Deleuze e a geografia do pensamento

Deleuze e a geografia do pensamento.

Deleuze fala da geografia do pensamento. Ele diz geografia para não chamar de história. A organização dos fatos geograficamente é mais importante que a história (tempo histórico) do pensar. Isso é diferente de Foucault que fez uma história do pensar.
Deleuze constrói o espaço ideal, isto é, o espaço do pensamento criado através de filósofos diferentes onde ele agrupa conceitos de filósofos diferentes que torne possível um novo pensamento. Nietzsche, Espinosa e Bérgson são filósofos importantes para Deleuze.
Deleuze fala sobre a imagem do pensamento. À imagem do pensamento é preciso contrapor um pensamento sem imagem.
O espaço da imagem sem pensamento é o espaço da representação.
Nietzsche diz: você não descobriu, você inventou.
No metafísico há espaço da imagem do pensamento.
Deleuze fala do espaço pluralista, ontológico, trágico (em relação ao eterno retorno), imanente e ético em contraposição ao espaço da imagem do pensamento (racional, metafísico, transcendente).
Para Deleuze o espaço metafísico é o espaço da representação.
Deleuze é inimigo da analogia. Para ele, os clássicos gregos vinculavam o pensamento ao julgamento (pensar é julgar). Se aproxima de Artaud (“para acabar com o julgamento de Deus”).
A idéia de que a moral é a idéia de julgar a vida. É julgar a vida a partir de valores transcendentes à própria vida. Alguns exemplos: Aristóteles e o conceito de bem; Kant e o conceito de devir vindo com a moral do bem.
Ética compreende modos de vida, modos de existência que são imanentes. Certas ações, condutas estão fundadas na própria maneira em que se vive. Não se leva em consideração o bem e sim a força ou a identidade.
A moral é o sistema do julgamento. A ética é o sistema da intensidade. O único critério é a intensificação da vida, o que enriquece a vida, o que empobrece a vida.
Desde Schiller, pensa-se a tragédia como algo trágico na vida.
“O manifesto de Beine” constitui-se no processo de subtração (substituição). Ovídio de Abreu fez doutorado sobre Carmelo Beine (teatro do menos).
Vontade de potência e eterno retorno só aparecem em Zaratustra.
“Eu faço colagens como os dadaístas fazem colagens” (Deleuze).
A filosofia de Deleuze é um teatro filosófico.
Para Borges, o eterno retorno é a linha reta. Para Hietch é em círculo.
Deleuze fala em diferença e pensamento.
No discurso indireto livre, Deleuze fala em seu nome, mas utilizando-se do pensamento do outro.
Toda idéia da literatura com Deleuze é um pensamento de colagem, mas não se insurgindo contra o sistema, mas desmanchando os conceitos e seus sistemas de origem.
Deleuze muda mais de fala do que de conceitos.
Deleuze desembaraça o sistema de origem para criar um novo sistema, ainda que seja um sistema aberto, um quebra-cabeça incompleto. O que vale é o ajuste do desajuste.
Toda a interpretação de Deleuze é sistemática.
Para Deleuze, as relações são mais importantes do que os termos.
O cinema moderno pensa mais porque pensa diferente. Godard fez o cinema pensar. Antonioni libertou o tempo do movimento (ver filme “O ECLIPSE”).
No filme A CHINESA de Godard há a presença de tempo e contratempo.
Não existe fatos, só existem interpretações.

