O que é "verdade"? Nietzsche e seu livro ECCE HOMO explica

NIETZSCHE escreveu: [...] Tudo o que se chamava “verdade” é reconhecido como a mais nociva, pérfida e subterrânea forma da mentira; o sagrado pretexto de “melhorar” a humanidade como ardil para sugar a própria vida, torná-la anêmica. Moral como vampirismo...Quem descobre a moral descobriu com isso o não-valor dos valores todos nos quais se acredita ou se acreditou; nada mais vê de venerável nos tipos mais venerados e inclusive proclamados santos, neles vê a mais fatal espécie de aborto, fatais porque fascinavam...A noção de “Deus” inventada como noção-antítese à vida – tudo nocivo, venenoso, caluniador, toda a inimizade de morte à vida, tudo enfeixado em uma horrorosa unidade! Inventada a noção de “além”, “mundo verdadeiro”, para desvalorizar o único mundo que existe – para não deixar à nossa realidade terrena nenhum fim, nenhuma razão, nenhuma tarefa! A noção de “alma”, “espírito”, por fim, “alma imortal”, inventada para desprezar o corpo, torná-lo doente – “santo” -, para tratar com terrível frivolidade todas as coisas que na vida merecem seriedade, as questões de alimentação, habitação, dieta espiritual, assistência a doentes, limpeza, clima! Em lugar da saúde a “salvação da alma” – isto é, uma folie circulaire [loucura circular] entre convulsões de penitência e histeria de redenção! A noção de “pecado” inventada juntamente com o seu instrumento de tortura, a noção de “livre-arbítrio”, para confundir os instintos, para fazer da desconfiança frente aos instintos uma segunda natureza! Na noção de “desinteressado”, de “negador de si mesmo”, a verdadeira marca de décadence, a sedução do nocivo, a incapacidade de encontrar o próprio proveito, a autodestruição, convertidos no signo de valor absolutamente, no “dever”, na “santidade”, no “divino” no homem! Por fim – é o mais terrível – na noção do homem bom a defesa de tudo o que é fraco, doente, malogrado, que sofre de si mesmo, tudo o que deve perecer -, contrariada a lei da seleção, tornada um ideal a oposição ao homem orgulhoso, que vingou, que diz Sim, que está seguro, que dá garantia do futuro – este chama-se agora o mau...E nisso tudo acreditou-se como moral! NIETZSCHE, Friedrich. ECCE HOMO. Como Alguém se Torna o que é. Tradução, Notas e Posfácio de Paulo César de Souza. 2ª edição. São Paulo: Companhia Das Letras, 2004, página 116, 117.

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