TEOALEGRISMOS PARA MARCOS MARQUITOS. UMA COMÉDIA DE FICÇÃO VERÍDICA.

Dedicado aos reverendos Marcos Martins (aniversariante), Luiz Longuini (coadjuvante) e Edson Fernando (ajudante).

“ A minha vida é a história de uma aprendizagem; é o relato de uma vocação” (Marcel Proust- escritor francês).
“Havia um boneco de sal que se virou para o mar e perguntou? Quem é você? Eu sou o mar, respondeu o mar? Não te compreendo disse o boneco salgado. Quer me conhecer? Então, toque em mim, entre em mim, faça amor comigo. Então movido de curiosidade, medo e coragem, aquele boneco pôs os pés no raso e à medida que foi adentrando nas águas batismais, ele foi desaparecendo aos poucos. Então o mar disse romanticamente: Tens que me dar tudo de ti para me compreender. Ao se diluir, aquele boneco desapegou-se de tudo e ganhou tudo ao perder o seu eu “. (Edson Fernando- sermão IPVI em 29/08/10)

No livro de hebreus capítulo 11.8, o escritor redigiu a seguinte frase: “Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber para onde ia“. Começo esse texto fazendo trazendo a seguinte questão: a fé é um experimento ou uma experiência? Continuo, dizendo que este texto contém necessariamente, elementos da Marcografia, pois a vida intelectual de Markus é inseparável da vida pastoral e pessoal de Marquito. Markus Marquito não é daqueles que têm uma carreira, mas dos que têm uma vida. No entanto, eu não quis contar tudo da vida marquiana, e não quis revelar o mais íntimo dele mesmo. Há seguramente, neste artigo incessantes evocações de vida, incessantes interferências da alma e da carne. Mas, inevitavelmente, faltarão nele muita alma e muita carne. Os amigos de quem falo aqui aparecerão, conseqüentemente, como satélites ou como bastidores. Passei ao largo dos amores ainda que o Marcos não tenha podido viver sem amor...Por isso, os amigos aparecerão como figurantes, os amores ficarão invisíveis, ainda que o amor e a amizade sejam o mais importante na vida de um pastor.
Quero apenas dizer aqui, para vocês, que as pessoas não citadas estão presentes no Marcos, assim como as vivas, que foram providência divina, e as mortas que tinham sensibilidade demais para viver.
Marcos Martins, Markus Markitus, Marcos Salsicha...são tantas as emoções e combinações que se intercalam sobre pulso binário (2/4) nos compassos da música missionária. É melhor serem dois do que um já dizia o santo livro. Marcos foi companheiro de quarto do reverendo Edson Fernando nos tempos de internato no seminário (há muuuuitos anos atrás...túnel do tempo! please). Depois a vida os separou. Longuini foi pastor auxiliar de Edson assim que chegou da Alemanha nos anos 90 (há muuuuuuuuitos anos atrás..túnel do tempo! Bitte). A vida os separou. Marcos ficou na Ilha, Edson reinou e reina em Ipanema e Longuini foi um andarilho e bombeiro dos presbitérios, se tornando especialista em apagar incêndios nas ruas, nas estradas, nas padarias, na rodovias ou nas congregações.
Nunca me esquecerei do empenho do Marcos, dando suporte à mim, ao Clayton, ao Will e demais na produção do Sarau “Entre Noel, Cartola e afins” no mês de junho. Marcos chegou firme, abraçou o projeto musical que beneficiou a comunidade na terra de Noel. Ele apoiou até o final e não deixou a peteca cair nem um segundo sequer, portanto, ele está no rol dos heróis da fé. Sem dúvida, Marquito é um dos nossos samurais. Ele pode não fazer o gol, mas está sempre em campo.
Imaginei o Edson, Longuini e Marquito sendo convidados para pregar no templo sagrado de Hollywood, diante de uma platéia eclética como: Jack Nicholson, Angelina Jolie, Juliette Binoche, Leonardo di Caprio, Wim Wenders, Woody Allen, Godard, Polanski, Fernanda Montenegro e outros. Imaginei Steven Spielberg sendo convidado para fazer uma oração por iluminação antes do sermão da trindade presbitecarioca. Então ele começou a orar assim:
“Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o teu samba, venha a nós o teu reino e seja feita a tua vontade. Muito obrigado porque tu és um Deus criativo nos criando com potencial para criarmos obras originais e não apenas meras cópias. Obrigado porque tu nos criaste portadores de policompetência para desempenhar várias funções em condições adversas. Obrigado porque mesmo aquelas pessoas que possuem algum tipo de deficiência, elas tem o poder de compensação em outras áreas, porque o teu poder se aperfeiçoa nas fraquezas. Muito obrigado porque o Edson, Longuini e Marquito têm boca para falar e nós temos ouvidos para escutar. Nos alegramos porque nesta noite há condição de possibilidade interativa entre o ministério da fala (da palavra) e ministério da escuta. Muito obrigado porque tu fala conosco de várias maneiras através dos jogos de cenas nos documentários da vida. Tu se faz comunicável de maneira simples em meio a incomunicabilidade e complexidade da pós modernidade. Muito obrigado porque tu és um Deus de suspense, um Deus de ação, um Deus de Aventura, um Deus de terror, um Deus de drama, um Deus de comédia, um Deus musical,um Deus documentado, um Deus criança, um Deus pornomágico cujo a magia da tua graça nos purifica de todos os pecados, um Deus romântico, pois tu és amor e a medida do teu amor é nos amar sem medida. Please, receive our congratulations. In name of Jesus Christ, amém.