Deleuze trabalha com a geografia do pensamento. Deleuze é mais geográfico do que histórico.
Geografia do pensamento está ligado à idéia de espaço, isto é, o momento em que o pensamento foi realizado.
Há a existência de dois espaços antagônicos.
Consultar os seguintes livros de Deleuze: PROUST E OS SIGNOS; DIFERENÇA E REPETIÇÃO; O QUE É FILOSOFIA?
Deleuze propõe uma teoria da filosofia entre a arte e pensamento, procedimento válido para todo o filósofo.
Espaço da diferença, espaço da representação.
Afirma a identidade em detrimento da diferença.
Representação é o pensamento da identidade.
O espaço é moral, analógico, transcendente e metafísico.
Pensamento sem imagem (sem representação). É ético, ontológico, unívoco, imanente.
O que é filosofia?
Só se pode falar de filosofia quando se fala na imanência.
O que possibilita a Deleuze estabelecer essas duas representações do pensamento e considerar uma delas como alternativa?
Qual é o critério que lhe permite isolar duas vertentes do pensamento?
O que permite isso à Deleuze é Nietzsche. Privilegia o Nietzsche como seu intercessor.
Para Deleuze, Espinosa é o Cristo da filosofia.
Consultar o aforismo de Nietzsche “como o mundo verdadeiro converteu-se numa fábula. História de um erro.” (Livro CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS de Nietzsche).
Esse trecho do livro apresenta momentos da história da filosofia relatando as principais etapas.
Como escapar de Platão? Platão é a muleta dos filósofos; é o tormento da filosofia.
Segundo Heidegger, Nietzsche é o último momento da metafísica.
Consultar o texto de Heidegger QUEM É O ZARATUSTRA DE NIETZSCHE.
Heidegger e Deleuze dizem que Nietzsche é o fim da metafísica.
Para Deleuze, Nietzsche impossibilitou a metafísica e saiu dela.
Minha filosofia é um platonismo invertido disse Nietzsche.
Para Heidegger, mais fundamental do que a inversão é a relação.
Para Deleuze, Nietzsche perverteu (subverteu) o platonismo.
Nietzsche fala do mundo verdadeiro, inacessível, indemonstrável. Não podemos conhecer as idéias. Só conhecemos aquilo que é espaço-temporal.
Segundo Kant, podemos pensar em Deus mas não podemos conhecer Deus.
Ex: Podemos pensar num dragão ou numa esfinge, porém, não poderemos conhecê-los, pois nunca vimos.
Como o homem conhece? Pela Intuição sensível (Kant).
O conhecimento da arte é o mais importante (Schelling).
Schopenhauer pregava a superioridade do conhecimento artístico em detrimento dos outros conhecimentos.
Na terceira crítica do juízo, Kant escreveu que a arte não produz conhecimento.
Há três tipos de juízo de sublime: juízos do conhecimento, juízo moral e juízo estético.
Nietzsche fala do mundo verdadeiro, inalcansável, desconhecido. Aborda o positivismo. Kleist, pensador alemão que escreveu PENTESILÉIA que é uma peça extraordinária. O TEATRO DAS MARIONETES que contém dança (crítica da teoria de Schiller).
Sobre a MORTE DE DEUS (final do século XVIII) Nietzsche diagnosticou que os modernos mataram Deus. Afastamento da verdade ideal; manhã cinzenta; primeiro bocejo da razão; canto do galo do positivismo (Nietzsche).
Há em Nietzsche duas posturas em relação à verdade. O primeiro princípio é o da inversão (modelo e cópia/ Idéia e sensível).
No filósofo animal, mostra que o homem é um animal. Definição de animal racional. É uma tentativa de reabilitar essas pulsões animais do homem.
Em GENEALOGIA DA MORAL de Nietzsche enfatiza que o intelecto precisa se aperfeiçoar, mas e mais. Isso implica na valorização desse mundo contra o outro mundo.
Na introdução do livro de Nietzsche PARA ALÉM DO BEM E DO MAL reconhece o metafísico se ele opõe ou não valores. O metafísico é aquele que opõe bem e mal, ser e devir.
No livro A LÓGICA DOS SENTIDOS, Deleuze faz menção à fala da dupla orientação do pensamento para cima e para baixo.
Na alegoria da caverna mostra que o filósofo é aquele que sai da caverna. Ele se purifica porque se eleva em direção à verdade.
Nietzsche vai significar para Deleuze a profundidade. Significa se insurgir contra a possibilidade de um fundamento.
Deleuze é um filósofo do meio, do entre, contra a idéia de fundamento.
O pensamento a-fundamento, pensamento abissal (é aquele que não tem mais fundamento).
O mais profundo é a pele (Malarmè).
Deleuze fala em profundidade como dobra da superfície.
Consultar NIETZSCHE, FREUD E MARX (livro de Foucault).
O livro de Nietzsche HUMANO, DEMASIADO HUMANO registra o corte de Nietzsche com Wagner.
Deleuze é um filósofo das alianças. Ele trabalha com alianças em graus diferentes.
Kant ocupa uma posição singular no pensamento de Deleuze.
Deleuze privilegia em Kant a teoria do sublime. Vai propor o acordo discordante. Não há senso comum no sublime, mas há no belo.
Não há bate bola com o sublime = imaginação (faculdade sensível).
O belo é um bate bola entre imaginação e o entendimento.
O prazer do sublime vem de um desprazer, da humilhação entre a imaginação e a razão.
Para Kant, conhecer é subordinar o entendimento à unidade.
Para Deleuze, pensar é afirmar a diferença.
Filosofia para Deleuze é criar conceitos, enaltecer a criação do novo. Deleuze faz teatro filosófico (cria a diferença em cima da identidade do autor).
O pensamento compreende o espaço da representação e espaço da diferença.
Pré-socráticos para Nietzsche se refere à Platão. Platão que apresenta a filosofia de Sócrates.
Deleuze privilegia as relações em detrimento dos termos.
O que é pensar? É a questão central da filosofia de Deleuze.
Como é que Bacon pensa?
Como é que Bacon pensa escapando da representação?
Deleuze é adepto do pensamento da deformidade, da deformação da forma.
Por trás da forma está a força. A força é a condição da forma. As relações de forças são capazes de desfigurar a forma.
Bacon pinta figuras desfiguradas.
Forças externas à própria figura desfiguram-a.
Deleuze luta contra a representação.
Para Deleuze, o cinema é uma forma de pensamento.
O pensamento vem de fora. Relaciona o pensamento com algo que vem de fora.
Existem condições genéticas no pensamento, na criação. Deleuze é um filósofo da gênese.
Só se pensa forçado, coagido, quando o pensamento sofre uma determinada violência.
Para conhecer é necessário relacionar o pensamento com algo que vem de fora (sensibilidade) de Kant.
“Só somos capazes de pensar àquilo que se nos apresenta” (tese de Kant).
O dragão é uma lenda. LENDA vem do latim LEGENDA = algo para serem lidas.
“Só se pensa forçado ou coagido” (Deleuze).
“Ninguém pensa tanto quanto um ciumento” (Proust).
Platão, Aristóteles, Descartes e Hegel são grandes representantes da filosofia da representação segundo Deleuze. Deleuze luta contra a representação.
No livro A LÓGICA DOS SENTIDOS, Deleuze fala sobre Platão e o simulacro. Ele apresenta a motivação do platonismo. A motivação do aristotelismo é diferente do platonismo. Platão tinha uma motivação moral. Aristóteles criticou Platão por não ser lógico.
Deleuze investiga o método da divisão (termos relacionados).
Dualidade manifesta e latente. Deleuze se utiliza da linguaguem da psicanálise. O que é essa dualidade manifesta? Original e cópia / Idéia e imagem.
Para Deleuze, estudar um filósofo é estudar seus termos principais.
O platonismo distingue essência de aparência.
No final do LIVRO VI da REPÚBLICA de Platão, cujo título é A PASSAGEM DA LINHA, está registrado que para Platão não se conhece o sensível. Só pode haver conhecimento das idéias, das essências, do inteligível.

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