Deleuze: filosofia e literatura (introdução)

No cinema, Deleuze trabalha o pensamento tratando os cineastas como pensadores.
Deleuze trabalha com a teoria da linguagem literária. Ele privilegia uma literatura menor – articula-se como sendo uma crítica da sintaxe normativa (estabelecida). Deleuze chamará de linguagem a-sintática ou a-gramatical.
Kleist – pentesiléia.
Melville.
A intensidade da linguagem não é posição de Deleuze. A linguagem não teria relação externa.
O grande literato constrói uma linguagem fora da linguagem padrão com o objetivo de ver ou ouvir algo. O literato como médico
O invariante do pensamento deleuziano: qual o interesse? O que serve para o pensamento de Deleuze?
Deleuze fala da imagem do pensamento que remete a teoria das faculdades em Kant.
Filosofia, ciência e arte são modos de pensar. Investiga-se através deles os modos de pensar, a relação genética e ontológica do pensamento. Deleuze estabelece encontros ou conexões. Deleuze não considera que a filosofia deva fundar a domínios.
Deleuze se serve da arte, da ciência e da própria filosofia para pensar o que é o pensamento. Este é o principal motivo do porque deve-se considerar os livros sobre o cinema como livros de filosofia. A filosofia de Deleuze não é mais reflexão sobre domínios extrínsecos da filosofia.
Porque a filosofia de Deleuze não é uma reflexão? A filosofia trabalha como metalinguagem (reflexão sobre um discurso). Para Deleuze a filosofia é criação. Os filósofos são instrumentos de pensamento.
Deleuze se insurge contra a filosofia analítica de que a filosofia teria com objetivo formular critérios de legitimidade; critérios de justificativa dos outros discursos e saberes.
A disputa moderna que se inicia com Kant (hipótese de Roberto Machado), embora se determine que a modernidade, tem origem em Descartes. Roberto Machado faz uma distinção de épocas apoiado em Foucault: Antiguidade, medieval, classicismo (Descartes) e modernidade (Kant).
Ver o texto da Marilena Chauí sobre a modernidade. Com Kant nasce a noção de que a filosofia é um meta-discurso, reflexivo e transcendental.
A física determina a natureza. Para Kant não cabe ao filósofo pensar a natureza, mas a ciência da natureza (física) e outros saberes.
Privilégio da filosofia na estruturação de seus princípios de funcionamento legitimado criar pretensões. A validade da ciência é empírica.
Deleuze identifica ciência, arte e filosofia como estando no mesmo plano, no entanto, há uma diferença. Distinção de forma de filosofia de pensamentos.
A ciência cria funções.
A arte cria sensações ou agregados sensíveis (perceptos e afetos / percepções e afecções).
A filosofia cria conceitos.
Em perceptos há uma tentativa de Deleuze de não entrar na fenomenologia (questão da percepção)
Devir é diferente de identidade. Devir é linha de fuga, desterritorialização, processo de diferenciação.
Conceitos são singulares. Os conceitos criados pela filosofia são singulares. Em Kant os conceitos são universais.
Singularidade é diferente de individualidade. A singularidade diz respeito ao atual e a individualidade ao virtual.
Esta distinção entre atual e virtual (ontologia da singularidade e individualidade), é uma diferença bergsoniana.
Mesmo aqueles filósofos que criaram conceitos de características universais, criaram conceitos singulares. Há uma problemática profunda aqui: em Kant um conceito possui caráter universal e ontológico porque está fundado sobre uma estrutura lógica. É necessário saber sobre qual estrutura está fundado a diferença de conceitos ou a natureza do conceito em Deleuze.

A interpretação deleuzina de Kant (parte II)

A interpretação deleuziana de Kant (parte II)
aulas do seminário de filosofia contemporânea no IFCS-UFRJ 2008 com o professor Roberto Machado.


Deleuze faz da leitura da arte uma leitura filosófica. O que é pensar diferencialmente? (Proust e os signos).
Deleuze estabelece a valorização do pensamento de Kant. Aborda os paradoxos do espaço e do tempo.
Fala do eu empírico e o eu transcendental. O eu jamais se conhece como ele é, mas como ele aparece no espaço do tempo. Produz a esquizofrenia do pensamento.
Deleuze enaltece Kant por ele ter criado a diferença transcendental (sensibilidade e entendimento).
A filosofia de Kant está marcada por grandes desacordos.
No livro DIFERENÇA E REPETIÇÃO Deleuze fala sobre o empirismo transcendental.
O senso comum funciona como filtro comum entre as três faculdades. Segundo Deleuze, o senso comum é o resultado do acordo entre as faculdades. A priori significa independente das experiências, isto é, conhecimento que não parta da experiência. A priori é universal e necessária.
Kant fala da boa natureza das faculdades, natureza sadia, natureza boa. Assistir o filme ZERO DE COMPORTAMENTO de Jean Vigaut.
Desregramento do sentido é o desregramento das faculdades.
O poeta tem que ser um vidente.
Deleuze vai opor harmonia das faculdades como desregramento.
Em cada crítica, essa relação harmoniosa entre as faculdades serão definidas diferenciadas.
Segundo Heidegger, em Kant a imaginação é a principal das faculdades.
A razão, imaginação, entendimento colaboram no conhecimento e formam um senso comum lógico.
A moral é prática. Para o modelo prático é a razão que legisla sobre o senso comum moral.
O livre acordo é o acordo onde nenhuma das faculdades legisla sobre a outra.
O entendimento legisla sobre as categorias.
Kant tem relação imediata através da sensibilidade. Para Kant, Deus não se apresenta à sensibilidade.
Toda intuição é sensível. Você pode pensar qualquer coisa, mas você não pode conhecer qualquer coisa.
A imaginação serve de ponte entre o imediato e o mediato (co-adapta segundo Deleuze).
Sensibilidade e entendimento, intuição e conhecimento são heterogêneos.
A intuição para Kant é, espaço e tempo que são subjetivos para ele.
O esquema é aquilo que torna possível a correlação.
Kant é o filósofo da condição de possibilidade. Ele distinguiu o transcendente de transcendental. O transcendente diz respeito a Deus (instância transcendental) e o transcendental diz respeito à condição de possibilidade (diz respeito ao homem).
O que posso conhecer? (é a questão central do livro A CRÍTICA DA RAZÃO PURA de Kant).
Kant deslocou a filosofia do ponto de vista de Deus para o ponto de vista do homem.
Conhecer é sintetizar.
Vontade de potência é condição genética das coisas (Deleuze). A gênese do saber está no poder (Foucault).
No senso comum moral há um acordo do entendimento com a razão.
Imperativo categórico é o princípio do dever. Senso comum estético é o acordo entre a imaginação e o entendimento.
Deleuze fala sobre o juízo desinteressado. Para Kant o juízo de beleza é desinteressado. Kant dá o exemplo da flor que só serve para a beleza. Nenhuma das faculdades está legislando sobre a outra.
No livre acordo, o acordo se exerce espontaneamente.
Para Kant, não existe fundamento objetivo, somente subjetivo. Você não pode provar sua objetividade.
O juízo estético não é um juízo de conhecimento (tese de Kant).
A razão é uma faculdade dos princípios e está por trás do entendimento. A razão atua na moral e no sublime.
Kant fala de dois tipos de juízos: o belo e o sublime.
O belo diz respeito às formas. O sublime diz respeito ao grandioso. Beleza = um bate bola da imaginação com a beleza.
O livre acordo deve ser produzido (objeto de uma gênese transcendental). Deleuze chega ao diferente pela gênese.
Há um acordo nas faculdades (idéia central de Kant).
O medo impossibilita o sublime (Kant).
Schiller fala sobre a função educativa da tragédia.
Hércules não é um personagem sublime porque ele resolvia tudo através da luta (Schiller).
A imaginação é uma faculdade sensível. A razão é supra-sensível (faculdade das idéias e não tem correspondentes com a sensibilidade).
Para Kant o homem é um cidadão de dois mundos (sensível e supra-sensível).
A tragédia em Nietzsche é a representação do dionisíaco do uno originário. É a apresentação apolínea daquilo que não pode ser representado: o dionisíaco. O bem supremo é nada ser inatingível ao ser humano.
O acordo é um acordo discordante. O acordo é engendrado no desacordo. O sublime está por trás do acordo estético.
O princípio genético é o virtual (Deleuze). Ele fala da gênese do acordo das faculdades. O desacordo é o princípio genético do desacordo.

