Cinema Paratonal. Um ensaio pornomágico das imagens.

Por Joevan de Mattos Caitano (www.myspace.com/joevancaitano)

Dedicado à: Dra Adriana Fresquet (FE-UFRJ), Dra Consuelo Lins (ECO-UFRJ), Dra Andrea França (PUC), Dr Roberto Machado (IFCS) e a grande cineasta Lucrécia Martel (Argentina).

“O tempo cura, mas se o tempo for a doença? Então é preciso se curvar perante ele para continuar vivendo” (Wim Wenders).


Rubem Alves escreveu que o cozinheiro é o mestre do kamasutra da boca, porque ele está preocupado em comunicar sabores, diferentemente do nutricionista que se preocupa com as proteínas, e adora recomendar pudim e pavê de jiló para as pessoas. Partindo dessa analogia, eu aposto na idéia de que o músico pode comunicar sabores via sonoridades, as mais variáveis possíveis. Muitos têm orgasmo ao ouvir peças tonais de Mozart, outros adoram fazer amor com sons atonais, ouvindo Schoenberg, Webern, Berg, adoram a não hierarquização dos sons, outros vomitam esse tipo de música. Creio que os cineastas também desejam comunicar sabores e prazeres visuais ao conceberem suas obras.

Podemos ter prazer ao assistir cujo a história é linear, no entanto, podemos nos excitar ao ver amor em 5 TEMPOS de François Ozon, onde a história se passa de trás par frente, iniciando-se com o casal perante o juiz acertando os últimos detalhes do divórcio e termina no dia em que os dois se conheceram e rolou aquela paquera revolucionária. Podemos sentir o gostinho do reino de Deus ao assistir o filme O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTOM, que começa com um sujeito coroão e termina com ele sendo bebezinho. Ao ver O ANO PASSADO EM MARIENBAD de Alain Resnais, nos perguntamos: será se eu entendi alguma coisa ou eu sou burro mesmo? Será se meus olhos são ruim de cama? Depois de uma filme desse, nossa compreensão fica brocha, pois não sabemos em que tempo estão os personagens e não temos certeza de nada. É inevitável não querer se masturbar vendo o filme louco IRREVERSÍVEL que rola a cena de estupro num túnel em Paris, porque a atriz violentada é uma francesa muito gostosa. Ao invés de a gente sentir nojo do maníaco sexual, o cineasta configura a tomada de 10 minutos de tal maneira que o expectador tem múltiplos orgasmos vendo aquele ato cruel. Podemos ficar meio confusos ao assistir PRÁ SEMPRE MOZART de Godard, pois o filme se constitui de 3 histórias completamente diferentes e sem ponto de ligação, pois Godard não queria usar modulação visual entre as 3 partes nesse filme. Não há preliminares nessa trindade godardiana, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo das imagens gozam mudando de A para Z com facilidade. Me lembra muito algumas partituras de música de Boulez, Stockhausen, Koellreutter e outros que sugerem fragmentos melódicos, harmônicos ou ritmicos aleatórios, dando a liberdade para o interprete começar e terminar onde quiser, nos remetendo a idéia de obra aberta que Umberto Eco sugeriu.

Costumo dizer que a primeira vez que assisto à um filme, é para mapeá-lo, depois assisto novamente, pois vou revisitando as imagens com outro olhar, vou enxergando coisas e escutando sons que eu não consegui escutar na primeira imersão auditiva-visual, pois ouço sons que me soaram inaudíveis. Como diz o profeta e poeta bíblico Ageu: “A glória da segunda casa, será maior do que a da primeira”. Se pensarmos em cinema como arquitetura de imagens e sons, o profeta Ageu estava corretíssimo. Mais de 3000 anos depois, Fassbinder retomou essa idéia. Vocês ainda duvidam da reincarnação?

Fassbinder costumava dizer que pretendia construir uma casa usando seus filmes, então, alguns filmes funcionariam como assoalho, outros como telhados, outros como quintal, outros como porta e janela, pois a janela da alma é capaz de permitir o fluxo das idéias, do rio da criatividade, cabendo ao artista ser oportunista e entrar na crista da onda. Entrar num local desconhecido implica em curiosidade e coragem, porém, o artista é capaz de colocar luz nos próprios sonhos. Talvez essa ousadia tenha faltado no camponês da novela O PROCESSO de Franz Kafka. Esse camponês ao chegar perante um castelo e almejou entrar, no entanto, havia uma porta com um guarda, e ele perguntou: Porventura, eu poderia entrar? O guardião respondeu: Por mim tudo bem, porém, existe outras portas além dessa, e consequentemente, há outros guardas. Então, o camponês se acomodou e ficou sentado do lado de fora esperando a vida passar. Quando ele ficou velhinho, o guarda trancou a porta, daí o camponês reclamou: Porque fizeste isso, já que ninguém entrou por ela? O vigia disse: Ninguém entrou porque a porta foi construída para você entrar, mas como você não foi proativo durante a vida, agora não faz mais sentido que você entre, pois você está perto da morte. Talvez aquele camponês tivesse assistido os filmes Alphavile de Godard e Os mil olhos do Dr Mabuse de Fritz Lang que abordam sobre os dispositivos de vigilância ou tenha lido de vigiar e punir de Foucault, por isso, acredito que ele ficou com muito medo de arriscar e quem sabe, ser feliz.

As idéias costumam bater sempre a porta pontualmente na hora incerta, pois elas são como o messias que costuma chegar uma dia após a sua chegada. Para não ser pego de surpreso, é necessário que o artista desenvolva a faculdade de abstração, pois ela é essencial à criação artística, porque, ela permite que a obra não seja apenas sonora-visual, mas também espiritual. A dimensão espiritual da obra de arte comporta a força do silêncio, pois ele é uma forma essencial de pontuação. O som interage com o silêncio, aliás, o som, sincrônico ou não, trouxe para o cinema outras possibilidades mais sutis de pontuar não só a imagem, mas também o texto e a dramaticidade, e principalmente o fluxo da narrativa.

A escuta fílmica é polissêmica com relação aos sons. Eles trazem vestígios de outros momentos e também se modificam ao longo do filme, dependendo de seu inter-relacionamento com outros sons, com o texto proferido e com as imagens. O potencial do som não está ligado a uma única e determinada imagem, mental, real ou filmada, e por isso mesmo está sempre aberto a várias interpretações. Christopher Small afirma que não existe obra musical exilada e independente, sem lugar e sem sujeito, entretanto, a percepção do tempo nessas obras é de cunho subjetivo e mutável. Husserl (1959) diz que todo som é, por definição, um objeto temporal. Para ele, o som nasce, ressoa e morre; nesse sentido é um acontecimento mais do que uma coisa. O cinema sonoro, como a música de sons fixados, é uma arte conográfica; trabalham sobre o tempo fixado a uma velocidade exata, mas a percepção pessoal desse tempo é pessoal.

Deleuze (1990) escreve que na passagem do cinema clássico para o moderno, o resultado é o surgimento de uma nova estética do descontínuo que engendram o encadeamento de situações que vão exigir uma interpretação do espectador. Para ele, no neo-realismo há o surgimento de uma nova imagem que torna sensível o tempo e o pensamento, isto é, fazem torná-los visíveis e sonoros. As imagens se liberam das coordenadas espaço-temporais e passa a valer por ela mesma. Na imagem-tempo, não há mais centro, tudo é um devir permanente onde o meio e suas forças agem sobre o personagem, desafiando-o.

Na trilha sonora há a invisibilidade da fonte sonora, por isso, tem seus princípios na música acusmática, que compreende um som escutado sem ver a causa de onde provém esse som, isto é, a acústica acusmática consiste em audição sem o auxílio do olho. A gravação de sons, é um símbolo da acusmática, uma vez que separa o som de sua fonte original. Chion (1983), defende que o procedimento acusmático serve para aproximar o ouvinte do som, pois o valor afetivo, emocional, físico e estético do som está ligado não somente à explicação causal que colocamos sobre ele, mas também às suas qualidades próprias de timbre e textura.

Como na criação de uma obra musical, a criação cinematográfica tem um papel estruturante para o criador. Funciona como um “espaço sustentador” (Winnicott) do seu processo de reconstrução, no desenrolar da gestação da obra. O criador permite-nos partilhar um prazer estético, pois ele sabe que o verdadeiro prazer da obra deriva do fato de que nossa alma é liberada de certas tensões. Todas as obras de criação testam que a cultura nasce deste reconhecimento da perda e da morte, e do desejo de colocar alguma coisa de belo no lugar dessa falta. Descobrir que a vida é às vezes, trágica e deprimente é ainda, uma maneira de dar nascimento a imagens, e a representações ricas e variadas. O artista criador é aquele que nos fornece o prazer de viver, prazer de criar, prazer de partilhar a obra de outros (Morel, 1990).

O trabalho criativo depende de um espaço transicional, e este existe para garantir a mediação entre o exterior e interior. Esse espaço potencial é necessário para a acomodação de uma ruptura na continuidade, pois neles encontramos o mito, veiculado à ilusão, que se situa no encontro do ser com o não ser. O mito tem vínculos com o sonho, com a fantasia e com outras formações do inconsciente individual; liga-se, de maneira evidente, a realidade exterior, por sua interação com a realidade social e pelo consenso de que é objeto (Green, 1980). Os mitos possuem diferentes vias, que se transmitem por gerações, permitindo assim, afirmar sua pertinência. Todo mito então, tem um poder de criar, isso, porque geralmente há uma identificação heróica pelo criador, gerando um espaço de criação ou de transicionalidade. O sucesso da criação está na habilidade de o criador trabalhar com a liberdade em relação ao real, deixando-se levar por suas elucubrações e fantasias estabelecendo dupla relação com o real e o social. Edgar Morin no livro IV da coleção O MÉTODO, acentou que somos possuídos pelas idéias, pela força do mito, eles são tão fortes ao ponto de nos derrubar, de nos fazer lamber o chão.

Os filmes também tem esse poder, pois alguns deles nos humilham, nos coloca em posição indefesa, daí ficamos desarmados diante da fulgurante vibração da beleza. Por isso, concordo com Godard quando ele escreve que um bom filme é aquele que derruba e recoloca-nos em causa, pois ele estimula-nos a buscar novos padrões de excelência, bem como ensina-nos a experimentar um novo sabor da satisfação artística, e abre as portas para que fluxo das emoções dos personagens, e do seu autor se cristalizem sobre nossa percepção imagética, permitindo assim, que vivenciemos as emoções da própria criação.

É de suma importância que valorizemos a força das imagens, pois através dela realizamos viagens aos lugares mais pitorescos e inimagináveis possíveis. Esses elementos contidos no percurso da filmagem, tem a estranha mania de construir sentidos, sendo que cada plano, possui a magia de engendrar reações diversas devido ao caráter polissêmico que cada parte possui. Bergala (2002) assinala que a importância de uma abordagem do cinema a partir do plano, considerando como a menor célula viva, animada, dotada de temporalidade, de devir, de ritmo, gozando de uma autonomia relativa, constitutiva do grande corpo-cinema.

Acredito que para uma melhor assimilação no âmbito cinematográfico, é necessário que haja uma forte aplicabilidade de uma pedagogia do fragmento, pois das pequenas coisas é que podem sair as grandes revoluções, aliás foi de Belém da Judéia, cidade fajuta há mais de dois mil anos atrás, que surgiu o messias que provocou impacto na história da humanidade. Podemos nos apaixonar por um filme à partir de um fragmento vislumbrado, e esse funciona como um motor que nos mobiliza a viajar pelo todo em busca de novos prazeres. A educação via fragmentos-todo permite-nos potencializar no caminho de volta, sem que nos percamos na estrada do tempo “perdido”.

Uma pedagogia do olhar é extremamente necessária para uma abordagem holística em relação a análise dos filmes, pois ela nos fornece procedimentos e ferramentas capazes de termos uma experiência com o real via cinema, pois o cinema vê, o cinema pensa, e os cineastas também são pensadores, no entanto, o cinema contém enigmas que nem Deus duvida. Por isso, é necessário que usemos a lanterninha em meio à escuridão para descobrir essas riquezas, bem como, há uma exigência natural que adiramos a pedagogia da garimpagem cinematográfica, para que sejamos capazes de ver o invisível, pois as imagens tendem a dizer o indizível.

Que sentido a arte do cinema nos revela? Para que serve o cinema? São questões básicas, porém, de grande valia, que servem como pontapé inicial para uma discussão ampla sobre a força do artista que criador. Creio que a arte é um espelho, porque fazem-nos olhar para nós mesmos. Ela é aquilo que vai provocar novas necessidades, pois está sempre abrindo uma brecha, uma nova ferida. Nesse processo de abertura e rompimento de novos desejos, é viável que observemos três campos de experiência de movimentos (parafraseando a idéia de metáfora de pensamento musical de Michael Spitzer):

Os objetos moventes são evidentes no universo cinematográfico;

Movemos nossos corpos quando nos deparamos como esses movimentos de imagens;

Nossos corpos são movidos por forças ativas que nos impulsionam a uma atitude reativa perante essas imagens.

As imagens e a música de fundo estão passando por nós, pois são elementos dinâmicos, esses elementos vão nos levar a diversos estados emocionais, criando mudanças contínuas no ambiente no qual estamos inseridos. Hubermann defende que trabalhar com imagens é trabalhar com a experiência, pois a imagem é a própria experiência, pois essas imagens são como mariposas, devido comportar movimentos. No cinema moderno, esses movimentos não são de cunho linear, mas alinear, pois dão espaço à buracos nas imagens, aliás Godard ressaltou que esses vácuos constituem uma questão moral pro cinema, e Heisenberg vai dizer que nos vazios há condição de possibilidade. É importante ter em mente que fazer música é também pausas usar.

