Haiti. Uma visao teológica do Deus amor e terror.

A midia divulgou a tragédia no HAITI. Tudo ia muito bem (aparentemente), mas a terra se abriu, e tudo mudou. Muitos morreram, no entanto, outros sobreviveram a selvageria da terra.
Nossa existencia se dá num percurso em meio ao abismo. Caminhamos sobre uma corda bamba sobre esse abismo. Prá vivermos essa vida perigosa, precisamos confiar no mistério que chamamos de Deus, pois ele conhece os segredos e as vibracoes da corda. Se porventura, conseguirmos atravessar o abismo em seguranca, estaremos nos bracos dele, no entanto, se cairmos e morrermos, também estaremos nos bracos dele, porque, ele é o todo. Ele é o desejo e o perigo, ele é o amor e o terror: O vento dele sopra aonde quer e ninguém sabe de onde ele vem, e nem para onde ele vai. Resta-nos pegarmos carona nesse fluxo de ventania divina, pois ele nos levará a lugares inimagináveis.
Tanto na vida, quanto na morte, estaremos com ele, pois ele guarda a nossa entrada e saída, e protege no nosso retorno, pois tudo volta de forma diferente. Somos constituídos de restos de estrelas espatifadas há milhoes de anos atrás. Tudo é atomo, tudo é Deus, e tudo vem Dele, e tudo vai prá Ele, tudo é reaproveitável, td que morre é condicao de possibilidade pra se criar algo novo em outra parte do universo, por isso, nao temos como escapar Dele (de Deus). Deus é amor, e no amor há condicao de prazeres, alegrias e tb de sofrimento. Há possibilidade do trágico dentro amor.
Chorai com os que choram, mas se alegrem com os que estao em alegria. Jesus também chorou.

Filme 2012. O trágico que mobiliza e nos une.

Em dezembro de 2009 fui ao cinema assistir do filme 2012. É um filme interessante do ponto de vista do trágico. Prá quem curte efeitos especiais, é um prato cheio. A vida seguia normamelmente, mas de repente, a terra comeca a se estilhacar, o mar se expande, e as ondas invadem a terra e comeca a derrubar tudo. Uma familia desesperada, entra num aviao rumo ao desconhecido, em busca de um local seguro pra aterrizar, entretanto, o que veem, é um espetáculo de destruicao. Eles veem a torre Eifel em Paris, o Cristo Redentor, a estátua da Liberdade, mas tudo indo pro beleléu. No final do filme, eles conseguem pousar num local na África. Após descerem do aviao, envolto por aquele novo ambiente, a filhinha pergunta ao papai: Papai! Quando iremos voltar pra nossa cidade? e meus coleguinhas? e minha cama? e meus bichinhos? Akele pai responde: minha filha! já te falei sobre isso... Nao existe possibilidade de retorno, pois a nossa cidade está debaixo d´agua, mas saiba que aonde o papai, a mamae e vc estiver, ali será a nossa casa. Temos que recomecar de novo.
O bonanca nos acomoda, mas o tragico nos mobiliza, a buscarmos novas solucoes, dai conhecemos outros locais, pessoas, etc. A vida é um paraiso perigoso, mas aonde estivermos, o Pai, o filho e o Espirito Santo estarao conosco, e ali será a nossa casa. Onde estivermos é condicao de possibilidade para um comecar de novo, para novas experimentacoes e novas relacoes afetivas.

Joeblackvan
desculpe a falta do C cedilha, mas estou escrevendo num teclado alemao e nao tem C cedilha...rs

