Léo e Vanessa: Uma Louvação ministerial em forma de Cadupla em Música.




“Daí honra a quem merece honra” (Jesus Cristo)
“Sendo todas as coisas causadas e causadoras, ajudadas ou ajudantes, mediatas e imediatas, e sustentando-se todas por um elo natural e insensível que une as mais distantes e as mais diferentes, considero ser impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tampouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes”. (Blaise Pascal, citado por Edgar Morin)
“O essencial na vida é sobreviver e manter firme a paixão” (Pedro Almodóvar)

No início de 2000, eu ingressei no curso de Música Sacra na FABAT, e em minha turma havia uma guria de pequena estatura, com cabelos longos e que tocava violino. Um fluxo de ventania existencial levou subitamente a Vanessinha para Curitiba. Posteriormente, quando ela retornou, descobri que ela já estava afetivamente nos braços do Léo. Foi uma notícia surpreendente, porém, acalentadora de minhas positivas expectativas.
No mesmo ano de 2000, ainda calouro e “bicho do mato” na selva carioca, fui por acaso assistir um concerto de formatura do violoncelista Saulo de Almeida acompanhado pela grande pianista Priscila Bonfim. Quando acabou aquele suntuoso espetáculo sonoro na UNIRIO, eu e alguns colegas voltamos de carona num humilde e singelo Fiat vermelho. Enquanto eu me deslumbrava vendo a enseada de Botafogo, o Pão de Açúcar com óticas noturnas, eu ouvia aquele jovem motorista falando entusiasmaticamente sobre suas aulas de teclado e piano com professores particulares e no Conservatório Brasileiro de Música. Posteriormente, em Abril de 2002, aquele jovem de óculos compareceu como expectador e apreciador do primeiro evento musical dirigido por mim, contendo composições de minha autoria. O evento na FABAT chamou-se A LUZ NO FIM DO TÚNEL. Quando acabou aquele mini concerto, o tal jovem “oculista” me abraçou, me parabenizou e disse: Joe! Adorei tudo que ouvi. Conte comigo se precisar de um tecladista. No mês seguinte, o MM Ednardo Monti me ligou convidando meu grupo para se apresentarem numa quarta feira na PIB da Barra. Diogo Rebel era meu pianista oficial e na semana daquele concerto não pude contar com o naipe de cordas, então convidei o Léo para fazer cordas usando o teclado. O Léo tocou e gostou e eu ouvi e gostei do jeito do Léo e dali prá frente nunca mais o Léo ficou de fora.
Em 2003 lá estava Léo liderando o ensaio do instrumental para o musical A REVOLUÇÃO. Em 2004 estava o Léo ensaiando com a banda pro RIO BRASIL BRASILEIRO. Em 2005 Léo ralou na preparação do grupo para apresentações e workshop no Louvação e musical DE OUTRO MUNDO EU SOU. Em 2006 lá estava Léo preparando nos bastidores o repertório para o polêmico show BÁIONSAMBAJAZZ e afins.
Em 2003, a convite do Pedrão e direção do OPÇÃO JOVEM, fui convidado a levar o coro Jovem da PIB COPA para se apresentar na rudimentar CBRIO em fase de gestação na UNION CHURCH. Quem estava tocando e segurando as pontas no teclado enquanto eu regia o grupo? Léo Gomes. Quem tocou nas cantatas de natal entre 2005 e 2006, dissecando altas harmonias ainda na minha gestão na CBRIo? Léo Gomes. Quem esteve tocando no meu workshop na AMBC em 2005 ? Léo Gomes. Quem andou segurando as pontas do louvor nos encontros da AMBB ultimamente ? Eles, sempre eles…Léo Gomes, Vanessinha e companhia.
No final de 2005, o Léo apareceu repentinamente num daqueles cultos apertados no auditório do Shoping Mdtown e participou tocando. Ficou inebriado e empolgado com a freneticidade e afetividade do ambiente e relatou nos bastidores joianos que tinha enorme vontade de um dia vir atuar naquela comunidade animada de fé. Era uma fase de transição, pois precisávamos migrar para um espaço maior, visto que, aquele pequeno espaço crescia por dentro, pois a nossa fraternidade criava elasticidade interna nas paredes que iam suportando aquela onda receptiva de novos fluxos corporais que se aconchegavam naquele cantinho movido a violões (Fernandinho, Marcelo Du, AndréVioli e companhia). O tempo de cantar chegou, e finalmente nos mudamos para o ancestrálico teatro do shoping Open Mall, pois aquele ambiente era constituído de paredes com pinturas enigmáticas invisíveis e de poeira incessante. Pedro (Pedrão) e os demais apóstolos e discípulos levantaram a pedra angular e tudo se fez novo naquele espaço onde atualmente emana gente e música.