Para saber é necessário imaginar, e imaginar apesar de tudo. Isso remete-nos a grande tese de Claude Lanzmann quando ele questiona: Como imaginar o inimaginável, o irrepresentável? Atiçar a imaginação apesar de tudo, apesar de todas as coisas, das precariedades da vida, é confiar que ela pode nos dizer alguma coisa. Deleuze gosta muito dessa idéia, e sem dúvida, influenciou-o em seu livro Imagem e Tempo. Pensar o impensável para ver o que nos é incoberto, só é possível através do Espírito Santo da Imaginação, pois só ela é capaz de abrir um buraco nas imagens, dando nos à condição de enxergarmos além da radiografia e as complicações do instante.

Vigotsky fala de quatro pontes entre o que é real e imaginário:

Combinar elementos reais para gerar um objeto real;

Lei dupla das emoções, pois a imaginação afeta a emoção e vice-versa;

Lei da alteridade que pressupõe o conhecimento nosso do real mais o conhecimento do outro sobre o real e a sua capacidade de imaginar;

Criar, isto é, produzir qualquer tipo de invenção.

O ato de criar, é um ato de liberdade que consolida possibilidade de encontros revolucionários, de extranhamentos necessários, de cumplicidade, de coragem, de alteridade que exige a morte do individual para dar lugar ao coletivo. Bartolomeu Campos de Queiros escreveu: “apreço a coragem das sementes, porque é preciso apodrecer para nascer o fruto”. O filme Balão Vermelho fornece alguns desses belíssimos aspectos sobre a liberdade infantil. Quando se fala no mundo infantil, não podemos esquecer da magia dos brinquedos sinalizada por Walter Benjamim, porque a criança desmonta o brinquedo buscando achar a alma desse brinquedo. Criança adora fuçar, e quem deseja aprender e criar, é preciso ter coragem para fuçar sem cessar.

Existem espaços que favorecem a produção de novidades? Nos tempos do Movimento Música Viva, Koellreutter abria espaço para o ineditismo, e novos compositores, novos intérpretes eram agraçiados pela concessão do exótico, do que é novo. Penso que a escola pode ser este ambiente que serve como abrigo do novo, pois ele abre novos horizontes perceptivos e amplia nosso saber pois um dos mais efetivos modos de aprender sobre si mesmo é tomando seriamente a cultura dos outros (Edward Hall). Essa permissividade para o que é inovador só é possível à partir de uma experiência que não endureça, mas que nos sensibilize até descobrir cantinhos bem íntimos, esquecidos ou desconhecidos da nossa própria vida.

A escola deve encorajar os alunos para o ato de ver filmes, isto é, apostar no desenvolvimento de um ato de ver, porque o cinema permite uma forma de vivenciar, de certo modo, alguns dos tantos sonhos da infância. A análise transacional admite que possuímos um modo adulto, um modo do pai e um modo criança, por isso, acredito que Walter Benjamin tenha assegurado em um de seus escritos , que a máscara do adulto é a experiência, pois ela camufla a faceta infantil tão potencializadora e importante na vida de qualquer ser humano. Pensar em diversidade de modos, é apostar na força da coletividade, daí, a necessidade de apostar no entendimento do cinema como possibilidade de expressar os afetos e simbolizar o desejos, constituindo-se numa alternativa ao mesmo tempo individual e coletivo.

Em um escrito de François Truffaut, denominado O prazer dos olhos, há uma reflexão sobre cinema e infância, em que o Diretor nos instiga a refletir por que a criança tem sido sub-representada no cinema. Ele aponta para a produção de filmes comerciais que a partir de um roteiro pré-definido, geralmente elaborado a partir do mundo adulto, colocando a criança à margem da ação e não raro de forma decorativa. Esse desprezo infantil-cinematográfico, só foi solucionado, com a força de uma das expressivas correntes estéticas do cinema mundial, o neo-realismo que projetou a criança como um protagonista das narrativas cinematográficas que tratavam da sociedade italiana do pós-guerra. Essa corrente revelou a doçura e uma inocência que teima em resistir em situações adversas, elevando a criança à condição de um personagem significativo da narrativa, já que mulheres e crianças eram personagens incomuns nas fileiras dos exércitos, nas guerras clássicas do século XIX, ou mesmo na Primeira Guerra Mundial.

Marc Ferro fala sobre as relações entre cinema e história, por isso, é viável admitirmos que o filme surge, como um testemunho passado, um símbolo da celebração do presente e da aposta no futuro. Sendo assim, acreditamos que a história da humanidade é um reflexo da força da memória, pois desde os tempos remotos onde a tradição oral reinava absoluta, até a invenção dos meios de registro escrito, os fatos são propagados via memorização sujeitas as modificações devido a multiplicidade de interpretações inerentes a diversidade de pontos de vista. Com a invenção do cinema, os acontecimentos puderam ser guardados e divulgados por essa nova forma de armazenamento. Walter Benjamim afirmou categoricamente que a história está perdida sem a memória, pois ela redime a história. Para ele, a redenção da história depende da memória, isto é, de memórias coletivas que se misturam à memórias individuais, que representam a herança e a tradição.

O cinema ajuda-nos a compreender como cada época sonhou, e além disso, em cada imagem é possível visualizarmos estilhaços messiânicos, porque os sonhos de futuro também estão guardados no passado. Essa complementariedade entre os tempos passado/presente/futuro exige uma postura pedagógica de caráter multidirecional e multifuncional, pois ela vai apontar para as semelhanças entre as três incompletudes, pois o encontro (o agora) é a convergência do passado e o futuro. Sendo assim, cada acontecimento tem perspectiva sobre toda a história, funcionando como uma mônada leibniziana que é um lugar único capaz de guardar tudo sobre o mundo.

O cinema tem essa propriedade de abarcar a sinuosidade do tempo e temporalidade da experiencia, bem como, é um procedimento capaz de produzir síntese, isto é, produz efeitos de estabilidade (Vertov e Einseistein). Walter Benjamim e Jürgen Habermas pensam diferente e advogam a idéia da síntese que comporta tensões, potencializando os intervalos, tornando visível essa dispersão que é própria do nosso mundo. Como ver em meio ao espalhamento de dados? Talvez Brecht tenha a resposta, pois ele acreditava que para saber é necessário ver, e saber ver é saber prever; saber prever o imprevisível do mundo moderno. Para Crary, ver é abrir a história a outros acontecimentos, novos domínios e novas questões; é fazer a história da objetivação dos acontecimentos.

Nem todo filme pode ser filmado de qualquer maneira, pois os filmes podem conter imagens prazerosas e imagens terrificantes como o filme Noite e Neblina de Alain Resnais que mostram imagens do horror nos campos de concentração na segunda guerra mundial. Deleuze ao comentar Noite e Neblina, disse que este filme foi um choque moral, ético e estético. Há autores como Darney que dizem: “Somos forçados a congelar as imagens do horror-é uma obrigação moral reter mentalmente o horror”. O esquecimento do extermínio faz parte do extermínio, pois Auschwitz é o signo do homem, é um problema fundamental para a antropologia, pois ela externaliza toda brutalidade humana. Além de ser um desafio antropológico, o holocausto desafia as testemunhas, pois elas sofrem duas vezes, por que além de terem sofrido nos campos, elas sofrem ao contar sobre o que vivenciaram. Há a presença da morte no cinema moderno, e esta representa uma questão estética, de filmagem e de montagem, pois a morte é um acontecimento que impõe limites à filmagem. André Bazin escreveu um ensaio sobre a morte e montagem chamado de A Montagem Proibida.

A história da arte coincide com a história da percepção, sendo que o observador estável-permanente é um mito (John Crary). Segundo esse mesmo autor, a visão sofreu transformações históricas que afetou a subjetividade, por isso, para cada regime óptico existe crença e descrença devido a coexistência de vários dispositivos ópticos, que coincidem com a dinâmica articulativa da arte com a tecnologia, expectador e regime de crenças. É bom apontar para o fato de que na época clássica, a visão era transparente, entretanto, Freud afirmou que o mundo interno influencia na percepção.

Há uma crise epistemológica, pois a visão é falha, frágil e não dá conta do conhecimento. As sensações são enganosas, por isso atualmente, é sabido que os sentidos podem ser estimulados por técnicas para produzir o conhecimento. Cada regime de imagens é um regime de crenças, e isto coaduna com a modernidade, pois ela cria novos desejos, novas necessidades, novas formas, aliás, a a cultura capitalista estimula a atenção deslocada, convergindo com a criação do cinema que vai estabelecer formas de síntese perceptiva. Walter Benjamim vai dizer que o cinema treina o expectador para esse mundo de cortes, de riscos; o cinema treina a percepção para o mundo.

No mundo moderno, discutiu-se meios de aplicar técnicas para impor a atenção visual, isto é, para canalizar a atenção, e estas táticas visavam racionalizar a sensação e gerenciar o corpo numa sociedade chamada por Guy Debord de Sociedade do Espetáculo, que comporta expectadores alienados, exige individuos separados e só produz consumidores. Foucault disse: O corpo não está separado, mas é produzido e se caracteriza por ser um corpo que produz mercadoria, sendo taxado de corpo dócil. Mas como se produz e a percepção em meio a essa produção “espetacularizante”? Como pensá-la nessa fecundação alienante? Talvez pensando a experiência à partir da memória, da vivência. Bergson fala que a percepção é impura, porque envolve afetações externas, e ela é importante para produzir conhecimentos. O exterior depende de uma vida interiorizada.

A percepção decorre de mecanismos físicos e o corpo é o protagonista para se pensar a questão da experiência, que envolve a experiência retiniana, pois nossa visão é binocular. A fisiologia do olho interfere na experiência da percepção, e em concordância com isso, ressalto o fato de que a modernidade depende do olho do sujeito, isto é, da visão subjetiva, e esta está em constante interação com dispositivos óticos capazes de levar o indivíduo à outros lugares, fazendo-o confundir presente e passado, propondo-o uma outra experiência de visualidade, a sentir novos odores. Jorge Simmel em seu livro Espaço e Sociedade escreveu que “a questão social não é apenas uma questão moral, mas é uma questão nasal”. Machado de Assis escreveu um texto que retrata a questão odorífera: “ Quem está com cheiro não deve usar o bonde, mas deve usar os artifícios da modernidade como as calçadas”.

O cinema capta o conhecimento, pois ele atua sobre os sistemas de significado da cultura – para renová-los, reproduzi-los ou analisá-los – mas, ao mesmo tempo, também é produzido por esses sistemas. Segundo Meleiro (2006) o cineasta usa os repertórios e convenções representacionais disponíveis na cultura, a fim de fazer algo diferente, mas familiar; novo, mas genérico; individual, mas representativo. No âmbito representacional cinematográfico é interessante notarmos a idéia baktiniana de excedente da visão (Baktin, 2003), por que segundo ele, no olhar do outro vê-se tudo aquilo que não alcançamos com os nossos olhos. É um excedente condicionado pela singularidade e pela impossibilidade de substituição do próprio lugar no mundo, em tempo, espaço e circunstâncias.

Aumont (2004) fala de cinema como o herdeiro de todas as artes, como síntese das artes. Essa concepção foi justificada em razão de ele solicitar todos os sentidos e todas as emoções de ser, por isso, considerada uma arte múltipla, plural. “O cinema é um arte total porque contém todas as outras, que as excede e transforma” (Aumont, 2004). Segundo Aumont e Marie (2003), a assimilação do cinema a uma forma de linguagem foi, inicialmente, uma simples metáfora. A partir da década de 1960, esta idéia foi abordada com certo rigor, sendo abordada mais profundamente na semiologia do cinema. Essa abordagem inovadora em relação ao cinema como linguagem fundamentou-se na idéia de que a linguagem comunica-nos de diferentes formas, nos seus variados modos de expressão. Por meio da criação de significados, da personalização da significação das mensagens culturais, que as crianças e os adultos produzem, há transmissão de cultura, e isso, permite-nos pensar em um significado vivo das palavras. Fresquet (2007) assinala que se podemos pensar no cinema como uma máquina de pensar, de produzir pensamentos, de atravessar a história, então podemos entender o cinema como modo de pensamento que libera-nos de pensá-lo de modo determinado, como forma acabada.

Pensar em linguagem aberta, inacabada, é pensar na amplitude estética da poesia, pois nela, o escuro ilumina; nela há transfusão da natureza e comunhão com ela (Manoel de Barros, 2003). A criança adora poetizar, isto é, “viajar na maionese”, entretanto, segundo a perspectiva bachelardiana, as experiências de solidão da primeira infância constituem-se em marcas definitivas na psique humana, associadas a uma vivência de conforto interior, permitindo aos infantes o exercício fundamental do devaneio poético. Na solidão a criança pode acalmar seus sofrimentos, porque ali ela se sente filha do cosmos, quando o mundo humano lhe deixa a paz. Os devaneios infantis, de acordo com Bachelard (1996), são modos particulares de habitar as imagens. A criança é nietzschiana, porque ela mostra na prática a força da teoria do eterno retorno de Nietzsche. A Criança adora a repetição, pois ela se constitui num mecanismo central na estruturação das brincadeiras infantis. A lei da repetição é alma do jogo, porque ela torna a criança mais feliz quando ela tem a chance de experienciar o “mais uma vez”. De fato, toda e qualquer experiência mais profunda deseja, insaciavelmente, até o final de todas as coisas, repetição e retorno, restabelecimento da situação primordial da qual ela tomou o impulso inicial.

