Bilania. Um passaporte na fronteira entre dois tempos cronológicos.

Querida Fabíola, a quem chamo carinhosamente e musicalmente de Bila Canto. Hoje, 31/12/2011 mais uma nota é acrescentada a escala sonora de sua existência. Sobre os acordes de base do campo harmônico da vida, você estuda com dedicação, visão e já aplica a improvisação, que consiste num ato consciente daquilo que é inconsciente dentro de sua essência: seu desejo de prazeres e de felicidade nas pulsações rítmicas.
Seu aniversário está sendo comemorado debaixo de neve, no entanto, o fogo que existe dentro de você, é capaz de aquecer a mais intensa geleira da alma carente que sente medo dos desafios e se ofusca dentro de si. Hoje é um dia de delírios de júbilo em meio aos riscos do inverno rigoroso na Terra do Tio Sam. Aqui no meu calor e silêncio discreto disparo essa singela declaração de amor e fé à bilania.
Feliz aniversário
são as minhas felicitações
Joeblackvan

Feliz 2011 com risos e riscos.

Desejo a todos vocês um feliz ano novo cheio de novas aventuras existencias. Que este espaço de delimitação cronológica seja repleto de momentos de pura vivacidade e musicalidade mesmo sabendo que a vida comporta riscos, desvios e rupturas dolorosas que visam nos abalar e aniquilar, porque o Universo (Deus-o Todo) é amor e beliculosidade também. Mas, aquilo que não nos destrói nos fortalece (Friedrich Nietzsche-filósofo alemão).

Que as fraquezas melódicas sejam reforçadas pela cadência harmônica perfeita (Deus) pq tudo podemos naquele que nos fortalece (Deus, os bons amigos, bons encontros).

Com carinho

Joeblackvan

Filme e debate sobre educação especial (FACULDADE DE EDUCAÇÃO-UFRJ)

A pedido do Dr. Prof Reuber Gerbarssi da FE-UFRJ, divulgo esse evento.

O Laboratório do Imaginário Social e Educação – LISE convida
para a Mesa Redonda comemorativa dos seus 21 anos.

No dia 09 de dezembro de 2010 (quinta-feira) às 18h

Auditório Manoel Maurício CFCH – UFRJ
Av. Pasteur, 250 - Praia Vermelha

Exibição do Filme indiano
“Toda Criança é Especial”
www.cinemaindiano.blogspot.com (como as estrelas descem a terra - é o título antigo)

Foi um dos melhores filmes que eu ja assisti na minha vida numa mostra da CAIXA CULTURAL-RIO. Todo professor deveria assistí-lo porque vai aprender muito e nao vai dar viagem perdida.

Abaixo, recomendo os video regido pelo maestro Arturo Toscanini. e Wilhelm Furtwängler.
O FILÓSOFO THEODOR ADORNO dizia q só existia dois regentes q representavam a força da hermenêutica sonora e da mimesis (da imitação gestual) na música: Arturo Toscanini (1867-1957) e Wilhelm Furtwängler (1886-1954)
Adorno dá uma aula sobre mimesis qd relaciona-a com a interpretação musical..mimesis e racionalidade na reprodução musical.
Com efeito, "o mímico habita a música como tal" (...) Interpretar significa representar (...) e é nesse ponto que está a comunicação entre a obra e o intérprete.
Toscanini regendo Richard Wagner
e Wilhelm Fartwängler regendo Brahms.

Filosofia para todos. David Hume e o ceticismo moderno.

DATA: 25 de novembro (QUINTA 18h30) no auditorio do CFCH na faculdade de educacao da UFRJ na praia vermelha. Avenida Pasteur, 250-URCA.
Entrada grátis.
Ministrado pelo Dr. Prof. Reuber Gerbassi Scofano.
Ele trabalha a filosofia dialogando com o cinema e a MPB...muito didático e interessante, além de hiper engraçado.

Durante uma conversa pelo MSN um jovem senhor pediu carinhosamente a sua amiga: "Por gentileza, não faça aquilo e nem aja daquela forma pois eu não gosto e atiça em mim as fúrias mais primitivas". Algumas semanas após o pedido, aquela mulher virtual se manifestou em corpo presente e efetuou aquela ação que aquele pedinte não gostava. Então aquele jovem ficou muito sem triste e sem graça, mas enviou um recado: “fulana, eu não gostei daquilo que você fez visto que eu já havia solicitado que não fosse feito aquilo, mas como você fez propositadamente, me soou como afrontamento e provocação“.
Mesmo movido de raiva interior, aquele rapaz foi muito amoroso ao emitir alguns conselhos básicos para o bom prosseguimento afetivo e existencial daquela jovem senhora. Ele assinalou: “Você procura freneticamente arrumar um grande amor, no entanto, você só anda mal vestida e parecendo uma barangona, por isso, você está barangona. Suas fotos de profile nas comunidades relacionais são lindas e de excelente aparência aos olhos que possuem bom gosto, mas na vida real, as imagens não correspondem com a propaganda fotográfica emitida. Evite usar calças jeans porque você não tem bunda e suas pernas são hiper grossas, no entanto, você tem seios avantajosos e bonitos, lábios carnudos e sorriso divinal. Use vestidos com decotes ou outra combinação que destaque os aspectos positivos e esconda os aspectos negativos do âmbito corporal. Por gentileza, ande direitinho, cheirosinha evite falar mal de seus ex amores, amigos e de seus clientes, pois dessa forma, você queima o seu próprio filme como pequena empresária do seu ramo; estude outras línguas pois o seu contexto profissional exige grande articulação relacional com pessoas de diferentes classes sociais e lugares“. Ao ler aquelas dicas estéticas-existenciais, aquela mulher responde na defensiva: “Obrigado por seu e-mail mal criado, porém, não quero nenhum tipo de contato contigo, pois não és meu amigo de verdade. Amigo de verdade não me chama de barangona, mas diz que eu sou ninfeta e capa de playboy. Não interessa o que você e os outros pensam a meu respeito, porque estou sempre cantando sobre a “lenta flecha da beleza” de Nietzsche”. No poema ele diz: "A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias".
E continuou pela vida ...e a vida continuou...Quem é quem? Ser ou não ser? Ser ou estar? Para ela, tudo é Dasein...Heidegger precisava comê-La.


Assisti o filme “A ARCA RUSSA” em que o cineasta Aleksandr Sokuróv passeou com câmera por 35 cinco salas do museu Hermitage em São Petesburgo durante 90 minutos sem corte nas imagens. Escrevi este texto sem parágrafos para não cortar o tesão do fluxo contínuo daquilo que foi tecido junto: as idéias.
“Não me pergunte quem eu sou e não me peça para permanecer o mesmo (Michel Foucault)”.

Domingo dia 14 de novembro (2010) fui tocar na ICI (Igreja Cristã de Ipanema) à convite da Bianca Mala faia (Schaulin). Na ida, encontrei muitos casais de gays e lésbicas movidos por excitante euforia dentro do metrô rumo a passeata mercadológica do amor. Toquei naquela cerimônia religiosa onde mesclei hinos sacros com músicas de Tom Jobim, visto que, aquela comunidade de fé é composta de pessoas de alto nível intelectual, simpatia e bom gosto. Ouvi um belíssimo e profundo sermão do reverendo Edson Fernando falando sobre a inevitabilidade da finitude existencial, e terminamos cantando “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará, a vida é como ondas de um mar, não adianta fugir (...) há tanta vida lá fora (...)”. Finalizada aquela reunião litúrgica, fui convidado a tomar um chopp/cerveja (urina de Cristo) no Itaí em Ipanema, mas recusei, pois optei ardentemente por caminhar no calçadão em direção aos babados da turma do arco-íris. Quando cheguei ali perto da Siqueira Campos e Copacabana Palace, encontrei uma multidão de duplas se beijando, se atracando energeticamente. Fui observando tudo e fazendo uma retrospectiva de minha vida e cheguei a uma conclusão: como eu mudei muito depois que li Foucault, Deleuze e Proust, pois há 7 anos, seria impensável eu estar caminhando vendo tudo aquilo, pois os discursos eclesiásticos me impediriam de trafegar por ali assinalando que era abominação e perversidade aos olhos do Sagrado. Não me pergunte quem eu sou e não me peça para permanecer o mesmo (Michel Foucault). Achei maior barato ver aqueles beijos picantes e esfrega-esfrega, rôlas e seios expostos nos bastidores e escutei muitos pontos de vistas favoráveis e não favoráveis àquela articulação política e corporal-sexual. Ao passear entre eles, conversei com alguns e vi o quanto são pessoas divertidas e engraçadas. Um deles chegou a dizer-me que se eu for para uma academia, ficarei um moreno sedutor e altamente pegável (kkkk...). Agradeci o conselho e segui em frente, porém, encontrei um grupo de evangélicos com aqueles folhetos catequéticos assinalando que toda nudez será castigada e apontando para uma salvação caso aquelas pessoas apagassem aquele fogo biológico. Mas, é possível controlar a chama da sexualidade em nome de uma conversão metafísica? Diz Nietzsche, que a sexualidade é como uma teia que quando é cortada, tece-se por si mesma. Será se Deus com tamanha infinitude universal, estaria preocupado com o cu, a xereca ou a piroca das pessoas e qual tipo de combinação é efetuada num minúsculo planeta na periferia de uma galáxia e destinada a desintegração futuramente? Não me preocupei com a cor da unha do elefante, mas ao ver aquela multidão que a cada ano cresce “assustadoramente“, fiz a seguinte pergunta: Como e porque os homossexuais se multiplicam tanto se eles não podem procriar? Isso é um milagre, pois há uma subversão da normalidade que desencadeia a geratividade numérica e afetiva, por isso, tem coisas que nem Freud explica, talvez Deus explique. Outra questão que levantei ao ver aqueles “caras pintadas” evangélicos e muitos se dizendo que são ex viados lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro foi: Será que um cara que já levou uma vez ou várias no rabo consegue deixar de ser viado? Será se eles não manipulam ou são manipulados pelo sistema em nome de Deus, mas nas guaritas mais secretas há um efervescimento luzente dos piscas piscas divinos anais e peniais? Finalizo citando um caso verídico: “Um viado passivo sentiu medo ao ouvir um sermão profético-pastoral sobre o juízo final e o lago de fogo infernal preparado aos sodomitas e efeminados, e logo, resolveu se converter. Cumpriu todo período probatório catequético e resolveu dar testemunhos em nome de Deus e como bom papagaio, pregava a condenação, o juízo eterno e o sofrimento daqueles que optassem pela diversidade das cores. Um pastor que conhecia bem o ramo, e acredito eu, também experimentou o santo caralho nervótico, ficou muito puto ao ouvir aqueles sofismas terroristas em nome de Deus e chamou aquele pregador para uma conversa olho no olho, de homem para homem e perguntou: “Seu filho da puta! Fala pra mim porra! quando você vê um garotão saradão perambulando na sua frente o seu fiofó não pisca como árvore de natal ao imaginar a entrada triunfal do fagote e bagos do jumento humano? Fala e não mente seu imbecil. Vai dizer que você não adora os ramos de oliveira do prazer“?. E aquele ex viado disse: “é pastor, cada dia eu mato um leão quando penso naquilo“. “Então cala a boca! pare com essas babaquices e encheções de saco de pecado, diabo, inferno e os cambáus e pregue o amor, a misericórdia, a boa nova do evangelho de Jesus Cristo, aquele que morreu por que amou aqueles que não eram amados, pois acreditava que todo amor é sagrado”, disse aquele pastor furioso com aquele cena teatral que viu. Jesus estava certo ao dizer: “não é o que entra que contamina, mas é o que sai que aterroriza (ogivas com vírus metafísicos). Adoração transexual e ministério do arco-íris são temas para pastores bofes de elite e seus simpatizantes. Esses odeiam o apóstolo Paulo, mas adoram os apóstolos Foucault e Marcel Proust. Esses obreiros adoram pregar sobre temas intrigantes como: “Em busca do churro perdido”. Dizem que quando Jesus voltar, o homem terá a Sodoma e a mulher terá a Gomorra. Pastores efeminados e pastoras masculinizadas são como acordes invertidos que outrora era proibido na música, mas na música moderna são permitidos. Na Idade Média, até o trítono era abominável porque “deus” não gostava, mas atualmente se o ministro de música não utilizar o trítono na liturgia, ele perde o emprego porque pastores são dominantes e às vezes, alterados. (Obs: A unção do trítono costuma deixar os pastores com o entendimento diminuto).

Em Cristo (o sinistro), Joeblackvan.

