Vida: arriscar ou ser riscado do mapa?

Vida: arriscar ou ser riscado?
Por Joeblack (joevex@hotmail.com)

Kierkegaard disse que fé é um salto no escuro. Nietzsche dizia que ter fé é dançar na beira do abismo. Rubem Alves disse que ter fé é acreditar naquilo que os outros não acreditam. O poeta bíblico anônimo que escreveu o texto de Hebreus disse que a fé é a prova, a visualização daquilo que não pode ser visto. Enfim, fé é apostar naquilo que não pode ser verbalizado, explicado. Fé é aposta. Apostar é arriscar.
A vida é um risco, e quem não se arrisca não vence. Como dizia o grande poeta e filósofo Nietzsche: “A nossa vida precisa ser mais perigosa, mais ousada.” Viajar é um risco. Enquanto uns estão assistindo a uma partida entre FLAMENGO x VASCO e gritam: GOOOOOL!!! Um avião da GOL está caindo.
Trânsito é um risco. Corremos o risco de sermos atropelados quando acabamos de nos desviar de um carro.
Emprego é um risco. Hoje estamos empregados, amanhã poderemos estar desempregados.
Empresa é um risco. Hoje a firma está no auge, amanhã ela pode falir.
Convicções é um risco. Hoje a gente pensa de um jeito, amanhã pensamos de outro.
Amizade é um risco. Hoje ele é seu amigo, amanhã ele te trai, e vira seu inimigo.
Paquera é um risco. Investe-se passo a passo e na hora do BÓTE, o rapaz fala: Gatinha! Eu estou afinzão de você, mas ela responde: mas eu não estou afim não, você se equivocou. Daí o carinha canta: O que fazer? Pra onde ir se só tu tens as palavras de um grande fora? Estou desanimado; estou decepcionado, estou muito arrasado. A vida é feita de TÔCOS e “Deus ama quem toma TÔCO com alegria”.
Namoro é um risco. Você constrói um relacionamento passo a passo como dizia o poeta Rubem Alves: “a cada dia que se passa, um é possuído pelo outro”. No auge do relacionamento, o rapaz oferece flores e recita a frase do poema de Drummond de Andrade: AMO PORQUE TE AMO, porque para o amor não cabe explicações. No dia seguinte, garota chega e fala do nada: TERMINO PORQUE TE AMO, e não tenho explicações.
Casamento é um risco. Ouve-se a famosa frase: Até que a morte vos separe. Mas nem sempre é a morte que separa.
Ter intimidade com o outro é um risco porque você se expõe, você faz coisas que até mesmo Deus “duvida” como diz Ivan Lins: “O amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida”. Enfim, você fica vulnerável.
O amor é um risco como dizia o poetinha Vinícius de Moraes. Que o amor seja eterno, enquanto, dure. A eternidade está condicionada ao ato de regar a plantinha do relacionamento, da afetividade. Quando paramos de regar a plantinha, ocorre uma ruptura na continuidade, isto é, na “eternidade”. A plantinha vai enfraquecendo, murcha e morre.
A afetividade humana é assim mesmo: instável, vulnerável, e imprevisível. O ser humano é um bicho louco, esquisito que muda de canal com facilidade.
Quem sabe a gente pode se arriscar, apostando no amor do Mistério a quem chamamos de Papai do céu!
Que tal você se arriscar e se jogar nos braços do Pai e experimentar dessa afetividade sobrenatural que se manifesta nas coisas simples e naturais? Que tal arriscar a ter intimidade com ele? Lembre-se: aquele que se arriscar, esse vencerá. Aquele que se arriscar, esse será salvo. Arrisque até a morte, e você receberá a coroa da vida.
Papai do céu! Nós queremos e precisamos arriscar mais, mas nós precisamos da tua escolta pra gente não quebrar a cara.
Se você não arriscar, você corre o risco de ser riscado do mapa da vida. Seja proativo e oportunista.

Abraços: Joe! Um poeta lutando em meio aos riscos.
Joevan.caitano@yahoo.com.br / joevex@hotmail.com

Adoração é cachorrada

Adoração é cachorrada
Autoria: Joevan (joeblack)
“Não há assunto tão velho que não possa ser dito algo de novo sobre ele” (Dostoievski).
“Quanto mais puro for um coração, mais perto estará de Deus” (Gandhi).

Conheci uma amiga que possuia um cachorro e ela tinha a mania de paparicar o animalzinho, e ele se sentia o “GOSTOSÃO DO REINO ANIMAL”. Todas as vezes que ela chegava em casa após uma viagem ou dia de trabalho, o cãozinho pulava em cima dela, beijava as mãos, deitava-se, ficava totalmente submisso e alegre porque estava perante a dona.
Conheci outro amigo que era o oposto. Ele maltratava o animalzinho, batia, em alguns momentos até espancava. Mesmo assim, todas as vezes que ele retornava de uma viagem ou outra atividade, o cãozinho estava lá pra recepcioná-lo, pulava nos pés, beijava as mãos. Mesmo vivendo num universo de crueldade ele amava, era fiel e beijava o dono, porque meu amigo era o dono dele.
Se liguem! porque independente das circunstâncias um cão permanece fiel ao dono ao ponto de beijá-lo quer na amabilidade ou na crueldade.
Em João 4.23,24 Está escrito assim:
Mas vem a hora e já chegou que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura.Deus é Espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
Jesus ao bater aquele papo relax com a mulher samaritana ele usou as palavras verdadeiros adoradores adorarão no grego = proskunetai proskunesonsin ambas derivam-se do verbo proskuneo que significa ato de render-se (ficar desarmado, desmontado ato de submissão total perante uma autoridade).
Observe que o verbo proskuneo é uma palavra composta formada por: pros = ir para frente, prostar e kuneo = cão, canino.
Hum! Caiu a ficha? Rs...é simples porque é a idéia do cão que efetua uma ação de ir para a frente para beijar o dono, simplesmente porque está diante do dono. O cão respeita e é amigo do dono.
Independente das circunstâncias, com dinheiro ou não, com saúde ou não, na alegria ou na tristeza, não importam a estabilidade ou instabilidade da vida devemos beijar Deus, devemos se curvar, ficar desmontado, devemos respeita-lo, devemos ser gratos simplesmente porque Ele é Deus e Ele nos possui, porque ele é o nosso dono, Ele sabe o que é melhor para nós, Ele cuida de nós. Esperei confiantemente no Senhor, e Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor salmo 34.1
Cante várias vezes:
TE LOUVAREI, NÃO IMPORTAM AS CIRCUNSTÂNCIAS.
TE ADORAREI, SOMENTE A TI JESUS
Deus nos beija todos os dias mesmo quando pisamos na bola legal. Devemos beijá-lo também com toda a nossa sinceridade (de dentro pra fora). Deus se amarra, Ele curte de montão o nosso beijo, independente do nosso bafo, do nosso perfume vencido devido as nossas quedas na fossa e nossas cagadas pecaminosas. Ele tem o melhor perfume para nós. Beije-o e receberás um novo odor. Adoração é beijar e receber em troca um perfume novo todos os dias.

Música: criação ou evolução?

Música: Criação ou Evolução?
Por joeblack
“A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos” (C.S. Lewis).
“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continuam por conta própria o seu caminho” (Mário Quintana).



Podemos dizer que a musica como fonte de prazer é um fator necessário no dia a dia no universo do ensino e aprendizagem bem como entre professor e aluno. Sem esse prazer estético, emocional e musical, não fazemos nada, pois somos movidos pela libido. Como dizem os psiquiatras: “o ser humano foge da dor e se aproxima do prazer”. Queremos sentir prazer quando tocamos as obras de vários compositores, e até mesmo as nossas. Queremos sentir prazer quando ensinamos um aluno a como tocar um instrumento. Sentimos prazer quando ensinamos o aluno a criar, isto é, geramos autonomia nesse individuo. O ser humano aprende primeiro a falar e depois aprende a escrita. A escola inverte, ensina o aluno a ler a partitura e em seguida o aluno fica mudo dizia o bom e grande músico Hermeto Pascoal. Queremos sentir prazer quando avaliamos o aluno no seu dia a dia, e avaliar é simplesmente decidir, ou seja, ou ato avaliativo implica em independência e pro-atividade, ou seja, ensina-se o aluno a decidir por conta própria o que é bom e ruim. Queremos sentir prazer quando interpretamos uma peça, e interpretar é desvendar os enigmas que estão embutidos dentro daquela obra musical.

Baseado, em algumas entrevistas, me deparei com antagonismos onde alguns afirmavam sentir imenso prazer estético no fazer musical, no entanto, outros verbalizaram o seu imenso desprazer com relação a inserção no ambiente musical. Essa presença antagônica está contida no universo como: desordens e ordens, vida e morte, dor e prazer, macho e fêmea, homossexual e heterosexual, musical e anti-musical, dependência e autonomia, inserção e exclusão, rotina e variedade. Pensando em variedade, a idéia do kamasutra, ajuda-nos a entender isso, pois a vida comporta diversidade de coisas, consequentemente, no âmbito musical, a própria musica contém aquilo que chamamos de kamasutra musical (parafraseando Rubem Alves onde ele cita que o cozinheiro é o mestre do kamasutra da boca).
Está na hora de estabelecermos uma reflexão mais acurada em relação aos nossos métodos de ensino aprendizagem. É preciso detectar a tortura inclusa no interior desses métodos. É preciso desvendar os mecanismos de domesticação que restringem a autonomia, a liberdade do aluno. Como dizia Paulo Freire na obra intitulada Pedagogia da Autonomia: o professor não deve coibir a curiosidade do educando. Nietzsche, na obra Escritos sobre Educação, aborda a tal da Pedagogia da Mentira que engana o aluno e esconde o jogo, esconde as ferramentas de extravasamento de toda a potencialidade do aluno. É preciso entregar à ele as chaves do mundo da criação pois o criacionismo interage em simbiose com o evolucionismo e ambos proporcionam prazer. O aluno criando, evoluirá consideravelmente.
Diga não a velha catequese do DEUS MANDÃO dando ordens haja isso! Haja aquilo! E as coisas apareciam prontinhas como receita de bolo e bolo na fôrma, e tudo parecia filme de ficção naquela narrativa de Gênesis 1 construída pela cúpula sacerdotal no templo de Jerusalém por volta do século V Antes de Cristo. E Deus “controlava tudo”. Os sacerdotes controlavam Deus no templo. A elite dava ordens, em nome de Deus e a massa camponesa da época dizia amém, aleluia. O Templo de Jerusalém foi uma verdadeira máquina de manipulação e controle de massa naquela época e somos frutos dessa montagem fenomenal sacerdotal até hoje tanto na igreja, na escola, na política, etc. O universo não evoluía porque o “Deus Mandão” não deixava. O aluno não evolui porque o Professor tirano e mandão não deixa. O problema é que a igreja e a escola ensinaram-nos a lermos os textos de maneira passiva como se tudo fosse palavra de Deus. Ler de forma crítica é falta de educação, melhor, é pecado diziam os catequizadores. Não forneceram-nos os dados históricos para que pudéssemos fazer um leitura crítica e ideológica nas entrelinhas dos escritos. Diga não à esses professores semi-deuses que dão ordens aos alunos, controlando os alunos, fazendo-os de boneco modelado e remodelado de acordo com o seu próprio universo de vida, desrespeitando o universo do outro.
Deus no controle ou discurso de controle? Professor no controle ou adestramento sem controle? Como dizia o sábio Einstein: o universo possui leis próprias sendo impossível haver um princípio de dirigibilidade o tempo todo. O Universo possui leis próprias de auto-regulagem. Spinoza, Einstein, e estudiosos no âmbito da moderna cosmologia e física quântica concordam com essa idéia. Eles imaginam um Deus sentado numa cadeirinha se divertindo com autonomia do universo. O aluno possui inteligência própria, possui a capacidade de se virar sozinho, de evoluir, de expandir as suas idéias, de desvendar novos horizontes. Basta a nós professores ensinarmos o caminho das pedras, quem sabe, sermos acionadores do Big Bang no ensino-aprendizagem. Os alunos clamam por implosões. Eles gritam: queremos sair da normalidade, do caos, queremos ser anormais, queremos evoluir.

Abraços: Joe! Um poeta lutando pela criação e evolução musical e por novos métodos de ensino aprendizagem.
(joevex@hotmail.com) e joevan.caitano@yahoo.com.br

Comunhão: compreensão ou destruição?