O cinema poesia que também engloba a música pode estruturar uma gramática de imagens e da música, partindo do valor de cada uma delas, possibilitando dessa maneira, trabalhar com os sentidos em estado bruto e à partir deles construir uma obra sedimentada na subjetividade de quem cria e de quem assiste essa obra de arte. Cabe ao artista explorar a comunicação que faz a grande diferença na performance. Em matéria de força comunicativa, devemos atentar para Gilles Deleuze, pois ele reflete sobre o papel do rosto como um espaço privilegiado de configuração de subjetividades. Segundo ele, os rostos não são primeiramente individuais, eles definem zonas de frequência ou de probabilidade. “O rosto escava o buraco de que a subjetivação necessita para atravessar, constitui o buraco negro da subjetividade como consciência ou paixão, a câmera, o terceiro olho” (Deleuze, 2006).

Na subjetivação há a semente da criação que é sempre representada por uma façanha, porém, esse criar supõe uma identificação com o criador precedente, sendo que este ato mágico comporta a transposição da experiência, por meio da emoção viva que traz a marca do domínio estético (dos efeitos e sensações) e da poiética (da fabricação da obra) (Anzieu, 1987). O artista desbravador sabe que a arte é um meio espiritual povoado de essências e através da essência, por isso, ele é capaz de vencer o objetivismo e o subjetivismo. Um grande cineasta-roteirista-diretor é um grande escritor, porque ele cria imagens raras como expressões raras que funcionam como fluxo vivo de harmonia e re-harmonia, isso porque todo grande escritor tem uma musicalidade, por isso, é preciso apurarmos os ouvidos para captar a melodia interna das imagens.

Um grande cineasta cria uma obra com forte musculatura porque mostra e fala de coisas de importantes que estão acontecendo no mundo, eles costuma ir além da radiografia, eles são ousados e trafegam perigosamente entre os muros da escola. Esses desbravadores costumam nietzschianizar, pois cantam: A nossa vida precisa ser mais perigosa para o dia nascer feliz.

Felicidade via arte é um prato cheio para Marcel Proust, pois ele advoga que a função da arte é produzir alegria. Ele está interessado na essência ou natureza da arte como também na força do artista. O que é o artista para Proust? Cada artista é um cidadão de uma pátria desconhecida porque o artista vive exilado de sua pátria. O artista delira de júbilo quando canta em conformidade com essa pátria.

Deleuze ressalta que só a arte permite conhecer a diferença como absoluta, isto é, a diferença interna; só ela permite conhecer os elementos constitutivos da alma. Ela permite viajar, pois viajar é ter novos olhos mesmo que seja para as mesmas paisagens; viajar é ter o novo. Deleuze valoriza esse tipo de viagem porque ela proporciona a maior intensidade. O grande criador é uma estrela que ilumina, pois ele voa de estrela em estrela, inclusive, Nietzsche fala da amizade estelar. Nietzsche e Wagner eram duas estrelas que juntas anulavam a luz uma da outra.

A música e o cinema proporcionam mais porque ela é mais do que uma alegria nervosa de um lindo dia ou de uma noite de ontem. Ela é uma arte capaz de dá conta da representação, da linguagem imediata da coisa; ela dá conta do âmago do mundo; dá conta da vontade schopenhaueriana. A arte é capaz de revelar a certeza da realidade; ela é apta a desvendar a certeza da verdade revelada.

Deleuze, diz que feliz é aquele que consegue ver além do óbvio, além do empírico, além do clichê, além da vulgaridade e da mundaneidade. Aquele que consegue ir além é capaz de descobrir as relíquias, no entanto, não deve assustar caso não o desvende rapidamente, porque o precioso só se descobre por último dizia Proust. Não existe regra para criar um novo, a regra é tentar, explorar, pois os sinais estão por toda a parte, entretanto, restam olhos para vê-los assinalava Nietzsche. A criação envolve talento, inclusive, Kant ressaltou que o talento é capaz de entrar em simbiose com a natureza. O artista ao criar, ele dá a luz à um filho que chamamos de obra e essa mesma obra cria a sua própria posteridade. O futuro é a verdadeira perspectiva da obra; um exemplo disso está na vida de Beethoven, cujo, os seus quartetos levaram aproximadamente 50 anos para nascer um público desses quartetos.

Schopenhauer defende que a música apresenta a vontade em si. A vontade é um fator importante no ato de criar. Nas aulas de análise de artes, é comum questionamentos do tipo: porque que, autor fez dessa forma? É possível recorrermos algumas evidências de técnicas consagradas nas quais o autor dominava e incorporou, mas às vezes a única válvula de escape e responder nietzschianamente: “Foi assim e assim eu quis” (Nietzsche), ou seja, está assim porque o artista quis assim e ponto final. Roberto Machado verbalizou em alto e bom som: “o legal na vida é achar o máximo aquilo o que está fazendo”. É legal estar apaixonado por aquilo que não se pode, a exemplo de Proust que era asmático e não podia cheirar as flores, mas era apaixonado por elas.

Proust advoga que só o artista comunica alguma coisa que é especial, que é além do clichê. O artista é perseguido pela memória involuntária, e esta é afetiva e não intelectual e contribui para que o artista expresse as impressões. O artista impressiona fazendo uso do imaginário interno visando passear no externo. Proust fala que é preciso jogar a imaginação na escrita porque a realidade também é subjetiva, sendo que, cada artista é composto de várias singularidades. O artista criador viaja no tempo, é adepto do atemporal, ao contrário dos teóricos do século XIX que diziam que a música é uma arte temporal. “Em Busca do Tempo Perdido” de Proust é uma obra para além do espaço-tempo.

Ir além do espaço e tempo é ser sensível à captação das idéias quando elas aparecem. Quando as idéias batem a porta, não devemos endurecer nossos corações, pois eles batem forte e exigem passagem. Deleuze sabia disso, por isso, escreveu que só se pensa forçado. Na hora das crises, a gente pensa, aliás, o ser humano não pode viver sem crise, pois elas fazem nos engendrar formas engenhosas de pensamento capaz de abrir um buraco nas adversidades, permitindo dessa forma, o fluxo arrebatador da invenção. Abrir um buraco é abrir uma ferida, é garimpagem intelectual, onde a razão e a emoção bailam sinuosamente. No teatro da vida, as idéias futucam-nos, elas aspiram possuir-nos nas horas mais estranhas, porque elas são como a morte que chegam pontualmente na hora incerta (Mario Quintana). Elas querem nos desvirginar, por isso, necessitamos deixar nossas velas acesas para que no momento inoportuno, quando ela chegar, estejamos preparados para aventurar nos sete mares noológicos. As idéias nos penetram, elas tem pegada, por isso, sentimos dor e prazer, mas elas continuam dizendo-nos para além do bem e do mal, de forma paratonal, paranormal, formal tonal, atonal, modal, serial e integral: “A ferida da existência não tem cura” (Nietzsche). Então, resta-nos render-nos perante ao Espírito Santo das Idéias para continuar abrindo um buraco nas palavras.





Bibliografia




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A bravura da MM Gisele Rosa (Gi baixinha)

Um dia a noite (acho que inicio de junho-2009) eu encontrei a Gisele meio desanimada descendo a ladeira do SBTSB pois ela estava sem igreja, sem perspectivas profissionais, etc, daí conversamos e falei sobre fazer mestrado em educação musical na UFRJ, pois já havia uma doutora com formação em musicoterapia lá, isso porque, a Gi tem graduação nesse ramo também. Ela nem deu bola e perdeu até as dicas que dei anotadas em um pequeno papel, no entanto, por acaso, encontrei com ela novamente descendo a rua José Higino e voltei a tocar no assunto e ela disse: eu vou encarar isso. E ela entrou devagarzinho como quem não quer nada, assistindo as aulas como aluna especial.
Fez as disciplinas, no entanto, chegou a dizer que faria a prova mas não passaria, e eu dizia: Gi! Confie em você...e ela foi caminhando em meio a luz e trevas, entretanto, quando faltava luz ela descia ao inferno e acendia uma tocha e voltava.
Quando chegou na reta final, diante do edital de inscrições, ela pisou fundo e acelerou, acelerou como dizia o Djavan, até inglês ela aprendeu em 1 mês (ninja ela). Fez a prova. Eu enviei um torpedo cedinho dizendo: Baixinha! O Pai, o filho e o Espírito santo falam português e inglês e outras línguas, e ele vai te ajudar. E Gi fez a prova e quando saiu o resultado tava lá naquele mural sagrado que registrou aquele momento histórico e mágico o nome de Gisele Rosa Batista. OS CÉUS MANIFESTAM A GLÓRIA DE GI, O FIRMAMENTO ANUNCIA A FORÇA DE SUAS MÃOS.
A trajetória de Gisele esse semestre foi idêntica a de uma maratonista experiente que poupa energia no inicio da prova pra depois usá-la na reta final.
Parabéns Gi, pois você é a mais nova mestranda da UFRJ. Tu é mais uma ministra de música , pastora, musicoterapeuta, que abriu um buraco existencial e deixou fluir a seiva da visão revolucionária. Os batistas, a AMBB, a UFRJ, UNIRIO, o mundo, os céus e o inferno serão beneficiados pela sua bravura e perseverança estratégica.
Estou muito feliz em poder acompanhar-te nessa trajetória brilhante.
Que a Dra Thelma Alvares e os deuses te abençoe rumo ao doutorado.

FILOSOFIA PARA TODOS dia 26/11/09 as 18h30 na FE da UFRJ

BIENAL NOCHMAL! UM KAMASUTRA MUSICAL.

Impressões e expressões de Joeblackvan sobre a XVIII BIENAL DE MÚSICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA realizada entre 23 de outubro a 01 de novembro de 2009.

Dedicado ao grande compositor Caio Senna (Prof da UNIRIO), pois foi ele quem me convidou para Bienal de Música Contemporânea 2009, e a pianista e amiga Patricia Bretas porque tem mãos de polvo e braços de Hércules (musa szongorista).



“Deveria ser proibido debochar de alguém que se aventura a escrever em língua estrangeira (Filme Budapeste baseado no romance de Chico Buarque)”.

“Um mesmo texto possibilita inúmeras interpretações (Nietzsche falando sobre hermenêutica em Fragmentos finais)”.

Um texto bem escrito é aquele que é claro e direto; Quando se ouve nochmal (outra vez em alemão) é porque ainda tá confuso (Ricardo Tacuchian na aula da pós-graduação sobre música e literatura na UNIRIO-novembro de 2009).

“Estilo não é uma questão de técnica, mas de visão (Beckett falando sobre Proust)”.

Há uns 15 dias atrás estive na sala FUNARTE no centro do Rio assistindo um concerto de lançamento de partituras para coro juvenil. Fui convidado e intimado pela minha amiga-professora-pianista-compositora-arranjadora e cabeçona Stella Júnia. No final do concerto, me deparei com o simpático e sorridente Caio Senna, daí, falei sobre meu projeto de filosofia e música para 2010, que denominei de jazz nietzschiano: a tragédia sonora que contará com a participação de um filósofo, de um teólogo e de um pastor que discutirão após o concerto (músicas de minha autoria e convidados) sobre alguns temas do pensamento do Nietzsche. Aproveitando o assunto, o Caio foi logo me convidando para assistir uma peça dele na bienal que ocorreria na semana seguinte. Eu disse: legal! Estarei lá e fui mesmo. Fiquei mais motivado ainda, quando assisti o ensaio do Ernani Aguiar e André Cardoso com sua orquestra mágica e me interessei por uma peça do jovem compositor Rafael Bezerra, aliás, é uma promessa, espécie de Robinho ligetiano.

Quando eu entrava na sala Cecília Meirelles, geralmente a primeira pessoa que eu me deparava era com o professor e craque acadêmico Carlos Alberto Figueredo, que em minha opinião, é um dos maiores intelectuais de nosso país no âmbito da música. Quietinho no cantinho dele, com aquela atenciosa voz mansa e doce, dizia: Joe! Sempre que posso venho nas bienais, porque sempre surge muita coisa boa em meio ao hibridismo e à diversidade sonora/estética/estilística advindo de conhecidos e desconhecidos. Como dizia Einstein: “a mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original”. Nietzsche dizia: os sinais estão por toda a parte, faltam olhos para vê-los. Olhem a garotada, pois a bienal elucida descoberta de vocações musicais e de meninos prodígios capazes de abrir um buraco nas palavras e nos sons.

Numa bienal de composição, é normal que os compositores enviem as partituras selecionadas para um endereço X, e essas peças vão parar nas mãos de intérpretes que precisam ter um caso de amor com essas partes, pois a relação entre intérprete e partitura é como uma relação entre duas pessoas (tem que rolar química). Isso ficou evidente na peça Metafonia (2009) de Aluisio Didier, interpretada por Maria Teresa Madeira ao piano e Antonio del Claro. Além da química entre esses dois instrumentistas no processo sonoro afetivo com essa lindíssima obra, outro fator que fez a grande diferença foi a enorme experiência de ambos (são anos e anos de estrada). Aliás, na hora de fazer amor, a experiência conta muito, pois ela estimula a ousadia com mais frieza e sem sentimento de culpa. É fazendo e aprendendo. Um sujeito que escutou essa peça, jamais tornará a aderir à guerra desigual, pois só na arte há salvação dizia Dostoiévisk; só a arte liberta-nos do calejamento das mãos devido ao pecado solitário internetiano.

