Quando os manequins nos machucam

Qual a sua idade? Tenho todas as idades da vida humana (Edgar Morin)


Uma mulher vinda de família cristã e toda certinha, namorou, noivou e casou conforme os pais e o sistema queriam. Antes do casamento, ela foi ao ginecologista e ele abriu a fenda sagrada e disse: não tem nada minha filha. Você tem quantos anos? 26 de idade. O que? Vai embora correndo e dê muito porque ainda ta tudo fechado e você pode perder a curva potencial da vida, porque há tempo prá tudo; tempo prá amorizar e tempo de brochar. Mas a pressão familiar e eclesiástica fez ela esperar o casamento que segundo Nietzsche, não passa de uma licença pública para se fazer sexo.
Ela e o marido tinham idades bem próximas e eram adestrados por “Deus“, porém, aquele casamento que parecia ser divino começou a ficar sinistro porque dentro das quatro paredes e na interação afetiva do dia a dia as coisas não funcionavam como deveria ser, porque aquele manequim que os pais, os parentes, a igreja, amigos e pastores colocaram, começou a machucar, fazer calos, feridas sangrentas e dolorosas por todas as partes do corpo.
Enfim, não deu outra, aquela relação se desfez e ela ficou no vácuo existencial se sentindo um lixo, porque a casa caiu e consigo veio os escombros retóricos de todos os lados. No meio daquela agitação depressiva, um cara bem mais novo entrou na vida dela e ela renasceu das cinzas. Estava igual Lázaro na cova, pois há muitos dias ela estava enterrada, sufocada, indefesa, mas através de um sopro inesperado, foi sacudida na raiz fazendo-a experimentar a alegria na raiz.
Quem olha os dois juntinhos na estrada da vida, fala: “É a tampa e a panela; eles se entendem; eles são a pura vivacidade em forma de afeto e interatividade“. Aquele manequim de outrora deixou marcas e cicatrizes, mas um novo manequim fora da moda sistemática foi enviado, e ambos, por livre e espontânea vontade vestiram subversivamente do manto arriscado, mostrando a todos o luxo da fé que é maior do que os dogmas, palpites, clichês, porque a medida do amor é amar sem limites dizia Santo Agostinho.
Realmente e visivelmente, eles são a prova da profecia de Ageu 2 versículo 3: “A glória da segunda casa será maior que a da primeira”.

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