TEOREMA DE CHUTÁGORAS

TEOREMA DE CHUTÁGORAS

A fé é um salto no escuro (Sören Kierkegaar)

Ter fé é estar possuído por aquilo que nos toca (Paul Tillich)

Ter fé é dançar na beira do abismo (Friedrich Nietzsche)

Ter fé é acreditar naquilo que os outros não acreditam (Rubem Alves)

A vida é feita de chutes e Deus ama quem chuta com alegria (Joeblack)

Todos os dias eu vivo várias vidas, desempenho várias funções dependendo do contexto, faz parte do meu show. Como é de costume, vou aos domingos pela manhã na igreja para rezar a cartilha profissionalmente e espiritualmente falando. A igreja que eu freqüento é bem bacana, pequena em numero, mas grande em coração e afetividade. Tem um pastor (Reverendo Longuini) que é igualzinho eu, doidão o cara, engraçado e inteligente pra cassete, e os presbíteros são um bando de figuraças. Ontem o pastor tirou onda legal....pediu para um presbítero ancião (Levi poliglota de 80 anos) para orar (rezar) por um pastor roqueiro (caçador de vampiros) que foi pregar lá. Eu e uma galerinha morremos de rir (kkkk)....e aquele presbítero orou e depois se amarrou no clima DARK ROCK MUSIC....MÚSICAS DE SALVAÇÃO, VAMPIRISMO SONORO, VAMPIRISMO MODAL-TONAL-ESPIRITUAL, etc.

Sempre quando acaba a pregação, sempre rola um bate papo informal onde as pessoas podem se expressar, abrir o verbo ou não, enfim, compartilhar o que sentem, alegrias e tristezas. Num desses bate papos, grande Bernardino é um dos presbíteros, falou sobre a importância de dominar a técnica dos chutes numa prova de concurso (se referindo ao concurso para o BNDS). Daí na mesma hora, um outro presbítero (Paulo Machado), que é um cara super criativo na arte dos trocadilhos verbalizou: “Nós precisamos dominar o TEOREMA DE CHUTÁGORAS”. Saí daquela reunião disposto a escrever um artigo com esse tema, pois vivo respirando musica, literatura, poesia, filosofia, teologia, línguas (inclusive beijo de língua profunda) enfim, tudo que me enche de prazer, e escrever me dá muuuuuuuuuuito prazer.

Vivemos várias vidas em uma só vida. Vivemos a nossa vida ao mesmo tempo que vivemos a vida herdada de nosso pai e nossa mãe, a vida de nossos filhos e dos que nos estão próximos, a vida da sociedade, a vida da espécie humana, a vida da vida...

Daí provêm os nossos múltiplos ethos, a pluralidade, a concorrência, o antagonismo entre as várias vidas em vários momentos no tempo. Vivemos tanto no presente do prazer, do gozo, do sofrimento quanto na continuidade a meio termo de nossos trabalhos e projetos, no devir ao mesmo tempo curto, médio, longo, indefinido, da nossa sociedade, da humanidade, da vida.

Portanto, a política de nossa vida e a nossa vida pública devem ser concebidas, ao mesmo tempo, no instante, no meio-termo, no devir, o que comporta incerteza e contradição, mas que é, biologicamente falando, a única maneira de viver: se a célula original só tivesse pensado em gozar, ela teria deixado de constituir reservas e de reproduzir-se; se ela só tivesse pensado em se reproduzir, teria negligenciado o viver, condenando, de golpe, sua própria reprodução. Assim, devemos viver para viver a nossa vida enquanto vivemos para as outras vidas, reais e potenciais, que fazem parte de nossas vidas e das quais fazemos parte. Devemos viver privada e publicamente, individual e socialmente, no instante, no presente, no imediato, no futuro, no devir...

A política não é só presente, não é só futuro. Vivemos numa história em que a relação passado/presente/futuro é extraordinariamente interdependente e complexa. Mas a história, como o amor, infelizmente muito mais raramente, conhece momentos de êxtase que, infelizmente de novo, se dissipam rapidamente, mas deixam, aos que os viveram, o gosto político de viver e tornam a injetar-nos, por bastante tempo a esperança.

No âmbito da política, é necessário que reconhecermos que precisamos de um pensamento que reconheça a importância capital do problema do erro, da fragilidade da verdade, do mistério do mito, a multidimensionalidade do real, a extrema complexidade das coisas humanas, a aventura do devir. Essa política comporta o risco de maneira consubstancial. O jogo da verdade comporta riscos, o jogo da democracia comporta riscos, o jogo da revolução comporta riscos, e jogar todos esses jogos ao mesmo tempo comporta multi-riscos. Nunca eliminaremos a incerteza, o erro, nunca aboliremos as forças de degradação e desintegração.

Que fazer? Para onde ir? Diz a canção da comunidade MINISTÉRIO APASCENTAR. Sabemos que a incerteza, o medo do risco, o aparecimento das contradições nos paralisam e nos deixam impotentes. Mas sabemos também que uma ação é inconcebível sem risco. A incerteza, a contradição nos incitam a apostar. Apostar é agir; agir é apostar. Sem mim (sem o risco) nada podeis fazer disse Jesus (aquele que se arriscou em nome dos desfavorecidos, em nome da vida para que tenhamos vida em ABUNDÂAAAAAAAAAAAAAAAAAAAACIA).

A aposta está em toda ação. A aposta está em toda idéia. A fé religiosa tornou-se moderna quando Pascal fundamentou-a na aposta. A fé revolucionária se tornará moderna quando se basear na aposta e não mais nas “leis da história”. Luckács, em sua juventude, introduzira a aposta no marxismo, mas censurado, assustado, deu marcha à ré e cantou a certeza. A aposta está em toda a vida, que é jogo, e a aposta política liga indissoluvelmente o jogo de nossas vidas pessoais, o jogo da vida social, o jogo da verdade e do erro.

Vamos apostar, portanto, já que não apostar é a má aposta, o mau partido. Mas vejamos o que está em jogo, vejamos o que é o jogo, vejamos a quantas anda o jogo do mundo.

Valeu
abraços
Joeblack

2 Comments:

  1. Val, Basty, Lerinha, Lela, invente um! said...
    Adorei seus chutes!!! Algum deu em gol? hehehehehe...

    Beijos!!!
    Joevan (joe) said...
    sou artilheiro..hehe
    bategol
    abçs
    Joe

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