Educação com BAIÃOSAMBAJAZZ: Uma pedagogia do SE VIRA NOS TRINTA

Educação com BAIÃOSAMBAJAZZ: Uma pedagogia do SE VIRA NOS TRINTA
Por Joevan de Mattos Caitano

Educação com Baiãosambajazz é uma educação da diversidade, da multiplicidade, da mistura de todas as cores, de todos os sons. Itiberê e Hermeto Pascoal falam sobre a tal da música universal. Mas o que vem a ser essa música universal? Segundo o Professor José Alberto Salgado, seria uma música comparada a um barco feito para navegar em muitas águas, explorando até regiões virgens de um planeta simbólico – a bordo dele, passageiros (a gente) e marinheiros (os músicos da oficina) visitam e redescobrem o mundo, graças a esse poder duplo que a música tem de, pelo imaginário, retratar e inventar o real.
Proponho através da educação com BAIÃOSAMBAJAZZ um trabalho de observação e ação tanto no âmbito da singularidade como da coletividade. É possível recorrer a idéia de Carl Roggers da educação centrada no aluno, nas particularidades, subjetividades. Podemos recorrer ao pensamento interacionista de Geraldi, objetivando a ação musical vista como produção de significados como preconiza o Swanwick, visando o diálogo entre os sujeitos entre si e deles com a própria música. Koellreuter dizia que o professor não deve fazer da aula um monólogo, e sim partir sempre de um debate, partir das idéias dos alunos, aprender a “tirar” deles o que ensinar. A educação com Baiãosambajazz é contra a concepção ingênua de educação que trata o aluno como objeto e tábua rasa (pedra bruta), mas valoriza a concepção crítica da educação que propõe uma sinergia, uma interação, uma koinonia educacional. É importante frisar que a música é o lugar de encontros em meio aos desencontros (parafrasendo o Vinícius de Moraes). Na Koinonia educacional há sempre espaço para a construção e aventura. O professor e os alunos podem cantar a canção de Ed Mota: “se arruma, aqui que ta bom, aqui ta bem, se arruma, tem espaço na VAN, tem espaço na VAN”.
Vamos agir como Dewey que sugere uma educação pela ação, pela proatividade. É preciso desafiar o ouvinte, assim como a sistematização da indústria musical. É preciso coragem para encarar os desafios, é preciso dominar a arte da estratégia que contribui para se safar em meio aos imprevistos. É preciso traçar um plano de jogo (educação pela instrução de Herbart), mas quando o jogo começa quem manda é o placar e dependendo do resultado do placar em meio ao jogo, é preciso flexibilidade, é preciso agir com rapidez e inteligência estratégica, é preciso saber improvisar, isto é, dominar a ARTE DO SE VIRA NOS TRINTA. Não há espaço para a preguiça e comodismo em meio a um mundo caracterizado por ser AREIA MOVEDIÇA. Na pedagogia da espontaneidade, o pedagogo conduz o aluno com amabilidade em meio às instabilidades.
Gosto muito do livro A MICROFÍSICA DO PODER de Michel Foucault porque ele fala que o poder não tem um local fixo, mas está espalhado em vários contextos, inclusive dentro de minha mente (meu corpo, meu todo), pois acredito que querer também PODE ser sinônimo de PODER. Acredito que sem a força do desejo, fica difícil criar, atenuando dessa forma, a expansão de uma pedagogia da gênese. Educação com Baiãosambajazz é deleuziana porque Deleuze é um filósofo da criação, da gênese. É também nietzschiana, pois acredito que muitos alunos e professores também podem atiçar esse sentimento de potência dentro de si, como poetizou o Nietzsche em A GAIA CIÊNCIA.
Acredito que uma educação com BAIONSAMBAJAZZ possa ser regada pelo perfume do prazer, por isso é preciso que os professores e alunos sejam estimulados pela curiosidade. Há permissividade para uma experimentação das possibilidades do kamasutra pedagógico musical citado por Rubem Alves em EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS. É preciso um engajamento na arte da garimpagem metodológica, no entanto, é preciso ter consciência de que uma atitude estranhamento em relação a nós mesmos, é de grande relevância, pois abre portas para a sutilidade e profundidade da reflexão. Durante a esses momentos íntimos, podemos nos dar conta do poder de uma educação da sensualidade estética e da beleza da produção de bons encontros. Segundo Espinosa, nos maus encontros, há uma diminuição da potência do outro, mas nos bons encontros, há uma elevação dessa potência instalada dentro de cada um de nós. Valorizemos os bons encontros. Salve a educação com BAIÃOSAMBAJAZZ: UMA PEDAGOGIA DA IMPROVISAÇÃO.

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