. Podemos ter várias possibilidades de relação. Como dizia Roger Bastide: “Eu sou mil possíveis em mim, e não me resignarei a ser apenas um deles”.
Jesus adorava a trilogia das cores, vibrava com a bandeira do arco-íris e em suas horas vagas costumava assistir filmes do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski, pois nas imagens há a interação dos elementos igualdade, liberdade e fraternidade. Quando Jesus passava em frente ao templo de Jerusalém ele era nietzschiano de carteirinha com LIBERDADE SIM, IGUALDADE JAMAIS, mas durante os momentos de comunhão, ele regia SOMOS TODOS IGUAIS NESTA NOITE de Ivan Lins. Como era Kieslowskiano, ele sabia da força do acaso e não se assustou quando Judas deu um selinho, mas apenas engoliu sapo sem fazer cara feia.
Jesus ao ceiar com os discípulos naquele local reservado, ele envolveu-os num labirinto de felicidade partilhada. Jesus recitou trechos da filosofia do corpo de Merleau Ponty e em seguida acredito que eles assistiram o magnífico filme: O SÉTIMO SELO de Irgmann Bergmann e partiu para a vida. Ele compartilhou com três discípulos o conflito com a morte no Getsemani. Enquanto Jesus jogava xadrez com a morte, os discípulos dormiam. Ao dizer: Pai! Passa de mim esse cálice, ele embaralhou as peças do xadrez tentando adiar a morte, mas a morte recolocou as peças no seu devido lugar. Apesar de Jesus não saber se existe destino, ele sabia que existe decisão. Jesus ouviu a voz de Kierkegaard que dizia: “recusar o risco é recusar a verdade”, portanto, caminhou rumo a cruz. Foi crucificado, e ressurgiu, no entanto, na ressurreição nenhum ser mortal foi concebido, mas sim um quadro imortal compartilhado.
Jesus antes de subir aos céus novamente, ele assistiu o filme AS ASAS DO DESEJO de Wim Wenders disse para si mesmo e aos outros: “sei que existem outros sóis além destes que eu vejo. Em mim nascerão asas novas que substituirão essas velhas; essas asas novas me deixarão surpreso. Na casa de meu pai há muitas moradas e vocês se surpreenderão com a arquitetura de meu Pai, pois ele é um esteta”.
Jesus adorava botar Pedro na parede com carícias afetivas fraseológicas porque ele era proustiano, portanto, ele sabia que por detrás do amor está o ciúme. No fundo ele queria saber se Pedro era Pepê ágape, Pepê filos ou Pepê Eros (pepê von Lieber). No famoso episódio de João 21.15 narra o bate papo entre Jesus e Pedrinho após um jantar. Jesus pergunta: Pedrinho! Tu me amas (agapos) mais do que os nossos amigos (hast du mich lieber)? Pedro respondeu: Sim você sabe que eu te amo (filo-Liebe). Jesus perguntou pela segunda vez e pepê respondeu a mesma coisa. Putz! Só cadências deceptivas, porém afetivas...Jesus perguntou pela terceira vez a mesma coisa porque Jesus esperava uma cadência à dominante agapeana, entretanto, Pepe não baixou a guarda e falou: Lindo! Tu sabes que eu te amo (filo) porque eu tenho afeição e nossa amizade tem uma energia e vibrações afetivas fortemente divinas. Então Jesus deu um bônus-missão a pepe dizendo: meine Liebe Pedro! Pastoreia (poimaine) minhas ovelhas afinal Pepê os meus amigos também são os seus amigos, então brother, cuide deles (a).
O problema é que quem ama mente (também) e foi só pepê ficar em apuros que ele negou Jesus três vezes. Judas emprestou a Pedro o DVD da comédia alemã APRENDENDO A MENTIR (lernen lügen) daí Pedro virou conchavo-advogado do diabo. No filme, a mentira rola solta, mas o ator come três mulheres, no entanto, na “comédia” bíblica, foi o galo barraca que fudeu Pedro deixando ele em choro e ranger de dentes. Pepê enfurecido disse: Galo safado! De conchavo você não tem nada, mas...o dia tinha amanhecido.