Enquanto o excelente pianista Luiz Senise executava uma peça ao piano fazendo duo com um violoncelista, o colega que estava do meu lado cochichou: Não entendi nada. Eu perguntei a ele: Fulano! Quando você lê um livro, tens o costume de ler as notas de rodapé? Ele disse: não. Então eu prossegui e assinalei: O compositor da peça que acabaste de ouvir, se inspirou nas notas de rodapé do kamasutra musical, pois ele costuma dar valor as coisas simples da vida; ele valoriza o desprezível, pois é de Belém da Judéia que costuma sair o messias. Das posições e opções mais esdrúxulas, é possível obter bons orgasmos sonoros, mas é preciso aprender os macetes para não se machucar no ato da escuta e do fazer musical.

Adorei a ousadia do compositor Jean-Pierre Caron, que se preparou com afinco para apresentar publicamente uma peça para piano preparado. Imagino o trabalho que deu. Meu Deus! Haja paciência para adestrar um piano selvagem em sua configuração primitiva, no entanto, as pessoas costumam não ter paciência, pois os ouvidos estão despreparados para novas sonoridades. Caron apesar de gerar microfonias timbrísticas nos ouvidos tradicionalmente pensantes, foi capaz de filosofar deleuzianamente musicalmente, pois Deleuze diz: é preciso dizer o indizível indo além dos clichês. Caron tentou ir além da radiografia, por isso, é gente que faz.

Num dos intervalos, ouvi alguém reclamando: Até agora não ouvi música acusmática. Será se vai rolar alguma? Falei, que tal invocar o nome do santo Koellreutter, pedindo que ele opere o milagre do signo novo. Como diz o texto bíblico: pedi com fé e sinceridade e dar-se vos á. E o sinistro milagre aconteceu via acaso. O cineasta polonês Kieslowisk (autor de trilogia das cores) mostra-nos que o acaso é sempre condição de possibilidades, de mudanças, de reflexões profundas, e de titubeamento proativo. Um compositor paulista enviou a peça, porém segundo a direção da bienal, a partitura “não chegou” nas mãos dos intérpretes. Tenho instinto de jornalista e to sempre com meu desconfiomêtro ligado diante das notícias. Enfim, avisaram publicamente que por motivos de força e caso abafado maior, não seria possível a execução, no entanto, o compositor com extrema bravura, pediu que todos se silenciassem, pois a tal música seria executada por um CD. Não houve fitas, mas houve um acusmatismo CDniano que agradou a maioria dos presentes, sensação externalizada por convulsivos aplausos aquele rapaz de talento. E ainda tem gente que diz que música acusmática não agrada mais ninguém. Quando Deus age, ele usa quem ele quer, na hora que ele quer, e todos se rendem diante do mistério, da substância suprema-aleatória, pois somos módulos dessa substância dinâmica como dizia Espinosa. Aliás, Planck e Heisenberg ao criarem a teoria quântica, mostraram que as partículas do mundo microfísico costumam escolher vários modos de agir. O vento sopra onde quer e ninguém sabe de onde ele vem e nem para onde ele vai.

Ninguém sabe o que vem após uma peça inédita, pois a disposição seqüencial inserida no programa costuma surpreender-nos, pois no mundo moderno, coadunamos com Max Weber e suas teias de relações, por isso nos preocupamos mais com o movimento da aranha do que com a arquitetura da teia. Tudo ia muito pós-tonal, atonal, serial, panimétrico, com esporádicas pitadas sineréticas, no entanto, o curioso caso de Benjamitri Buttom fez todo mundo se preocupar com a arquitetura sonora daquele evento. A peça começou com tendências tonais, mas migrou para dimensões modais, terminando em tonal novamente, fazendo tudo voltar à estaca zero, devido insistentes cadências V-I, e arpejos em tríades pelo violão. Após a peça houve mistura de aplausos e descontentamento. As opiniões se dividiram. Mister MARAVIIIIIIIILHA me disse: essa peça merece um SUBLIME bem gostoso. O livreiro da UNIRIO me perguntou: O que-que é aquilo? Fuks e Carneiro morriam de rir vendo aquilo tudo e Carlos Alberto Figueredo frisou: Isso é Bienal: diversidade e pontos de vista sobre a mesma obra. Talvez o compositor gaúcho Dimitri Cervo, quis voltar a ser criança, a simplicidade lúdica, pois das criancinhas é o reino dos céus e lá há espaço para um cantinho um violão, uma orquestra, uma paixão. A análise transacional diz que todos nós possuímos o modo do pai, o modo adulto e o modo criança. Para apreciar uma peça como a que me referi, só nascendo de novo como Nicodemos. Para apreciar aquele momento, é preciso ser humilde e cantar: “Quero voltar ao início de tudo (...), quero rever meus conceitos e valores (...), vou regressar ao caminho,vou ver as primeiras obras Senhor (...). Eu quero voltar ao primeiro amor, ao primeiro amor, eu quero voltar a Deus”.

Existem novos compositores que além de talentosos, possuem uma sede intensa de escrever e produzir algo diferencial. Sortudo é aquele que consegue um padrinho acadêmico que funciona como uma mulher insaciável, que sempre quer mais, que sempre exige mais do aluno. No filme Budapeste baseado no romance de Chico Buarque, conta a história de um escritor que sempre escrevia no corpo de uma mulher filézona-gostosona, entretanto, a noite ela sempre apagava o que ele escreveu para que ele não se acomodasse e não parasse de escrever algo novo no dia seguinte. Bons professores, além de estimuladores, também costumam ser hereges, pois dão asas a subversividade divina. Esses costumam a dizer: Aquele que beber da minha fonte, sempre terá sede de algo novo, pois o segredo da busca é que não se acha (Fausto de Fernando Pessoa). Para apaziguar a ira dos deuses, só cantando: Eu te busco te procuro ó Deus, no silêncio tu estás.

Por isso, Chico Buarque estava certíssimo a advogar que deveria ser proibido debochar de alguém que se aventura a escrever em língua estrangeira. Parabéns aos mestres que com tanto carinho, experiência e dedicação, atiçam prá vida esses novos talentos, detentores da ousadia, que são artistas cidadãos-compositores de uma pátria desconhecida. Ai vai meus parabéns pelos seguintes gurus, que fazem simbiose dos sons com a sua própria vida, atuando como pedagogos do cotidiano, cada um com sua singularidade, conduzindo os alunos com amabilidade em meio às instabilidades: Pauxy Gentil Nunes, Marcos Lucas, Caio Senna, Davi Koryntiene, Ricardo Tacuchian (mestre do humor), Marcos Nogueira, Rodrigo Cicelli, Ronaldo Miranda, Arnaldo Antunes, Edino Krieger, Rodolfo Caesar, Ernani Aguiar, Marcelo Carneiro, Edson Zampronha, Almeida Prado, João Guilherme Ripper, Eduardo Biato e Roberto Macedo (dupla contraponto), Marco Pereira (criação, improvisação de MPB, JAZZ e afins), Ian Guest, Marcelo Rauta, Yan Wagner (sindicato), Carol Gubernikoff (russa-francesa) e outros, inclusive os intérpretes (adorei aquele guri do clarinete que tocou a peça do Marcos Lucas, pois ele é um fenômeno...vai longe, pode crer)..

Ricardo Tacuchian, ao avaliar esses novos compositores, fez um diagnóstico de amor (Luckesi) e uma análise formativa (Perrenoud), alertando que é preciso atentar para o time (tempo) certo para cada peça, pois existe hora de começar, hora de expandir, e hora de terminar. Alguns novatos, não sabem administrar a empolgação e tem uma ejaculação precoce ao tentar dizer tudo em um minuto, porém, outros ultrapassam os 11 minutos que Paulo Coelho recomenda em seu célebre livro e costumam ir além da medida. O grande orquestrador Claus Orgerman valoriza a importância da economia diante dos detalhes, para não saturar a peça com elementos desnecessários, passando do ponto G de bobeira e por falta de atenção e sensibilidade. Para engendrar momentos prazerosos, é preciso que o compositor saiba fazer amor com a mente, pois o tempo está na mente (Santo Agostinho). Para lidar com as fantasias sonoras, é preciso recorrer a Bergson e Proust que falam da simultaneidade dos tempos: passado, presente e futuro que constituem o que Deleuze chama de INSTANTE.

Há tempo prá tudo dizia o poeta no livro de Eclesiastes, por isso, há tempo para encerrar a Bienal e isto ocorreu em primeiro de novembro. Era um domingo e o tempo estava confuso pela manhã, e a tarde choveu muito, além de tudo, foi dia de arco-íris e fuca-fuca no Foucault em Copacabana, mas optei por ficar em casa assistindo o filme Querelle de Fassbinder, porque não eu não tava a fim de molhar o biscoito. Quando a chuva cessou, pude ir ao encerramento do passeio dos sons, pois lá sexo é música e música é tesão.

Um abraço batista-budista-musicista e cardecista. “Todo som é sagrado”. Se arruma! Aqui que ta bom; aqui ta bem. Se arruma! Tem espaço na VAN (Ed Motta).

www.joevancaitano.blogspot.com www.myspace.com/joevancaitano

É o Self que perdoa. Ensaios sobre Jesus via psicanálise.

“Nunca profanei o sagrado nome do amor” (Nietzsche em Fragmentos Finais).
“O perdão é o alimento da alma; o pão é o alimento do corpo” (Luiz Longuini Neto).
“O tempo cura, mas se o tempo for a doença? Então é preciso se curvar perante ele para continuar vivendo” (Wim Wenders).

Jesus quando ensinou os discípulos a orar, ele mencionou a força do mal. Ele disse: Pai ! livra-nos do mal, porque nós temos uma parte que é má também e ela também pode se manifestar em determinadas situações. O grande reformador Lutero foi um homem que confrontou o pensamento humanista de que o ser humano é bonzinho, pois ele intuitivamente raciocinava como Melanie Klein que defendia que a criancinha ao nascer já possui dentro de si mesmo a amabilidade e a agressividade inata, que se manifesta, quando a mãe cede ou não cede o seio prazeroso para ela. Lutero sabia que o homem é bom e mau. Ele andava brigando com o Diabo, vendo demônios, coisas esquisitas, mas via Deus no meio dessa muvuca toda, por isso que digo que ele tem um pé na idade média. Ele também era uma coisa e outra, como preconiza a moderna antropologia ao dizer que somos seres humanos divididos, e não indivíduos como preconizava antigamente. Somos divíduos e estamos sempre devendo alguma coisa à sociedade como assinalou Gilles Deleuze. É preciso, encarar frente a frente, o mal-estar das dívidas, porque devemos dar a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus. Sendo assim, faz-se necessário perdoar 70 x7 a quem nos causou algum dano moral, material, espiritual, sexual, musical, etc, etc, etc.
Quando um homem se casa com uma mulher (aplica-se a casais homo também), ele não se casa com a mulher ideal, que ele almejou, mas no fundo no fundo, ele procura e junta a uma mulher que seja projeção da sua mãe (o modelo). Nos primeiros dias de convivência, quando se experimenta os primeiros bafos afetivos quando se acordam, é que a porca costuma torcer o rabo. Aí aparecem: as manias, as virtudes e as deficiências começam a se manifestar. Aí começam as primeiras brigas, que tendem a intensificar-se devido o aumento da intensidade na intimidade. A nossa mulher (companheiro-a) precisa perdoar as nossas infantilidades, porque se não houver isso, não há relação que dure. Perdoar vem de perdoare. Per é o superlativo, por isso, perdoar é ir ao extremo da nossa capacidade; é se doar ao extremo.
Na oração do Pai Nosso, Jesus insere a força dos três P´s (ppp) que são eles: pai, pão e perdão. O perdão é a graxa dessa engrenagem que é a graça divina, pois ela nos ajuda a não ficarmos presos à conseqüência dos nossos atos. Não há futuro para o mundo se não houver perdão e reconciliação. Só o perdão pode impedir a escalada da violência. A grande filósofa Hannah Arendt escreveu que perdoar é livrar-se da irreversibilidade do passado. Perdoar é não aprisionar o outro nas conseqüências de seus atos. Só o perdão é capaz de driblar a mentira num país onde os governantes defendem a mentira desbravadamente, para criar um país diariamente.
O perdão consiste na justiça reparadora ao invés de condenadora. Justiça é saber que os nossos atos têm conseqüências (lei do carma). O teólogo ortodoxo e psicólogo Jean Yves Leloup, admite que o percurso ideal para perdoarmos, é irmos pelo caminho da direita em direção à esquerda, pois o lado direito simboliza a justiça, a conscientização, no entanto, o lado esquerdo é o do coração, da misericórdia.
É natural que quando um colega, amigo (a), etc, pisa na bola conosco, fiquemos furiosos, desacreditados, se sentindo traído, e às vezes desejamos o mau e sua confraria maléfica, no entanto, a raiva é importante no caminho do perdão, pois quando não há perdão nos deparamos com o inferno que é o fechamento do ciclo do amor. Quando o nosso ser, se fecha à circulação da vento amoroso, ficamos rancorosos, no entanto, o ato de perdoar se constitui na ruptura que gera a abertura para livre circulação da seiva do amor. O perdão desata o nó que impede fluxo dessa seiva afetiva.
É muito difícil a gente perdoar alguém que assassinou um parente nosso, alguém que nos traiu, entretanto, é mais sinistro perdoar uma pessoa que abusou sexualmente de uma criança, de um ser “indefeso”. Muitas mães vêem os abusos sexuais, mas ficam caladas e fingem não acreditar no que está na cara, devido à tamanha animalidade, por isso, a criança se sente culpada, mas a criança grita, ela dá sinais. Nietzsche dizia: os sinais estão por toda a parte, restam olhos para vê-los (e coragem também). Não há perdão sem o grito.
Jesus ao se deparar com aquela mulher adúltera, ele não usou a lei para analisar o caso dela, mas ele foi mais fundo, ele compreendeu as carências femininas, pois ele supôs que ela quisesse trocar um amor capenga que ela tinha em casa por outro melhor, quem sabe um amante, etc, etc. Esse episódio bíblico nos remete à música do cantor e compositor Frejat: “procuro um amor que seja bom prá mim, vou procurar, eu vou até o fim”. Qual de nós não faria o mesmo se estivéssemos mal resolvidos afetivamente dentro de nossa casa? A gente tenderia a fazer o mesmo: pularia a cerca pra preencher nossas carências. Quando a carência bate à porta, é muito difícil segurar por que o desejo e o perigo se manifestam com enorme intensidade, e agimos à sangue frio mesmo quando sabendo que há um Leão lá fora. Jesus sabia de tudo isso e disse: mulher bonita! Segue a vida e bola prá frente, mas não peques mais, ou seja, tenha juízo viu gata?
Somos aprisionados por nosso ego, e ele é muito forte, por isso, precisamos compreender que o ego não pode perdoar o que é imperdoável. É preciso invocar o SELF que é o todo que nós somos, e com ele vem o anima e o animus (nossa parte masculina e feminina), vem a persona, a sombra, os deuses e demônios que habitam dentro de nós, pois essa plenitude humana é capaz de liberar o perdão que gera a salvação. É o SELF que perdoa: Pai! Perdoa porque eles não sabem o que fazem disse Jesus gemendo de dor na cruz. Aquele que é maior do que eu é que perdoa. Deus é a força estranha que mobiliza o perdão, pois Ele é maior que o nosso coração, é maior que a nossa cabeça, é maior que a nossa imagem, é maior que nossa voracidade, maior que o nosso pecado, maior que o nosso buraco negro.