Comunhão: compreensão ou destruição?
Por Joevan (joevex@hotmail.com)


“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente” (Kierkgaard);
“Para conhecer os homens, torna-se indispensável vê-los agir” (Jean Paul Sartre);
“Se queres poder suportar a vida, é preciso estar disposto a aceitar a morte” (Freud).
“A amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para a outra: o quê? Você também? Pensei que eu fosse o único!” (C.W.Lewis);
“Como as plantas, a amizade não deve ser muito nem pouco regada” (Drummond de Andrade);
“Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho impar” (Drummond de Andrade).


Com-preender é tomar em conjunto, envolver, enlaçar. Quando estamos no cinema, a situação semi-hipnótica que nos alimenta relativamente ao nos projetar psiquicamente nos personagens do filme, é simultaneamente uma situação que nos desperta para a compreensão do outro. É essa compreensão, tão viva na vida imaginária, que nos falta na vida desperta, na qual continuamos sonâmbulos egocêntricos.
A compreensão do ser humano baseia-se numa antropologia complexa, pois nosso cérebro é triúnico, comportando o paleocéfalo (herança dos répteis), fonte de agressividade, do cio, das pulsões primárias; o mesocéfalo (herança dos antigos mamíferos) onde se desenvolvem a afetividade e a memória a longo termo; o córtex, que cresce nos mamíferos até envolver as outras estruturas e formar dois hemisférios cerebrais. Não há hierarquias, mas permutações rotativas entre as três instâncias cerebrais, ou seja, razão/afetividade/pulsão. Conforme os indivíduos e os momentos há dominação de uma instância sobre as outras. Edgar Morin diz que “todo indivíduo tem em potencial uma multipersonalidade”.
A compreensão humana comporta não somente a compreensão da complexidade do ser humano, mas também a compreensão das condições em que são forjadas as mentalidades e praticadas as ações. Acontecimentos e acidentes podem atualizar certas personalidades potenciais em nós. As idéias manipulam-nos mais do que as manipulamos. A possessão por uma idéia faz com que nos tornemos incompreensivos com os que estão possuídos por outras idéias e os que não se deixam possuir por nossas idéias.
Sartre dizia que “ser homem, é tender a ser Deus, ou, se preferirmos, o homem é fundamentalmente o desejo de ser Deus”. Shakespeare dizia que “sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramos pouco pelo muito que temos”. É isso mesmo, somos insatisfeitos com o que somos. Outro problema do ser humano é que ele tenta justificar a sua existência em nome dos outros. O ser humano não precisa justificar nada, apenas assumir o que é (rico, pobre, feio, bonito, religioso, ateu, heterossexual, homossexual, bisexual, leigo, letrado, estudante, médico, advogado, professor, músico, lixeiro, etc). Seja você mesmo. O importante, é sermos feliz e realizado com o que somos. Vida de santidade é vida de autenticidade. “Em nossas loucas tentativas, renunciamos ao que somos pelo que esperamos ser” (William Shakespeare). Com aquilo que é não se luta, mas aceita-se. Tanto o rico como o pobre, o heterossexual e o homossexual, o patrão e o empregado, e outras categorias, são categorias constituídas por seres humanos e por serem de seres humanos, são frutos da história humana. A história da vida é camaleônica, é diversidade. Deus é diversidade. O amor tem várias cores. Que tal apreciarmos o arco íris? “Cada um revela a faceta de Deus que o outro não pode revelar” (Leonardo Boff).
O texto bíblico de Efésios 4.2 diz assim: “convivam com toda a humildade, mansidão e paciência, suportando uns aos outros em amor.
Para humildade nesse texto aparece a palavra grega composta “tapeinophrosune”. Observe vem que o adjetivo grego “tapeinos” que significa modéstia, singelo, humilde;
A palavra seguinte “phrosune” deriva-se de “phren” que significa mente. Resumindo então, a palavra “humildade” nesse texto dá a idéia de qualidade mental que diz não ao orgulho, alguém que é dotado de mente humilde, despretencioso. “Que se cale aquele que fez um benefício. Que o divulgue aquele que o recebeu. Quem dá de boa vontade dá duas vezes. Amas como se fosse morrer hoje” (Sêneca). “As boas ações elevam o espírito e predispõem-no a praticar outras” (Sartre)
Mansidão vem do grego “prantes” que denota gentileza, cortesia, consideração pelo outro;
Longanimidade no grego “makrothumia” que significa tolerância, paciência, constância.
Suportando uns aos outros em amor. O verbo grego “anexom” dá a idéia de carregar com as mãos, por exemplo uma mãe que carrega o filho para que ele não caia no chão.
Existe outro texto que gosto muito, o de Gálatas 6.2 que está escrito: “Levai as cargas uns dos outros e desta forma cumprireis a lei de Cristo”.
“Carga” no grego é “baros” que é peso, algo difícil de ser transportado.
“Lei” em grego é “nomon” que denota norma. A norma que rege Cristo Jesus é o amor, porque Deus é amor. A lei do amor se cumpre a partir do momento que nos tornamos pro-ativos em favor da prática e defesa do amor.
Lutero ao traduzir do grego para o alemão esse mesmo versículo, ele utilizou o verbo erfüllen para a idéia de cumprir (Einer trage des anderns Last, so werdet ihr das Gesetz Christi erfüllen). Erfüllen dá a idéia de satisfazer, de encher. Quando carregamos uns aos outros em amor, obtemos uma auto satisfação e satisfazemos o outro carente e enchemos Deus de alegria. Deus se satisfaz vendo-nos curtindo o gostinho da satisfação.
Suportar em amor significa estarmos dispostos a ouvir o desabafo do outro sem darmos receitas de bolo tipo “Faça isso”! “Faça aquilo”! Mas ouça! Adira ao ministério da escuta. Deixe que o desabafo retorne como respostas para a pessoa. Suportar em amor é ceder o colo e suportar o silêncio do deprimido que não tem forças para dizer uma palavra sequer. Lembre-se: se você disser algo, pode estragar o clima. O homem arruína mais as coisas com as palavras do que com o silêncio (Gandhi).
Suportar em amor é viver em comunhão repartindo o pão e comendo juntos com singeleza de coração como está em Atos 2.42. Se não repartirmos as coisas, a vida não tem graça. “Possuir um bem, sem o partilhar, não tem qualquer atrativo” (Sêneca). Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas, mas não há o suficiente para a cobiça (Gandhi).
Em 1 Coríntios 13.7 diz que “o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta”.
1. Sofrer deriva de um termo grego que dá a idéia de telhado. O telhado cobre, sofre com as tempestades e chuvas em nome da proteção;
2. O amor acredita no potencial incluso na totalidade do outro (soma no grego); A confiança é um ato de fé e esta dispensa raciocínio (Drummond de Andrade).
3. O amor espera o que há de melhor no outro;
4. O amor suporta, tolera, do verbo grego epomenein. O amor forte tolera os vacilos e fracassos do outro.
“O segredo da existência não consiste somente em viver, mas em saber para que se vive” (Dostoievski). Todos nós somos responsáveis de tudo, perante todos. O Roberto Carlos escreveu que “quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou morrer na solidão, é preciso ter cuidado para mais tarde não sofrer, é preciso saber viver”. Saber viver é saber cultivar boas amizades. “Nunca desprezes os teus amigos, porque se um dia eles te esquecerem, só teus inimigos se lembrarão de ti” (Mário Quintana).
Amigo é coisa para se guardar debaixo de 7 chaves canta o Milton Nascimento. Sugiro 70, 700, 7.000, 7.000.000....sei lá, quantas chaves você tiver e puder para guardar seus amigos. Lembre-se daquela música: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará; a vida vem de ondas de um mar”. O tempo passa e nós voamos dizia o poeta bíblico. Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que sejamos sábios para manter nossas amizades”. Lembra-te dos teus amigos nos dias de tua mocidade para depois não ficares só.
Durante a caminhada da vida é preciso que sejamos sensíveis, flexíveis, perseverantes e dispostos a compreendermos a nós mesmos e aos outros. Devemos ser sensíveis até no valorizar de um sorriso. O Dostoievski disse que “conhecemos um homem pelo seu sorriso”. Drummond de Andrade dizia: “Perder tempo em aprender coisas que não interessam priva-nos de descobrir coisas interessantes”. O homem gosta de contabilizar os problemas, mas não conta as alegrias. A vida é um paraíso, mas os homens não o sabem e não se preocupam em sabê-lo (Gandhi). As coisas prazerosas estão do nosso lado. Nietzsche dizia que “os sinais estão por todas as partes, faltam olhos para vê-los”. O Kierkgaard dizia que “a maioria dos homens persegue o prazer com tanta impetuosidade que passam por ele sem vê-lo”. O Arnaldo Jabor, disse que no século XXI devido essa correria louca que transformou o ser humano em máquina, a vida se tornou uma ejaculação precoce. Temos orgasmos, mas não sentimos prazer no viver. A vida é um paraíso, mas os homens não o sabem e não se preocupam em sabê-lo (Gandhi). Gabriel Pensador canta: “Estou há dois passos do paraíso”. Que tal a gente arriscar e entrar logo? A gente pode se deparar com outras pessoas lá. Olha aí a oportunidade de conhecer, de compreender pessoas de outros mundos.
É interessante observarmos a estrutura da palavra grega ekklesia = igreja. Ek= sair de dentro para fora e klesia = reunião de pessoas, comunidade. Somos chamados a sair da nossa comodidade para levar o amor aos diferentes. Lembre-se da frase do Nietzsche: “O nosso próximo não é apenas o vizinho, mas o amigo do vizinho”.
Para finalizar esse texto, algumas dicas para compreender a si mesmo e o outro: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível” (São Francisco de Assis). William Shakespeare dizia que “as nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que às vezes poderíamos ganhar pelo medo de tentar”. O C. W. Lewis diz que “mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento”. Nietzsche dizia que “a nossa vida precisa ser mais perigosa”. Lembre-se: quem não se arrisca, não compreende, não cresce, não vence.
Use a fórmula (Paciência, confiança, disposição, risco)= crescimento/compreensão. Adira ao ministério “CHOCAR OVOS”. Cuidado para não quebrar os ovos. Diga não a destruição.

Tenho medo dos meus medos

Tenho medo dos meus medos
Por Joevan

“Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem haver com a coragem” (Sartre).
“O medo explica tudo, inclusive o pecado original” (Nietzsche).
“O verdadeiro amor lança fora todo o medo” (1 João 2.18).
“O amor é a força mais sutil do mundo” (Gandhi).