Jesus foi considerado um desertor, um ousado, um perigoso e um incompreendido por muitos há mais de 2000 anos. Até hoje, muitos não compreenderam a proposta de Jesus com esse cristianismo vergonhoso de manipulação de massa em Nome de Deus. Talvez um François Truffaut conseguisse compreender um INCOMPREENDIDO transformado equivocadamente em forma de cordeiro passivo. Jesus sem dúvida escreveu uma nova história e para isso foi preciso abrir um buraco nas palavras em busca de um pensamento diferencial (Deleuze). Como diz Rubem Alves: “nós somos aprisionados pelas palavras dogmáticas em Nome de Deus”. Na medida em que Jesus ia abrindo buracos na teologia sacerdotal, as pessoas iam entrando e ouviam palavras de esperança, pois o jugo de Jesus é suave, seu fardo é leve, mas a sua proposta é meio punk. Jesus sabia fazer amor com as palavras, pois usava musicalidade nas parábolas (ENSINANDO PARÁBOLAS MUSICALMENTE por Cristo Swanwick). Jesus estava atrás do tempo perdido, do tempo redescoberto.
Isso faz nos pensar que a obra de Jesus cria a sua própria posteridade.
Abraços
Joeblackvan
É mestrando em educação musical na UFRJ com vista ao doutorado em pedagögikmusik in 2010.
Rio de Janeiro, terça feira, 05 de maio de 2009, 2h da madruga, palace XIX.
Marcadores: o batuque pascoalino, Ressurreisamba
EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (o pensamento de Proust/parte I -introdutória)
0 comentários Published by Joe Black on 03/03/09 às 11:32Proust é considerado escritor de uma obra só. A estética de Proust abarca três artes: música, pintura e literatura. Proust emite várias idéias sobre várias questões e questões do cotidiano.
O que interessa a Proust é a literatura. A obra O TEMPO REDESCOBERTO é importante para a reflexão sobre a arte. Trata-se de uma descoberta, a descoberta de uma vocação, a vocação literária.
Proust pensa as 3 artes refletindo sobre os grandes artistas que representa cada arte. Na música ele reflete sobre Wagner que foi o músico que mais marcou Proust. Reflete também em cima de Beethoven principalmente os últimos quartetos de Beethoven.
Era característica de Proust pensar alguns artistas reais. Proust pensa uma arte sobre a arte; uma literatura sobre a literatura.
No livro O CAMINHO DE SWAN fala sobre um amor de Swan. O personagem Swan é um diletante em artes, encarregado de levar a arte a aristocracia. Ele indica as obras de arte de valor. Swan é alguém que passou a vida toda estudando o pintor Vernet.
A idéia de impressão é importante para a expressão. Proust faz uma reflexão sobre Balzac. Ele pensa a partir de Balzac e Flaubert. Proust tinha um ouvido para a musicalidade da língua. Ele gostava de pastiches, pois ele explicitava o estilo de alguém. Os irmãos Goncourt é um livro de pastiches. Há a importância da metáfora para Proust a partir da literatura. A paródia é crítica; o pastiche é a tentativa de dar conta do que o outro fez.
Proust é mais crítico aos escritores do que em relação aos pintores e músicos. Para ele a literatura não está à altura da música, mas ele pretendia ser o maior e queria que a literatura se tornasse maior a partir dele.
Na modernidade desparece o modelo. A literatura nasceu com a morte do modelo (Foucault). A morte de Deus é a morte do modelo (Nietzsche). Segundo a psicanálise, é preciso matar o pai (o modelo).
Existe a importância de Schopenhauer para a concepção de arte em Proust. A concepção de música para Proust e de cunho shopenhaueriano e também wagneriano pois Wagner bebeu em Schopenhauer.
Segundo Schopenhauer a vida é um pêndulo que oscila perpetuamente entre a ansiedade e o tédio. É preciso superar a falta; é preciso preencher o desejo. Um desejo realizado deixa de ser um desejo. Nietzsche fala do desejo como criação. A proposta de Nietzsche é para superar Schopenhauer.
Vandet é um músico wagneriano. Proust é um ficcionista que cria outros personagens. Proust cria Vandert que é músico, cria estir que é pintor e cria Bergotte que é literato.
O que interessa à Proust é pensar a literatura. Música e pintura aparecem como modelo de uma nova literatura. Uma literatura que dê conta da essência das coisas. A metafísica aborda o saber da transcendencia e a ontologia abarca o saber da imanencia. Platão inaugura a idéia de essência que é universal. Só a justiça é justa, só a beleza é bela (Deleuze).