abraços e muuuuuuito perdão..libera geral o perdão.
Joeblackvan

Idéias extraídas da mensagem do reverendo Edson Fernando (26/10/09)na IPVI.



Stella Júnia (professora, pianista, compositora, arranjadora) escreveu no blog dela e e eu copiei e colei

Próximo sábado acontecerá este concerto anunciado no cartaz acima:
Na sala Funarte- Rua da Imprensa 16 - às 17hs.
O cartaz é objetivo na informação: 'Lançamento de 12 partituras para Coro Juvenil.
Mas há muito movimento por trás desse cartaz, por trás dessas partituras.
Alguns compositores do Brasil foram selecionados para compor , cada um, uma canção para este projeto.
Eu tenho a honra se estar entre eles. Mais um filho meu nasceu, e estará viajando pelo mundo através do site da Funarte.
Pois é: essas partituras ficarão disponíveis no site da Funarte para download free, e o regente que decidir realizar a música com o seu coral poderá ouvir a gravação feita pelos coros citados no cartaz.
Uma grande inicitaiva da Funarte para suprir o movimento Coral de material brasileiro.
Foram convidados compositores de várias regiões do Brasil, o que faz com que o projeto tenha sabores variados, 'pratos' para todos os gostos musicais.
Eu fui triplamente honrada:
entrei com uma composição minha,
gravei a minha música , gravei músicas de outros compositores ao piano, e estarei tocando no lançamento anunciado pelo cartaz acima.
É uma grande vitória da Funarte , grande vitória do Canto Coral Brasileiro e ....
que direi eu ????
à Ele.
Para quem quiser ouvir :
"É madrugada"
letra e música; Stella Junia
Coral Harte Vocal
Piano: Stella
baixo- MArio Zazv
Percussão- Carlos Cesar
basta clicar abaixo:
www.myspace.com/stellajunia
APAREÇAM LÁ.
BJ
SJ

FILOSOFIA PRÁ TODOS (dia 29 de outubro)

FILOSOFIA PARA TODOS – LISE 20 anos

Sétimo Encontro : A Filosofia Cristã : Das origens a São Tomás de Aquino
Uma introdução aos autores e temas da filosofia num diálogo criativo com o cinema e a MPB
Curso gratuito oferecido pelo LISE e ministrado pelo professor Doutor Reuber Gerbassi Scofano da Faculdade de Educação da UFRJ
Dia 29 de Outubrode 2009 às 18:30 hs na sala Anisio Teixeira – UFRJ Campus Praia Vermelha Avenida Pasteur 250


Obs: eu Joevan , estive assistindo no mes passado sobre epicuro e estoicismo...e foi demais de bom...o prof é muito fera e muito didático e engraçado...vale a pena assistir.
abraços
Joe

Festiart com Cláudia Luz e Café com Jazz. (confira)



www.myspace.com/claudialuzmontenegro






В. В. МАЯКОВСКИЙ


APRENDA RUSSO!
TEL. 2221-3967
Э-мейл: culturaeslava@mail.ru


Centro de Cultura Eslava
www.culturaeslava.com.br
Cursos de língua russa e culinária típica






В. В. МАЯКОВСКИЙ


APRENDA RUSSO! na LAPA (na rua da sala Cecília Meirelles) Rio de Janeiro.
TEL. 2221-3967
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Cursos de língua russa e culinária típica


esse curso é muuuuuuito bom...barato e o professor Marcos Coelho é um graaande educador na língua russa...ensina com extremo carinho pois ama o que faz...
Jamais me esquecerei a majestosa recepção que ele me deu em 2007 quando visitei o curso para conhecer...fui tratado como um princípe...retornei lá depois de quase 3 anos e agora para fazer parte da familia...Na casa de meu pai há muitas moradas, por isso eu escolho as melhores...cada dia durmo numa casa diferente.

Branca que mula. Um les convite à linguagem.

Branca que mula.
Um les convite à linguagem.

Um sujeito envia uma mensagem cujo, o enunciado é: “Trate o mulato com carinho! adoro branca suave”. A mensagem é interceptada e o anti míssel pergunta: “Que papo F (...) é esse? Remetente responde: são duas frases + contraste pela linguagem. Mas, bateria anti-aérea não engole e fala: “precisamos ter uma conversa séria ao vivo”. O outro responde positivamente com uma condição: pode ser no posto 9 de Ipanema (point churros)? Então houve bonança.
Polivalente e polifuncional, a linguagem humana exprime, constata, transmite, argumenta, dissimula, proclama, prescreve. A lingüística concebeu a linguagem como um sistema objetivo e autônomo do qual isolou regras e estruturas (Saussure e Jacobson) e, depois, explorou as condições de atividade. Quando Wittgenstein quis situar o problema essencial do conhecimento, deslocou a questão do knowing para a do meaning. Na sequência, a filosofia analítica acreditou, ancorando-se na lingüística, abandonar as areias movediças do filosofismo para adquirir o rigor científico e integrou o problema do pensamento no da linguagem.
A sociedade faz a linguagem que a faz, e o homem faz a linguagem que o faz e fala a linguagem que o exprime. Como diz Charles Becker: “Não sei se eu falo, se sou expressão da linguagem ou se se fala através de mim. Cada enunciado corresponde às especificidades próprias à coerência lingüística de cada língua, especificidades subjetivas, culturais, sociológicas e históricas. Russell (1969), indicou que, “as palavras, as frases, exprimem alguma coisa diferente delas próprias”. Saussure observou justamente que, embora sendo “um todo em si”, a linguagem “tomada no seu todo”, é multiforme e heteróclita, e é relacionada aos vários domínios. A neurolingüística, a neuropsicologia (Hecaen), a sociolingüística, mostra nos a profundidade, a radicalidade, a complexidade do vínculo entre a linguagem, o aparelho neurocerebral, o psiquismo humano, a cultura e a sociedade. A linguagem depende da interação entre os indivíduos, as quais dependem da linguagem.
Precisamos conceber a linguagem como sendo uma máquina auto-sócio-organizadora dentro da máquina sociocultural, ela própria auto-organizadora. Em um primeiro nível, a linguagem é uma máquina de dupla articulação, na qual conjuntos de fonemas sem sentido constituem enunciados com sentido. Essa máquina obedece, em cada língua, a regras gramaticais, sintaxe, vocabulário, e as próprias regras obedecem a determinações e “estruturas” profundas, ainda misteriosas e controvertidas. Em um segundo nível, a linguagem é uma máquina que funciona em associação com as maquinarias lógica e analógica, dependentes das regras fundamentais da computação/cogitação próprias à maquinaria cerebral humana. Em um terceiro nível, a linguagem é uma máquina que coloca (e por eles é colocada) em atividade os paradigmas, categorias, esquemas, modelos de pensar, característicos de cada cultura, integrando, portanto, a máquina cultural.
Para falar em termos marxistas, a linguagem é parte organizadora da superestrutura social. No primeiro caso, co-organiza o próprio ser da sociedade que integra. No segundo, co-organiza os mitos e idéias. É a maquinaria universal da antropo-sócio-noosfera. Pode-se, pensar que todo sistema complexo de comunicação necessita do princípio hierárquico e lógico da dupla articulação, o qual permite um número enorme de combinações e enunciados; foi o que ocorreu com a comunicação física/química entre moléculas desde que se constituiu um organismo vivo. A decifração do código DNA revelou-nos uma linguagem tão velha quanto a vida, que é a mais viva de todas as linguagens (Beadle, 1966). A linguagem humana é não apenas viva, mas também o que há de mais radicalmente vivo nas interações antropossociais e na organização da noosfera.
Enquanto a lingüística estrutural permite estabelecer uma ponte teórica entre a linguagem humana e a “linguagem” genética, a lingüística generativa estabelece uma segunda ligação com o mundo biológico através do cérebro humano. Com efeito, Chomsky chegou a idéia de que a aprendizagem da língua por toda criança só é possível graças à existência de competências inatas, inscritas nas potencialidades cerebrais do Homo sapiens.
Ferdinand de Saussure concebera, de fato, a língua simultaneamente como sistema e como organismo, este termo conotando profundamente a idéia de organização viva. A linguagem está em movimentação permanente porque se regenera em permanência. A língua vive como uma grande árvore, cujas raízes encontram-se nas profundezas das vidas social e cerebral e cujos galhos se espalham pela noosfera. Há os ramos práticos, os ramos poéticos, os ramos de gírias e familiares. O filósofo Heidegger tem a impressão de que é a linguagem, não o homem, que fala, porque o poeta tem o sentimento de que “as palavras sabem a nosso respeito aquilo que ignoramos sobre elas” (Char).
O sentido é uma emergência que, saída das atividades da linguagem, não somente retroage de maneira initerrupta sobre essas atividades, mas constitui o seu nível sintético global. Segundo a expressão de Thom, a palavra “germina e estala”, isto é, faz jorrar o sentido contido até então de maneira virtual. O sentido estabelece a relação sintética entre significante/significado/referente e a relação cognitiva entre os objetos lingüísticos e extralingüísticos que designa. O sentido é o que se fecha em círculo; podemos senti-lo, vê-lo, em uma versão latina ou a partir da identificação de palavras conhecidas que fazem emergir insularmente potencialidades polissêmicas. O sentido emerge de todo um processo psíquico/cerebral, o qual se realiza a partir de um fundo cultural (armazenado em nossa memória ou em um dicionário) e da nossa experiência marcada pelo passado vivo.
Wittgenstein instalara justamente o problema do knowing no do meaning, isto é, do sentido. Mas o knowing não se dilui no meaning, a lógica do pensamento não se dissolve na da semiótica. Tudo se encontra incluído no sentido, mas este é uma emergência desse todo. As palavras usuais são polissêmicas, isto é, comportam, na maioria, uma pluralidade de sentidos diferentes que se sobrepõem produzindo como que franjas de interferência. Segundo o contexto, onde um dos seus sentidos exclui os outros e impõe-se ao enunciado; uma vez mais, o todo contribui para dar sentido à parte, a qual contribui para dar sentido à parte, a qual contribui para dar sentido ao todo.
Todas as linguagens são com dupla articulação; todas, inclusive as das sociedades mais arcaicas, são linguagens plenamente desenvolvidas, não menos complexas em seu gênero que o inglês ou o francês. A linguagem natural, por oposição às linguagens formalizadas, é que oferece suporte à invenção, à imaginação, à criação. A linguagem comum permite evitar a rigidez, mesmo mantendo o rigor de um discurso, e, além disso, permite, o que a linguagem formalizada proíbe a analogia, a metáfora, ingredientes necessários não somente à poesia, mas ao próprio pensamento. A linguagem comum é aquela que oferece ao espírito humano o seu campo mais aberto. As linguagens artificiais que se opõem à linguagem natural permitem sofisticações abstratas, formais ou técnicas, mas estão privadas das complexidades da vida.
A linguagem, como vimos, é um cruzamento bioantropológico e antropo-sócio-noológico. Somos, na e através da linguagem, abertos pelas palavras, fechados nas palavras, abertos para o outro (comunicação), fechados para o outro (mentira, erro), abertos para as idéias, fechados nas idéias, abertos para o mundo, fechados ao mundo. Reencontramos o paradoxo cognitivo maior: somos prisioneiros daquilo que nos liberta e libertos por aquilo que nos cerca.

Cravistas são paquitas. O curioso caso de Marcelo Fagersom.

“Mudei para poder continuar o mesmo” (Jean Paul Sartre).
"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão" (filme O Leopardo de Luchino Visconti).

