OS OPOSTOS NÃO SE ATRAEM

Papeando com a Dani music essa semana ela disse:
"Joe! diz o velho dogma relacional que os opostos se atraem. Joe! isso é pura conversa fiada...não se atraem mesmo...ela falou e eu morri de rir...ela tb...Dani é novíssima, mas é cabeçona e mente-brilhante-questionante".


Uma amiga ao receber pela primeira vez alguns artigos que escrevi, ficou meia encabulada e respondeu: Joe, favor não enviar este tipo de mensagem para o meu e-mail pois eu sou radical com relação à palavra de Deus e não aceito a maneira como você trata as “coisas de Deus”. Fiz uma segunda resposta esclarecendo o uso da palavra Radical: Querida fulana! Radical é aquele (a) que vai na raiz. Por exemplo: uma pessoa que se propõe a pesquisar um autor francês, é ideal que ele se esforce para estudar a língua Francesa e para investigar no texto original. Continuei: quem aspira ler a palavra de Deus (considerando a Bíblia como gaiola semântica do divino), é justo que se estude hebraico e grego, ou faça como fez o teólogo Joachim Jeremias que foi para a palestina aprender a língua aramaica para ouvir a língua que Jesus falava nos tempos de vida. Ou seja, quem deseja ser radical precisa buscar a unção da coragem e da curiosidade para entrar em terrenos desconhecidos e cavar sujeito aos perigos das minas que podem explodir no trajeto investigativo. Como dizia Gilles Deleuze: é preciso abrir um buraco nas palavras. Mas como abrir um buraco diante da palavra misteriosa de Deus? Eu não tenho a mínima competência para isso, por isso, prefiro a etimologia do silêncio.
Minha amiga retrucou dizendo: Joe, nas entrelinhas você me chamou de burra, aliás você não é tão inteligente assim, pois se fosse, entenderia que eu não me referi a radical idade nesse sentido de enraizamento. Finalizei o intercâmbio virtual dizendo: “Meu cérebro tem uma parte inteligente que é a porcentagem que está ocupada com vários arquivos prontos para o download a tempo e fora de tempo, no entanto, tem outra parte que é burra, pois está vazia, entretanto, esse vácuo é importante e vital para o funcionamento de meu cérebro, pois serve como passagem de ar, água , energia e proteínas vindo de outras mentes, de outros contextos. Que tal a gente trocar figurinhas?”
Deleuze disse que fazer filosofia é passear com um saco na mão e ir colocando dentro tudo o que for interessante e importante. Como fazer isso se a mente estiver obstruída e congestionada com excesso de informações dogmáticas e preconceitos de vários tipos? A burrice é sinônimo de vacuidade, mas buracos são condição de possibilidade para a penetração de novos jatos de espermas epistemológicos.
Paulo Freire pensava mais ou menos assim:
O peão da lavoura sabe de coisas que o doutor executivo não sabe e vice-versa. Somos uma dialógica de CDF e Burridade, de santidade e vacuidade.
Abraços
Joe

1 Comment:

  1. rayssa gon said...
    buracos na cabeça.


    muuito bom.

    adorei essa do saco. é fofa.

    :D

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