Começo esse artigo em forma de questionário instigante baseado em observações acuradas e reais, cooptadas durante observações e peregrinações em cursos de música em Universidades Federais e Estaduais, cursos de música sacra, cursos técnicos em escolas de música e afins.

1. Porque é exigido de um candidato aspirante ao curso de graduação em piano clássico ou professor de piano clássico (substitutos, auxiliar, assistente, adjunto, titular) tocar somente peças da tradição de piano clássico e não é exigido a execução de peças de piano popular e jazz (falo de leitura de melodias com cifras, re-harmonizações, improvisações, etc)¿ Um colega levantou essa questão esses dias, pois sempre que viu editais de piano popular, o candidato também tinha que executar peças da tradição clássica...
2. Porque que em concursos para professor de piano popular, candidatos que não tem nenhuma experiência no ramo da performance em musica popular e jazz (verdadeiros leigos) resolvem se inscrever¿ (Prá fazer peso morto prá banco) Ainda bem que as bancas (todas que vi até agora) foram lúcidas e não consideraram a titulação de A ou B, mas levaram em consideração a experiência de candidatos que ou já tem bastante experiência nesse ramo (que exige muuuuuuita dedicação e jeito pra coisa também...há q se ter pegada senão não rola), ou consideraram também candidatos que estão engajados nesse ramo com enormes possibilidades de crescimento como instrumentista, arranjador –compositor, produtor e professor (ensinar exige arte, exige paixão, É COISA SÉRIA). Concursos são feitos ou para se colocar alguém (dar emprego pra algum conchavo, daí não vale apenas ser competente na área em disputa, mas ter um peixe grande nas escamas candidatórias) ou para preencher uma vaga devido a necessidades, por isso, há que ser escolher bem o perfil adequado com lucidez e ética a proposta de tal concurso.
3. Tocar bem piano clássico e piano popular (jazz) é raridade...falo de tocar bem os dois...São estilos completamente diferentes q se complementam em alguns pontos e ambos exigem estudo focado e profundo...Ouvir Bill Evans, Keith Jarret, Herbie Hancock tocando Jazz é sublime pq tem o tempero, aquele tchan do jazz, mas vê-los tocando peças clássicas não me proporciona o mesmo tesão, pois eu poderia ouvir melhor. Minha mente apita logo: Seria melhor escutar as mesmas peças sendo tocadas por um Nelson Freire ou um Horowitz...Sou a favor do estudo dos dois universos, mas tem uma hora que o sujeito vai escapar para um lado e vai se identificar e se destacar no caminho q escolheu...Se escolheu o caminho do popular e sentiu tesao e tem jeito pra coisa, então é só entrar de corpo e alma que a competência e a respeitabilidade virão na hora certa, porém, se o músico escolheu o caminho do piano clássico e ta curtindo e leva jeito pra coisa, que siga em frente e dê o melhor. Se puder ser expert em um ramo e souber (der conta) de se virar nos trinta no outro ramo por necessidades de ganha o pão de cada dia, é lícito e lúcido também atacar nem que seja superficialmente (temporariamente) nesse ramo secundário alternativo. A necessidade atiça e excita aprendizagens específicas e localizadas.




"Toda minha escrita é um exercício de lucidez". (João Cabral de Melo Neto).
www.joevancaitano.blogspot.com
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Joevan Caitano é mestre em musicologia pela UFRJ e convidado a doutorar pelo depto de Musikpädagogik na Ludwig Maxmilian Universität em Munique...(aguardando bolsa)...pesquisa a ser desenvolvida: “CURSOS DE FÉRIAS PARA NEUE MUSIK EM DARMSTADT EM 1951: ANÁLISE DOS ASPECTOS MUSICAIS E PEDAGÓGICAS E POSSÍVEIS CONVERGÊNCIAS COM O PENSAMENTO DE HANS JOACHIM KOELLREUTTER”.

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