As idades da vida humana. Quantos anos você tem mesmo? hum?

A máscara do adulto é a experiência (Walter Benjamin no livro Reflexões sobre a criança e o brinquedo).
As mulheres precisam perdoar as infantilidades dos maridos, porque se não houver perdão não há relacionamento que perdure (Reverendo Edson Fernando).

Esses dias enfrentei uma crise de libido e troquei e-mails com uma amiga mais velha, porque panela velha é que faz comida boa. Ela achou estranho e agressivo o conteúdo e me aconselhou a praticar esportes para compensar e liberar energias para o equilíbrio de meu corpo como um todo. Eu pratico “esportes” manuais e intelectuais, mas preciso fugir da rotina. Segundo ela, tem situações que eu ajo como um adulto, mas em outras reajo como um adolescente de 14 anos que precisa de conselhos básicos. Uma outra amiga disse-me que eu sou brilhante em alguns momentos e lamentável em outros, pois misturo ferocidade e ternura, agressividade e amabilidade. Uma outra gata que está de mau comigo dizia que eu era um piá. Mas ela só falava isso quando eu pisava na bola. Vacilou, piatizou. Mas fazer o quê se sou mil e um possíveis como dizia Roger Bastides? De onde viemos? Quem somos nós? É o título de um belíssimo e profundo documentário para ninguém botar defeito.
Quantos anos você tem? Edgar Morin respondeu no seu livro Meus Demônios: “Tenho todas as idades da vida humana“. De fato, cada um de nós, com a idade, conservou as idades precedentes. Sêneca constata justamente em uma carta a Lucílio: “Não somos mais jovens, mas, coisa ainda mais triste, nossas almas ainda o são; e, o que é pior, sob o ar imponente da idade adulta, guardamos os defeitos da juventude (...) e até mesmo da infância.” E Oscar Wilde acrescenta: “O que é terrível quando envelhecemos é que continuamos jovens”. Sabemos que o velho volta a ser criança, logo que ele se encontra afastado das obrigações e necessidades da vida adulta. Mas o adulto esquece e esconde a infantilidade que permanece em todo o ser. O filme O curioso caso de Benjamim Buttom relata de forma magistral este assunto.
Os mais idosos dizem que quando se misturam o envelhecimento e rejuvenescimento, que sentem todas as idades da vida. Sou permanentemente a sede de uma dialógica entre infância/adolescência/maturidade/ rumo à velhice. Nos transformamos e vivemos segundo esta dialógica. Em nós se unem, mas também se opõem, os segredos da maturidade e os da adolescência.
Na casa dos 30 anos, eu me faço as seguintes perguntas: O que resta de mim? Me tornei poroso, corroído, escamoso, esponjoso? Me emudeci, endureci-me, fechei-me no meio do caminho rumo à desintegração no pó? Estou resistindo ao lento desvio da idade? Ganhei os segredos da maturidade, sem perder os segredos da adolescência?
Finalizo esta reflexão colocando em questão a famosa frase do Apóstolo São Paulo: “Quando eu era menino, falava como menino, discorria como menino, mas quando cheguei a ser homem (adulto), parei com as coisas de menino.” Isso é possível? O filme Pecados Íntimos conta a história de um pedófilo de mais ou menos 50 anos de idade que dava em cima dos garotinhos e garotinhas. Ele chegou a ser preso ficando vários anos na cadeia. Ele era temido na pequena cidade. Quando ele foi solto após cumprimento da pena, todo mundo ficou apavorado. As mães e pais principalmente. A mãe do pedófilo suportava aquilo tudo aos trancos e barrancos apesar da idade avançada. Numa conversa amorosa, a mãe daquele pedófilo sugeriu que ele tentasse afetivizar com pessoas da idade dele, mas ele disse que havia tentado, mas foi um fracasso. Ela ligou para uma mulher solteira e carente e fez alta propaganda do filho (coisas de mãe que quer a felicidade do filho). Encontro marcado e o papo rolou num Shoping Center. Tudo ia muito bem, até que dentro do carro no retorno prá casa, aquele pedófilo começou subitamente a se masturbar freneticamente enquanto aquela mulher dirigia inocentemente. A mulher quando viu aquela cena, quase bateu o carro. Daí ela sacou: esse maluco não bate bem da cuca. Nada resolvido, to fora. A mãe ainda perguntou toda ansiosa e animada: “E ai meu filho? Rolou? Vai rolar?” “Não mãe...não é minha praia“ respondeu ele. Um certo dia aquela mãe adoeceu e morreu, entretanto, antes de partir para o outro lado da existência, ela deixou um bilhete: “Meu filho! Não se esqueça de agir como adulto. Seja adulto! Mamãe te pede“. O pedófilo foi para o enterro, mas, quando voltou e entrou naquela casa vazia, viu aquele bilhete e a ficha caiu. Ele deu de cara com a nova realidade e precisava ser adulto dali para frente pois não tinha mais a mamãe para fazer as coisas para ele, para perdoar as infantilidades, para suportar a ferocidade dos vizinhos. Ele começou a chorar e entrou em crise total. Então ele pegou uma faca amolada e cortou o pênis. Um dos vizinhos ao vê-lo chorando e sangrando perguntou: Porque você fez isso? “Porque eu quero ser adulto, pois minha mãe pediu-me“.
“É das criancinhas o reino dos céus” dizia Jesus.

Abraços
Joevan Caitano
www.myspace.com/joevancaitano

1 Comment:

  1. rayssa gon said...
    na verdade eu acho que a gente nunca cresce. só aprende a disfarçar os defeitos e divulgar as qualidades.

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