No dia primeiro de maio, feriadão, dia do trabalho, eu fiz como milhares de brasileiros e estrangeiros, fui curtir a vida. Como amo a praia de Copacabana, tive sorte, pois a Daniela Mercury fez um showzaço grátis naquelas areias pra ninguém botar defeito. Aliás, eu tiro o chapéu para os artistas da Bahia, eles têm muito swing e muita presença de palco, daí ninguém consegue ficar parado. Eu como sô um bicho elétrico, achei o máximo. Enquanto a multidão esperava o show, rolou uma música, que me deixou intrigado e reflexivo, e a letra dizia assim: Não me deixe só, eu tenho medo do escuro; eu tenho medo do inseguro, dos fantasmas da minha voz. Não me deixe só, pois tenho desejos maiores... (Vanessa da Mata). O Tom Jobim sabia disso e escreveu: “Triste é viver na solidão”.
O poeta bíblico no livro de salmo 23 disse: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum porque Tu estás comigo”. Na hora do perigo, o bicho pega, nessas horas é preciso confiar em alguém. Drummond de Andrade dizia que “a confiança é um ato de fé e esta dispensa raciocínio”. Nessas horas de aflição cantamos com a nossa voz debilitada e às vezes desafinada, aquela velha canção: “Mais perto quero estar meu Deus de Ti”. Queremos colo, segurança, aconchego, aquele cheirinho no cangote. Os animais e os humanos curtem um carinho.
Às vezes, temos medo dos obstáculos. Drummond de Andrade dizia que “as dificuldades são o aço estrutural que entra na construção do caráter”. Lembre-se: “Um atleta não pode chegar à competição muito motivado, se nunca foi posto à prova” (Sêneca). A vida é uma muvuca assustadora. Sartre dizia que “a vida é um pânico num teatro sem chamas”.
Às vezes temos medo de abrir o jogo, de arriscar de tomar uma decisão. Cazuza escreveu uma linda canção que fala sobre isso. Observe a letra: “Quando a gente conversa contando casos besteiras; tanta coisa em comum deixando escapar segredos; e eu não sei que horas dizer me dá um medo, que medo. Eu preciso dizer te ganhar ou perder sem engano. Eu preciso dizer que te amo tanto”. Temos medo de tomarmos um não, de sermos ridicularizados em público. Muitos têm medo de serem autênticos, pois para isso é preciso assumir a responsabilidade por serem o que são.
Há aqueles que são homossexuais, mas tem medo de assumirem-se, porque tem medo de serem discriminados na sociedade, na igreja, etc. Infelizmente muitas igrejas se auto denominam “COMUNIDADES DE AMOR”, mas os discursos e o comportamento refletem a inscrição “COMUNIDADES DE TERROR”, porque discriminam o outro, e pregam um tal de “Reino de Deus” que é muito mais “Reino de exclusão” do que de inclusão. Nesse Reino do “Deus mal”, os conceitos, os dogmas, as opiniões, as tradições, a fórmula sagrada de controle chamada PECADO são mais importantes do que as pessoas. Hitler defendia a exclusividade da raça ariana porque a diversidade atormentava-o. Detonamos Hitler, mas agimos como ele. Não suportamos a diversidade e queremos adestrar o outro a pensar e a agir do nosso jeito. Deus é amor, mas nesse Reino, do qual muitos fazem propaganda não tem nada de amor por detrás. Tô fora desse reino que falam por aí.
Nunca vi Jesus excluindo ninguém, no entanto, vejo-o incluindo geral. Que tal aderirmos ao ministério da inclusão e ao Ministério da escuta? Isto é, ouvir o outro e se colocar no lugar do outro porque cada pessoa é fruto de uma estrutura social diferente. Drummond de Andrade dizia:
“Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”. Que tal aderirmos o ministério da leitura dos livros das vidas? Mário Quintana dizia que “os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprendem a ler e não lêem”. Deus é singularidade e diversidade; complexidade e simplicidade. Enfim, em sua essência Deus é a pura amorosidade. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã” (Renato Russo).
Não sabemos lidar com determinadas áreas ou fazemos descaso, daí inventamos fórmulas de excluir o outro via discriminação, via medo de um Deus exclusivista. Aliás, parecemos um bando de alienados em determinados assuntos. Estamos no século 21, mas a nossa mentalidade com relação ao universo homossexual ainda é medieval. Não sabemos lidar nem com heterossexuais, que dirá com homossexuais. Está na hora de assumirmos a responsabilidade pelos nossos atos e discursos ao invés de apelarmos para Deus. “O animal para esconder dos outros cava um buraco no chão. O homem para se esconder de si mesmo, cava um buraco no céu”. É necessário aprofundarmos mais no assunto e pararmos de ficar recitando somente aquelas velhas poesias do “Deus mal”. O mundo é dinâmico; as coisas são dinâmicas. É preciso sempre repensar nossas concepções. Vida: cama ou camaleão? Quem não evolui não cresce.
Temos medo de encarar e aceitar o buraco negro que é a morte, daí apostamos na idéia da imortalidade da alma, vida eterna, etc. O pior é que se deparamos com alguém pensa diferente dos nossos conceitos “sagrados”, nós presenteamos com a morte eterna, ou melhor, usando um lubrificante para não machucar, falamos da tal da “separação eterna”.
Temos medo das incertezas da vida, pois um amor, uma carreira, uma revolução, outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão. Às vezes temos medo de amar. Tom Jobim escreveu: “Eu quis amar, mas tive medo”.
Temos medo da violência, ela atormenta as nossas almas. O que salva o Brasil não é a fé, mas a fé na desconfiança. O grupo O RAPPA fez um musica que está fazendo muito sucesso na voz da Maria Rita. Observe um trechinho da letra de (A MINHA ALMA): “... As grades do condomínio são para trazer proteção, mas também trazem a dúvida se não é você que está nessa prisão...”. Nas grandes capitais principalmente aqui no Rio de Janeiro é preciso mais do que nunca acreditar e confiar naquele texto bíblico com uma roupagem carioca: “Elevo os meus olhos para o Corcovado. De onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Mistério representado pela estátua do Cristo Redentor. Ele guardará a tua entrada e a tua saída desde agora e para sempre” (Salmo carioca 121).
A coisa tá preta! O povo clama por mudanças. Já está na hora de trocarmos a maldade pela bondade. O Freud disse que “a ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranqüilizador tão eficaz como são umas poucas palavras bondosas”. Então, se liga, estamos a poucos passos dessa reviravolta, de uma revolução na afetividade, fazendo uso da bondade.
Falando em passos, o Gabriel Pensador canta: “Estou a dois passos do paraíso”. Muitos estão assim, quase chegando lá como dizia aquela velha canção protestante: “Tão perto do Reino, mas sem salvação”. Falta só um pouquinho de coragem. Falta aquele empurrãozinho. A vida é um risco. Para se salvar é preciso se arriscar se jogando nos braços do Pai. Arrisque até a morte e você receberá a coroa da vida. Arrisque até a morte e você poderá dar de cara no paraíso.

Fecundação de fantasmas: sim ou não?

FECUNDAÇÃO DE FANTASMAS! Sim ou não?

Por Joevan Caitano (joevan.caitano@yahoo.com.br)

Hoje vamos analisar no texto bíblico, um trechinho bem legal para nos divertimos, mas se prepare porque o bicho vai pegar no decorrer do percurso. Um fantasma te espera no final deste discurso textual. (Musica de suspense. Por favor!). Lembrei-me das aulas de exegese do Novo testamento nos velhos tempos de seminário, aliás, bons tempos que não voltam mais. Nesse período conheci alguns colegas fantasmas que só apareciam no dia da prova, e para esses o professor nem dava nota, a nota era fantasma. Enfim, a gente aprendia a analisar os textos usando a língua grega, aliás, era uma língua fantasma para alguns que não se interessavam em aprendê-la.
Estava pensando sobre oferta cheirosa, viver vida simpática, racionalidade, e esses elementos instigaram em mim os extintos mais primitivos. Salve os extintos da investigação teológica-poética-filosófica. Salve a tríade? Cuidado! Se liguem que os fantasmas também curtem tríades verbais, pois eles nos PER-TUR-BAM. Por isso eu usei uma tétrade E-XE-GE-SE porque sou AS-SAS-SI-NO de tríades FAN-TAS-MAS. Para finalizar a combinação usei RO-MA-NOS 12.1
Rogo-vos, pois irmãos pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
Eis a análise passo a passo:
Misericórdia a luz do Judaísmo significava afrouxar o juízo de Deus. Ao longo da história Deus agia por misericórdia e nunca por retribuição.
Vossos corpos = soma no grego = totalidade do ser.
Sacrifício = thusia no grego = oferecer um sacrifício. A raiz da forma verbal da palavra thusia é tho= assassinar, apunhalar o animal.
Culto = latréia = serviço. Todo ato de obediência é um culto serviço. Serviço de adoração movido pelo Espírito Santo. Culto da PALAVRA. Logos no grego é PALAVRA.
Racional = lógikos no grego = aquilo que é interior, de dentro para fora.
O culto é interior e verídico porque é ele conforme a operação do Espírito Santo (sacrifícios espirituais).

Para que a nossa oferta não cheire mal, mas tenha um odor agradável às narinas do Dono do Jardim é preciso assassinar os nossos sonhos abomináveis; os nossos desejos de manipulação do outro em nome de Deus; o desejo de adestrar o semelhante com prisões dogmáticas em nome da terra prometida (pedir aos lobos que se transformem em cães). “Os preceitos e promessas foram feitos para serem melhores do que nós”. É preciso assassinar a postura de ser sempre “inerrante”, lembre-se: o bom travesseiro é sempre dúvida para uma “cabeça feita”. Tropeçamos em palavras eternizadas, duras como pedras e é mais fácil quebrarmos uma perna do que uma palavra (Nietzsche). É preciso abrir mão da crueldade que está entre as mais velhas alegrias festivas da humanidade. É preciso contrariar o extinto normal e natural da natureza onde o mais forte domina e destrói o mais fraco. É preciso ser anormal estendendo a mão ao mais fraco. Deus ama os loucos e anormais, porque o Reino Dele não é desse mundo (DEOUTROMUNDOEUSOU). É preciso combater o vírus INVEJA que impede que nos alegremos com as vitórias dos outros. É preciso fuzilar o moralismo, porque sob o jugo da moralidade dos costumes, o homem despreza as causas, as conseqüências e a realidade. É preciso desistir do fornecimento de aguardentes espirituais que transformam o outro em marionetes do corpo de Cristo. É preciso que nos divorciemos dos deuses que se acham dentro de nós: nossa razão e nossa experiência. É preciso assassinar o desejo de assumir o lugar de Deus, ser juiz, investigando as ações alheias ao invés das próprias. É preciso abrir mão da AVAREZA, pois ao comprar, a nossa avareza aumenta com o preço baixo dos objetos. Assassine o desejo do demônio do amor ao poder; seja lhes dado tudo, saúde, alimento, habitação, distração, ele continua infeliz, pois o demônio insiste em esperar, ele quer ser satisfeito.
Abandone o sonho de obscurecer o céu, apagar o sol, suspeitar da alegria, desvalorizar as esperanças de paralisar a mão atuante. Desista da tentativa louca e estressante de querer construir Deus segundo o que você pensa sobre ele, fazendo-o um satélite de seu próprio sistema. Deus é uma construção humana, porque Ele não pode ser construído com idéias, nem pode ser aprisionado com doutrinas. Ele é um mistério, portanto, humilhe-se perante a potencialidade do Sagrado. Deus é silêncio, qualquer expressão sonora explicativa estraga tudo. No silêncio Tu estás, eu te busco, te procuro, mas não posso te achar, mas você pode me achar se eu permitir. Se alguém abrir a porta Eu o encontrarei e me divertirei com ele (Pai e filho no parquinho). O que fazer? Pra onde ir? O que fazer diante daquele que possui a SENHA DA VIDA ETERNA? Delete a sua senha falsa, quem sabe, a sua especulação.
É preciso assassinar o desejo de dar a luz a FATOS FINGIDOS, que nada mais são do que opiniões e ações que imediatamente se vaporizam e apenas como vapor tem efeito. As pessoas mentem com inacreditável freqüência, mas depois não pensam nisso e, em geral, não crêem nisso. Use preservativos e impeça essa fecundação de fantasmas do mal: FINGIMENTOS, HIPOCRISIA, DISCURSOS DE ADESTRAMENTO EM NOME DA SANTIDADE PARANÓICA, MORALISMO, FALSIDADE, EGOÍSMO, ETC.
Nossa camiseta deve constar 3 frases racionais:
* Amor sem fantasias = APROVADO (sinceridade)
* Sexo sem fantasias= prova final (falta de criatividade)
* Amor fantasiado = REPROVADO porque é FINGIMENTO. NECESSIDADE URGENTE DE ASSASSINATO DO DEMÔNIO DA APARÊNCIA!!!

Joe: um poeta lutando contra a falsidade e em favor da sinceridade.

Santidade: castidade ou liberdade?

A dialética da Santidade
Afinal, Santidade é castidade ou liberdade?
“A falta de liberdade não consiste jamais em estar segregado, e sim em estar em promiscuidade” ( Dostoievski).
“És livre, escolhe, ou seja: inventa” (Jean Paul Sartre).
“Ser livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer aquilo que se pode”. “Não fazemos aquilo que queremos e, no entanto, somos responsáveis por aquilo que somos” (Sartre).
Por: Joeblack