Então, após essa belíssima oração spielberginiana, nossos três pastores começaram a pregar a partir de três histórias diferentes, porém, intercambiáveis. Longuini começou falando sobre o pecado estrutural a partir dos filmes: o Poderoso Chefão ( que aborda sobre a máfia italiana prol narcóticos), Diamante de Sangue (que mostra a corrupção pelos diamantes na África), Syriana (que enfatiza a corrupção pelo petróleo), Nascidos em Bordéis (que expõe a máfia do sexo na India), Rosalie vai às compras (que faz uma crítica a força do capitalismo e consumo desenfreado) e Tropa de Elite (que explicita a drogatização carioca). “O pecado não é apenas individual, mas ele é fruto de uma estrutura maior que envolve relações de poder e manipulação de estruturas menores. O cinema tem esse papel de revelar o irrevelável, de dizer o indizível, de alertar sobre o perigo“, disse Luiz Longuini.
Edson Fernando pegou carona falando sobre a nudez e cegueira no século XXI, baseado no filme Ensaio sobre cegueira inspirado em Saramago e na trilogia da incomunicabilidade do cineasta Antonioni. Ele citou e comentou os filmes: Deserto Vermelho, O Eclipse e A Aventura. Edson continuou o seu discurso ancorado no filósofo Walter Benjamin, dizendo que “as grandes cidades são marcadas pela confusão e individuação, por isso, experimentamos a vivência do choque que gera o tédio devido ao anonimato regado pelo stress e solidão. Estava nu e tive medo, pois estava cego no paraíso, pois solidão não significa ausência de pessoas, mas carência de intimidade. A multiplicidade de informações simultâneas nos libertam e nos aprisionam, além de ofuscar a nossa visibilidade fazendo nos perder noção de foco. Somos uma sociedade que tem olhos mas não vê porque vivemos sob a unção da indiferença. Se o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, então Deus deve está muito perturbado. Abra os olhos do meu coração! abra os olhos do meu coração! quero te ver, quero te ver Senhor, clama o homem moderno“.
Para finalizar Markus Marquitos falou sobre a educação como missão integral a partir dos filmes Nem um a menos (filme chinês), Professor: profissão perigo (filme Frances com Gérard Depardieu), Escola da Vida (filme americano) e o Contador de histórias (filme brasileiro). Ele começou falando mansamente: “Educar é emitir ondas de afeto“. Prosseguiu advertindo duramente: “Pais, se vocês querem ter filhos para a corrida e competição frenética da vida moderna, então crie cavalos ao invés de crianças. Prezados pastores, professores, atores e diretores de cinema: Precisamos potencializar e agregar todos, pois o cínico é aquele que enxerga preços em tudo, mas não reconhece o valor de nada dizia Oscar Wilde“.
Longuini, Edinho e Marquito foram aplaudidos de pé por uma platéia emocionada diante da nova teologia do cinema. “Mais do que nunca é preciso sonhar; é preciso filmar” disse Silvestre Stalone chorando compulsivamente. A notícia foi capa do New York Times, Le Monde, Folha de São Paulo e outros meios de comunicação pelo mundo afora.
Longuini, Edson e Marquito, vocês são exemplos de solidariedade, amizade e de Cooper atividade intensa e desapego as dogmas e as regalias existenciais. Vocês são exemplos, de que as afinidades se atraem e que os opostos não se atraem.Vocês são pessoas que experimentaram a máxima de Vinicius de Moraes: “A vida é a arte dos encontros em meio aos desencontros”. Hoje é um momento mágico onde vocês três que nas travessuras das trilhas do afeto e já confundiram tanto as vossas pernas, podem nos dizer com que pernas vocês vão seguir e partir.
Eu vou seguir com fé, com Marquito eu vou. Marquito é alegria, euforia, companhia todos os dias, Marquito é o motivo da nossa alegria. Happy Birthday to you, happy birthday to you (...) Feliz aniversário e que Deus te abençoe nessa trajetória na terra de Noel.
Abraços fraternos.
Ministério Samurai.
Joe, Longuini, Edson, Presbíteros, IPVI, amigos e afins .

