AMBB e o paradoxo do FIM DO COMEÇO.

Por Joeblackvan (www.joevancaitano.blogspot.com)
www.myspace.com/joevancaitano
“Preocupo mais com o movimento da aranha do que com a arquitetura da teia” (GABRIEL COHN – Prof de Ciências Políticas da USP falando sobre a sociologia de Max Weber).
“O último fundamento é o abismo” (Martim Heidegger).
“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).

Uma vez me perguntaram: Joe! Porque você não freqüenta os encontros da AMBB e CBB? Eu respondi na cara de pau e com a sinceridade de sempre: “Porque eu não estou a fim” (rs). Gosto da força do acaso, daquilo que não é planejado, por isso adoro os filmes do cineasta polonês Kieslowski como TRIOLOGIA DAS CORES e O DECÁLOGO que abordam sobre os personagens que acolhem os acasos. Não gosto de ninguém enchendo o meu saco querendo me converter prá isso ou aquilo. Quando eu tiver vontade eu me associo, pois acredito na força da teia de relações (Max Weber). Respeitem o tempo de Deus e o tempo de Joe. Minha percepção é interessada e desinteressada. Sou ligado e desligado. Por força do acaso, eu almoçei com a MM Gisele Rosa (musa de pequena estatura), e durante o papeamento fofocolóide em pleno centro do Rio, ela assinalou-me que haveria um encontro da AMBB no STBSB aqui na cidade maravilhosa. Com sensualidade vocal, ela atiçou-me a vontade de ir nesse encontro de músicos brazucas-aleluias. Disse que a Stella Preta Júnia iria tocar, então eu disse: vou lá ver a negona, Mário Bob Marley e seu contrabaixo mágico e o Thiago fragoso e seus punhos que emitem a fragrância rítmica oquyriana e aproveito para rever alguns amigos e fazer novos amigos. Encontrei o Edu Lakchevitz (dr Dudu), Paulo Júnior fominha de piano, Hélio Júnior, Paraguassú, Léo Gomes, Márcia Leite, Tânia Kammer, Adimar, Nathan, Sidney Chiabai, Gláucia Brum, Andréia paulista, meu primo Felipe Mattos, Martita cubana, Macla, Marcos Vinícius, Ana Flávia (Fafá cabeçona), Maurilio regente e outros. Ganhei novos parceiros como Emirson Justino, Mére Prado patrimônio tombado de Itacibá, Urgel Rusi, Ana e Márcio do estúdio, e outros.
No primeiro e segundo dia de encontros, cheguei pegando o bonde andando, mas entrei com um saco na mão, pois Deleuze fala que fazer filosofia é passear com um saco na mão a tempo e fora de tempo e colocar dentro tudo o que me interessa. Lá estava o Pr Sidney Costa falando sobre um monte de coisas relacionados a administração, engajamento, gestão e potencialização de pessoas no ministério de artes. Ele citou uma frase que me interessou muito e ensacolei-a: “Se você utilizar o melhor de cada um de sua equipe, você terá uma equipe ótima”. Particularmente adoro Genesis 3, e a serpente dando uma “aula ministerial” de como atiçar a sensibilidade no processo de enfrentamento das ESCOLHAS, ilustrada pela árvore do bom e do ruim. Saber escolher é um desafio, principalmente quando a decisão envolve decidir entre o bom e o melhor. John Maxwell categoriza: “Existem aqueles que querem a bola, mas não podem ter ficar com ela; existem aqueles que querem a bola, mas precisam ser treinadas para não pisar na bola; e existem aqueles que querem a bola e devem estar com elas, pois desequilibram e fazem a equipe vencer”.
