A interpretação Deleuziana sobre Nietzsche (eterno retorno)

A INTERPRETAÇÃO DELEUZIANA DE NIETZSCHE.
Anotações das aulas do seminário de filosofia contemporânea ministrada pelo Dr e Prof Roberto Machado em setembro de 2008 no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais-UFRJ).

O eterno retorno e a vontade de potência é a condição da crítica feita por Deleuze. A crítica deleuziana da interpretação se baseia em eterno retorno e vontade de potência. Deleuze valoriza o eterno retorno e vontade de potência.
Nietzsche quase não fala de eterno retorno em suas obras, no entanto, existem algumas referências. Eis algumas delas:
No aforismo 348 (o peso mais pesado) de A GAIA CIÊNCIA e no aforismo 56 de PARA ALÉM DO BEM E DO MAL. Existem dois textos (da visão do enigma; do convalescentes), ambos da terceira parte do livro ASSIM FALOU ZARATUSTRA.
Em a visão do enigma contém o personagem O ANÃO. Em do convalescente contém OS ANIMAIS DE ZARATUSTRA.
Zaratustra é formado por personagens conceituais segundo Deleuze.
O que dizem o anão e os animais sobre o eterno retorno?
Tudo o que é reto mente.
Toda a verdade é curva (torta) porque o próprio tempo é um círculo (anão).
Curvo é o caminho da eternidade (animais).
Há em Nietzsche uma concepção circular do tempo.
Para Deleuze revir e devir não é a mesma coisa.
A torção é constituinte da filosofia de Deleuze.
A história como tempo orientado surgiu no século XVIII.
Há uma mudança na compreensão do eterno retorno.
O eterno retorno não é um devir igual (tornar-se um mesmo).
Existem verdades para todos; existem verdades para alguns; existem verdades para ninguém.
Zaratustra silencia o eterno retorno.
A terceira parte do ASSIM FALOU ZARATUSTRA é a mais importante.
Os três ditirambos dionisíacos são cantos.
A quarta parte do ASSIM FALOU ZARATUSTRA foi escrito depois.
O ASSIM FALOU ZARATUSTRA não dá uma definição conceitual do eterno porque ele diz que é um círculo.
A importância do Zaratustra é dizer o que não é para Nietzsche.
No aforismo 342 de A GAIA CIÊNCIA começa a tragédia. É o início do Zaratustra.
Em Platão há a dicotomia essência-aparência.
Deleuze fala da boa cópia e má cópia (cópia simulacro). Platão quer expulsar o simulacro e manter a boa cópia (manter a identidade).
Onde está a novidade de Nietzsche com relação ao eterno retorno?
No capítulo DA VISÃO DO ENIGMA (de ASSIM FALOU ZARATUSTRA) há o primeiro passo no conceito da formação do eterno retorno. A coragem é um tema importante no eterno retorno. O mais importante é ter a coragem de afirmar o eterno retorno.
O portal é o instante (é o momento).
Há dois caminhos infinitos (duas eternidades).
Longo é o caminho que vai para trás (passado). O passado é eterno, isto é, não teve começo.
Longo é o caminho que vai para a frente (futuro). O futuro é eterno, isto é, não terá fim.
Para Platão, o tempo é a imitação móvel da eternidade. O tempo é uma cópia da eternidade. O cristianismo copiou essa idéia de Platão ao defender o princípio de todas as coisas e o final dos tempos vindo depois a eternidade (idéia de tempo subordinado a eternidade).
Nietzsche não concorda com essa idéia, pois para ele o tempo é eterno. Nietzsche quer derrubar essa dicotomia entre tempo e eternidade. Nietzsche critica a PAROUSIA (idéia do platonismo e cristianismo).

