Musicalidade baseado em John Blacking

John Blacking trabalha com 4 idéias em seu livro Hay música em el hombre?
1. Sons humanamente organizado;
2. A música na sociedade e na cultura;
3. A cultura e a sociedade na música;
4. Humanidade sonoramente organizada.

Para ele a música é uma síntese de processos cognitivos presentes em uma cultura e no corpo humano. As formas que adota e os efeitos que produzem na gente são gerados pelas experiências sociais de corpos humanos em diferentes meios culturais. A música é som humanamente organizado, expressa aspectos da experiência dos indivíduos em sociedade.
A criatividade musical pode descrever-se em termos de processos sociais, musicais e cognitivos. As análises de música são essencialmente descrições de seqüências de distintos tipos de ato criativo. Devem explicar os acontecimentos sociais, culturais, psicológicos e musicais na vida de grupos e indivíduos que conduzem a produção de sons organizados. Emile Durkheim disse que “a sociedade não é um ser nominal criado pela razão, sem um sistema de forças ativas”. As forças da cultura e a sociedade se expressam no som humanamente organizado porque a principal função da música é promover uma humanidade sonoramente organizada aguçando a consciência humana. A música, não é uma linguagem que descreve como é em aparência a sociedade, mas é uma expressão metafórica de sentimentos associados com o modo que realmente é. É um reflexo de uma resposta a forças sociais.
A música nunca pode contender-se, como uma coisa em si mesma, e que toda a música é música popular, na medida em que, sem associações entre as pessoas, não se pode transmitir nem dotar de sentido. A Etnomusicologia estuda os diferentes sistemas musicais do mundo, além disso, os estudos etnomusicológicos tem ampliado nossos conhecimentos dos diferentes sistemas musicais do mundo. Esses estudos buscam fundamentos biológicos para a música pois a expressão musical é uma constante na espécie humana e há comportamentos universal em atividades musicais.
Blacking defende que um determinado tipo de música só pode entender-se em um contexto social, dentro de uma interrelação de indivíduos que confere valor. Encontraremos na música uma síntese de processos cognitivos próprios de uma cultura, resultado de suas interações sociais. Os valores sociais que assumem uma música e os efeitos que produzem dependem, sobretudo, do contexto sendo possível que a atividade musical seja sempre extra musical. Deve haver uma relação forçosa entre as estruturas da sociedade concreta e as estruturas sonoras que resultam de sua interação social. Defende que, se a pessoa “nasce musical”, a experiência e a prática musical deveriam estar no centro da educação escolar. A atividade musical redunda positivamente em desenvolvimento orgânico de todas as capacidades infantis, desde lógicas e das afetivas. A função da música é reforçar certas experiências que tem resultados significativos para a vida social, vinculando mais estreitamente as pessoas com ela. Blacking acredita que a música é uma expressão que permite compartilhar e transmitir experiências e emoções dos indivíduos e dos grupos objetivando um desenvolvimento harmonioso.
Nunca se pode entender uma coisa por si mesma, e que toda a música é popular na medida em que, sem associação entre as pessoas, não se pode transmitir nem dotar de sentido. A música tem haver com sentimentos humanos e experiências em sociedade por isso, toda a música é estrutural e funcionalmente, música popular. A música constitui uma parte indissociável do desenvolvimento da mente, do corpo e de uma relação social harmoniosa. Creio que a etnomusicologia poderia encabeçar novas formas de analisar a música e sua história. A Gestalt insiste em que o talento é algo mais que um conjunto de atributos específicos dependentes de capacidades sensoriais. É o conjunto holístico da cultura em si mesma do qual pertence a música.
Há tanta música no mundo que é razoável supor que a música, como linguagem e possivelmente a religião, é um marco específico de nossa espécie. A discriminação sensorial se desenvolve no meio da cultura e não sabemos com exatidão em que consiste a competência musical, nem como se adquire.
Sem processos biológicos de percepção auditiva e sem consenso cultural sobre o percebido, não pode existir música nem comunicação musical. A música não pode existir sem uma percepção de ordem no âmbito dos sons. A continuidade da música depende tanto das exigências de audiências críticas como da provisão de intérpretes.
Os estilos musicais se baseiam em aquilo que o ser humano decidiu tomar da natureza como parte de sua expressão cultural. A natureza que o homem extrai seus estilos musicais não é externa a ele. Inclui a sua própria natureza, suas capacidades psicofísicas e as maneiras em que as capacidades tem sido estruturadas por suas experiências com pessoas e coisas, das quais formam parte do processo adaptativo de sentimentos culturais.
Todo comportamento musical está estruturado por processos biológicos, psicológicos, sociológicos, culturais. Por isso, a tarefa do etnomusicólogo é identificar todos os processos relevantes para uma explicação dos sons. Dentro de um padrão sonoro, existem várias interpretações possíveis dependendo do contexto cultural e do estado emocional de seus ouvintes em um dado momento. A música é um som organizado em padrões aceitos socialmente. Schafer fala que música é som organizado com intenção. A atividade musical pode contemplar-se como uma forma aprendida de conduta. Nenhum estilo musical tem seus próprios términos; seus términos são a sociedade e sua cultura, assim como os corpos criam e interpretam. Cada compositor tem um sistema cognitivo básico que imprime sobre as suas principais obras. Toda atividade cerebral, coordenação motora, parte do amadurecimento da cultura, isto inclui experiências e atividades sociais e musicais.

1 Comment:

  1. Anônimo said...
    Muito interessante

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