Branca que mula. Um les convite à linguagem.

Branca que mula.
Um les convite à linguagem.

Um sujeito envia uma mensagem cujo, o enunciado é: “Trate o mulato com carinho! adoro branca suave”. A mensagem é interceptada e o anti míssel pergunta: “Que papo F (...) é esse? Remetente responde: são duas frases + contraste pela linguagem. Mas, bateria anti-aérea não engole e fala: “precisamos ter uma conversa séria ao vivo”. O outro responde positivamente com uma condição: pode ser no posto 9 de Ipanema (point churros)? Então houve bonança.
Polivalente e polifuncional, a linguagem humana exprime, constata, transmite, argumenta, dissimula, proclama, prescreve. A lingüística concebeu a linguagem como um sistema objetivo e autônomo do qual isolou regras e estruturas (Saussure e Jacobson) e, depois, explorou as condições de atividade. Quando Wittgenstein quis situar o problema essencial do conhecimento, deslocou a questão do knowing para a do meaning. Na sequência, a filosofia analítica acreditou, ancorando-se na lingüística, abandonar as areias movediças do filosofismo para adquirir o rigor científico e integrou o problema do pensamento no da linguagem.
A sociedade faz a linguagem que a faz, e o homem faz a linguagem que o faz e fala a linguagem que o exprime. Como diz Charles Becker: “Não sei se eu falo, se sou expressão da linguagem ou se se fala através de mim. Cada enunciado corresponde às especificidades próprias à coerência lingüística de cada língua, especificidades subjetivas, culturais, sociológicas e históricas. Russell (1969), indicou que, “as palavras, as frases, exprimem alguma coisa diferente delas próprias”. Saussure observou justamente que, embora sendo “um todo em si”, a linguagem “tomada no seu todo”, é multiforme e heteróclita, e é relacionada aos vários domínios. A neurolingüística, a neuropsicologia (Hecaen), a sociolingüística, mostra nos a profundidade, a radicalidade, a complexidade do vínculo entre a linguagem, o aparelho neurocerebral, o psiquismo humano, a cultura e a sociedade. A linguagem depende da interação entre os indivíduos, as quais dependem da linguagem.
Precisamos conceber a linguagem como sendo uma máquina auto-sócio-organizadora dentro da máquina sociocultural, ela própria auto-organizadora. Em um primeiro nível, a linguagem é uma máquina de dupla articulação, na qual conjuntos de fonemas sem sentido constituem enunciados com sentido. Essa máquina obedece, em cada língua, a regras gramaticais, sintaxe, vocabulário, e as próprias regras obedecem a determinações e “estruturas” profundas, ainda misteriosas e controvertidas. Em um segundo nível, a linguagem é uma máquina que funciona em associação com as maquinarias lógica e analógica, dependentes das regras fundamentais da computação/cogitação próprias à maquinaria cerebral humana. Em um terceiro nível, a linguagem é uma máquina que coloca (e por eles é colocada) em atividade os paradigmas, categorias, esquemas, modelos de pensar, característicos de cada cultura, integrando, portanto, a máquina cultural.
Para falar em termos marxistas, a linguagem é parte organizadora da superestrutura social. No primeiro caso, co-organiza o próprio ser da sociedade que integra. No segundo, co-organiza os mitos e idéias. É a maquinaria universal da antropo-sócio-noosfera. Pode-se, pensar que todo sistema complexo de comunicação necessita do princípio hierárquico e lógico da dupla articulação, o qual permite um número enorme de combinações e enunciados; foi o que ocorreu com a comunicação física/química entre moléculas desde que se constituiu um organismo vivo. A decifração do código DNA revelou-nos uma linguagem tão velha quanto a vida, que é a mais viva de todas as linguagens (Beadle, 1966). A linguagem humana é não apenas viva, mas também o que há de mais radicalmente vivo nas interações antropossociais e na organização da noosfera.
Enquanto a lingüística estrutural permite estabelecer uma ponte teórica entre a linguagem humana e a “linguagem” genética, a lingüística generativa estabelece uma segunda ligação com o mundo biológico através do cérebro humano. Com efeito, Chomsky chegou a idéia de que a aprendizagem da língua por toda criança só é possível graças à existência de competências inatas, inscritas nas potencialidades cerebrais do Homo sapiens.
