Histórias afetivas de um mau hálito.

“A minha vida é o relato de uma vocação; é a história de uma aprendizagem” (Marcel Proust).
“A nossa vida precisa ser um pouco mais perigosa” (Friedrich Nietzsche).

Um internauta que se tornou leitor fiel de meus escritos, ficou desapontado e hiper chateado ao ler um artigo de minha autoria que contava a história de uma amiga que teve problemas afetivos devido seguir fielmente as regras dogmáticas em nome do amor. Ele respondeu armadamente dizendo: Senhor Joevan! Existe 99, 9% de eu ser quase um irmão para a tal sua amiga e você expôs ela, precisa pedir perdão a ela (....blá, blá, blá, blá) você inconfiável, descarado, descontextualizado, contou segredos e teve a coragem de citar um versículo do Antigo Testamento para defender sua imoralização poética . Ao finalizar, ele sugeriu “sarcasticamente” que eu escrevesse um artigo falando sobre a minha primeira vez, mas que não valeria eu mentir dizendo que arrebentei.
A tal amiga pode ser verídica ou fictícia visto que não há sinalizações de nomes e codinomes e todo texto é polissêmico dando margem á várias interpretações, bem como este relato sobre minha aventura também pode se constituir em pura inventividade em prol de uma comedialidade visto que não há uma testemunhas que viram o fato, ou pode ser encarado como realidade-veracidade dependendo do nível de credulidade de cada leitor. Cada um deve reagir de um jeito.
Era meados de julho de 1993, e eu morava numa cidadezinha do interior da Transamazônica no Pará. Viajei com meus pais e a galera da igreja para um congresso na cidade de Itaituba-Pará. Na caravana, estava uma jovem bem mais velha que os demais, pois ela tinha 36 anos e era meio porra louca. Eu tinha meus 13 anos e tive vontade de dar uns agarros nela, pois até aquele momento, eu nunca tinha beijado na boca e apenas imaginava como seria o sabor adocicado bucálico. Eu e meus amigos treinávamos incansavelmente e sistematicamente nas mãos, no braços, mordendo maçã ansiando freneticamente aquele ato mágico e sagrado.
Após a missa (culto) no último dia do congresso, marquei com ela prá dar uma saída em off. Deixei meu violão com um colega e vazei rumo ao desconhecido. Paramos na beira Rio Tapajós, numa avenida deserta e ali fiquei olhando pra cara dela imaginando como seria o gosto de um atracamento línguálico. O silêncio foi intenso e faltou palavras. Mas num vácuo súbito, aquela coroa avançou como uma cobra NAJA venenosa e mordeu minha boca, língua, dentes, chupou tudo que eu quase morri sufocado devido a ferocidade, a impetuosidade afetiva e pelo fluxo monstruoso de mau hálito que emanava daquela fenda vocal que mais parecia um dragão do que uma alma feminina.
Enfim, fiquei muito traumatizado, mas ligado, pois aquela morena era uma puta e dava prá todo mundo diziam as más línguas, no entanto, ela passou a mão em tudo e então, eu entendi a força transgressiva diante das muralhas que era o meu corpo: o Templo do Espírito Santo de Deus.
Eu estava acabado e assustado, porém, feliz e só restou-me retornar a hospedagem. Quando eu estava chegando na rua da hospedaria eclesiástica, vi os portões fechados, então eu e aquela “vadia” pulamos silenciosamente as grades do paraíso. Quando saltei, avistei minha mãe e meu pai sérios. Minha mãe tava puta de raiva e já foi logo me esculachando e perguntando porque eu havia saído com aquela VADIA. Daí meu pai um pastor Batista bem tradicional deu a louca e fez uma breve intervenção dizendo: “Deixa o menino aprender com a vida“ (ele disse que casou virgem aos 45 anos...kkk)...rs...e aprendi mesmo...beijei outras bocas, com outros sabores e vi que tudo é relativo e nem todas fedem a bicho do mato.
Não arrebentei na primeira vez, por que fui arrebentado, mas mapeei o caminho das pedras, porque “a primeira vez é a vez da inexperiência” dizia Marcel Proust. Deu frio na barriga quando tive que tocar meu instrumento musical pela primeira vez em público. Gaguejei quando tive que falar em público pela primeira vez. Fiquei com sentimento de culpa quando eu fui penetrar meu pênis pela primeira vez na vagina (cu ou boca) de uma amada. Derrubei a comida de bordo quando viajei pela primeira vez de avião em 1996 entre Santarém-Manaus. O mundo caiu ao meus pés quando gozei via masturbação porque a catequese me acusou satanicamente. Deu pane na mente quando tive que falar em alemão durante uma entrevista no escritório CNPQ em Brasília visando bolsa pro doutorado na Alemanha. Deu merda quando eu perdi a linha em determinadas relações amorosas arriscadas. Por isso digo aos internautas: “A glória da segunda casa, será maior do que a da primeira“...Tente outra vez...“Um novo tempo, apesar dos perigos, estamos na briga, estamos na luta, prá sobreviver (...) prá que a nossa esperança seja mais que a vingança e que seja o caminho e que seja de herança“ (Ivan Lins).
O Senhor é o meu Pastor, por isso, nada me falta, porque não me falta as oportunidades para arriscar, não me faltam as coisas prazerosas que a vida oferece, bem como não me faltam as coisas ruins e a periculosidade cotidiana porque há vales escuros sem luminosidade, mas nessas horas e lugares o Senhor é o meu pastor também porque tudo está em Deus e vem de Deus. Não me falta a promessa futura e não me falta a força de perdoar porque o perdão é o força lutadora contra a irreversibilidade do passado.
Bola prá frente...a nossa vida precisa ser um pouco mais perigosa (Nietzsche).

Um abraço e missão cumprida atendendo ao pedido do querido internauta.
Pedi e dá-se vos- á.

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