Fecundação Espermatológica! Uma Loucademia de Família.

Fecundação Espermatológica. Uma Loucademia de Família.
Por Joeblackvan www.joevancaitano.blogspot.com www.myspace.com/joevancaitano
“Cada um cria o seu mundo dentro de si, e fica preso nele, e da sua cela ele vê a cela dos outros” (Wim Wenders-Filme Tão Longe, Tão Perto).

Nesse momento, interrompo a leitura de um livro magnífico BEETHOVEN. A música e a Vida de Lewis Lockwood, editora Códex, obra indicada pelo Dr e brother Marcelo Verzoni (grande pianista e gênio do ensino). Minha interrupção se deve ao fato de encontrar no dito livro, uma frase espetacular de Flaubert: “Na sua obra, o autor deveria ser como Deus no universo; sempre presente, mas em nenhum lugar visível”. Sou deleuziano porque para Deleuze, fazer filosofia é andar com um saco na mão e ir colocando dentro tudo que for interessante. Por isso ensacolei o Flaubert antes que eu perca-o de vista. Precisamos ser oportunistas diante das idéias, pois a inspiração é como a morte, que chega pontualmente na hora incerta.
Vivi minha infância na roça, no interior do Estado do Pará, mas quando me tornei adolescente, comecei a paquerar e namorar a música, vindo a me casar com ela posteriormente. Aprendi na catequese sobre a importância do CRESCEI E MULTIPLICAI de Heloim (Deus da criação). Comecei adotando alguns filhos alheios, no entanto, toda adoção comporta dentro de si, uma adaptação e uma moldação que desemboca em mutação. Dessa forma, compreendi o que era fazer arranjos musicais: o bom arranjo é aquele que modifica sem tirar as características genéticas do filho adotivo musical. O bom arranjador valoriza a singularidade sem descaracterizar a obra original.
Apesar de crescer num contexto cristão de apologia a monogamia, quem ama espera, etc, etc, em off eu sempre curti essa onda de poligamia, aliás, tenho raiz afro por parte de pai, e em algumas partes da África é normal ter muitas mulheres (desde que o macho consiga sustentar..hehe). Defendo a idéia de que quando o homem “traí”, ele passa a sentir mais tesão com a mulher principal. O macho é fabricado biologicamente, instintivamente para ter várias mulheres. Por isso, após casar-me na igreja com a música, sob a benção dos pais, pastores, professores, amigos (alguns da onça), gerei alguns filhos comportados, espirituais, “a imagem e semelhança de Deus”, com DNA de adoradores como: PAI ETERNO, REFLEXÃO, ARMADILHA MACABRA, GRANDE AMOR e outros. No entanto, meu instinto falou mais forte e eu me envolvi com a teologia, daí fiz amor com Paul Tillich, Joaquim Jeremias, Karl Barth, Feuerbach, Osvaldo Ribeiro, Edson Fernando, Luiz Longuini, Luiz Roberto, Jürgen Mooltmann, Rubens Alves, Leonardo Boff, John Stott e outros. Outra mulher implica em outra configuração de DNA. Como fruto dessa nova relação, gerei O KAMASUTRA MUSICAL. Foi uma gravidez em off, sem chá de bebê, nem mídia, etc. A barriga cresceu rápido e ele nasceu. Foi apresentado publicamente em 31/05/06 no Coliseu e Vaticano dos Batistas (capela do STBSB). Muitos adoraram o bebê, outros odiaram o bebê e outros moralisticamente disseram: “Música só após o casamento” (rs..kkk). Quiseram matar a mãe e o bebê, mas ambos tinham (e tem) alta imunidade. O bebe, a mãe-pai sobreviveram, pois eram nietzchianos, e pela fé acreditavam na profecia: “Aquilo que não nos destrói nos fortalece”. Como fruto dessa relação gerei outros filhos como: Adoração é cachorrada; Sacrifício de Louvor ou de terror?; Vida e Morte: Tym ou Chak; Um cajado que consola ou Isola! Proibido para pastores, ministros de música, bodes, ovelhas e afins; Jesus no estrebológico e outros.
Continuei minha ampliação afetiva me envolvendo com a filosofia, daí tive muitas relações com Foucault, Nietzsche, Platão, Deleuze, Schopenhauer, Hegel, Schiller, Schelling, Heidegger, Hussern, Sartre, Merleau Ponty, Edgar Morin e outros. Roberto Machado disse que a filosofia até hoje vive gozando nas costas de Platão, pois toda a filosofia no decorrer da história são pés- de- páginas do pensamento platônico. O cristianismo foi o que mais gozou. Frutos dessa relação-gozação, eu gerei muitos filhos exóticos como: O diabo é bom demais; Maysa: espiritualidade em forma de Wisky e Música; Dercy Gonçalves! Uma porra louca mamando no seio de Abraão e outros.
