A visão deleuziana sobre a filosofia e a literatura

A literatura pode suscitar conceitos, pois é uma linguagem que expressa sensações. É uma linguagem não conceitual.
Deleuze transforma perceptos e afectos em conceitos filosóficos. Ele encontra em Proust o exercício diferencial do pensamento através do signo e do sentido.
O que é a linguagem literária? Que tipo de linguagem é utilizado pelos intercessores para pensar filosoficamente?
A literatura da diferença é aquela que produz um pensamento diferencial. Deleuze não reduz o seu pensamento sobre a literatura através da linguagem. Ele trata a linguagem com a relação de fora da linguagem.
Leia o livro CRÍTICA E CLÍNICA no qual Deleuze aborda a questão do ver e do ouvir.
O literato é capaz de expressar pela linguagem a criação da diferença.
Deleuze se utiliza da literatura e da própria filosofia para pensar filosoficamente. Ele tem uma maneira própria de fazer filosofia usando intercessores para fazê-lo pensar. Ele usa a pluralidade de temas para trabalhar conceitos.
A linguagem literária (literatura intempestiva, literatura menor) ele usa em relação a Kaffka.
O que interessa a Deleuze é criar o novo, a criação do original, criação da diferença. Ele cita exemplos de romances originais e vai valorizá-los. O valor da linguagem literária diz respeito ao novo. Isso corresponde à: invenção, mutação, criação da originalidade.
Segundo Deleuze, fazer filosofia é andar com um saco e colocar dentro tudo o que serve. Mas, o que serve? É aquilo que serve para criar um pensamento diferencial.
Ser escritor é inventar alguma coisa. Pensar a linguagem no seu aspecto léxico que implica em neologismo. Deleuze privilegia mais a sintaxe que envolve relação do que o léxico. São os efeitos da sintaxe que produz o novo. A criação de uma nova sintaxe, a sintaxe inesperada do qual o escritor é capaz. Uma obra é uma nova sintaxe. O escritor cava uma nova linguagem estrangeira na própria língua.
Deleuze critica a idéia chomskyiana de língua como sistema homogêneo, com constantes e invariantes.
Deleuze é um filósofo que valoriza a literatura secundária. Para ele, a linguagem é um sistema de variação contínua. A linguagem é um agenciamento heterogêneo em perpétuo desequilíbrio. A linguagem só tem variáveis. Há várias línguas numa mesma língua. O escritor poderá criar sua língua ao desequilibrar sua língua padrão. Ser escritor é criar uma nova língua dentro da língua. Leia o texto de Deleuze O POSTULADO DA LINGUÍSTICA.
O estilo é variável. É uma questão de relação entre as palavras. Deleuze vai se utilizar de Proust para falar sobre isso.
Um grande escritor é aquele que escreve dentro de sua própria língua como se ela fosse uma língua estrangeira. Cada escritor está obrigado a criar a sua própria língua. Proust tinha uma percepção musical da língua.
É preciso ser capaz de mimetizar o estilo do outro. O estilo como uma nova sintaxe capaz de produzir na língua uma outra língua e de criar um devir outro da língua ou minoração de uma língua maior.
Deleuze fala que o bom escritor é capaz de fazer a linguagem delirar. Faz a linguagem sair dos eixos e escapar do sistema dominante. É interessante lembrarmos de Kant porque com KANT, O TEMPO SAI DOS EIXOS. Deleuze utiliza termos da psiquiatria para falar de linguagem, por exemplo: FAZER A LINGUAGEM PEGAR DELÍRIO.
O bom literato decompõe sua língua para criar uma nova língua. Desrritorizar a língua é criar uma nova língua. Deleuze é um filósofo da A-GRAMATICAL e da A-SINTAXE.
Deleuze valoriza o uso intensivo da língua. Nele, há uma valorização da intensidade da linguagem, contrapondo o privilégio do significante e do significado.
Deleuze valoriza os procedimentos empregados pelos escritores. Ele não é um filósofo do método, mas do procedimento. Deleuze critica o método no livro DIFERENÇA E REPETIÇÃO.
O que interessa a Deleuze é a gagueira da língua que gera a intensificação. Ele não se interessa pela gagueira da fala, mas pela gagueira da própria língua. Deleuze é um filósofo da bifurcação. Fazer a linguagem gaguejar é um procedimento linguageiro capaz de fazer a linguagem variar, criar disjunções, colocando em perpétuo desequilíbrio.
Deleuze é um filósofo do sugestivo. Para ele a linguagem deve expressar o inexpressível, explicar o insondável, o inexplicável.
Deleuze faz distinção entre original e particular. Quem é o original? São aqueles que pelos seus atos obedecem às leis gerais da língua, da sociedade. O particular está subordinado ao geral. Original é a figura solitária. Consiste na solidão da criação de seus próprios valores (Zaratustra de Nietzsche). Essa apologia à solidão não consiste em isolamento.
Em Deleuze, há a importância do tema RESISTÊNCIA que tem dimensão ontológica. A resistência é primeira em relação ao poder. A literatura e a filosofia têm em comum o fato de resistir. A filosofia tem o papel de resistir a morte para gerar a vida.
Existem dois tipos de linguagem: A linguagem normal e a linguagem ANÔMALAGA (linguagem da anomalia). Deleuze está apoiando a linguagem da anomalia. Linguagem anômalaga é uma forma insólita e extravagante capaz de criar uma língua estrangeira numa nova língua.
Ter poder é perder a potência. Deleuze contrapõe em Bacon poder e potência. O que interessa à Deleuze é a resistência. Resistir é traçar uma linha de fuga, em devir, um tornar-se outro. Uma linha de fuga que põe em questão os mecanismos da língua. Uma linguagem inumana que devasta o sistema de convenções lógicas.

0 Comments:

Post a Comment




 

Copyright 2007 | Blogger Templates por GeckoandFly modified and converted to Blogger Beta by André Monteiro.
No part of the content or the blog may be reproduced without prior written permission.