Após um dia de intenso trabalho, Jesus resolveu fazer uma caminhada pelo calçadão de Copacabana. Quando ele chegou aos arredores do Arpoador, na praia de Ipanema, ele viu um grupo de homens com pedras nas mãos e com chicotes da “salvação”. Diante daquele bando de machistas terroristas, estava uma mulher com o corpo inteiro enterrado na areia, porém, somente a cabeça, visível a olho nu, estava do lado de fora. Ela encenava os gritos do silêncio. Então Jesus perguntou aqueles homens o porquê daquilo tudo. Eles disseram que aquela mulher era safada, pois tinha mais hora de cama do que urubu de vôo, por isso, segundo a lei, ela merecia\deveria ser massacrada publicamente por francos atiradores.
Jesus pediu calma àqueles másculos afobados e deu aquela mulher o direito de contar a sua versão sobre os fatos. Então aquela mulher assustada e fragilizada, começou a balbuciar uma história de vida alucinante. Segundo ela, após a mãe ter sido abandonada pelo marido no interior do Amazonas, a mãe, a filha com 12 anos naquela época (atual mulher adúltera da história) e mais dois irmãos vieram para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Ela, mulher da areia prosseguiu dizendo: “Mestre, com 15 anos e, já muito bonita e com sensualidade indígena, me envolvi com um coroa que prometeu dias melhores, no entanto, engravidei dele e ele sumiu do mapa. Com 18 anos, me envolvi com um jovem de 25 anos de família com grana e ele insinuou casar-se comigo, no entanto, engravidei do segundo filho e alguns meses depois ele me deixou na mão. Mestre, eu sem estudos, vivendo numa terra de ninguém, tive que defender uns trocados para criar meus dois filhos, entretanto, o mais velho terminou o mestrado recentemente e passou no concurso para engenheiro na Petrobrás. O meu filho mais novo, concluiu a graduação em filosofia na UFRJ e está tentando bolsa pelo DAAD, KAAD, CNPQ e CAPES para fazer mestrado na Alemanha...É isso mestre...nada pedir só agradecer”.
Jesus ficou muito comovido e falou: “se alguém não tem sensibilidade humana demasiada humana, que atire a primeira pedra”. Houve silêncio e reflexão. Jesus pediu que aquela mulher fosse retirada daquela cova de areia. Ao ver aquele corpo lindo, marcado pela magia, bravura e ternura, ele correu, abraçou-a e beijou-a dizendo: “amo porque te amo, porque o amor é um estado de graça”. E ambos desejaram um feliz natal e um próspero ano novo cantando: “hoje a festa é sua hoje a festa é nossa é de quem quiser, quem vier”...
E a vida continuou...

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