uma poesia no texto Bíblico: “Sede santos porque eu sou santo”. Achei bem legal essa frase, aliás, tava com muita sede de beber nessa fonte denominada santidade. Imaginei Deus falando assim: Joe! Sede você mesmo! Porque Eu o criei assim do jeitinho que você é. Não estranhe sua configuração antropo-biológica porque é assim mesmo que você vai funcionar até a sua desintegração no final de sua própria existência. Lembrei-me daí de algumas obras do grande Jung que fala de um montão de coisas relacionadas a nós mesmos. Tinha até uma tal de “sombra”, e me lembrei dos tempos em que eu era criança e falava-se de “assombrações”. rsrs Depois dessa retrospectiva fantasmagórica, confesso que fiquei com muito ânimo para escrever sobre santidade, pois esta, instigou em mim os instintos mais primitivos da animosidade.
Jung fala de alguns arquétipos que são os conteúdos do inconsciente coletivo:
1º: Jung fala do termo “persona” que se referia à máscara usada pelos atores para indicar seu papel num drama. Todos nós possuímos essa tendência psicológica que é a preocupação em ocultar aquilo que de fato somos, em favor daquilo que a sociedade julga que devemos ser. A persona é um tipo de individualidade estética. Nietzsche disse que para que a vida seja um espetáculo agradável é preciso que seja bem representado; mas para isso são necessários bons atores.
2º: Jung também fala do arquétipo da “Sombra” que designa o lado que não queremos ou não preferimos revelar. Consiste ela, em partes tidas por nós mesmos ou pela sociedade como abominações à dignidade humana. Tidas como sombrias, lutam elas contra nossa própria consciência de aceitação fazendo com que em resultados práticos, tenhamos uma personalidade artificial, neurótica e unilateral.
3º: Jung aborda também os arquétipos da Anima e do Animus, sendo:
· Animus: é a personificação do aspecto masculino na mulher.
· Anima: é a personificação do aspecto feminino no homem.
Segundo a terminologia de Jung, no homem, a Anima é encontrada em primeiro lugar na figura da mãe. Na mulher, a Animus é encontrada primeiramente na figura do pai. A acentuação de um desses Animus e Anima se tornam indispensáveis para a escolha de um parceiro, e portanto, para a sobrevivência da espécie.
4º: Jung também fala do arquétipo “Self”. Segundo ele, deveria este ser, a meta da vida de cada ser humano. Self, segundo Jung é a combinação daquilo que chamamos de nossa individualidade integral.
Viver uma vida de santidade é ter consciência da nossa qualidade psíquica, inconsciente, irredutível e inescapável, experienciada por cada um de nós. Não temos como fugir! A vida se constitui em antagonismos! Sempre! Aquele que tem a utopia de exorcisar de si um destes sequer, deve exorcisar tudo, ou seja, dar cabo de sua própria vida. Com o que é, não se luta, se aceita. Vida de santidade é vida diversificada. Ser santo é ser persona, ser sombra, ser Animus e Anima e ser Self. Ser santo é conviver com a configuração enigmática e pluralizada da máquina humana.
Pelo fato de não compreendermos essa complexidade da máquina humana, temos a tendência de utilizar a ferramenta “vida de santidade” para um discurso de forte enquadramento, incentivando os outros a se encaixar numa vida utópica, como uma vida de receita de bolo. Faça isso porque essa é a “vontade de Deus”. Daí o ouvinte tenta e queima o bolo, é punido, entrando assim em crise neurótica. “Os seres humanos foram criados para serem punidos” dizia Nietzsche. Comete-se um pecado, faz-se um sacrifício ou uma penitência pra purificação, mas a certeza de novamente errarmos no futuro não pode ser tirada, sobra-se então, sempre a dialética da culpa/punição. Entendemos que no século V a.C. é construído pela cúpula sacerdotal do Templo de Jerusalém a idéia mitológica de pecado original para manipular a massa camponesa daquela época. Somos vítimas ainda dessa ferramenta de controle de massa chamada “pecado”. Alegaram que somos seres maus, a carne é má e tudo aqui em baixo é ruim e só lá em cima que é tudo muito bom. Convencionou-se dessa forma então: Só Deus é forte e bom, sendo o homem fraco, sujo e pecaminoso.
Nietzsche dizia que ”o santo na qual Deus sente prazer é um castrado ideal”. A castração advém do medo que é um sentimento hereditário, aliás, o medo explica tudo, inclusive o dogma “pecado original”. Michel Foucault disse que a escola utiliza a disciplina para vigiar e punir o aluno. O aluno permanece um objeto dos destinos prisão e punição. Ideologicamente aprisionamos os outros com discursos divinos exossomático que na maioria das vezes, nada tem a haver com a realidade. Na língua grega Ek = sair; de dentro para fora. Soma = totalidade do corpo. Exossomático porque usamos o nome de Deus como uma extensão daquilo que o nosso corpo não pode fazer para adestrar o outro. Nossos juízos de valor e as nossas teorias do bem e do mal são meios de funcionalidade de poder.
Estamos carentes de uma revolução na respeitabilidade em relação à singularidade do outro. Vale relembrar que somos separados uns dos outros porque somos únicos, mas somos interligados uns aos outros porque somos coletivos também. Somos um misto de eu/tu/nós. Somos separados para usufruirmos da nossa individualidade, somos ajuntados pra usufruirmos nossa coletividade. Vida de santidade é vida na individualidade. Vida de santidade é vida na afetividade.
Assim, tendo a vida de santidade em comunidade, devemos entender que vida em comunidade é vida de obstáculos. Suportai-vos uns aos outros em amor dizia São Paulo. Ainda que o rio do meu amor se chocasse com qualquer obstáculo intransponível, qual rio não acabaria por encontrar o caminho do mar?
Viver uma vida de santidade é viver uma vida perigosa, como dizia o Carlos Drummond de Andrade: A vida e morte caminham de mãos dadas. Mário Quintana disse que a morte chega pontualmente na hora incerta. Somos separados para viver e separados para morrer. Somos programados para sorrir e para chorar. Somos programados para criar mecanismos de ataque e de defesa. Somos divorciados uns dos outros pela lei da autonomia genética, mas somos interligados pela lei da tríade bio-psico-social.
Vida de santidade é vida de prudência, pois as conseqüências de nossos atos nos pegam pelos cabelos, sem se preocupar em saber se nós nos corrigimos nesse ínterim.
Vida de santidade é vida de mutabilidade. Somos programados para mudar de canal com facilidade. Migramos do nada de um estado de ternura para um estado de loucura; de um estado de amabilidade para um estado de crueldade.
Vida de santidade é vida de 8 ou 80 pois comporta antagonismos. “Nos aproximamos do prazer e fugimos da dor”. “A dor passa e perece! Mas a alegria quer a eternidade, quer a profunda eternidade” (Nietzsche).
Vida de santidade é uma vida de busca pela maturidade. Citando ainda Nietszche, concordo: “Ó Zaratustra, os teus frutos estão maduros, mas tu ainda não estás maduro para os teus frutos”. Vida de santidade é vida de espera. Esperar é chocar ovo.
Vida de santidade é vida de controle de si mesmo, de domínio próprio. É preciso conter o coração; porque se lhe soltássemos as rédeas, depressa nos faria perder a cabeça.
Vida de santidade é uma vida de proatividade. Antes de fazermos tudo o que queremos, devemos primeiro, sermos capazes de querer.
Vida de santidade é vida de versatilidade. “Aquele que não quiser morrer de sede no meio dos homens, tem de aprender a beber em todos os vasos; e o que quiser permanecer puro no meio dos homens, deve aprender a lavar-se até com água suja”. Novamente Nietzsche.
Vida de santidade é uma vida dura, derivadamente vida louca. Para que uma árvore cresça, é necessário que com as suas duras raízes abrace a dura rocha. Como diz Roberto Carlos: “Quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar maluco, ou morrer na solidão, é preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer, é preciso saber viver”.
Vida de santidade é vida de liberdade, de autonomia para decidir o que é bom e ruim para si mesmo. Como dizia a mesma canção do rei: “Toda pedra no caminho você deve retirar, numa flor que tem espinhos, você pode se arranhar; se o bem ou mal existe, você pode escolher, é preciso saber viver”. Saber viver é saber escolher. E logicamente, saber escolher é saber viver.
Para muitos, vida de santidade é uma vida de burro de carga passivo as regras de quem consideramos maior do que nós. Tal disciplina se dá pela funcionalidade de uma disciplina moralista, da qual, é cultural, mas transportada para uma alocução divina. Esquecemos do mandamento de Cristo sobre a intermediação ao Sagrado: No rasgar do véu, não há mais quem se entremeie no nosso acesso a Deus, senão nós mesmos. Somos responsáveis pelos nossos atos e procedimentos perante Deus, nós mesmos, e nossa sociedade. Vida em Santidade é vida em responsabilidade. Não podemos mais, como tem acontecido dizer “amém, aleluia, oh glória” pra essa espiritualidade moralista. Tal legalismo como sinônimo de santidade coloca sobre nossos ombros uma carga pesada da qual nós não conseguimos carregar! Para o mais forte, santidade é engaiolamento do mais fraco, do menos influente. Virtude, para eles, é o que modera e domestica; assim fazem do lobo um cão, e do homem o melhor animal doméstico, nesse caso, do próprio homem.
A vida é uma fonte de alegria; mas onde quer que o santo-canalha moralista vai beber, todas as fontes estão envenenadas. Estes opressores do além chamam as nossas alegrias de sonhos imundos. Há também aqueles que vivem uma vida de mímica, de macaquice. Os seus joelhos estão sempre dobrados, as suas mãos postas em louvor, mas o coração está alheio a tudo isso.
Muitos vivem uma vida de santidade estagnada e apodrecem no seu pântano. Para esses bobos, a virtude consiste em estagnar tranquilamente no pântano. Para outros ainda, vida de santidade é viver uma vida mesquinha. O pensamento mesquinho é semelhante a um bolor; diminui-se, agacha-se e esconde-se, até que um corpo inteiro seja corroído e murcho por pequenos cogumelos.
Desde que o homem é homem, tem conhecido muito pouco a alegria; pra mim, esse é o único pecado original. Se aprendermos a apreciar melhor a alegria, melhor nos esqueceremos de fazer mal uns aos outros e de inventar dores. Viver uma vida de santidade é viver, como diz Jobim, uma vida mais linda e mais cheia de graça. Vida de santidade é vida com liberdade e a liberdade exige a conectividade de uns para com os outros, gerando a respeitabilidade e a amabilidade que apazigua a crueldade. Ser santo é ser livre e ser livre é ser dependente uns dos outros. Viver uma vida de santidade é você deixar de ser apático e passar a ser simpático.
Celebremos a vida! Celebremos nossa liberdade!
A paz de Cristo a todos.
Joeblack (joevex@hotmail.com)

Deus: mistura e mistério

Deus: mistura e mistério
Por Joevan Caitano
joevex@hotmail.com

Se eu quiser falar com Deus, tenho que me aventurar (Gilberto Gil).
A imaginação é mais importante do que o conhecimento (Albert Einstein).
A imaginação é como um braço extra, com o qual você pode agarrar coisas que de outra forma não estaria ao seu alcance (Sartre).

