Você é luz do mundo?

Abrir uma janela é uma condição necessária para que a luz solar ilumine uma sala, mas essa necessidade é apenas uma condição e não a causa suficiente da iluminação solar. A causa suficiente está presente e existe lá fora, mas a condição necessária faz com que a causa suficiente também funcione no interior da sala, iluminando-a.

Porque as obras que eu faço não sou eu (ego) que as faço, mas é o Pai em mim (Eu) que faz as obras; de mim mesmo (ego) nada posso fazer, sendo que eu e o Pai somos um, eu estou no Pai e o Pai em mim. Todo homem, no seu íntimo que é essa realidade, mas ignora ou desconhece que o é, não tem consciência desta presença do Pai nele. Quando o homem se realiza, passa da inconsciência da presença do Pai nele para a consciência dessa presença. Vós sois a luz do mundo, mas esta luz pode estar dentro do armário, da sua inconsciência, entretanto, quando tira-se esta luz, que ele é, de dentro do armário, do opaco da sua ego-ignorância, e a põe em cima da mesa, da sua Eu-sapiência, o homem ego conscientiza o homem-Eu e deste modo se realiza, conscientizando a Realidade Potencial do tesouro oculto e fazendo dessa Realidade potencial uma Realidade atual, um tesouro manifesto.

Ninguém se torna o que não é, mas o homem se torna atualmente conscientemente, o que ele já é potencialmente, inconscientemente. Deus me deu a criatividade, portanto, eu me faço uma criatividade. Deus me fez o menos possível para que eu possa criar o mais possível. O livre arbítrio é o poder da auto-realização, da autocriatividade, da auto-interdependência de Deus. Quando o eu do livre-arbítrio chega ao máximo, o ego da escravidão desce ao mínimo. A luz brilha nas trevas mas as trevas não podem prender-nos. No homem, a luz pode ser representada pelo Eu, máximo em qualidade, mínimo em quantidade; ao passo que a matéria é representada pelo ego, máximo em quantidade e mínimo em qualidade.

Nenhum homem pode descobrir Deus, mas Deus pode descobrir o homem, se ele permitir. Nenhum canal pode criar a fonte, mas a fonte pode fluir através dos canais, se estes estiverem devidamente evacuados para receber as águas da fonte. Quando o homem faz de si, do seu ego, suficiente vacuidade, a plenitude da fonte (Deus), plenifica a vacuidade dos canais (nós). Todo o segredo da auto realização, da redenção, da iluminação, está no fato de o homem estabelecer em si total ego-vacuidade e então a plenitude divina flui para dentro dessa ego-vacuidade.

Deus resiste aos soberbos (egos-plenos), mas dá sua graça aos humildes (egos-vácuos). Para ser luz do mundo é preciso humildade e permissividade. Cante: ABRA TODAS AS FONTES DO MEU SER E FAZ CHOVER A PLENITUDE LUZENTE DE DEUS.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

Sacerdócio: doação ou exploração?

SACEDÓCIO: DOAÇÃO OU EXPLORAÇÃO?
Por: Joeblack (joevex@hotmail.com)

Numa das aulas de Elementos da Composição na UFRJ o professor me disse: Joe! Se liga! Existem várias maneiras de você começar uma obra musical. Nessa obra OPUS SACERDOTAL eu resolvi começar usando Nietzsche. Já que Nietzsche era filho de pastor, vou aproveitar e falar sobre a nova modalidade de pastores na atualidade, os famosos: SEMI DEUSES, SANGUESSUGAS DO ALÉM.
Lembrei-me de um trecho que li em ASSIM FALOU ZARATRUSTA sobre os pregadores da morte onde Nietzsche dizia que a terra está cheia de pessoas a quem se devia pregar que desapareçam da vida, por os discursos delas estragam a beleza da vida porque pregam que nos prazeres, é necessário a mortificação em excesso, no entanto, não há uma mortificação na presunção, no orgulho, no desejo de poder, no desejo de apossar-se de todo o crédito, etc. Que pena! Mas muitos são assim, existe claro, as exceções.
O sacerdote quer fazer com que ele próprio seja considerado o tipo mais elevado de ser humano, para que ele domine, para que seja invulnerável e incriticável, e com que ele seja o poder mais forte na comunidade, absolutamente insubstituível. Ele se utiliza de meios como: Só ele sabe das coisas; só ele é virtuoso; só ele tem o máximo controle sobre si mesmo; só ele, em certo sentido, é deus e retorna à divindade; só ele é o intermediário entre deus e os outros e ainda diz: A divindade pune todo prejuízo, todo pensamento voltado contra o sacerdote. Eles estragam o tesão dos outros. Como tornar penoso aos seres humanos algo agradável? Nada menos que o tornando desagradável para eles. É preciso misturar e acrescer o pecado: primeiro artifício do moralista e depois acrescenta-se o castigo (inferno). Erguem-se o duplo muro: a revelação e a tradição, ambas, são mais importantes do que as pessoas. Pregam a perversidade intelectual, alegando que o conhecimento é perigoso, aliás, sexo e pensamento são os 2 grandes inimigos da igreja. O primeiro “capetinha” gera a explosão do indivíduo para a vida, o segundo abre as janelas e os raios iluminam a escuridão da ignorância que impede a manipulação e o discurso de controle. Muitos têm ódio à verdade, porque esta impede o adestramento do outro. O acesso à verdade gera a possibilidade de questionamento e sacerdotes temem serem questionados diante de atitudes arbitrarias e muitas vezes sem coerência (não quando a verdade é suja, mas quando ela é pouco profunda é que o homem cognoscente entra de má vontade na água). Muitos mentem (os homens que não precisam mentir muito exageram dizendo que mentem pouco), e eles fazem isso porque não tem caráter (O relacionamento com os homens corrompe o caráter, especialmente quando não se tem nenhum). Rejeita metas, tarefas em que ele não seja o primeiro a ter vantagens. Outros são sem vergonha e querem não apenas falar sobre tudo como também julgar e ainda se consideram superiores aqueles que possuem fraquezas. Muitos atuam como parasitas, vivendo às custas da vida, como alguém que tenta desmentir e desmontar a realidade mentindo como inimigo dos grandes estímulos instintivos da vida. Eles estimulam o lento suicídio de todos e chama isso de “vida em abundância”.
O Bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas disse o grande Jesus. Ser um bom pastor implica em se auto consumir pela vida dos outros. Implica em estender a mão para aquele que está no fundo do poço para trazê-lo de volta á superfície e colocá-lo em terra firme. Implica em deixar os holofotes para estar perto das ovelhas (presença). Implica em ouvir sem stress o universo do outro. Cada pessoa é um livro com título, cor e conteúdo diferente. Temos a mania de ler o título, ignorar o conteúdo devido a nossa preguiça e impaciência e ainda julgamos na última página com a tinta das nossas grafites moralistas. Enfim, borramos tudo, estragamos vidas, rasgamos os livros (pessoas). Infelizmente, o que vemos são sacerdotes sanguessugas que usam o nome de Deus e as plataformas para sugar o semelhante e ficam obesos de tanto comer e beber às custas do “pecado” dos outros (fartura hedionda). Devoram a carne do outro e nem espera o alimento digerir-se e continuam sugando sem parar. O bom pastor se recusa a ser o dedo soberano de Deus; Evita se auto engrandecer pois falar muito de si mesmo também é um meio de se esconder. O bom pastor corrige, mas a correção é feita com base no amor sincero e não com segundas intenções. O bom pastor é humilde, e reconhece as suas limitações como um ser humano normal pois, não passa a idéia de um SUPER HOMEM mas, mostra claramente que é simplesmente um homem de Deus. Mas cuidado: dinheiro, poder e prazer podem mudar a cabeça de qualquer ser humano, portanto, se policie. É preciso ser um mar para acolher dentro de si uma corrente suja sem se sujar. Devemos ficar RELAX porque não somos mar, somos pessoas de carne e osso, somos vulneráveis a falhas. Não é fácil ser humilde porque a humildade tem o pêlo mais duro.
O Bom pastor não abusa da mansidão e boa vontade das ovelhinhas. Ao invés de aderir ao slogan DEPENDÊNDIA, eles utilizam a marca da INTERDEPENDÊNCIA e essa adesão faz a grande diferença porque ao invés de fecundarem animais domesticados, adestrados e escravizados, procriam-se animais animados, fortes, pró-ativos e com uma visão crítica de mundo. É preciso perder o medo de dar as ovelhas o alimento sólido, vitaminas de primeira, para que elas possam ser robustas e capazes de encarar a vida. É preciso ensiná-las a pensar para que não sejam escravas da própria liberdade. A inocência é legal, mas é preciso alternar com a malícia do universo crítico porque o Inimigo anda como um leão buscando a quem possa tragar, por isso é preciso ter olhos por detrás da cabeça. É preciso ser criança, mas é preciso agir como adultos também porque a vida é uma viagem. A vida é um misto de parquinho florido e selva com animais perigosos. Nossa vida precisa ser mais perigosa, e quem não arrisca não vence.
Diga não ao parasitismo sacerdotal, mas valorize aqueles que são de fato: BONS PASTORES.