Quarta-feira , dia 08 de julho de 2009, por volta de 14h20, eu estava finalizando a disciplina tratados de teclado do século XVIII na UFRJ referente ao curso de mestrado. Começamos a discussão, e cada um teve a oportunidade de expor oralmente seu trabalho. O meu foi TRATARICANTO: UMA VISÃO HOLÍSTICA SOBRE OS TRATADOS DOS SÉCULOS XVII E XVIII E SUAS APLICAÇÕES NO PIANO POPULAR DE NOSSOS DIAS. Defendi a idéia de que os compositores Carl Philipp Emannuel Bach, Ramon, Frescobaldi, Couperin e Santa Maria, escreveram esses manuais, para servirem de suporte técnico sonoro, mostrando ao aluno que o objetivo de tudo isso, é fazer o instrumento cantar, aliás, construímos instrumentos musicais intencionando imitar a voz humana. No meio da discussão, o Professor Marcelo Fagerlande, interrompeu-nos e surpreendentemente por força do acaso, eu acho, contou-nos um episódio muito engraçado de uma aluna de cravo que resolveu virar paquita...rs... a turma morreu de rir...O CURIOSO CASO DA PAQUITAMIM CRAVOTTOM na classe de Marcelo Fagersom. Eu imagino que ela olhou para o professor e recitou na cara de pau uma frase do Foucault: “Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo”. Nós seres humanos mudamos de A para Z com facilidade, mas o importante é sermos felizes nas nossas escolhas, migrações e surpresas. Os compositores modernos adoram resoluções deceptivas. Só quem não está acostumado, irá achar estranho, mas depois que acostumam-se, até mico se passa por gente.
Muitos irão defender com unhas e dentes que essa jovem sonora/gostosa, cometeu um pecado gravíssimo ao deixar a música para virar xuxinha, no entanto, eu acredito que ela tenha lido o mito de Fausto de Paul Valèry, onde ocorre o diálogo invertido entre o Fausto e Mephisto (diabo). O Fausto debocha do Mephisto outrora poderoso, ao dizer: “Você se sente perdido, e como que despossuído diante de todas essas pessoas que pecam sem o saber, sem atribuir importância a isso, que arriscam a vida delas dez vezes ao dia para desfrutar das inovações, que tua magia nunca sonhou em realizar. Você não assomba mais o espírito dos homens; você não mete mais medo em ninguém” (Paul Valèry). Observe que há uma inversão, pois nas outras versões, Mephisto que é o espírito luciferiano aparece para tentar o Fausto, entretanto, agora é o Fausto que está tentando Lúcifer. Isso mostra-nos que esse diabo não tem mais nenhum espaço, nenhum poder, ele está totalmente dissolvido na nossa vida cotidiana. Deixar o cravo ou violino em prol de uma nova aventura que envolve mais projeção visual e financeira, implica em liberdade de escolha; implica em domínio das técnicas ensinadas pela serpente do mito do paraíso bíblico, chamado de Jardim do Éden. Consiste em consciência resolvida para decidir entre o bom ou ruim que é de cunho subjetivo.
O sujeito moderno (e cravista-paquita moderno) é como o Fausto moderno que tem absoluto controle sobre o corpo, é consciente do seu ser e dos seus impulsos naturais. Ele é uma pança que pensa (ou não..rs), sendo que o pensamento só existe em função de um não saber; o pensamento só existe via negação de si mesmo. Processo de auto reflexão é processo de auto-negação. Talvez a jovenzinha, queria apenas descobrir outros universos. Quem sabe, ela fosse uma exploradora de ambientes. Essa paquita é conchava do Fausto moderno que é aquele que quer saber tudo; é aquele que não se contenta com nenhum tipo de limite.
Ao ouvir esse episódio sobre a mutação musical, pensei no fator auto descobrir-se, e recorri a fenomenologia de Sartre. Aonde nós vamos nos descobrir? Nós vamos nos descobrir na rua, na cidade, no meio da multidão, coisa entre coisas, homens entre homens, entre outras paquitas, cravistas, pianistas, violinistas. Tudo isso gera uma teia de relações que geram ações, mutações, resultantes dos agentes dessas ações (Max Weber).
O que é o sujeito? O que é a realidade humana? É aquilo que cada um projeta ser. O projeto é aquilo que ainda não é. Nós somos aquilo que ainda não somos. Somos aquilo que projetamos ser. Quem projeta? O que deseja ser? De onde vem esse puro projetar? A consciência é um puro movimento que Sartre chama de liberdade; esse constante projetar-se, transcender-se é a liberdade. A liberdade não é um atributo do sujeito, não é uma questão de saber se o sujeito tem ou não um atributo livre. Se definirmos a consciência como esse ato, esse vento, isso é a liberdade e não pode deixar de ser. Na filosofia sartriana existe um paradoxo proposital, pois ele defende que somos livres para tudo, menos para deixarmos de ser livres. Podemos fazer qualquer opção, mas não podemos deixar de optar. Como Sartre gostava de frases bombásticas ele recitava: “O homem está condenado a ser livre” (a paquita também).
Esse constante transcender-se, esse constante inventar-se, nós não podemos nos livrar disso. O que é a realidade humana? Sartre define como sendo aquele ser que tem o seu ser fora dele. É aquilo que ele não é, e sempre será aquilo que ele ainda não é (ponto de vista existencial). Posteriormente, Sartre passa do projeto existencial para o projeto histórico. Mudei para poder continuar o mesmo dizia Sartre. Aliás, Sartre polemizava com os marxistas quando eles diziam que o sujeito é um reflexo das condições objetivas, no entanto, Sartre dizia que não era verdade, mas que o sujeito é liberdade. Se o sujeito é aquilo que fazem dele não é bem assim, pois somos aquilo que fazemos com aquilo que fazem de nós. A nossa liberdade não é uma liberdade, mas é uma libertação. Somos livres para nos libertamos, ou para tentar nos libertamos, entretanto, é compreensível que a liberdade tenha dificuldades para exercer historicamente.
O indivíduo é determinado pela história, mas ele é responsável pela história, porque ele é uma singularidade que filtra as determinações da história. O rigor ético de Sartre é: “Apesar de todas as determinações históricas, não há como abdicar da liberdade, pois abdicar dela é abdicar do nosso ser, de uma responsabilidade ética que consiste no reconhecimento daquilo que nós somos como ser. Dizer sim a abdicação é cometer uma traição a si próprio.
A consciência é a liberdade na raiz. Somos isso; somos liberdade. Abdicar de nossa liberdade é dupla traição: 1. Traição à finalidade do nosso projeto, nossa existência, nosso germe histórico. 2. Traição a nossa origem, isto é, aquilo que somos, a nossa consciência. Salve as cravistas, as paquitas, as violinistas, e sobretudo, as gatinhas, porque elas também são humanas demasiadas humanas, portanto, são nietzschianas e alvo joiano.

Abraços
Joeblackvan

AMBB e o paradoxo do FIM DO COMEÇO.

Por Joeblackvan (www.joevancaitano.blogspot.com)
www.myspace.com/joevancaitano
“Preocupo mais com o movimento da aranha do que com a arquitetura da teia” (GABRIEL COHN – Prof de Ciências Políticas da USP falando sobre a sociologia de Max Weber).
“O último fundamento é o abismo” (Martim Heidegger).
“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).

Uma vez me perguntaram: Joe! Porque você não freqüenta os encontros da AMBB e CBB? Eu respondi na cara de pau e com a sinceridade de sempre: “Porque eu não estou a fim” (rs). Gosto da força do acaso, daquilo que não é planejado, por isso adoro os filmes do cineasta polonês Kieslowski como TRIOLOGIA DAS CORES e O DECÁLOGO que abordam sobre os personagens que acolhem os acasos. Não gosto de ninguém enchendo o meu saco querendo me converter prá isso ou aquilo. Quando eu tiver vontade eu me associo, pois acredito na força da teia de relações (Max Weber). Respeitem o tempo de Deus e o tempo de Joe. Minha percepção é interessada e desinteressada. Sou ligado e desligado. Por força do acaso, eu almoçei com a MM Gisele Rosa (musa de pequena estatura), e durante o papeamento fofocolóide em pleno centro do Rio, ela assinalou-me que haveria um encontro da AMBB no STBSB aqui na cidade maravilhosa. Com sensualidade vocal, ela atiçou-me a vontade de ir nesse encontro de músicos brazucas-aleluias. Disse que a Stella Preta Júnia iria tocar, então eu disse: vou lá ver a negona, Mário Bob Marley e seu contrabaixo mágico e o Thiago fragoso e seus punhos que emitem a fragrância rítmica oquyriana e aproveito para rever alguns amigos e fazer novos amigos. Encontrei o Edu Lakchevitz (dr Dudu), Paulo Júnior fominha de piano, Hélio Júnior, Paraguassú, Léo Gomes, Márcia Leite, Tânia Kammer, Adimar, Nathan, Sidney Chiabai, Gláucia Brum, Andréia paulista, meu primo Felipe Mattos, Martita cubana, Macla, Marcos Vinícius, Ana Flávia (Fafá cabeçona), Maurilio regente e outros. Ganhei novos parceiros como Emirson Justino, Mére Prado patrimônio tombado de Itacibá, Urgel Rusi, Ana e Márcio do estúdio, e outros.
No primeiro e segundo dia de encontros, cheguei pegando o bonde andando, mas entrei com um saco na mão, pois Deleuze fala que fazer filosofia é passear com um saco na mão a tempo e fora de tempo e colocar dentro tudo o que me interessa. Lá estava o Pr Sidney Costa falando sobre um monte de coisas relacionados a administração, engajamento, gestão e potencialização de pessoas no ministério de artes. Ele citou uma frase que me interessou muito e ensacolei-a: “Se você utilizar o melhor de cada um de sua equipe, você terá uma equipe ótima”. Particularmente adoro Genesis 3, e a serpente dando uma “aula ministerial” de como atiçar a sensibilidade no processo de enfrentamento das ESCOLHAS, ilustrada pela árvore do bom e do ruim. Saber escolher é um desafio, principalmente quando a decisão envolve decidir entre o bom e o melhor. John Maxwell categoriza: “Existem aqueles que querem a bola, mas não podem ter ficar com ela; existem aqueles que querem a bola, mas precisam ser treinadas para não pisar na bola; e existem aqueles que querem a bola e devem estar com elas, pois desequilibram e fazem a equipe vencer”.
Depois foi a vez do Pr Paulo Davi que mencionou sobre o tal do caminho de Emaús. Lembrei-me de uma mensagem do gênio teológico Alessandro Akil falando que Jesus se encontrou com as pessoas no caminho de casa, porque é em casa que somos o que somos, sem máscaras, sem frescuras, sem lero-leros. Em casa ficamos pelados diante de Deus e dos parentes; eles sabem das nossas virtudes e deficiências, das nossas manias, das nossas feridas, das nossas intimidades. Na vida social, o nosso eu morre dizia Marcel Proust. Na vida social somos um eu/nós dizia Fernando Pessoa. Por isso, nos encontros da AMBB, CBB, CCBB, CNBB ou CBSTA TCHE, nós somos uma coisa e outra como dizia Roger Bastide, porque precisamos rezar a cartilha, precisamos saber ler signos daquele contexto específico, porque se não soubermos ler esses signos, a gente acaba pagando mico e se passando como metido, corpo estranho, bossau, intelectolóide, intruso, etc (Livro de Giles Deleuze em Proust e os Signos). O encontro sincero com Jesus se dará no retorno, no percurso, no processo, de cada ministro para a sua realidade da sua cidade, fora da comodidade carioca, fora das aparências, do conforto das SIGLAS MM, fora do MEU MANTO PROTETOR. O encontro com Deus se dá na NOSSA NUDEZ. Deus costuma ceiar com os NN, ao invés de MM. Deus nos beija no caminho de casa, na trajetória rumo a nossa nudez existencial.
Mesmo numa ceia onde se pisam em ovos devido a Espírito Santo dos signos, os micos são riscos. Acabei pagando maior mico chamando a preletora e cantora Eloísa Baldin de Capixaba, artista de Vitória, etc...tive que sair pela tangente com papos de Deus na USP, porque ele serve à um Deus paulista que se manifesta no Morumbi ao invés de Maracanã. O grande amigo pernambucano Apolônio Ataíde também me confundiu com um sujeito de Vitória. Tive que mostrar minhas mãos perfuradas-cicatrizadas de chumbos das listas de debate e dizer: Mano! Eu sou o Joe...ele não acreditou, alegando que sou diferente das fotos do Orkut. Culpa dele porque foi raspar o bigode, perdeu a identidade de si e dos outros (rs)...Apolônio sem bigode...kkk não dá. A MM Alzira também não me reconheceu, pois sem aquela cabeleira Black Power fiquei = judeu na segunda guerra mundial, sem identidade. “A identidade torna-se uma celebração móvel” advoga Stuart Hall em seu livro A IDENTIDADE NA PÓS-MODERNIDADE.
Um de meus amigos cutucou os meus ouvidos dizendo: A AMBB mudou. Por que? Questionei-o. Ele respondeu-me: Sou do tempo em que o Hiram Rollo Jr regia o coro num estilo mais relax e conservador, agora trouxeram a swingueira SINDARA ROSA munida da pressão brookliana fazendo o povo coreografar a canção AMIGO SOU DE DEUS e alguns paradoxos temáticos-sonoros como o COMEÇO DO FIM a raiz de todas as palmas, aplausos, assobios e firulas wagnerianas. Enquanto o MM Wagner Araújo e companhia sacudiam a morada dos deuses, minha memória involuntária remetia as aulas sobre Martin Heidegger e o paradoxo do ABISMO DOS FUNDAMENTOS. Na língua alemã GRUND é fundamento e ABGRUND é abismo, isto é sem fundamento. Deus prá mim é isso, mix de Grund e Abgrund. Heidegger dizia: “O último fundamento é o abismo”. Isso tem simetria com CATÁSTROFE E TRAGÉDIA GREGA que consiste em tomar consciência daquilo que desde sempre foi a verdade da origem, quanto o ultrapassamento dessa origem. Nietzsche ressalta que a origem do fundamentalismo (logos socrático) já é na sua origem o suicídio do fundamento.“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).
Com base nessa muvuca paradoxal, aposto na suposição de que a teologia dos achados e perdidos se resume na primeira frase da linda canção EU TE BUSCO TE PROCURO Ó DEUS, NO SILÊNCIO TÚ ESTÁS. O segredo da busca é que não se acha (Fausto de Fernando Pessoa). Deus é o abrigo, é o riso, mas é também o risco.
Muitas pessoas ouviram e cantaram a música paradoxana que tematiza sobre O COMEÇO DO FIM, no entanto, o texto remete-nos a idéia de ressurreição do corpo de Jesus, como também a teoria do eterno retorno nietzschiana com interpretação deleuziana que defende o eterno retorno do diferente, por isso a turma não o reconheceu pós-ressurreição. Imagino aquele defunto solitário estendido no chão da cova-caveira-cavernosa, no entanto, a morte silencia diante de um sorriso musical. Não consigo imaginar alguém morto perto do cantor Wagner Araújo, pois com o carisma que ele possui, faz qualquer múmia desrespeitar a força da gravidade, fazendo-a sempre querer cair para cima e ressuscitar. Eis o curioso caso de Wagner Araújo Buttom.
Ressuscitar talentos é a função de todo grande ministro de música, pois toda a arte é um processo de descoberta que necessita de atores de intensidade ao invés de intenção. Contemplo um gestor como um pioneiro, um explorador de ambientes, um cientista, acima de tudo, ele atua como um servo que serve em prol da materialização do processo criativo, que implica em criar arte instantaneamente. Esse desbravador ele se sedimenta em tradições, mas é novo todas as noites. Sua rotina tem a ver com ganhar a vida e correr riscos enormes; tem a ver com perder tudo e encontrar o amor; se submete a difícil missão de manter as coisas simples, e vestir-se com elegância. Enfim, ele representa todas essas contradições. Ele consegue reconciliar esses opostos da nossa vida diária.Ele lava a poeira da vida do dia-a-dia.
Esse sujeito empreendedor, deve sempre imitar Proust e dizer: “A minha vida é uma vocação; é o relato de uma aprendizagem. Uma aprendizagem que consiste em aprender a dominar técnicas desde como pescar o peixe, como também, de colocá-lo sobre a mesma. Colocar o peixe sobre a mesma é uma tarefa árdua, pois exige paciência na espera, isca correta, purificação dos pecados das escamas e demônios internos do peixe. E quando o pastor fede a chatisse? Às vezes, são os membros da comunidade que costumam feder. Desempenhar o ministério sem deixar a peteca cair implica em habilidade de saber engolir sapos também. Preparar uma liturgia saborosa implica em boa vontade, sensibilidade, experiência e bom gosto. Rubem Alves disse que o cozinheiro é o mestre dos prazeres da boca. O ministério tem como grande tese: PRODUZIR PRAZER NUMA BOA, SEM STRESS. Nem sempre é o complexo-chique-rebuscado que agrada o coração de Deus, mas Ele também ama os simples e humildes de coração. Como o pintor Cézanne que sempre voltava a sua adorada montanha ou as laranjas na mesa de sua cozinha, e isso bastava para explorar os mistérios do universo, é possível achar um número infinito de possibilidades diante da pequena palavra DEUS.

