Jesus no estrebológico (mix de estrebaria com zoológico)

Jesus no estrebológico (mix de estrebaria com zoológico)
Por Joevan Caitano (Joeblack)

Imagino José e Maria caminhando debaixo de forte temporal, por volta de meia noite indo, em direção a uma pequena cidade chamada Belém. No meio do caminho, Maria sentiu dores e falou: Oh meu amorzinho! zezinho! Ta doendo muito, acho que o bebê vai nascer hoje e dessa noite não escapa. José falou: Segura a onda um pouco porque já estamos chegando na cidade. José e Maria eram pobres, não tinham seguro saúde, nem seguro moradia, eram igual muitos brasileiros.
Quando chegaram na cidade, ele bateu na porta de uma casa e saiu um sujeito carrancudo e cheio de marra falando: Que foi? O que você quer? Quem é você? De onde você veio? Porque vem me encher o saco essa hora? José responde mansamente: Estou à procura de um lugar pra minha esposa descansar e quem sabe dar a luz a um bebê. Pode ser um quartinho, um cantinho sem violão mesmo, porque que o que vale é este amor, esta paixão que eu sinto por Maria. Mas se tiver um violão, melhor ainda, eu também toco. Mas aquele dono da casa, falou furiosamente: você é muito folgado hein! Mal educado, pertuba-nos fora de hora, sai daqui sai de perto de mim. Aquele sujeito insensível ainda xingou um montão de palavrões, e José e Maria tiveram que engolir sapo. Mas José agradeceu educadamente a atenção e disse que iria tentar um plano B, plano C, D, E, F até plano Z se fosse possível. Ambos cantaram: SE UMA PORTA SE FECHA AQUI, OUTRAS PORTAS SE ABREM ALI, EU PRECISO APRENDER MAIS DE DEUS, PORQUE ELE É QUEM CUIDA DE MIM, DEUS CUIDA DE MIM.
José tentou, tentou, e nada. Lá pelas quatro manhã, quando, já tinha praticamente, esgotado todas as possibilidades, ele avistou um gari e perguntou: campeão! Você poderia nos indicar um local baratinho pra gente pernoitar? O gari respondeu: Cara! Ta difícil um lugar, difícil um lugar pra vocês ficarem. Essa época é complicada, véspera de Reveillon, muitos turistas, sabe como é que é né, quem tem jabá tem vez, quem não tem, tem que torcer pela sorte. O que eu posso fazer é indicar uma estrebaria, só que lá, parece um zoológico porque lá tem leão,onça, sucuri, pitbull, leopardo, gato, galinha,ovelha, bode, besouro, morcego, passarinho, vaca, cachorro, boi búfalo e fede pra caramba. Sei lá campeão, tu que sabe, se quiser ir eu não me responsabilizo pela aventura no ESTREBOLÓGICO. Mas José e Maria sabiam que a vida é um risco e que quem não se arrisca não vence. Ambos fizeram um vocalise esperto e cantaram: EU VOU SEGUIR COM FÉ, COM MEU DEUS EU VOU PRO ESTREBOLÓGICO SINISTRO DE DEUS, EU SEI PRÁ ONDE VOU, COM ESTRATÉGIA VOU, NA “ESTREBARIA” SOU FILHO DE DEUS (pan, pan, pan, pan, pan...).
Quando chegaram na portaria do estrebológico, não tinha vigia e deram de cara com uma família de leões. Maria disse tremendo de medo: amor, isso vai dar rolo pra gente, se liga! Mas José cara de pau, foi entrando de mansinho e cantando: GOSTEI MUITO DE TE VER LEÃOZINHO..cheguei! O filhotinho se amarrou, mas o Leão pai ficou furioso e quis partir pra cima de José, mas zezinho que lutava vale tudo, estufou o peito e disse: SAI DAQUI SAI DE PERTO DE MIM. O leãozão baixou a bola e vazou. José domesticou todos os animais ferozes e preparou o ambiente pra começar a efetuar aquele parto arriscado.
José conduzia o parto com amabilidade, em meio às adversidades. Quando o bebê botou a cabecinha pra fora, José puxava e cantava: UM MENINO NASCEU É JESUS, UM MENINO NASCEU É JESUS. Apesar de aquele ambiente estar rodeado de fezes, fungos, bactérias e outros capetinhas invisíveis, a fragrância daquele canto paterno-materno perfumava aquele ambiente e protegia o bebê das infecções, das micoses e das viroses.
José e Maria eram um casal, hiper-otimista, pois acreditaram que aquele menino sobreviveria em meio aos perigos estrebológicos e seria alguém famoso durante vida. Diz a história bíblica que aquele menino cresceu em sabedoria, em graça, em inteligência, em conhecimento, em amabilidade, em afetividade, em simplicidade. Quando ele falava as pessoas aflitas e desacreditadas diante da vida, ele encorajava-as dizendo: não temas! Ergue a cabeça! Dê a volta por cima! Recomece! É preciso saber viver. Não temas, porque eu venci o mundo; eu venci as bactérias, as viroses, as micoses, as infecções, os fungos, os animais ferozes, os capetinhas invisíveis, eu venci os perigos estrebológicos; eu venci a morte. Eu vim pra que tenham vida, e vida em abundância. Eu vim trazer seguro saúde pra todo mundo; eu vim trazer seguro moradia pra todos, porque na casa de meu pai (Deus), há muitas moradas e eu vou construir mais lugares. Vou assinar os papéis para liberar pra geral. E as pessoas perguntavam: Jesus! O que fazer para ganharmos o seguro saúde e o seguro moradia? Jesus respondia: é simples, vinde à mim!

