Tragam a mim todas as criancinhas, pois no Reino de Deus há espaço para a sensualidade lúdica. E citou Manoel de Barros: "Tudo o que é ínfimo, traga para mim, porque é no ínfimo é que eu vejo exuberância". Então todo mundo resolveu brincar naquele fragmento mágico do instante...” (Adaptação poética de Joe sobre aquela narrativa bíblica) Escreva com sangue e verás que sangue é espírito, pois nesse caso, sangue é afeto; é experiência; é pathos. (Friedrich Nietzsche – filósofo alemão) Numa tarde, logo na chegada de uma repartição de ensino, me deparei com três crianças que se jogaram para cima de mim com aqueles abraços calorosos e falaram nas proximidades de um bebedouro: O Tio de música chegou. Na saída, eu levava comigo um envelope grande exposto a céu aberto e outras crianças perguntaram: Tio de Música! Para onde o Senhor está indo? Para o Reino da aprendizagem, pois é das criancinhas o Reino de Deus, eu respondi em meu silêncio eloqüente. Crianças são muito sensíveis, pois conseguem antever pela imaginação pura e escatológica, algumas coisas que estão no ar. Crianças são portadoras de desconfiômetro sentimental. Nunca me esquecerei do dia em que cheguei na sala de aula, e avistei uma criança que chorava discretamente e amarguradamente em seu cantinho sagrado. Perguntei baixinho: Querido! O que você tem¿ Ela não me respondeu nada, mas manteve-se chorosa e padecia horrores que para mim era algo enigmático. Repentinamente, Deus enviou a tia que os conhecia mais do que eu, e ela disse: Tio Joe! Por gentileza, dê um desconto para aquela criança, pois ela ta está experimentando o vale da dor e do caosmo afetivo, pois os pais dela estão se divorciando. A turma estava silenciosa, não havia clima para eu entoar um novo cântico. Sutilmente, distribui alguns papéis e pedi que as outras crianças desenhassem um violão e um coração. “Escondi-me”, do lado da porta, pois aquela criança queria ficar a sós, por isso, me afastei e busquei consolo tentando ler uma biografia do Balzac, mas tudo dentro de mim mexia e remexia dolorosamente, pois não tem dimensão política, social, religiosa que dê conta do SÓ. Nos momentos de dolorosidade da alma, a palavra alegria se torna indecente. Mas...Há que se recordar jubilosamente o dia em que prestes a liberar uma das turmas para irem embora para casa, uma singela criança se aproximou de mim e me deu aquele abraço e disse-me: Tio Joe! Quando eu crescer, eu também quero ser um professor, mas quero ser um super-herói, pois quando acabar o expediente, eu quero sair voando para a minha casa. Apoiaaado ... apoiadíssimo, disse eu sorridente para aquele guri afro. Muito emocionante, foram os momentos em que eu pedia para as crianças desenharem e pintarem alguns instrumentos musicais que eu exemplificava através de figuras em papel ou no quadro de giz e\ou pincélico. Quando eles me mostravam suas criações pictóricas, eu morria de rir, pois vinha cada obra de arte. A criatividade infantil é ampla, exótica e pueril. O mais legal era quando eles perguntavam: Tio! Posso mostrar para a minha mãe ou para ou meu pai? Mostre sim, respondia eu sorridente e feliz à bessa.... A minha vida são relatos de experiências, é a história de uma vocação.... São histórias díspares, simples e nobres como estas, que testabilizam e sensibilizam o coração de um professor ainda iniciante no reino infantil. Não adianta o profissional fazer cursos de capacitação pedagógica na Alemanha, na França, na Inglaterra, nos EUA, na Favela X ou Y, em colégios da rede Estadual ou da rede Municipal, na USP, UFRJ, UNIRIO, UFMG e outros locais competentes (fazer doutorado, pós-doutorado no exterior, etc), se o professor não for tocado na