No final de 2006, por motivos de foco acadêmico, Joe deixou sutilmente aquele espaço eclesiástico e seguiu a vida vagando loucamente (como sempre). Daniel Batera, sabiamente, ao ver aquele oásis espacial de possibilidades sonoras afetivas administrativas, recomenda a efetuação do convite ao jovem Léo Gomes, ainda noivo de Vanessa. Em seguida, ambos se casaram glamourosamente e começaram atuar com toda a intensidade da alma em prol da ampliação musical daqueles músicos voluntários que ali se faziam presentes. O engajamento de Léo e Vanessa é visto no resultado final das apresentações do coro em cantatas de Natal e outras programações, celebrações com vocal\banda e orquestra, bem como durante o processo preparativo, pois cada ensaio é um campo aberto de possibilidades no âmbito da aprendizagem, da afetividade\fraternidade e do exercício intenso e profundo da espiritualidade.
Em toda a jornada ministerial, Léo e Vanessa nos mostraram discretamente que o caminho se faz caminhando. Nas palavras de Paulo Freire, é preciso começar onde as pessoas estão e então, a partir dali, deve-se caminhar com elas. O trajeto que Léo trilhou, exigiu dele dedicação e visão além das problemáticas e complicações do instante, por isso ele se debruçou sabiamente e profissionalmente na confecção e organização de um livro de partitura (melodia e cifra) de mais de 100 cânticos que eram usados frequentemente durante as celebrações litúrgicas. Organização e versatilidade são dois elementos facilitadores que proporcionam segurança litúrgica, evitando assim, o desperdício de tempo e aberrações biológicas num momento de prováveis instabilidades existenciais.
Um dos pontos forte da cadupla Léo e Vanessa é o poder de aglutinação que eles possuem, pois ambos conseguem arregimentar diversas pessoas para uma determinada partida sonora\litúrgica. Foi assim na cerimônia de casamento. Foi assim nas cantatas e comemorações de aniversário da CBRIO; foi assim no culto de despedida em 31\07\2011, pois numa noite ontológica, muitos instrumentistas e cantores se revezaram no palco louvando ao Sagrado e homenageando de forma sutil o amado casal que durante 4 anos e meio lançou o pão sobre as águas rejuvenescedoras em meio as barras e barragens da vida. Sem dúvida, o talento de um grande arregimentador, é convocar as pessoas certas para os contextos musicais certos.
A presença de Deus foi e é visualizada durante as ministrações verbais de Vanessa, pois com sua voz estilisticamente pastoral ela comunica de forma simples e didática os mistérios do Reino de Deus. Segundo o teólogo Leonardo Boff, “Deus é identificado com os conceitos que dele fazemos. Ele habita nossos conceitos e nossas linguagens”. Léo e Vanessa resplandeciam a luminosidade divina nas coisas simples da vida, pois nessas horas é que Deus falava e ainda fala conosco em nossa língua materna. Como dizia o Apóstolo São Paulo à comunidade de fé em Corinto: “Quer comamos, quer bebamos, quer façamos qualquer coisa, que seja feito tudo para a glória de Deus”. Exemplifico isso ao dizer que Léo e Vanessa sempre adoraram celebrar a fraternidade junto com os amigos nas pizzarias e churrascarias da vida, pois nesses momentos havia plenitude de alegria. Nas palavras de Leonardo Boff: “Quem experimentou o mistério de Deus não pergunta mais: vive simplesmente a transparência de todas as coisas e celebra o advento de Deus em cada situação, pois a experiência com Deus é uma experiência total que inclui o saber, o não-saber e o sabor”.