Dedicado à FABAT (STBSB) e CBBB


A bandeira está parada; o vento está calmo. É o coração dos homens que está agitado (Canône Budista extraído do filme Cinzas do Passado).
O rio corre para o mar...o Espírito retornará a Deus tão vazio (Mark Hayes-pianista e compositor)

Estava eu assentado num alto e sublime e trono ali pelo centro do Rio de Janeiro, e ouvi uma voz que dizia: Os Ribeiros estão prontos para a seca. Weil? Questionei eu no meu silêncio sonoro mas não houve WARUM (...). Fui dormir e sonhei com um boneco de sal não se queimava, pois ele era possuído pela neve em solo alemão e tinha horror a cebolas durante os cardápios extra-teológicos. Minha memória involuntária já foi logo direcionada para o texto bíblico de Josué 8:10 que está escrito: “Josué! Não temas, porque nas tuas mãos os entreguei (...)”.
Tudo era muito confuso em meus devaneios inconscientes, no entanto, subvertendo a proposta freudiana, aposto que os nossos sonhos podem ser os desejos “inconscientes” dos outros. Dias e dias se passaram, linchamentos acadêmicos afobaram-se, e o poderoso chefão ficou “adormecido” em seu túmulo fantasma numa artimanha afro-estratégica. Meus orixás avisaram-me, mas fiquei na expectativa de uma superação (Aufhebung) batista-administrativa em meio as chamas incandescentes na colina.
Como apaziguar o caos se borboletas voavam com asas de mulher maravilha mas com bafo de terrorista? Como superar a freneticidade noológica de um gênio chamado “Ondas Coordinatums” cuja a produtividade constante atiça e desestrutura as guaritas mais secretas no campo eclesiático? O que fazer? Para onde ir? Se batesse com a vara no Ribeiro, as águas poderiam se tornar amargas; Se desse um tiro nas margens, o campus poderia se encharcar, e talvez os alunos ao se depararem com as salas inundadas, poderiam achar que o imóvel chorou pela partida da maior genialidade intelectual já vista em solo batista.
Enfim, acordei pensando numa passagem herética-poética onde o narrador mostrava o espírito lúdico com que um negro apostava com o mar dizendo: “Mar! Tu sabes as minhas limitações humanas, porém, se eu atravessar a nado e voltar, concedes-me um dos teus afluentes para que eu me delicie com a minha pequena força braçal. Ele foi e voltou, cheio de energia e cheio de vida, e foi concedido muito mais do que pediu e pensou, porque o poder de “Deus” se aperfeiçoa nas fraquezas. Portador de multiplicidades aquáticas, foi lhe dado a oportunidade de sair da comodidade das piscinas, lagos e praias e se banhar num ribeiro. Ao entrar nas águas ele sentiu a força telúrica ribeirinhas das ondas que perturbam seu interior traumático ameaçando afoga-lo. Saiu as pressas daquele ribeiro profundo e foi direto para seu aposento e pegou num sono profundo que desembocou num terrível pesadelo ao ouvir sua própria voz em forma de espelho vocal dizer: “Osvaldo! Osvaldo! Porque me persegues? Acordou assustado e não perdeu tempo e ligou para seu assistente dizendo: “Hallo meine Lieber! Por favor (bitte), construa uma barragem com urgência porque não suporto rios de águas vivas. Prezado Patrão, o problema é que a empresa não tem grana no momento para fazer esse Hinderniss, disse aquele funcionário competente, esforçado, realista e visionário. Então ele disse: Mas eu tenho, deixa que eu pago do meu bolso o corte dessa nascente que me atormenta. Quero a cabeça dessa fonte urgentemente. Então puxou uma espada caríssima e cortou aquela cabeça pensante que se refez por si mesma, porque as idéias são como a sexualidade que quando é cortada, tece-se a si mesma (Nietzsche).
Ambas as partes saíram vitoriosas, pois Ribeiro possui força retórica intelectual construída com esforço e Josué possui força estratégica e financeira devido ser poderoso.Cada um seguiu sua vida. Deus seja Louvado, pois ambos vieram debaixo, porém, subiram suntuosamente com prodigialidade. Mas os ventos proféticos sinalizam que o sal está para o norte e a luz está centrada no sul, assim diz o Senhor dos heréticos.
Nem olhos viram nem ouvidos ouviram o que “Deus” preparou para nós.

Joevan de Mattos Caitano é batista-budista, negro, paraense-amazonense-carioca-alemão, ex peão mirim na Transamazônica (cabo de enxada nos anos 90) , rumo nach Deutschland (germany) auch für mein Doktorarbeiten. Se porventura eu retornar, espero voltar com as duas cabeças; a de cima e a de baixo, pois ambas trabalham sem cessar, por isso, tenho orgulho delas. Sou prodígio e sinistro.
Grüsses aus der Lapa-Himmel.

“Se tentaram matar os teus sonhos sufocando o teu coração (...) não desista pois os sonhos de Deus jamais vão morrer (cânticos espirituais)”;
A história está perdida sem a memória, pois a memória redime a história (Walter Benjamim).

Revisitando alguns bons e-mails de outrora, encontrei um com a seguinte frase: “Aquele que provar de mim (chá de...) nunca mais terá sede“. Era por volta de 23h e minha memória involuntária fez um vasto e longo passeio pelos bons momentos que a vida ofereceu-me. Segundo Nietzsche, “há uma via promissora no olhar retrospectivo do historiador-artista, pois todos os fenômenos históricos são mundos que sempre se abrem a novos olhares e a novas avaliações“.
Abatido existencialmente, peguei no sono e tive dois sonhos paralelos, porém, “desconexos“. No primeiro, sonhei que eu era um atacante na seleção Tcheca contra a equipe da Rússia num dia de muita neve. O jogo era truncado com muitas faltas e chutão pro alto, mas eu era bem marcado. Entendia tudo o que os russos diziam contra mim, pois eu sou um letrado em línguas eslavas. Estava tudo no 0x0 e não sei o resultado final, porque a transmissão da partida inconsciente foi cortada e entrou outra conexão num contexto latino:
Estava no alto de um morro e vi um Senhor assentado sobre um sublime trono e ele me disse: Varão! “Vê aquele matagal lá embaixo se mexendo?” Sim, sim, sim respondi sonambulamente: “Desce rapidamente porque o Senhor fará maravilhas“. Obedeci e ao entrar naquele pântano, vi uma sucuri que estrangulava prazerosamente uma mulher com apertos ecológicos. Então, puxei uma arma e atirei naquela criatura rastejante que arregalou os olhos e disse: Mattos! Mattos! Porque me persegues? E se apagou bruscamente.

Acordei subitamente, suado, assustado, excitado, molhado, arrebentado e não sei como voltei para casa porque o pesadelo foi cortado pela metade. Só sei que ainda estava escuro e a luz ainda não tinha brilhado. Possuído pela cocaína afetiva, pensei nos contos inacabados de Kafka e cantei depressivamente: “Obrigado Senhor, porque a minha vida não teve um fim”. Sem sono, fui ver um filme aritmético e estudar russo, porque a história e memória são uma só carne disse Jacques Le Goff.
O dia amanheceu, o sol brilhou e eu encarei a realidade porque a história é uma ciência em marcha, por isso, ela deve se mexer, progredir, não pode parar. O historiador não pode ser um sedentário, um burocrata da história, mas deve ser um andarilho fiel ao seu dever de exploração e aventura escreveu Marc Bloch, no entanto, quer queiram ou não, os homens são herdeiros do seu passado e terão de viver a contradição entre a herança e a novidade.

Abraços
Joeblackvan \ Joe (Joevan de Mattos Caitano) ex morador na Transamazônica-Pará entre 1985 e 1996 e Manaus-AM 1997-1999.
www.joevancaitano.blogspot.com

Bibliografia
BLOCH, Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BENJAMIM, Walter. “Sobre o conceito de história” (SCH): In Obras Escolhidas: São Paulo: Brasiliense, 1981.
LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Unicamp, 2003.
NIETZSCHE, Friedrich. Escritos sobre História. Tradução, apresentação e notas de Noéli Correia de Melo Sobrinho. Rio de Janeiro: Editora PUC Rio, 2005.
Filmografia
Aritmética Emocional. Paolo Barzman; Drama, 2008.
Nossas inquietudes. Documentário sobre psicanálise.

“No mundo tereis aflições mas tendes bom ânimo porque eu venci o mundo” (Jesus Cristo);
“Quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco ou morrer na solidão (...) se o bem e o mal existe, você pode escolher, é preciso saber viver” (Roberto Carlos);
“Na minha opinião, isso é dupla traição” (Djavan)

O filme “Duros em Paris” mostra a história de dois filhos que desacataram a autoridade do pai e o mesmo resolveu dar um castigo enviando-os para Paris com apenas 7 euros para passar 7 dias. No primeiro dia foi tudo meio esquisito, mas aos poucos eles foram fazendo contatos, conhecendo lugares e pessoas e articulando estratégias de rentabilidade financeira via improvisação para sobreviverem naquela aventura na selva parisiense. Entre trancos, micos e barrancos eles conseguiram e voltaram para casa cientes da missão cumprida.
Há mais de 2000 anos, Jesus contou a parábola dos talentos. Nela ele assinalou que um Senhor, dono de uma empresa de uma cidade do interior, inspirado no programa “No Limite”, e que havia promovido um concurso, após submeter todos os candidatos as provas discursivas, provas de línguas estrangeiras, entrevistas, prova de títulos e análise de currículo, selecionou 3 candidatos para a prova prática para testar o QI, QO (quociente emocional), a capacidade improvisativa em condições adversas e nível de resistência sobre pressão total. Para um deles, ele deu 10 reais para passar 10 dias no Rio de Janeiro, para o outro, 5 reais para passar 5 dias na selva carioca, e para o terceiro candidato, ele deu 1 real para passar apenas um dia na cidade maravilhosa.
A comissão de admissão deixou os 3 candidatos as 6h da manhã em frente os arcos da Lapa, centro do Rio de Janeiro, cada um com uma carta de recomendação da Firma, com endereço, telefones , e-mails e assinada pelo chefe e disseram: “se virem! A bola está com vocês! Boa sorte“.
O candidato com 10 reais era músico e mapeou tudo em redor, e as 7h da manhã já foi se enturmando com os alunos da Escola de Música da UFRJ e entre papos e chavécos, ele conseguiu um violão emprestado e durante 7 dias, ele fez demonstrações musicais pela LAPA e praças do Centro do Rio, multiplicando aquela quantia fornecida pela firma, sendo possível se alimentar dignamente no bandejão de 1 real da Central do Brasil e dormindo na casa de outros músicos da EM. O segundo candidato com 5 reais, e era de família de evangélicos, porém, tinha trejeitos efeminados e se fingiu de gay e foi logo procurando a Igreja Cristã Contemporânea. Chegando lá, foi recebido com generosidade e após uma longa conversa, foi efetuado a inclusão da irmandade que foi convidado a participar de trabalhos comunitários, auxiliando diáconos, pastores, etc, recebendo cama, comida , colchão e unção. Após os 5 dias, ele recebeu uma oferta de amor e pode retornar para a cidade natal com segurança. O terceiro candidato, que possuía apenas 1 real, era ex viciado em drogas. Ao desembarcar na Lapa, ele caminhou rumo ao Catete, Largo do Machado e com a quantia que tinha, pagou a subida de moto-táxi para um dos morros cariocas. Chegando lá em cima, ele sentiu o cheiro do bagulho e foi excitado-atiçado até os instintos mais primitivos, negociando a compra dos entorpecentes. Via conchavos de outrora, ele comprou, usou, mas se endividou e não tinha como pagar. Daí o dono da boca de fumo, fuçou a roupa do corpo daquele infelizado e descobriu a tal carta de recomendação emitida, carimbada, como telefones e e-mail e assinada pela Firma do Senhor Fulano de tal. Então o traficante ligou para aquele chefão e explicou a merda toda que aquele candidato a empregado havia feito, dizendo que ele devia um montante exorbitante, e se a firma pagaria aquela dívida. Então aquele Senhor respondeu: “Não podemos nos meter nisso, porque é problema dele. “Só demos a ele um real para testar a capacidade dele, e além do mais, são três candidatos para apenas duas vagas, preciso eliminar um mesmo, então, deixo com vocês agora a decisão do que fazer com esse vagabundo“. Então o dono da boca de fumo disse: “Servo mau e infiel, sob o pouco foste infiel, portanto, até o resto lhe será tirado“. Então puseram ele de quatro (dogystyle) e fizeram-o de brinquedinho sexual via fortíssimas estocadas, tirando-lhes as pregas anais. Depois, amarram-o num pneu e puseram fogo. Após o ato mortífero carbonífero, eles tiram-lhe a arcaria dentária para que não houvesse reconhecimento da infidelidade monetária.
Os outros dois candidatos, voltaram e foram admitidos com louvor pela firma, porque o terceiro candidato não retornou e ninguém soube do paradeiro. O chefe soube, mas ficou quietinho para não se queimar com o tráfico, no entanto, a equipe de admissão e os dois candidatos ficaram boiando, procurando e consolando os familiares daquele mancebo infiel.