A interpretação deleuzina de Proust (parte I)

A interpretação deleuziana de Proust (parte I)
Análise da obra Proust e os signos de Deleuze.
Aulas do seminario de filosofia contemporânea no IFCS-UFRJ com o professor e doutor Roberto Machado.

Deleuze é um historiador da filosofia para pensar filosoficamente a partir de alguns autores e seus conceitos. Por exemplo: Nietzsche e os conceitos de eterno retorno e vontade de potência; Bergson e os conceitos de gênese, multiplicidade, virtual, atual; Espinosa e os conceitos de imanência, intensidade, univocidade.
Deleuze trabalha com a exterioridade da filosofia. Por exemplo, a partir do cinema e da pintura ele cria conceitos.
A relação entre saberes foi muito intensa em Deleuze.
O pensamento de Deleuze é interessado. Privilegia o que serve à sua interpretação.
A questão central da filosofia de Deleuze é: O que é pensar? O que é o exercício do pensamento?
A obra mais importante de Marcel Proust é EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO que contém sete volumes. Para Deleuze esta obra é uma obra do pensamento sobre o pensamento. Proust transmite a idéia de como pensar literariamente.
A filosofia de Deleuze leva em consideração conceitos criados. Ele trabalha sistema de conceitos criados a partir de outros autores.
O projeto dele é a constituição de uma filosofia da diferença embora não haja uma diferença entre os estudos filosóficos e tecnicamente não filosóficos.
Como ele produz uma ressonância entre o filosófico e o não filosófico?
A idéia mais geral do livro PROUST E OS SIGNOS de Deleuze é mais voltada para o futuro do que o passado. Deleuze vai ligar à verdade, à busca da verdade, à busca inconsciente e involuntária da verdade. Com isso ele estava fazendo uma crítica da vontade livre e uma crítica da consciência.
Proust é considerado um filósofo da memória.
Deleuze analisa esse livro como sendo um sistema de pensamento.
O cinema clássico é um sistema de pensamento. O cinema moderno também é um sistema de pensamento.
A pintura de Bacon é um sistema pictórico de linhas e cores, consistindo também num sistema de pensamento. A teoria do acaso em Bacon também é um sistema de pensamento.
O sistema de pensamento que se opõe à identidade e a representação faz de Proust um pensador da diferença.
No sistema de signos há dois pontos centrais: signo e sentido. Deleuze diz que os signos constituem tanto a unidade quanto a pluralidade da obra EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO. Tudo são signos, os personagens vivem sob os signos. Um amor remete à signos; uma reunião social remete à signos; uma música é um signo que está atuando sobre nós. É um livro de arte que pensa a própria arte.
Há uma pluralidade nos signos. Os signos são heterogêneos, não são do mesmo tipo. São emitidos de maneira diferente.
É importante observar três elementos chaves: signos, sentido e tempo.
Deleuze classifica quatro tipos de signos: signos mundanos, signos amorosos, signos sensíveis, signos artísticos.
1- Signos mundanos – são aqueles que aparecem nas relações sociais dos personagens (festas, recepções, ambientes sociais, contexto aristocrático e burguês, etc); Os signos mundanos são vazios. Os signos mundanos chamam a atenção para sua heterogeneidade. Cada meio social tem seu sistema de signos específicos. Ler o livro 1 NO CAMINHO DE SWAN e livro II UM AMOR DE SWAN. Proust se apropriou do impressionismo para criticar o realismo.
2- Signos amorosos – projetam os signos sobre as coisas. Quem ama prende. Ler O CAMINHO DE SWAN E O CAMINHO DE GERMAINE que são dois caminhos distintos. Para Deleuze, apaixonar-se é individualizar alguém por escrito pelos signos. Nos apaixonamos pelos signos não pelas pessoas. A multiplicidade do mundo é inacessível. O mundo do amado é inacessível, misterioso por isso Swan persegue Odete. Segundo Schopenhauer o mundo oscila como um pêndulo entre a ansiedade e o tédio. Ele enfatiza a idéia do desejo como falta.
3- Signos sensíveis – são também chamados de qualidades sensíveis, impressões sensíveis ou signos da natureza. Eles estão ligados à memória involuntária. O que é a memória involuntária? Está atrelado à idéia de se lembrar sem querer se lembrar. Caracterizam-se pela sua brevidade. São signos heterogêneos. O que é comum nesses signos é a grande alegria e a plenitude.
4- Signos artísticos ou signos da arte – EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO leva em consideração três artes: música, pintura e literatura. Proust também abordava o teatro e a arquitetura. Na música ele valoriza Wagner e Beethoven; na pintura ele ressalta os expressionistas com Vernant; na literatura ele valoriza Balzac, Zola, Baudelaire. Ele vai considerar Baudelaire o maior poeta do século XIX. Há um pensamento de Proust sobre estas três artes à partir de comentários sobre artistas, músicos e literatos realizados por seus personagens.
Há em Schopenhauer uma teoria da superioridade da música. Nietzsche e Wagner roubaram essa idéia de Schopenhauer. O que unia Nietzsche a Wagner era Schopenhauer. Eles acreditavam que a música é capaz de dar conta da coisa em si. Schelling fala que a arte é capaz de dar acesso ao Absoluto.
O objetivo de Proust é fazer uma literatura que esteja no mesmo nível da música para Schopenhauer.
Você pode ser um grande imbecil na vida e ser um grande criador (foi a grande tese de Proust).
A arte é superior aos demais signos. O signo sensível dá a sensação de eternidade do prazer, mas logo passa, mas para Deleuze, a arte dá consistência, perpetua, faz essa sensação permanecer.
Os signos nos fazem pensar. Só se pensa forçado (Deleuze). Para Proust, o ciumento pensa melhor.