Em Proust a essência é singular. Par Schopenhauer existem dois grandes filósofos: Platão e Kant. Schopenhauer tentou harmonizar os dois. Para Platão, é a filosofia que é capaz de revelar a essência, de dar conta da essência universal. Para Proust é a arte que dá conta da essência (posição schopenhaueriana). Há uma superioridade das artes em relação aos outros tipos de saberes. A arte é superior ao conhecimento científico, ao conhecimento racional. Proust faz diversas críticas à inteligência racional. Por exemplo: ele crítica a racionalidade de Swan pois ela impediu-o de ouvir a música.
Modernidade é o tempo começado a partir de Kant. Toda a filosofia é uma tentativa de escapar do Platonismo. Nós não podemos conhecer a essência (Kant). Schelling, Nietzsche e Schopenhauer tentaram interpretar Kant. Para Kant a arte não gera conhecimento. Para Schelling a arte dá um conhecimento mais profundo em relação as outras formas de saber (romantismo).
Proust aspirava fundar uma literatura capaz de dar conta da essência. Só a música dá conta da essência. As outras artes ficam no nível da representação.
Proust vai pensar um estilo de literatura a partir da pintura. Ele trabalha metáfora como metamorfose. Tudo se tranforma em Proust; nada é sólido, até os nome se transformam.
O que interessa a Proust é unir presente, passado e futuro. Para Deleuze, a síntese das três dimensões do tempo se constitui no INSTANTE. Proust trabalha com o tempo mítico, o tempo não cronológico, simultaneo (Bergson) - cinema moderno.
Há um problema filosófico: se Proust é ou não bergsoniano.
A primeira vez é a vez da inexperiência (frase de Proust). Proust é o homem do aprendizado, da formação. EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO é o romance da aprendizagem, romance de formação. Não há progressão na aprendizagem.
Para Proust a criação artística está vinculado a memória involuntária. Em Proust as frases crescem por dentro; tudo incha por dentro. Há em Proust uma reflexão sobre o tempo (tempo perdido, tempo redescoberto).
Proust levanta algumas idéias importantes sobre a literatura.
1- Em Proust há a questão do livro como sendo fragmentado e planejado. Ele trabalha a questão do acaso na obra de arte.
2- Relaciona EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO com o romance de formação. Numa tragédia grega não se aprende nada, só nós aprendemos; nada muda; não há uma progressão dramática.
3- Trata da incapacidade para literatura que não tem progresso. Há uma osmose entre a vida de Proust e a literatura; há uma vida literária. Há uma novidade em Proust: não existe herói. Existe herói, narrador e Proust, porém, a relação entre os três é complicada.
4- A arte e as impressões sensíveis são as condições de possibilidade para a descoberta da vocação literária; é condição genética. Há experiência do tempo não cronológico, não sucessivo. Memória involuntária para dar um salto por relações artísticas. A vida só tem sentido em forma de palavras. Uma impressão muito forte leva a expressão pois transforma impressão em expressão.
5- Relaciona a música com a pintura. Explica a música através de 2 personagens: Swan e Marcel. Proust trabalha a noção de realidade. Para ele a arte é capaz de dar conta da essência. Proust faz uma reflexão sobre música e realidade e literatura e realidade. Só tem sentido em falar de essência se falar de aparência.
6- Pintura e relação com a literatura para ver a idéia de metamorfose. Relação entre metamorfose e identidade da diferença.
Pare tudo! olhe Jesus, Romário e Ayrton Senna
2 comentários Published by Joe Black on 11/02/09 às 19:22Pare tudo! olhe Jesus, Romário e Ayrton Senna
"Quero trazer a memória àquilo que me dá/ traz/ carrega esperança" (Anna Paula Valadão-CD diante do trono da IB da Lagoinha).