Perdão! Confiança na desconfiança

“Que o homem fique livre da vingança” dizia o grande Nietzsche. A vingança acarreta a vingança num círculo vicioso permanente. As inimizades nunca são resolvidas pela inimizade, mas pelo tempo, pela reconciliação, pela clemência, pela mansidão, pelo perdão. “Pai, perdoa-os porque eles não sabem o que fazem” disse o grande Jesus. Essa frase remete a uma idéia dos filósofos gregos para os quais o mau é um ignorante, um imbecil. Essa idéia é recuperada na afirmação e na constatação antropossociológica de Karl Marx onde ele cita: “Os homens não sabem o que são nem o que fazem”.

Perdoar é um ato limite, muito difícil, que não implica somente a renúncia à punição, mas comporta uma dissimetria essencial: em lugar do mal pelo mal, devolve o bem pelo mal. É um ato de caridade, no sentido original do termo caritas, ato de bondade e de generosidade. Perdão pressupõe, ao mesmo tempo, a compreensão e a recusa da vingança. Victor Hugo diz: “Esforço-me em compreender para perdoar”. O perdão baseia-se na compreensão. Compreender um ser humano significa não reduzir a sua pessoa à falta ou ao crime cometido e saber que ela tem possibilidade de recuperação. Falando em crime, na obra intitulada “Crime e Castigo” de Dostoievski ocorre um episódio onde Raskolnikov um jovem estudante que cometeu um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar a sua vida após ter cometido o delito. A personagem Sônia acompanha-o e dá suporte até ele alcançar a recuperação e a eliminação da culpa. Ela deu suporte em amor e deu resultado. Suportando uns aos outros em amor dizia o Apóstolo São Paulo.

Perdão é uma aposta, um desafio ético dizia o gênio Edgar Morin; é uma aposta na regeneração daquele que fraquejou ou falhou; é uma aposta na possibilidade de transformação e de conversão para o bem daquele que cometeu o mal. Lembre-se: O ser humano pode evoluir para o melhor ou para o pior. O ser humano pode transformar-se pelo arrependimento, recuperando-se pelo próprio arrependimento. Pode transformar-se pelo que lhe acontecera e pelo remorso, desenvolvendo o melhor do seu potencial. Condicionar o perdão ao arrependimento é perder o sentido profundo do perdão como aposta no ser humano. O ser humano, ao cometer um vacilo, ele pode perder a auto-estima resultando em culpa e ódio para si mesmo. Freud disse que o homem carrega dentro de si o medo da castração, da perda do prestígio, de ser ridicularizado em público. O perdão liberta o indivíduo das gaiolas da culpa e do medo e transforma-o num pássaro com asas livre para voar. O perdão faz surgir a eternidade numa hora (parafrasendo o grande Rubem Alves na obra Religião e Repressão).

O perdão é um ato de confiança. As relações humanas só são possíveis numa dialógica de confiança e de desconfiança que comporta a desconfiança da desconfiança. Nesse jogo, a confiança pode vencer a desconfiança. Embora incerta, a confiança é necessária. Nelson Mandela disse: “Perdoemos, mas não esqueçamos”. “Anistia não é amnésia” dizia um militante polonês. Não tem jeito, a nossa mente não deleta o passado, mas fica armazenado no nosso HD humano. Os sobreviventes e vítimas da repressão da Antiga União soviética criaram a associação Memorial na União Soviética. Ali eles defenderam a memória, não o castigo. Devemos abolir a ética do castigo e aderir à ética do memorial.

Não se pode isolar o perdão. Ele pressupõe compreensão do outro e compreensão de si, o que leva a imaginar a possibilidade de regeneração. Favorecer a possibilidade de regeneração é mais do que nunca necessário neste mundo impiedoso. Há, na ética do perdão, uma ética da redenção. Se cada um de nós soubesse que carrega um terrível potencial de morte, deixaria de ver aquele que já matou como um estranho ou um monstro; dar-lhe ia uma chance de mudar. O grande teólogo e filosófo alemão Feuerbach, disse sarcasticamente que o que faz os homens serem cruéis é a falta de fé, porque se os homens acreditassem firmemente no que dizem “Deus” e a Igreja a respeito dos “castigos infernais, eternos e terríveis”, não poderiam fazer o que fazem. O que une a compreensão à magnanimidade e ao perdão é a resistência à nossa crueldade e barbárie interiores.

É impossível amarmos ao Deus mistério, invisível, desconhecido, e incompreensível se a gente não ama nossos irmãos visíveis de carne e osso que convivem conosco nesse planeta, disse o grande João no texto bíblico. Deus se manifesta nas relações humanitárias e se sente feliz com isso. Lutero disse: "Deus é feliz, mas ele não quer ser feliz só para si". Tom Jobim cantava: “Triste é viver na solidão... é impossível ser feliz sozinho”. Quem perdoa é feliz e experimenta o prazer da afetividade. Quem não perdoa não vive, vegeta, vive só, amargurado, vive iludido. Dizia o mesmo Tom Jobim: “Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão”. Perdoar é viver, e florescer na afetividade. Afetividade com Deus é afetividade com seu semelhante. Amar é perdoar. Perdoar é amar. Perdoar é apostar. Amar é arriscar. A vida é um risco é quem não se arrisca não vence (Nietzsche). Perdoar é arriscar, mas quem não perdoa não ama, não cresce, não vence.

Perdoe até a morte e você receberá a coroa da vida.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

O Parquinho de Deus

Papai do céu, somos todos um bando de crianças brincando no parquinho onde você é o dono. Sentimo-nos seguro porque você não dorme só para nos ver dormindo sobre a grama. Você não dorme só pra ver a gente soltar pipa olhando o céu azul, obras das tuas mãos.