Nossa existência é constituída de rituais de passagem, por isso, acredito que a passagem fulgurante e significante de Léo e Vanessa na CBRIO foi um marco vital para aquela comunidade de fé e um período de ensino aprendizagem, pois ali ambos puderam exercitar a experiência, pois na experiência, teoria e práxis se casam e vivem juntas numa unidade fundamental. A teoria não é mais abstração e idéia vazia. Ela é explicitação da práxis e a comunicação dela. Léo e Vanessa ao abraçarem a experiência, procuraram compreender a CBRIO por todos os lados, por isso, eles precisaram “estar orientado para fora”, “exposto a”, “aberto para”.
Biologicamente, pelo fato de serem humano demasiado humano Léo e Vanessa são seres-carência e dotados de desejos e inquietudes que o impulsionam a sair da comodidade e normalidade, rumo a novos ambientes. Por isso, ambos estarão migrando para Vila Velha na grande Vitória para exercerem cargo de liderança musical. Aquela comunidade fé ao empossarem essa magnífica cadupla, irá dizer: As coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo.
Léo e Vanessa deixaram a Comunidade Batista do Rio situada na Barra da Tijuca (com aproximadamente 1000 membros) com a sensação de missão cumprida. Num bate papo pelo chat no facebook, o jovem baterista e multi-instrumentista Pedro Ikeda Takeschi (Pepe), disse que o tal casal foi extremamente profissional, amigável, competente e vai deixar a casa arrumada para os sucessores David Sicon e Black Vanderlei. Em homenagem ao grande empenho aquele espaço litúrgico, Léo e Vanessa receberam um singelo presente em forma de livro autografado. Na dedicatória constava a promessa de que aquelas páginas se converteriam em laudas de ouro nas estantes bibliotecáticas do mundo metafísico, com probabilidades de tal obra ser citada como nota de rodapé no LIVRO DA VIDA, pois a mensagem cristã é clara: Não devemos acumular riquezas na terra onde as traças destroem e os ladrões roubam, mas precisamos criar expectativas no céu, pois lá não haverá olho grande.
Léo e Vanessa é o relato de uma vocação, frutos da história de uma aprendizagem na estrada da vida. Ambos nos mostram que “experimentar Deus não é apenas pensar sobre Deus, mas senti-lo com a totalidade do ser e isto implica falar de Deus junto com os outros objetivando tirar o mistério do universo do anonimato para conferi-lhe um nome: o de nossa reverência e de nosso afeto” (Leonardo Boff). Através do trabalho desses servos da força sonora, podemos ver que Deus perpassa todas as instâncias temporais, por isso, Ele pode ser percebido e experimentado nas mais diferentes situações da existência e em cada detalhe pessoal e comunitário. Em Leo e Vanessa podemos ver que:
“O Reino de Deus não é nada que se espere; não possui ontem nem depois de amanhã e não virá em mil anos – o Reino de Deus é uma experiência de um coração e está em toda parte e em nenhum lugar”. (Friedrich Nietzsche)
Como estimulante ao serviço ministerial e existencial, recomendo a leitura deste lindo poema ECONOMIA do poeta Giuseppe Ghiaroni, citado por Jonas Rezende em um de seus livros.
Dá de ti, dá de ti quanto puderes:
o talento, a energia, o coração.
Dá de ti para os homens e as mulheres como as arvores dão e as fontes dão.
Nao somente os sapatos que nao queres ou a capa que não usas no verão.
Darás tudo o que fores ou tiveres: o talento, a energia, o coração.
Daras sem refletir, sem ser notado, de modo que ninguém diga obrigado nem te deva dinheiro ou gratidão.
E com que espanto notarás um dia que viveste fazendo economia de talento, energia e coracão.

Abraços Partidos e sucessos na nova etapa meus (nossos) amigos mais que irmãos (Léo e Vanessa). O importante é que emoções eu vi cantou cadupla (e nós também).
Joe Almodóvar (Joevan de Mattos Caitano).

1 Comment:

  1. Anônimo said...
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