OS OPOSTOS NÃO SE ATRAEM

Papeando com a Dani music essa semana ela disse:
"Joe! diz o velho dogma relacional que os opostos se atraem. Joe! isso é pura conversa fiada...não se atraem mesmo...ela falou e eu morri de rir...ela tb...Dani é novíssima, mas é cabeçona e mente-brilhante-questionante".


Uma amiga ao receber pela primeira vez alguns artigos que escrevi, ficou meia encabulada e respondeu: Joe, favor não enviar este tipo de mensagem para o meu e-mail pois eu sou radical com relação à palavra de Deus e não aceito a maneira como você trata as “coisas de Deus”. Fiz uma segunda resposta esclarecendo o uso da palavra Radical: Querida fulana! Radical é aquele (a) que vai na raiz. Por exemplo: uma pessoa que se propõe a pesquisar um autor francês, é ideal que ele se esforce para estudar a língua Francesa e para investigar no texto original. Continuei: quem aspira ler a palavra de Deus (considerando a Bíblia como gaiola semântica do divino), é justo que se estude hebraico e grego, ou faça como fez o teólogo Joachim Jeremias que foi para a palestina aprender a língua aramaica para ouvir a língua que Jesus falava nos tempos de vida. Ou seja, quem deseja ser radical precisa buscar a unção da coragem e da curiosidade para entrar em terrenos desconhecidos e cavar sujeito aos perigos das minas que podem explodir no trajeto investigativo. Como dizia Gilles Deleuze: é preciso abrir um buraco nas palavras. Mas como abrir um buraco diante da palavra misteriosa de Deus? Eu não tenho a mínima competência para isso, por isso, prefiro a etimologia do silêncio.
Minha amiga retrucou dizendo: Joe, nas entrelinhas você me chamou de burra, aliás você não é tão inteligente assim, pois se fosse, entenderia que eu não me referi a radical idade nesse sentido de enraizamento. Finalizei o intercâmbio virtual dizendo: “Meu cérebro tem uma parte inteligente que é a porcentagem que está ocupada com vários arquivos prontos para o download a tempo e fora de tempo, no entanto, tem outra parte que é burra, pois está vazia, entretanto, esse vácuo é importante e vital para o funcionamento de meu cérebro, pois serve como passagem de ar, água , energia e proteínas vindo de outras mentes, de outros contextos. Que tal a gente trocar figurinhas?”
Deleuze disse que fazer filosofia é passear com um saco na mão e ir colocando dentro tudo o que for interessante e importante. Como fazer isso se a mente estiver obstruída e congestionada com excesso de informações dogmáticas e preconceitos de vários tipos? A burrice é sinônimo de vacuidade, mas buracos são condição de possibilidade para a penetração de novos jatos de espermas epistemológicos.
Paulo Freire pensava mais ou menos assim:
O peão da lavoura sabe de coisas que o doutor executivo não sabe e vice-versa. Somos uma dialógica de CDF e Burridade, de santidade e vacuidade.
Abraços
Joe

A unção do copo e o sexo frágil dos pastores.