O mistério da vida está ligado ao mistério do cosmo, pois carregamos em nós a vida e o cosmo. O próprio indivíduo é uno e múltiplo; a sua unidade não se concebe apenas numa base genética, fisiológica, cerebral, mas também a partir da noção de sujeito, comportando um duplo princípio de exclusão e de inclusão, que permite compreender, ao mesmo tempo, o egocentrismo, a intersubjetividade e o altruísmo. O ser humano é bipolarizado em antagonismos: sapiens/demens;faber/ludens/imaginarius; econômico/consumidor/estético;prosaico/poético).Gostamos de diversão, desperdício, consumo, despesa,etc. Enfim essas multiplicidades constituem eflorescências da complexidade individual e da complexidade social. Revelam a diferença entre a máquina dinâmica humana e a máquina trivial e artificial. Qualquer aplicação de modelos deterministas, econômicos e racionalizadores para conhecer o universo humano, despreza o essencial.
O espírito humano responsável por invenções e criações, está sempre ameaçado de regressão, de ilusão, de delírios, mas o legal é que existem delírios que favorecem a genialidade. A criatividade é o mistério supremo da vida porque compreender o ato criativo significa reconhecer que ele é inexplicável e sem fundamentos. Acho que o Chico Buarque se entregou ao delírio ao investigar a árvore genealógica da sua família. Você pira ao ouvir? O meu pai era paulista, meu avô pernambucano, o meu bisavô mineiro, meu tataravô baiano...tô ficando sem cabelos, com a mistura brasileira.
Além das diversas categorias como: heterossexuais, homossexuais, bissexuais, metrossexuais, retrossexuais, transsexuais agora surgiu os chamados “übersexuais”. Über na língua alemã significa em cima, top. Eles são quase perfeitos, príncipes encantados, se acham tudo de bom. O ser humano adora ficar por cima, pois é adepto de carteirinha da Síndrome da ÜBER (union of the best elements in Rede). Deus quis fazer o homem à imagem e semelhança dele (homem nesse texto = estátua de Deus na língua hebraica). Pois é, olha no que deu! Apareceu a síndrome uberiana. Difícil agora é descobrir uma vacina anti-uberiana. Enigma ou mistério? Uberina? Quem sabe. Só não rola aspirina.
Deus está solto dizia Drummond de Andrade. O texto bíblico diz que Deus é onipresente e que no princípio era o logos, e logos estava com Deus e o logos era Deus. Logos é a palavra no grego que denota palavra-fundamento. João 1.1 é uma frase lógica que denota que Deus não está preso na gaiola de nossos pensamentos (Rubem Alves), e nem é monopólio de sistemas. Vejamos: O mistério do cosmo não pára de crescer. Estudiosos no âmbito da moderna cosmologia afirmaram que a parte observável do nosso universo ainda é minúscula isto porque as estrelas constituem 0,5% disso, o hidrogênio livre e o hélio 4%, os elementos pesados 0,03%, os neutrinos 0,3%; 30% seriam formados por uma matéria escura e 65% por uma energia escura. Estamos diante da complexidade universal e no jogo da complexidade a inteligência fica cara a cara com o ininteligível. O homem não suporta a complexidade e tende a querer domesticar e sistematizar tudo aquilo que foge ao controle. Hegel dizia que o homem vive atormentado em contradições contínuas em busca da totalidade que lhe escapa. A teologia sistemática é um exemplo claro disso, pois ela tenta sistematizar Deus através de conceitos humanos. Deus é poderoso, majestoso, fiel, justo, bondoso, que são conceitos inerentes à monarquia. Antigamente os reis eram deuses aclamado e adorado pela massa. Deus é Pai, conceito referente a sociedade machista da época. Leonardo Boff escreve a obra: O ROSTO MATERNO DE DEUS. Deus, é pai e mãe. Deus é filho via encarnação de Jesus. Deus é a família em sua completude.
A cúpula sacerdotal ao assumir o poder, controlou Deus no Templo de Jerusalém, e se a massa quisesse acessar Deus, teria que se deslocar até o Templo e obedecer às configurações divinas impostas pela elite. O sumo sacerdote dizia possuir a senha de Deus. A massa ficava do lado de fora esperando ele chegar com os e-mails que ele mesmo escrevia, selecionava e lia dizendo que era Deus que havia escrito e enviado. Detalhe! Essa elite odiava orkut.
A morte também é um buraco negro (Edgar Morin). Todas as religiões criam mecanismos doutrinários para escapar dela. Uns crêem em encarnação e reencarnação, outros crêem em purgatório, outros crêem na salvação e condenação, enfim o ser humano não aceita a morte e tenta fugir dela de qualquer jeito. O animal para se esconder do medo, cava um buraco na terra. O homem para se esconder de si, cava um buraco no céu. Platão no livro O Banquete, ele fala da imortalidade do ser humano pela procriação, uma idéia que remete a Gênesis quando Heloim (Deus da criação) fala: Crescei e multiplicai. A idéia de morte e vida funcionam como ciclos de rejuvenescimento, até porque querendo ou não, o universo foi programado para funcionar via ciclos. Aliás, os judeus não acreditavam em vida após a morte, nem em céu, nem em vida eterna, nem inferno, diabos e demônios. Alguns desses elementos foram criados e inseridos no cenário social durante o período interbíblico e em outros períodos, portanto, é uma construção teológica recente. Lembre-se: toda a construção aqui nesse planeta é de caráter humano e Deus pode ser utilizado como ferramenta de legitimação das inovações.
Até o século VI antes de Cristo, a nação de Israel era polilátrica, isto é, havia vários deuses e cada família escolhia o seu (a arqueologia comprova isso mostrando que durante as escavações era encontrada uma imagem diferente em cada casa). Mas os sacerdotes ao assumirem o poder no templo nesse período, constataram que se o povo continuasse tendo livre acesso aos deuses em sua própria casa, impediria o poder e o lucro da elite. Por isso a elite fabricou comandos de controle como: “Não farás para ti imagens de escultura”. “Não terás outros deuses diante de mim”. “Trazei todos os dízimos a casa do tesouro”. Só poderia haver um Deus, o da elite no Templo. Quem quisesse acessá-lo, teria que ir ao templo, levando consigo as ofertas porque esse Deus era exigente e abençoaria quem desse e amaldiçoaria quem se omitisse a entregar a grana. A idéia de pecado também surgiu nesse período quando os sacerdotes construíram o texto mitológico do paraíso citado em Gênesis 3 para favorecer a cúpula e neutralizar a massa. Objetivo da cúpula era alertar a massa que se alguém tentasse decidir por conta própria o que fosse bom e ruim, aconteceria o que aconteceu com Adão e Eva, seriam expulsos. Só a elite pode decidir, a massa tem que dizer aleluia e amém. Nietzsche sabia de história e escreveu: O medo explica tudo, inclusive o “pecado original”. Essa fórmula “O HOMEM É PECADOR, É SUJO, A CARNE É FRACA” funcionou e funciona muito bem até hoje. A construção sacerdotal do tal do PECADO, foi o maior pecado contra o espírito santo da vida. A chamada fórmula teológica “Deus no controle” serve de discurso de controle. Spinoza, Einstein, Stephen Hawking e outros se opunham a essa visão, pois diziam, que o universo está tão bem montado, constituído por leis de auto-regulagem, que se torna inviável um Deus tirano controlando tudo. Acho que Spinoza via Deus sentadinho numa cadeira se divertindo com tudo que acontecia no universo. O artista se diverte com a sua própria obra, eu sinto isso na pele. O homem possui o livre arbítrio para decidir o que é bom e o que é ruim para si mesmo, sendo ilógico um Deus ficar determinando as suas leis morais sobre nós dizia Einstein.
A grande verdade é que existem vários deuses, ou melhor, várias configurações sobre Deus. O Nietzsche que era filho de Pastor percebeu isso e escreveu: Deus é uma construção humana. O Leonardo Boff disse que cada um revela a face de Deus que o outro não pode revelar. O Nietzsche escreveu que Deus morreu. Lógico! Com tanta disputa de poder em nome de Deus, tantos estupros ideológicos-religiosos, tantos conflitos pela posse da verdade absoluta, é óbvio que Deus morre. Deus morre quando matamos o semelhante, se ofende quando ofendemos o semelhante, porque somos feitos à imagem e semelhança dele. Jesus se encarnou para que o rosto de Deus fosse visível de maneira simples, via amor. Jesus (o amor) é o caminho a verdade e a vida, ninguém tem acesso ao mistério se não for através da simplicidade, reciprocidade e da veracidade do amor inter-religioso, internacional, o amor que rompe fronteiras e tabus porque todo o amor é sagrado. Quem sabe, futuramente poderemos falar sobre amor interplanetário, intergaláctico, se porventura houver vida em outros cenários desse cosmo em expansão. Matematicamente é muito improvável que estejamos sós nesse planeta. Com os avanços da tecnociência, tudo pode acontecer. Vamos ficar ligados!!!
No episódio pós-dilúvio relatado no livro de Genesis, aparece Deus doando o arco-íris a Noé. Ele disse: essa multiplicidade de cores é o meu símbolo. É o meu pacto com vocês. Eu fico tão maravilhado vendo essa diversidade de cores que eu não tenho coragem de destruir a diversidade. Ivan Lins disse em uma entrevista que cada obra de um compositor é como um filho que foi gerado com muito prazer e muita energia. Destruir uma obra é destruir um filho. Que tal aderirmos à idéia do Michel Foucault quando ele escreveu sobre “O CUIDADO DE SI”? Que tal lermos a obra de “SABER CUIDAR” de Leonardo Boff? Ele escreve sobre a ética do humano, sobre o cuidado com o nosso planeta, cuidado com o semelhante, com o nicho ecológico, etc.
Quem conhece a cidade de São Paulo sabe que existem duas grandes avenidas que se cruzam: A Ipiranga e a Avenida São João. Durante o dia na hora da muvuca, não dá para saber quem é quem, entretanto, a anoitecer, o ambiente muda de cor, mas permanece dinâmico como um ciclo, pois se torna ambiente de prostituição, de drogas, etc. Caetano Veloso fez sucesso cantando a famosa frase musical: “Alguma coisa acontece no meu coração, é quando eu cruzo a Ipiranga com a Avenida São João”. Muitas coisas acontecem diante da diversidade misteriosa que é a vida, diante de Deus. Às vezes ficamos confusos, meio perdidos. João Alexandre escreveu que no meio dessa loucura múltipla, nos abismos das gerações, Deus tem que ser para nós, ponto de encontro uma mesma voz, que nos converte um ao outro e nos traz a paz. Marcos Witt escreveu: “Sei que a Tua fidelidade, leva a minha vida mais além, do que eu posso imaginar. Sei que através da simplicidade, e da consciência que os Teus olhos estão sobre mim e que não posso fugir disso, isso me enche da Tua paz. A complexidade, multiplicidade e a simplicidade de Deus estão dentro de nós. Fé é estar possuído por aquilo que nos toca (Paul Tillic). Que tal cantar agora? Alguma coisa acontece no meu coração...

Joe: um poeta delirando com o Mistério.

Vida: cama ou camaleão?

Vida: cama ou camaleão?


A vida é um risco e quem não se arrisca não vence dizia Nietzsche. Mas como vencer em meio às instabilidades da vida? O risco e a luta desenvolvem a astúcia e a inteligência estratégica. A capacidade de viver um universo organizado comportando risco e incerteza permite o desenvolvimento das estratégias cognitivas e das estratégias de comportamento. O ecossistema funciona como uma “máquina de ensinar”. Cada um por si, todos contra todos, cada um por todos, cada um por tudo, para cada um, tudo contra cada um, enfim, são tantos momentos, manifestações, traços da mesma realidade.
A radiação solar traz energia para a vida. A rotação da Terra impõe, com a alternância dia/noite e a alternância das estações, variações cíclicas de luz, temperatura, hidrologia. Os ciclos cosmofísicos estão dentro de cada indivíduo e a eco-organização caracteriza-se por constituir um poli-relógio que concilia o grande relógio astrogeofísico e os inúmeros micro-relógios vivos. Essa periodicidade multiforme desencadeia, controla, dá ritmo a todas as atividades fundamentais dos seres vivos: alimentar-se repousar, reproduzir-se. Os aumentos sazonais de temperatura desencadeiam germinação e crescimento em certos vegetais e influem em sua fotossíntese e respiração. Tudo acontece como se o grande relógio cósmico determinasse e controlasse direta (luz) ou indiretamente (temperatura) todas as operações vitais em cada vegetal, em sincronia com os relógios biológicos internos. O próprio universo animal está sob o comando do relógio geocósmico e este está interligado aos demais relógios vegetais, individuais, etc.
Segundo a moderna cosmologia, o universo está em expansão e em evolução, isso implica afirmar que o universo passa de formas simples para formas mais complexas, de situações de caos, isto é, de desordem para situações de ordem (cosmos). Ordem e desordem, interação e nova ordem é a característica universal. O dia ensolarado caminha lentamente para a noite escura. Todos os seres vivos nascem, crescem, amadurecem, envelhecem e morrem. Edgar Morin dizia que toda a proliferação de vida é um holocausto à morte. A morte não nega a vida. Ela é uma invenção inteligente da própria vida para possibilitar a si mesma uma religação maior com a totalidade do universo. A natureza mortal procura, segundo os seus meios, perpetuar-se e imortalizar-se; O único meio de que dispõe para o seu fim é a geração que, perpetuamente, substitui o ser antigo por um novo...Tal é o estratagema através do qual o mortal participa da imortalidade (O Banquete de Platão). Vivenciamos a experiência dolorosa da queda e da expulsão do paraíso. Essa experiência de queda e de perda atravessa toda a nossa vida. A vida pessoal e coletiva é feita de altos e baixos, de ascensões e quedas.
A eco-organização é um formidável motor/máquina agitador de vida que turbilhona não apenas o ar, a água, os elétrons, elementos químicos combinando-se e separando-se. Os seres vivos emergiram para a vida, mas são arrastados para a morte. Cada ser vivo é como um elo da cadeia que devora o precedente, sendo devorado pelo seguinte. O ciclo da vida é um anel que gera devorando-se. O excesso de morte tempera o excesso de vida que tempera o excesso de morte gerando regulação e equilíbrio organizacional. Se não conhecermos o escuro da terra, se não aceitarmos morrer, não viveremos nem daremos frutos dizia o grande teólogo Leonardo Boff. Quem quer conservar a sua vida, perde-la á. Quem ousar perdê-la, ganhá-la-á dizia o Grande Jesus. É morrendo que se vive mais, é entregando a vida terrena que se obtém a vida celestial.
Amamos a estabilidade, equilíbrio e normalidade, entretanto, necessitamos desenvolver a aptidão para reorganizar-nos de várias maneiras, sob o efeito de novas desorganizações, desequilíbrios, instabilidades e anormalidades. A homogeneidade e a diversidade são antagonismos presentes, no entanto, ambas possuem seus prós e contras. A diversidade genética dos indivíduos, no seio de uma população ou de uma espécie, aumenta a resistência da população ou da espécie às perturbações. Onde há homogeneidade, todos são atingidos quando um só é atingido; a homogeneidade carrega a morte, porém, a diversidade aumenta as chances de vida. Falando de vida, graças aos avanços da medicina de prognóstico, avanços cognitivos da genética, da embriologia e da biologia molecular, foi possível o mapeamento dos riscos e fraquezas do ser humano, com isso, a morte foi recuada e aumentou-se a proteção da saúde.
A história avança, não de frente como um rio majestoso, mas por desvios que suscitam acontecimentos externos ou internos. Qualquer evolução é o fruto de um desvio bem sucedido. Moisés, Jesus, Paulo, Maomé, Einstein, Galileu e outros foram desviantes em relação a sua época. Em condições favoráveis, quase sempre de crise, o desvio prolifera, torna-se tendência, e o desenvolvimento dessa tendência leva-a tornar-se norma. O cristianismo durante muito tempo perseguido, ficou encubado, por dois séculos, no império romano, antes de espalhar-se endemicamente e de impor-se como ortodoxia, tornando-se então, perseguidor e reprimindo, do seu jeito, qualquer heresia. Os cristãos repudiaram os deuses pagãos, gregos e romanos porque seu gosto se transformou, porque os deuses pagãos não ofereciam a eles o que desejavam. Por que então só o Deus deles é para eles Deus? Porque é a essência da essência deles, porque é semelhante, correspondente às suas necessidades, desejos e idéias dizia o teólogo alemão Feuerbach. O socialismo ficou várias décadas incubado antes de emergir no fim do século XIX, sob a forma do partido social-democrata alemão. O alerta ecológico dado em 1968, foi ignorado, contestado. Somente em 1992 no Rio de Janeiro e em 1997 em Kyoto que foram concretizadas conferências para discutir o tema. No século XX, selou-se a aliança entre ciência e técnica no âmbito da tecnociência. Todas as invenções e inovações são rapidamente utilizadas pelos poderes estatais e econômicos. É este quadrimotor, ciência-técnica-indústria-lucro, que impulsiona a marcha da história. O desenvolvimento técnico foi impulsionado pela necessidade e utilidade, mas também por vontade de poder como dizia o Nietzsche. Tornando-se instrumento da vontade de poder, a técnica aumenta essa vontade de poder, aumentando o próprio poder.
A vida é um risco e quem não se arrisca não vence. A vida é um risco e quem não muda não vence. A vida é um risco e quem não inova não vence. A vida é um risco e quem não cria não vence. A vida é um risco e quem não muda fica mudo à linguagem da vida. Quem não muda fica surdo à música da vida. Quem não cria fica excluído da dinâmica da vida.
A vida é poder e quem não pode é podado da vida. Podemos trabalhar, mas podemos relaxar. Lembre-se: aquele que não descansar não viverá. Aquele que não se acalmar esse se estressará.
Salve a estabilidade x instabilidade.
Salve a cama. Salve o camaleão.