Você não dorme só para nos ver brincando na guerra de esconde - esconde, mesmo naquelas horas em que nos escondemos das artimanhas do capeta;

Você não dorme só para nos ver pegando aquelas ondas maravilhosas na praia e quando vem a onda do mal o teu Espírito Santo nos alerta dizendo: saí fora meu filhinho... O ministério espiritual adverte: esse caixote é prejudicial a você. E nós saímos correndo em fuga e quando chegamos na areia, você está lá de braços abertos para nos abraçar e nos dar segurança.

Você não dorme só para nos ver rabiscando papéis com pincel e cartolina tentando desenhar um retrato ou, uma caricatura da tua majestade, mas você entende e perdoa os nossos borrões.

Nós te agradecemos porque mesmo nas horas em que pecamos e erramos o alvo, e devido o nosso amadorismo decorrente da nossa fragilidade da visibilidade espiritual, acertamos a nota dó sustenido ao invés de dó, esbarramos em duas notas, os nossos erros machucam os teus ouvidos, desafinam a nossa relação criatura x criador mas, mesmo assim, você nos dá um montão de chances e você ainda fica torcendo pra gente acertar a nota certa, e quando acertamos, você bate palma e canta conosco até a última nota, o último acorde da canção.

Você se entristece vendo os adultos correndo iguais uns loucos atrás de riquezas materiais, muitas vezes numa disputa desumana. As riquezas são como a água do mar, quanto mais você bebe, mais você fica com sede dizia Arthur Schopenhauer, entretanto, quando nós ficamos salgados e estressados, você nos oferece a fonte de águas vivas, daí bebemos e paramos automaticamente de ter sede. Te agradecemos porque você é a fonte de todo o prazer, resta-nos, voltar a ser criança e curtir todas as delícias do melhor parque de diversões. Amém.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

O Diabo é bom demais

O diabolus é quem separa. Sem diabolus, não há mundo, pois não há como existir sem as separações do tempo e do espaço, as separações entre as coisas, entre os seres. As forças cósmicas de religação desenvolveram-se a partir da separação, por encontros, afinidades, associações, integração dos átomos às estrelas.

Se o mal é a separação, e o bem é a religação, o mal permite o bem. O nosso universo é “imperfeito”, mas a imperfeição é a condição da sua existência: A perfeição teria feito do universo uma máquina absolutamente determinista, na qual nenhum acontecimento, nenhuma existência singular, nenhuma inovação, nenhuma criação seriam possíveis. O cosmos é, ao mesmo tempo, ordem e fúria devastadora; a ordem estabelece-se no seio da desordem. No segundo princípio da lei da termodinâmica diz que desorganização surge e propaga-se a partir de tudo o que é organizado, desintegração em tudo o que está integrado, a morte em tudo o que vive. Todo o ser vivo mata e come outros seres vivos. A crueldade é o preço a pagar pela grande solidariedade da biosfera. A natureza é simultaneamente, mãe e assassina. Vida e morte são ciclos de rejuvenescimento, eis a verdadeira vida eterna e morte eterna. No livro O BANQUETE Platão afirma que o ser humano busca a imortalidade através da pessoa amada, pela procriação. Edgar Morin diz que a morte é o buraco negro da humanidade, no entanto, o ser humano não aceita a morte como uma tragédia desintegratória biológica, por isso, aposta na idéia de vida eterna após a morte. Não aceitamos o ciclo natural vida-morte, somos egoístas, só pensamos em viver. Heráclito dizia que “vivemos de morte e morremos de vida”. O mal da morte é utilizado para o bem da vida sem deixar de ser o mal da morte.

Há um mal propriamente humano que é o mal praticado voluntariamente por um ser humano contra outro ser humano. Há no ser humano uma formidável proliferação de maldade, de vontade de fazer o mal, prazer em fazer o mal. O apóstolo São Paulo dizia: “o bem que eu quero fazer, esse não rola, mas o mal que eu não quero fazer, sempre acabo fazendo". Que coisa hein!!! Carregamos um fervilhar de monstros que se libertam em todas as ocasiões favoráveis. Somos monges e monstros dependendo da situação. Mudamos de A para Z em poucos segundos.

Diabolus é espírito que separa, mas, se a separação produz o mal, é o produto do surgimento desse mundo que só pode existir na separação. No livro O Evangelho segundo Jesus Cristo, de Saramago, ilustra a idéia de Deus e de Satã como figuras antagônicas e que interconectam-se. Deus e Satã não estão fora de nós, nem tampouco, abaixo ou acima de nós: estão em nós. O pior da crueldade e o melhor da bondade do mundo estão em nós. Aliás no texto hebraico do Antigo Testamento não aparece a idéia de Diabo como um ser do além, mas sempre aparece com o sentido de adversário no âmbito humano. Por exemplo: Para Bush, Bin Laden era o Satã (o adversário). Antigamente, o povo de Israel atribuía o bem ao Deus bom e o mal ao Deus ruim. Acreditava-se que numa eterna luta de boxe entre os dois deuses e que um nocauteava o outro e depois o nocauteado se recuperava. Bonança e catástrofe eram resultado da luta entre o Deus e bom e o Deus mal. A idéia de Diabo como elemento do além é um construto teológico recente. Quando abrimos o Novo Testamento existe uma enxorrada de Demônios, Diabo, etc. Nietzsche que era filósofo e filho de Pastor Luterano escreveu de maneira sarcástica que “o Diabo é o descanso de Deus a cada seis dias”. De qualquer forma, a idéia antagônica está presente. Deus x Diabo / Bem x mal / dor x prazer/ vida x morte/ luz x trevas/ macho x fêmea / heterossexual x homossexual / bissexual (2 em 1), preto x branco, etc. Sem opostos a vida não existiria, se existisse, seria muito chata ou seria um caos. Falando nisso, com os opostos do além, muitas receitas de controle em massa são fabricadas. Em nome de Deus e do Diabo muitas pessoas são adestradas e controladas via medo, via benção e maldição. A “guerra espiritual” é mais importante do que a “guerra humana”. Enquanto lutamos com elementos do além, às vezes ficamos aquém das pessoas estão sofrendo e morrendo do nosso lado. É preciso, lutarmos por uma vida mais humana. Deus se manifesta nas relações comunitárias. Deus se manifesta nas lutas pela solidariedade, eis aí a verdadeira espiritualidade.

Podemos resistir à crueldade do mundo e à crueldade humana pela solidariedade, pelo amor. O problema é que no século XXI, separamos mais do que religamos. O divórcio é divino quando há religação na separação, mas ele se torna diabólico quando há separação na religação. É preciso equilíbrio dos opostos. No pensamento chinês o Yin Yang ilustra o que estou dizendo, pois representam a união e a complementaridade entre os opostos. Lembre-se: somente o separado pode ser religado.

“Vós estais neste mundo, mas não sois apenas deste mundo” disse o grande Jesus. Estamos nesse mundo, mas, não somos só desse mundo porque a terra é uma bolinha de gude no meio do universo monstruoso em estado de expansão e composto por bilhões de galáxias. Estamos separados da complexidade do Universo devido a nossa limitação humana, mas estamos interligados ao universo via interconexões interplanetárias, intergalácticas de complexidade universal. Estamos ligados e separados. Ligamos, separamos e religamos. Somos divinos e diabólicos. Salve o divórcio e o casamento. Salve os antagonismos.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

Jesus era um Palhaço

Quando eu era pequeno e vivia lá no interior do estado do Pará nos anos 80 conheci um palhaço de uns 80 anos. O bicho era um velhinho de pele rabugenta, mas sabia como fazer o povo sorrir. Diariamente eu sempre lembrava das cenas engraçadas, aliás, numa cidadezinha pacata do interior, qualquer novidade era uma novidade. A gente era bobinho, no entanto, o palhaço Zezinho nos colocava dentro de um outro mundinho bem engraçadinho, sei lá, ele era um mestre do seducionismo. Hum! Me lembrei do livro O DIÁRIO DE UM SEDUTOR do filósofo dinamarquês Sören Kieekgaard. Às vezes eu entrava lá muito para baixo e saia de lá super prá cima e cheio de gás.