Confiscando a Internet. Um estudo de caso

“Estais no mundo, mas não sois deste mundo” (Jesus Cristo)



Após um período de interações afetivas, um casal de amigos coloridos resolve ir prá cama. Após as idas e vindas do amor e do sobe e desce de louvor, a mulher atinge a supremacia do gozo, chegando ao coito, entretanto, possuída por delírios de júbilo, ela agarra o jovem rapaz e brada vigorosamente em seu ouvido: “Agora você é meu”. “Hum? O que? Como assim? Cadê o recibo de compra e posse? Por acaso concedi alguma escritura de bens corporais?” Questionou aquele mancebo.

A transa acabou, mas aquela discussão frenética se prolongou, visto que, aquela mulher alegou que para ela, sexo implica em compromisso. Mas o felizado discordou dizendo que relação sexual não se resume apenas no ato penetrativo e gustativo, mas vai além disso, porque toda relação e seus desdobramentos acadêmicos, profissionais, religiosos, amistosos pertencem ao âmbito da sexualidade humana e que compromissos estabelecidos forçadamente corrompem a divindade de uma relação saudável. A beleza e a profundidade de uma relação é testada quando ambas as partes não se preocupam com nomenclaturas afetivas, nem com datas que indicam um início pré-estabelecido. Relacionamento aberto é um boa alternativa disse aquele jovem filósofo do amor.

Entre discordâncias regadas a “tapas e beijos” aquela relação discreta/frenética continuou, até que um trágico e lamentável acontecimento pôs fim aquela novela. Movida de fúria e ciúmes, aquela senhora procurou outro brinquedinho, porque, como boa fogosa, não conseguia viver sem aquilo. Então Deus enviou o precioso maná do céu em forma de bisnaga celestial, então ela voltou a saltitar de júbilo, no entanto, antes do primeiro novo ato sagrado, ela disse: “eu vou fazer, mas tem que ser sério“. Mas o que é seriedade afetiva? perguntou o segundo felizado. “Porque procuro um amor que seja bom prá mim, vou procurar, eu vou até o fim” respondeu ela. O sexo tem que vir regado com outros pratos num cardápio, etc, etc. “Quer dizer que sua tese afetiva é: Transo, logo prendo. Penetrou, aprisionou “ retrucou zuando aquele rapaz.

Entre discordâncias e longas pausas afetivas, uma relação suspeita, colocou em processo de desagregação ética aquela mulher, que ao ver um novo afeto, se posicionou eretamente e impulsivamente diante dos dois afetos e solicitou: "Fulano! Não vai apresentar sua nova namorada?" Quero conhece-La. Ambos ficaram em silencio e não houve representação, nem tampouco, apresentação, pois aquele que apresenta um novo afeto para complicados afetos, dá condições para infiltração e desagregação do novo afeto. “Por que será que aquela fulana fez tanta questão que você me apresentasse para ela? Rola amizade quando alguém força o outro a apresentar para outro(a)?” Nunca vi isso disse questionou aquela jovem filósofa com a anteninha ligada

Passado aqueles momentos patéticos e tenebrosos, o jovem Dom Ruan, envia um e-mail dizendo: fulana! Por gentileza, não me aborde mais daquele maneira, pois tal ato se constituiu em invasão de privacidade e falta de bom senso, pois nenhum tipo de relação deve ser forçada, mas deve acontecer normalmente e relax-mente. Por favor, devolva o meu CD que está contigo, pois precisarei dele. Então ela respondeu sarcasticamente usando um vocabulário jurídico: “Prezado fulano! O seu CD foi confiscado, visto que fui lesada afetivamente. A lei do uso capião me concede o direito de apossar-me dele. Caso queira tocar adiante o caso, entre na justiça e lute pelo seu CD”.

Aquele jovem deu uma rizadinha e efetuou uma navegação pelo mundo da net, porque dizem as sábias línguas que se o Google é o meu pastor, nada me faltará. Entrando no programa E-mule, ele encontrou o CD disponível e retornou: “Amiga! Fica com o CD e faça bom uso. Não esqueça de ser generosa e tire cópias para quem necessitar, pois acabei de baixar na net. Beijos virtuais”.

É possível alguma lei de retenção competir com a lei da internet? É possível fazer birra diante do Google? É possível afetar o outro com o uso CAPIÃO diante do CAPITÃO mundial informativo chamado Internet? Tentar brigar com a internet, é como tentar apaziguar o sol com a peneira, ou como cortar o fio condutor da sexualidade que é uma teia que se refaz a si mesma.

Se esta história for verídica, creio que esta jovem assimilou bem a frase de Jesus: “Estais no mundo, mas não sois deste mundo”. Onde ela estava? Talvez, dentro de um ônibus sem ar condicionado, no começo da BR-DUTRA entre 17h e 20h na véspera de feriadão de natal-réveillon ou carnaval.

UM CHÁ DE CAMILA CAMOMILA (nova mestranda na EM-UFRJ)

“Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou, nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer; todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou. Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa é de quem quiser, quem vier, a festa é sua hoje a festa é nossa é de quem quiser (Pedro Valle e Marcos Valle).”

“Quero trazer a memória aquilo me traz esperança (IB Lagoinha).”

Hoje (quinta feira) 21/10/2010 por volta de 21h, eu e a Dani estávamos comendo pizza no Amarelinho na Cinelândia, e entre aqueles afetos interativos ouço o meu celular cantar: Era a Camila Petroni que com empolgante tom vocálico bradava energeticamente:“Joe! Passei na prova de admissão do mestrado, to feliz padinho, agora sou mestranda...consegui...hehe“.. “Tô muito feliz e esperançoso com seu futuro eu respondi”.

Tudo começou quando numa bela manhã ensolarada de domingo (julho de 2009), por acaso, eu resolvi almoçar no Big Nectar na Tijuca. Terminei de papar e quando fui pagar a conta, subitamente surgiu a Camila com uma “praga” de calouros da Faculdade Batista (STBSB) e resolvi fazer companhia enquanto eles degustavam os pratos dominicais. Papo vai, fofoca vem, e a Camila me solta que tinha graduação em fisioterapia por uma Universidade de Cuiabá e que havia estudado piano no Conservatório de lá. Daí eu joguei: porque você não pensa em fazer mestrado misturando alguma coisa na área de saúde e educação? Na UFRJ tem uma doutora formada em musicoterapia que vai adorar te conhecer. A Camila se interessou de cara, e foi me perguntando tudo, e eu boca solta fui ensinando os macetes para chegar na cara do gol. Samuel e Celso ficaram zoando que eu era o Senhor dos Anéis, mas ninguém entendia parábolas naquela mesa de ceia herética-erótica.

Camila atiçou sua parabólica energética e entrou dentro de campo a 250 km por hora e Gisele Batista entrou a 70 km por hora. Camila saiu lendo tudo, empolgadona e Gisele parecia peixe morta (só parecia). Na véspera das provas, Gisele acelerou porque poupou energia no começo da corrida e Camila foi murchando, murchando, murchando e disse: Joe! To fora...não vai dar porque não tenho mais força e meu corpo boicotou. Camila atuou como uma pessoa que nunca tinha ido a um self service e quando viu a variedade de opções, saiu colocando tudo e quando veio as sobremesas, o corpo vomitou tudo. Ela não se divertia, só estudava, lia, fazia um montão de disciplinas de música sacra, de teologia, trabalhava na igreja, dava aulas particulares, prestava serviços fisioterápicos voluntários e ainda fazia 3 disciplinas como aluna especial no mestrado na UFRJ. Loucura excessiva total. O corpo fala, e falou igual a mula falou para Balaão.

Não deu outra: Gisele poupou, acelerou e passou e Camila acelerou, murchou e brochou. Tentei apelar para meus orixás para ver se eu levantava-a; clamei aos deuses para enviar um Viagra feminino com chá de camomila, mas não deu. Fiquei puto e mandei um e-mail para a Stella que era professora de piano de Camila Camomila explicando que ela deu mole ao desistir com a faca e o queijo na mão, após ter feito um semestre de aulas, ter se entrosado com os professores e ter uma boa proposta de pesquisa. Daí a Stella me respondeu sabiamente e mansamente:“Joe! Uma fruta que amadurece rapidamente apodrece rapidamente, fede e cai. A Camila precisa passar por algumas fases, experimentar alguns ritos de passagens que ela ainda não passou, e com certeza na hora certa (time dela) estará com seu fruto no ponto certo. É só uma questão de paciência que ela vai chegar lá”. A preta tem razão porque essas coisas são como o amor que não pode ser algo forçado porque senão vira tédio e esfria rapidamente.

E a profecia se cumpriu em 2010, pois Camila viajou de férias mas, voltou mais relax, mais viva, mais determinada, mais leve e pronta para se divertir na estrada da vida. Estudou educadamente, sistematicamente e inteligentemente valorizando a qualidade ao invés da quantidade, por isso, tentou novamente e passou. Além dos estudos musicais, ela vem estudando inglês e italiano visando ampliar os horizontes investigativos epistemológicos.

Não sou casado, nem tenho filhos, mas hoje me senti como um pai que viu a filha nascer, crescer, entrar em crises, TPMs, chutar o balde, mas que foi notificado via telefone que havia passado no vestibular e tava feliz. Me emocionei ao lado da Dani ao ouvir da boca camomila:“Padinho, hoje sou mestranda e a minha alegria é a sua alegria”.

Quando os pais são plantinhas querem que os filhos sejam árvores lindas, frutíferas e frondosas. Camilinha! Parabéns. Você é a força que excita meu Deus...Bola pra frente rumo ao doutorado e pós doutorado, porque 2011 será a vez de Leandro Santos de Moraes, Diogo Rebel e do gênio André Codeço (trindade poética criacionista musicálica). Nesses três eu voto para pós graduation UFRJ-2011.

Um abraço paterno acadêmico

Joeblackvan

FILOSOFIA PARA TODOS (Espinosa e os afetos)..dia 28 de outubro na FE-UFRJ.

DATA: 28 DE OUTUBRO (QUINTA 18h30) no auditorio do CFCH na faculdade de educacao da UFRJ na praia vermelha. Avenida Pasteur, 250-URCA.
Entrada grátis.
Durante a palestra sobre Espinosa, o professor Reuber Gerbassi Scofano, estará comentando o filme DERZU USALA de Akira Kurosawa e dialogando com musicas da MPB. Para Reuber, a filosofia deve ser como self service: um pouquinho de Platão, uma pitada de Kant, uma saladinha de Nietzsche, um molho de Heidegger, uma colher de Descartes e por ai afora...o importante é saborear sem estrapolar e vomitar.
qualquer duvida, favor enviar um e-mail para o palestrante dr. prof Reuber.

reuber gebarssi (FE) ;

A COR DA UNHA DO ELEFANTE

“Deus criou: macho e fêmea os criou”; (Deus no paraíso judaico sacerdotal)
“E Deus ficou rindo esperando o elefante falar como a mula falou“; (Deus na linha do Equador).