A interpretação Deleuziana sobre Nietzsche (eterno retorno)

A INTERPRETAÇÃO DELEUZIANA DE NIETZSCHE.
Anotações das aulas do seminário de filosofia contemporânea ministrada pelo Dr e Prof Roberto Machado em setembro de 2008 no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais-UFRJ).

O eterno retorno e a vontade de potência é a condição da crítica feita por Deleuze. A crítica deleuziana da interpretação se baseia em eterno retorno e vontade de potência. Deleuze valoriza o eterno retorno e vontade de potência.
Nietzsche quase não fala de eterno retorno em suas obras, no entanto, existem algumas referências. Eis algumas delas:
No aforismo 348 (o peso mais pesado) de A GAIA CIÊNCIA e no aforismo 56 de PARA ALÉM DO BEM E DO MAL. Existem dois textos (da visão do enigma; do convalescentes), ambos da terceira parte do livro ASSIM FALOU ZARATUSTRA.
Em a visão do enigma contém o personagem O ANÃO. Em do convalescente contém OS ANIMAIS DE ZARATUSTRA.
Zaratustra é formado por personagens conceituais segundo Deleuze.
O que dizem o anão e os animais sobre o eterno retorno?
Tudo o que é reto mente.
Toda a verdade é curva (torta) porque o próprio tempo é um círculo (anão).
Curvo é o caminho da eternidade (animais).
Há em Nietzsche uma concepção circular do tempo.
Para Deleuze revir e devir não é a mesma coisa.
A torção é constituinte da filosofia de Deleuze.
A história como tempo orientado surgiu no século XVIII.
Há uma mudança na compreensão do eterno retorno.
O eterno retorno não é um devir igual (tornar-se um mesmo).
Existem verdades para todos; existem verdades para alguns; existem verdades para ninguém.
Zaratustra silencia o eterno retorno.
A terceira parte do ASSIM FALOU ZARATUSTRA é a mais importante.
Os três ditirambos dionisíacos são cantos.
A quarta parte do ASSIM FALOU ZARATUSTRA foi escrito depois.
O ASSIM FALOU ZARATUSTRA não dá uma definição conceitual do eterno porque ele diz que é um círculo.
A importância do Zaratustra é dizer o que não é para Nietzsche.
No aforismo 342 de A GAIA CIÊNCIA começa a tragédia. É o início do Zaratustra.
Em Platão há a dicotomia essência-aparência.
Deleuze fala da boa cópia e má cópia (cópia simulacro). Platão quer expulsar o simulacro e manter a boa cópia (manter a identidade).
Onde está a novidade de Nietzsche com relação ao eterno retorno?
No capítulo DA VISÃO DO ENIGMA (de ASSIM FALOU ZARATUSTRA) há o primeiro passo no conceito da formação do eterno retorno. A coragem é um tema importante no eterno retorno. O mais importante é ter a coragem de afirmar o eterno retorno.
O portal é o instante (é o momento).
Há dois caminhos infinitos (duas eternidades).
Longo é o caminho que vai para trás (passado). O passado é eterno, isto é, não teve começo.
Longo é o caminho que vai para a frente (futuro). O futuro é eterno, isto é, não terá fim.
Para Platão, o tempo é a imitação móvel da eternidade. O tempo é uma cópia da eternidade. O cristianismo copiou essa idéia de Platão ao defender o princípio de todas as coisas e o final dos tempos vindo depois a eternidade (idéia de tempo subordinado a eternidade).
Nietzsche não concorda com essa idéia, pois para ele o tempo é eterno. Nietzsche quer derrubar essa dicotomia entre tempo e eternidade. Nietzsche critica a PAROUSIA (idéia do platonismo e cristianismo).

No aforismo O PESO MAIS PESADO, Nietzsche aborda sobre a visão do espírito de gravidade. Ele fala do levantar o pesado como se fosse leve.
Para Deleuze, o revir é o retorno. O devir é o fundamento do eterno retorno. O eterno retorno é o revir do devir.
ASSIM FALOU ZARATUSTRA é um livro não argumentativo, pois quer ser uma crítica à argumentação, à racionalidade (platonismo e socratismo).
Nietzsche faz apologia à arte trágica que não tem argumentação. Ele critica a argumentação em nome da visão poética do mundo.
Nietzsche valoriza o pensar sem criar oposição.
No aforismo 2 de PARA ALÉM DO BEM E DO MAL ele escreve que se reconhece um metafísico pelo fato de ele criar oposição de valores.
IDENTIDADE E DIFERENÇA é o par conceitual de Deleuze.
O ser de diz do devir.
O um se diz do uno com a multiplicidade.
O revir é o ser daquilo que devém que torna, que é temporal.
O trágico para Hölderin implica no afastamento de Deus do homem e vice-versa culminando numa afirmação da fé humana. Deus se afasta do homem, o homem se afasta de Deus e afirma a sua fé.
A identidade é o revir. Nietzsche fala do eterno retorno cosmológico.
Há um aspecto ético-político em GENEALOGIA DA MORAL.
Para Deleuze, Nietzsche é filósofo da cultura, da história.
O devir não é uma noção unívoca. Existem dois tipos de devir: devir ativo e o devir reativo. O devir do homem é um devir reativo.