Lembrei me das historinhas sobre Jesus. Bem, então vamos analisar alguns episódios que esse palhaço- sedutor de multidões se meteu.

O bate papo entre Jesus X mulher samaritana....Loucura total... Rs. Como escreveu o teólogo alemão Joachim Jeremias, naquela época era inconcebível um homem ficar conversando com uma mulher ao ar livre, pior ainda, ele trocou idéias com uma inimiga numero 1 dos judeus. Papo vai, papo vem, pergunta vai e resposta vem, e o clima ficava em alto astral. Jesus seduzia com chavécos espirituais aquela mulher. Quando ele falou sobre Autonomia topográfica-postural ela simplesmente pirou na batatinha, estourou champanhe e tudo... ufa!! até que enfim posso adorar... Deus é 10... ah rá rá...

E aquela hora que ele contou a historinha do bom samaritano que cuidou das feridas do judeu. Os outros judeus passaram e falaram zombando: TÁ LÁ UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO. O bom samaritano comovido disse: TÁ LÁ UM CARENTE ESTENDIDO NO CHÃO. Daí eu pensei num Hitler abraçando e ajudando um judeu no campo de batalha em plena segunda guerra mundial...doidera total.

E que tal aquela historinha dos 5 pães e 2 peixinhos? Imagino Jesus vendo a aquele coral estomacal, e os espíritos famintos cantando em intensidades cada vez maiores: Nem só de pão o homem viverá, mas de pães e de peixes. Jesus fala do nada para distribuírem para geral... Imaginem a cara da galera... Esse cara tá de palhaçada conosco... Viajou na maionese... he he...

Vocês lembram daquela historinha que ele ficou batendo um papo com os doutores? Quando eu tinha 12 anos eu gaguejava perto dos meus colegas, que dirá dos professores... E dos doutores? Sei lá, o moleque Jesus era um sedutor no diálogo... Cheio das idéias o maluco.

E aquela cena que Ele deu porrada nos vendedores no templo. Eu falei: caraca meu!!! Jesus pirou geral. Imaginei ele de vestidão e barbudão (bem judeuzão), no meio de uma muvuca sinistra... = briga entre polícia e camelôs.

E o lance de Lázaro que já era um defunto de 4 dias? Ele chega mansinho pelas beiradas e grita: Lázaro! Sái para fora... Imaginei o He-Man gritando: "Pelos poderes de Graiscow, eu tenho a força!", e a cratera se abrindo e saindo uma múmia desfigurada. Imagine o fedor daquele defunto! Imagine Jesus abraçando aquele ser que veio de outro mundo! Mas eu acho que o abraço de Jesus foi igual um perfume para ele.

Imagine aquela cena dos porcos encapetados. Jesus fala para os capetinhas saírem do corpo do homem, e os bichinhos foram saindo desordenados e cantando: o que fazer? Pra onde ir? entraram nos porcos num empurra-empurra igual as pessoas quando mudam da linha 1 para a linha 2 do metrô carioca.

E aquela hora que ele tava no deserto cheio de fome e apareceu o satã oferecendo pão, acrobacias aéreas, salto olímpico, riquezas. Jesus com a sua palavra simples e sedutora foi na Palavra e disse: Quem ama espera. Espero para fazer a vontade de meu Pai. Você imagina Jesus cantando: "Te louvarei, não importam as circunstâncias, te adorarei, somente a ti Papai".

Em pleno atendimento no meio da multidão ele parou e falou: "Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino de Deus". Imaginem a cara do povão numa sociedade onde crianças e mulheres eram segundo plano.

Lembrei de outra cena. Aquela que ele grita no meio da rua ABBA PAI. O teólogo Joachim Jeremias escreveu que essa expressão era utilizada apenas no ambiente doméstico onde o filho de até 12 anos se dirigia ao seu pai de forma informal e carinhosa. Se ele falasse isso na rua tomaria umas porradas do pai. Daí vem Jesus e grita ABBA PAI, a elite ficou irada e falou: esse cara tá de palhaçada, só pode... Na verdade Jesus fez um ataque político violento a religião porque naquela época a elite sacerdotal controlava Deus no Templo de Jerusalém. Se as pessoas quisessem ter acesso parcial a Deus teria quer ir ao templo. A elite dizia: não tomarás o nome do teu Deus em vão. Se você pronunciar na sua casa, você jogará munição ao vento, porque Deus está aqui no templo. Venham seus idiotas, e tragam seus dízimos e as suas ofertas (trazei todos os dízimos à casa do tesouro) se você trouxer serás abençoado, senão trouxer, serás amaldiçoado porque és ladrão (benção e maldição = 2 ferramentas de controle de massa). Bem vindo a manipulação em Nome de Deus. E o povo vinha cantando: "Eu te busco te procuro ó Deus, mas só no templo tu estás... Na elite tu estás". Somente o sumo sacerdote tinha acesso ao “santo dos santos”. Sempre a elite come o pudim e o filé mignon e a massa come da rabada e da quentinha. Jesus ao pronunciar ABBA PAI, ele tava detonando com a elite e dizendo: Pessoal, vocês podem pronunciar o nome de Deus em qualquer lugar, inclusive de maneira super carinhosa e informal. Onde há o Espírito há a liberdade.

O Nietzsche escreveu dizendo que Jesus não morreu por nossos pecados, mas morreu pelo seu próprio “pecado” que foi peitar a cúpula em nome do amor. Quem peita a elite morre com certeza. A elite esperava um Jesus que fosse rezar a cartilha, mas ele optou por ignorar a cartilha para ensinar como se vive de verdade. A natureza por si é cruel, o mais forte engole o mais fraco. O mais forte ataca e o mais fraco se defende como pode. Mas como seres humanos, podemos decidir entre amar ou massacrar.

Jesus foi um palhaço de primeira categoria. Seus discursos deixavam platéias de boca aberta, porque ele falava sobre o amor. Ele abriu mão de dogmas religiosos, inimizades políticas, de categoria de superioridade e inferioridade, em nome do amor sem interesses, o amor que tudo suporta. Aliás, Ele até instituiu os dias das mulheres, porque enquanto ele estava circulando por aqui as mulheres cantavam a canção do J QUEST: "Dias melhores virão..." Já tá bom d++, mas ainda vai melhorar mais diziam elas. Depois que ele morreu tudo voltou ao normal. Daí o Nietzsche escreveu: "O único cristão de verdade que viveu foi Jesus porque depois da morte dele os ensinamentos se perderam, pior, foi deturpado em nome do poder". Nos tempos de Jesus os desfavorecidos experimentaram uma vida mais linda e mais cheia de graça porque aquele palhaço trazia a mensagem da graça. "Ele fazia as pessoas migrarem da vida apática para uma vida simpática" (Edson Fernando).