Natal samba bell x Natal rock in noel: o tira teima messiânico.

Natal samba bell x Natal rock in noel: o tira teima messiânico.

E

Beijos de Deus nos lábios do mundo.

Um mistura de sensualidade temática, mobilidade sambiânica e “agressividade rockiana”.

Dia 21/12 de 2008 (domingo as 19h).
Local: IGREJA PRESBITERIANA DE VILA ISABEL
Rua Justiniano da Rocha, 351 (pertinho do corpo de bombeiros) –Vila Isabel.

Com grupo vocal + banda.

Eis a GIG:
Teclado: Dudu UFRJAZZ (Eduardo Henrique)
Baixo: Alexandre Berreldi
Bateria: Daniel batera
Guitarra: Lincoln Lyra (banda café pingado)
Sax e flauta: Marco Túlio (UFRJAZZ)
Trompete: Ari Matea

Participação das cantoras:
Cláudia Luz, Bila Canto (Fabíola Carvalho) e Andressa Inácio.

Produção do show:
Joeblack, Ed negão e Longuini alemão.


Próximos concertos em 2009
Abril (Ressurreisamba: o batuque pascoalino)
Maio: (Mulher nota jazz. Com Cláudia Luz, Bila canto, Oquyra e Reginando)..produção: Joeblack, Stella Júnia e Mário Zazv.
Outubro: (Jazz nietzschiano: a tragédia sonora)
Dezembro: (Natal cama cena: a divinização do prazer natalino)