Houve um encontro ecumênico para discutir o “problema” da homossexualidade à luz da Bíblia e seus desdobramentos como: direitos, casamento, adoção de filhos, luta de espadas nervosas e relações íntimas. Para isso, foram convidados um teólogo de direita confessional, um filósofo e teólogo de esquerda, um pastor, uma ovelha, uma mulher, um mala fala e um porra louca. Cada um tentou expor seu ponto de vista, no entanto, quando se toca na ferida de Deus, fica difícil haver dignidade na diversidade de expressão e exposição.
O teólogo confessional e a ovelha se aliaram ao mala fala e os três disseram ao pastor contemporâneo que é impossível embasar uma proposta homossexuálica a luz da palavra divina, visto que, o livro de capa preta é literatura de estrutura social judaica e que Deus criou macho e fêmea, porém, o teólogo de esquerda justificou nietzschianamente que a Bíblia é o livro mais sujo e mais contraditório que existe no planeta e usou a mesma para dizer que Deus não faz acepção de pessoas. Mas como bom crítico que era, ele sacou que o Deus que não acepciona pessoas não é o Deus pessoal, mas é aquele que Espinosa nomeou como SUBSTÂNCIA, portanto, todos nós somos módulos advindas desse todo substancial, por isso, é impossível ser salvo ou ser condenado por ele, porque tudo está nele.
Tudo ia muito confuso, in-dialogável, pois o pau quebrava, até que o mediador se lembrou do porra louca silencioso e parou os ataques para pergunta-lo: “Senhor porra louca! O qual sua opinião e proposta diante disso tudo?” Então resumidamente e diretamente ele respondeu: “Cu e buceta não se discute, mas se limpa e se guarda ou limpa-se e dá-se. O problema do mito de Sodoma e Gomorra, foi porque os bofes tentaram agarrar e fuder os anjos, daí Deus mandou fogo e matou geral. Sodoma e Gomorra é uma lição de que não devemos tentar fuder a mulher do chefe, nem tampouco agarrar e sacanear os filhos ou filhas dos nossos chefes, porque pode dar rolo, caso os arriscantes não dominem a arte do sapatinho. Quem ta preocupado com os pecados e santidade das pessoas é o Deus discurso político, porque o Deus mistério é deleuziano/proustiano/foucaultiano/transsexuálico, por isso, ele ta lixando e cagando para as orgias e manias das pessoas, aliás, não duvido nem um pouco que nas horas vagas ele também brinque de cavalinho com o arcanjo Gabriel, arcanjo Miguel, querubins e serafins, porque o Diabo e a mulher terão a Sodoma e Deus e os homens terão a Gomorra e ambos, serão uma só carne na geografia carnal/espiritual/ metafísica/virtual. O problema dos debatedores é que eles estão se preocupando com a cor da unha do elefante, ao invés, de focar o interesse no marfim sagrado do elefante“.
Então, antes que houvesse uma catástrofe, o mediador pediu que se encerrasse com uma oração ao Deus desconhecido. E não houve amém, nem tampouco arrependimento por parte dos ladrões da direita, mas viu-se sangue e vinagre nas bocas paradisíacas de esquerda. Então, Deus ficou no meio, rindo de tudo e esperando o elefante falar como a mula falou.

Histórias afetivas de um mau hálito.

“A minha vida é o relato de uma vocação; é a história de uma aprendizagem” (Marcel Proust).
“A nossa vida precisa ser um pouco mais perigosa” (Friedrich Nietzsche).

Um internauta que se tornou leitor fiel de meus escritos, ficou desapontado e hiper chateado ao ler um artigo de minha autoria que contava a história de uma amiga que teve problemas afetivos devido seguir fielmente as regras dogmáticas em nome do amor. Ele respondeu armadamente dizendo: Senhor Joevan! Existe 99, 9% de eu ser quase um irmão para a tal sua amiga e você expôs ela, precisa pedir perdão a ela (....blá, blá, blá, blá) você inconfiável, descarado, descontextualizado, contou segredos e teve a coragem de citar um versículo do Antigo Testamento para defender sua imoralização poética . Ao finalizar, ele sugeriu “sarcasticamente” que eu escrevesse um artigo falando sobre a minha primeira vez, mas que não valeria eu mentir dizendo que arrebentei.
A tal amiga pode ser verídica ou fictícia visto que não há sinalizações de nomes e codinomes e todo texto é polissêmico dando margem á várias interpretações, bem como este relato sobre minha aventura também pode se constituir em pura inventividade em prol de uma comedialidade visto que não há uma testemunhas que viram o fato, ou pode ser encarado como realidade-veracidade dependendo do nível de credulidade de cada leitor. Cada um deve reagir de um jeito.
Era meados de julho de 1993, e eu morava numa cidadezinha do interior da Transamazônica no Pará. Viajei com meus pais e a galera da igreja para um congresso na cidade de Itaituba-Pará. Na caravana, estava uma jovem bem mais velha que os demais, pois ela tinha 36 anos e era meio porra louca. Eu tinha meus 13 anos e tive vontade de dar uns agarros nela, pois até aquele momento, eu nunca tinha beijado na boca e apenas imaginava como seria o sabor adocicado bucálico. Eu e meus amigos treinávamos incansavelmente e sistematicamente nas mãos, no braços, mordendo maçã ansiando freneticamente aquele ato mágico e sagrado.
Após a missa (culto) no último dia do congresso, marquei com ela prá dar uma saída em off. Deixei meu violão com um colega e vazei rumo ao desconhecido. Paramos na beira Rio Tapajós, numa avenida deserta e ali fiquei olhando pra cara dela imaginando como seria o gosto de um atracamento línguálico. O silêncio foi intenso e faltou palavras. Mas num vácuo súbito, aquela coroa avançou como uma cobra NAJA venenosa e mordeu minha boca, língua, dentes, chupou tudo que eu quase morri sufocado devido a ferocidade, a impetuosidade afetiva e pelo fluxo monstruoso de mau hálito que emanava daquela fenda vocal que mais parecia um dragão do que uma alma feminina.
Enfim, fiquei muito traumatizado, mas ligado, pois aquela morena era uma puta e dava prá todo mundo diziam as más línguas, no entanto, ela passou a mão em tudo e então, eu entendi a força transgressiva diante das muralhas que era o meu corpo: o Templo do Espírito Santo de Deus.
Eu estava acabado e assustado, porém, feliz e só restou-me retornar a hospedagem. Quando eu estava chegando na rua da hospedaria eclesiástica, vi os portões fechados, então eu e aquela “vadia” pulamos silenciosamente as grades do paraíso. Quando saltei, avistei minha mãe e meu pai sérios. Minha mãe tava puta de raiva e já foi logo me esculachando e perguntando porque eu havia saído com aquela VADIA. Daí meu pai um pastor Batista bem tradicional deu a louca e fez uma breve intervenção dizendo: “Deixa o menino aprender com a vida“ (ele disse que casou virgem aos 45 anos...kkk)...rs...e aprendi mesmo...beijei outras bocas, com outros sabores e vi que tudo é relativo e nem todas fedem a bicho do mato.
Não arrebentei na primeira vez, por que fui arrebentado, mas mapeei o caminho das pedras, porque “a primeira vez é a vez da inexperiência” dizia Marcel Proust. Deu frio na barriga quando tive que tocar meu instrumento musical pela primeira vez em público. Gaguejei quando tive que falar em público pela primeira vez. Fiquei com sentimento de culpa quando eu fui penetrar meu pênis pela primeira vez na vagina (cu ou boca) de uma amada. Derrubei a comida de bordo quando viajei pela primeira vez de avião em 1996 entre Santarém-Manaus. O mundo caiu ao meus pés quando gozei via masturbação porque a catequese me acusou satanicamente. Deu pane na mente quando tive que falar em alemão durante uma entrevista no escritório CNPQ em Brasília visando bolsa pro doutorado na Alemanha. Deu merda quando eu perdi a linha em determinadas relações amorosas arriscadas. Por isso digo aos internautas: “A glória da segunda casa, será maior do que a da primeira“...Tente outra vez...“Um novo tempo, apesar dos perigos, estamos na briga, estamos na luta, prá sobreviver (...) prá que a nossa esperança seja mais que a vingança e que seja o caminho e que seja de herança“ (Ivan Lins).
O Senhor é o meu Pastor, por isso, nada me falta, porque não me falta as oportunidades para arriscar, não me faltam as coisas prazerosas que a vida oferece, bem como não me faltam as coisas ruins e a periculosidade cotidiana porque há vales escuros sem luminosidade, mas nessas horas e lugares o Senhor é o meu pastor também porque tudo está em Deus e vem de Deus. Não me falta a promessa futura e não me falta a força de perdoar porque o perdão é o força lutadora contra a irreversibilidade do passado.
Bola prá frente...a nossa vida precisa ser um pouco mais perigosa (Nietzsche).

Um abraço e missão cumprida atendendo ao pedido do querido internauta.
Pedi e dá-se vos- á.

Quando os manequins nos machucam

Qual a sua idade? Tenho todas as idades da vida humana (Edgar Morin)


Uma mulher vinda de família cristã e toda certinha, namorou, noivou e casou conforme os pais e o sistema queriam. Antes do casamento, ela foi ao ginecologista e ele abriu a fenda sagrada e disse: não tem nada minha filha. Você tem quantos anos? 26 de idade. O que? Vai embora correndo e dê muito porque ainda ta tudo fechado e você pode perder a curva potencial da vida, porque há tempo prá tudo; tempo prá amorizar e tempo de brochar. Mas a pressão familiar e eclesiástica fez ela esperar o casamento que segundo Nietzsche, não passa de uma licença pública para se fazer sexo.
Ela e o marido tinham idades bem próximas e eram adestrados por “Deus“, porém, aquele casamento que parecia ser divino começou a ficar sinistro porque dentro das quatro paredes e na interação afetiva do dia a dia as coisas não funcionavam como deveria ser, porque aquele manequim que os pais, os parentes, a igreja, amigos e pastores colocaram, começou a machucar, fazer calos, feridas sangrentas e dolorosas por todas as partes do corpo.
Enfim, não deu outra, aquela relação se desfez e ela ficou no vácuo existencial se sentindo um lixo, porque a casa caiu e consigo veio os escombros retóricos de todos os lados. No meio daquela agitação depressiva, um cara bem mais novo entrou na vida dela e ela renasceu das cinzas. Estava igual Lázaro na cova, pois há muitos dias ela estava enterrada, sufocada, indefesa, mas através de um sopro inesperado, foi sacudida na raiz fazendo-a experimentar a alegria na raiz.
Quem olha os dois juntinhos na estrada da vida, fala: “É a tampa e a panela; eles se entendem; eles são a pura vivacidade em forma de afeto e interatividade“. Aquele manequim de outrora deixou marcas e cicatrizes, mas um novo manequim fora da moda sistemática foi enviado, e ambos, por livre e espontânea vontade vestiram subversivamente do manto arriscado, mostrando a todos o luxo da fé que é maior do que os dogmas, palpites, clichês, porque a medida do amor é amar sem limites dizia Santo Agostinho.
Realmente e visivelmente, eles são a prova da profecia de Ageu 2 versículo 3: “A glória da segunda casa será maior que a da primeira”.

Histórias de um MM (ministro de música) ruim de jogo

Escrevo em forma de parábolas, porque sou um satélite filosófico que capta poeticamente os babados na AMBB (Joeblackvan)

Em plena multiplicidade e velocidade do século XXI, um jovem músico que durante muito tempo trabalhava voluntariamente avisou ao diretor (a) de música de uma igreja que por motivos de véspera de vestibular ele se ausentaria dos trabalhos musicais daquela comunidade de fé para focar nos estudos para atingir um determinada meta: ser aprovado no curso X cujo a concorrência é altíssima. Então, insensivelmente e duramente, o líder disse na cara de pau usando os mesmos clichês idiotas e castrativos: “Você vai trocar Deus pelos seus projetos pessoais? Você não pode servir a dois senhores. Ou serve um ou outro“. O jovem rapaz, ficou triste, porém, manteve a determinação e se ausentou para se preparar e se concentrar devidamente. Fez a prova, entretanto, não obteve a pontuação necessária para a aprovação. Ao retornar aos ensaios voluntários naquela comunidade de fé, após aquele ato heróico vestibulático, o ministro (a) cruelmente lançou uma “maldição” em nome de Deus ao afirmar publicamente e expostamente: “Viu? Não deu prioridade a Deus, por isso, Ele o castigou impedindo sua aprovação no vestibular“.
Todos ficaram enfurecidos, no entanto, mesmo entristecidos e munidos de desconfiometro questionaram se Deus também não se manifestaria nos nossos projetos e sonhos pessoais. Então começaram a cantar para aquele jovem querido e guerreiro, porém, amaldiçoado: “Se tentaram matar os teus sonhos sufocando o teu coração, se botaram você numa cova e ferido perdeste a visão, não desista não pare de crê, os sonhos de Deus jamais vão morrer, não desista! Não pare de lutar! Não pare de adorar! Levanta teus olhos e vê, Deus está restaurando os teus sonhos e a tua visão. Recebe a cura, recebe a unção, unção de ousadia, unção de conquista, unção de multiplicação“.
Nada mais divino do que ser bom de jogo e ter uma equipe parceira que nos dê ao luxo de poder se ausentar com segurança em pleno um domingo para ir ter um encontro com Deus numa praia. Nada é tão divino quanto acordar num domingo, ir a feira da Glória ou feira hippie de Ipanema e depois estudar com a barriga cheia porque eu também tenho sonhos que estão além das quatro paredes de uma igreja. Por isso, Nietzsche dizia sabiamente: “O diabo é o descanso de Deus a cada seis dia”.
MORAL DA HISTÓRIA: o instrumentista guerreiro disse: posso nao fazer o gol, mas tô (estarei) sempre em campo chutando e tentando.
E o diretor (a)? Deve tá fora de campo ou sendo forçado a sair de campo via cartão vermelho, exceto, se houver arrependimento bebendo do chá de metanóia (unçao do bom senso flexivo).
 