Ontém (terça feira 10/02/09) de 17h45 as 19h45 eu parei tudo para assistir grande o amistoso entre Brasil e Itália que sem sombra de dúvida é um dos maiores clássicos do futebol mundial. Confesso que de alguns anos para cá perdi o tesão pelo futebol. Nos anos 90 eu parava tudo para assistir o São Paulo futebol clube e suas estrelas Zethi, Ray, Palhinha, Cerezo, Muller, Ronaldão, Valber, Leonardo, Pintado, etc. Apesar de ser carioca, me tornei são paulino após a conquista do título mundial contra o barcelona em Tóquio (em 1992 eu acho). Depois que o Sampa ganhou o bi campeonato contra o Milan eu assumi minha paixão infantil/adolescente. Parava tudo para assistir aos jogos do Brasil porque eu adorava o Tafarel, e lembro-me da primeira partida que ele atuou (substituindo o goleiro Acácio) num amistoso contra a Suíça em 1989 (perdemos por 1x0 num gol de penâlti), mas o Tafa pegou muito, evitou uma goleada e se fixou na seleção reinando por muitos anos. Parava prá tudo para ver a dupla Romário e Bebeto (fez história na nossa seleção). Os jogos contra a argentina na copa américa de 1989, eliminatórias em 93 contra o uruguai no maracanã e outros trazem ótimas recordações para quem foi desse tempo.
Eu parava tudo para assistir as corridas de fórmula I pois lá estava o Ayrton Senna e nele estava a minha ( a nossa motivação, a nossa esperança). Quando o Senna saia da corrida, eu imediatamente desligava a TV e ia fazer outra coisa, mas enquanto ele estava competindo, eu caminhava com ele para ver no que iria dar. No dia que ele morreu, eu fiquei muito arrasado. Eu morava no interiorzão do estado do Pará, numa cidade chamada Rurópolis (zona rural mesmo) e ouvi aquela voz muito distante do Roberto Cabrini dizendo: Ayrton Senna está oficialmente morto..putz..meu mundo caiu...minha mãe chorava...estávamos meio da EBD (escola bíblica de catequese dominical), no entanto, eu e alguns colegas fugimos escondidos para assistir aquela corrida macábra...paramos tudo para ver o ídolo se arriscando, enfim, vimos o trágico no "DIA" DO SENHOR.
Em 1994 parei tudo para ver o Dunga carregar nos bérros a nossa seleção e vi o Romário carregar o Brasil nas costas com sua técnica e coragem. Quando ele disse na final contra a Itália: Parreira! eu vou bater o penâlti...Eis o baixinho brazuca que carrega os sonhos da pátria. Muitas vezes que a seleção estava em situações complicadas, chamaram o baixinho às pressas para resolver e ele levava o peso e fazia o povo sorrir com leveza.
Minhas prioridades mudaram, no entanto, todos nós temos prioridades, aliás a vida é feita do jogo de interesse e desinteresse. O filósofo Henri Bergson falava sobre a percepção interessada, pois a gente só percebe aquilo no qual estamos interessados e ignoramos outras coisas. Fazemos isso com os textos bíblicos pois na maioria das vezes fazemos uma leitura de superfície e passarmos por cima de detalhes importantes. Meu pastor (Rev Longuini Alemão) convidou um jovem genial para pregar em nossa igreja cujo eu prestei atenção nos detalhes do sermão. O cara chama-se a Alessandro (é um gênio) falou sobre a importância de pararmos tudo e olharmos para a figura de Jesus.
Diz o texto bíblico de João de 1.19 em quatro línguas:
Olhe! eis aqui o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Siehe, das ist Gottes Lamm, welches der Welt Sünde trägt! (texto alemão). Tragen = carregar, transportar.
Behold, the Lamb of God, that taketh away the sin of the World! (texto inglês)
Ide ó amnos ton teon ó aipon tòn amartian tón cósmos (texto grego com alfabeto não grego/ grego aportuguesado)
Siehe, Behold, Ide são verbos que dão a idéia no modo imperativo de OLHE! OBSERVE! FIXE O OLHAR!
Veja, eis aqui o cordeiro de Deus que carrega (trägen, taketh away, aipon) o pecado (amartian) do mundo (do cosmos). Imagino João falando em alto e bom som: pessoal, olhe, foque aqui, pois aqui está o cordeiro de Deus que carrega o peso de todas as nossas inflações. As pessoas devem ter ficado entrigadas pois imaginavam ver um MESSIAS grandão, cheio de poderes e regalias, metido e inacessível, etc. Acho que se decepcionaram visualmente pois viram um homem com postura de um cordeiro mansinho, simples, acessível, disposto a papear a fazer amizades e caminhar com elas. Após olharem o cordeiro, algumas pessoas se arriscaram a seguí-lo, talvez meio "desconfiadas", outras não, para saber aonde ele iria levá-las. Com certeza, quem seguia ele queria algo novo, experimentar uma vida melhor.
