TEOALEGRISMOS PARA MARCOS MARQUITOS. UMA COMÉDIA DE FICÇÃO VERÍDICA.

Dedicado aos reverendos Marcos Martins (aniversariante), Luiz Longuini (coadjuvante) e Edson Fernando (ajudante).

“ A minha vida é a história de uma aprendizagem; é o relato de uma vocação” (Marcel Proust- escritor francês).
“Havia um boneco de sal que se virou para o mar e perguntou? Quem é você? Eu sou o mar, respondeu o mar? Não te compreendo disse o boneco salgado. Quer me conhecer? Então, toque em mim, entre em mim, faça amor comigo. Então movido de curiosidade, medo e coragem, aquele boneco pôs os pés no raso e à medida que foi adentrando nas águas batismais, ele foi desaparecendo aos poucos. Então o mar disse romanticamente: Tens que me dar tudo de ti para me compreender. Ao se diluir, aquele boneco desapegou-se de tudo e ganhou tudo ao perder o seu eu “. (Edson Fernando- sermão IPVI em 29/08/10)

No livro de hebreus capítulo 11.8, o escritor redigiu a seguinte frase: “Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber para onde ia“. Começo esse texto fazendo trazendo a seguinte questão: a fé é um experimento ou uma experiência? Continuo, dizendo que este texto contém necessariamente, elementos da Marcografia, pois a vida intelectual de Markus é inseparável da vida pastoral e pessoal de Marquito. Markus Marquito não é daqueles que têm uma carreira, mas dos que têm uma vida. No entanto, eu não quis contar tudo da vida marquiana, e não quis revelar o mais íntimo dele mesmo. Há seguramente, neste artigo incessantes evocações de vida, incessantes interferências da alma e da carne. Mas, inevitavelmente, faltarão nele muita alma e muita carne. Os amigos de quem falo aqui aparecerão, conseqüentemente, como satélites ou como bastidores. Passei ao largo dos amores ainda que o Marcos não tenha podido viver sem amor...Por isso, os amigos aparecerão como figurantes, os amores ficarão invisíveis, ainda que o amor e a amizade sejam o mais importante na vida de um pastor.
Quero apenas dizer aqui, para vocês, que as pessoas não citadas estão presentes no Marcos, assim como as vivas, que foram providência divina, e as mortas que tinham sensibilidade demais para viver.
Marcos Martins, Markus Markitus, Marcos Salsicha...são tantas as emoções e combinações que se intercalam sobre pulso binário (2/4) nos compassos da música missionária. É melhor serem dois do que um já dizia o santo livro. Marcos foi companheiro de quarto do reverendo Edson Fernando nos tempos de internato no seminário (há muuuuitos anos atrás...túnel do tempo! please). Depois a vida os separou. Longuini foi pastor auxiliar de Edson assim que chegou da Alemanha nos anos 90 (há muuuuuuuuitos anos atrás..túnel do tempo! Bitte). A vida os separou. Marcos ficou na Ilha, Edson reinou e reina em Ipanema e Longuini foi um andarilho e bombeiro dos presbitérios, se tornando especialista em apagar incêndios nas ruas, nas estradas, nas padarias, na rodovias ou nas congregações.
Nunca me esquecerei do empenho do Marcos, dando suporte à mim, ao Clayton, ao Will e demais na produção do Sarau “Entre Noel, Cartola e afins” no mês de junho. Marcos chegou firme, abraçou o projeto musical que beneficiou a comunidade na terra de Noel. Ele apoiou até o final e não deixou a peteca cair nem um segundo sequer, portanto, ele está no rol dos heróis da fé. Sem dúvida, Marquito é um dos nossos samurais. Ele pode não fazer o gol, mas está sempre em campo.
Imaginei o Edson, Longuini e Marquito sendo convidados para pregar no templo sagrado de Hollywood, diante de uma platéia eclética como: Jack Nicholson, Angelina Jolie, Juliette Binoche, Leonardo di Caprio, Wim Wenders, Woody Allen, Godard, Polanski, Fernanda Montenegro e outros. Imaginei Steven Spielberg sendo convidado para fazer uma oração por iluminação antes do sermão da trindade presbitecarioca. Então ele começou a orar assim:
“Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o teu samba, venha a nós o teu reino e seja feita a tua vontade. Muito obrigado porque tu és um Deus criativo nos criando com potencial para criarmos obras originais e não apenas meras cópias. Obrigado porque tu nos criaste portadores de policompetência para desempenhar várias funções em condições adversas. Obrigado porque mesmo aquelas pessoas que possuem algum tipo de deficiência, elas tem o poder de compensação em outras áreas, porque o teu poder se aperfeiçoa nas fraquezas. Muito obrigado porque o Edson, Longuini e Marquito têm boca para falar e nós temos ouvidos para escutar. Nos alegramos porque nesta noite há condição de possibilidade interativa entre o ministério da fala (da palavra) e ministério da escuta. Muito obrigado porque tu fala conosco de várias maneiras através dos jogos de cenas nos documentários da vida. Tu se faz comunicável de maneira simples em meio a incomunicabilidade e complexidade da pós modernidade. Muito obrigado porque tu és um Deus de suspense, um Deus de ação, um Deus de Aventura, um Deus de terror, um Deus de drama, um Deus de comédia, um Deus musical,um Deus documentado, um Deus criança, um Deus pornomágico cujo a magia da tua graça nos purifica de todos os pecados, um Deus romântico, pois tu és amor e a medida do teu amor é nos amar sem medida. Please, receive our congratulations. In name of Jesus Christ, amém.