Ferdinand de Saussure concebera, de fato, a língua simultaneamente como sistema e como organismo, este termo conotando profundamente a idéia de organização viva. A linguagem está em movimentação permanente porque se regenera em permanência. A língua vive como uma grande árvore, cujas raízes encontram-se nas profundezas das vidas social e cerebral e cujos galhos se espalham pela noosfera. Há os ramos práticos, os ramos poéticos, os ramos de gírias e familiares. O filósofo Heidegger tem a impressão de que é a linguagem, não o homem, que fala, porque o poeta tem o sentimento de que “as palavras sabem a nosso respeito aquilo que ignoramos sobre elas” (Char).
O sentido é uma emergência que, saída das atividades da linguagem, não somente retroage de maneira initerrupta sobre essas atividades, mas constitui o seu nível sintético global. Segundo a expressão de Thom, a palavra “germina e estala”, isto é, faz jorrar o sentido contido até então de maneira virtual. O sentido estabelece a relação sintética entre significante/significado/referente e a relação cognitiva entre os objetos lingüísticos e extralingüísticos que designa. O sentido é o que se fecha em círculo; podemos senti-lo, vê-lo, em uma versão latina ou a partir da identificação de palavras conhecidas que fazem emergir insularmente potencialidades polissêmicas. O sentido emerge de todo um processo psíquico/cerebral, o qual se realiza a partir de um fundo cultural (armazenado em nossa memória ou em um dicionário) e da nossa experiência marcada pelo passado vivo.
Wittgenstein instalara justamente o problema do knowing no do meaning, isto é, do sentido. Mas o knowing não se dilui no meaning, a lógica do pensamento não se dissolve na da semiótica. Tudo se encontra incluído no sentido, mas este é uma emergência desse todo. As palavras usuais são polissêmicas, isto é, comportam, na maioria, uma pluralidade de sentidos diferentes que se sobrepõem produzindo como que franjas de interferência. Segundo o contexto, onde um dos seus sentidos exclui os outros e impõe-se ao enunciado; uma vez mais, o todo contribui para dar sentido à parte, a qual contribui para dar sentido à parte, a qual contribui para dar sentido ao todo.
Todas as linguagens são com dupla articulação; todas, inclusive as das sociedades mais arcaicas, são linguagens plenamente desenvolvidas, não menos complexas em seu gênero que o inglês ou o francês. A linguagem natural, por oposição às linguagens formalizadas, é que oferece suporte à invenção, à imaginação, à criação. A linguagem comum permite evitar a rigidez, mesmo mantendo o rigor de um discurso, e, além disso, permite, o que a linguagem formalizada proíbe a analogia, a metáfora, ingredientes necessários não somente à poesia, mas ao próprio pensamento. A linguagem comum é aquela que oferece ao espírito humano o seu campo mais aberto. As linguagens artificiais que se opõem à linguagem natural permitem sofisticações abstratas, formais ou técnicas, mas estão privadas das complexidades da vida.
A linguagem, como vimos, é um cruzamento bioantropológico e antropo-sócio-noológico. Somos, na e através da linguagem, abertos pelas palavras, fechados nas palavras, abertos para o outro (comunicação), fechados para o outro (mentira, erro), abertos para as idéias, fechados nas idéias, abertos para o mundo, fechados ao mundo. Reencontramos o paradoxo cognitivo maior: somos prisioneiros daquilo que nos liberta e libertos por aquilo que nos cerca.

Cravistas são paquitas. O curioso caso de Marcelo Fagersom.

“Mudei para poder continuar o mesmo” (Jean Paul Sartre).
"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão" (filme O Leopardo de Luchino Visconti).