Muitos camponeses, mulheres, crianças, prostitutas, efeminados, travestis, gays, etc eram discriminados pela elite sacerdotal que o consideravam pecadores. Aliás a idéia de pecado original, de chamar o ser humano de pecador, sujo, porco, afastado de Deus é construção ideológica sacerdotal e funciona sempre do mais forte objetivando controlar via clichês o mais fraco. Jesus era cordeiro porque era gente boa, e dava bola inclusive para as classes desfavorecidas. O templo e seus sacerdotes controlavam a massa por isso acho muito improvável Jesus apoiar a ideologia de controle do templo de Jerusalém. Jesus jogava contra o templo. Duvido se Jesus ficava mansinho e passivo diante dos sacerdotes. Imagino ele descendo o porrete a abrindo o verbo contra aquela máfia de manipuladores em nome de Yaweh. Onde abundou o pecado (ideologia de manipulação dos sacerdotes) abundou a graça de Deus (sobrou coragem por parte de Jesus para encarar o templo). A graça é um anti vírus que humilha o vírus ideológico de pecado. Quando instalamos a graça, ela nos protege contra o pecado, e nos dá a dignidade de sermos seres humanos, com autonomia e poder de decidirmos por conta própria o que é bom ou ruim para nós. Por onde Jesus passava, a idéia de pecado era removida das pessoas.
Jesus foi aquele que fez as pessoas experimentarem uma vida mais leve, pois ele carregou todos os nossos pesos. O profeta Isaías escreveu: Ele levou sobre si as nossas dores, e por suas chagas fomos sarados. O filme de AS CRÔNICAS DE NÁRNIA de C.S. Lewis mostra uma cena interessante quando Aslam o grande leão cheio de poderes ajuda a libertar Edmundo da Feiticeira e se oferece para morrer em seu lugar. A morte de ASLAM garantiu a continuidade da vida daquela criança.
Era tão humilde que topou ir para o deserto para aprender com as adversidades. Jesus sabia que no deserto apesar de suarmos muuuuuuuuuuuito devido ao extremo calor e acharmos que vamos derreter igual uma manteiga, ele sabia que lá é que as estrelas ficam mais próximas durante a noite. Tão grande a simplicidade que o impulsionou-o a lavar os pés dos discípulos demonstrando que ele veio para servir as pessoas independente das classes sociais.
Antes de morrer, ele ainda ceiou com os amigos provando que amava-os. Adorava Judas, que de traidor não tinha nada (só a catequese que para deturpar os fatos). Disse à todos os amigos mais chegados: Queridos e parceiros discípulos! os inimigos (a cúpula governamental/religiosa) irão me matar, porém não pare de comer do meu pão e beber do meu sangue (vinho). Fazei isso em memória de mim. Vou prá cruz e depois pro túmulo, mas na casa de meu Pai há muitas moradas por isso, não importa se vocês estejam no Rio de Janeiro, Juazeiro, Berlin, Madrid, Jacareí ou Pequim, onde vocês chegarem, encontrarão pessoas com coração de mãe-pai-irmão prá lhes acolherem.
Imagine João dizendo em 2009 via internet, rádio, televisão via satélite: Galera! pára tudo que vocês estão fazendo (só um minutinho)...dá um tempo no orkut, MSN, Vídeo Game, YOU TUBE, e-mail, passeios, praias, trabalhos, trânsito, etc...pare tudo um pouquinho e olhe pro cordeiro de Deus que traz a esperança e felicidade para vocês. Pare um pouquinho e olhe com firmeza, utilize o olhar de profundidade. A qualidade do teu olhar pode determinar a qualidade de sua vida. A confiança de seu olhar pode fazer sua vida se tornar mais linda e mais cheia de graça.
Há dois mil anos atrás, a comunidade joanina viu o cordeiro a olho nú, mas após a morte dele, resta-nos acreditar mesmo sem termos visto-o. Se somos possuidos por esse cheiro do cordeiro, esse aroma nos estimulará a fazer coisas maiores do que pedimos ou pensamos. Essa fragancia revolucionará nossas vidas. Ter fé é possuído por aquilo (a idéia) que nos toca escreveu Paul Tillich no livro A DINÂMICA DA FÉ.
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