Família: fadada ou sagrada?

Família: fadada ou sagrada?
Por Joevan (Joeblack)

“Ao iniciar um casamento, o homem deve se colocar a seguinte pergunta: você acredita que gostará de conversar com esta mulher até na velhice? Tudo no casamento é transitório, mas a maior parte é dedicada à conversa” (Nietzsche).
“Procuro um amor que seja bom pra mim, vou procurar eu vou até o fim” (Frejat).
“Triste é viver na solidão...é impossível ser feliz sozinho” (Tom Jobim).


A família surge, nas sociedades históricas, para tornar-se a unidade básica para a qual se canaliza a reprodução e concentram-se os cuidados das crianças. As instituições de parentesco, da exogamia e a proibição do incesto canalizam socialmente os processos de reprodução e contribuem para diversificar as determinações genéticas dos indivíduos. Lembre-se que “a sociedade se auto-produz pela reprodução biológica, que se auto-reproduz de acordo com a norma sociológica”.
Houve vários modelos de família na Antigüidade, no entanto, ela sempre estava atrelada como uma unidade ligada, sendo o lar um refúgio protetor. Cito por exemplo a família agrícola que era uma unidade socioeconômica de produção de recursos e de transmissão de bens. A família durante muito tempo, foi também fruto de uma aliança entre duas famílias diferentes. Foi também uma unidade cultural que garantia a educação dos filhos, até que o advento da escola pública tirou esse papel. A família sempre foi uma unidade psicológica fundamental, pois o nome família funda a identidade pessoal. O pai encarna a autoridade, e a mãe, o amor, as duas potências que marcarão os destinos individuais das crianças.
A marca da família na criança, depois no adulto, é fonte de complexidade mental. O Freud e as correntes oriundas do freudismo destacaram a ambivalência e a dialética do amor/ódio, do desejo e do recalcamento inerentes à família. As famílias podem ser cantinhos seguros ou prisões; daí no primeiro caso, as dificuldades da separação e, no segundo caso, as evasões, as auto-afirmações e revoltas individuais. Enfim, a família é o lugar primitivo do sexo na sua ferocidade biológica e mitológica, camuflada sob todos os aspectos atrativos, amáveis, úteis e funcionais. O Freud ficou tão curioso com essa onda de sexo em família que ele se arriscou arrancando a braguilha do pai e a roupa de baixo da mãe porque ele queria ver os elementos sagrados, geradores da vida, o pênis e a vagina. Quando eu era pequeno tive essa curiosidade também. Vocês que serão futuros pais e mães, não se assustem, seus filhos vão querer ver seus objetos sagrados. Deixem eles verem, sem medo de ser feliz. Todos têm o direito a ter acesso ao sagrado, isso é “LEI” só não me pergunte o número dela, pois o número também é sagrado.
A família, como unidade autônoma fechada, pode ser fonte de patologias e de sofrimentos nas crianças, herdeiras de neuroses familiares, submetidas à autoridade incompreensível ou brutal do pai; às vezes, estupradas, frustradas pela indiferença de uma mãe ou sufocados pela sua possessividade. A família evoluiu muito no mundo ocidentalizado contemporâneo. O casamento por amor fez a sua entrada e ocupou enorme espaço, em detrimento do casamento de conveniência. A casa com três gerações cedeu lugar, com freqüência, ao apartamento do casal com filhos. O lar tem cada vez menos crianças. A importância do filho aumenta com a diminuição do número e o filho único concentra cuidados e amor e os pais chegam a cantar para ele a canção “TODA A SORTE DE BENÇÃOS DEUS PREPAROU PARA TI”. E o filho sorri a toa, sorria tanto que fica viciado em ser “mimado”.
A pequena família quase não tem função produtiva. O lar é invadido pela economia exterior e pela cultura da mídia. A função patrimonial diminui. O papel educativo dos pais enfraquece-se. O Estado encarrega-se das creches, escolas maternais, maternidades e asilos. Os adolescentes emancipam-se muito cedo da tutela da família. Com isso, cada vez mais, no Ocidente, a família deixa de ser o lugar onde se nasce, aprende-se, trabalha-se e morre-se. Mesmo restrita em dimensões e em funções devido às diversas mutações, a família ainda permanece um concentrado biológico, psicológico, cultural e social muito forte.
A procriação por esperma anônimo, as gestações em barrigas de aluguel ou de proveta e a clonagem humana, enfim, questionam as noções fundamentais de paternidade, maternidade, filiação. Mesmo assim, creio que as noções de pai, mãe, filho e filha continuarão vivas mesmo depois de desaparecerem geneticamente, pois enraizadas na cultura, elas se manterão afetivamente através dos nossos pais adotivos, educadores ou clonadores. Depois dos Organismos geneticamente modificados (OGM), surgiram os organismos humanos geneticamente modificados (OHGM), que são ordenados e padronizados. Os atributos e características humanos já se tornaram objetos e mercadorias. Os pais do novo tipo podem escolher as qualidades dos filhos num catálogo.
Desde o século XVIII, os homens começaram a suprimir as conseqüências reprodutivas do coito pela sua interrupção, e as mulheres pela lavagem pós-coito com água fria. Foi a partir do século XX que a sociedade entregou ao homem e a mulher o controle da reprodução por meio de preservativos, pílulas e abortos legais. Resta ainda o tabu do incesto. Através dessas práticas conscientes que se tornaram cada vez menos constrangedoras, o homem e a mulher, conseguiram multiplicar os prazeres eliminando as conseqüências genitoras do ato de amor. A partir daí, o gozo opõe-se à semente, e a recopulação opõe à repopulação.
Em meio a essas metamorfoses sociais é importante frisar que através das crises que enfraquece, fortalece e transforma, mesmo assim, a família permanece um núcleo insubstituível de vida comunitária, o que pode ser comprovado, nos países ricos do Ocidente, pelo surgimento e pela legitimação de famílias homossexuais. Essa legitimação em breve chegará ao Brasil, pois a tendência dos países em desenvolvimento é aderir às inovações dos países ricos. Vida cama ou camaleão? Quem não muda não “cresce” essa é a regra do jogo da vida.
É importante ficarmos ligados porque o querendo ou não, o casal que é o núcleo da família, se encontra em crise. As atividades profissionais do homem e da mulher ocupam uma parte de vida independente, fora do lar; a multiplicidade dos encontros, o relaxamento dos costumes, a necessidade de assistência afetiva, de beleza, de poesia, tudo isso favorecem os adultérios. Os divórcios tornam-se normais, não mais exceções. Há crise do casamento por amor, vítima de um novo amor. Aliás, existe aquela famosa frase:
”todo amor é sagrado”. “Que o amor seja eterno enquanto dure” foi a afirmação profética do poetinha Vinicíus de Moraes. De poetinha ele não tem nada. Ele é um poetasso. Os poetas enxergam sempre na frente dos outros.
Nunca o casal foi tão frágil e, contudo, nunca a necessidade do casamento foi tão forte; é que diante de um mundo anônimo, de uma sociedade atomizada, em que o cáculo e o interesse predominam, o casamento significa intimidade, proteção, cumplicidade, solidariedade. Assim, o novo amor, que desestrutura um casamento, estabelece outro. O casal, refúgio privilegiado contra a solidão, contra o desespero e contra a insignificância, renasce incessantemente. A família está em crise, o casal está em crise, mas o casal e a família são respostas a essa crise.

Vida e morte: Tym ou Chak?

Vida e morte: Tym ou Chak?

"A morte é quando então poderei deitar-me de sapatos" (Mário Quintana).

Por Joeblack ou Joevan Caitano (joevex@hotmail.com)