Deleuze fala sobre concepção manifesta e concepção latente.
Eterno retorno é eterno retorno do mesmo, do igual, do idêntico.
Deleuze reivindica a concepção latente (revir-retorno-identidade)
Retorno é o que retorna.
O que revêm no eterno retorno é o devir, o múltiplo, o diferente.
Se afirma o ser do devir (afirma o devir do diferente). Afirmação da identidade do diferente.
O ser é a identidade. O devir é a diferença.
As coisas estão se tornando. O ser se afirma do devir.
Deleuze fala sobre o aspecto físico ou cosmológico. Não existe eternidade antes ou depois do tempo. O que existe é o tempo, o devir. Afirmar o eterno retorno é afirmar o ser do devir.
Deleuze aborda o aspecto ético e ontológico. Compreende a doutrina ética.
Deleuze escreveu um livro sobre Espinosa denominado ESPINOZA: FILOSOFIA PRÁTICA.
Devir = tempo, passagem, vir a ser.
Existem dois tipos de devir. Existe um devir ativo e um devir reativo.
O devir não é unívoco.
A genealogia de Nietzsche procura mostrar que o devir é reativo. Niilismo (valor de nada) é o devir reativo. Segundo Nietzsche, o homem moderno é o mais fraco, o mais doente.
O eterno retorno está ligado à vontade de potência. Nesse âmbito, existe a distinção entre vontade e força.
Para Deleuze, interpretar é criar um duplo, criar uma diferença.
Deleuze utiliza Nietzsche como um pensamento conceitual, usando a técnica de recorte e colagem. Deleuze gostava de fazer teatro filosófico.
Interpretar para Deleuze é privilegiar. Ele era um filósofo da diferença, da criação, do novo.
Para Deleuze, o conceito de força em Nietzsche se dá pela relação com outras forças. Não existem forças isoladas. Existem forças vinculadas a outras forças. É nas relações que as forças adquirem uma qualidade, uma essência.
Corpo é um composto de pluralidades de forças irredutíveis em luta. Nessa luta, algumas forças são dominantes e outras dominadas. As forças ativas são as dominantes; As forças reativas são as dominadas. Ativo e reativo são qualidades das forças. A qualidade das forças é produto da quantidade entre as forças.
A qualidade nada mais é do que a qualidade da quantidade.
A vontade de potência está intrinsecamente ligado à força.
Deleuze fala sobre a diferença entre o empírico e o transcendental (ideal kantiano de Deleuze).
Transcendental é condição genética do empírico. Deleuze é um filósofo da gênese (teoria da gênese deleuziana). Deleuze é um filósofo da genética e isso fica explícito no seu livro mais importante DIFERENÇA E REPETIÇÃO no qual ele explica a produção da diferença.
Genealógico para Nietzsche é diferenciar o genético.
A distinção entre vontade e força é de nível.
Deleuze sugere que o empírico é qualitativo.
Deleuze é um filósofo da intensidade. Deleuze critica Bergson por não ter descoberto o mundo da intensidade.
Interpretar é escolher, é valorizar alguma coisa (Deleuze).
Ativo e reativo são qualidades das forças (afirmação e negação).
Deleuze faz percepções interessadas para criar o método dele.
Devir é ativo e reativo.
A afirmação diz respeito à vontade (devir reativo).
A ação diz respeito à força.
Devir reativo = vontade de potência negativo.
Eterno retorno é devir = diferença = vontade de potência.
Eterno retorno = ser do devir.
Devir ativo = eterno retorno (revir do devir).
Heidegger disse que o Nietzsche verdadeiro é o dos fragmentos póstumos. Roberto Machado tem posição diferente e valoriza os escritos publicados, pois alega que fragmentos póstumos são tentativas de formulação de pensamento inacabadas tendo ,portanto, valor menor em relação aos escritos tidos como concluídos.
A moral dos escravos trabalha com oposição à ética dos senhores (implica em diferença, pois se define a partir do outro). A dialética hegeliana é dos escravos pois envolve a experiência do trabalho e do medo que provoca a superação (Aufhebung). Para Hegel, o homem é o desejo de ser desejado.
Deleuze gosta de Marx. Ele é esquerdista, por isso fez uma interpretação política de Nietzsche. Deleuze não mostra tudo, esconde algumas coisas (é político).
Filosofia é saber dizer bem o que se quer dizer.
Será que o ativo e o reativo sempre retornam? Precisa ser completada por uma definição de caráter ético e ontológico.
Há uma seletividade no eterno retorno; o eterno retorno é seletivo; há uma seleção do que retorna.
Platão também queria selecionar pela idéia, pelo modelo, pela identidade.
Só retorna o diferente.
O eterno retorno é duplamente seletivo.
Deleuze faz uma torção socialista do eterno retorno (não revelando tudo).
O eterno retorno estabelece uma regra prática que permite eliminar da vontade um certo número de forças reativas.
Através de forças reativas, existe sempre uma vontade que qualifica a força.
O que fundamenta a força é a vontade.
Deleuze pede para eliminar as forças reativas menos desenvolvidas.
O livro A VONTADE DE POTÊNCIA é um livro criado artificialmente pela irmã de Nietzsche com a ajuda do músico e Peter Gast (só ele entendia a letra dos manuscritos de Nietzsche).
Algumas frases de Nietzsche:
“Se você assimilar o pensamento ele os transformará”.
“Se em tudo o que você quiser fazer você se perguntar: quero fazer inúmeras vezes?”
“Minha doutrina é: viva de tal modo que você deseje reviver todos os momentos e então reviverás”.

No disco TREM DAS CORES de Caetano Veloso, existe uma canção inspirada em Nietzsche segundo Roberto Machado. Abaixo o texto.
Sete Mil Vezes
Caetano Veloso
Sete mil vezes eu tornaria a viver assim
Sempre contigo transando sob as estrelas
Sempre cantando a música doce
Que o amor pedir pra eu cantar

Noite feliz, todas as coisas são belas
Sete mil vezes, e em cada uma outra vez querer
Sete mil outras em progressão infinita
Quando uma hora é grande e bonita
Assim quer se multiplicar
Quer habitar todos os cantos do ser
Quarto crescente pra sempre um constante quando
Eternamente o presente você me dando

Sete mil vidas, sete milhões e ainda um pouco mais
É o que eu desejo e o que deseja esta noite
Noite de calma e vento, momento
De preces e de carnavais
Para Espinosa, a alegria é um sintoma do aumento de intensidade. Não existe uma regra universal para definir essa intensidade. Cada um deve descobrir isso.
Para Deleuze, o pensamento que opera a seleção é uma paródia kantiana. O que devo fazer? Moral kantiana.
Moral é o imperativo categórico. Deslocar uma perspectiva de Deus para o homem. Não fundar a moral numa metafísica (humano, demasiado humano).
Não matarás é um valor apolítico.“Age de tal modo que a máxima de sua ação seja transformada em universal” (Kant).
Devo mentir? Se for nietzschiano sim, entretanto, se for kantiano não, porque não se pode fundar atitudes em valores universais (mentira se constitui num repúdio universal).
“O que vocês quiserem, queiram de tal modo que vocês queiram o eterno retorno” (Paródia de Nietzsche sobre Kant).
Se o pensamento do eterno é seletivo é porque elimina a vontade tal que não se adequada ao eterno retorno. O que não se adequa? As semi-verdades, as meia-verdades.
Seleção vai ao máximo que ela pode. Vontade afirma o eterno querer à enésima potência. Querer o máximo de sua potência.
Seja o que for que você queira, eleve o querer ao máximo de sua potência.
As formas superiores vai até onde pode. As formas inferiores são os semi-quereres.
A função do eterno retorno é separar as forças superiores das médias; criar formas superiores; fazer da vontade, vontade criadora.
Para Nietzsche o nada de vontade é o niilismo passivo. Nada de vontade é uma vida sem projeto.
O eterno retorno é seletivo. Deleuze distingue dois tipos de eterno retorno:- o eterno retorno como pensamento;- o eterno retorno como ser.
Deleuze falar em transformar tudo o que se quer em eterno retorno.
Tudo o que você quiser, queira intensamente, afirmando a enésima potência do pensamento, isto é, ir ao máximo que se pode.
O eterno retorno elimina tudo que não se adequa, isto é, os semi-quereres, as meia-vontades.
Seja o que seja, o que se quer, leve tudo à enésima potência.
Seja o que você vai quer, queira com toda a intensidade (Isto é eterno retorno).
“Não me pergunte quem eu sou, nem me peça para eu permanecer o mesmo, essa é uma moral de estado civil, que eles nos deixe livre para pensar e criar” (Foucault).
Para destruir as forças negativas, niilismo, vontade de nada.
Destruir todas as forças reativas; destruir as alianças com as forças reativas.
Há uma aliança da força com a vontade, determinando que a força seja assim.
Deleuze vai usar transvaloração para fazer a vontade negativa negar as forças reativas. Vai destruir as alianças. Fazer da negação a negação das forças negativas.
Desejo do homem de se auto destruir (Nietzsche usa o conceito de auto-destruição).
Negação das forças negativas por uma ação ativa (negação ativa).
Negação nega a reação.
Exprime um devir ativo das forças. Vontade é um fundamento das forças.
Transvaloração de todos os valores significa que todos os valores deveriam ser reavaliados pois todos são niilistas.
Heidegger valoriza muito a idéia de niilismo.
Deleuze é um pensador sistemático, já Nietzsche não é.
Deleuze distingue niilismo negativo, reativo, passivo, ativo.