Abraços: Joeblackvan

A PARÁBOLA DO CELULAR MISTERIOSO

A parábola do celular misterioso

Uma pessoa envia uma mensagem que misturava três histórias paralelas, porém, desconexas abarcando celulares, resenhas e roubos. Ao ler e reler a mensagem, o receptor levantou a seguinte questão: “será se eu entendi alguma coisa do que li ou será que sou burro demais para mapear os mistérios do reino das maracutagens poéticas e retóricas“? Sabiamente ele solicitou uma segunda leitura de outro analista, pois um texto dá margem à várias interpretações dizia Nietzsche em seus aforismos sobre hermenêutica. O segundo leitor leu vagarosamente, porém, fazendo uso de um desconfiometro para captar as nuances ideológicas por detrás daquela manobra de linguagem truncada e chegou a seguinte conclusão: “Mensagem subliminar estratégica afetiva, entretanto, com falta de clareza e habilidade artística para a dança das palavras“. O que devo responder numa situação dessa? "Deve-se ficar em silêncio ancorado na força do niilismo nietzschiano, meditando na vontade de nada, pois as carências possessivas-demoníacas-obsessivas expõe um ser humano a dizer coisas que até mesmo Deus duvida" ressaltou o outro intérprete.
Pedistes e não recebestes porque pediste mal diz o texto bíblico. Pesado fostes e achado(a) em falta.

FILOSOFIA PARA TODOS (nessa quinta as 18h30)



Estive nas outras palestras e adorei...o professor Reuber Gebarssi é super didático e criativo. A partir da filosofia, ele dialoga com o cinema, MPB e afins...segundo ele, filosofia é = self service....um pouco de Platão, um pouquinho de Deleuze, uma fatia de Nietzche, uma saladinha de Espinosa, um punhado de Foucault, etc.

O fazer musical jobiniano e pesquisa historiográfica

O fazer musical jobiniano e pesquisa historiográfica:
Uma abordagem histórico-reflexiva aplicada à música de Tom Jobim.

Joevan de Mattos Caitano (UNIRIO)

Encarar a obra de um grande músico como Tom Jobim é se propor à um retorno reflexivo sobre o conhecimento acumulado e os fundamentos que esses compêndios sonoros nos desafiam. Nos termos bourdieunianos, poderíamos ressaltar que não se deve encarar Tom Jobim como sendo um músico que compunha via “ teorizações puras”. As idéias que ele propunha ou criava não eram produto de uma partenogênese apenas de cunho teórico, mas a inventividade se dava ao preço de um grande esforço, que culminava na beleza que não é só minha.
A música para Antonio Carlos Jobim era um “fragmento do destino” e nasceu de uma necessidade profunda daquela época, a necessidade de mudança, de superar através de uma poderosa força plástica a desfiguração da natureza que caracteriza a existência moderna. Ele compreendia o projeto artístico de fazer bossa nova e afins como um campo estético-político de experimento, que implicava na transformação da própria arte, como ponto de partida para uma radical mudança da vida dos homens. A força de tal experimento estava no estabelecimento da relação entre arte e vida, que supõe a não-criação artística como domínio separado e a abertura de um horizonte novo, de uma coletividade fundada na invenção estética do fazer holístico, isto é, pensar o holístico através de um musicar “não-vendido“.
Um grande compositor como Tom Jobim cria uma obra com forte musculatura, sendo que sua obra funciona como uma espécie de manual de ginástica estética e intelectual, um guia prático que é preciso aplicar a uma prática, por isso, pode proporcionar uma pesquisa prazerosa, liberta de proibições e de divisões e desejosa de trazer a todos uma compreensão inovadora do mundo. O elemento surpresa é fundamental para a dinâmica efervescente da existência humana, e este aspecto se faz presente e evidente nas músicas compostas por Tom Jobim. Augusto Campos faz uma crítica severa ao hábito e aquilo que é rotineiro.

A transmissão de elementos demasiado previsíveis é banal aos ouvidos do receptor, que não encontra neles um coeficiente de variedade capaz de interessa-lo. Concluímos que, para que haja informação estética, deve haver sempre alguma ruptura com o código apriorístico do ouvinte, ou, pelo menos, um alargamento imprevisto do repertório desse código. Mas o hábito e a rotina deformam a sensibilidade. (CAMPOS, p. 181)

