Ensinando música musicalmente (Introdução)

Ensinando música musicalmente

Swanwick afirma que a música é a técnica e a parceira da conversação. Como discurso, a música promove e enriquece nossa compreensão sobre nós mesmos e sobre o mundo.
A música, desperta experiências estéticas. Falando nisso, a comunidade estética possui 3 características:
1. Todas as artes criam formas expressivas de vida;
2. Todos os seus significados dependem, sobretudo, de suas construções formais e não podem ser extraídos ou traduzidos sem uma perda significativa;
3. Requerem não uma resposta crítica, mas uma resposta estética – uma resposta por meio dos sentimentos e da imaginação.
Malcon Ross diz que “uma boa educação estética, um desenvolvimento estético saudável, irá, por definição, aumentar a força da vida, aumentar o poder da dinâmica da vida, soltar os nossos instintos para saborear a vida e vivê-la em sua plenitude. As aulas poderiam ser “jam sessions”, e os eventos comunitários”.
O cume da experiência estética é escalado somente quando a obra se relaciona fortemente com as estruturas de nossa experiência individual, quando ela clama por uma nova maneira de organizar os esquemas, os traços, os eventos vividos anteriormente. A música, envolve, elementos cognitivos, entre os quais estão a proficiência para fazer conexões e comparações, a facilidade de ler as convenções musicais estabelecidas e a habilidade de reconhecer e responder aos desvios esperados pelas normas musicais.
Internamente, representamos ações, eventos para nós mesmos; nós imaginamos. Reconhecemos e produzimos relações entre essas imagens; Empregamos sistemas de sinais, vocabulários compartilhados; Negociamos e trocamos nossos pensamentos com os outros. O processo metafórico permite-nos ver as coisas diferentemente, para pensar novas coisas. Vamos analisar a palavra metáfora: Meta = lugar/direção no grego antigo. Phero = levar. Portanto, metáfora significa transferir imagens de um lugar para outro. A metáfora depende também da nossa capacidade de discernir semelhanças. Metáfora implica alguma coisa que sabemos e que estamos assimilando a um novo contexto, requerendo que nos acomodemos a sua recolocação.
A metáfora musical consiste numa transferência de padrões de comportamento do corpo humano, e movimento e tensão, são a base da expressão musical (Donald Ferguson 1960). Roger Scrutton diz que “a música envolve metáforas de espaço, movimento e animação”. Susanne Langer (1942) disse que “a música informa a vida do sentimento”. “A vida é louca” dizia o Cazuza. A locura simbolizada pela dinâmica universal impede que a vida seja um tédio. Cazuza sabia disso, pois ele era um grande artista. As artes, tem a capacidade cortante para romper o comportamento robótico.
Na música, os ritmos contrastantes, densamente organizados, são poderosos – poderosos porque existe conflito de vitalidade e de ritmo, poderemos precisamente porque as pessoas são afetadas e se comovem. Na música combinamos materiais de expressão onde os sons são ouvidos como formas expressivas, gestos. Constitui-se de expressão e forma que resultam em novas relações, pois a música tem vida própria. Constitui-se de forma e valor, com isso, as novas formas incorporam experiências anteriores porque a música informa a vida do sentimento.
As emoções que a música transmite são de tipos muito variados, sendo não mais que formas (padrões) de emoções diretamente vivenciadas, com fluxos e refluxos similares, graus de intensidade, agitação e persistência (Passmore, 1991). “A música atua como força poética e faz um apelo ao background da experiência humana, a qual é tudo o que for mais presente e não pode ser nomeado” (Empson, 1947).
Ensinar música musicalmente ensinar (educar) para uma vida mais linda e mais cheia de graça.

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