MORRENDO NOS BRAÇOS DO SELF.

No Getsêmani, Jesus jogou xadrez com a morte, mas ao perceber que iria perder o jogo, ele embaralhou as peças para tentar adiar a pena de morte, entretanto, a morte recolocou as peças no seu devido lugar e disse: “Chegou a sua hora. A morte sorri para todos”.
Conformado, Jesus citou Nietzsche: “A minha fúria de amar se abre para a morte como uma janela se abre para o pátio”. Depois disso, ele foi conduzido até a cruz. Quando ele chegou lá, encontrou dois ladrões indefesos naquele madeiro. O do lado esquerdo já estava desmaiado, porém o da direita, ainda estava lúcido e aproveitou para dar uma de espertinho apelando para chavécos da imortalidade.
Ele tentou ser oportunista ao dizer: “Mestre! Aprontei todas; fiz merda a vida inteira, por isso, estou aqui merecidamente à beira da morte, mas tú ès justo e só estás aqui porque a cúpula sacerdotal te odeia, pois tu ameaçava-os com tuas idéias arrojadas e perigosas. Fiquei sabendo que ti ressuscitaste o pobre Lázaro. Tem como me ajudar também após minha morte? Então Jesus disse: “Não vai dar não pois a cóta estourou e nem prá negros tem mais. Perdão rola, ressurreição jamais. Mas te digo que se tu ressuscitasse, irias virar um mito, uma lenda; ficarias podre de rico, porque as igrejas adoram testemunhos de ladrão arrependido, imagine bandido ressuscitado”.
Quando os soldados, a multidão, os saduceus e fariseus ouviram e viram Jesus perdoar aquele bandido aos 45 minutos do segundo tempo, eles começaram a zombar, xingar e dizer que o Messias havia se fudido legal, que era um babaca, um zé ninguém indefeso, ensaguentado, sedento e perfurado naquela cruz. Então o Ego cristológico se enfureceu e desejou mandá-los para os caralhos do inferno, mas ele ainda teve forças de clamar ao SELF e apelou: Pai! Perdoa-os porque eles não sabem o que fazem. Só o SELF que é o todo, a plenitude, é capaz de perdoar aquilo que é imperdoável, pois Deus (O SELF) conhece nossas sombras, nosso ego e nossa persona. Ele é maior que a nossa raiva, as nossas decepções, os nossos medos, nosso pecado. Ele é maior que a nossa cabeça.
Então Jesus disse ao Pai: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E morreu nos braços do SELF e pensando no SELF.

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