Valeu, abraços e aticem a curiosidade nas buscas pelo vôo 777.
Joeblackvan
www.joevancaitano.blogspot.com www.myspace.com/joevancaitano
joevex@hotmail.com

“A canção é o sino da memória” (Wynton Marsalis-trompetista de jazz).
“Não há como fugir de ontem porque ontem nos deformou, ou foi por nós deformado” (Beckett sobre Proust).
Dentro da palavra LOUCURA está a palavra CURA (Dr Luiz Longuini Neto).

1. Dia 12 de fevereiro de 2000 eu desembarcava na cidade maravilhosa e fui encaminhado diretamente para o Palace XIX. Não havia fechaduras na porta do meu quarto, na verdade, mal eu sabia que aquilo era pura sacanagem estratégica da administração para facilitar o acesso dos veteranos e atiçar meu tormento típico de calouro. Na primeira noite eu rodei legal nos trotes, aliás, nem meu pai, um coroa sagrado, escapou daquele massacre batismal. “Aquele que beber dessa fonte jamais terá sede”, diziam os teólogos palacianos apossados de seus “conteúdos” fedoríficos –mágicos- enlatados. Para entender tudo aquilo, somente meditando nas NARRATIVAS DO ESPÓLIO de Franz Kafka sobre A QUESTÃO DAS LEIS: “Nossas leis não são universalmente conhecidas, são segredo do pequeno grupo de nobres que nos dominam”. Fui “dormir”.

2. Enquanto “repousava”, ouvi por três vezes a voz de Samuel Beckett alertando: “A morte não pede um dia livre”. Então, naquela mesma semana, eu e meus colegas fomos acordados repentinamente por volta de 2h da madrugada, sob o pretexto da necessidade de participarmos de um culto de confraternização. Quando me aproximei do local de koynonia, o ambiente era escuro, e avistei meus colegas calouríferos apavorados, então eu ouvia uma voz que dizia: Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque vocês (meus conchavos...quais?) estão comigo. Fomos submetidos ao ritual católico-batistiniano, e vibrei com o sorriso daquela magnífica imagem da santa Nossa Senhora negra Aparecida. Fred, meu colega de quarto, torcia pelo aparecimento relâmpago do Reitor, mas a cúpula teológica dizia: sem mim (sem nós), nada podeis fazer. Disse baixinho no ouvido de Fredinho: “mano! Há um medo que nos protege, mas há um medo que nos paralisa”. Ação já, solução já! Não pensei duas vezes e beijei a preta e cantei Caetano Veloso: “Você é linda mais que demais”. Com esse ato de ousadia política, me fiz de louco para ganhar os loucos, e acabei ganhando...rs,..fiquei amigo dos caras, aliás, atualmente, boa parte desses luciferianos, são doutores, professores, ou pastores que combatem o bom combate, mas não tem pretensão de acabar a carreira nem tão cedo, pois tem poder e din din na jogada, a raiz de todos os (“males?”) (q nada, é de todas as gatas).

3. Me lembro, do dia em que voltei de férias, meio cabisbaixo porque não tinha sido aprovado na prova para graduação na UNIRIO (fevereiro de 2001), daí quando eu entro no quarto, me deparo com uma bateria monstruosa que ocupava mais de 50% do espaço. Eu, André Codeço, Diogo Rebel e Lucão ficamos perguntando: De quem é isso? O que é isso? Quem permitiu isso? Quem é esse maluco bateriano? Do nada, aparece o Daniel Batera com aquele sotaque gaúcho e aquele jeitão Alá 777 tatuado no braço, com pinta de mais que perfeito, com trejeitos de deus branco. Já fomos aterrorizando o cara, alertando que se ele quisesse dormir no nosso quarto, ele teria que beijar a tal da Santa Preta, mas ele reagiu furiosamente e disse: “Jamais farei isso, pois não trairei o meu Deus”...(kkkk)...Dani batera, reagiu de cabeça erguida contra força do sistema CAP GOSPEL, no entanto, por ser desertor, pagou o preço firminiano durante os quatro anos que morou como príncipe. Não se vendeu, mas também não se formou.

4. Deserto num palace? Deserto nos remete ao habitat de serpentes, cobras, etc, animais perigosos, no entanto, só eu sei as esquinas por que passei, só eu sei o que fizemos para capturar o animal pecaminoso fora do Jardim do Éden. É fácil domesticá-lo quando ele está dentro do quadrado, mas difícil é pastoreiá-lo quando ele foge do aprisco. Hauley Valim (grande pensador), tinha trejeitos de teólogo Hippie, além disso, tinha costumes esdrúxulos, pois insistia em criar uma cobra coral dentro de uma caixa em pleno seu aposento. Mas um dia, ela resolveu fugir, daí foi um samba do crioulo. Houve toque de recolher, mas ninguém obedeceu à voz de Deus, e saíram em busca da serpente, mas eu resolvi potencializar o meu tempo, e fui para a praia da Barra para apreciar as Evas. Por volta de 17h, a cobrinha foi realmente capturada. Ela estava na parte superior da porta da escada. O zelador alegou que ela estava recolhida e disse a ele: ”Estava nu e tive medo” e ainda cantou Vanessa da Mata: “Não me deixe só, eu tenho medo do escuro, (...) dos fantasmas da minha voz”.

5. Loucura mesmo foi o que fez meu brother e ministro de música Lucão (o ninja afetivo) que praticava a unção da bigamia off enquanto cursava música sacra. No período de aulas, ele namorava a filha do tio Amú, mas nas horas vagas (período de férias) ele namorava a mulher da cidade dele. Como diz o Reverendo Longuini: o amor vence todo o segredo (...), então, o dia do tira-teima se concretizou no recital de formatura dele. A mulher daqui preparou tudo no que se refere à produção e divulgação, e a mulher de lá apenas orou e veio prestigiar. Na hora dos agradecimentos, o pai dele tomou a palavra, encheu a bola do filho e pediu que a ilustre namorada dele ficasse de pé, entretanto, as duas se levantaram (rs). Houve um silêncio unânime na capela do STBSB ficando evidente a surpresa na face dos convidados como também o ciúme escancarado no rosto das duas musas, e o recital acabou ali mesmo, porque faltou luz (os deuses se revoltaram? Só faltou o véu se rasgar). Proust estava certíssimo ao defender a tese que por detrás do amor está o ciúme. Amamos para ter ciúmes é a grande tese proustiana.

6. O amor vence todo o medo diz a Bíblia, mas o álcool costuma liberar todos os segredos também, mesmo correndo esse risco, alguns de meus parceiros viviam movidos pelo cinismo e BUXIXO. Esses adoravam tomar uma birita antes de subir nas plataformas catequéticas. Um desses após ficar porre, pediu para o companheiro de quarto dá uma cavalgada (rs). Disciplinaram o cara em nome de Deus só porque o álcool denunciou que ele era VIADO PASSIVO RADICAL (atitudes de terceiro mundo). Coitado! deu azar, porque se fosse na época do culto da gravata nos anos 90, ele ia poder saborear vários tipos de sorvete sem condenação pois os caras adoravam o deus Sartre que defendia que todos estão condenados à liberdade.

7. Pensar embriaguez via discursos é falar de pastor Herodes, pois ele foi uma figura importante para a difusão da unção trapaçadora, pois ele aceitava a tese de que a mentira é um mal necessário. Um dia interrompeu a aula para pedir grana aos colegas, tendo em vista que corria o risco de perder a matrícula devido a dívidas de mensalidades anteriores. Enfim, a turma gentilmente arrecadou uma oferta de solidariedade e entregou-o, no entanto, ele riu sarcasticamente e passou duas semanas degustando e experimentando os prazeres dos mestres do kamasutra da boca na churrascaria ESTRELA DO SUL regado a vinho e uísque importados. O CADS tinha essa fama de carnalidade dionisíaca, pois ao invés de pedir a cabeça de João Batista, preferia as moedas discentes-messiânicas, ao dizerem: “DÊ A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR E A deus O QUE É DE deus”.

8. Malucos existem, mas é cômico quando um sujeito é normal, no entanto, aparenta ser esquizofrênico. Frederico Macedo tinha esse perfil de flautista-psicopata. Devido a sua aparência estranha, grande criatividade e poder retórico, ele atormentou o confessional Pr Ailton Rocha sob o suposto desejo de assassinar-me durante o ano de 2000. Era época de GQ, e as simulações de ameaças e sintomas se intensificaram, ao ponto do Ailton ligar para farmácia altas horas da noite solicitando Gardenal para um seminarista mentalmente despirocado. Recebi vários alertas como: Joe! Retire todas as facas, garfos, e outros objetos perigosos do seu quarto, pois, sua velha assinalou que irá te matar (rs). No dia combinado, lá estava eu todo encharcado de tinta vermelha e Catchup por todo o corpo e com a cabeça por debaixo da cama. Quando o Ailton retornou da Farmácia, eu comecei a me estribuchar e titubear estendido no chão, e minha velha Fred capeta, apareceu com uma faca “encatchupiada” perante o confessional: Ele agarrou fortemente o “assassino” e gritava: Edwin! Edwin! Edwin! O Fred matou o Joe...rs...daí a galera palaciana chegou junto sorrindo e dizendo: É apenas uma brincadeira, relaxa e goza amado, mas ele estava suado e com o coração saindo pela boca. Esse episódio macabro-teatral me lembrou do filme mudo AS MÃOS DE ORLAC, de 1924, do cineasta alemão Robert Wiene, que conta a história de um pianista virtuoso que sofre um acidente de trem e tem suas mãos decepadas. Em um procedimento experimental, lhe são implantadas as mãos de um assassino que acabara de ser executado. Quando descobre a quem pertenciam suas novas mãos, Orlac acredita que agora também tem predisposição para matar.