Vivi minha infância e juventude no interior do estado do Pará, longe de meus parentes, por isso, não tive contato com eles. Esse ano, tive o privilégio de pela primeira vez passar o natal e ano novo junto com eles. Conheci tios, tias, sobrinhos, primos, etc da linhagem de minha mãe. Essa turma toda mora em Belford Roxo e nos arredores.
Terminado akeles momentos de muvuca festiva, retornei a vida real, no entanto, como o mes de janeiro é mes de férias para os estudantes, eu não perdi o pique, e fui usufruir de um dos maiores prazeres que todo o carioca tem: ir à praia. Acordei cedo e fui para o Leme, pois o sol pela manhã é saudável. Por volta de meio dia, eu me arrumei, e disse pra mim mesmo: Vou embora. Caminhei rumo ao calçadão e fui caminhando em direção a Copacabana, Ipanema. Não caminhei uns 500 metros e minha intuição me disse: Joe! volte prá areia. O que? resmunguei eu perante a intuição...Acabei de vir de lá agora...mas ela insistiu...volte pra lá Joe e caminhe no mesmo sentido, mas pela areia...
Eu fiz isso, e foi só eu dar alguns passos e sabe quem eu encontro: João Homero Capatti...Ele foi meu primeiro professor de Piano Licenciatura na UFRJ em 2004, ano que eu era calouro e desprezado...rs. Eu gritei: João Homero!!! Ele ao me ver, se levantou e me abraçou fortemente e me deu um beijo e disse-me: Tu não sabe o que aconteceu comigo rapaz. O que foi? Então ele falou-me: Tô aqui há poucos dias, porque meu pai morreu recentemente, e eu tive que vir as pressas prá cá prá resolver as coisas...passamos o natal e reveillon sem o papai...foi difícil...comprei as coisas para a ceia e passei com minha mãe e irmã (os),etc. João Homero mora em São Paulo.
Daí ele me perguntou: Vc tá indo prá onde? Tá voltando pro Leme? eu disse: sim , sim...fiz igual o profeta Jonas e mudei bruscamente a direção do percurso, pois o João precisava desabafar, enfim, precisa de alguém pra conversar. Então ele convidou-me prá ir até a casa da mãe dele ali na rua Duvivier em Copa, e lá pude presenciar a mãe dele descascando uma cenoura com aquele sembrante abatido, retratando a sua fragilidade perante o monstro da mortalidade, pois a morte sorri prá todos.
Ele me levou a sala e mostrou o piano e o violão, ambos estavam cobertos e de luto. Na casa de músicos, até os instrumentos ficam de luto, e as vezes se recusam a afinação. João disse que o pai dele era violonista e adorava bossanova, e morreu fazendo o que mais gostava: Partiu jogando sinuca.
O papo rolou solto, e falamos de muita coisa...eu mais ouvi do que falei..o João fala muito. Mesmo abatido, ele mantinha um astral positivo. Falou de viagens, da relação dele com o amado BOB (31 anos de honestidade afetiva), da crise que a morte nos provoca que nos remete a busca do sentido da existencia, etc. Eu ouvia e bebia, pois o João sempre nos deu uma aula de vida, mesmo lecionando piano. Ele limpava os pianos sujos da UFRJ, arrumava as salas, colocava incenso, fazia exercicios orientais pra gente relaxar...falava de vinhos, de casos afetivos, de festas, de religião...ele é uma mistura de católico e religião japonesa..etc...Aprendi muito com ele...
Um coisa engraçada foi que ao me ver, ele diz que havia pensado em mim durante aqueles dias e nos outros ex-alunos dele. A força do pensamento nos uniu novamente. Ele pensou, a minha intuição recebeu o torpedo, eu traduzi e veio a mensagem: A VIDA É A ARTE DOS ENCONTROS EM MEIO AOS DESENCONTROS.
Pude naqueles momentos trocar telefones, e-mails e repassei a ele, alguns contatos que poderão ajudá-lo nessa fase existencial e profissional. Ele fez o mesmo repassando alguns contatos dele, no entanto, relatou que alguns colegas de profissão, só porque subiram um degrauzinho a mais na vida, se acham no direito de nao fazer mais contatos e de até mesmo excluí-lo de contatos. Falei: João! Isso já aconteceu comigo também. "Amigos" que cortam da lista e que não tem prazer em fazer contato, é porque são inseguros e vivem com medo de perderem posição, pois vivem sob o demônio da competição. Uma das coisas que eu disse à ele foi: Entrei no mestrado tô arrastando um monte de gente que também são capazes de serem educadores. Aonde eu for, eu almejo levar os meus amigos. Quando eu entrar no doutorado, farei o mesmo. Devemos ser um agregador e não devemos ter medo de indicar pessoas, de abrir espaço prá elas também. Devemos compartilhar a beleza que não é só minha. Meus amigos de infância, costumam me dizer via MSN, skype, orkut, etc: Joe! fico feliz, porque você subiu muitos degraus, mas você se comunica com a gente numa boa, ao contrário de outros que nem se quer dão um simples: bom dia, boa tarde, boa noite, oi, olá, etc.
Ao me reencontrar com João Homero naquela manha calorenta de Copacabana, foi como se 2010 tivesse me dizendo: É sempre bom retornar as bases. Mesmo que você migre para outros locais, faça novos contatos, é sempre importante retornar a base, pois caso a gente tome um tombo da vida, temos onde nos apoiar e receber carinho.AMIGO É COISA PRÁ SE GUARDAR DEBAIXO DE MUUUUUUUUUITAS CHAVES. Creia nisso.


 

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