Mancebos que nos consolam. (Inspirado em Tropa de Elite e Evangelhos Sinóticos

“No mundo tereis aflições mas tendes bom ânimo porque eu venci o mundo” (Jesus Cristo);
“Quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco ou morrer na solidão (...) se o bem e o mal existe, você pode escolher, é preciso saber viver” (Roberto Carlos);
“Na minha opinião, isso é dupla traição” (Djavan)

O filme “Duros em Paris” mostra a história de dois filhos que desacataram a autoridade do pai e o mesmo resolveu dar um castigo enviando-os para Paris com apenas 7 euros para passar 7 dias. No primeiro dia foi tudo meio esquisito, mas aos poucos eles foram fazendo contatos, conhecendo lugares e pessoas e articulando estratégias de rentabilidade financeira via improvisação para sobreviverem naquela aventura na selva parisiense. Entre trancos, micos e barrancos eles conseguiram e voltaram para casa cientes da missão cumprida.
Há mais de 2000 anos, Jesus contou a parábola dos talentos. Nela ele assinalou que um Senhor, dono de uma empresa de uma cidade do interior, inspirado no programa “No Limite”, e que havia promovido um concurso, após submeter todos os candidatos as provas discursivas, provas de línguas estrangeiras, entrevistas, prova de títulos e análise de currículo, selecionou 3 candidatos para a prova prática para testar o QI, QO (quociente emocional), a capacidade improvisativa em condições adversas e nível de resistência sobre pressão total. Para um deles, ele deu 10 reais para passar 10 dias no Rio de Janeiro, para o outro, 5 reais para passar 5 dias na selva carioca, e para o terceiro candidato, ele deu 1 real para passar apenas um dia na cidade maravilhosa.
A comissão de admissão deixou os 3 candidatos as 6h da manhã em frente os arcos da Lapa, centro do Rio de Janeiro, cada um com uma carta de recomendação da Firma, com endereço, telefones , e-mails e assinada pelo chefe e disseram: “se virem! A bola está com vocês! Boa sorte“.
O candidato com 10 reais era músico e mapeou tudo em redor, e as 7h da manhã já foi se enturmando com os alunos da Escola de Música da UFRJ e entre papos e chavécos, ele conseguiu um violão emprestado e durante 7 dias, ele fez demonstrações musicais pela LAPA e praças do Centro do Rio, multiplicando aquela quantia fornecida pela firma, sendo possível se alimentar dignamente no bandejão de 1 real da Central do Brasil e dormindo na casa de outros músicos da EM. O segundo candidato com 5 reais, e era de família de evangélicos, porém, tinha trejeitos efeminados e se fingiu de gay e foi logo procurando a Igreja Cristã Contemporânea. Chegando lá, foi recebido com generosidade e após uma longa conversa, foi efetuado a inclusão da irmandade que foi convidado a participar de trabalhos comunitários, auxiliando diáconos, pastores, etc, recebendo cama, comida , colchão e unção. Após os 5 dias, ele recebeu uma oferta de amor e pode retornar para a cidade natal com segurança. O terceiro candidato, que possuía apenas 1 real, era ex viciado em drogas. Ao desembarcar na Lapa, ele caminhou rumo ao Catete, Largo do Machado e com a quantia que tinha, pagou a subida de moto-táxi para um dos morros cariocas. Chegando lá em cima, ele sentiu o cheiro do bagulho e foi excitado-atiçado até os instintos mais primitivos, negociando a compra dos entorpecentes. Via conchavos de outrora, ele comprou, usou, mas se endividou e não tinha como pagar. Daí o dono da boca de fumo, fuçou a roupa do corpo daquele infelizado e descobriu a tal carta de recomendação emitida, carimbada, como telefones e e-mail e assinada pela Firma do Senhor Fulano de tal. Então o traficante ligou para aquele chefão e explicou a merda toda que aquele candidato a empregado havia feito, dizendo que ele devia um montante exorbitante, e se a firma pagaria aquela dívida. Então aquele Senhor respondeu: “Não podemos nos meter nisso, porque é problema dele. “Só demos a ele um real para testar a capacidade dele, e além do mais, são três candidatos para apenas duas vagas, preciso eliminar um mesmo, então, deixo com vocês agora a decisão do que fazer com esse vagabundo“. Então o dono da boca de fumo disse: “Servo mau e infiel, sob o pouco foste infiel, portanto, até o resto lhe será tirado“. Então puseram ele de quatro (dogystyle) e fizeram-o de brinquedinho sexual via fortíssimas estocadas, tirando-lhes as pregas anais. Depois, amarram-o num pneu e puseram fogo. Após o ato mortífero carbonífero, eles tiram-lhe a arcaria dentária para que não houvesse reconhecimento da infidelidade monetária.
Os outros dois candidatos, voltaram e foram admitidos com louvor pela firma, porque o terceiro candidato não retornou e ninguém soube do paradeiro. O chefe soube, mas ficou quietinho para não se queimar com o tráfico, no entanto, a equipe de admissão e os dois candidatos ficaram boiando, procurando e consolando os familiares daquele mancebo infiel.

1 Comment:

  1. rayssa gon said...
    fazia muito tempo que não lia um post tão bom quanto esse.

    forte e realista sem cair pra "datenice", alias, muito bem representada no Tropa de Elite 2, não achou?


    obrigada.

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