Tornar-se cão não é fazer au! au!
Uma visão deleuziana da arte/literatura

Deleuze procura na teoria da linguagem criar uma linguagem literária singular. Escrever para ele é pensar as originalidades criando sensações. Perceptos e afectos são importantes para Deleuze, pois se caracterizam pela consistência, durabilidade e eternidade. Literatura é captura de forças, de intensidade.
Deleuze prioriza o de fora porque o de fora está vinculado à problemática do devir. Devir é sinônimo de língua de fuga, de desrritorialização. Devir não é imitar, não é reproduzir, não é se identificar, não é buscar semelhanças. Devir não diz respeito à forma, não consiste em adquirir a forma dessa coisa. Deleuze é um pensador da força, da força que é mais fundamental do que a forma. Em Bacon, há uma deformação das formas para gerar forças. Bacon pinta forças (tese de Deleuze sobre a pintura de Bacon).
O devir é real, não é metafórico, não é um sonho. Devir é se tornar realmente alguma coisa, não no sentido da forma, do processo terminado. O que é real é o próprio devir. Nos escritos de Kafka há a presença do devir animal. Em METAMORFOSE os personagens de Kafka possuem essa característica devirniana. O devir é animal sem que haja um termo que o animal teria se tornado.
Deleuze faz distinção entre o molar e o molecular. O animal em sua forma está atrelado à dimensão molar. A forma é molar, mas a intensidade da força é molecular. Tornar-se no processo do devir é relacionar elementos heterogêneos. Em Deleuze valoriza a importância da desrritorialização conjugada. A frase tornar-se cão não é fazer au au nos diz muita coisa, pois para ser um cão é preciso intensidade caninas.
A vida é um processo em demolição. Para captar essa essência de demolição existencial eu recomendo a leitura, visualização e apreciação do livro e filme A SOMBRA DE UM VULCÃO. A peça PENTESILÉIA do alemão Kleist também é muito boa. Tudo isso nos remete à idéia de trágico. É importante lembrarmos que, o trágico é tornar-se dionisíaco sem ser aniquilado por ele. O dionisíaco é brutal. O trágico é a síntese entre o dionisíaco e o apolíneo.
Deleuze quer criticar a idéia de modelo que serve como modelo de identificação. Ele fala do devir minoritário e o homem está no âmbito da entidade molar. Devir é se desrritorializar em relação ao homem. O que é ser maioria qualitativa hoje? Maioria implica em uma constante, como sendo um modelo, uma medida. É ser homem e não mulher. Fazer o homem como mestre e pensador da natureza (visão cartesiana do homem). “Minha filosofia diz respeito ao homem” (Kant). Kant desloca do ponto de vista de Deus para o homem. Maioria qualitativa e padrão critério estão associados aos seguintes aspectos: homem branco, ocidental, masculino e não feminino, adulto, racional, heterossexual.
Deleuze é contra a idéia de semelhança, de identidade. Ele é um filósofo da diferença por isso, ele assinala que escrever é tornar-se diferente do que é. Escrever é um processo de minoração. Precisamos de uma língua menor para destituir esses poderes, potências modelares. Deleuze é um filósofo do impessoal, do indefinido e para ele, os conceitos servem para pensar a singularidade. Maior e menor são dois usos, tratamentos, funções da língua. Uma vai em busca de STANDARTS, e a outra, vai em busca de a-gramatical, de a-sintaxe.
A maneira como você trabalha, isto é, o processo, faz a língua se tornar maior ou menor. Kafka faz o alemão escapar do sistema dominante, colocando a língua em estado de variação contínua. Ele desequilibra a língua. A problemática do devir minoritário se articula com a saúde e a doença. Se um artista é grande demais, ele é mais médico do que doente. Deleuze se apropria de Nietzsche “o filósofo é o médico da sociedade” para falar sobre isso. Pensar é pensar para a vida. Ele parte do diagnóstico nietzschiano de que a vida está doente. Por isso, Deleuze defende que o literato é alguém que explicita, diagnostica os sintomas do homem doente. O literato é um clínico da civilização. Se a vida está doente, então vamos criar novas formas, potencialidades de vida.
O que está fora da linguagem? É a vida. A vida é a condição para se pensar a vida literariamente. Deleuze diz que a loucura é uma prisão. Deleuze se apropria de Foucault e poetiza ao dizer que enlouquecer a linguagem é atravessar como um vencedor as fronteiras da desrazão.
O bom artista/literato dá boa interpretação aos sentidos e valoriza as potências. Kafka faz um diagnóstico de todas as potências. O artista/literato é aquele que enxerga além, que visualiza a força da vidência. O vidente é aquele que tem uma visão além do empírico. Para a arte, a visão é uma forma de pensar. A intensidade é captura de forças através de sensações.
Deleuze fala sobre a questão do devir revolucionário. Para ele, encontrar uma saída é devir. O artista tem essa função, de encontrar uma fuga em meio às grades da modelo, da semelhança, do “normal”, do “trivial”. O artista é aquele que ouviu algo grande demais, forte demais, algo intolerável demais. A criação artística é tornar visível o invisível; é tornar audível o inaudível; é saber escutar forças com Kafka; é pensar o inpensável.


 

Copyright 2007 | Blogger Templates por GeckoandFly modified and converted to Blogger Beta by André Monteiro.
No part of the content or the blog may be reproduced without prior written permission.