Depois foi a vez do Pr Paulo Davi que mencionou sobre o tal do caminho de Emaús. Lembrei-me de uma mensagem do gênio teológico Alessandro Akil falando que Jesus se encontrou com as pessoas no caminho de casa, porque é em casa que somos o que somos, sem máscaras, sem frescuras, sem lero-leros. Em casa ficamos pelados diante de Deus e dos parentes; eles sabem das nossas virtudes e deficiências, das nossas manias, das nossas feridas, das nossas intimidades. Na vida social, o nosso eu morre dizia Marcel Proust. Na vida social somos um eu/nós dizia Fernando Pessoa. Por isso, nos encontros da AMBB, CBB, CCBB, CNBB ou CBSTA TCHE, nós somos uma coisa e outra como dizia Roger Bastide, porque precisamos rezar a cartilha, precisamos saber ler signos daquele contexto específico, porque se não soubermos ler esses signos, a gente acaba pagando mico e se passando como metido, corpo estranho, bossau, intelectolóide, intruso, etc (Livro de Giles Deleuze em Proust e os Signos). O encontro sincero com Jesus se dará no retorno, no percurso, no processo, de cada ministro para a sua realidade da sua cidade, fora da comodidade carioca, fora das aparências, do conforto das SIGLAS MM, fora do MEU MANTO PROTETOR. O encontro com Deus se dá na NOSSA NUDEZ. Deus costuma ceiar com os NN, ao invés de MM. Deus nos beija no caminho de casa, na trajetória rumo a nossa nudez existencial.
Mesmo numa ceia onde se pisam em ovos devido a Espírito Santo dos signos, os micos são riscos. Acabei pagando maior mico chamando a preletora e cantora Eloísa Baldin de Capixaba, artista de Vitória, etc...tive que sair pela tangente com papos de Deus na USP, porque ele serve à um Deus paulista que se manifesta no Morumbi ao invés de Maracanã. O grande amigo pernambucano Apolônio Ataíde também me confundiu com um sujeito de Vitória. Tive que mostrar minhas mãos perfuradas-cicatrizadas de chumbos das listas de debate e dizer: Mano! Eu sou o Joe...ele não acreditou, alegando que sou diferente das fotos do Orkut. Culpa dele porque foi raspar o bigode, perdeu a identidade de si e dos outros (rs)...Apolônio sem bigode...kkk não dá. A MM Alzira também não me reconheceu, pois sem aquela cabeleira Black Power fiquei = judeu na segunda guerra mundial, sem identidade. “A identidade torna-se uma celebração móvel” advoga Stuart Hall em seu livro A IDENTIDADE NA PÓS-MODERNIDADE.
Um de meus amigos cutucou os meus ouvidos dizendo: A AMBB mudou. Por que? Questionei-o. Ele respondeu-me: Sou do tempo em que o Hiram Rollo Jr regia o coro num estilo mais relax e conservador, agora trouxeram a swingueira SINDARA ROSA munida da pressão brookliana fazendo o povo coreografar a canção AMIGO SOU DE DEUS e alguns paradoxos temáticos-sonoros como o COMEÇO DO FIM a raiz de todas as palmas, aplausos, assobios e firulas wagnerianas. Enquanto o MM Wagner Araújo e companhia sacudiam a morada dos deuses, minha memória involuntária remetia as aulas sobre Martin Heidegger e o paradoxo do ABISMO DOS FUNDAMENTOS. Na língua alemã GRUND é fundamento e ABGRUND é abismo, isto é sem fundamento. Deus prá mim é isso, mix de Grund e Abgrund. Heidegger dizia: “O último fundamento é o abismo”. Isso tem simetria com CATÁSTROFE E TRAGÉDIA GREGA que consiste em tomar consciência daquilo que desde sempre foi a verdade da origem, quanto o ultrapassamento dessa origem. Nietzsche ressalta que a origem do fundamentalismo (logos socrático) já é na sua origem o suicídio do fundamento.“Cada um de nós é nosso destino singular” (Oswaldo Giacóia-Prof USP).
Com base nessa muvuca paradoxal, aposto na suposição de que a teologia dos achados e perdidos se resume na primeira frase da linda canção EU TE BUSCO TE PROCURO Ó DEUS, NO SILÊNCIO TÚ ESTÁS. O segredo da busca é que não se acha (Fausto de Fernando Pessoa). Deus é o abrigo, é o riso, mas é também o risco.
