Um relacionamento com o Misterioso

A verdade genuína não pode ser pensada, falada, escrita, ela é eternamente silenciosa, anônima, amorfa, incolor. Se Deus não fosse a verdade absoluta não seria ele o Eterno Silencioso, o Anônimo, o Amorfo, o Incolor. Quanto mais o homem se aproxima de Deus, mais silencioso se torna, mais anônimo, mais amorfo, mais incolor.

Tudo o que se pode pensar, que tem nome, forma e cor, pertence ao mundo dos relativos, mas não do mundo do Absoluto. Tudo o que é relativo é como um reflexo no espelho bidimensional de tempo e espaço. O Absoluto está fora de tempo e espaço, no Eterno e no Infinito.

O nosso ego-impírico só conhece as facticidades relativas, no espelho ilusório de tempo e espaço, nada se sabe da Realidade verdadeira. Podemos saborear, mas não podemos pensar nem dizer algo sobre o Realidade Divina . A Realidade é impensável e indizível.

Pelo fato de estarmos diante dessa Realidade inexplicável, saboreando o inacessível é que nos tornamos felizes, e por vezes a nossa felicidade é tão grande que resolvemos pensar e falar, e até escrever, porque a nossa plenitude finita transborda irresistivelmente diante da plenitude do Infinito. Quem se torna receptivo recebe. O recebido está no recipiente segundo o modo do recipiente. A Realidade Divina é infinita, mas a facticidade humana recebe algo dessa Realidade de acordo e proporcionalmente à capacidade e ao modo peculiar do recipiente.

Nenhum Finito vê a Realidade Infinita assim como ela é, mas sim assim como ele, o Finito é. A Infinita Realidade aparece finitamente em qualquer Finito. A minha finitude dá forma e cor ao infinito, que é sem forma e sem cor. Eu não percebo a Infinita Realidade assim como ela é, mas assim como eu sou. Deus, a Suprema Realidade, é qualidade sem quantidade. O centro de Deus está em toda parte, mas a sua periferia não está em parte alguma. Deus não está preso a teologias, seitas, igrejas, dogmas. Deus é Eterno (ausência de tempo), e indimensional (ausência de espaço).

Deus se relaciona conosco do jeito que somos, aonde estivermos, independente das nossas limitações. Tentamos configurar Deus esteticamente, mentalmente, porque temos necessidade de explicações mesmo sabendo que Deus é mistério. O homem existe graças as suas limitações. Existir = ex-sistir = ser colocado pra fora. Tempo e espaço são como que luzes suavemente dosadas para que o indivíduo humano possa suportá-las sem sofrer danos.

Nietzche disse que Deus é uma construção humana. Realmente isso é uma grande verdade, porque construímos Deus do nosso jeito, baseado nas nossas concepções finitas. Mas esse desejo de construção deve nos estimular à uma desconstrução diante do sagrado. Permitir-se à uma desconstrução diária é sinal de humildade e Deus ama os humildes. Cante: “Sei que tua fidelidade leva minha vida mais além do que eu posso imaginar” (Marcos Witt) ou leia: “Nem olhos viram,nem ouvidos ouviram,nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para àqueles que o amam”. 1 Coríntios.2:9.

E apesar desta glória que tens, tu te importas comigo também. Isso é demais! o Infinito se importa e cuida do finito. Um relacionamento desproporcional aos olhos do finito, mas proporcional ao Infinito quando percebemos a inexplicabilidade do Seu amor que é Absoluto.

A fé, a relação com o Mistério independe do nosso nível de compreensão. É uma questão de necessidade humana depender de Deus.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

Vida: Solidão ou Solidariedade?

O viver é solitário e solidário. Participamos de miríades de outras vidas que nos alimentam e que alimentamos. Cada vida autônoma é possuída no interior e no exterior por outras vidas. Ninguém nasce só. Ninguém está só no mundo, no entanto, cada um está só no mundo.

O comportamento animal é um desencadeamento initerrupto de esforços para alimentar-se, atacar, defender-se, fugir. Apressa-se, agita-se, erra-se, arrisca-se a vida para comer, isto é, para viver. A desigualdade/diversidade está escrita na determinação genética que enraíza a planta, faz rastejar a serpente, voar a ave. O leão vive de amor e carne fresca e pode dormir três dias após uma boa refeição. Mas bilhões de seres passam a maior parte do tempo à procura de um alimento; vivem para comer mais do que comem para viver. Bilhões de seres passam o tempo à espreita, a espiar, a fugir, vivem mais para sobreviver do que sobrevivem para viver.