Atualmente estou tendo um caso sério com o cinema e o escritor Marcel Proust, pois todos os dias costumo fazer amor com um cineasta. Já fecundei e fui fecundado por Irgman Bergmann, Godard, Wim Wenders, Spielberg, Werner Herzog, Dziga Vertozi, Fassibinder, Fellini, Antonioni, Resnais, Visconti, Raoul Luiz e outros (a). Já nasceu o primeiro de muitos filhos (espero): JESUS E A GANGUE DE SAMURAIS! UMA HERESIA SEXY CINEMATOGRÁFICA, aliás, foi um filho muito ousado. Mais uma vez pediram aos presbíteros e Reverendo parceiro que cortassem minha cabeça, mas escapei mais uma vez...rs. Podem falar o que quiserem dos meus filhos, mas são meus filhos, gerados de dentro de mim. Todos fazem parte da minha família, e como cada um é fruto de uma mulher diferente, eles possuem características diferentes. Uns são comportados, outros são com cara de crente, outros parecem capetinhas, outros são ousados, políticos, agressivos, etc, etc, mas...são meus filhos e eu amo-os do jeito que são.
Quem deseja criar uma obra de arte diferenciada, precisa desapegar-se dos modelos, precisa se arriscar, aceitando se tornar discípulo de Deleuze, pois “feliz é aquele que vê além do óbvio, além do empírico, além do clichê” (Deleuze). Ir além do normal, é aceitar a morte de Deus constatada por Nietzsche e os filósofos da modernidade, pois se Deus é o criador de tudo, o homem é um babaca e tudo o que ele fizer é uma mera cópia do modelo dos MODELOS. Se Deus morre, o homem passa a ter possibilidades de criação do original, o artista que cria, passa a ser um “pequeno Deus”. Para criar uma obra de arte com características musicológicas/pedagogógicas/filosóficas/teológicas/estrebológicas/heretológicas (etc), é necessário à aspiração de um desenvolvimento do germe criativo, que vai levá-lo a um processo de atiçamento harmônico/ melódico/rítmico ampliando as fronteiras estéticas e formação. O artista é um cidadão de uma pátria desconhecida, pois viajam comunicando a variedade de seus sentimentos. Viajar é ter novos olhos mesmo que seja para as mesmas paisagens. Viajar é ter o novo e não existem regras para criar o novo. Como educador, preciso apontar para a viagem que dá maior intensidade para que o aluno possa expressar artisticamente as impressões e as sensações.
“É preciso ter boa opinião sobre si mesmo para se reproduzir sendo que o filho é a vida; o filho é a afirmação da vida” (filme O declínio do império americano). Cada artista constrói sua família, com muita inspiração e muito mais com expiração-ralação e trabalho árduo. As pessoas têm resistência ao novo, mas o que movimenta o criador é a força da criação, sem ela o artista não vive. O artista é taxado de louco, por isso, ele gera loucos mirins (pequenos hereges estéticos) que habitam e co-habitam dentro da LOUCADEMIA DE FAMÍLIA, cujo, o espaço, visa a fornecer uma aprendizagem significativa (Ausubel) permitindo também uma deliciosa vagabundagem contemplativa (Rubem Alves).
Para Proust, o nosso EU vive morto na vida social, pois nós vivemos como mortos num mundo de mortos. O Eu superficial é o EU social. Quando se entra numa reunião social, o EU morre. Social para Proust é o mundano que obriga-nos a rezar a cartilha e impede-nos de sermos nós mesmos. Proust defende a solidão criadora, porque nela, há o assassinato da censura. “Cada um cria o seu mundo dentro de si, e fica preso nele, e da sua cela ele vê a cela dos outros” (Wim Wenders - Filme Tão Longe, Tão Perto).
Abraços
Joeblackvan
Obs: Casei-me com a arte e gerei filhos com ela porque a arte oferece a estabilidade afetiva que geralmente a mulher não oferece. O ruim da buceta é que a mulher vem junto.

1 Comment:

  1. Davi Santana said...
    ! Inquietante!

Post a Comment




 

Copyright 2007 | Blogger Templates por GeckoandFly modified and converted to Blogger Beta by André Monteiro.
No part of the content or the blog may be reproduced without prior written permission.