No aforismo O PESO MAIS PESADO, Nietzsche aborda sobre a visão do espírito de gravidade. Ele fala do levantar o pesado como se fosse leve.
Para Deleuze, o revir é o retorno. O devir é o fundamento do eterno retorno. O eterno retorno é o revir do devir.
ASSIM FALOU ZARATUSTRA é um livro não argumentativo, pois quer ser uma crítica à argumentação, à racionalidade (platonismo e socratismo).
Nietzsche faz apologia à arte trágica que não tem argumentação. Ele critica a argumentação em nome da visão poética do mundo.
Nietzsche valoriza o pensar sem criar oposição.
No aforismo 2 de PARA ALÉM DO BEM E DO MAL ele escreve que se reconhece um metafísico pelo fato de ele criar oposição de valores.
IDENTIDADE E DIFERENÇA é o par conceitual de Deleuze.
O ser de diz do devir.
O um se diz do uno com a multiplicidade.
O revir é o ser daquilo que devém que torna, que é temporal.
O trágico para Hölderin implica no afastamento de Deus do homem e vice-versa culminando numa afirmação da fé humana. Deus se afasta do homem, o homem se afasta de Deus e afirma a sua fé.
A identidade é o revir. Nietzsche fala do eterno retorno cosmológico.
Há um aspecto ético-político em GENEALOGIA DA MORAL.
Para Deleuze, Nietzsche é filósofo da cultura, da história.
O devir não é uma noção unívoca. Existem dois tipos de devir: devir ativo e o devir reativo. O devir do homem é um devir reativo.



Deleuze fala sobre concepção manifesta e concepção latente.
Eterno retorno é eterno retorno do mesmo, do igual, do idêntico.
Deleuze reivindica a concepção latente (revir-retorno-identidade)
Retorno é o que retorna.
O que revêm no eterno retorno é o devir, o múltiplo, o diferente.
Se afirma o ser do devir (afirma o devir do diferente). Afirmação da identidade do diferente.
O ser é a identidade. O devir é a diferença.
As coisas estão se tornando. O ser se afirma do devir.
Deleuze fala sobre o aspecto físico ou cosmológico. Não existe eternidade antes ou depois do tempo. O que existe é o tempo, o devir. Afirmar o eterno retorno é afirmar o ser do devir.
Deleuze aborda o aspecto ético e ontológico. Compreende a doutrina ética.
Deleuze escreveu um livro sobre Espinosa denominado ESPINOZA: FILOSOFIA PRÁTICA.
Devir = tempo, passagem, vir a ser.
Existem dois tipos de devir. Existe um devir ativo e um devir reativo.
O devir não é unívoco.
A genealogia de Nietzsche procura mostrar que o devir é reativo. Niilismo (valor de nada) é o devir reativo. Segundo Nietzsche, o homem moderno é o mais fraco, o mais doente.
O eterno retorno está ligado à vontade de potência. Nesse âmbito, existe a distinção entre vontade e força.
Para Deleuze, interpretar é criar um duplo, criar uma diferença.
Deleuze utiliza Nietzsche como um pensamento conceitual, usando a técnica de recorte e colagem. Deleuze gostava de fazer teatro filosófico.
Interpretar para Deleuze é privilegiar. Ele era um filósofo da diferença, da criação, do novo.
Para Deleuze, o conceito de força em Nietzsche se dá pela relação com outras forças. Não existem forças isoladas. Existem forças vinculadas a outras forças. É nas relações que as forças adquirem uma qualidade, uma essência.
Corpo é um composto de pluralidades de forças irredutíveis em luta. Nessa luta, algumas forças são dominantes e outras dominadas. As forças ativas são as dominantes; As forças reativas são as dominadas. Ativo e reativo são qualidades das forças. A qualidade das forças é produto da quantidade entre as forças.
A qualidade nada mais é do que a qualidade da quantidade.
A vontade de potência está intrinsecamente ligado à força.
Deleuze fala sobre a diferença entre o empírico e o transcendental (ideal kantiano de Deleuze).
Transcendental é condição genética do empírico. Deleuze é um filósofo da gênese (teoria da gênese deleuziana). Deleuze é um filósofo da genética e isso fica explícito no seu livro mais importante DIFERENÇA E REPETIÇÃO no qual ele explica a produção da diferença.
Genealógico para Nietzsche é diferenciar o genético.
A distinção entre vontade e força é de nível.
Deleuze sugere que o empírico é qualitativo.
Deleuze é um filósofo da intensidade. Deleuze critica Bergson por não ter descoberto o mundo da intensidade.
Interpretar é escolher, é valorizar alguma coisa (Deleuze).
Ativo e reativo são qualidades das forças (afirmação e negação).
Deleuze faz percepções interessadas para criar o método dele.
Devir é ativo e reativo.
A afirmação diz respeito à vontade (devir reativo).
A ação diz respeito à força.
Devir reativo = vontade de potência negativo.
Eterno retorno é devir = diferença = vontade de potência.
Eterno retorno = ser do devir.
Devir ativo = eterno retorno (revir do devir).
Heidegger disse que o Nietzsche verdadeiro é o dos fragmentos póstumos. Roberto Machado tem posição diferente e valoriza os escritos publicados, pois alega que fragmentos póstumos são tentativas de formulação de pensamento inacabadas tendo ,portanto, valor menor em relação aos escritos tidos como concluídos.
A moral dos escravos trabalha com oposição à ética dos senhores (implica em diferença, pois se define a partir do outro). A dialética hegeliana é dos escravos pois envolve a experiência do trabalho e do medo que provoca a superação (Aufhebung). Para Hegel, o homem é o desejo de ser desejado.
Deleuze gosta de Marx. Ele é esquerdista, por isso fez uma interpretação política de Nietzsche. Deleuze não mostra tudo, esconde algumas coisas (é político).
Filosofia é saber dizer bem o que se quer dizer.
Será que o ativo e o reativo sempre retornam? Precisa ser completada por uma definição de caráter ético e ontológico.
Há uma seletividade no eterno retorno; o eterno retorno é seletivo; há uma seleção do que retorna.
Platão também queria selecionar pela idéia, pelo modelo, pela identidade.
Só retorna o diferente.
O eterno retorno é duplamente seletivo.
Deleuze faz uma torção socialista do eterno retorno (não revelando tudo).
O eterno retorno estabelece uma regra prática que permite eliminar da vontade um certo número de forças reativas.
Através de forças reativas, existe sempre uma vontade que qualifica a força.
O que fundamenta a força é a vontade.
Deleuze pede para eliminar as forças reativas menos desenvolvidas.
O livro A VONTADE DE POTÊNCIA é um livro criado artificialmente pela irmã de Nietzsche com a ajuda do músico e Peter Gast (só ele entendia a letra dos manuscritos de Nietzsche).
Algumas frases de Nietzsche:
“Se você assimilar o pensamento ele os transformará”.
“Se em tudo o que você quiser fazer você se perguntar: quero fazer inúmeras vezes?”
“Minha doutrina é: viva de tal modo que você deseje reviver todos os momentos e então reviverás”.