Texto escrito com duas histórias paralelas e desconexas (bem estilo dos filmes de Godard)
Uma amiga de Joe da denominação Batista, escreveu sobre unção do copo presbiteriânica:

"Nao sou a favor do alcool, mas admiro a sua honestidade e a audacidade de fazer e dizer aquilo em que acredita sem mascaras. Prefiro as pessoas honestas do que as que pretendem ser certinhas e na verdade nao sao, porque ninguem e!!! Espero so que Deus esteja te protegendo dos arroubos da juventude que as vezes podem te levar por caminhos perigosos! A Andrea me mandou o que vc escreveu sobre mim no blog do Hiram. Obrigada pela mencao honrosa que me fez!"


Eu “retruquei” na boa..rs

“Tb não sou a favor nem contra o alcool, sou a favor da liberdade de escolha e da malandragem nas atitudes e versatilidade e bom senso em cada contexto. Tudo envolve relação de poder e prazer. Eu "apronto", digo o q penso, faço o que "quero" pq sou solteiro e nao tenho familia pra sustentar e dar satisfaçao. Se der merda pra mim devido minha autencidade e sinceridade, eu me viro em qualquer lugar,como qualquer coisa, aliás, de queimado perante instituicoes eu já tô muito e virei tostao batista, mas me rejuvenesco e refloreço sempre (aquilo q nao nos destrói nos fortalece dizia Nietzsche) mas um pastor, MM ou lider qualquer (empregado) que tem família pra sustentar e se meter a andar fora dos trilhos como eu faço, é pura burrice e falta de responsabilidade...Ou o cara é poderoso, ou é louco e tolo. Se eu tivesse guris para pôr comida e leite, pensaria duas vezes antes de ser autentico. Sou a favor do dominio da arte das personas para aqueles q tem familia ou nao tem cacife pra ousar.
Nesses casos, é melhor ser sincero apenas diante de Deus pq o sistema só admite máscaras. Tem q ser político e saber jogar os jogos da vida. A mentira é um mal necessário.”
O "Ministério" da Interdiçao q consta no livro a ORDEM DO DISCURSO de Michel Foucault diz: "SABE-SE QUE QUE NÃO SE TEM O DIREITO DE DIZER TUDO, QUE NÃO SE PODE FALAR DE TUDO, QUE NÃO SE PODE FALAR DE TUDO EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA, QUE QUALQUER UM, ENFIM, NÃO SE PODE FALAR QUALQUER COISA" (Foucault, 1986, p. 9).


(Mudando de assunto)

Outro amigo e colega de ministerio de música me pediu pra eu fazer um artigo sobre a relação de poder entre pastor e ministro de música. A questão que ele colocou foi: Joe! porque na denominação Batista o Pastor manda mais, ganha muuuuuuuuuuuito mais do que o ministro de música e os MM são tão sempre na unção de rabos (enrabados)? Porque os ministros de música são o sexo frágil dos pastores (respondi).
Como fazer prá reverter esse quadro? Incentivando os Ministros de Música à fundarem igrejas. Os cursos de música sacra podem contribuir com isso abrindo disciplinas com especialistas em Genesis 1. É só usar a cabeça porque a benção está na primeira página das escrituras.
Eu tô fora dessa, pois sou presbítero Jr...sou mil e um possíveis em mim. (Quero sombra, água fresca e doutorado na Alemanha).
Dei as dicas.

As idades da vida humana. Quantos anos você tem mesmo? hum?

A máscara do adulto é a experiência (Walter Benjamin no livro Reflexões sobre a criança e o brinquedo).
As mulheres precisam perdoar as infantilidades dos maridos, porque se não houver perdão não há relacionamento que perdure (Reverendo Edson Fernando).