Existir é um modo de ser aleatório, dependente, em recomeço. O ser vivo é um ser de necessidade e de carência. Não passamos de um redemoinho efêmero, mas computante pois vive baseado no cálculo. Calculamos tudo em nossa vida. Até as plantas calculam, criam estratégias no seu modo de reprodução/disseminação, nas suas inter-relações fitossociológicas. Tudo se passa como se a planta ou a àrvore no seu conjunto constituísse, através das interações informacionais entre células, uma espécie de cerebralidade, indiferenciada do próprio ser, produzindo fito inteligência. Assim como os neurônios associados ao acaso no nosso cérebro não sabem que as suas intercomunicações aos bilhões constituem o nosso pensamento, igualmente os indivíduos celulares de um organismo, policelulares de uma sociedade, polimorfos de um ecossistema, não sabem que as suas interações egoístas e míopes resultam globalmente do conhecimento, da inteligência, da estratégia.

Pelo fato de todo o ser vivo ser um ser de carência e de necessidade, é sempre por computação que responde à necessidade e à carência. E é a associação dinâmica da necessidade e do computo que faz o animal um ser de desejo, de procura, de exploração. No animal não existe, por um lado, a carência; por outro lado, o cálculo; mas existe, na e pela união da carência e do cálculo, a procura.

Embora se comuniquem com o mundo exterior, os seres vivos são, ao mesmo tempo, seres incrivelmente míopes e, para vastos setores de realidade, cegos. As bactérias têm apenas quimio-receptores pobres; os vegetais são desprovidos de redes nervosas. Inúmeras espécies não têm olhos. Os olhos da rã só distinguem o movimento, e não a mosca móvel. Os sentidos podem ser logrados, enganados. Uma macaca pode embalar um manequim como se fosse um filho.

Como dizia linda frase: ser livre é ser dependente e diferente uns dos outros. Salve os antagonismos e a diversidade que obras das mãos de Papai do Céu.

Observem que até Deus é diferente, cada religião constrói a sua configuração de Deus. O Deus da religião A é AZUL, o da Religião B é marrom; o da Religião X é moralista e está no controle de tudo e ainda é “Deus verdadeiro”; Einsten chegou a dizer que Deus era o próprio cosmo infinito e que possuía leis próprias. Cada um puxa a sardinha para o seu lado. Mata-se em nome de Deus; rouba-se em nome de Deus; adestra-se o outro e Nome da “VERDADE”. Nietzsche sabiamente escreveu: Deus é uma construção humana, porque cada um configura de um jeito. Deus criou o homem ou o homem criou Deus? Deus criou a diversidade, inclusive deu ao homem o livre arbítrio e a capacidade de estabelecer especulações sobre Ele que é o próprio MISTÉRIO. Dependemos do Deus construção humana e esse Deus carece de nós para se manter vivo. Os deuses dependem das pessoas para se manterem vivos. Morre-se as civilizações e os deuses morrem junto. Carregamos a morte e a vida dentro de nós. É necessidade humana interagir com os deuses que funcionam como TALISMÃS. Há aqueles que usam a Bíblia, os cânticos, as ideologias, as imagens dos santos, as rezas e orações, os sacrifícios, os martírios, os escritos dos seus líderes e depositam a fé nessas coisas e as coisas acontecem. Fé é fé, é inquestionável, cada um tem a sua.

Mesmo sabendo que o tenho um Deus construto familiar, é com ele que eu me apego, porque não tenho acesso ao Mistério. Diante do mistério eu me sinto solitário. Mas quando eu chamo ele de PAPAI DO CÉU, eu sou abraçado, eu sinto um calor solidário, ouço aquela frase: SEM MIM NADA PODEIS FAZER/ O MEU SOCORRO VEM DE PAPAI QUE ME QUER ABRAÇAR e me dar um CHEIRINHO NO CANGÓTE. O abraço de Deus pode ser um abraço de seu amigo. É impossível abraçar a Deus se você não abraça o seu amigo. É impossível conectar-se com o invisível se não conectarmos simbioticamente com o semelhante visível. Ser livre é ser carente uns dos outros.

Sorria! O sorriso de Deus pode ser o sorriso de seu amigo/semelhante.

Abraços!

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

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Trabalhos

Um pouco do que eu faço!
Atuo como pianista, violonista, regente, arranjador, compositor, escritor, teólogo do cotidiano.
Estudei música sacra e teologia na FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DO RIO (STBSB) e Licenciatura em Música pela UFRJ.

Pastoreando em amor, porque Deus é amor. Sim, todo amor é sagrado.

Quem Sou


Sou um bicho muito doido, muito ousado, um misto de loucura e doçura. As vezes filosófo (sou fã de Nietzsche), as vezes poeta (sou fã de Cazuza e Mário Quintana), as vezes músico (sou fã de Tom Jobim), as vezes teólogo (sou fã de FEUERBACH). Sou um leitor compulsivo.

Sou compositor, arranjador e pianista.

Por enquanto tô no Rio de Janeiro, mas em breve estarei em Berlin (ALEMANHA).

A vida é um risco, e quem não se arrisca não vence dizia Nietzsche. Arrisque até a morte e você receberá a coroa da vida.

Sou adepto do MINISTÉRIO DA ESCUTA, escutar o universo do outro.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com


 

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