BOLDO COM SABOR DE MEL

BOLDO COM SABOR DE MEL

Por Clayton Téologo
claytonteologo@bol.com.br



Em toda a minha vida, todos os dias em que o meu fígado resolvia dar férias coletivas para o bem estar, a intervenção sapiencial da minha avó, incisivamente restaurava-me a saúde. Tudo bom e maravilhoso se este método milagroso não fosse embebido num copo pequeno com dois dedos de um sumo retirado das folhas de uma planta chamada “BOLDO”. Entendi que na verdade não melhorava, na verdade o amargo intenso e voraz desta planta me fazia esquecer as dores.

Após o meu primeiro contato com esta experiência fitoterápica, passei a ter pavor de problemas hepáticos, não me entendam mal, o meu desespero era sequer cogitar a possibilidade de ver minha querida avó caminhar em minha direção com o suco de uma erva, que para mim parece ter sido cultivada nos jardins do inferno.

Sobretudo queridos, o amargo do sumo retirado das atitudes de um determinado REITOR (ou quem sabe FEITOR) tem suplantado o gosto ruim do boldo.

O despotismo e a obtusidade nunca poderiam ser percebidos nas atitudes de um homem que carrega em seus ombros a missão de administrar uma instituição de 120 anos; uma instituição que foi gerada nos sonhos de pessoas que mesmo há um século atrás, que mesmo sendo naturais de uma terra distante, já entendiam que a educação é o fio condutor do esclarecimento, da formação de opinião, dos questionamentos e do inconformismo à segregação.

Estou com vontade de entrar numa dessas inúmeras lojas de sucos ou quem sabe até num bar ou restaurante e gritar ao garçon:



- Por favor, um copo duplo de boldo!



Ilustração surreal? Surreal é achar que por ocupar o cargo máximo administrativo de uma instituição acadêmica, tem o direito de cometer injustiças, de achar que em meio às suas funções está também a de interromper sonhos, de interromper projetos de vida, de pegar os textos que temos escrito para os nossos dias e colocar pontos, vírgulas e sinais de interrogação.

Tenho tentado digerir e não acumular dentro do meu peito (pela minha saúde), tais desmandos... mas não tenho obtido êxito.

Nunca mais reclamarei das doses de boldo administradas pela minha avó, tenho sido forçado a beber coisa pior.



Se você que está lendo este texto, e se indigna com tais arbitrariedades, junte seu grito ao meu e ao de todos os alunos que tiveram sua jornada acadêmica interrompida e a conclusão do seu curso impedida pela simples decisão de um reitor de extinguir alguns cursos.

Hoje estou sendo forçado a beber o amargo líquido do descaso e da incoerência, este líquido faz com que eu beba copos e mais copos de boldo numa só golada deliciosamente, pois pra mim estes copos hoje nada mais são do que:



BOLDO COM SABOR DE MEL!!!



Clayton R. Mendes

Estudante do 6º período do (extinto) curso de Teologia da UniBennett.

Obs: Joe, por favor repasse para todos que você conhece este meu texto de repúdio. Grato.

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