Esses dias enfrentei uma crise de libido e troquei e-mails com uma amiga mais velha, porque panela velha é que faz comida boa. Ela achou estranho e agressivo o conteúdo e me aconselhou a praticar esportes para compensar e liberar energias para o equilíbrio de meu corpo como um todo. Eu pratico “esportes” manuais e intelectuais, mas preciso fugir da rotina. Segundo ela, tem situações que eu ajo como um adulto, mas em outras reajo como um adolescente de 14 anos que precisa de conselhos básicos. Uma outra amiga disse-me que eu sou brilhante em alguns momentos e lamentável em outros, pois misturo ferocidade e ternura, agressividade e amabilidade. Uma outra gata que está de mau comigo dizia que eu era um piá. Mas ela só falava isso quando eu pisava na bola. Vacilou, piatizou. Mas fazer o quê se sou mil e um possíveis como dizia Roger Bastides? De onde viemos? Quem somos nós? É o título de um belíssimo e profundo documentário para ninguém botar defeito.
Quantos anos você tem? Edgar Morin respondeu no seu livro Meus Demônios: “Tenho todas as idades da vida humana“. De fato, cada um de nós, com a idade, conservou as idades precedentes. Sêneca constata justamente em uma carta a Lucílio: “Não somos mais jovens, mas, coisa ainda mais triste, nossas almas ainda o são; e, o que é pior, sob o ar imponente da idade adulta, guardamos os defeitos da juventude (...) e até mesmo da infância.” E Oscar Wilde acrescenta: “O que é terrível quando envelhecemos é que continuamos jovens”. Sabemos que o velho volta a ser criança, logo que ele se encontra afastado das obrigações e necessidades da vida adulta. Mas o adulto esquece e esconde a infantilidade que permanece em todo o ser. O filme O curioso caso de Benjamim Buttom relata de forma magistral este assunto.
Os mais idosos dizem que quando se misturam o envelhecimento e rejuvenescimento, que sentem todas as idades da vida. Sou permanentemente a sede de uma dialógica entre infância/adolescência/maturidade/ rumo à velhice. Nos transformamos e vivemos segundo esta dialógica. Em nós se unem, mas também se opõem, os segredos da maturidade e os da adolescência.
Na casa dos 30 anos, eu me faço as seguintes perguntas: O que resta de mim? Me tornei poroso, corroído, escamoso, esponjoso? Me emudeci, endureci-me, fechei-me no meio do caminho rumo à desintegração no pó? Estou resistindo ao lento desvio da idade? Ganhei os segredos da maturidade, sem perder os segredos da adolescência?
Finalizo esta reflexão colocando em questão a famosa frase do Apóstolo São Paulo: “Quando eu era menino, falava como menino, discorria como menino, mas quando cheguei a ser homem (adulto), parei com as coisas de menino.” Isso é possível? O filme Pecados Íntimos conta a história de um pedófilo de mais ou menos 50 anos de idade que dava em cima dos garotinhos e garotinhas. Ele chegou a ser preso ficando vários anos na cadeia. Ele era temido na pequena cidade. Quando ele foi solto após cumprimento da pena, todo mundo ficou apavorado. As mães e pais principalmente. A mãe do pedófilo suportava aquilo tudo aos trancos e barrancos apesar da idade avançada. Numa conversa amorosa, a mãe daquele pedófilo sugeriu que ele tentasse afetivizar com pessoas da idade dele, mas ele disse que havia tentado, mas foi um fracasso. Ela ligou para uma mulher solteira e carente e fez alta propaganda do filho (coisas de mãe que quer a felicidade do filho). Encontro marcado e o papo rolou num Shoping Center. Tudo ia muito bem, até que dentro do carro no retorno prá casa, aquele pedófilo começou subitamente a se masturbar freneticamente enquanto aquela mulher dirigia inocentemente. A mulher quando viu aquela cena, quase bateu o carro. Daí ela sacou: esse maluco não bate bem da cuca. Nada resolvido, to fora. A mãe ainda perguntou toda ansiosa e animada: “E ai meu filho? Rolou? Vai rolar?” “Não mãe...não é minha praia“ respondeu ele. Um certo dia aquela mãe adoeceu e morreu, entretanto, antes de partir para o outro lado da existência, ela deixou um bilhete: “Meu filho! Não se esqueça de agir como adulto. Seja adulto! Mamãe te pede“. O pedófilo foi para o enterro, mas, quando voltou e entrou naquela casa vazia, viu aquele bilhete e a ficha caiu. Ele deu de cara com a nova realidade e precisava ser adulto dali para frente pois não tinha mais a mamãe para fazer as coisas para ele, para perdoar as infantilidades, para suportar a ferocidade dos vizinhos. Ele começou a chorar e entrou em crise total. Então ele pegou uma faca amolada e cortou o pênis. Um dos vizinhos ao vê-lo chorando e sangrando perguntou: Porque você fez isso? “Porque eu quero ser adulto, pois minha mãe pediu-me“.
“É das criancinhas o reino dos céus” dizia Jesus.