pele da alma pela monumentalidade da simplicidade do amor pelas criancinhas. A gente precisa ser contaminado pelo amor educacional. Em seu mágico texto PEDAGOGIA DA CONTAMINAÇÃO, Ortega y Gasset ressalta que filosofia, pedagogia e outras áreas do saber não se aprende, mas se contamina, se pega como se pega sarampo, malária, cachumba, etc. Ih! O fulano pegou música...Ih! o ciclano pegou filosofia....Ih! o beltrano pegou pintura...Ih! o zezinho pegou psicologia...rs Jesus já ressaltou sobre a divindade das criancinhas. “Enquanto Jesus dava uma palestra debaixo de uma árvore, num sitio aconchegante, algumas crianças brincavam com os animais. Quando uma criança, movida por um gesto puro, simples e nobre de amor, beijou outra criança, alguns discípulos se enfureceram ao ponto de darem esporros altissonantes, seguido de boicotamento daquele fluxo afetivo. Jesus sorriu e disse: Queridos marmanjos insensíveis! Nem só de pão e retórica espiritual vive o homem, mas de carícias e de oportunismos amorosos. Tragam a mim todas as criancinhas, pois no Reino de Deus há espaço para a sensualidade lúdica. E citou Manoel de Barros: "Tudo o que é ínfimo, traga para mim, porque é no ínfimo é que eu vejo exuberância". Então todo mundo resolveu brincar naquele fragmento mágico do instante...” (Adaptação poética de Joe sobre aquela narrativa bíblica) Tio! Já fizemos o dever que o Senhor pediu: Agora podemos brincar de cavalinho e de massinha¿ Pode-sim (faltava 7 minutos para encerrar a aula deles) ...Nem só ginásticas musicais vivem as criançinhas, mas de massinhas, de bichinhos, de historinhas e de muito carinho. Sei que a saudade é a presença de uma ausência, mas o importante é a gente passar por um local e fazer o que tem que fazer e se for necessário sair, sair de cabeça erguida com a sensação de missão cumprida (se for possível). Se a gente foi para um local de trabalho, estudos, etc - nicho (talvez deserto) de testabilidades e experiências prol aprendizagens, e, se porventura as coisas não deram certo (o fluxo das coisas caminhou em outra direção e a gente não conseguiu ir atrás e\ou se adaptar, ou cometeu algum ato falho), não devemos ficar lamentando e chorando o "leite derramado", pois a vida é feita de realizações vitoriosas e de fracassos também. O importante é a gente marchar, caminhar e aprender com cada experiência que a vida oferece. Quem aspira coisas nobres na vida, precisa saber engolir sapos quando necessário sem fazer cara feia e precisa saber tomar tôcos (NÃOS) porque eles também fazem parte da vida. Também precisa aprender a comemorar os SIMs sem se curvar a serpente da SOBERBA e nem se render ao escultor dos NARIZES EM PÉ (mantenedor de estátuas moventes de mitidezas)...Quem anseia vencer na vida, precisa saber conviver com os anjos e demônios que habitam e co-habitam dentro de nós mesmos e dentro dos outros, pois o bem e o mal se convergem e se aturam dentro de nós. O legal na vida é a gente crescer sendo portadores de sensualidade e simplicidade inteligente, porque ser forte é ser forte no limite, pois o que passa desse limite pessoal, se torna presunção. A formiga, tem que se contentar sem ser forte como uma formiga; já o leão, tem se contentar em ser forte como um leão... abraços saudosos, carinhosos e gratulosos pelas coisas mais lindas mais cheia de graça que é a presença das crianças e de colegas caridosos. O importante é que emoções eu vivi. Joe... Leia também: http://filmesdejoe.blogspot.com.br/2012/04/e-no-infimo-que-eu-vejo-exuberancia-por.html PEDAGOGIA DA CONTAMINAÇÃO...Texto em PDF. http://www.ime.usp.br/~pleite/pub/artigos/ortega/pedagogia.pdf

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