Havia também aqueles que duvidavam e pediam à Ele sinais, mas Ele dizia que não os viam porque eram pessoas de pouca fé. Como dizia o poeta Rubem Alves: "Ter fé é acreditar naquilo que os outros não acreditam". Nietzsche escreveu que "os sinais estão por toda a parte, no entanto, faltam olhos para vê-los". As parábolas de Jesus eram uma comédia, envolviam simplicidade e objetividade, no entanto, como diz o poeta bíblico do texto de Hebreus que Deus falou desde a antiguidade de várias maneiras e continua falando até hoje maneira multiforme. Precisamos estar com nossas antenas parabólicas acionadas para captar e enxergar as necessidades do semelhante a nossa volta. Parafraseando o Nietzsche: “os carentes estão por toda a parte, entretanto, faltam aqueles que se doem por eles”.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

Guerras: Espirituais ou Existenciais?

"A humanidade enfrenta um monstro pluricéfalo engendrado por ela mesma. Combater cada cabeça é ineficaz. Combater todas é hercúleo"
(Christian de Duve).

O destino histórico não era inerente à humanidade. Esta viveu dezenas de milênios sem história; esta faz irrupção e entra em erupção há menos de 10 mil anos. A história surge como um degelo de tudo que estava congelado. Esse degelo histórico libera as potencialidades criadoras e destrutivas do ser humano. A história é sem dúvida alguma, o crescimento, a multiplicação e a luta de morte entre os Estados, isso porque a autonomia da sociedade histórica depende de recursos, e sob a pressão dessas necessidades e dessas ambições, ataca os vizinhos, que têm as mesmas necessidades e ambições.

A guerra, o poder, a ascensão e a queda dos Estados determinam-se uns aos outros. Aliás, Oppenheimer atrelou à origem do Estado a guerra. Surge, então duas faces contrárias: civilização e barbárie, construções e devastações, gêneses e aniquilamento. Nesse jogo, a morte é a grande vencedora da história, pois a grandes civilizações, que pretendiam ser eternas, eram todas, mortais. A história nasce da guerra e alimenta a guerra. Num mundo em que tudo se decide pela guerra, as necessidades de defesa e de sobrevivência levam à guerra. A guerra é uma loucura homicida, mas eu acho que um Estado sábio aceita-a para escapar ao aniquilamento.

A guerra permite o desenvolvimento de uma grande arte, que também revela o gênio humano: a estratégia, que é a inteligência operando em condições aleatórias, capaz de antecipar, de modificar-se segundo as informações adquiridas, e de usar o acaso em seu benefício. Na verdade, a guerra foi o fenômeno humano que mais progrediu. Existem vários tipos de guerras, por motivos diversos, e em vários contextos. Existem também as guerras em nomes de deuses. Victor Hugo dizia que estamos entregues a esses deuses, esses monstros, esses gigantes, nossos pensamentos; com freqüência, esses guerreiros terríveis pisoteiam nossas almas. Somos marionetes manobradas por mãos desconhecidas. Somos espadas com as quais os espíritos se enfrentam.

As idéias que nos possuem são motores, mitologias de poder sobre-humano e providencial. O apóstolo Paulo disse sabiamente que a nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra as idéias, os principados e potestades, melhor, lutamos contra ou a favor de princípios ideológicos, posses ideológicas, antagonismos ideológicos, na chamada guerra no mundo noológico (mundo das idéias). As idéias servem-se dos seres humanos, acorrentam-nos, enlouquecem e arrastam-nos. Não são apenas os seres humanos que se combatem por meio de deuses, mas deuses que se combatem por meio de seres humanos. As religiões de amor souberam, melhor do que qualquer outra, suscitar e alimentar o ódio, especialmente nas guerras de religião; o amor pela humanidade deixou-se embalar pela desumanidade.

De qualquer forma, as guerras espalham, bem longe de suas fontes, genes culturais que se combinam com os genes dos povos conquistados e produz mil circulações gastronômicas, ideológicas, teológicas, filosóficas, lingüísticas, etc. Os fragmentos dos derrotados se misturam e inserem-se nos ambientes dos vencedores. Salve a evolução via influências. Mas se liguem! Porque os progressos técnicos e econômicos não são uma garantia de progresso intelectual e ético. Infelizmente, os desenvolvimentos técnicos e econômicos de nossa civilização estão ligados a um subdesenvolvimento psíquico e moral. Que pena!!!

Pascal dizia que o homem continuará atormentado pelos dois infinitos: os nossos limites, e a busca daquilo que nos escapa ao nosso controle. Kant dizia que enfrentaremos as antinomias do espírito e os limites do mundo dos fenômenos; Hegel dizia que vivemos lutando em contradições contínuas, em busca da totalidade que nos escapa.

O apóstolo São Paulo disse que o espírito luta contra a carne e a carne luta contra o espírito. Um é do mal, o outro, é do bem. Nosso apetite luta por carnes vermelha e branca. Há exceções daqueles que são vegetarianos, adeptos do partido verde, da torcida do palmeiras. E o espírito ou os “espíritos”? Eles são problemas sérios, são abstratos, quem sabe possuem multicores. Imaginem Flamengo e Vasco numa disputa acirrada no estádio do maracanã. A vitória e a derrota são elementos cíclicos, porém, antagônicos como o bem e mal que ambos dependem um do outro. Preto-vermelho-branco-verde é diversidade e onde há diversidade há conflitos, um ataca e o outro defende. Um evolui criando mecanismos de ataque, outro também evolui gerando mecanismos de defesa. Nietzsche dizia que o ser humano vive em função do poder. Freud disse que o ser humano vive em busca do prazer. Enfim, o homem é movido pelo prazer de poder. Prazer de eliminar o concorrente. Elimina-se o prazer do outro, neutraliza-se o indivíduo.

O espírito na língua grega é a palavra pneuma que significa vento. A moderna cosmologia comprovou que o universo é povoado por turbilhões de ventos em fúrias atuando em várias direções e com forças diversificadas se contra-atacando na chamada guerra cosmológica. É assim que funciona o jogo da vida, o mais espertinho sopra e tira a bola dos pés do adversário. A sua jogada da vez pode ser bloqueada por um simples suspiro inesperado vindo de quem menos esperamos. Quem é mais esperto, mais rápido, mais estratégico, mais sábio, mais malandro, mais poderoso, mais político esse é quem tem mais chance de voar, enfim, de cabecear e fazer o gol. Nessa existência, o espírito de poder luta contra o corpo do semelhante. Corpo no grego é soma. A palavra soma, engloba o individuo em sua totalidade (matéria carnal, elementos cognitivos, posses materiais, interligações afetivas, universo espiritual, desejos e prazeres, etc). O espírito do egoísmo, de dominação, de castração, luta para neutralizar o outro por completo. A vida é um jogo. Todo jogo comporta imprevisibilidade. Cuidado! Atenção ao alerta do grande Victor Hugo: “No oprimido de ontem, está o opressor de amanhã”. Cuidado!!! Se liguem, pois “a carne é fraca, mas os espíritos são fortes” e até d+++.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

Divórcio: Divino ou Diabólico?

O ser humano percebe o outro como um eu simultaneamente diferente e igual a ele. Quando aparece como semelhante, carrega um potencial de fraternidade. Quando aparece como diferente, carrega um potencial de hostilidade. Daí os ritos de encontro com o outro, apertos de mão, saudações, fórmulas de cortesia, praticados para atrair a sua benevolência ou desarmar a sua hostilidade.