Segundo o mesmo autor, o be-bop e a bossa nova extraíram a música popular ocidental dos seus padrões mais convencionais, ampliaram a liberdade de experimentação dos compositores e os incentivaram a se apropriar de técnicas mais avançadas. Anton Webern produziu cerca de 30 composições com altíssimo teor de imprevisibilidade. Os Beatles conseguiram para si mesmos uma liberdade quase absoluta de criação ao tomarem consciência da Era Eletrônica, pois eles romperam com as fronteiras entre o “ouvido” ocidental e o oriental, incorporando, por exemplo, técnicas vocais e instrumentais hindus. Algumas músicas soaram como verdadeiros manifestos contra as muralhas de preconceitos entre Ocidente e Oriente. Tudo isso nos faz acreditar que o domínio e o uso da imprevisibilidade supõe um inconformismo altamente instigante e uma revolução nas leis da redundância supostamente vigentes para a música popular, que se colocam as últimas propostas dos compositores baianos.
Podemos pensar a música de Tom Jobim como sendo uma música em formato de barco feito para navegar em muitas águas, explorando até regiões virgens de um planeta simbólico – a bordo dele, passageiros (os ouvintes e apreciadores) e marinheiros (Tom e os músicos, novos intérpretes) visitam e redescobrem o mundo, graças a esse poder duplo que a música tem de, pelo imaginário, retratar e inventar o real via estudo individual e relacionamento em grupo, visando a construção de uma aventura.
Na música de Tom Jobim, muitos elementos relevantes, transformam-se constantemente e surpreendem, e a prova disso são aspectos notáveis como: sua maneira de construir melodias e improvisos; o enquadramento dos ritmos em compassos não usuais; a combinação inusitada entre os timbres dos instrumentos; as alterações inesperadas de andamento e de intensidade; a ousadia de suas complexas harmonizações; a relação estabelecida entre os gêneros de raiz brasileira, a música clássica, contemporânea e jazzística. A “Arte Musical Jobiniana” comporta mistura, e essa mistura deve favorecer fortes contrastes que implicam em: variações acentuadas de andamentos, timbres contrastantes, densidades distintas, fortes mudanças entre as partes das composições. Todos esses fortes contrastes, bem como as transformações e incessantes mudanças que sofrem essa música, são motivadas pelo desejo do novo. Contrastes e mudanças surpreendem pela novidade e impacto.
O que sustenta a musicalidade jobiniana é a vibração enérgica estimulada pela mudança constante dos elementos musicais. Tom, conforme seu apetite pela mudança incessante, provoca inúmeras formas de mudança de andamentos, bem como inúmeras formas de organização dos acentos, variando as formas de compasso ou dispondo, na simultaneidade de compassos distintos para cada instrumento, criando fortes polirritmias. As maneiras de subverter e recriar as formas tradicionais, determinar mudanças na base rítmica, nos andamentos e nos compassos são muitas. Mistura, contraste, novidade, mudança e impacto formam um quinteto que sedimentam a obra de Tom Jobim. Segundo Theodor Adorno, “o Novo obedece à pressão do Antigo que precisa do Novo para se realizar ” (Adorno, 2008, p.43). Segundo ele, os artistas produtivos são objetivamente compelidos à experimentação, que implica em procedimentos construtivos em relação à sua imaginação subjetiva. Ele assinala que o produto vaporoso da imaginação pode, por seu lado, enquanto meio artístico, ser imaginado nas suas mutações.
Apesar da universalidade da música itiberiana, ela jamais abandona os motivos rítmicos genuínos da música popular brasileira. A tradição na qual se enraíza, é a da cultura brasileira, apresentada, em vários gêneros musicais espalhados pelo país. Se os elementos que fazem esses ritmos não estão plenamente presentes, alguns elementos musicais podem ser reconhecidos no interior dos arranjos e temas melódicos. Independente das técnicas de composição, harmonias, contrapontos, timbres e improvisos, os elementos rítmicos que caracterizam a música popular brasileira estão sempre presentes.
Várias são as características da música de Tom Jobim que se aproximam da linguagem do jazz norte-americano. Uma delas é o propósito da experiência e inovação melódica, harmônica, rítmica e estrutural, fortemente presente no jazz moderno. Outra característica que se aproxima do jazz é a enorme importância dada à utilização de improviso durante a execução em discos e shows. Os temas melódicos soam mais complexos que os temas regionais por sofrerem transformações não utilizadas na tradição. São modulações contínuas, progressões, transposições, enquadramento em compassos não usuais e complexas harmonizações, que fazem com os que os aspectos melódicos soem diferente da tradição com as quais dialogam.
A música jobiniana é quase universal por ser poli-harmônica, poli-rítmica, rica em combinações timbrísticas e em improvisos, mas também por englobar vários estilos, por universalizar os elementos da tradição musical da Música Popular Brasileira e por utilizar-se de traços da música regional de vários lugares do mundo. Por ser de alta sofisticação, essa música rompe com a dicotomia música erudita/música popular. Acredito que Tom fazia a música dele para ser uma música para todas as pessoas, para o mundo todo, para todos os lugares, como o vento que sopra aonde quer e ninguém sabe de onde ele vem e nem para onde ele vai.
Outro aspecto que é importante enfatizar é a noção de comunidade presente na vida de To Jobim. Família Jobim era mais do que um grupo para fazer música, mas era um pequena comunidade de fé e afetividade disposta a compartilhar as coisas referentes a sinuosidade e musicalidade da vida no cotidiano. Participar do grupo de Tom, nos remete a idéia de pertencimento apontada por Anthony Seeger (1992) que afirma que a música pode propiciar esse tipo de sentimento. “Os sons têm a estranha magia de potencializar a necessidade e o desejo de pertencer (SEEGER, 1992, p. 88)”. A idéia de pertencimento nos ajuda a compreender como a música constitui os sujeitos em suas singularidades – uma vez que ela está vinculada com a questão dos processos da identidade cultural (Hall, 1999), que por sua vez está ligada aos modos como singularmente os sujeitos se movimentam na cultura, individual e/ou coletivamente, portanto, há uma relação forte entre pertencimento e identidade.
Ao falar sobre o espaço comunitário jobiniano de outrora, estou falando de um contexto social mais amplo onde elas e eles estiveram inseridos: um grande centro urbano – a cidade do Rio de Janeiro –, que por sua vez integra um país que segue as tendências contemporâneas da ordem econômica mercantil e da informatização globalizadas. Considero, assim, que os músicos daquela época conviveram com um sistema de valores e significados advindos da esfera macro social, mas que também se agenciam localmente, através dos processos sócio-culturais que estruturam seu campo social no âmbito local, onde se dão as reproduções de significados historicamente adquiridos, mas também, suas re-interpretações e atualizações.
Ao escrever sobre Jazz contemporâneo, o autor Roberto Muggiati (1999) disse que “é fundamental reescrever o futuro a partir do passado”, pois isso rejuvenesce o passado a partir do presente e potencializa o presente via conexão com o passado. Nesse mesmo espírito, porém, seguindo o pensamento de Marc Bloch, podemos pensar na história como problema, pois cada época elenca novos temas que engendram novas inquietações como também convicções. Novos tempos levam a novas historicidades que propõem novos questionamentos que implodem aquela velha noção de “imperialismo dos documentos”. Cada época comporta a existência de idéias definidoras de diferentes momentos civilizatórios, por isso, é crucial revestir a prática da história de questões de fôlego capazes de problematizar a diversidade de opiniões sobre muitos temas e vácuos no decorrer da trajetória dos acontecimentos.
A história serve à ação e ela se encontra desfavorável às certeza, dessa maneira, o historiador visa transformar seu presente vivido em reflexão histórica. Isso exige do historiador a consciência de que o fato histórico não é um fato positivo, mas o produto de uma construção ativa de sua parte para transformar a fonte em documento e, em seguida, constituir esses documentos, esses fatos históricos, em problema. Essa abordagem de Bloch é interessante porque ela tem em vista que todo o conhecimento de uma sociedade, de uma vida, de tempos de outrora, é, ao mesmo tempo, uma tradução e uma reconstrução mentais sendo que, a percepção de um acontecimento pode incluir seleção do que parece principal, ocultação ou esquecimento do que incomoda, mas também a lembrança pode alterar seriamente o que ela rememora. As idéias que nos são necessárias para conhecer o mundo são, ao mesmo tempo, o que nos camufla este mesmo mundo ou o desfigura. É importante atentarmos também que o olhar do presente retroage sempre sobre o passado histórico ou biográfico que examina e ninguém está imune à mentira a si mesmo.
Marc Bloch recusa uma história que mutilaria o homem (a verdadeira história interessa-se pelo homem integral, com seu corpo, sua sensibilidade, sua mentalidade, e não apenas suas idéias e atos). Ele fala que o historiador é um faminto, um faminto de história, um faminto de homens dentro da história. O historiador deve ter apetite. É um comedor de homens. Segundo Helena Jobim, o irmão Tom Jobim tinha mania de conversar com os empregados da casa, da fazenda, com o jornaleiro, com as pessoas que freqüentavam a lagoa Rodrigo de Freitas, freqüentadores dos bares e shows para obter informações importantes que contribuíam para o enriquecimento informacional-existencial daquele compositor humano demasiado humano. Em suas viagens a outras cidades e outros países, ele se aproximava do exótico, daquilo que fugia da rotina, visando interagir e incorporar tudo o que fosse relevante às novas experimentações sonoras como fez o pianista David Brubeck que ao visitar a Turquia ouviu músicos ambulantes tocando uma música local em um compasso de 5/4 e achou estranho, porém interessante, e ao voltar aos EUA compôs a famosa música Take Five. Albert Einstein estava certo ao dizer que “uma mente que se abre à uma nova idéia, jamais volta ao seu tamanho original”.
A história é uma ciência em marcha. Para permanecer uma ciência, a história deve se mexer, progredir; mas que qualquer outra, não pode parar. O historiador não pode ser um sedentário, um burocrata da história, mas deve ser um andarilho fiel a seu dever de exploração e de aventura. Em meio a essa movimentação histórica atiçada por Marc Bloch, outro pensador acentuou que a civilização ocidental esperou muito de sua memória. Para Jacques Legoff (2003), história e memória é um par fundamental para o historiador e para o amante da história, pois a memória é uma das principais matérias-primas da história. Para ele, a história seria feita segundo ritmos diferentes e a tarefa do historiador seria, primordialmente, reconhecer tais ritmos. Ela deve estar à procura das ações realizadas pelos homens e o objeto de procura é o que os homens realizaram.
Le Goff (2003) fala da procura intensa que um historiador realiza para desvendar os segredos e as lacunas históricas de seres humanos que empreenderam algum tipo de realização em um determinado período na história mutante da humanidade. Homens que pertenceram à uma contexto, à um povo, uma nação, etc. Partindo de Le Goff, podemos pegar carona com o historiador francês Roger Charter (2003), pois ele concebe a cultura popular como um sistema simbólico coerente e autônomo segundo uma lógica absolutamente desconhecida e irredutível àquelas da cultura letrada. Ele percebe a cultura popular em suas dependências e suas lacunas em relação à cultura dos dominantes. De um lado, portanto, uma cultura popular que constitui um mundo à parte, fechado em si mesmo, independente. De outro, um cultura popular inteiramente definida por sua distância da legitimidade cultural, da qual é privada. A cultura popular considerada pela falta e não pela majestade é um dos modelos descritos por esse pensador, que preconizou que as práticas musicais bem como qualquer prática artística, comporta juízo de valor estético para ser historicizada.
O conceito de historicidade foi importante porque ele efetuou uma renovação epistemológica na segunda metade do século XX. Ela obriga a inserir a própria história numa perspectiva histórica:”Há uma historicidade da história que implica o movimento que liga uma prática interpretativa a uma práxis social” (Certeau, 1970). Sendo assim, a história da música, das artes ou da cultura é a história de um povo ou vários povos, de um contexto ou de vários contextos que produzem significados pertinentes aquelas determinadas localidades. Isso nos remete à noção de arte popular, mas, a idéia de “popular” foi há muito reconhecida como problemática. Segundo Peter Burke (1995), o termo “cultura popular” dá uma falsa impressão de homogeneidade e seria melhor usá-lo no plural, ou substituí-lo por uma expressão como “a cultura das classes populares” (BURKE, 1995, p. 16). Diante disso, os historiadores da cultura deveriam definir-se não em termos de uma área ou “campo” particular como arte, literatura e música, mas sim de uma preocupação distintiva com valores e símbolos, onde quer que estes se encontrem.
Ao fazer historiografia, o historiador toma posse de um fato, e este pode ser conectado a causas e efeitos de diversas maneiras e por diferentes pesquisadores. Segundo Silvio Merhy (2007), fatos se tornam fatos históricos devido a continuidade que os conecta. A consciência histórica consiste na faculdade do historiador de selecionar e ordenar os fatos em seus encadeamentos de causas e efeitos. A história se distingue da ficção porque tem suas raízes nas fontes.
Uma obra musical pode ser trazida do passado e ouvida sempre não como documento, mas como obra, presente hoje “à nossa consciência estética”. A história é o presente e o pesquisador traz para seu tempo os fatos ocorridos no passado. Música do passado pertence ao presente como música e não como prova documental. Pensar que a música reflete a realidade que cerca o compositor recoloca o Zeitgeist em debate. Reativar o Espírito do Tempo em Tom Jobim é também atentar para a importância da interatividade entre o registro sonoro escritos outrora nas partituras e a execução revitalizante de novos intérpretes que estão afim de dar novas “caras” as propostas jobinianas originais.
A teoria que Antônio Carlos Jobim aprendeu contribuiu para ajudar armazenar as idéias musicais na pauta, porque ele mesmo poderia esquecer de muitas informações com o passar do tempo. Essa ato de prudência por parte de Tom Jobim em relação a preservação das novidades, nos remete sobre a força da memória e os prejuízos que um possível escapamento da mesma pode resultar, porque, a perda da memória é um evento escravizador. É por isto mesmo que a mais antiga tradição filosófica do mundo ocidental afirma que o nosso destino depende de nossa capacidade e vontade de recuperar memórias perdidas. Na linha que vai de Platão a Freud, o evento libertador exige que sejamos capazes de dar nomes ao nosso passado. A lembrança é uma experiência transfiguradora e revolucionária. Tanto assim que Marcuse chega a se referir à função subversiva da memória.
É viável admitirmos que a partitura como função de registro sonoro no contexto jobiniano surge como um testemunho passado, um símbolo da celebração do presente e da aposta no futuro. Isso nos faz pensar que a história da humanidade é um reflexo da força da memória, pois desde os tempos remotos onde a tradição oral reinava absoluta, até a invenção dos meios de registro escrito, os fatos são propagados via memorização sujeitas às modificações devido à multiplicidade de interpretações inerentes à diversidade de pontos de vista. Com a invenção do cinema, os acontecimentos puderam ser guardados e divulgados por essa nova forma de armazenamento. Walter Benjamim (1985) afirmou categoricamente que a história está perdida sem a memória, pois ela redime a história. Para ele, a redenção da história depende da memória, isto é, de memórias coletivas que se misturam à memórias individuais, que representam a herança e a tradição (BENJAMIM, 1985, p. 222-224). Dessa forma, podemos crer que as partituras, os áudios e os vídeos ajuda-nos a compreender como cada época sonhou, e além disso, em cada som e imagem é possível visualizarmos estilhaços messiânicos, porque os sonhos de futuro também estão guardados no passado.
Um fato histórico não é um fato absoluto e original, mas sim uma construção do historiador, que transforma a fonte em documento ou monumento e formula aí um problema. Ao pegar uma peça como Garota de Ipanema, o historiador faz a seguinte pergunta: Essa canção é significativa por si mesma ou sua significatividade depende da escuta e do juízo de valor de críticos e apreciadores “leigos” ou acadêmicos “instruídos“? Se o pesquisador se ancorar em Carl Dahlhaus, ele vai dizer que as peças musicais podem ser entendidas como significativas não só pela funcionalidade das significações internas, mas também, o que é fundamental, pela maneira como são ouvidas pela sua recepção. Fazer história da música é principalmente tentar explicar as condições de produção e recepção da música. Esse ponto de vista à respeito da liberdade da própria obra de arte e liberdade da escuta vai estabelecer convergência com outro ramo do saber, porque a concepção que trata a peça musical como um “conjunto funcional de significações” é nascida com a Lingüística e tem cunho claramente estruturalista. Um dos principais métodos da análise lingüística ou semiologia é o exame dos semas e de suas significações intrínsecas. Dahlhaus manifesta fortemente sua oposição à análise estruturalista, onde o texto é unidade autônoma da linguagem e funciona como uma espécie de depósito de significações, compreendidas em si mesmas.
Para o professor o objeto da história da música não é o que foi, mas o que ainda é, porque ainda exerce convergência. Para Dahlhaus, performances são práticas com características próprias. Peças, compostas há séculos, continuam sendo apresentadas por muitas razões, entre outras porque há intérpretes para elas e um público interessado na audição e apreciação das mesmas. Hoje em dia, por exemplo, existem vários grupos que se especializaram na execução das músicas de Tom como por exemplo, o pianista Kiko Continentino, o trio Jobim composto pelos filhos de Tom, Milton Nascimento, Gal Costa, Dianna Kraull, Ella Fitzgerald e outros que continuam dando novas cores e revitalizando com singularidades interpretativas a obra jobiniana. Cada show traz uma nova abordagem performática diante das mesmas peças, pois os músicos viajam dentro de cada objeto sonoro. “Viajar é ter olhos diferentes para as mesmas paisagens” dizia Proust.
O mais importante de tudo, ao ouvirmos uma canção de Tom Jobim ou de outro compositor que já faleceu, é não ficarmos paralisados e engessados com nenhuma carapaça doutrinária endurecida que só servem para congelar nosso intelecto, mas devemos estar abertos as “influências” vindas de todos os horizontes, às vezes de locais e autores considerados incompatíveis, para a realização de novas interpretações e recepções abertas, atemporais, reflexivas, práticas e revolucionárias. A Estética da Recepção, que deu à luz ao que se chamou de Escola de Constança, afirma a necessidade de uma história da recepção na Literatura como história das experiências estéticas a que estão expostos textos escritos no passado (JAUSS, 1979), e através desta lógica responde bem ao fato de que não se escreve literatura para ser analisada, mas para ser lida.
Dahlhaus assinala como equívoco inconcebível o fato de que a época em que as peças musicais ficam mais famosas possa receber mais atenção do que as datas de sua criação. O compêndio de peças musicais significativas deve ser pensado como variável, não porque perdem ou ganham credibilidade, mas simplesmente porque não há como garantir que o repertório apresentado permaneça sempre o mesmo, despertando sempre o mesmo interesse. A psicologia do gosto, descrita por Jauss, trata do mesmo período dos séculos XVIII e XIX que Dahlhaus apresenta como relevante na História da Música: a teoria da arte naquele período “se baseia na personalidade individual dos compositores” Segundo Silvio Merhy, o livro Foundations of Music History é marcado pela escolha, como idéia principal, ou da História dos “textos autênticos refletindo as intenções dos compositores” (MERHY, 2007, p. 18).
No século XX, o compositor surge como função da obra e não o contrário, a obra como função do compositor. O compositor como função é uma concepção cuja genealogia, em parte, está exposta nos textos de Barthes (1988) e de Michel Foucault (1992). No livro A Ordem do Discurso, Foucault fala do sujeito criador como sendo aquele capaz de formular indefinidamente proposições novas, capazes de trazer dentro de si mesmo uma riqueza e um segredo provocante.