Abraços
Joevan Caitano
www.myspace.com/joevancaitano

O ACORDE INVERTIDO DE DEUS

“O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza porque Deus é amor”. (Apóstolo São Paulo)
“Faço amor, logo existo; sou amada, logo existo”. (Filme iraniano “Um dia muito especial” de Mohsen Makhmalbaf)
“O essencial na vida é sobreviver e manter firme a paixão”. (cineasta Pedro Almodovar)


O cosmos nasceu órfão, sem Deus-Pai, nem mesmo Mãe que o teria trazido num útero pré-cósmico; surgiu de uma violência do vazio primordial e nasceu de um peido desconhecido. É o órfão cuspido pelo infinito e projetado nas separações do espaço e nas separações do tempo.
Nosso universo é catastrófico desde o início. Desde a deflagração formidável que o fez nascer, ele é dominado pelas forças de deslocações, de desintegrações, de colisões, de explosões e de destruição. É constituído no e pelo genocídio da anti-matéria pela matéria, e sua aventura aterradora prossegue nas devastações, nos massacres e nas dilapidações singulares. A saída é impiedosa. Tudo morrerá.
Neste desastre medonho, apareceram forças fracas de associação e de agregação que se aproveitaram dos inúmeros encontros ao longo do caos para unir as partículas em núcleos, depois em astros e átomos. Mas as milhares de galáxias constituem apenas minorias isoladas e perdidas numa desordem e num vazio incomensuráveis.
Nascida sobre um minúsculo planeta no seio de uma violência extrema de tormentas, erupções e tremores de terra, a vida, fruto de associações entre miríades de macromoléculas luta, luta cruelmente a crueldade do mundo e resiste com crueldade à crueldade da vida. Todo ser vivo mata e come ser vivo. Todo ciclo ecológico de vida é, ao mesmo tempo, um ciclo de morte; este ciclo de morte é, ao mesmo tempo, um ciclo de solidariedade; este ciclo de solidariedade é, ao mesmo tempo, um ciclo de destruição. As espécies lutam contra a morte.
Sem estas forças fracas de resistência à crueldade, não haveria vida. Mas sem a integração da crueldade pela vida, também não haveria vida. As forças fracas de associação combatem esta crueldade. No seio desta crueldade do mundo e assumindo tal crueldade, as forças de união, de comunicação e de auto-eco-organização da vida, tão fracas, foram capazes de se espalhar nos oceanos, de se estender nos continentes, de se lançar pelos ares. Penso que a vida é a unidade escondida da bondade e da crueldade.
A crueldade é constitutiva do universo; ela é o preço a ser pago pela grande solidariedade da biosfera, não pode ser eliminada da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, ao que acrescentamos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os recém-nascidos chegam ao mundo gritando de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, e talvez também os vegetais, mas são os seres humanos que adquiriram as maiores aptidões ao sofrimento ao adquirirem as maiores aptidões à alegria.
A crueldade nas relações entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões e raças é aterrorizante. O ser humano tem em si um movimento ruidoso de monstros que ele libera em todas as ocasiões favoráveis. O ódio arrebenta por nada. O ódio abstrato por uma idéia ou uma religião se transmuda em ódio concreto por um indivíduo ou por um grupo; o ódio demente se desencadeia em um erro de percepção ou de interpretação. O excesso de crueldade alimenta, por si só e por saturação, a indiferença e a desatenção, mesmo porque ninguém suportaria viver se não mantivesse em si um pouco de indiferença.