No disco TREM DAS CORES de Caetano Veloso, existe uma canção inspirada em Nietzsche segundo Roberto Machado. Abaixo o texto.
Sete Mil Vezes
Caetano Veloso
Sete mil vezes eu tornaria a viver assim
Sempre contigo transando sob as estrelas
Sempre cantando a música doce
Que o amor pedir pra eu cantar

Noite feliz, todas as coisas são belas
Sete mil vezes, e em cada uma outra vez querer
Sete mil outras em progressão infinita
Quando uma hora é grande e bonita
Assim quer se multiplicar
Quer habitar todos os cantos do ser
Quarto crescente pra sempre um constante quando
Eternamente o presente você me dando

Sete mil vidas, sete milhões e ainda um pouco mais
É o que eu desejo e o que deseja esta noite
Noite de calma e vento, momento
De preces e de carnavais
Para Espinosa, a alegria é um sintoma do aumento de intensidade. Não existe uma regra universal para definir essa intensidade. Cada um deve descobrir isso.
Para Deleuze, o pensamento que opera a seleção é uma paródia kantiana. O que devo fazer? Moral kantiana.
Moral é o imperativo categórico. Deslocar uma perspectiva de Deus para o homem. Não fundar a moral numa metafísica (humano, demasiado humano).
Não matarás é um valor apolítico.“Age de tal modo que a máxima de sua ação seja transformada em universal” (Kant).
Devo mentir? Se for nietzschiano sim, entretanto, se for kantiano não, porque não se pode fundar atitudes em valores universais (mentira se constitui num repúdio universal).
“O que vocês quiserem, queiram de tal modo que vocês queiram o eterno retorno” (Paródia de Nietzsche sobre Kant).
Se o pensamento do eterno é seletivo é porque elimina a vontade tal que não se adequada ao eterno retorno. O que não se adequa? As semi-verdades, as meia-verdades.
Seleção vai ao máximo que ela pode. Vontade afirma o eterno querer à enésima potência. Querer o máximo de sua potência.
Seja o que for que você queira, eleve o querer ao máximo de sua potência.
As formas superiores vai até onde pode. As formas inferiores são os semi-quereres.
A função do eterno retorno é separar as forças superiores das médias; criar formas superiores; fazer da vontade, vontade criadora.
Para Nietzsche o nada de vontade é o niilismo passivo. Nada de vontade é uma vida sem projeto.
O eterno retorno é seletivo. Deleuze distingue dois tipos de eterno retorno:- o eterno retorno como pensamento;- o eterno retorno como ser.
Deleuze falar em transformar tudo o que se quer em eterno retorno.
Tudo o que você quiser, queira intensamente, afirmando a enésima potência do pensamento, isto é, ir ao máximo que se pode.
O eterno retorno elimina tudo que não se adequa, isto é, os semi-quereres, as meia-vontades.
Seja o que seja, o que se quer, leve tudo à enésima potência.
Seja o que você vai quer, queira com toda a intensidade (Isto é eterno retorno).
“Não me pergunte quem eu sou, nem me peça para eu permanecer o mesmo, essa é uma moral de estado civil, que eles nos deixe livre para pensar e criar” (Foucault).
Para destruir as forças negativas, niilismo, vontade de nada.
Destruir todas as forças reativas; destruir as alianças com as forças reativas.
Há uma aliança da força com a vontade, determinando que a força seja assim.
Deleuze vai usar transvaloração para fazer a vontade negativa negar as forças reativas. Vai destruir as alianças. Fazer da negação a negação das forças negativas.
Desejo do homem de se auto destruir (Nietzsche usa o conceito de auto-destruição).
Negação das forças negativas por uma ação ativa (negação ativa).
Negação nega a reação.
Exprime um devir ativo das forças. Vontade é um fundamento das forças.
Transvaloração de todos os valores significa que todos os valores deveriam ser reavaliados pois todos são niilistas.
Heidegger valoriza muito a idéia de niilismo.
Deleuze é um pensador sistemático, já Nietzsche não é.
Deleuze distingue niilismo negativo, reativo, passivo, ativo.