O niilismo negativo nega o mundo por valores transcendentais. O mundo debaixo é imperfeito e o de cima é eterno e perfeito.

O niilismo reativo é o niilismo da morte de Deus. Morte de Deus (Deus morreu) não implica numa criação ou afirmação por parte de Nietzsche, mas se implica numa constatação de que os valores transcendentais foram substituídos pelos valores humanos na modernidade. Morte de Deus é um processo que está se acentuando desde a Revolução Francesa. Há uma negação do niilismo negativo em nome de valores humanos sedimentados sobre IGUALDADE-LIBERDADE-FRATERNIDADE.
Quem matou Deus foi o mais feio de todos (Zaratustra de Nietzsche)
Os deuses morreram de rir ao ver um deles dizer que era o único (Zaratustra de Nietzsche).

O niilismo passivo é o niilismo dos últimos homens. O homem passa de uma vontade de nada para um nada de uma vontade.

O niilismo ativo é o niilismo completo, destruição completa.
É alguém que quer perecer, quer ser ultrapassado.
As forças reativas quebrando sua aliança com a vontade de nada, a vontade por sua vez quebra a aliança.
Destruir o niilismo dentro de si; destruir o homem que é o advento do super homem.
Nietzsche é o filósofo da morte do homem, não da morte de Deus.
Na Idade Média, toda a esperança estava depositada em Deus, no além. Com advento da modernidade, o foco deixou de ser Deus e migrou-se para o ser humano. Acreditava-se no progresso do homem. Nietzsche fala que a idéia de progresso humano também é conversa fiada pois estamos fadados a desgraça.
Essa idéia da morte do homem é muito valorizada na França através dos pensadores Klossovisk, Deleuze, Foucault, que tratam Nietzsche como sendo um filósofo antropocêntrico-antropomórfico.
Nietzsche é um filósofo da pós-modernidade embora Foucault não goste da palavra PÓS-MODERNIDADE.
Deleuze pensa em relacionar a vontade de nada ao eterno retorno. Isto é, Elevar a vontade negativa à enésima potência do eterno retorno.
A vontade produz o devir ativo. A vontade é o devir e o eterno retorno é o revir.
Negar a reação é se afirmar como força.
Eterno retorno como ser seletivo; eterno retorno como afirmação. No eterno retorno só a afirmação revêm. Só revêm o que pode ser afirmado. O eterno retorno é o ser do devir. Afirmar o eterno retorno do tempo é afirmar o devir do tempo.
Heidegger foi marcado por Nietzsche em sua obra SER E TEMPO (Sein und Zeit).
O eterno retorno é o ser do devir.
Deleuze fala de ontologia seletiva.
Ser do devir e ser do devir ativo.
Heidegger valorizou o pensamento de Hölderin. Heidegger abandonou Nietzsche posteriormente porque achou que ele induziu-o a se tornar nazista.
Heidegger afirmou que Nietzsche foi muito metafísico. Ele dá uma interpretação metafísica de Nietzsche. Segundo Deleuze, Nietzsche se insurgiu contra a metafísica a partir de uma ontologia da univocidade.
Diferença é a vontade; repetição é o eterno retorno. O eterno retorno é a afirmação da afirmação. É afirmado a diferença. A afirmação reduplicada eleva a vontade de potência afirmativa à mais alta potência.
Segundo Nietzsche, toda oposição de valores é metafísica. Só existe o mundo do devir. O ser é a afirmação do devir. Afirmar um devir, isto é o ser.
O múltiplo é um; o acaso é uma necessidade; a diferença é a identidade. Deleuze quer libertar a diferença, eterno retorno, afirmação da identidade.
Viver é criar (Deleuze). Deleuze é um filósofo da criação. O legal do pensamento é criar. Criar novas possibilidades de vida. Deleuze valoriza o pensamento da singularidade.
Como pensar sem deixar de fazer oposições? (Questão principal de Nietzsche).
Para Nietzsche, se descobre um metafísico se ele faz oposição de valores (Livro para além do bem e do mal).
Deleuze pensa a eternidade como intensidade (eternidade do tempo).
O que existe é o devir (Nietzsche). Eternidade é afirmar o devir do tempo. Dar valor ao tempo é dar intensidade ao tempo.
Espinosa distinguiu imortalidade da eternidade. A eternidade pode existir no próprio tempo. Temos aspectos de qualidade, quantidade e intensidade. Fala da teoria das paixões e ações.
Para Espinosa a ação é sempre alegre, porém a paixão pode ser alegre ou triste.
Para ele, beatitude é o estágio mais elevado ligado ao conhecimento das partes que nos constitui, incluindo a relação dessas partes. Isso desemboca no conhecimento das essências singulares. É o momento em que somos capazes de conhecer como Deus conhece. Para Espinosa, quem atinge esses conhecimentos, ao morrer, perde essas partes mas conserva a intensidade que está ligada ao próprio tempo.
A vontade de potência é a intensidade. Afirmar a diferença com intensidade.
Para Deleuze, diferença e repetição são outros nomes para vontade de potência e eterno retorno de Nietzsche.
Deleuze parte de Nietzsche e tenta encontrar aliados. Deleuze é contra a idéia de modelo (teoria da mimesis-imitação). Ele abomina a metáfora.
Ele valoriza o pensar fazendo uma síntese disjuntiva (acordo discordante do sublime kantiano).
Vontade de potência volta como sensibilidade. Eterno retorno retorna como pensamento. Vontade potência é pensado como sensibilidade e eterno retorno é pensado como pensamento.
No livro A GAIA CIÊNCIA Nietzsche fala sobre o sentimento de potência. Para Nietzsche a vida é vontade de potência. “Encontrei a vida e ela me disse: sou a vontade de potência” (Assim falou Zaratustra).
Para Nietzsche o fundamental é a vida. Ele é um filósofo da vida. Filosofia é pensamento da vida (Zaratustra).
Estar é estar na intensidade da eternidade.
Na obra DIFERENÇA E REPETIÇÃO de Deleuze está escrito:
Sentida contra as leis da natureza a diferença na vontade de potência é o objeto mais alto da sensibilidade. Pensada contra as leis do pensamento a repetição do eterno retorno é o mais alto. Através da cadeia interrompida ou do anel tortuoso, somos conduzidos violentamente ao limite do pensamento ao que só pode ser sentido e o que pode ser pensado. Se não formos ao limite, ficaremos no nível da representação.
Deleuze é o filósofo do limite.
Deleuze organiza sua filosofia kantianamente mas explica nitzschianamente.
Eterno retorno é a enésima potência que se diz da primeira.
A gente só pensa forçado (Deleuze). Não se pensa sozinho. Só se pensa à partir de um sinal. Só se pensa à partir de um signo (Livro PROUST E OS SIGNOS de Deleuze). Só se pensa à partir de fora. Pensamento é resultado de encontros.
Na harmonia não se pensa. Só se pensa violentado. “Ninguém pensa melhor do que um ciumento” (Marcel Proust).
Só se pensa quando se depara com uma intensidade. Todo o pensamento é resultado de uma intensidade.

