Confiscando a Internet. Um estudo de caso

“Estais no mundo, mas não sois deste mundo” (Jesus Cristo)



Após um período de interações afetivas, um casal de amigos coloridos resolve ir prá cama. Após as idas e vindas do amor e do sobe e desce de louvor, a mulher atinge a supremacia do gozo, chegando ao coito, entretanto, possuída por delírios de júbilo, ela agarra o jovem rapaz e brada vigorosamente em seu ouvido: “Agora você é meu”. “Hum? O que? Como assim? Cadê o recibo de compra e posse? Por acaso concedi alguma escritura de bens corporais?” Questionou aquele mancebo.

A transa acabou, mas aquela discussão frenética se prolongou, visto que, aquela mulher alegou que para ela, sexo implica em compromisso. Mas o felizado discordou dizendo que relação sexual não se resume apenas no ato penetrativo e gustativo, mas vai além disso, porque toda relação e seus desdobramentos acadêmicos, profissionais, religiosos, amistosos pertencem ao âmbito da sexualidade humana e que compromissos estabelecidos forçadamente corrompem a divindade de uma relação saudável. A beleza e a profundidade de uma relação é testada quando ambas as partes não se preocupam com nomenclaturas afetivas, nem com datas que indicam um início pré-estabelecido. Relacionamento aberto é um boa alternativa disse aquele jovem filósofo do amor.

Entre discordâncias regadas a “tapas e beijos” aquela relação discreta/frenética continuou, até que um trágico e lamentável acontecimento pôs fim aquela novela. Movida de fúria e ciúmes, aquela senhora procurou outro brinquedinho, porque, como boa fogosa, não conseguia viver sem aquilo. Então Deus enviou o precioso maná do céu em forma de bisnaga celestial, então ela voltou a saltitar de júbilo, no entanto, antes do primeiro novo ato sagrado, ela disse: “eu vou fazer, mas tem que ser sério“. Mas o que é seriedade afetiva? perguntou o segundo felizado. “Porque procuro um amor que seja bom prá mim, vou procurar, eu vou até o fim” respondeu ela. O sexo tem que vir regado com outros pratos num cardápio, etc, etc. “Quer dizer que sua tese afetiva é: Transo, logo prendo. Penetrou, aprisionou “ retrucou zuando aquele rapaz.

Entre discordâncias e longas pausas afetivas, uma relação suspeita, colocou em processo de desagregação ética aquela mulher, que ao ver um novo afeto, se posicionou eretamente e impulsivamente diante dos dois afetos e solicitou: "Fulano! Não vai apresentar sua nova namorada?" Quero conhece-La. Ambos ficaram em silencio e não houve representação, nem tampouco, apresentação, pois aquele que apresenta um novo afeto para complicados afetos, dá condições para infiltração e desagregação do novo afeto. “Por que será que aquela fulana fez tanta questão que você me apresentasse para ela? Rola amizade quando alguém força o outro a apresentar para outro(a)?” Nunca vi isso disse questionou aquela jovem filósofa com a anteninha ligada

Passado aqueles momentos patéticos e tenebrosos, o jovem Dom Ruan, envia um e-mail dizendo: fulana! Por gentileza, não me aborde mais daquele maneira, pois tal ato se constituiu em invasão de privacidade e falta de bom senso, pois nenhum tipo de relação deve ser forçada, mas deve acontecer normalmente e relax-mente. Por favor, devolva o meu CD que está contigo, pois precisarei dele. Então ela respondeu sarcasticamente usando um vocabulário jurídico: “Prezado fulano! O seu CD foi confiscado, visto que fui lesada afetivamente. A lei do uso capião me concede o direito de apossar-me dele. Caso queira tocar adiante o caso, entre na justiça e lute pelo seu CD”.

Aquele jovem deu uma rizadinha e efetuou uma navegação pelo mundo da net, porque dizem as sábias línguas que se o Google é o meu pastor, nada me faltará. Entrando no programa E-mule, ele encontrou o CD disponível e retornou: “Amiga! Fica com o CD e faça bom uso. Não esqueça de ser generosa e tire cópias para quem necessitar, pois acabei de baixar na net. Beijos virtuais”.

É possível alguma lei de retenção competir com a lei da internet? É possível fazer birra diante do Google? É possível afetar o outro com o uso CAPIÃO diante do CAPITÃO mundial informativo chamado Internet? Tentar brigar com a internet, é como tentar apaziguar o sol com a peneira, ou como cortar o fio condutor da sexualidade que é uma teia que se refaz a si mesma.

Se esta história for verídica, creio que esta jovem assimilou bem a frase de Jesus: “Estais no mundo, mas não sois deste mundo”. Onde ela estava? Talvez, dentro de um ônibus sem ar condicionado, no começo da BR-DUTRA entre 17h e 20h na véspera de feriadão de natal-réveillon ou carnaval.

1 Comment:

  1. rayssa gon said...
    cara, outro post muito bom.


    "Transo, logo prendo. Penetrou, aprisionou "

    vou ser obrigada a twittar e colocar um link pra isso aqui.


    beijo

Post a Comment




 

Copyright 2007 | Blogger Templates por GeckoandFly modified and converted to Blogger Beta by André Monteiro.
No part of the content or the blog may be reproduced without prior written permission.