O crescimento da dependência do dinheiro, da independência pelo dinheiro, e do poder do dinheiro generaliza e amplia as voracidades impiedosas (o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males dizia um dos escritores bíblicos). A técnica e a burocracia propagam uma imunidade congelada, mecânica, desintegrando por suas quantificações as realidades vividas dos seres de carne, de sangue e de alma. A especialização e a compartimentarão destroem o sentido da responsabilidade. Cresce, assim, a crueldade por indiferença, desatenção e cegueira.
As únicas resistências estão nas forças de cooperação, comunicação, compreensão, amizade, comunidade e amor, com a condição que sejam acompanhadas de perspicácia e de inteligência, cuja ausência pode favorecer as forças de crueldade. Elas são sempre as mais fracas, mas é graças a elas que há sociedades em que se pode viver, famílias amorosas, amizades, amores, dedicação, caridade, compaixão e afetos, e que, de solavancos em caos, de caos em solavancos, o mundo vai, aos tropeços, sem ser nem um total nem permanentemente submergido pela barbárie. São estas forças fracas que tornam a vida possível de ser vivida e a morte não desejada; são elas que, em nível humano, mantém o que há de mais precioso, e o que é ao mesmo tempo o mais ameaçado e mortal, O AMOR.
São estas forças fracas que nos permitem crer na vida e é a vida que nos permite crer nestas forças fracas. Sem elas, nada haveria o horror da destruição em massa e da desintegração generalizada. A pior crueldade do mundo e o melhor da bondade do mundo estão no homem. Por isso, o evangelho da perdição comporta a ética da solidariedade que é ela mesma ética de resistência à imensa crueldade do mundo.
Devemos resistir àquilo que separa, desintegra e distancia. A resistência é o que ajuda estas forças fracas, o que defende o frágil, o perecível, o emergente, o belo, o verdadeiro, a alma. É o que pode abrir uma fenda na parede blindada da indiferença, para sorrir, rir, fazer piada, brincar, acariciar e abraçar; tudo isso é também resistir.
Resistir, resistir em primeiro lugar a nós mesmos, a nossa indiferença e a nossa desatenção, a nossa preguiça e ao nosso desânimo, a nossas vis pulsões e mesquinhas obsessões. Resistir por\para\ com a amizade, caridade, piedade, compaixão, ternura e bondade. A resistência à crueldade do mundo deve tentar manter a união na separação, tentar unir o que está solto deixando-o livre, suscitar o arrependimento concedendo o perdão.
Na fonte de todas essas resistências, consigo discernir hoje uma resistência mais profunda, primordial, contra a crueldade do mundo. A busca do esforço cósmico desesperado que, no ser humano, toma a forma de uma resistência à crueldade do mundo é o que eu chamaria de ESPERANÇA.
“Vivemos esperando o dia que seremos melhores em tudo, melhores no amor, melhores na dor. Dias melhores prá sempre...” (Jota Quest)

Prebisterói, Presbiterando. Presbiterializar é se encantar.

Texto encomendado pelo reverendo Marcos Martins (o Salsicha) pr auxiliar de Longuini.
Homenagem ao dia do presbítero