Muitas pessoas ouviram e cantaram a música paradoxana que tematiza sobre O COMEÇO DO FIM, no entanto, o texto remete-nos a idéia de ressurreição do corpo de Jesus, como também a teoria do eterno retorno nietzschiana com interpretação deleuziana que defende o eterno retorno do diferente, por isso a turma não o reconheceu pós-ressurreição. Imagino aquele defunto solitário estendido no chão da cova-caveira-cavernosa, no entanto, a morte silencia diante de um sorriso musical. Não consigo imaginar alguém morto perto do cantor Wagner Araújo, pois com o carisma que ele possui, faz qualquer múmia desrespeitar a força da gravidade, fazendo-a sempre querer cair para cima e ressuscitar. Eis o curioso caso de Wagner Araújo Buttom.
Ressuscitar talentos é a função de todo grande ministro de música, pois toda a arte é um processo de descoberta que necessita de atores de intensidade ao invés de intenção. Contemplo um gestor como um pioneiro, um explorador de ambientes, um cientista, acima de tudo, ele atua como um servo que serve em prol da materialização do processo criativo, que implica em criar arte instantaneamente. Esse desbravador ele se sedimenta em tradições, mas é novo todas as noites. Sua rotina tem a ver com ganhar a vida e correr riscos enormes; tem a ver com perder tudo e encontrar o amor; se submete a difícil missão de manter as coisas simples, e vestir-se com elegância. Enfim, ele representa todas essas contradições. Ele consegue reconciliar esses opostos da nossa vida diária.Ele lava a poeira da vida do dia-a-dia.
Esse sujeito empreendedor, deve sempre imitar Proust e dizer: “A minha vida é uma vocação; é o relato de uma aprendizagem. Uma aprendizagem que consiste em aprender a dominar técnicas desde como pescar o peixe, como também, de colocá-lo sobre a mesma. Colocar o peixe sobre a mesma é uma tarefa árdua, pois exige paciência na espera, isca correta, purificação dos pecados das escamas e demônios internos do peixe. E quando o pastor fede a chatisse? Às vezes, são os membros da comunidade que costumam feder. Desempenhar o ministério sem deixar a peteca cair implica em habilidade de saber engolir sapos também. Preparar uma liturgia saborosa implica em boa vontade, sensibilidade, experiência e bom gosto. Rubem Alves disse que o cozinheiro é o mestre dos prazeres da boca. O ministério tem como grande tese: PRODUZIR PRAZER NUMA BOA, SEM STRESS. Nem sempre é o complexo-chique-rebuscado que agrada o coração de Deus, mas Ele também ama os simples e humildes de coração. Como o pintor Cézanne que sempre voltava a sua adorada montanha ou as laranjas na mesa de sua cozinha, e isso bastava para explorar os mistérios do universo, é possível achar um número infinito de possibilidades diante da pequena palavra DEUS.

Valeu, abraços e aticem a curiosidade nas buscas pelo vôo 777.
Joeblackvan
www.joevancaitano.blogspot.com www.myspace.com/joevancaitano
joevex@hotmail.com

2 Comments:

  1. Rubens Sérgio said...
    Ô Joe, não acredito que você caiu nesse "canto" ou melhor, nesse "conto" do pragmatismo americanóide de que se deve "utilizar o melhor de cada um...". Logo você? E o pior? E o todo? E a diferença, e o acaso? Esqueceu-se que de Nazaré pode sair algo de bom? E a ambiguidade de Elstir? Antes conhecido como “Sr. Biche”. E Vinteuil? "pobre diabo” Zut, zut, zut! Abraços Proustianos, mas, sem sacanagem. Rubens
    Anônimo said...
    Rubens, cheguei a redigir um parágrafo falando sobre a importancia do mal, do pior, rs, mas preferi rezar a cartilha...quis ser político...mas concordo q de Nazaré saiu o mais porra louca de todos...Jesus (a zebra da copa espiritual-existencial)...de nazaré tb sai o pensamento diferencial...

    abraços
    Joe

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