“O sujeito fundante, com efeito, está encarregado de animar diretamente, com suas intenções, as formas vazias (...), funda horizontes de significações que a história não terá senão de explicitar em seguida. O sujeito fundador dispõe da capacidade de fundar signos, marcas, traços e letras“. (Foucault, 1996, p.47)

A história, como praticada hoje, não se desvia dos acontecimentos; ao contrário, alarga sem cessar o campo dos mesmos; neles descobre, sem cessar, novas camadas, mais superficiais ou mais profundas, novos conjuntos, às vezes, numerosos, densos e intercambiáveis cheia de devires, funcionando como engrenagem que permite introduzir na raiz mesma do pensamento o acaso, o descontínuo e a materialidade. Essa noção de multidirecionalidade, imprevisibilidade e sinuosidade histórica se aplica a música como elemento do tempo e social. Podemos recorrer a José Wisnik (1989) poetizou dizendo que “a música é um trajeto energético, um gestuário pulsional que sonda as curvas e pontas do ritmo, e os mais recônditos desvãos melódicos em desenhos e floreios que parecem às vezes ultrapassar as próprias articulações da escala”. A arte jobiniana de compor, consiste numa trajetória que compreende a assimilação do passado, implica numa reação ao presente e pede uma preparação para o futuro.
Neste contexto temático de interação multicultural por parte de Tom Jobim, podemos sedimentar nossa hipótese na perspectiva de Clifford Geertz, pois ele entende cultura como uma construção intersubjetiva constante e dinâmica ou um conjunto de significados permanentemente construídos e reconstruídos ( GEERTZ, 1989, p. 39). Daí a nossa instigação em pensar em diversidade de modos, pois isso significa apostar na força da criatividade coletiva, daí, a necessidade de apostar no entendimento da música como possibilidade de expressar os afetos e simbolizar o desejos, constituindo-se numa alternativa ao mesmo tempo individual e coletivo. No âmbito da criação, é relevante enfatizar que há um tipo de inteligência criadora. Ela inventa o novo e introduz no mundo algo que não existia. Quem inventa não pode ter medo de errar, pois vai se meter em terras desconhecidas, ainda não mapeadas. Há em rompimento com as velhas rotinas, o abandono de fazer e pensar que a tradição cristaliza. A gente encontra o mesmo tipo de inteligência no artista que faz uma obra de arte, no cientista que visualiza na imaginação uma nova teoria científica, no político sonhador que pensa mundos utópicos, considerados impossíveis pelos outros. O criador está convencido de que existe algo de fundamentalmente errado no que existe e que é necessário começar tudo de novo. Acontece que a inteligência se parece com sementes. Não basta que a semente seja boa. Ela precisa de terra para germinar, brotar e crescer.
Mas quando se fala de Tom Jobim, podemos fazer a seguinte pergunta: Será que a obra jobiniana tem autonomia em si mesma ou ela só tem autonomia apoiada na figura do mestre Jobim? Afinal, que é o centro de todas as coisas? Quantos exemplos passados e presentes nos mostram que a procura do eu perdido produz freqüentemente uma estátua avantajada? Ah! A estátua! Nós a expulsamos e ela volta, não mais pomposa, mas sob uma pose modesta, enobrecida de auto-crítica. Ela volta sempre camuflada. É preciso derrubar a estátua, mas a desestatualização é, ela própria, uma bela pose escultural. Mas na atualidade há o perigo da auto-estadualização, inclusive na antiestatualização, pois desde o século XIX há uma ênfase na autonomia das obras.
Para Dahlhaus “autonomia é fato histórico que devemos aceitar” (p.28). Nesta perspectiva discursiva dahlhausiana, a arte superior é a arte da forma, das grandes obras, é a arte pela arte, e possui autonomia estética. A História das grandes obras teria sido firmada no século XIX, quando a música ganhou autonomia por si mesma. A individualidade das peças musicais ganhou força quando supostamente se instituiu a profissão de compositor, ofício favorecido pelo desenvolvimento da notação musical. Tom Jobim se encaixa perfeitamente nesse contexto, pois suas peças foram escritas e editadas em partitura, dando credibilidade as mesmas de se tornarem obra jobiniana significativa. Hoje existem vários Songbooks editados no Brasil e no exterior com as músicas de Tom Jobim com melodia e cifra, melodia e acompanhamento para piano ou violão escritos, arranjo para coro e diversas formações vocais, bem como arranjo para orquestra e outras formações mais extensas. Essas partituras são passíveis de inúmeras interpretações e modificações no ato do fazer musical prático. Destaco os Songbooks editados pelo Almir Chediak que são de grande relevância e popularidade em nosso país.


BIBLIOGRAFIA

BLOCH, Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BENJAMIN, Walter. “Sobre o conceito de história” [SCH]. In: Obras Escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1985
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BOURDIEU, Pierre. Espaço social e espaço simbólico in Razões práticas. 3.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.
CHARTIER, Roger. Formas e sentido. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2003.
FOUCAULT, Michel. A Ordem do Discurso. 2. Ed. S.Paulo: Loyola, 1996.
FOUCAULT, Michel. O que é um autor? Lisboa: Veja, 1992.
BURKE, Peter. A Cultura Popular na Idade Moderna. 2. Ed. S. Paulo: Companhia das Letras, 1995.
BARTHES, Roland. Elementos de Semiologia. São Paulo: Editora Cultrix, 1975.
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LE GOFF, Jacques. História e Memória. 5.ed. Campinas: Editora da UNICAMP. 2003.
CAMPOS, Augusto. Balanço da Bossa e outras bossas. Editora Perspectiva.
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GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
HALL, Stuart. Identidades culturais na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1998.
MIGUEL, José Wisnik. A música e os sentidos. São Paulo: Companhia das letras, 1989.
MUGGIATI, Roberto. New Jazz. De volta para o futuro. São Paulo: 1999, Editora 34.
ADORNO, Theodor W. Teoria Estética.
JOBIM, Helena. Antonio Carlos Jobim: Um homem iluminado.

TEOALEGRISMOS PARA MARCOS MARQUITOS. UMA COMÉDIA DE FICÇÃO VERÍDICA.

Dedicado aos reverendos Marcos Martins (aniversariante), Luiz Longuini (coadjuvante) e Edson Fernando (ajudante).

“ A minha vida é a história de uma aprendizagem; é o relato de uma vocação” (Marcel Proust- escritor francês).
“Havia um boneco de sal que se virou para o mar e perguntou? Quem é você? Eu sou o mar, respondeu o mar? Não te compreendo disse o boneco salgado. Quer me conhecer? Então, toque em mim, entre em mim, faça amor comigo. Então movido de curiosidade, medo e coragem, aquele boneco pôs os pés no raso e à medida que foi adentrando nas águas batismais, ele foi desaparecendo aos poucos. Então o mar disse romanticamente: Tens que me dar tudo de ti para me compreender. Ao se diluir, aquele boneco desapegou-se de tudo e ganhou tudo ao perder o seu eu “. (Edson Fernando- sermão IPVI em 29/08/10)

No livro de hebreus capítulo 11.8, o escritor redigiu a seguinte frase: “Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber para onde ia“. Começo esse texto fazendo trazendo a seguinte questão: a fé é um experimento ou uma experiência? Continuo, dizendo que este texto contém necessariamente, elementos da Marcografia, pois a vida intelectual de Markus é inseparável da vida pastoral e pessoal de Marquito. Markus Marquito não é daqueles que têm uma carreira, mas dos que têm uma vida. No entanto, eu não quis contar tudo da vida marquiana, e não quis revelar o mais íntimo dele mesmo. Há seguramente, neste artigo incessantes evocações de vida, incessantes interferências da alma e da carne. Mas, inevitavelmente, faltarão nele muita alma e muita carne. Os amigos de quem falo aqui aparecerão, conseqüentemente, como satélites ou como bastidores. Passei ao largo dos amores ainda que o Marcos não tenha podido viver sem amor...Por isso, os amigos aparecerão como figurantes, os amores ficarão invisíveis, ainda que o amor e a amizade sejam o mais importante na vida de um pastor.
Quero apenas dizer aqui, para vocês, que as pessoas não citadas estão presentes no Marcos, assim como as vivas, que foram providência divina, e as mortas que tinham sensibilidade demais para viver.
Marcos Martins, Markus Markitus, Marcos Salsicha...são tantas as emoções e combinações que se intercalam sobre pulso binário (2/4) nos compassos da música missionária. É melhor serem dois do que um já dizia o santo livro. Marcos foi companheiro de quarto do reverendo Edson Fernando nos tempos de internato no seminário (há muuuuitos anos atrás...túnel do tempo! please). Depois a vida os separou. Longuini foi pastor auxiliar de Edson assim que chegou da Alemanha nos anos 90 (há muuuuuuuuitos anos atrás..túnel do tempo! Bitte). A vida os separou. Marcos ficou na Ilha, Edson reinou e reina em Ipanema e Longuini foi um andarilho e bombeiro dos presbitérios, se tornando especialista em apagar incêndios nas ruas, nas estradas, nas padarias, na rodovias ou nas congregações.
Nunca me esquecerei do empenho do Marcos, dando suporte à mim, ao Clayton, ao Will e demais na produção do Sarau “Entre Noel, Cartola e afins” no mês de junho. Marcos chegou firme, abraçou o projeto musical que beneficiou a comunidade na terra de Noel. Ele apoiou até o final e não deixou a peteca cair nem um segundo sequer, portanto, ele está no rol dos heróis da fé. Sem dúvida, Marquito é um dos nossos samurais. Ele pode não fazer o gol, mas está sempre em campo.
Imaginei o Edson, Longuini e Marquito sendo convidados para pregar no templo sagrado de Hollywood, diante de uma platéia eclética como: Jack Nicholson, Angelina Jolie, Juliette Binoche, Leonardo di Caprio, Wim Wenders, Woody Allen, Godard, Polanski, Fernanda Montenegro e outros. Imaginei Steven Spielberg sendo convidado para fazer uma oração por iluminação antes do sermão da trindade presbitecarioca. Então ele começou a orar assim:
“Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o teu samba, venha a nós o teu reino e seja feita a tua vontade. Muito obrigado porque tu és um Deus criativo nos criando com potencial para criarmos obras originais e não apenas meras cópias. Obrigado porque tu nos criaste portadores de policompetência para desempenhar várias funções em condições adversas. Obrigado porque mesmo aquelas pessoas que possuem algum tipo de deficiência, elas tem o poder de compensação em outras áreas, porque o teu poder se aperfeiçoa nas fraquezas. Muito obrigado porque o Edson, Longuini e Marquito têm boca para falar e nós temos ouvidos para escutar. Nos alegramos porque nesta noite há condição de possibilidade interativa entre o ministério da fala (da palavra) e ministério da escuta. Muito obrigado porque tu fala conosco de várias maneiras através dos jogos de cenas nos documentários da vida. Tu se faz comunicável de maneira simples em meio a incomunicabilidade e complexidade da pós modernidade. Muito obrigado porque tu és um Deus de suspense, um Deus de ação, um Deus de Aventura, um Deus de terror, um Deus de drama, um Deus de comédia, um Deus musical,um Deus documentado, um Deus criança, um Deus pornomágico cujo a magia da tua graça nos purifica de todos os pecados, um Deus romântico, pois tu és amor e a medida do teu amor é nos amar sem medida. Please, receive our congratulations. In name of Jesus Christ, amém.
Então, após essa belíssima oração spielberginiana, nossos três pastores começaram a pregar a partir de três histórias diferentes, porém, intercambiáveis. Longuini começou falando sobre o pecado estrutural a partir dos filmes: o Poderoso Chefão ( que aborda sobre a máfia italiana prol narcóticos), Diamante de Sangue (que mostra a corrupção pelos diamantes na África), Syriana (que enfatiza a corrupção pelo petróleo), Nascidos em Bordéis (que expõe a máfia do sexo na India), Rosalie vai às compras (que faz uma crítica a força do capitalismo e consumo desenfreado) e Tropa de Elite (que explicita a drogatização carioca). “O pecado não é apenas individual, mas ele é fruto de uma estrutura maior que envolve relações de poder e manipulação de estruturas menores. O cinema tem esse papel de revelar o irrevelável, de dizer o indizível, de alertar sobre o perigo“, disse Luiz Longuini.
Edson Fernando pegou carona falando sobre a nudez e cegueira no século XXI, baseado no filme Ensaio sobre cegueira inspirado em Saramago e na trilogia da incomunicabilidade do cineasta Antonioni. Ele citou e comentou os filmes: Deserto Vermelho, O Eclipse e A Aventura. Edson continuou o seu discurso ancorado no filósofo Walter Benjamin, dizendo que “as grandes cidades são marcadas pela confusão e individuação, por isso, experimentamos a vivência do choque que gera o tédio devido ao anonimato regado pelo stress e solidão. Estava nu e tive medo, pois estava cego no paraíso, pois solidão não significa ausência de pessoas, mas carência de intimidade. A multiplicidade de informações simultâneas nos libertam e nos aprisionam, além de ofuscar a nossa visibilidade fazendo nos perder noção de foco. Somos uma sociedade que tem olhos mas não vê porque vivemos sob a unção da indiferença. Se o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, então Deus deve está muito perturbado. Abra os olhos do meu coração! abra os olhos do meu coração! quero te ver, quero te ver Senhor, clama o homem moderno“.
Para finalizar Markus Marquitos falou sobre a educação como missão integral a partir dos filmes Nem um a menos (filme chinês), Professor: profissão perigo (filme Frances com Gérard Depardieu), Escola da Vida (filme americano) e o Contador de histórias (filme brasileiro). Ele começou falando mansamente: “Educar é emitir ondas de afeto“. Prosseguiu advertindo duramente: “Pais, se vocês querem ter filhos para a corrida e competição frenética da vida moderna, então crie cavalos ao invés de crianças. Prezados pastores, professores, atores e diretores de cinema: Precisamos potencializar e agregar todos, pois o cínico é aquele que enxerga preços em tudo, mas não reconhece o valor de nada dizia Oscar Wilde“.
Longuini, Edinho e Marquito foram aplaudidos de pé por uma platéia emocionada diante da nova teologia do cinema. “Mais do que nunca é preciso sonhar; é preciso filmar” disse Silvestre Stalone chorando compulsivamente. A notícia foi capa do New York Times, Le Monde, Folha de São Paulo e outros meios de comunicação pelo mundo afora.
Longuini, Edson e Marquito, vocês são exemplos de solidariedade, amizade e de Cooper atividade intensa e desapego as dogmas e as regalias existenciais. Vocês são exemplos, de que as afinidades se atraem e que os opostos não se atraem.Vocês são pessoas que experimentaram a máxima de Vinicius de Moraes: “A vida é a arte dos encontros em meio aos desencontros”. Hoje é um momento mágico onde vocês três que nas travessuras das trilhas do afeto e já confundiram tanto as vossas pernas, podem nos dizer com que pernas vocês vão seguir e partir.
Eu vou seguir com fé, com Marquito eu vou. Marquito é alegria, euforia, companhia todos os dias, Marquito é o motivo da nossa alegria. Happy Birthday to you, happy birthday to you (...) Feliz aniversário e que Deus te abençoe nessa trajetória na terra de Noel.
Abraços fraternos.
Ministério Samurai.
Joe, Longuini, Edson, Presbíteros, IPVI, amigos e afins .