Então, após essa belíssima oração spielberginiana, nossos três pastores começaram a pregar a partir de três histórias diferentes, porém, intercambiáveis. Longuini começou falando sobre o pecado estrutural a partir dos filmes: o Poderoso Chefão ( que aborda sobre a máfia italiana prol narcóticos), Diamante de Sangue (que mostra a corrupção pelos diamantes na África), Syriana (que enfatiza a corrupção pelo petróleo), Nascidos em Bordéis (que expõe a máfia do sexo na India), Rosalie vai às compras (que faz uma crítica a força do capitalismo e consumo desenfreado) e Tropa de Elite (que explicita a drogatização carioca). “O pecado não é apenas individual, mas ele é fruto de uma estrutura maior que envolve relações de poder e manipulação de estruturas menores. O cinema tem esse papel de revelar o irrevelável, de dizer o indizível, de alertar sobre o perigo“, disse Luiz Longuini.
Edson Fernando pegou carona falando sobre a nudez e cegueira no século XXI, baseado no filme Ensaio sobre cegueira inspirado em Saramago e na trilogia da incomunicabilidade do cineasta Antonioni. Ele citou e comentou os filmes: Deserto Vermelho, O Eclipse e A Aventura. Edson continuou o seu discurso ancorado no filósofo Walter Benjamin, dizendo que “as grandes cidades são marcadas pela confusão e individuação, por isso, experimentamos a vivência do choque que gera o tédio devido ao anonimato regado pelo stress e solidão. Estava nu e tive medo, pois estava cego no paraíso, pois solidão não significa ausência de pessoas, mas carência de intimidade. A multiplicidade de informações simultâneas nos libertam e nos aprisionam, além de ofuscar a nossa visibilidade fazendo nos perder noção de foco. Somos uma sociedade que tem olhos mas não vê porque vivemos sob a unção da indiferença. Se o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, então Deus deve está muito perturbado. Abra os olhos do meu coração! abra os olhos do meu coração! quero te ver, quero te ver Senhor, clama o homem moderno“.
Para finalizar Markus Marquitos falou sobre a educação como missão integral a partir dos filmes Nem um a menos (filme chinês), Professor: profissão perigo (filme Frances com Gérard Depardieu), Escola da Vida (filme americano) e o Contador de histórias (filme brasileiro). Ele começou falando mansamente: “Educar é emitir ondas de afeto“. Prosseguiu advertindo duramente: “Pais, se vocês querem ter filhos para a corrida e competição frenética da vida moderna, então crie cavalos ao invés de crianças. Prezados pastores, professores, atores e diretores de cinema: Precisamos potencializar e agregar todos, pois o cínico é aquele que enxerga preços em tudo, mas não reconhece o valor de nada dizia Oscar Wilde“.
Longuini, Edinho e Marquito foram aplaudidos de pé por uma platéia emocionada diante da nova teologia do cinema. “Mais do que nunca é preciso sonhar; é preciso filmar” disse Silvestre Stalone chorando compulsivamente. A notícia foi capa do New York Times, Le Monde, Folha de São Paulo e outros meios de comunicação pelo mundo afora.
Longuini, Edson e Marquito, vocês são exemplos de solidariedade, amizade e de Cooper atividade intensa e desapego as dogmas e as regalias existenciais. Vocês são exemplos, de que as afinidades se atraem e que os opostos não se atraem.Vocês são pessoas que experimentaram a máxima de Vinicius de Moraes: “A vida é a arte dos encontros em meio aos desencontros”. Hoje é um momento mágico onde vocês três que nas travessuras das trilhas do afeto e já confundiram tanto as vossas pernas, podem nos dizer com que pernas vocês vão seguir e partir.
Eu vou seguir com fé, com Marquito eu vou. Marquito é alegria, euforia, companhia todos os dias, Marquito é o motivo da nossa alegria. Happy Birthday to you, happy birthday to you (...) Feliz aniversário e que Deus te abençoe nessa trajetória na terra de Noel.
Abraços fraternos.
Ministério Samurai.
Joe, Longuini, Edson, Presbíteros, IPVI, amigos e afins .

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