A INTERPRETAÇÃO DELEUZIANA DE ESPINOSA.


Deleuze privilegia em Espinosa uma questão ontológica, gnoseológica e uma questão ética.
Ele se interessa muito pela ética.
Na primeira parte da ÉTICA de Espinosa há uma abordagem sobre a ontologia de Deus. Na segunda parte, ele aborda sobre a teoria do conhecimento. Na terceira parte o foco é a ética.
O objetivo final da filosofia de Espinosa converge para uma ética.
O que é uma ética da potência?
Só se pode entender a ética de Espinosa com a teoria do conhecimento.
Na teoria do conhecimento privilegia-se o conceito de idéia. Na ética de Espinosa, privilegia-se o afeto.
Espinosa defende vários tipos de idéias:
Primeiro tipo: Idéia afecção. Observe o conceito de afecção em Espinosa. Afecção é uma modificação de corpos. É um efeito de um corpo sobre o outro; é uma mistura de corpos; um corpo age sobre o outro e o que recebe, recebe as características do primeiro corpo (idéia de causa-efeito).
Disse Espinosa: “Vejo o solo a 200 pés de distância como uma superfície chata”.
No primeiro nível é necessário o conhecimento dos efeitos.
Segundo Deleuze, nós não somos racionais, mas podemos nos tornar racionais (Deleuze contrapondo Descartes e o positivismo).
Nós somos idéias vindo de outros corpos.
As idéias de afecção só conhecem as coisas por seus efeitos sem conhecer as próprias causas.
Idéias afecções são representações dos efeitos sem causas.
Idéias inadequadas são conclusões sem premissas.
Deleuze aborda o tema do encontro dos corpos. Deleuze vai enaltecer Espinosa por ter sido o primeiro a valorizar o corpo.
Em Platão há a valorização da alma em detrimento do corpo.
Espinosa considera corpo e alma no mesmo nível. Para ele, no homem o corpo corresponde à extensão de Deus. Deus é a natureza. Deus é a substância e nós somos modos dessa substância.
Na relação entre teoria do conhecimento e ética há o encontro fortuito, encontro carnal, proveniente do acaso.
Enquanto tivermos idéias de afecções, isto é, idéias inadequadas, viveremos ao acaso dos encontros.
Algumas pessoas não conseguem organizar os encontros.
Para Espinosa não existe bem e mal. O que existe é o bom e o mau. O bom está relacionado aos bons encontros e o mau, está atrelado aos maus encontros.
Deleuze valoriza em Espinosa uma ética da singularidade.
Há relações características em meu corpo e quando interagimos com outro, as partículas estão em relação. Relação constitui uma determinada característica que determina um corpo.
Bom encontro é a boa relação entre dois corpos. Mau encontro é onde dois corpos se relacionam, entretanto, um dos corpos procura destruir as relações características do outro. O mau para Espinosa, é o mau encontro.
A morte vem de fora (Deleuze valoriza isso em Espinosa). A destruição da individualidade vem de uma mau mistura.
Consultar o livro ESPINOSA: FILOSOFIA PRÁTICA.
Observe o conceito de afeto em Espinosa. Afeto não é afecção, mas corresponde à uma afecção.
Deleuze faz contraposição entre afetos e sentimentos.
Consultar o livro de Deleuze ESPINOSA E O PROBLEMA DA EXPRESSÃO (livro difícil).
Há uma sinonia entre afetos e sentimentos. Deleuze vai relacionar o afeto à potência. Há uma ética da potência. Espinosa fala em potência de ser e de agir.
Quando eu tenho um bom encontro a minha potência aumenta.
O que é o bom? O que eleva a potência.
O que é o mau? O que diminui e impede o desenvolvimento da potência.
Quando minha potência de existir aumenta, eu sinto alegria.
Alegria e tristeza são sintomas de nosso estado de potência. São indicações de meu estado de potência devido aos encontros. Alegria e tristeza são dois afetos principais.
A esperança é uma mistura de tristeza e alegria.
O afeto não é uma idéia embora suponha uma afecção.
A afecção é representativa, pois representa um corpo. O afeto não é representativo.
Existe uma variação de potência em nosso viver. Nossas vidas é uma sucessão de idéias que nascem de encontros diários.
Há uma força de existir; há uma potência de agir.
Nós produzimos idéias.
Há uma variação contínua da força de agir e existir (isso é o afeto).
Deleuze considera a ÉTICA de Espinosa um dos livros mais positivos da história.
Lacan gosta muito de Espinosa.
Por detrás do Édipo está o desejo. Em Espinosa e vontade potência, Deleuze fala do desejo como produção e do desejo como criação.
A falta é a ilusão da fraqueza (Nietzsche).
Afeto implica em noção de que o corpo ao poder de ser afetado.
O que pode um corpo? Essa é a questão básica da ÉTICA de Espinosa.
Deleuze valoriza uma vida, questão da singularidade.
Na perfeição maior a potência aumenta. Na perfeição menor a potência diminui. Para Espinosa, nós vivemos em estado de perfeição e nada nos falta. Consultar BORGES E O ESTADO DE CEGUEIRA (à um cego não falta nada).
O corpo vai sempre ao máximo que ele pode. Deleuze é um filósofo do limite.
Na perfeição não há uma meta a atingir. Tanto na perfeição maior quanto menor somos perfeitos.
Todo corpo se encontra em estado de perfeição devido às afecções que ele se encontra.
Mesmo com as variações de afecções, o sujeito vai ao máximo da perfeição que ele pode.
Pensa-se bem quando está alegre (Espinosa).
Como é possível essa variação afetiva se o poder de ser afetado pode ser sempre preenchido?
Univocidade é uma mesma palavra usada para conceitos diferentes.
Deus é a substância única e nós somos modos da substância, portanto, estamos na substância.
O bom depende de nosso poder de ser afetado.
Estamos sempre no nível das paixões. Alegria e tristeza são as paixões.
Afetos passivos podem ser alegres ou tristes.
Idéias-noções ou noções comuns são superiores as idéias afecção.
Idéias noções são ações. Idéias afecções são paixões.
Idéias noções, comporta a conveniência das formas, as relações características de dois corpos, isto é, o conhecimento das características do corpo que afeta e o que é afetado.
A natureza da relação gera um determinado efeito.
“Se eu soubesse porque alguém me agrada ou me desagrada, eu teria uma idéia adequada, conheceria pelas causas ao invés de somente pelos efeitos” (Espinosa).
Paixão é o resultado dos efeitos, de idéias inadequadas.
Afeto é o pensamento não representativo. É uma ação fruto de uma idéia adequada.
O conhecimento das essências é o conhecimento igual a Deus.
A eternidade é a intensidade (Espinosa). Perdemos a quantidade e a qualidade na morte, mas jamais a intensidade.
Segundo Deleuze, nos livros IV e V existem uma teoria genética da ética.
Segundo Foucault, a noção de criança surge no século XVIII. Para Espinosa, a criança vive no mundo das paixões. Adão representa a infância da humanidade. Deus colocou uma tabuleta dizendo NÃO COMA porque será um mau encontro. Adão e Eva entraram pelo cano ao desobedecer (atitude típica da curiosidade infantil).
Como ser ativo e racional?
No nível da ação eu estou sempre alegre. Toda ação é alegre.
O homem é livre quando toma posse de sua potência de agir.
CONATOS é uma palavra do que vem do latim e que designa esforço para aumentar a potência (interpretação de Deleuze).
Nietzsche criticou a idéia de CONATOS em Espinosa como sendo instinto de conservação.
A razão permite ao homem organizar os encontros (Deleuze).
Quando somos afetados pela tristeza, nossa potência diminui porque a gente investe tudo para eliminar aquele corpo que não combina com o nosso.
Em GENEALOGIA DA MORAL de Nietzsche, o ser está na ação. Você é o que age.
Como ir além?
Quando eu sou afetado de alegria, minha potência de ser aumenta. Há uma conveniência de ambos os corpos.
A tristeza impede que se construa uma noção comum entre você e o outro corpo.
A alegria nos impulsiona para fora do estado de variação contínua (Deleuze).
Em geral estamos fazendo a conta das tristezas (Espinosa). TRISTEZA NÃO TEM FIM, FELICIDADE SIM de Tom Jobim e Vinícius de Moraes (música de caráter espinosiano).
Investe nas alegrias porque ela pode trazer a causa de uma noção comum. CANTA, CANTA MINHA GENTE, DEIXA A TRISTEZA PRÁ QUE A VIDA VAI MELHORAR (Martinho da Vila).
A gênese tanto da razão quanto da ação nasce das paixões alegres.
A alegria é uma ocasião favorável.
Espinosa e Nietzsche são filósofos da alegria. Nietzsche exalta a alegria apesar dos sofrimentos. Sofrimento não rima com alegria foi a grande jogada de Nietzsche.
Beckett e Kafka escreveram contos para rir.
Alegria é um trampolim que nos impulsiona para um conhecimento adequado.
A gênese da razão e da ação é um aperfeiçoamento das nossas idéias e nossos afetos. Ao término seremos ativos, livres e racionais.
Espinosa escreveu o livro A ÉTICA para dizer que é melhor ser alegre do que ser triste.
(Samba da benção de Vinícius de Moraes e Baden Powell)
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Deleuze e a geografia do pensamento