OS OPOSTOS NÃO SE ATRAEM

Papeando com a Dani music essa semana ela disse:
"Joe! diz o velho dogma relacional que os opostos se atraem. Joe! isso é pura conversa fiada...não se atraem mesmo...ela falou e eu morri de rir...ela tb...Dani é novíssima, mas é cabeçona e mente-brilhante-questionante".


Uma amiga ao receber pela primeira vez alguns artigos que escrevi, ficou meia encabulada e respondeu: Joe, favor não enviar este tipo de mensagem para o meu e-mail pois eu sou radical com relação à palavra de Deus e não aceito a maneira como você trata as “coisas de Deus”. Fiz uma segunda resposta esclarecendo o uso da palavra Radical: Querida fulana! Radical é aquele (a) que vai na raiz. Por exemplo: uma pessoa que se propõe a pesquisar um autor francês, é ideal que ele se esforce para estudar a língua Francesa e para investigar no texto original. Continuei: quem aspira ler a palavra de Deus (considerando a Bíblia como gaiola semântica do divino), é justo que se estude hebraico e grego, ou faça como fez o teólogo Joachim Jeremias que foi para a palestina aprender a língua aramaica para ouvir a língua que Jesus falava nos tempos de vida. Ou seja, quem deseja ser radical precisa buscar a unção da coragem e da curiosidade para entrar em terrenos desconhecidos e cavar sujeito aos perigos das minas que podem explodir no trajeto investigativo. Como dizia Gilles Deleuze: é preciso abrir um buraco nas palavras. Mas como abrir um buraco diante da palavra misteriosa de Deus? Eu não tenho a mínima competência para isso, por isso, prefiro a etimologia do silêncio.
Minha amiga retrucou dizendo: Joe, nas entrelinhas você me chamou de burra, aliás você não é tão inteligente assim, pois se fosse, entenderia que eu não me referi a radical idade nesse sentido de enraizamento. Finalizei o intercâmbio virtual dizendo: “Meu cérebro tem uma parte inteligente que é a porcentagem que está ocupada com vários arquivos prontos para o download a tempo e fora de tempo, no entanto, tem outra parte que é burra, pois está vazia, entretanto, esse vácuo é importante e vital para o funcionamento de meu cérebro, pois serve como passagem de ar, água , energia e proteínas vindo de outras mentes, de outros contextos. Que tal a gente trocar figurinhas?”
Deleuze disse que fazer filosofia é passear com um saco na mão e ir colocando dentro tudo o que for interessante e importante. Como fazer isso se a mente estiver obstruída e congestionada com excesso de informações dogmáticas e preconceitos de vários tipos? A burrice é sinônimo de vacuidade, mas buracos são condição de possibilidade para a penetração de novos jatos de espermas epistemológicos.
Paulo Freire pensava mais ou menos assim:
O peão da lavoura sabe de coisas que o doutor executivo não sabe e vice-versa. Somos uma dialógica de CDF e Burridade, de santidade e vacuidade.
Abraços
Joe

A unção do copo e o sexo frágil dos pastores.

Texto escrito com duas histórias paralelas e desconexas (bem estilo dos filmes de Godard)
Uma amiga de Joe da denominação Batista, escreveu sobre unção do copo presbiteriânica:

"Nao sou a favor do alcool, mas admiro a sua honestidade e a audacidade de fazer e dizer aquilo em que acredita sem mascaras. Prefiro as pessoas honestas do que as que pretendem ser certinhas e na verdade nao sao, porque ninguem e!!! Espero so que Deus esteja te protegendo dos arroubos da juventude que as vezes podem te levar por caminhos perigosos! A Andrea me mandou o que vc escreveu sobre mim no blog do Hiram. Obrigada pela mencao honrosa que me fez!"


Eu “retruquei” na boa..rs

“Tb não sou a favor nem contra o alcool, sou a favor da liberdade de escolha e da malandragem nas atitudes e versatilidade e bom senso em cada contexto. Tudo envolve relação de poder e prazer. Eu "apronto", digo o q penso, faço o que "quero" pq sou solteiro e nao tenho familia pra sustentar e dar satisfaçao. Se der merda pra mim devido minha autencidade e sinceridade, eu me viro em qualquer lugar,como qualquer coisa, aliás, de queimado perante instituicoes eu já tô muito e virei tostao batista, mas me rejuvenesco e refloreço sempre (aquilo q nao nos destrói nos fortalece dizia Nietzsche) mas um pastor, MM ou lider qualquer (empregado) que tem família pra sustentar e se meter a andar fora dos trilhos como eu faço, é pura burrice e falta de responsabilidade...Ou o cara é poderoso, ou é louco e tolo. Se eu tivesse guris para pôr comida e leite, pensaria duas vezes antes de ser autentico. Sou a favor do dominio da arte das personas para aqueles q tem familia ou nao tem cacife pra ousar.
Nesses casos, é melhor ser sincero apenas diante de Deus pq o sistema só admite máscaras. Tem q ser político e saber jogar os jogos da vida. A mentira é um mal necessário.”
O "Ministério" da Interdiçao q consta no livro a ORDEM DO DISCURSO de Michel Foucault diz: "SABE-SE QUE QUE NÃO SE TEM O DIREITO DE DIZER TUDO, QUE NÃO SE PODE FALAR DE TUDO, QUE NÃO SE PODE FALAR DE TUDO EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA, QUE QUALQUER UM, ENFIM, NÃO SE PODE FALAR QUALQUER COISA" (Foucault, 1986, p. 9).


(Mudando de assunto)

Outro amigo e colega de ministerio de música me pediu pra eu fazer um artigo sobre a relação de poder entre pastor e ministro de música. A questão que ele colocou foi: Joe! porque na denominação Batista o Pastor manda mais, ganha muuuuuuuuuuuito mais do que o ministro de música e os MM são tão sempre na unção de rabos (enrabados)? Porque os ministros de música são o sexo frágil dos pastores (respondi).
Como fazer prá reverter esse quadro? Incentivando os Ministros de Música à fundarem igrejas. Os cursos de música sacra podem contribuir com isso abrindo disciplinas com especialistas em Genesis 1. É só usar a cabeça porque a benção está na primeira página das escrituras.
Eu tô fora dessa, pois sou presbítero Jr...sou mil e um possíveis em mim. (Quero sombra, água fresca e doutorado na Alemanha).
Dei as dicas.

As idades da vida humana. Quantos anos você tem mesmo? hum?

A máscara do adulto é a experiência (Walter Benjamin no livro Reflexões sobre a criança e o brinquedo).
As mulheres precisam perdoar as infantilidades dos maridos, porque se não houver perdão não há relacionamento que perdure (Reverendo Edson Fernando).

Esses dias enfrentei uma crise de libido e troquei e-mails com uma amiga mais velha, porque panela velha é que faz comida boa. Ela achou estranho e agressivo o conteúdo e me aconselhou a praticar esportes para compensar e liberar energias para o equilíbrio de meu corpo como um todo. Eu pratico “esportes” manuais e intelectuais, mas preciso fugir da rotina. Segundo ela, tem situações que eu ajo como um adulto, mas em outras reajo como um adolescente de 14 anos que precisa de conselhos básicos. Uma outra amiga disse-me que eu sou brilhante em alguns momentos e lamentável em outros, pois misturo ferocidade e ternura, agressividade e amabilidade. Uma outra gata que está de mau comigo dizia que eu era um piá. Mas ela só falava isso quando eu pisava na bola. Vacilou, piatizou. Mas fazer o quê se sou mil e um possíveis como dizia Roger Bastides? De onde viemos? Quem somos nós? É o título de um belíssimo e profundo documentário para ninguém botar defeito.
Quantos anos você tem? Edgar Morin respondeu no seu livro Meus Demônios: “Tenho todas as idades da vida humana“. De fato, cada um de nós, com a idade, conservou as idades precedentes. Sêneca constata justamente em uma carta a Lucílio: “Não somos mais jovens, mas, coisa ainda mais triste, nossas almas ainda o são; e, o que é pior, sob o ar imponente da idade adulta, guardamos os defeitos da juventude (...) e até mesmo da infância.” E Oscar Wilde acrescenta: “O que é terrível quando envelhecemos é que continuamos jovens”. Sabemos que o velho volta a ser criança, logo que ele se encontra afastado das obrigações e necessidades da vida adulta. Mas o adulto esquece e esconde a infantilidade que permanece em todo o ser. O filme O curioso caso de Benjamim Buttom relata de forma magistral este assunto.
Os mais idosos dizem que quando se misturam o envelhecimento e rejuvenescimento, que sentem todas as idades da vida. Sou permanentemente a sede de uma dialógica entre infância/adolescência/maturidade/ rumo à velhice. Nos transformamos e vivemos segundo esta dialógica. Em nós se unem, mas também se opõem, os segredos da maturidade e os da adolescência.
Na casa dos 30 anos, eu me faço as seguintes perguntas: O que resta de mim? Me tornei poroso, corroído, escamoso, esponjoso? Me emudeci, endureci-me, fechei-me no meio do caminho rumo à desintegração no pó? Estou resistindo ao lento desvio da idade? Ganhei os segredos da maturidade, sem perder os segredos da adolescência?
Finalizo esta reflexão colocando em questão a famosa frase do Apóstolo São Paulo: “Quando eu era menino, falava como menino, discorria como menino, mas quando cheguei a ser homem (adulto), parei com as coisas de menino.” Isso é possível? O filme Pecados Íntimos conta a história de um pedófilo de mais ou menos 50 anos de idade que dava em cima dos garotinhos e garotinhas. Ele chegou a ser preso ficando vários anos na cadeia. Ele era temido na pequena cidade. Quando ele foi solto após cumprimento da pena, todo mundo ficou apavorado. As mães e pais principalmente. A mãe do pedófilo suportava aquilo tudo aos trancos e barrancos apesar da idade avançada. Numa conversa amorosa, a mãe daquele pedófilo sugeriu que ele tentasse afetivizar com pessoas da idade dele, mas ele disse que havia tentado, mas foi um fracasso. Ela ligou para uma mulher solteira e carente e fez alta propaganda do filho (coisas de mãe que quer a felicidade do filho). Encontro marcado e o papo rolou num Shoping Center. Tudo ia muito bem, até que dentro do carro no retorno prá casa, aquele pedófilo começou subitamente a se masturbar freneticamente enquanto aquela mulher dirigia inocentemente. A mulher quando viu aquela cena, quase bateu o carro. Daí ela sacou: esse maluco não bate bem da cuca. Nada resolvido, to fora. A mãe ainda perguntou toda ansiosa e animada: “E ai meu filho? Rolou? Vai rolar?” “Não mãe...não é minha praia“ respondeu ele. Um certo dia aquela mãe adoeceu e morreu, entretanto, antes de partir para o outro lado da existência, ela deixou um bilhete: “Meu filho! Não se esqueça de agir como adulto. Seja adulto! Mamãe te pede“. O pedófilo foi para o enterro, mas, quando voltou e entrou naquela casa vazia, viu aquele bilhete e a ficha caiu. Ele deu de cara com a nova realidade e precisava ser adulto dali para frente pois não tinha mais a mamãe para fazer as coisas para ele, para perdoar as infantilidades, para suportar a ferocidade dos vizinhos. Ele começou a chorar e entrou em crise total. Então ele pegou uma faca amolada e cortou o pênis. Um dos vizinhos ao vê-lo chorando e sangrando perguntou: Porque você fez isso? “Porque eu quero ser adulto, pois minha mãe pediu-me“.
“É das criancinhas o reino dos céus” dizia Jesus.

Abraços
Joevan Caitano
www.myspace.com/joevancaitano


 

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