Quando o espírito está cego pela ira, pelo ódio ou pelo desprezo, a diferença cresce e o outro é excluído da identidade humana. Transforma-se em cão, porco ou, pior ainda, em dejeto e excremento. Em contrapartida, a simpatia, a amizade, a afeição e o amor intensificam o sentimento de identidade comum. Carregamos dentro de nós um duplo programa, um egocêntrico, e outro altruísta: a rejeição do outro fora da identidade comum produz o fechamento egocêntrico; a inclusão do outro produz a abertura altruísta e tonifica a compreensão do outro.

O diabo (diabolus) é o separador. O diabo está necessariamente em cada um de nós, pois somos todos indivíduos separados uns dos outros, no entanto, somos passíveis de religação. A disjunção ou separação sem religação, permite o mal; o bem é a religação na separação. Nossa civilização separa mais do que liga. Estamos em déficit de religação e esta se tornou uma necessidade vital. A ofensa, o desprezo e o ódio excluem. Há uma necessidade e cortesia e civilidade porque ambas são signos de reconhecimento do outro como pessoa, e tecem a malha da cordialidade. O mundo já experimentou várias revoluções, mas precisa experimentar uma revolução na afetividade. Mas lembre-se do equilíbrio afetivo pois, a falta de amor impede o reconhecimento das qualidades do outro; o excesso de amor impede, pelo ciúme, o reconhecimento da autonomia do outro.

O caráter sagrado da verdadeira amizade dá-lhe prioridade sobre os interesses, as relações e a ideologia. A qualidade da pessoa importa mais do que a qualidade das suas idéias ou opiniões. Não julgue os outros pelas suas opiniões, mas sobre o que as suas opiniões fazem delas, mas tome cuidado com o tal do “camarada”. O camarada pode se tornar um falso irmão, entretanto, o amigo é um irmão por escolha. A amizade comporta riscos e conflitos devido a diversidade dos indivíduos, porém, a escolha que divide pode reclamar o sacrifício da amizade, jamais a traição do amigo. O verdadeiro amor considera o ser amado como igual e livre, com isso, exclui a tirania e a hierarquia. Nosso mundo sofre de insuficiência de amor, mas sofre também de mau amor (amor possessivo), de cegueiras de amor, de perversões e amor, de aviltamentos de amor que desemboca em ódio. O amor atual sempre corre o risco de ser desconfigurado devido um novo amor.

Que bom seria se vivessêmos em eterno clima de natal, contendo a imagem do bom velhinho, figura de fraternidade, de doação, com sua barba branca instigando-nos à pureza de nossas ações. Como dizia o poeta Mário Quintana: "Ter sucesso na vida, é você lutar pelo bem estar do outro sem almejar as passarelas". Mesmo sabendo que somos sujeitos ao divórcio afetivo e que este pode nos destruir e arruinar com o outro, é interessante lutarmos, pela construção mesmo sabendo que a existência comporta a desconstrução. Como dizia o bom Nietzsche: aquilo que não nos destrói, nos fortalece. Que tal fortalecer nossos vínculos afetivos? Com isso poderemos fazer muito mais do que aquilo que sonhamos ou pensamos. Como dizia o Apóstolo São Paulo: “Tudo posso naquele Amor cósmico que me fortalece”. Podemos fazer muitas coisas estando vinculados, religados a outras forças de ligação e de doação que se unem em prol da divinização de todo amor que é sagrado.

Abraços!

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

Deus, o Diabo e o Mcdonald`s

(Autor desconhecido)

Deus disse: "Que cresça a erva, que a erva dê semente, que da semente cresçam árvores e dêem frutos".

Deus povoou a Terra com brócolis, couve-flor, espinafre, milho e vegetais de todas as espécies, para que o Homem e a Mulher pudessem viver longas e saudáveis vidas.

E Satanás criou o Mcdonald`s e a promoção de dois Big Macs a cinco reais. E Satanás disse ao Homem: "Queres as batatas fritas com que?" E o homem disse: "Na promoção, com Coca-cola, catchup e mostarda".

E o Homem engordou cinco quilos.

E Deus criou o iogurte saudável, para que a Mulher pudesse manter a forma esbelta de que o Homem tanto gostava.

E Satanás criou o chocolate.

E a Mulher engordou cinco quilos.

E Deus disse: "Experimentem a minha salada".

E Satanás criou os pratos de bacalhau com creme e marisco.

E a Mulher engordou 10kg.

E Deus disse: "Enviei-vos bons e saudáveis vegetais e o azeite para que os possam cozinhar

E Satanás inventou a gordura hidrogenada, a galinha frita e o peixe frito.

E o Homem ganhou! dez quilos e os níveis de colesterol bateram no teto.

E Deus criou os sapatos de corrida, e o Homem perdeu aqueles quilos extras.

E Satanás criou a televisão a cabo com controle remoto para que o homem não tivesse de se levantar para mudar de canal.

E o Homem engordou mais vinte quilos.

E Deus disse: "Estás passando dos limites".

E Satanás criou o ataque cardíaco.

E Deus criou a intervenção cirúrgica cardíaca.

E Satanás criou o sistema de saúde brasileiro...

Mas Deus deu ao homem os convênios... e a aposentadoria para que ele pudesse descansar e ter nova chance..

Aí Satanás criou o PT...

Então Deus desistiu

Deus: Mistura e Mistério

"Se eu quiser falar com Deus, tenho que me aventurar"
(Gilberto Gil).

O mistério da vida está ligado ao mistério do cosmo, pois carregamos em nós a vida e o cosmo. O próprio indivíduo é uno e múltiplo; a sua unidade não se concebe apenas numa base genética, fisiológica, cerebral, mas também a partir da noção de sujeito, comportando um duplo princípio de exclusão e de inclusão, que permite compreender, ao mesmo tempo, o egocentrismo, a intersubjetividade e o altruísmo. O ser humano é bipolarizado em antagonismos: sapiens / demens; faber / ludens / imaginarius; econômico / consumidor / estético; prosaico / poético). Gostamos de diversão, desperdício, consumo, despesa,etc. Enfim essas multiplicidades constituem eflorescências da complexidade individual e da complexidade social. Revelam a diferença entre a máquina dinâmica humana e a máquina trivial e artificial. Qualquer aplicação de modelos deterministas, econômicos e racionalizadores para conhecer o universo humano, despreza o essencial.

O espírito humano responsável por invenções e criações, está sempre ameaçado de regressão, de ilusão, de delírios, mas o legal é que existem delírios que favorecem a genialidade. A criatividade é o mistério supremo da vida porque compreender o ato criativo significa reconhecer que ele é inexplicável e sem fundamentos. Acho que o Chico Buarque se entregou ao delírio ao investigar a árvore genealógica da sua família. Você pira ao ouvir? O meu pai era paulista, meu avô pernambucano, o meu bisavô mineiro, meu tataravô baiano... tô ficando sem cabelos, com a mistura brasileira.

Além das diversas categorias como: heterossexuais, homossexuais, bissexuais, metrossexuais, retrossexuais, transsexuais agora surgiu os chamados “übersexuais”. Über na língua alemã significa em cima, top. Eles são quase perfeitos, príncipes encantados, se acham tudo de bom. O ser humano adora ficar por cima, pois é adepto de carteirinha da Síndrome da ÜBER (union of the best elements in Rede). Deus quis fazer o homem à imagem e semelhança dele (homem nesse texto = estátua de Deus na língua hebraica). Pois é, olha no que deu! Apareceu a síndrome uberiana. Difícil agora é descobrir uma vacina anti-uberiana. Enigma ou mistério? Uberina? Quem sabe. Só não rola aspirina.