Quarta-feira , dia 08 de julho de 2009, por volta de 14h20, eu estava finalizando a disciplina tratados de teclado do século XVIII na UFRJ referente ao curso de mestrado. Começamos a discussão, e cada um teve a oportunidade de expor oralmente seu trabalho. O meu foi TRATARICANTO: UMA VISÃO HOLÍSTICA SOBRE OS TRATADOS DOS SÉCULOS XVII E XVIII E SUAS APLICAÇÕES NO PIANO POPULAR DE NOSSOS DIAS. Defendi a idéia de que os compositores Carl Philipp Emannuel Bach, Ramon, Frescobaldi, Couperin e Santa Maria, escreveram esses manuais, para servirem de suporte técnico sonoro, mostrando ao aluno que o objetivo de tudo isso, é fazer o instrumento cantar, aliás, construímos instrumentos musicais intencionando imitar a voz humana. No meio da discussão, o Professor Marcelo Fagerlande, interrompeu-nos e surpreendentemente por força do acaso, eu acho, contou-nos um episódio muito engraçado de uma aluna de cravo que resolveu virar paquita...rs... a turma morreu de rir...O CURIOSO CASO DA PAQUITAMIM CRAVOTTOM na classe de Marcelo Fagersom. Eu imagino que ela olhou para o professor e recitou na cara de pau uma frase do Foucault: “Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo”. Nós seres humanos mudamos de A para Z com facilidade, mas o importante é sermos felizes nas nossas escolhas, migrações e surpresas. Os compositores modernos adoram resoluções deceptivas. Só quem não está acostumado, irá achar estranho, mas depois que acostumam-se, até mico se passa por gente.
Muitos irão defender com unhas e dentes que essa jovem sonora/gostosa, cometeu um pecado gravíssimo ao deixar a música para virar xuxinha, no entanto, eu acredito que ela tenha lido o mito de Fausto de Paul Valèry, onde ocorre o diálogo invertido entre o Fausto e Mephisto (diabo). O Fausto debocha do Mephisto outrora poderoso, ao dizer: “Você se sente perdido, e como que despossuído diante de todas essas pessoas que pecam sem o saber, sem atribuir importância a isso, que arriscam a vida delas dez vezes ao dia para desfrutar das inovações, que tua magia nunca sonhou em realizar. Você não assomba mais o espírito dos homens; você não mete mais medo em ninguém” (Paul Valèry). Observe que há uma inversão, pois nas outras versões, Mephisto que é o espírito luciferiano aparece para tentar o Fausto, entretanto, agora é o Fausto que está tentando Lúcifer. Isso mostra-nos que esse diabo não tem mais nenhum espaço, nenhum poder, ele está totalmente dissolvido na nossa vida cotidiana. Deixar o cravo ou violino em prol de uma nova aventura que envolve mais projeção visual e financeira, implica em liberdade de escolha; implica em domínio das técnicas ensinadas pela serpente do mito do paraíso bíblico, chamado de Jardim do Éden. Consiste em consciência resolvida para decidir entre o bom ou ruim que é de cunho subjetivo.
O sujeito moderno (e cravista-paquita moderno) é como o Fausto moderno que tem absoluto controle sobre o corpo, é consciente do seu ser e dos seus impulsos naturais. Ele é uma pança que pensa (ou não..rs), sendo que o pensamento só existe em função de um não saber; o pensamento só existe via negação de si mesmo. Processo de auto reflexão é processo de auto-negação. Talvez a jovenzinha, queria apenas descobrir outros universos. Quem sabe, ela fosse uma exploradora de ambientes. Essa paquita é conchava do Fausto moderno que é aquele que quer saber tudo; é aquele que não se contenta com nenhum tipo de limite.
Ao ouvir esse episódio sobre a mutação musical, pensei no fator auto descobrir-se, e recorri a fenomenologia de Sartre. Aonde nós vamos nos descobrir? Nós vamos nos descobrir na rua, na cidade, no meio da multidão, coisa entre coisas, homens entre homens, entre outras paquitas, cravistas, pianistas, violinistas. Tudo isso gera uma teia de relações que geram ações, mutações, resultantes dos agentes dessas ações (Max Weber).
O que é o sujeito? O que é a realidade humana? É aquilo que cada um projeta ser. O projeto é aquilo que ainda não é. Nós somos aquilo que ainda não somos. Somos aquilo que projetamos ser. Quem projeta? O que deseja ser? De onde vem esse puro projetar? A consciência é um puro movimento que Sartre chama de liberdade; esse constante projetar-se, transcender-se é a liberdade. A liberdade não é um atributo do sujeito, não é uma questão de saber se o sujeito tem ou não um atributo livre. Se definirmos a consciência como esse ato, esse vento, isso é a liberdade e não pode deixar de ser. Na filosofia sartriana existe um paradoxo proposital, pois ele defende que somos livres para tudo, menos para deixarmos de ser livres. Podemos fazer qualquer opção, mas não podemos deixar de optar. Como Sartre gostava de frases bombásticas ele recitava: “O homem está condenado a ser livre” (a paquita também).