O niilismo negativo nega o mundo por valores transcendentais. O mundo debaixo é imperfeito e o de cima é eterno e perfeito.

O niilismo reativo é o niilismo da morte de Deus. Morte de Deus (Deus morreu) não implica numa criação ou afirmação por parte de Nietzsche, mas se implica numa constatação de que os valores transcendentais foram substituídos pelos valores humanos na modernidade. Morte de Deus é um processo que está se acentuando desde a Revolução Francesa. Há uma negação do niilismo negativo em nome de valores humanos sedimentados sobre IGUALDADE-LIBERDADE-FRATERNIDADE.
Quem matou Deus foi o mais feio de todos (Zaratustra de Nietzsche)
Os deuses morreram de rir ao ver um deles dizer que era o único (Zaratustra de Nietzsche).

O niilismo passivo é o niilismo dos últimos homens. O homem passa de uma vontade de nada para um nada de uma vontade.

O niilismo ativo é o niilismo completo, destruição completa.
É alguém que quer perecer, quer ser ultrapassado.
As forças reativas quebrando sua aliança com a vontade de nada, a vontade por sua vez quebra a aliança.
Destruir o niilismo dentro de si; destruir o homem que é o advento do super homem.
Nietzsche é o filósofo da morte do homem, não da morte de Deus.
Na Idade Média, toda a esperança estava depositada em Deus, no além. Com advento da modernidade, o foco deixou de ser Deus e migrou-se para o ser humano. Acreditava-se no progresso do homem. Nietzsche fala que a idéia de progresso humano também é conversa fiada pois estamos fadados a desgraça.
Essa idéia da morte do homem é muito valorizada na França através dos pensadores Klossovisk, Deleuze, Foucault, que tratam Nietzsche como sendo um filósofo antropocêntrico-antropomórfico.
Nietzsche é um filósofo da pós-modernidade embora Foucault não goste da palavra PÓS-MODERNIDADE.
Deleuze pensa em relacionar a vontade de nada ao eterno retorno. Isto é, Elevar a vontade negativa à enésima potência do eterno retorno.
A vontade produz o devir ativo. A vontade é o devir e o eterno retorno é o revir.
Negar a reação é se afirmar como força.
Eterno retorno como ser seletivo; eterno retorno como afirmação. No eterno retorno só a afirmação revêm. Só revêm o que pode ser afirmado. O eterno retorno é o ser do devir. Afirmar o eterno retorno do tempo é afirmar o devir do tempo.
Heidegger foi marcado por Nietzsche em sua obra SER E TEMPO (Sein und Zeit).
O eterno retorno é o ser do devir.
Deleuze fala de ontologia seletiva.
Ser do devir e ser do devir ativo.
Heidegger valorizou o pensamento de Hölderin. Heidegger abandonou Nietzsche posteriormente porque achou que ele induziu-o a se tornar nazista.
Heidegger afirmou que Nietzsche foi muito metafísico. Ele dá uma interpretação metafísica de Nietzsche. Segundo Deleuze, Nietzsche se insurgiu contra a metafísica a partir de uma ontologia da univocidade.
Diferença é a vontade; repetição é o eterno retorno. O eterno retorno é a afirmação da afirmação. É afirmado a diferença. A afirmação reduplicada eleva a vontade de potência afirmativa à mais alta potência.
Segundo Nietzsche, toda oposição de valores é metafísica. Só existe o mundo do devir. O ser é a afirmação do devir. Afirmar um devir, isto é o ser.
O múltiplo é um; o acaso é uma necessidade; a diferença é a identidade. Deleuze quer libertar a diferença, eterno retorno, afirmação da identidade.