Deus está solto dizia Drummond de Andrade. O texto bíblico diz que Deus é onipresente e que no princípio era o logos, e logos estava com Deus e o logos era Deus. Logos é a palavra no grego que denota fundamento. João 1.1 é uma frase lógica que denota que Deus não está preso na gaiola de nossos pensamentos (Rubem Alves), e nem é monopólio de sistemas. Vejamos: O mistério do cosmo não pára de crescer. Estudiosos no âmbito da moderna cosmologia afirmaram que a parte observável do nosso universo ainda é minúscula isto porque as estrelas constituem 0,5% disso, o hidrogênio livre e o hélio 4%, os elementos pesados 0,03%, os neutrinos 0,3%; 30% seriam formados por uma matéria escura e 65% por uma energia escura. Estamos diante da complexidade universal e no jogo da complexidade a inteligência fica cara a cara com o ininteligível. O homem não suporta a complexidade e tende a querer domesticar e sistematizar tudo aquilo que foge ao controle. Hegel dizia que o homem vive atormentado em contradições contínuas em busca da totalidade que lhe escapa. A teologia sistemática é um exemplo claro disso, pois ela tenta sistematizar Deus através de conceitos humanos. Deus é poderoso, majestoso, fiel, justo, bondoso, que são conceitos inerentes à monarquia. Antigamente os reis eram deuses aclamado e adorado pela massa. Deus é Pai, conceito referente a sociedade machista da época. Leonardo Boff escreve a obra: O ROSTO MATERNO DE DEUS. Deus, é pai e mãe. Deus é filho via encarnação de Jesus. Deus é a família em sua completude.

A cúpula sacerdotal ao assumir o poder, controlou Deus no Templo de Jerusalém, e se a massa quisesse acessar Deus, teria que se deslocar até o Templo e obedecer às configurações divinas impostas pela elite. O sumo sacerdote dizia possuir a senha de Deus. A massa ficava do lado de fora esperando ele chegar com os e-mails que ele mesmo escrevia, selecionava e lia dizendo que era Deus que havia escrito e enviado. Detalhe! Essa elite odiava orkut.

"A morte também é um buraco negro" (Edgar Morin). Todas as religiões criam mecanismos doutrinários para escapar dela. Uns crêem em encarnação e reencarnação, outros crêem em purgatório, outros crêem na salvação e condenação, enfim o ser humano não aceita a morte e tenta fugir dela de qualquer jeito. O animal para se esconder do medo, cava um buraco na terra. O homem para se esconder de si, cava um buraco no céu. Platão no livro O Banquete, ele fala da imortalidade do ser humano pela procriação, uma idéia que remete a Gênesis quando Heloim (Deus da criação) fala: Crescei e multiplicai. A idéia de morte e vida funcionam como ciclos de rejuvenescimento, até porque querendo ou não, o universo foi programado para funcionar via ciclos. Aliás, os judeus não acreditavam em vida após a morte, nem em céu, nem em vida eterna, nem inferno, diabos e demônios. Esses elementos foram criados e inseridos no cenário social durante o período interbíblico. Lembre-se: toda a construção aqui nesse planeta é de caráter humano e Deus pode ser utilizado como ferramenta de legitimação das inovações.

Até o século VI antes de Cristo, a nação de Israel era polilátrica, isto é, havia vários deuses e cada família escolhia o seu (a arqueologia comprova isso mostrando que durante as escavações era encontrada uma imagem diferente em cada casa). Mas os sacerdotes ao assumirem o poder no templo nesse período, constataram que se o povo continuasse tendo livre acesso aos deuses em sua própria casa, impediria o poder e o lucro da elite. Por isso a elite fabricou comandos de controle como: “Não farás para ti imagens de escultura”. “Não terás outros deuses diante de mim”. “Trazei todos os dízimos a casa do tesouro”. Só poderia haver um Deus, o da elite no Templo. Quem quisesse acessá-lo, teria que ir ao templo, levando consigo as ofertas porque esse Deus era exigente e abençoaria quem desse e amaldiçoaria quem se omitisse a entregar a grana. A idéia de pecado também surgiu nesse período quando os sacerdotes construíram o texto mitológico do paraíso citado em Gênesis 3 para favorecer a cúpula e neutralizar a massa. Objetivo da cúpula era alertar a massa que se alguém tentasse decidir por conta própria o que fosse bom e ruim, aconteceria o que aconteceu com Adão e Eva, seriam expulsos. Só a elite pode decidir, a massa tem que dizer aleluia e amém. Nietzsche sabia de história e escreveu: O medo explica tudo, inclusive o “pecado original”. Essa fórmula “O HOMEM É PECADOR, É SUJO, A CARNE É FRACA” funcionou e funciona muito bem até hoje. A construção sacerdotal do tal do PECADO, foi o maior pecado contra o espírito santo da vida. A chamada fórmula teológica “Deus no controle” serve de discurso de controle. Spinoza, Einstein e outros se opunham a essa visão, pois diziam, que o universo está tão bem montado, constituído por leis de auto-regulagem, que se torna inviável um Deus tirano controlando tudo. Acho que Spinoza via Deus sentadinho numa cadeira se divertindo com tudo que acontecia no universo. O artista se diverte com a sua própria obra, eu sinto isso na pele. O homem possui o livre arbítrio para decidir o que é bom e o que é ruim para si mesmo, sendo ilógico um Deus ficar determinando as suas leis morais sobre nós dizia Einstein.

A grande verdade é que existem vários deuses, ou melhor, várias configurações sobre Deus. O Nietzsche que era filho de Pastor percebeu isso e escreveu: Deus é uma construção humana. O Leonardo Boff disse que cada um revela a face de Deus que o outro não pode revelar. O Nietzsche escreveu que Deus morreu. Lógico! Com tanta disputa de poder em nome de Deus, tantos estupros ideológicos, tantos conflitos pela posse da verdade absoluta, é óbvio que Deus morre. Deus morre quando matamos o semelhante, se ofende quando ofendemos o semelhante, porque somos feitos à imagem e semelhança dele. Jesus se encarnou para que o rosto de Deus fosse visível de maneira simples, via amor. Jesus (o amor) é o caminho a verdade e a vida, ninguém tem acesso ao mistério se não for através da simplicidade, reciprocidade e da veracidade do amor inter-religioso, internacional, o amor que rompe fronteiras e tabus porque todo o amor é sagrado. Quem sabe, futuramente poderemos falar sobre amor interplanetário, intergaláctico, se porventura houver vida em outros cenários desse cosmo em expansão. Matematicamente é muito improvável que estejamos sós nesse planeta. Com os avanços da tecnociência, tudo pode acontecer. Vamos ficar ligados!!!

No episódio pós-dilúvio relatado no livro de Genesis, aparece Deus doando o arco-íris a Noé. Ele disse: essa multiplicidade de cores é o meu símbolo. É o meu pacto com vocês. Eu fico tão maravilhado vendo essa diversidade de cores que eu não tenho coragem de destruir a diversidade. Ivan Lins disse em uma entrevista que cada obra de um compositor é como um filho que foi gerado com muito prazer e muita energia. Destruir uma obra é destruir um filho. Que tal aderirmos à idéia do Michel Foucault quando ele escreveu sobre “O CUIDADO DE SI”? Que tal lermos a obra de “SABER CUIDAR” de Leonardo Boff? Ele escreve sobre a ética do humano, sobre o cuidado com o nosso planeta, cuidado com o semelhante, com o nicho ecológico, etc.

