EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (o pensamento de Proust/parte I -introdutória)

Proust é considerado escritor de uma obra só. A estética de Proust abarca três artes: música, pintura e literatura. Proust emite várias idéias sobre várias questões e questões do cotidiano.
O que interessa a Proust é a literatura. A obra O TEMPO REDESCOBERTO é importante para a reflexão sobre a arte. Trata-se de uma descoberta, a descoberta de uma vocação, a vocação literária.
Proust pensa as 3 artes refletindo sobre os grandes artistas que representa cada arte. Na música ele reflete sobre Wagner que foi o músico que mais marcou Proust. Reflete também em cima de Beethoven principalmente os últimos quartetos de Beethoven.
Era característica de Proust pensar alguns artistas reais. Proust pensa uma arte sobre a arte; uma literatura sobre a literatura.
No livro O CAMINHO DE SWAN fala sobre um amor de Swan. O personagem Swan é um diletante em artes, encarregado de levar a arte a aristocracia. Ele indica as obras de arte de valor. Swan é alguém que passou a vida toda estudando o pintor Vernet.
A idéia de impressão é importante para a expressão. Proust faz uma reflexão sobre Balzac. Ele pensa a partir de Balzac e Flaubert. Proust tinha um ouvido para a musicalidade da língua. Ele gostava de pastiches, pois ele explicitava o estilo de alguém. Os irmãos Goncourt é um livro de pastiches. Há a importância da metáfora para Proust a partir da literatura. A paródia é crítica; o pastiche é a tentativa de dar conta do que o outro fez.
Proust é mais crítico aos escritores do que em relação aos pintores e músicos. Para ele a literatura não está à altura da música, mas ele pretendia ser o maior e queria que a literatura se tornasse maior a partir dele.
Na modernidade desparece o modelo. A literatura nasceu com a morte do modelo (Foucault). A morte de Deus é a morte do modelo (Nietzsche). Segundo a psicanálise, é preciso matar o pai (o modelo).
Existe a importância de Schopenhauer para a concepção de arte em Proust. A concepção de música para Proust e de cunho shopenhaueriano e também wagneriano pois Wagner bebeu em Schopenhauer.
Segundo Schopenhauer a vida é um pêndulo que oscila perpetuamente entre a ansiedade e o tédio. É preciso superar a falta; é preciso preencher o desejo. Um desejo realizado deixa de ser um desejo. Nietzsche fala do desejo como criação. A proposta de Nietzsche é para superar Schopenhauer.
Vandet é um músico wagneriano. Proust é um ficcionista que cria outros personagens. Proust cria Vandert que é músico, cria estir que é pintor e cria Bergotte que é literato.
O que interessa à Proust é pensar a literatura. Música e pintura aparecem como modelo de uma nova literatura. Uma literatura que dê conta da essência das coisas. A metafísica aborda o saber da transcendencia e a ontologia abarca o saber da imanencia. Platão inaugura a idéia de essência que é universal. Só a justiça é justa, só a beleza é bela (Deleuze).
Em Proust a essência é singular. Par Schopenhauer existem dois grandes filósofos: Platão e Kant. Schopenhauer tentou harmonizar os dois. Para Platão, é a filosofia que é capaz de revelar a essência, de dar conta da essência universal. Para Proust é a arte que dá conta da essência (posição schopenhaueriana). Há uma superioridade das artes em relação aos outros tipos de saberes. A arte é superior ao conhecimento científico, ao conhecimento racional. Proust faz diversas críticas à inteligência racional. Por exemplo: ele crítica a racionalidade de Swan pois ela impediu-o de ouvir a música.
Modernidade é o tempo começado a partir de Kant. Toda a filosofia é uma tentativa de escapar do Platonismo. Nós não podemos conhecer a essência (Kant). Schelling, Nietzsche e Schopenhauer tentaram interpretar Kant. Para Kant a arte não gera conhecimento. Para Schelling a arte dá um conhecimento mais profundo em relação as outras formas de saber (romantismo).
Proust aspirava fundar uma literatura capaz de dar conta da essência. Só a música dá conta da essência. As outras artes ficam no nível da representação.
Proust vai pensar um estilo de literatura a partir da pintura. Ele trabalha metáfora como metamorfose. Tudo se tranforma em Proust; nada é sólido, até os nome se transformam.
O que interessa a Proust é unir presente, passado e futuro. Para Deleuze, a síntese das três dimensões do tempo se constitui no INSTANTE. Proust trabalha com o tempo mítico, o tempo não cronológico, simultaneo (Bergson) - cinema moderno.
Há um problema filosófico: se Proust é ou não bergsoniano.
A primeira vez é a vez da inexperiência (frase de Proust). Proust é o homem do aprendizado, da formação. EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO é o romance da aprendizagem, romance de formação. Não há progressão na aprendizagem.
Para Proust a criação artística está vinculado a memória involuntária. Em Proust as frases crescem por dentro; tudo incha por dentro. Há em Proust uma reflexão sobre o tempo (tempo perdido, tempo redescoberto).

Proust levanta algumas idéias importantes sobre a literatura.
1- Em Proust há a questão do livro como sendo fragmentado e planejado. Ele trabalha a questão do acaso na obra de arte.
2- Relaciona EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO com o romance de formação. Numa tragédia grega não se aprende nada, só nós aprendemos; nada muda; não há uma progressão dramática.
3- Trata da incapacidade para literatura que não tem progresso. Há uma osmose entre a vida de Proust e a literatura; há uma vida literária. Há uma novidade em Proust: não existe herói. Existe herói, narrador e Proust, porém, a relação entre os três é complicada.
4- A arte e as impressões sensíveis são as condições de possibilidade para a descoberta da vocação literária; é condição genética. Há experiência do tempo não cronológico, não sucessivo. Memória involuntária para dar um salto por relações artísticas. A vida só tem sentido em forma de palavras. Uma impressão muito forte leva a expressão pois transforma impressão em expressão.
5- Relaciona a música com a pintura. Explica a música através de 2 personagens: Swan e Marcel. Proust trabalha a noção de realidade. Para ele a arte é capaz de dar conta da essência. Proust faz uma reflexão sobre música e realidade e literatura e realidade. Só tem sentido em falar de essência se falar de aparência.
6- Pintura e relação com a literatura para ver a idéia de metamorfose. Relação entre metamorfose e identidade da diferença.

0 Comments:

Post a Comment




 

Copyright 2007 | Blogger Templates por GeckoandFly modified and converted to Blogger Beta by André Monteiro.
No part of the content or the blog may be reproduced without prior written permission.