Deleuze e a geografia do pensamento.

Deleuze fala da geografia do pensamento. Ele diz geografia para não chamar de história. A organização dos fatos geograficamente é mais importante que a história (tempo histórico) do pensar. Isso é diferente de Foucault que fez uma história do pensar.
Deleuze constrói o espaço ideal, isto é, o espaço do pensamento criado através de filósofos diferentes onde ele agrupa conceitos de filósofos diferentes que torne possível um novo pensamento. Nietzsche, Espinosa e Bérgson são filósofos importantes para Deleuze.
Deleuze fala sobre a imagem do pensamento. À imagem do pensamento é preciso contrapor um pensamento sem imagem.
O espaço da imagem sem pensamento é o espaço da representação.
Nietzsche diz: você não descobriu, você inventou.
No metafísico há espaço da imagem do pensamento.
Deleuze fala do espaço pluralista, ontológico, trágico (em relação ao eterno retorno), imanente e ético em contraposição ao espaço da imagem do pensamento (racional, metafísico, transcendente).
Para Deleuze o espaço metafísico é o espaço da representação.
Deleuze é inimigo da analogia. Para ele, os clássicos gregos vinculavam o pensamento ao julgamento (pensar é julgar). Se aproxima de Artaud (“para acabar com o julgamento de Deus”).
A idéia de que a moral é a idéia de julgar a vida. É julgar a vida a partir de valores transcendentes à própria vida. Alguns exemplos: Aristóteles e o conceito de bem; Kant e o conceito de devir vindo com a moral do bem.
Ética compreende modos de vida, modos de existência que são imanentes. Certas ações, condutas estão fundadas na própria maneira em que se vive. Não se leva em consideração o bem e sim a força ou a identidade.
A moral é o sistema do julgamento. A ética é o sistema da intensidade. O único critério é a intensificação da vida, o que enriquece a vida, o que empobrece a vida.
Desde Schiller, pensa-se a tragédia como algo trágico na vida.
“O manifesto de Beine” constitui-se no processo de subtração (substituição). Ovídio de Abreu fez doutorado sobre Carmelo Beine (teatro do menos).
Vontade de potência e eterno retorno só aparecem em Zaratustra.
“Eu faço colagens como os dadaístas fazem colagens” (Deleuze).
A filosofia de Deleuze é um teatro filosófico.
Para Borges, o eterno retorno é a linha reta. Para Hietch é em círculo.
Deleuze fala em diferença e pensamento.
No discurso indireto livre, Deleuze fala em seu nome, mas utilizando-se do pensamento do outro.
Toda idéia da literatura com Deleuze é um pensamento de colagem, mas não se insurgindo contra o sistema, mas desmanchando os conceitos e seus sistemas de origem.
Deleuze muda mais de fala do que de conceitos.
Deleuze desembaraça o sistema de origem para criar um novo sistema, ainda que seja um sistema aberto, um quebra-cabeça incompleto. O que vale é o ajuste do desajuste.
Toda a interpretação de Deleuze é sistemática.
Para Deleuze, as relações são mais importantes do que os termos.
O cinema moderno pensa mais porque pensa diferente. Godard fez o cinema pensar. Antonioni libertou o tempo do movimento (ver filme “O ECLIPSE”).
No filme A CHINESA de Godard há a presença de tempo e contratempo.
Não existe fatos, só existem interpretações.