Quem conhece a cidade de São Paulo sabe que existem duas grandes avenidas que se cruzam: A Ipiranga e a Avenida São João. Durante o dia na hora da muvuca, não dá para saber quem é quem, entretanto, a anoitecer, o ambiente muda de cor, mas permanece dinâmico como um ciclo, pois se torna ambiente de prostituição, de drogas, etc. Caetano Veloso fez sucesso cantando a famosa frase musical: “Alguma coisa acontece no meu coração, é quando eu cruzo a Ipiranga com a Avenida São João”. Muitas coisas acontecem diante da diversidade misteriosa que é a vida, diante de Deus. Às vezes ficamos confusos, meio perdidos. João Alexandre escreveu que no meio dessa loucura múltipla, nos abismos das gerações, Deus tem que ser para nós, ponto de encontro uma mesma voz, que nos converte um ao outro e nos traz a paz. Marcos Witt escreveu: “Sei que a Tua fidelidade, leva a minha vida mais além, do que eu posso imaginar. Sei que através da simplicidade, e da consciência que os Teus olhos estão sobre mim e que não posso fugir disso, isso me enche da Tua paz". A complexidade, multiplicidade e a simplicidade de Deus estão dentro de nós. Fé é estar possuído por aquilo que nos toca (Paul Tillic). Que tal cantar agora? Alguma coisa acontece no meu coração...

Joevan Caitano (Joeblack) "Um poeta delirando com o Mistério".
joeblack.blog@gmail.com

A oração e a dança diante do abismo

Deus é o amor que satisfaz os nossos desejos, as nossas necessidades, porque Ele é a essência da afetividade. Deus é uma lágrima de amor derramada pela miséria humana na mais profunda intimidade. Deus é o SIM da afetividade humana. Deus não gosta daquelas orações que engordam o nosso egoísmo, mas daquelas que expressam um amor incontrolável pelo próximo capaz de arremessar-nos ao chão nocauteando os nossos impulsos de dominação, de manipulação do nosso semelhante.

Na oração a gente se esquece que existe um limite para os nossos desejos e sentimo-nos felizes neste esquecimento. Espontaneamente fluem dos lábios as palavras mais inusitadas, a angústia do nosso coração arrebenta os cadeados da boca. Na oração experimentamos a interdependência em Relação ao Pai. No Pai experimentamos o sentimento de força, a consciência do seu valor, a certeza da realização dos nossos desejos; Nele está a fonte do cuidado. Vivemos como crianças despreocupadas e felizes na confiança, seguros que temos um anjo da guarda que não dorme só para nos ver dormindo ou brincando.

Quando nos sentimos só, podemos recorrer à oração comunitária que eleva o poder da afetividade, eleva a autoconfiança. O que não se consegue a sós, consegue-se com os outros. Sentimento de solidão é sentimento de limitação; sentimento de comunidade é sentimento de liberdade, sentimento de potencialidade. Onde estiverem reunidos 2 ou 3 em meu nome a força será maior porque eu estarei presente para participar desse jogo de amigos onde o gol é a comunhão. O rosto de Deus é visualizado nas relações comunitárias.

A mais profunda expressão de Deus na oração é a palavra Pai, a onipotência da bondade. Diante da onipotência dessa força sobrenatural podemos ter fé que seremos acariciados e ouvidos independente das circunstâncias. A fé desata os desejos humanos das algemas da razão, pois ela permite o que a natureza e a razão negam. Sem algemas podemos dançar na beira do abismo (“Fé é dançar na beira dos abismos” - Nietzsche).

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

666! Número da besta ou número da vida?

"Quando abro cada manhã a janela do meu quarto, é como se abrisse o mesmo livro numa página nova" (Mário Quintana).

A vida é uma caixinha de surpresas, às vezes ela é louca, por isso, não se engane porque no mundo tereis aflições disse o Grande Jesus. Sofremos porque aqui não é um mar de rosas e somos de carne e osso. O coração que bate-bate; antes deixe de bater! Só num relógio é que as horas vão batendo sem sofrer. Mesmo nas instabilidades, evite reclamar, comece a curtir agradecendo por aquilo que você é e por aquilo que você tem. (Melhor é chorar junto à lareira quente do que na rua, desabrigado).

A vida também é um incêndio, e no calor dançamos e cantamos canções mágicas. Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta? Cantemos a canção da vida, na própria luz consumida. Quantas vezes a gente, em busca da felicidade, procede tal e qual o avozinho infeliz que em vão, por toda a parte, procura os óculos, tendo-os na ponta do nariz. A maior felicidade que você pode adquirir é fazer o outro feliz. Não percas a chance de ler o universo do outro; porque por mais que estudes, que te adiantaria, se a teu amigo tu não sabes ler? Faça parte do Ministério da leitura e da escuta. Aprenda a escutar o outro.

Nessa vida é preciso saber viver dizia Roberto Carlos mesmo sabendo que a vida não é feita de ilusão (meu saco de ilusão bem cheio tive-o, e com ele ia subindo a ladeira da vida , no entanto, após cada ilusão perdida, que extraordinária sensação de alívio! Ufa!). Cremos que um outro mundo existe, uma outra vida no além; Mas de que adianta ir para lá senão sabemos viver nem nesse planeta? Mário Quintana fazendo alusão ao GENESIS disse que Deus criou este mundo (E viu Deus que era muito bom), o homem, todavia, entrou desconfiado, decerto, não gostou muito do que via, e foi logo inventando o outro mundo onde o egoísmo é o oxigênio. Perguntaram para Nietzsche: O homem é vontade de viver? Ele respondeu: que nada! é vontade de poder. O poder e o egoísmo formam um maldito dueto que desafina a música da vida.

Pro dia nascer feliz, é preciso investir nas amizades, no cuidado pelo outro porque o rosto de Deus é refletido nas relações comunitárias. Seja apaixonado pelas coisas boas que a vida oferece, seja quem sabe, EXAGERADO, como dizia o bom CAZUZA, ou um ADORADOR EXTRAVAGANTE como fala a mídia gospel, porque a vida toda é um aprender a viver. Extravase, exagere em amar a vida, amar o próximo porque é a maneira como vivemos que nos prepara para morrer. A morte é um rio onde a gente embarca de olhos fechados. O poeta bíblico disse que o tempo passa muito rápido e nós voamos (breve é a vida). Cazuza disse que o tempo não pára. A vida é um vai e vem de uma estação, enquanto uns gritam GOOOOOOOOOOOOOOOOL!!! Numa partida entre FLAMENGO X VASCO, um avião da GOL está caindo. Como é bela uma asa em pleno vôo, uma vela em alto mar, sua vida, toda ela, está contida entre o partir e o chegar.

Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios disse o escritor bíblico. Cuidado para não se assustar ao ver o número 666!!! TAN TAN TAN TAN!!! Suspense?? Que nada! é realidade mesmo. Quando se vê, já são 6 horas. Quando se vê, já é sexta feira. Quando se vê, passaram 60 anos. Agora é tarde demais para ficar se lamentando. A vida é como ondas de um mar e não adianta fugir, nem mentir, nem ficar de léro-léro. Quem aproveitou se deu bem, quem desperdiçou, lamento. Besta é quem se mata no stress e não curte os bons momentos que a vida oferece.

Fique ligadão! Não seja besta, seja oportunista. O tempo não pára!

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com


 

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