Viver é criar (Deleuze). Deleuze é um filósofo da criação. O legal do pensamento é criar. Criar novas possibilidades de vida. Deleuze valoriza o pensamento da singularidade.
Como pensar sem deixar de fazer oposições? (Questão principal de Nietzsche).
Para Nietzsche, se descobre um metafísico se ele faz oposição de valores (Livro para além do bem e do mal).
Deleuze pensa a eternidade como intensidade (eternidade do tempo).
O que existe é o devir (Nietzsche). Eternidade é afirmar o devir do tempo. Dar valor ao tempo é dar intensidade ao tempo.
Espinosa distinguiu imortalidade da eternidade. A eternidade pode existir no próprio tempo. Temos aspectos de qualidade, quantidade e intensidade. Fala da teoria das paixões e ações.
Para Espinosa a ação é sempre alegre, porém a paixão pode ser alegre ou triste.
Para ele, beatitude é o estágio mais elevado ligado ao conhecimento das partes que nos constitui, incluindo a relação dessas partes. Isso desemboca no conhecimento das essências singulares. É o momento em que somos capazes de conhecer como Deus conhece. Para Espinosa, quem atinge esses conhecimentos, ao morrer, perde essas partes mas conserva a intensidade que está ligada ao próprio tempo.
A vontade de potência é a intensidade. Afirmar a diferença com intensidade.
Para Deleuze, diferença e repetição são outros nomes para vontade de potência e eterno retorno de Nietzsche.
Deleuze parte de Nietzsche e tenta encontrar aliados. Deleuze é contra a idéia de modelo (teoria da mimesis-imitação). Ele abomina a metáfora.
Ele valoriza o pensar fazendo uma síntese disjuntiva (acordo discordante do sublime kantiano).
Vontade de potência volta como sensibilidade. Eterno retorno retorna como pensamento. Vontade potência é pensado como sensibilidade e eterno retorno é pensado como pensamento.
No livro A GAIA CIÊNCIA Nietzsche fala sobre o sentimento de potência. Para Nietzsche a vida é vontade de potência. “Encontrei a vida e ela me disse: sou a vontade de potência” (Assim falou Zaratustra).
Para Nietzsche o fundamental é a vida. Ele é um filósofo da vida. Filosofia é pensamento da vida (Zaratustra).
Estar é estar na intensidade da eternidade.
Na obra DIFERENÇA E REPETIÇÃO de Deleuze está escrito:
Sentida contra as leis da natureza a diferença na vontade de potência é o objeto mais alto da sensibilidade. Pensada contra as leis do pensamento a repetição do eterno retorno é o mais alto. Através da cadeia interrompida ou do anel tortuoso, somos conduzidos violentamente ao limite do pensamento ao que só pode ser sentido e o que pode ser pensado. Se não formos ao limite, ficaremos no nível da representação.
Deleuze é o filósofo do limite.
Deleuze organiza sua filosofia kantianamente mas explica nitzschianamente.
Eterno retorno é a enésima potência que se diz da primeira.
A gente só pensa forçado (Deleuze). Não se pensa sozinho. Só se pensa à partir de um sinal. Só se pensa à partir de um signo (Livro PROUST E OS SIGNOS de Deleuze). Só se pensa à partir de fora. Pensamento é resultado de encontros.
Na harmonia não se pensa. Só se pensa violentado. “Ninguém pensa melhor do que um ciumento” (Marcel Proust).
Só se pensa quando se depara com uma intensidade. Todo o pensamento é resultado de uma intensidade.

0 Comments:

Post a Comment




 

Copyright 2007 | Blogger Templates por GeckoandFly modified and converted to Blogger Beta by André Monteiro.
No part of the content or the blog may be reproduced without prior written permission.