Tym e Chak...Observe o ritmo! Tym-chack..tym-chak...compasso binário...regularidade, firmeza. Não se assuste!!! Isso é música. Os nomes são musicais. Seu nome também é musical. É só prestar atenção e brincar.
Estamos diante de dois pequenos fragmentos de uma palavra, mas que diz muito sobre um grande brasileiro chamado servo Tymchak. Tym trabalhou durante toda a sua vida como voluntário se doando em favor do próximo. Ontem (20/04/07) ele faleceu. Nem tive coragem de ir ao velório, de ir ao enterro, apesar de morar a poucos metros do local. Fiquei vendo o montão gente de terno e gravata, um alvoroço de gente de várias partes do Brasil, amigos do Tym, alguns amigos meus, curiosos, etc. Ouvia o povo cantando ao som do piano e do órgão a música Tu és Fiel Senhor, Cidade Santa, Ide pregai e outras que ele gostava, ouvia tudo. O caixão saiu e o povo continuou cantando à capella na capela. Eu fiquei tocando jazz, lendo Edgar Morin e pensando na vida do Tym. Pensando no que ele representava para mim, para os meus colegas, para o Brasil, para o mundo, para o presente, para o futuro. Essa foi minha atitude naquele momento durante o velório. Dias de mortes, e quando é o dia do meu aniversário eu não curto sair, me tranco, fico a sós, motivo puramente pessoal. Não esquentem, é coisa de gente meio perturbada. Não sei o que dizer diante da morte, fico sem jeito, prefiro ficar em silêncio, e em silêncio suportando a dor do outro, dos outros, enfim, a minha dor. Como diz o Edgar Morin: “Pode-se partilhar e viver por empatia a alegria e a dor do outro, mas a alegria e o sofrimento, ainda que partilháveis, são intransferíveis”.
Dias sim, dias não, o Tym sobreviveu sem nenhum arranhão (parafraseando a frase do Cazuza). Podemos vasculhar tim tim por tim tim toda a vida desse homem, no entanto, não encontraremos nenhuma mancha, nenhuma sujeira, nenhum arranhão. Como diz o texto bíblico na carta de primeira Pedro: “Pois até o ouro que perece, precisa ser provado pelo fogo. Assim, a fé de vocês que vale mais que o ouro precisa ser provada”. Tym foi provado no calor do fogo da vida, como também provou que podemos ser vitoriosos pela simplicidade, seriedade e fidelidade. “É preciso unir a fé num engajamento visando à mudança social” diz o teólogo e escritor Frei Betto. Tym fez isso com muita competência.
Tym conheceu o mundo porque conheceu-se a si mesmo. Como dizia o Nietzsche: “O homem conhece o mundo na medida em que conhece a si mesmo”. Ele existiu para si e para os outros. Existir para si e para os outros é existir para Deus, pois o rosto de Deus se manifesta nas relações comunitárias. Conhecer a si mesmo e ao outro é conhecer a Deus, pois somos feitos à imagem e semelhança Dele. Tym viveu uma vida de santidade, não uma vida apática, mas uma vida simpática (parafraseando o livro “Do viver apático ao viver simpático” do Reverendo Edson Fernando). Tym foi simples e humilde. Acho que ele observava rigorosamente a famosa frase de Nietzsche: “Quanto mais nos elevamos, maiores parecemos àqueles que não sabem voar”. Tym aprendeu a voar pela simplicidade. Deus ama e exalta os humildes e simples, porém, não tá nem aí para os soberbos. Tym sabia disso, pois meditava na palavra de Deus. A humildade tem o pêlo mais duro, por isso é difícil ser humilde, entretanto, Tym era uma mistura de humildade e grandiosidade em pessoa. Era manso, era servo. Servia ao próximo em amor. Lutava para o mundo ser mais rico espiritualmente via evangelização, respeitando as diferenças. Como dizo teólogo e escritor Leonardo Boff: “Cada um revela a faceta de Deus que o outro não pode revelar”.
Quem ama dorme tranqüilo, com consciência leve. Lembrei-me dos versos do poeta e compositor Vinícius de Moraes: “Dorme a estrela no céu. Dorme a rosa em seu jardim. Dorme a lua no mar”. O Tymchak dorme enfim. (parafrasei o final).
Falando em morte, lembrei-me do teólogo alemão Rudolph Bultmamm. Ele acreditava no Jesus histórico, entretanto, ele não aceitava a idéia que Jesus tenha ressuscitado entre os mortos em carne e osso. Ressurreição de um cadáver? Nem pensar para ele. Opinião dele, cada um tem sua. Cremos pela fé na ressurreição do corpo e das idéias de Jesus, porque “a fé desata as algemas da razão” dizia o teólogo alemão Ludwig Feuerbach, mesmo sabendo que toda a história comporta riscos porque mexer com história é mexer com hipóteses.
Que o corpo de Tym vai ressuscitar do túmulo, é matematicamente muito improvável, mas uma coisa é certa: O estilo de vida que ele viveu, as idéias arrojadas, influenciou, influencia e influenciará muitas outras gerações. Isso é matematicamente e obviamente muuuuuuuuuuuuiiiiiiiitttttttto provável. As idéias são dotadas de vida própria porque dispõem, como vírus, em um meio (cultural/cerebral) favorável, da capacidade de auto-nutrição e de auto-reprodução. Platão dizia que a Idéia é realidade mestra das coisas deste mundo. Hegel dizia que a Idéia é Sujeito que se auto-determina e se auto-realiza na História. Jung dizia que os arquétipos são imagens primordiais, virtuais em todo o espírito humano, e estes comandam nossa vida, enfim, eles reinam no inconsciente coletivo. O arquétipo de Tym vai ser visualizado por muitos e em muitos que darão continuidade a missão de levar o amor sem fronteiras. Como dizia Nietzsche: “A missão do futuro é unir um grande número de homens para a geração de homens melhores”. Como dizia Pascal: “É necessário trabalhar para pensar bem”. É preciso nos arriscarmos mais. “A nossa vida precisa ser mais perigosa (Nietzsche)”. Sem riscos não há graça na vida. A morte está próxima o suficiente para não termos de temer a vida.
Tym se arriscou nos quatro cantos do planeta na Junta de Missões Mundiais. Ajuntou muitos valentes e recuperou muitos desesperados. Tym lutava pro dia nascer feliz para muitos desacreditados. Agora é a nossa vez de lutar. Chega de moleza, e de sermos alunos passivos. É preciso ir à luta. Lembrete: “É preciso tirar os andaimes depois que a casa já está construída”.
Sentimos e sentiremos saudades da bravura e da ternura do Tym. Que dirá a esposa dele e viúva no momento? Saudade para ela é arrumar as malas do Tym que já morreu (parafraseando a frase do Chico Buarque).
Dê honra a quem tem honra dizia o texto bíblico. Salve o Tym. Salve o Chak. Salve o Tym-chak. Salve a música. Salve o compasso binário. Salve a regularidade. Salve a firmeza de caráter do saudoso Waldomiro Tymchak.

Abraços de Joe. Um poeta de luto na luta por um mundo melhor.
Rio de Janeiro 21 de abril de 2007. Texto fabricado durante o campeonato internacional de acrobacias aéreas (Red Bull) na enseada de Botafogo. Os aviões voavam e minhas idéias voavam com eles. Salve o sincronismo.

O açougueiro e o invisível

O açougueiro e o invisível
Por Joevan

Em Gálatas 5.16 está escrito: Andai no Espírito e jamais satisfareis os desejos da carne.
Obras ou desejos da carne no texto original no grego significa toda e qualquer ação humana na tentativa de alcançar a Deus pelo próprio esforço. Não devemos se estressar porque o Espírito é dele, por isso, ele vem até nós, porque Ele deseja alcançar-nos. Devemos aceitar essa invasão de Deus em nossas vidas, porque essa permissividade dá ao Espírito a liberdade de quebrar as nossas correntes afetivas que nos aprisionam, com isso, somos responsáveis pela manutenção dessa liberdade. Pecado é não desfrutar dessa liberdade, desse banquete, desse mar de vida em abundância.
Santificação implica em permitir a ação do Espírito na totalidade do nosso ser. Quando excluímos Deus desse jogo e tentamos com nosso próprio esforço alcançar patamares mais elevados de espiritualidade, quebramos a cara, porque nos deparamos com as nossas fragilidades. Lembre-se da célebre frase de Jesus: sem mim nada podeis fazer.
No famoso livro de Nietzche ASSIM FALOU ZARATHUSTRA, ele cita um trecho no qual menciona as três metamorfoses do espírito: O camelo que se transforma em leão, que posteriormente se transforma em criança. O camelo é animal de carga, que carrega pesos, no entanto, o leão é o rei da selva, seu slogan é: LIBERDADE, já a criança é sinônimo de brincadeira, de ausência de relógio, ela quer desfrutar de todos os momentos e dane-se o tempo.
Ser adepto do MOC (movimento obras da carne) é viver uma vida de camelo, é chato porque carregaremos um peso da insatisfação devido as nossas tentativas frustradas devido as nossas limitações e imperfeições. É preciso aderir ao projeto CARA DE LEÃO porque lá o logotipo é LIBERDADE. Aconselho ainda a aderência ao MOVIMENTO CRIANÇA ESPERANÇA, porque nele não rola stress, porque não tem os demônios dos relógios, os maus espíritos da preocupação paranóica, os fantasmas do medo de ser menos espirituais e a corrida desesperada na busca do troféu “MAIS SANTIDADE”. Nesse universo rola sim a esperança do prazer contínuo. Quem não se tornar como criança jamais entrará no Reino do céu.
É simples, deixe de lutar contra a ação do Espírito, se jogue nos braços do Pai e você vai cantar e experimentar o vôo da liberdade, mas cuidado pra não se afobar com sua soberba e vontade de se gabar pra chegar na portinha do céu suando nos ares, confiando na sua própria habilidade de voar de asa delta. Se liga, você pode cair deitado com a cara no chão sujeito a zoações dos seus próprios “amigos”. Quem sabe, a sua alto estima pode ser deletada para sempre devido ao “mico que pagarás”.
Deus é Espírito, e onde há o Espírito há a liberdade, Espírito no grego é PNEUMA, PNEUMA é vento. O vento sopra onde quer, ninguém sabe de onde ele vem e nem para onde ele vai. Deixe todas portinhas do seu ser abertas, porque ele pode chegar a qualquer momento pra te dar o troféu da LIBERDADE. Deus é imprevisível, Deus é liberdade, Deus é indomável.

Autoria: Joeblack Joevan Caitano(joevex@hotmail.com)

VIDEIRA: BESTEIRA OU VERDADEIRA?
Por Joeblack (joevex@hotmail.com)

“As pessoas mudam quando se dão conta do potencial que têm para mudar as coisas” (Paulo Coelho).
“Considera bem a medida da tua força e aquilo que excede a tua aptidão” (Horácio).
“Só existem dois dias no ano em que você não pode fazer nada pela sua vida: Ontem e amanhã” (Dalai Lama).

Já freqüentei algumas comunidades que cantavam aquele famoso cântico (VIDEIRA, VIDEIRA, VEDEIRA IÁ...). Daí, faziam filas, trenzinhos, pareciam até o BONDE DO TIGRÃO, melhor, BONDE DE JEOVÁ. Deus criou os homens e os tigres, e outros animais. No jardim do Éden acho que havia o BONDE DE ADÃO. Como a sociedade era machista, era improvável haver o BONDE DA EVA. O homem mandava geral. Se fosse hoje, seria pau a pau (Flamengo x Vasco) com torcida e tudo. Dá-lhe tigrão! Dá-lhe Adão! Dá-lhe mulherão. No século 21, a mulher não é boba. Besteira é pensar que elas são bestas. Elas querem é o poder. Elas podem. Estão com “moral”.
Falando em animais, morei durante minha infância e adolescência no interior do Estado do Pará, lá na Transamazônica. Lá era comum falar sobre onças, escorpiões, cobras, açaí, patoá, abacaba, tacacá, biju de tapioca, índios, etc. Lembrava daquela canção do Legião Urbana (que país é este? Que país é este?). País da diversidade, vários Brasis em um só Brasil. Essa diversidade harmonizava-se com o contexto rural. Daí eu cantava e tocava meu violãozinho nos encontros de jovens. Rolava aquela velha canção: EU SOU A VIDEIRA VERDADEIRA, E MEU PAI É O AGRICULTOR... Velhos tempos que não voltam mais.
Bem, vamos brincar um pouco com um texto muito famoso que é o de João 15. Lá diz: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor...”
Se liguem nas lições que podemos tirar desse texto.
1. Atitude
Versículo 16: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome”.
Vida frutífera = fruto do Espírito (Gálatas 5.22-23).
Produtividade significa mostrar atitudes ativas e positivas diariamente em nossas vidas.

Quando colocamos estas atitudes em prática geramos:

* Resultados positivos;
* Relacionamentos positivos;
* Reações positivas;
· Reforço positivo;

(2) Regozijo positivo.
João 15.11: “Tenho dito estas palavras para que a minha alegria seja completa”.
Felicidade é resultado de se fazer aquilo que é correto.

(3) Uso da fonte correta
João 15.1 “Eu sou a videira”.
Filipenses 4.13 “Todas as coisas eu posso naquele que me fortalece”.
Tornamo-nos frutíferos quando lançamos mão da fonte correta.
Quando andamos com Deus, muitas vezes nos sentimos como uma formiga com a força de um elefante.

(4) Visão de proprietário
João 15.1 “Eu sou videira (Jesus = fonte) e meu Pai é o agricultor (proprietário = interesse pessoal, compromisso, conhecimento da posse, habilidade e investimento).

Deus nos possui, de modo que, quando Ele olha para as nossas vidas, as vê não como um observador, mas como um investidor.

(5) Purificação
João 15. 2: “ E todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda prá que dê mais fruto ainda.

Ele sabe que se não cortar a madeira excedente, todos os nossos recursos serão canalizados para a produção de mais madeiras e não produziremos mais frutos.
Ele vai direto ao problema e com a sua dinamite explode apenas as áreas de nossas vidas que não são produtivas.
Ele corta fora aquele “pecado que nos envolve”. (Hebreus 12.1)

(6) Conexão
João 15.4 “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por sim mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim”.
Conecte-se com Deus e tudo irá bem. (Parceria)

7. Resultados do deleitar-se no Senhor
João 15.7: “Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido”.
As nossas necessidades pelas quais pedimos devem estar de acordo com a sua palavra.
Salmo 37.4: “Deleite-se no Senhor e Ele atenderá os desejos do teu coração”.
O deleite vem antes do desejo.
Quando você se deleita em alguém, aprecia fazer as coisas que normalmente não gosta de fazer.

(8) O propósito de nossas vidas
João 15.8: “Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos”.
Versículo 16: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi”, para irem e darem mais frutos”.
Você somente pode dar fruto para outros quando estiver vivendo uma vida frutífera interiormente.

(9) O fruto da obediência
João 15.10: “Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor”.
Jesus quer ter uma relação frutífera conosco.

(10) A fórmula para a produtividade
* Permanecer. Versículo 4: “Permaneçam em mim”.
· Receber. Versículo 7: “Pedirão o que quiserem, e lhes será concedido.
· Reproduzir. Versículo 8: “Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto”.

Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível (São Francisco de Assis). Corra atrás e não desista, pois o “crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento” (C. S. Lewis). “As transformações mentais demoram e não são fáceis. Demandam esforço constante” (Dalai Lama). O Drummond de Andrade disse que “só o lutador é quem sabe lutar consigo mesmo”.
Jesus disse que no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Paulo disse “Tudo podemos naquele que nos fortalece”.
“Fortalece” vem do vocábulo grego “enduamo” que dá a idéia de infundir forças. Quando tomamos posse da força da fé, essa força que vem do alto, transforma o nosso ser, permitindo que nos tornemos mais fortes em nós mesmos. Todos nós somos videiras, temos raízes familiares, troncos religiosos, possuímos galhos que captam influências de todos os lados, possuímos folhas que caem que se renovam. As nossas idéias se renovam, nossos conceitos mudam com o passar do tempo. É preciso, sermos podados na época apropriada para que possamos ter uma vida saudável. Besteira é acharmos que não somos aquilo que somos. Somos videiras, somos vida, isso é verdadeiro. Somos SOMA (somos a soma de tudo o que somos). É preciso honra a essa soma. Dá-lhe honra a quem tem honra. Honre seu potencial.
A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas (Horácio). Nietzsche dizia que “aquilo que não nos destrói, nos fortalece”. Para fortalecermos nosso crescimento e produtividade é preciso investir em 5 áreas: capacitação, relacionamentos, atitude, liderança e dependência de Deus. Que tal a gente se arriscar na vida? Que tal a gente usar a fonte correta para vencermos na vida? Lembre-se daquela cérebre frase de Jesus: “Sem mim nada podeis fazer”.





Joe: um poeta com saudades do meu cabelo black power. Já fui semelhante a uma àrvore frondosa (copa de mangueira), mas foi preciso podar o black para que eu me tornasse escritor. O peso do black impediam a leveza das idéias que vinham do alto.

Sonhar: lutar ou se ferrar?

Sonhar: lutar ou se ferrar?
Por Joe (joevex@hotmail.com)

Quando tá escuro, e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar. Há uma luz no fim do túnel, dos desesperados. Há um cais de porto pra quem precisa chegar. Eu tô na lanterna dos afogados, eu to te esperando, vê se não vai demorar... (Hebert Vianna).

Quando alguém deseja algo, deve saber que corre riscos e por isso a vida vale a pena. Não tenha medo das dificuldades. O que assusta às vezes, é a obrigação de ter de escolher um caminho. Escolher um caminho significa abandonar outros em função daquele que conduz mais rapidamente ao alvo desejado. Não podemos ser burros e ficar trafegando em caminhos estressantes. Schiller dizia que “com a burrice até os deuses lutam em vão”.
A possibilidade de realizar um sonho é o que faz com que a vida seja interessante. Só uma coisa torna o sonho impossível: o medo de fracassar. Mas é preciso arriscar porque quem não arrisca nada não precisa de esperança para nada. Nunca desistas de um sonho, apenas trate de ver os sinais que te levam a ele. Durante uma caminhada difícil, é normal a gente querer voltar atrás, mas às vezes isso não é possível, daí pensamos! Hum! O bicho pegou agora! Que nada! Observe essa dica de ouro: “Quando não se pode voltar, só devemos ficar preocupados com a melhor maneira de seguir em frente” (Paulo Coelho). O homem nunca pode parar de sonhar. O sonho é o alimento da alma, como a comida é o alimento do corpo. Paulo coelho diz que “todos os caminhos são mágicos se nos levam aos nossos sonhos”. Diz ele: “Quando queremos algo, parece que todo o universo conspira a nosso favor”.
Durante a perseguição dos nossos sonhos, podemos sofrer com a demora da concretização. O Dalai Lama diz que “para lidar com o sofrimento é preciso, perceber que ele faz parte da nossa vida”. Jesus disse que “no mundo teremos aflições, mas que devemos ter bom ânimo para alcançar a vitória”. O Hebert Vianna escreveu: “Uma noite longa para uma vida curta, já não me importa, basta poder te ajudar”. São tantas marcas que já fazem parte do que sou agora, mas ainda sei me virar. Longa é a espera do caçador, mas grande é a fé do pescador dizia Tom Jobim. O texto bíblico de salmos diz que “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer”. No salmo 121 o texto diz que o Guarda de Israel não dorme. O senhor te guardará de todo o mal, ele guardará a tua entrada e a tua saída desde agora e para sempre. Papai do céu não dorme só para nos ver dormindo. Só para nos ver chorando, só para ver nossas angústias, apreensões, enfim, ele vê e entende as marcas do nosso desespero. Mas quando o dia amanhece Ele diz: Filhinho! Bom dia, eu cuidei de você a noite inteira. E quero passar o dia com você te convencendo, te seduzindo, abrindo seus bons olhos, te incentivando a ir em frente, acendendo seus balões e tuas paixões. Meu filhinho! Se ligue! Porque hoje eu vou afastar suas assombrações, vou arejar seus porões, vou acalmar seus vendavais, seus temores, seus ais, para te fazer mais capaz, cada vez mais audaz, para que você acredite que ainda podes continuar. Bola pra frente meu filhinho!!! Não se desvie nem para direita nem para esquerda, mas prossiga para o alvo. Eita conselho bom!!! Papai do céu é 10.
O poeta Mario Quintana dizia: “A cada dia que abro a janela de meu quarto é como se eu abrisse uma página nova de um mesmo livro”. Todos os dias, Papai do céu nos dá uma forcinha para que possamos ler o livro da vida com sabedoria. Resta-nos continuar pedindo a Ele: “Ensina-nos a viver os nossos dias de tal maneira que lutemos pela vida com sabedoria”. Se o seu coração é absoluto e sincero, você naturalmente se sente satisfeito e confiante, por isso não deve ter nenhuma razão para sentir medo dos outros. O medo é útil quando ele nos alerta. Vamos mergulhar na confiança porque é preciso lutar por um mundo melhor. Precisamos fazer a nossa parte pro dia nascer feliz. É ilógico esperar sorrisos dos outros se nós mesmos não sorrimos. Salve a proatividade mesmo nas adversidades. Horácio dizia que “a adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas”.
Ainda que a figueira não floresça, e a videira não dê o seu fruto, e que o mar esteja bravio, e que o céu esteja escuro, mesmo assim eu hei de confiar na sua lanterninha. Mesmo que eu esteja me afogando, você sempre terá um barquinho para me socorrer em alto mar. Basta a gente confiar e esperar que Papai do céu e do mar não vai demorar. Daí quando ele chegar é só a gente cantar: Cantarei teu amor pra sempre, cantarei teu amor; meu coração exulta, com alegria eu canto...Ele é o dono da chuva, do céu e do mar. O Nietzsche dizia que fé é dançar na beira do abismo. Que tal cantar em cima do barquinho? Como diz Ivan Lins: “Lutar, lutar, lutar, prá gente ser feliz; cantar, cantar, cantar, cantar, como a gente sempre quis”. Falando em canções o Herbert Vianna canta: “Uma noite longa para uma vida curta, já não me importa basta poder te ajudar”. Mesmo que a noite seja longa, os raios da minha energia, os meus sonhos atrairão, encurtando a distância entre ambos. Podemos lutar e sonhar sem medo de se ferrar. Arriscar é considerar a afirmativa: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Jesus Cristo).
Deleite-se no Senhor e ele concederá os desejos do teu coração. Mas lembre-se: o deleite vem antes do desejo.

Joe: um poeta na luta para alcançar os sonhos.

Livro da vida: verdade ou conversa fiada?

LIVRO DA VIDA! Verdade ou conversa fiada?
Por Joeblack (joevex@hotmail.com)

“Em nosso dia a dia, é comum perdemos tempo discutindo vertentes teológicas e filosóficas e nos esquecemos de estudar os fundamentos e a beleza da verdadeira teologia e filosofia do cotidiano, onde a doutrina suprema é a leitura do ser humano e a liberalidade do amor”. (Joeblack - músico e teólogo).
“É importante aprender a não se aborrecer com as opiniões diferentes das suas, mas é preciso dispor-se a trabalhar para entender como elas surgiram” (Bertrand Russell – Filósofo e Matemático).
“É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada” (William Shakespeare).


O grande filósofo Bento de Spinoza dizia: “Não chore; não se revolte; mas compreenda”. Compreender o outro! Eis a grande questão. Se liguem! Pois as pessoas são frutos de estruturas sociais, e num momento de decepção, ou quando se deparam com algo novo, elas tendem a reagirem às circunstâncias, e cada pessoa reage de um jeito. Umas optam pelo caminho do álcool, outras pelas drogas, outras pelo suicídio, outras entram em depressão, outras se apegam aos seus deuses, outras adquirem forças pra prosseguir sem abaterem-se, outras atacam os outros, viram selvagens, etc. Edgar Morin diz que “somos um misto de ternura e selvageria”. Temos dentro de nós um Papai Noel, e um bicho cruel. Lembre-se que, as pessoas são diferentes, vieram de famílias diferentes, de lugares diferentes, de circunstâncias diferentes, portanto, cada caso é um caso.
Pessoas reprimidas desde a infância, podem virar uma bomba relógio, pois senão houver um treinamento gradativo de como usar as ogivas (hormônios), elas vão acumulando, e quando elas atingem a liberdade, essa bomba estoura causando grandes estragos a própria pessoa e as demais em sua volta. É preciso ensinar as pessoas a lidarem com o seu próprio corpinho (sua bombinha), ensinando a explodí-las em doses homeopáticas, senão no futuro os estragos serão monstruosos.
Essas paradas de BOMBAS me fazem pensar em violência, BIG BANG, origem da vida, etc. Mas pense bem: o parto é um momento de violência, viemos ao mundo por meio de um ato de violência. Quando atingimos a puberdade, o próprio organismo nos bombardeia com um arsenal de hormônios pra nos dar uma balançada, porque sem essa sacudida hormonal, seríamos engolidos pela própria vida. O terceiro parto acontece quando ganhamos autonomia para pensar, e nos libertamos das correntes que nos prendem. Sei que machuca, mas essas feridas na nossa mente nos fazem ser livres para voar, para ter uma leitura mais fluente do universo alheio. Cada pessoa é um livro com título, cor e conteúdo diferente. Temos a mania de ler o título, ignorar o conteúdo devido a nossa preguiça e impaciência e ainda julgamos na última página com a tinta das nossas grafites moralistas. Enfim, borramos tudo, estragamos vidas, rasgamos os livros (pessoas). Sem crises e violência não há vida, não há crescimento. É preciso ouvir o outro, aderir o ministério da escuta. William Shakespeare dizia: “Presta o ouvido a todos, e a poucos a voz”. Educar os ouvidos é fundamental para quem quer entender uma música ou aprender uma língua. Ouça o desabafo do outro e lembre-se: quem ouve mal, sempre ouve algo a mais.
É preciso se libertar das algemas do moralismo, porque o moralista se volta pro indivíduo e lhe diz: tu deverias ser de tal e de tal modo! O indivíduo, pela frente ou por detrás, é um pedaço do destino. O banqueiro pensa imediatamente no negócio, a moça no seu amor, mas o moralista cristão só pensa no pecado dos outros e pior, ainda atacam os outros (atacar os sofrimentos na raiz é o mesmo que atacar a vida na raiz). Os moralistas são inimigos da vida, pois pregam que O SANTO, JUNTO AO QUAL DEUS SENTE PRAZER, É UM CASTRADO IDEAL (Nietzsche). Para eles, a vida termina aonde o Reino de Deus começa. Os homens foram pensados como “livres”, para que pudessem ser julgados e punidos, para que pudessem ser culpados. Santo Agostinho dizia que “os homens estão sempre dispostos a vasculhar e averiguar sobre as vidas alheias, mas lhes dá preguiça conhecer-se a si mesmos e corrigir a sua própria vida”.
É preciso retornar ao amor pelo diferente, ao retorno da afetividade, da paciência e fluência na leitura do LIVRO DAS VIDAS. Albert Camus diz que “amar uma pessoa significa querer envelhecer com ela”. Amar é se arriscar. Vejamos:
Ekklesia no grego é Igreja (reunião de pessoas que se amam). O prefixo Ek significa sair, expulsar, isto é, arriscar-se saindo da comodidade. Saia logo e procure outras bibliotecas com outros livros, amplie seu vocabulário amoroso. Pensando em vocabulário de palavras, que tal saber verbalizá-las? É preciso ter sabedoria no falar. Aristóteles dizia que “o sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz”.
“A vida não é uma pergunta a ser respondida, mas é um mistério a ser vivido” dizia BUDA. Einstein dizia: A nossa existência é curta. Cazuza dizia que a vida é louca e breve. É preciso ler o universo das pessoas como se não houvesse o amanhã. É preciso ler hoje, porque amanhã poderá cair outro avião da GOL, e livros poderão ser rasgados sem possibilidade de serem lidos. Leia logo!!! BOA LEITURA.


 

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