Esse constante transcender-se, esse constante inventar-se, nós não podemos nos livrar disso. O que é a realidade humana? Sartre define como sendo aquele ser que tem o seu ser fora dele. É aquilo que ele não é, e sempre será aquilo que ele ainda não é (ponto de vista existencial). Posteriormente, Sartre passa do projeto existencial para o projeto histórico. Mudei para poder continuar o mesmo dizia Sartre. Aliás, Sartre polemizava com os marxistas quando eles diziam que o sujeito é um reflexo das condições objetivas, no entanto, Sartre dizia que não era verdade, mas que o sujeito é liberdade. Se o sujeito é aquilo que fazem dele não é bem assim, pois somos aquilo que fazemos com aquilo que fazem de nós. A nossa liberdade não é uma liberdade, mas é uma libertação. Somos livres para nos libertamos, ou para tentar nos libertamos, entretanto, é compreensível que a liberdade tenha dificuldades para exercer historicamente.
O indivíduo é determinado pela história, mas ele é responsável pela história, porque ele é uma singularidade que filtra as determinações da história. O rigor ético de Sartre é: “Apesar de todas as determinações históricas, não há como abdicar da liberdade, pois abdicar dela é abdicar do nosso ser, de uma responsabilidade ética que consiste no reconhecimento daquilo que nós somos como ser. Dizer sim a abdicação é cometer uma traição a si próprio.
A consciência é a liberdade na raiz. Somos isso; somos liberdade. Abdicar de nossa liberdade é dupla traição: 1. Traição à finalidade do nosso projeto, nossa existência, nosso germe histórico. 2. Traição a nossa origem, isto é, aquilo que somos, a nossa consciência. Salve as cravistas, as paquitas, as violinistas, e sobretudo, as gatinhas, porque elas também são humanas demasiadas humanas, portanto, são nietzschianas e alvo joiano.

Abraços
Joeblackvan

AMBB e o paradoxo do FIM DO COMEÇO.

Por Joeblackvan (www.joevancaitano.blogspot.com)
www.myspace.com/joevancaitano
“Preocupo mais com o movimento da aranha do que com a arquitetura da teia” (GABRIEL COHN – Prof de Ciências Políticas da USP falando sobre a sociologia de Max Weber).
“O último fundamento é o abismo” (Martim Heidegger).
“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).

Uma vez me perguntaram: Joe! Porque você não freqüenta os encontros da AMBB e CBB? Eu respondi na cara de pau e com a sinceridade de sempre: “Porque eu não estou a fim” (rs). Gosto da força do acaso, daquilo que não é planejado, por isso adoro os filmes do cineasta polonês Kieslowski como TRIOLOGIA DAS CORES e O DECÁLOGO que abordam sobre os personagens que acolhem os acasos. Não gosto de ninguém enchendo o meu saco querendo me converter prá isso ou aquilo. Quando eu tiver vontade eu me associo, pois acredito na força da teia de relações (Max Weber). Respeitem o tempo de Deus e o tempo de Joe. Minha percepção é interessada e desinteressada. Sou ligado e desligado. Por força do acaso, eu almoçei com a MM Gisele Rosa (musa de pequena estatura), e durante o papeamento fofocolóide em pleno centro do Rio, ela assinalou-me que haveria um encontro da AMBB no STBSB aqui na cidade maravilhosa. Com sensualidade vocal, ela atiçou-me a vontade de ir nesse encontro de músicos brazucas-aleluias. Disse que a Stella Preta Júnia iria tocar, então eu disse: vou lá ver a negona, Mário Bob Marley e seu contrabaixo mágico e o Thiago fragoso e seus punhos que emitem a fragrância rítmica oquyriana e aproveito para rever alguns amigos e fazer novos amigos. Encontrei o Edu Lakchevitz (dr Dudu), Paulo Júnior fominha de piano, Hélio Júnior, Paraguassú, Léo Gomes, Márcia Leite, Tânia Kammer, Adimar, Nathan, Sidney Chiabai, Gláucia Brum, Andréia paulista, meu primo Felipe Mattos, Martita cubana, Macla, Marcos Vinícius, Ana Flávia (Fafá cabeçona), Maurilio regente e outros. Ganhei novos parceiros como Emirson Justino, Mére Prado patrimônio tombado de Itacibá, Urgel Rusi, Ana e Márcio do estúdio, e outros.
