ODE AO DESAPEGO: UM “ADEUS” A COMUNIDADE DE NOEL.

Por Joevan Caitano

Em 2 de março de 2008 eu chegava na IPVI. Fui super bem recebido pelos presbíteros e outros membros. Cada domingo era uma aventura, pois eram muitos pregadores que passeavam por aquele púlpito como: Rafael e Eduardo (espécie de Bebeto e Romário que reinaram na IPVI em 2008). Depois chegou o Alessandro, e posteriormente o Clayton. Cada um tinha um estilo de pregação diferente rodeada pelo mestre da comédia reverendo Longuini Alemão.
Eu e o Edivaldo interagíamos no âmbito da música. Havia muitas muvucas, tapas e beijos entre os nossos colegas de louvor mais fominhas e exaltados, mas mesmo assim, Deus se manifestava em forma de ordem e desejos. Mas foram bons momentos. Mamãesambajazz, Ressurreisamba: o batuque pascoalino e Natal Samba Bell que foram eventos que marcaram a vida da IPVI. Também não tem como esquecer as muitas rodas de cerveja regadas a bons papos e petiscos nos arredores do bairro do samba.
Enfim, a curvatura do tempo se esticou e os movimentos musicais das cordas vibrantes da vida, foram me dizendo melodicamente, ritmicamente e harmonicamente: “Joe, teu tempo está acabando na IPVI”. Como diz o escritor bíblico de Hebreus: “horrenda a coisa é cair nas mãos de um tempo vencido”.
Hoje foi um dia histórico na minha vida, pois finalmente o Espírito Santo Cronológico apitou bem forte dizendo: “Caro Joe! Pendure as chuteiras e saia rumo a outros campos e novas torcidas antes que caiam garrafas e pedras sobre você”. E eu sabiamente obedeci ao “divino chamado” out side inspirado na minha recente visita exposição do poeta Fernando Pessoa no Centro Cultural dos Correios-Rio.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. (Fernando Pessoa)
Esse não é um momento para reflexões sobre o que foi feito ou sobre o que se deixou de fazer, porque a vida ministerial é feita de realizações extraordinárias, mas também é feita de fracassos e de coisas que deveriam ter sido feitas e deixamos fazer ou que não foi possível realizar por impossibilidades individuais ou desleixos. Não é hora de se iludir, mas é hora de partir e sorrir porque na casa de Noel, há muitas moradas. A vida é um vai e vem de uma estação, tem gente que chega pra ficar tem gente que vai porque quer voar.
Encerro esse e-mail condecorativo e informativo com minhas sinceras palavras de gratidão e fraternidade a todos os presbíteros, ao Longuini, ao Ministro de Música Edivaldo, ao atual reverendo Marcos Martins e aos demais membros dessa comunidade que durante esses 3 anos e meio me ensinaram um pouco mais sobre a amabilidade em meio as instabilidades. Sem dúvida, a IPVI me permitiu que eu conhecesse mais de mim mesmo. Desejo a vocês toda a sorte de bençãos e sucessos nesse caminho sinuoso e perigoso chamado: VIDA.

Recomendo a leitura desse poema enviado com carinho a mim pelo presbítero PW.
ODE AO DESAPEGO

As realidades maiores e mais belas tanto mais as terás quanto menos as possuíres e retiveres: Se queres ter o mar, contempla-o e abre tuas mãos em suas águas e todo estará nelas. Porque se fecha tuas mãos para retê-lo, elas ficarão vazias; Se queres ter um amigo peregrino, deixa-o ir e o terás. Porque se o reténs para possuí-lo o estás perdendo e o terás prisioneiro; Se queres ter o vento, estende teus braços e tuas mãos e todo o vento será teu. Porque se quiseres retê-lo ficaras sem brisa; Se queres ter o teu filho, deixa-o partir e que se distancie e o terás maduro a seu regresso. Porque se o deteres protegido o estas perdendo e o perde para sempre; Se queres ter o sol, contempla-o de olhos abertos. Porque se os fecha para reter a luz que já alcanças ficarás as escuras. Se queres viver o gozo de ter liberdade da mania de possuir e reter, curte a borboleta que revoa. Curte o rio que corre fugido. Curte a flor que de abre ao céu. Curte tudo sem possuir nem reter; Somente assim curtiras a vida, sabendo que a
tens sem possui-la, deixando-a correr, sem rete-la.

Um abraço carinhoso e jubiloso.
Nada à pedir, só agradecer. Não venho pedir, só lembrar e ver (...) eu quero Senhor, te agradecer.
Joeblackvan (ouvido absoluto)

2 Comments:

  1. Nanda said...
    Vai pra onde agora Joe?
    Anônimo said...
    Prá onde o fluxo da vida me encaminhar...sou sensível aos movimentos...sou peregrino...espírito livre...sempre...
    O Senhor é o meu guia e nada me falta...ele é quem me guia pelos caminhos da justiça e da dignidade por amor a liberdade na raiz.

    Joe

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