Deleuze trabalha com a geografia do pensamento. Deleuze é mais geográfico do que histórico.
Geografia do pensamento está ligado à idéia de espaço, isto é, o momento em que o pensamento foi realizado.
Há a existência de dois espaços antagônicos.
Consultar os seguintes livros de Deleuze: PROUST E OS SIGNOS; DIFERENÇA E REPETIÇÃO; O QUE É FILOSOFIA?
Deleuze propõe uma teoria da filosofia entre a arte e pensamento, procedimento válido para todo o filósofo.
Espaço da diferença, espaço da representação.
Afirma a identidade em detrimento da diferença.
Representação é o pensamento da identidade.
O espaço é moral, analógico, transcendente e metafísico.
Pensamento sem imagem (sem representação). É ético, ontológico, unívoco, imanente.
O que é filosofia?
Só se pode falar de filosofia quando se fala na imanência.
O que possibilita a Deleuze estabelecer essas duas representações do pensamento e considerar uma delas como alternativa?
Qual é o critério que lhe permite isolar duas vertentes do pensamento?
O que permite isso à Deleuze é Nietzsche. Privilegia o Nietzsche como seu intercessor.
Para Deleuze, Espinosa é o Cristo da filosofia.
Consultar o aforismo de Nietzsche “como o mundo verdadeiro converteu-se numa fábula. História de um erro.” (Livro CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS de Nietzsche).
Esse trecho do livro apresenta momentos da história da filosofia relatando as principais etapas.
Como escapar de Platão? Platão é a muleta dos filósofos; é o tormento da filosofia.
Segundo Heidegger, Nietzsche é o último momento da metafísica.
Consultar o texto de Heidegger QUEM É O ZARATUSTRA DE NIETZSCHE.
Heidegger e Deleuze dizem que Nietzsche é o fim da metafísica.
Para Deleuze, Nietzsche impossibilitou a metafísica e saiu dela.
Minha filosofia é um platonismo invertido disse Nietzsche.
Para Heidegger, mais fundamental do que a inversão é a relação.
Para Deleuze, Nietzsche perverteu (subverteu) o platonismo.
Nietzsche fala do mundo verdadeiro, inacessível, indemonstrável. Não podemos conhecer as idéias. Só conhecemos aquilo que é espaço-temporal.
Segundo Kant, podemos pensar em Deus mas não podemos conhecer Deus.
Ex: Podemos pensar num dragão ou numa esfinge, porém, não poderemos conhecê-los, pois nunca vimos.
Como o homem conhece? Pela Intuição sensível (Kant).
O conhecimento da arte é o mais importante (Schelling).
Schopenhauer pregava a superioridade do conhecimento artístico em detrimento dos outros conhecimentos.
Na terceira crítica do juízo, Kant escreveu que a arte não produz conhecimento.
Há três tipos de juízo de sublime: juízos do conhecimento, juízo moral e juízo estético.
Nietzsche fala do mundo verdadeiro, inalcansável, desconhecido. Aborda o positivismo. Kleist, pensador alemão que escreveu PENTESILÉIA que é uma peça extraordinária. O TEATRO DAS MARIONETES que contém dança (crítica da teoria de Schiller).
Sobre a MORTE DE DEUS (final do século XVIII) Nietzsche diagnosticou que os modernos mataram Deus. Afastamento da verdade ideal; manhã cinzenta; primeiro bocejo da razão; canto do galo do positivismo (Nietzsche).
Há em Nietzsche duas posturas em relação à verdade. O primeiro princípio é o da inversão (modelo e cópia/ Idéia e sensível).
No filósofo animal, mostra que o homem é um animal. Definição de animal racional. É uma tentativa de reabilitar essas pulsões animais do homem.
Em GENEALOGIA DA MORAL de Nietzsche enfatiza que o intelecto precisa se aperfeiçoar, mas e mais. Isso implica na valorização desse mundo contra o outro mundo.
Na introdução do livro de Nietzsche PARA ALÉM DO BEM E DO MAL reconhece o metafísico se ele opõe ou não valores. O metafísico é aquele que opõe bem e mal, ser e devir.
No livro A LÓGICA DOS SENTIDOS, Deleuze faz menção à fala da dupla orientação do pensamento para cima e para baixo.
Na alegoria da caverna mostra que o filósofo é aquele que sai da caverna. Ele se purifica porque se eleva em direção à verdade.
Nietzsche vai significar para Deleuze a profundidade. Significa se insurgir contra a possibilidade de um fundamento.
Deleuze é um filósofo do meio, do entre, contra a idéia de fundamento.
O pensamento a-fundamento, pensamento abissal (é aquele que não tem mais fundamento).
O mais profundo é a pele (Malarmè).
Deleuze fala em profundidade como dobra da superfície.
Consultar NIETZSCHE, FREUD E MARX (livro de Foucault).
O livro de Nietzsche HUMANO, DEMASIADO HUMANO registra o corte de Nietzsche com Wagner.
Deleuze é um filósofo das alianças. Ele trabalha com alianças em graus diferentes.
Kant ocupa uma posição singular no pensamento de Deleuze.
Deleuze privilegia em Kant a teoria do sublime. Vai propor o acordo discordante. Não há senso comum no sublime, mas há no belo.
Não há bate bola com o sublime = imaginação (faculdade sensível).
O belo é um bate bola entre imaginação e o entendimento.
O prazer do sublime vem de um desprazer, da humilhação entre a imaginação e a razão.
Para Kant, conhecer é subordinar o entendimento à unidade.
Para Deleuze, pensar é afirmar a diferença.
Filosofia para Deleuze é criar conceitos, enaltecer a criação do novo. Deleuze faz teatro filosófico (cria a diferença em cima da identidade do autor).
O pensamento compreende o espaço da representação e espaço da diferença.
Pré-socráticos para Nietzsche se refere à Platão. Platão que apresenta a filosofia de Sócrates.
Deleuze privilegia as relações em detrimento dos termos.
O que é pensar? É a questão central da filosofia de Deleuze.
Como é que Bacon pensa?
Como é que Bacon pensa escapando da representação?
Deleuze é adepto do pensamento da deformidade, da deformação da forma.
Por trás da forma está a força. A força é a condição da forma. As relações de forças são capazes de desfigurar a forma.
Bacon pinta figuras desfiguradas.
Forças externas à própria figura desfiguram-a.
Deleuze luta contra a representação.
Para Deleuze, o cinema é uma forma de pensamento.
O pensamento vem de fora. Relaciona o pensamento com algo que vem de fora.
Existem condições genéticas no pensamento, na criação. Deleuze é um filósofo da gênese.
Só se pensa forçado, coagido, quando o pensamento sofre uma determinada violência.
Para conhecer é necessário relacionar o pensamento com algo que vem de fora (sensibilidade) de Kant.
“Só somos capazes de pensar àquilo que se nos apresenta” (tese de Kant).
O dragão é uma lenda. LENDA vem do latim LEGENDA = algo para serem lidas.
“Só se pensa forçado ou coagido” (Deleuze).
“Ninguém pensa tanto quanto um ciumento” (Proust).
Platão, Aristóteles, Descartes e Hegel são grandes representantes da filosofia da representação segundo Deleuze. Deleuze luta contra a representação.
No livro A LÓGICA DOS SENTIDOS, Deleuze fala sobre Platão e o simulacro. Ele apresenta a motivação do platonismo. A motivação do aristotelismo é diferente do platonismo. Platão tinha uma motivação moral. Aristóteles criticou Platão por não ser lógico.
Deleuze investiga o método da divisão (termos relacionados).
Dualidade manifesta e latente. Deleuze se utiliza da linguaguem da psicanálise. O que é essa dualidade manifesta? Original e cópia / Idéia e imagem.
Para Deleuze, estudar um filósofo é estudar seus termos principais.
O platonismo distingue essência de aparência.
No final do LIVRO VI da REPÚBLICA de Platão, cujo título é A PASSAGEM DA LINHA, está registrado que para Platão não se conhece o sensível. Só pode haver conhecimento das idéias, das essências, do inteligível.


 

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