Rabi Longuini! Labá Sabatâmi ? (despedida do mestre da IPVI)

“A minha vida é o relato de uma aprendizagem; é a história de uma vocação” (Marcel Proust-escritor francês).
Por Joeblackvan (www.joevancaitano.blogspot.com)

Eu e meus colegas fazíamos o antigo curso de pós-graduação na FABAT (STBSB), e as disciplinas eram por módulos semestrais. Após algumas disciplinas, surgiu em nosso caminho a Teologia e Práxis Cultural com o professor Dr. Luiz Longuini. No primeiro dia de aula ele já foi logo pedindo para as pessoas que dissessem os seus respectivos nomes e que falassem de forma sintetizada um pouco da trajetória existencial para que ele e a turma soubessem quem era quem. Uma colega coroa disse: “Caro professor, meu nome é fulana de tal e estou aqui porque o Senhor me chamou, pois tive um chamado para o ministério”. Então, o Longuini de zuação verbalizou: “Eu te chamei por acaso? Como assim? Nem te conheço mulher”. A turma começou a rir, mas aquela senhora ficou cabisbaixa e quase lacrimejando de raiva porque não entendia que Deus também é o Senhor das brincadeiras num planeta minúsculo do Universo infinito e expansivo.
A aula começou nesse clima misto de choros, risos e expectativa do que viria daquela mente possuída pela multiplicidade de idéias. No primeiro e segundo dia, enquanto Longuini explicava sobre a importância de pensarmos fora do nosso pequeno quadrado, dialogando e estando abertos às outras propostas e perspectivas acadêmicas, muitos colegas ficaram descabelados e escandalizados ao ouvir daquele professor que precisamos aprender escutar a polifonia das vozes religiosas, porque cada linha melódica canta sobre Deus, mas de forma diferente, por isso, são frases intercambiáveis no grande concerto sagrado. “Cabe a nós, estarmos com o coração aberto aderindo ao ministério da escuta e da interatividade, bem como estar disposto a investigar pontos de contato e divergência entre o cristianismo, nossa língua mãe, e outras línguas, pois quem deseja ir mais além, necessita saber outras línguas, precisa compreender a gramática alheia e abrir os ouvidos a outras sonoridades advindas da música divina, da música da vida. Mais do que nunca é preciso compor em outros campos harmônicos, a partir de nosso campo harmônico”, disse o professor Longuini.
A partir da terceira aula, os espíritos discentes começaram a se acalmar diante daquela freneticidade preocupativa, pois muitos ficaram nus noologicamente, por isso, sentiram medo, porque pensar fora do quadrado implica, em alto risco e num ato de fé e coragem para dançar na beira do abismo. Durante os intervalos, os colegas diziam: “ele é louquinho, mas sabe muito e ensina bem; é muito didático e ama ensinar; ele fala de coisas complexas de maneira simples” (hehe). No último dia de aula, muitos colegas fizeram uma análise daquela semana revolucionária para aquele pequeno grupo e disseram: “Caro professor e colegas: Durante essa semana de intensa novidade e aprendizagem, vimos e ouvimos coisas que nunca ouvimos durante toda a nossa jornada cristã, pois os nossos antigos mestres, sempre tiveram receio de pisar fora das fronteiras. Muito obrigado Mestre Longuini, porque você conhece outros territórios e nos pegou pela mão nos dando o prazer de atravessar os portões do saber com o passaporte e o Visto da curiosidade e coragem, para experimentarmos o paraíso da liberdade. Espero que você não nos desampare. Lembra-te de nós, quando entrares no teu Reino. Parabéns; valeu mestre; tu és doido, mas é competente e muuuuuuito divertido; descobrimos que você é gente como a gente”. Daí nos bastidores, uma amiga falou empolgada e baixinho: “Caraca! Ele é manerasso, pois chamou a gente para tomar um chopp lá no Buxixo, mas fica em off porque Batistas não bebem da urina de Cristo” (ahaha).
Após aquele batismo epistemológico, aqueles colegas e outros do curso de graduação fizeram as seguintes perguntas entre si mesmo: Como deve ser o Longuini pregando e pastoreando? Será se ele é um bom pastor como é bom professor?
Em 2008, cai de páraquedas em Vila Isabel para trabalhar em parceria como o Longuini na IPVI. Ouvi grandes sermões onde pude aprender muito através de exegeses criativas dos textos bíblicos, bem como, via indicações de filmes e livros que faziam conexão com as mensagens engraçadas e ousadas. A mensagem que mais gostei foi Uma Vida Sem Vergonha, se referindo ao texto do apóstolo Paulo: “não me envergonho do Evangelho, pois é o poder de Deus para as transformações naqueles que crêem”.
Durante sua gestão, Longuini apostou na força feminina ao dizer enfaticamente durante seus discursos: “é preciso consagrar presbíteras, pois em nossa comunidade eclesiástica, existem muitas mulheres valorosas como Joceli e outras divas da fé”. Lutou com dedicação para que a IPVI fosse conhecida além do espaço geográfico familiar, mas que fosse vista por muitos como UMA COMUNIDADE DE AMOR NA TERRA DE NOEL. Sem dúvida, ele começou uma comovente obra de espantoso talento, no entanto, há tempo para entrar e tempo para sair, por isso, ele está se movendo para outra missão que exige dedicação exclusiva ali no SESC da Barra da Tijuca, onde muitos alunos de várias partes do Brasil, o respeitam como um pai e mestre amoroso.
Ao “cair a ficha” da transferência ministerial, muitos membros perguntaram: “Rabi Longuini? Labá sabatami?” E ele respondeu: “Não vos desampararei, pois deixo-vos convosco o consolador e trabalhador reverendo Marquito, aquele que tem a incumbência de prosseguir com dignidade e capacidade essa obra aberta, pois nessa construção artística, autoria e co-autoria se confundem de tal maneira, que não se pode mais falar de uma obra de arte, mas de várias obras de arte.
Amigo Longuini: Que Deus lhe abençoe, que Deus sobre ti levante o rosto e te guarde, para sempre guarde, amém. Obrigadão por tua passagem flamejante entre nós na IPVI (Igreja Presbiteriana de Vila Isabel)
Abraços partidos
Joe Almodóvar.

1 Comment:

  1. Gileade said...
    Fiquei triste ao saber que o Rev. Longuini não está mais na Vila... Acalentava-me saber que, quando quisesse, havia um mestre da palavra pertinho de mim. Não aproveitei e agora não posso mais, pois a Barra fica um tantinho longe...
    Ele está em alguma congregação presbiteriana da Barra?

    P.S.: Saudades.

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