Quando eu cheguei na IPVI, a primeira pessoa com a qual eu me deparei foi com o Paulo Machado, que com sua gentilidade e poeticidade me fez acreditar que ele fosse um reverendo auxiliar. Era uma manhã de sol, dia 02 de março de 2008, e eu começava uma nova etapa de vida. O Longuini me apresentou para a igreja e eu malandramente já procurei saber quem eram os presbíteros porque me atormentaram dizendo que eles eram ‘cães chupando manga“. Então após o culto de estréia, eu me auto declarei e me auto consagrei presbítero júnior e atribui o mesmo título aos seminaristas Rafael galã e Eduardo crise. Acentuei à eles que nossa missão seria adestrar os presbíteros. Eles morreram de rir, mas acharam que eu fui ousado demais.
Após o culto, o Paulo William já me cercou em off no cantinho, e pediu meu telefone, e-mails para fechar acertos de contas com o “tráfico de Cristo”. Ele ainda não me conhecia, mas mesmo assim foi muito gentil e atencioso. Até hoje, PW é um dos nossos, pois quebra o coco e não arrebenta a sapucaia. Ele não deixa a peteca cair quando as turbulências assaltam o Ministério de Louvor na IPVI. PW é gente que faz.
Na segunda feira dia 03 de março de 2008, 24 horas após eu ter me submetido aquele ato heróico dominical, enviei um e-mail para todos os presbíteros me apresentando, dizendo: Presbíteros Seniores! Eu sou o Joe, se liguem porque vem chumbo quente. Foi assim que tudo começou, num ato virtual de risco.
Na semana seguinte me enturmei com o Paulo Luis, chamado carinhosamente e temerosamente de “O MESTRE DOS MAGOS“. A música no coral nos uniu. Depois vi o Carlos Henrique, jovem presbítero de pequena estatura fazendo um solo de forma muito pueril, porém, tímido. Daí me enturmei com ele. Mas depois ele vazou do coral, por motivo de força maior, porque ele era o menor de todos.
Depois foi a vez de eu me encontrar com Seu Levi, que já foi logo explicitando seus dotes lingüísticos, pois é um poliglota. Penso eu, que quando ele for chamado ao sétimo céu, ele ficará do ladinho de Lèvi-Strauss papeando de eternidade em eternidade sobre a antropologia dos anjos.
Meu entrosamento com o Pedro Duvanel seu deu por conta de um envio de um site muito louco que eu criei e enviei chamado www.fromjibtojib.com. Ele decorou de forma espetacular aquele endereço estranho e ficamos super amigos. Pequenas idéias, grandes amigócios.
Bernardino era o mais desconfiado, mais na dele, meio elitizado. Eu achava ele meio bicho do mato, semi arisco, mas carinhosamente chamava-o de Bernadino Din Din. Busquei fazer alianças com ele, e com o tempo a gente foi se enturmando aos poucos até que ele não resistiu ao meu charme maluco beleza e convidou-me para comer um sanduíche de carne assada na casa dele (Sambarilove). Ele ficou muito feliz e chegou a lacrimejar quando viu seu filho Juninho flautilizando com mãos limpas e boquinha pura em seu raro instrumento durante momentos de adoração festejante. O canto junino ficou, mas a flauta vazou. Juninho é liberdade na raiz, autonomia para decidir o que é melhor para ele.
Liberdade é o que a Igreja Presbiteriana exerce, pois ela concede aos membros o poder de decidir via eleição quais as pessoas mais preparadas para ocupar a função de Presbítero, isto é, ser um Presbiterói, um zelador de vidas como assinalava o Apóstolo São Paulo, Timóteo e outros. Esta função exige pessoas com QI (quociente de inteligência para lidar com a diversidade e complexidade administrativa numa comunidade polivalente) e exige também QO (quociente emocional para lidar com as adversidades e turbulências que põem em risco toda a ordem sistematizada do corpo de Cristo na terra de Noel).
Fico muito feliz e sou extremamente grato pela equipe de Presbíteros da IPVI, pois eles são exemplos de competência, sabedoria, adesão ao ministério da escuta, firmeza e flexibilidade quando necessário, apoio à diversidade e novidades, bem como portadores de afetividade- sensibilidade e amicicidade escrachada. Juntamente com o reverendo Luiz Longuini e o reverendo Marcos Martins, eles governam com amabilidade em meio as instabilidades.
Salve os Presbiteróis...É nóis na fita com esses heróis.
Presbiteralizar é se engajar. Presbiteralizar é se encantar; é ir prá uma missão que é amar. Esse sentimento (...)
I have a dream: Gisele presbitera, Josie presbitera, Dona Vera presbitera, Joceli presbítera, Geisa presbítera, Carla Presbítera, Mirian presbítera (aliás, mulher de presbítero presbiterá é) e outras...Mulheres presbíteras já!!!

Um abraço
Joeblackvan e Presbiteros Jr Companhia i-Ltda (Clayton, Eduardo, Alessandro, Rafael, diáconos e afins).


 

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