9. A boca fala do que o coração está cheio diz a Santa Palavra de Deus. Por isso, Samuel de Pádua ao desembarcar pela primeira vez no terminal rodoviário do carioca, verbalizou com extrema sinceridade: Tô no Rio de Janeiro!!! Hehe...”nenhum dinheiro do mundo paga esse momento histórico-sagrado”. O taxista ouviu esse mico e foi logo convidando o futuro ateuzinho para que entrasse no carro e sinalizasse o destino. Sam disse: Sou do interior de Minas ..mineiro uai...quero ir para o seminário X, endereço Y, e vou estudar teologia. O taxista disse: Você serve a um Deus que é dono da prata e do ouro, por isso, fique tranqüilo que iremos chegar em paz ao seu destino. O taxista malandramente, fez um “pequeno” tour pela cidade, fazendo o Sam ficar enfeitiçado com as belezas naturais. Enquanto o Sam vibrava com as bandeiras de seu time favorito em volta do Maracanã, o taxista aplicava a bandeira II, bandeira III-IV em plena manhã de sol. Ao chegar em frente ao Palace XIX, o taxímetro registrava R$ 151,90 pela corrida maravilhosa, no entanto, o filho de Deus chiou. Mas o taxista com magistral sabedoria trouxe a AQUELA memória mineira: “Estou aqui no Rio e não tem dinheiro no mundo que pague essa aventura”. Sam pagou, mas ralou depois (rs).

10. Quem experimenta uma perda inesperada, tem que suar a camisa para recuperar aquilo que foi tomado, além de ter que suportar muita dor de cabeça. Não adianta apenas cantar: “Restitui! eu quero de volta o que meu, sara-me, põe teu azeite no buraco arrombado”. É preciso agir, e se preciso acionar o desconfiômetro. Era inicio de Julho de 2007, época dos JOGOS PAN AMERICANOS aqui no Rio, e o Palace XIX estava quase deserto, com exceção de alguns moradores que ficaram por N motivos. Minha carteira foi roubada, com R$ 250,00 e alguns documentos. Não tinha pistas, mas mexi os pauzinhos, corri atrás via câmera escondida, detetives internos, sondagem via moradores e descobri que o sujeito suspeito já havia roubado outros moradores, além de ter ficado na cadeia por cinco anos em Sampa devido acusação de estupro. Ele era um jovem talentoso na música, e tinha projetos teológicos-pastorais, no entanto, pelas pistas, tudo indicava que era um dependente de drogas que estava passando por crises de abstinência. Pressionei e torturei verbalmente esse colega objetivando a confissão que só ocorreu após ele ter descoberto que eu havia mapeado toda a vida dele e que ele poderia virar mulherzinha na cadeia carioca. Tive que mentir na delegacia inventando outra história no BO para salvar a vida daquele colega embora o delegado insistisse que eu deveria botar ele no paredão, entretanto, pedi ao pastor dele e a família que o enviasse para uma clínica de recuperação de drogados no interior de São Paulo. Foi muito emocionante jantar com ele no supermercado EXTRA mesmo sabendo que ele havia me furtado para comprar drogas segundo ele admitiu. Eu estava nu perante ele e ele perante mim, pois rolou uma sinceridade e o desejo de recuperação. Naquela mesma semana eu fazia um curso intensivo de alemão no Instituto Goethe-Rio, e uma das tarefas em classe foi verbalizar o que ocorreu no dia anterior, então eu falei que havia jantado com o ladrão que me roubou...ninguém entendeu nada...falei: imagine Hitler beijando um Judeu em plena segunda Guerra Mundial... Jesus fez isso papeando com a mulher samaritana. Este caso ficou em off no campus para preservar o sujeito, mas pelas informações que obtive, esse colega casou-se e está caminhando de cabeça erguida vencendo a cada dia.

11. Vencer e vencer, era o lema de Pr Saulo (saulinho), grande neguinho sem beija- flor, mas cheio de humor, que veio para vencer em terras do sambianas. Ele dizia: Joe, hoje tô na merda nesse inicio de carreira, mas eu tenho talento, e vou dar a volta por cima. Saulinho era o retrato da grandeza de ser pequeno. Ralou muito via inclusive nos projetos afetivos. Depois de muitos foras e nãos, por força do acaso e perseverança, ele se deparou com uma missionária paraguaia e casou-se lá e aqui. Saulinho representa a glória de ser perseverante, além disso, ele é um personagem kieslowskiano, pois sabe acolher os acasos. E os casos de amor que o Kenner Terra tinha pelas manhãs com a língua grega e sua concubina exegese do NT? Kenner, (em breve doutorando na UMESP) ralou com disciplina lendo tijolos diariamente na biblioteca, mas sempre tinha tempo para pecar nas peladas do PECADÃO, pois ele sabia que todas as tardes, Deus vinha conversar com ele em pleno movimento de corpos e bolas. Quem se recusa a ouvir a voz de Deus acaba dando com a cara na trave como ocorreu com Eduardo Trave, no entanto, ele já está de bem com Deus, pois Deus é amor, às vezes é uma jumenta, mas também se manifesta nas traves da vida.

12. Quem se recusa a rezar a cartilha no arraial do povo de Deus, acaba pagando mico e se deparando conseqüências (às vezes). Foi assim que ocorreu com a dupla de velhas Samuel e Jordilei que cursavam o segundo ano do curso de teologia. Samuel era seminarista estagiário e atuava como professor na EBD, entretanto, ele cismou de dizer às ovelhas que o mar vermelho não se abriu, mas que era um mito, pois era um mar de juncos (rsssss). Daí um diácono foi até o pastor da igreja e perguntou: Pr! O Mar vermelho abriu ou não? O Pr malandramente disse: claro que sim meu caro irmão. Por que? Por que o seminarista Samuel disse que não abriu coisa nenhuma. Me parece, que o Sam se indignou com toda a fachada catéquica e foi limado por desvio de doutrina, no entanto, seu conchavo Jordilei seguiu firme dizendo que se a igreja continuasse pagando o carnê dele mensal ele pregaria que o mar vermelho se abriu com dinossauros, tubarão, marcinha pandeirão e muito mais.

13. A figura de Jordilei é importante, pois precisamos saber ler signos como dizia o Deleuze, pois quem não sabe ler signos, corre o enorme risco de se “ferrar legal”, no entanto, a figura do Samuel também é hiper importante, pois ele nos remete ao ousado Tomé que duvidou da ressurreição de Jesus. Em todo local haverá pessoas que vão dizer aleluia amém e irão se conformar, porém, haverá o risco de surgir um espírito de porco e questionar tudo. Quem se conforma, não vive pela fé porque está protegido pelas cercas do quadrado, mas quem se propõe a questionar, vive de fé mesmo, pois ela tende a pular a cerca e transitar fora do quadrado, da comodidade, porque o pensamento não tem fronteiras, e aspiram abrir um buraco nas palavras. Jimmy Sudário e Osvaldo Ribeiro são exemplos de focinhos que fuçam, fuçam e fuçam...quebram o coco mas não arrebentam a sapucaia.

14. Quando ouço sobre cocos, açaí e sapucaia, minha memória involuntária remete as regiões em que habitei durante a minha infância: Pará, Amazonas, pertinho do Acre. Falar de teologia tupi-açaí e tucupi-guarani é falar dos pastores Romario Ney e sua performance alá Caio Fabiniana e Agnaldo (Pr Curumim) e sua simpatia mixada com raça tucumânica. No encontro com sua noiva Júlia houve esperança, mas na cantada Messenger-juliniana de Justi, nasceu o inimigo da lambança. Faltou ao teólogo Justi o instinto Don juânico que o pastor bombeiro tinha. Ilustre mesmo é o Eliéziu e seu curioso caso com a teologia joanina. Nos momentos de reflexão na serralheria ele costuma reverenciar contemplação ética de Wittgenstein dirigida à possibilidade de ocorrência de alguma coisa. Daí ele pergunta: Para onde fugirei do teu Espírito? Se eu estou na comunidade dos discípulos amados, tu estás; se eu estou no Encantado, tu estás (hehe...rs). O problema é que Pneuma no grego é uma palavra feminina. Isso é um caso sério ao som de um bolero.

15. Caso sério ao som de dois fagotes excepcionais diz respeito aos Pastores Elias maluco e Tavares sargento porque eles eram temidos por seus colegas por possuírem uma perna a mais. Os deuses no ato da engenharia muscular concederam-os, o privilégio de poderem caminhar sobre as gatas, provocando dores, temores e tremores perante aqueles (a) que se arriscam de aproximá-los de forma inadequada sem a couraça da justiça inimiga. Por elas, só resta-nos pensar na compaixão. Só cabeções aptos para a liturgia da fecundação.

16. Caso sério mesmo é você querer afetivizar com vocacionadas que não entendem nada de sacrifício de louvor. Diz o texto bíblico que Deus curte oferta com aroma suave e agradável. Mas quando (a) espiritual tem chavasca de bacalhau? Você pode orar até 30 vezes que não resolve, porque o cheiro diabólico bacalhônico fica arquivado até no sub-inconsciente, daí o ousado-azarado-vocacionado corre o risco de brochar diante do Auschwitz Batista, chamado carinhosamente de CONCÍLIO EXAMINATÓRIO. Tem coisas que nem Freud explica, talvez a paixão explique.

17. Pior do que concílios são os “aconselhamentos proibidos”, pois se o sacerdote não dominar a malandragem, ele corre o risco de revelar e entregar o colega ou amigo, trazendo prejuízos incalculáveis, restando ao prejudicado recitar a frase de Karl Marx: “Sofro igual Jó, apesar de não ser tão temente a Deus”. Depois que o vulcão entra em erupção, as luzes se revoltam, e daí não adianta rezar, orar, nem tampouco lambrear no monte, pois até o monte fica MONTENEGRO.

18. Negro mesmo era a figura do arcanjo Bissiati que misturava uma carapuça de batista com doutrina gótica. Ele era uma coisa e outra, mistura de ternura e loucura, de amigo e perigo, mas era um sujeito com um coração grande, pueril, que misturava bondade e simplicidade capaz de alcançar o coração de Deus com sua pitada de confusa e difusa diversão. Dentro da palavra LOUCURA está a palavra CURA, por isso, Freud dizia que o amor está perto da loucura. O amor vence todo o degredo (o exílio). Os loucos são os caras mais livres.

19. Divertido mesmo foi na cerimônia de formatura de 2003 na PIB do Rio, quando o dirigente solicitou, que todos os professores da academia sagrada ficassem em pé, daí o meu jovem amigo Mário Zazv, que na época era professor também, erigiu seu corpo, no entanto, um dos medalhões da convenção solicitou-o que voltasse a ficar sentado, pois somente os professores deveriam ficar de pé. Queria que ele ficasse de mão porque usava trajes brancos, cabelos rastafári e chinelos afros amacumbados. Esses não curtem (temem) preto velho, quem dirá preto novo.

20. Monte negro foi aonde subi várias vezes, mas foi difícil falar com Deus. Às vezes tive que lamber o chão para comer cú de burro (=miojo sendo cozido com salsicha navegando solitariamente sobre as larvas da fé). Tive que engolir sapo e ouvir alguns pastores dizerem: Joe! Escolhe: ou igreja ou teus estudos sabendo que o curso de música numa universidade federal funciona em tempo integral...ouvia: ”vc tem que virar escravinho de Deus enchendo o saco de Deus a semana toda -ministério full time” (rs..em plena era da internet)...É PRECISO SEPARAR O JOIO DO TRIGO E O JOE DOS LIVROS, eles queriam. E eu olhava para o céu e dizia: Deus! não posso ser burro, vou chutar o balde, mas vai comigo nietzschianamente e assim eu fiz. É fácil alguém que tem uma família estabilizada financeiramente, chutar o balde quando está sobre pressão; difícil mesmo é o cara abrir mão de ministério de cabeça erguida sabendo que a família não pode lhe ajudar com nada (só com orações). É preciso ter raça para dizer: missão cumprida e bola prá frente e ainda ter fôlego para cantar Renascer Praiser: Dependo de Ti, mesmo que os que me amam, não consigam me ajudar, eu dependo, dependo de ti. Se liga! Viver na dependência de Deus é viver fora do quadrado porque o vento de Deus ou é aleatoriedade ou é circular, mas é sempre condição de possibilidades. Nessas horas o anjo do Senhor acampa-se ao redor daqueles que são porras-louca e joga junto sem deixar a peteca cair. Quem joga com Longuini, tem tudo para jogar com Mancini ou com Maldini.

21. Quem joga em condições adversas sabe dançar na beira do abismo (Nietzsche); sabe rir com a faca no coração (Denise Fraga falando sobre Brecht). Quem morou no Palace XIX sabe que o cômico e o dramático se confundem; sabem que Deus e o Diabo andam de mãos dadas, por isso, é preciso saudá-los, pois o mundo dá voltas. Não adianta fugir, nem mentir, aqui dentro e sempre, pois há taaaaaaaaaaanta vida lá fora, tanto para aquele que quer construir, como também para aquele que quer roubar, zoar e destruir, porque afinal, no caminho Emaús, muitos serão lesados, mas alguns veículos serão escolhidos, cogita o ministro dos transportes Gilberto Gito. Quem viveu na morada dos deuses (Palace ou Pavilhão XIX?) experimentou a jornada da alma, por isso tem a estranha mania de ter fé na vida. Tivemos o imenso privilégio de ouvir e cantar juntos: Nada a pedir, só agradecer de Edwin Ferraz. “A canção é o sino da memória”.

Alô galera do XIX! akele abraço; alô torcida do XVIII! Akele abraço; XXIII e XXX akele abraço tb.
Joeblackvan O Ancestral – ferveiro de 2000 a julho de 2009 (saudades...mas,em tudo daí graças rumo ao doutorado)
www.joevancaitano.blogspot.com
www.myspace.com/joevancaitano


 

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