No primeiro e segundo dia de encontros, cheguei pegando o bonde andando, mas entrei com um saco na mão, pois Deleuze fala que fazer filosofia é passear com um saco na mão a tempo e fora de tempo e colocar dentro tudo o que me interessa. Lá estava o Pr Sidney Costa falando sobre um monte de coisas relacionados a administração, engajamento, gestão e potencialização de pessoas no ministério de artes. Ele citou uma frase que me interessou muito e ensacolei-a: “Se você utilizar o melhor de cada um de sua equipe, você terá uma equipe ótima”. Particularmente adoro Genesis 3, e a serpente dando uma “aula ministerial” de como atiçar a sensibilidade no processo de enfrentamento das ESCOLHAS, ilustrada pela árvore do bom e do ruim. Saber escolher é um desafio, principalmente quando a decisão envolve decidir entre o bom e o melhor. John Maxwell categoriza: “Existem aqueles que querem a bola, mas não podem ter ficar com ela; existem aqueles que querem a bola, mas precisam ser treinadas para não pisar na bola; e existem aqueles que querem a bola e devem estar com elas, pois desequilibram e fazem a equipe vencer”.
Depois foi a vez do Pr Paulo Davi que mencionou sobre o tal do caminho de Emaús. Lembrei-me de uma mensagem do gênio teológico Alessandro Akil falando que Jesus se encontrou com as pessoas no caminho de casa, porque é em casa que somos o que somos, sem máscaras, sem frescuras, sem lero-leros. Em casa ficamos pelados diante de Deus e dos parentes; eles sabem das nossas virtudes e deficiências, das nossas manias, das nossas feridas, das nossas intimidades. Na vida social, o nosso eu morre dizia Marcel Proust. Na vida social somos um eu/nós dizia Fernando Pessoa. Por isso, nos encontros da AMBB, CBB, CCBB, CNBB ou CBSTA TCHE, nós somos uma coisa e outra como dizia Roger Bastide, porque precisamos rezar a cartilha, precisamos saber ler signos daquele contexto específico, porque se não soubermos ler esses signos, a gente acaba pagando mico e se passando como metido, corpo estranho, bossau, intelectolóide, intruso, etc (Livro de Giles Deleuze em Proust e os Signos). O encontro sincero com Jesus se dará no retorno, no percurso, no processo, de cada ministro para a sua realidade da sua cidade, fora da comodidade carioca, fora das aparências, do conforto das SIGLAS MM, fora do MEU MANTO PROTETOR. O encontro com Deus se dá na NOSSA NUDEZ. Deus costuma ceiar com os NN, ao invés de MM. Deus nos beija no caminho de casa, na trajetória rumo a nossa nudez existencial.
Mesmo numa ceia onde se pisam em ovos devido a Espírito Santo dos signos, os micos são riscos. Acabei pagando maior mico chamando a preletora e cantora Eloísa Baldin de Capixaba, artista de Vitória, etc...tive que sair pela tangente com papos de Deus na USP, porque ele serve à um Deus paulista que se manifesta no Morumbi ao invés de Maracanã. O grande amigo pernambucano Apolônio Ataíde também me confundiu com um sujeito de Vitória. Tive que mostrar minhas mãos perfuradas-cicatrizadas de chumbos das listas de debate e dizer: Mano! Eu sou o Joe...ele não acreditou, alegando que sou diferente das fotos do Orkut. Culpa dele porque foi raspar o bigode, perdeu a identidade de si e dos outros (rs)...Apolônio sem bigode...kkk não dá. A MM Alzira também não me reconheceu, pois sem aquela cabeleira Black Power fiquei = judeu na segunda guerra mundial, sem identidade. “A identidade torna-se uma celebração móvel” advoga Stuart Hall em seu livro A IDENTIDADE NA PÓS-MODERNIDADE.
Um de meus amigos cutucou os meus ouvidos dizendo: A AMBB mudou. Por que? Questionei-o. Ele respondeu-me: Sou do tempo em que o Hiram Rollo Jr regia o coro num estilo mais relax e conservador, agora trouxeram a swingueira SINDARA ROSA munida da pressão brookliana fazendo o povo coreografar a canção AMIGO SOU DE DEUS e alguns paradoxos temáticos-sonoros como o COMEÇO DO FIM a raiz de todas as palmas, aplausos, assobios e firulas wagnerianas. Enquanto o MM Wagner Araújo e companhia sacudiam a morada dos deuses, minha memória involuntária remetia as aulas sobre Martin Heidegger e o paradoxo do ABISMO DOS FUNDAMENTOS. Na língua alemã GRUND é fundamento e ABGRUND é abismo, isto é sem fundamento. Deus prá mim é isso, mix de Grund e Abgrund. Heidegger dizia: “O último fundamento é o abismo”. Isso tem simetria com CATÁSTROFE E TRAGÉDIA GREGA que consiste em tomar consciência daquilo que desde sempre foi a verdade da origem, quanto o ultrapassamento dessa origem. Nietzsche ressalta que a origem do fundamentalismo (logos socrático) já é na sua origem o suicídio do fundamento.“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).
Com base nessa muvuca paradoxal, aposto na suposição de que a teologia dos achados e perdidos se resume na primeira frase da linda canção EU TE BUSCO TE PROCURO Ó DEUS, NO SILÊNCIO TÚ ESTÁS. O segredo da busca é que não se acha (Fausto de Fernando Pessoa). Deus é o abrigo, é o riso, mas é também o risco.
Muitas pessoas ouviram e cantaram a música paradoxana que tematiza sobre O COMEÇO DO FIM, no entanto, o texto remete-nos a idéia de ressurreição do corpo de Jesus, como também a teoria do eterno retorno nietzschiana com interpretação deleuziana que defende o eterno retorno do diferente, por isso a turma não o reconheceu pós-ressurreição. Imagino aquele defunto solitário estendido no chão da cova-caveira-cavernosa, no entanto, a morte silencia diante de um sorriso musical. Não consigo imaginar alguém morto perto do cantor Wagner Araújo, pois com o carisma que ele possui, faz qualquer múmia desrespeitar a força da gravidade, fazendo-a sempre querer cair para cima e ressuscitar. Eis o curioso caso de Wagner Araújo Buttom.
Ressuscitar talentos é a função de todo grande ministro de música, pois toda a arte é um processo de descoberta que necessita de atores de intensidade ao invés de intenção. Contemplo um gestor como um pioneiro, um explorador de ambientes, um cientista, acima de tudo, ele atua como um servo que serve em prol da materialização do processo criativo, que implica em criar arte instantaneamente. Esse desbravador ele se sedimenta em tradições, mas é novo todas as noites. Sua rotina tem a ver com ganhar a vida e correr riscos enormes; tem a ver com perder tudo e encontrar o amor; se submete a difícil missão de manter as coisas simples, e vestir-se com elegância. Enfim, ele representa todas essas contradições. Ele consegue reconciliar esses opostos da nossa vida diária.Ele lava a poeira da vida do dia-a-dia.
Esse sujeito empreendedor, deve sempre imitar Proust e dizer: “A minha vida é uma vocação; é o relato de uma aprendizagem. Uma aprendizagem que consiste em aprender a dominar técnicas desde como pescar o peixe, como também, de colocá-lo sobre a mesma. Colocar o peixe sobre a mesma é uma tarefa árdua, pois exige paciência na espera, isca correta, purificação dos pecados das escamas e demônios internos do peixe. E quando o pastor fede a chatisse? Às vezes, são os membros da comunidade que costumam feder. Desempenhar o ministério sem deixar a peteca cair implica em habilidade de saber engolir sapos também. Preparar uma liturgia saborosa implica em boa vontade, sensibilidade, experiência e bom gosto. Rubem Alves disse que o cozinheiro é o mestre dos prazeres da boca. O ministério tem como grande tese: PRODUZIR PRAZER NUMA BOA, SEM STRESS. Nem sempre é o complexo-chique-rebuscado que agrada o coração de Deus, mas Ele também ama os simples e humildes de coração. Como o pintor Cézanne que sempre voltava a sua adorada montanha ou as laranjas na mesa de sua cozinha, e isso bastava para explorar os mistérios do universo, é possível achar um número infinito de possibilidades diante da pequena palavra DEUS.

Valeu, abraços e aticem a curiosidade nas buscas pelo vôo 777.
Joeblackvan
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