Malandragem na dependência

Malandragem na dependência

Para haver possibilidade de liberdade é preciso haver possibilidade de decisão e de escolha. É preciso, pois, que haja um ser auto-eco-organizador capaz de computar e cogitar as situações que enfrenta, capaz de estabelecer roteiros ou projetos de comportamento, capaz de decidir entre esses roteiros e comandar a ação escolhida.

A liberdade é uma emergência: emerge de condições internas e externas dadas, a partir de uma auto-eco-organização. A liberdade, nesse sentido, depende de suas condições de emergência. Depende totalmente da auto-organização, a qual, por sua vez, depende das condições ecológicas externas ( mesmo que seja só para alimentar-se, auto-reorganizar-se, autocompor-se). A autonomia do indivíduo adquire-se a partir de inúmeras dependências. É preciso ser criado e amado pelos pais, é preciso aprender a falar, a escrever, é preciso ir para a escola, para a universidade, acumular uma cultura muito diversificada para adquirir possibilidades de autonomia sempre maior. A autonomia tem pois, que ser sempre entendida não em oposição, mas em complementaridade com a idéia de dependência.

Somos mais ou menos livres em função de nossas aptidões internas para organizar nossa liberdade, e também em função das determinações econômicas, sociais, políticas, históricas que nos encerram, nos subjugam ou, ao contrário, abrem para nós possibilidades de autonomia.

Podemos, portanto, conceber a realidade complexa da nossa inserção na biologia, na sociedade, na história: possuímos genes que nos possuem: submetemo-nos à nossa vida como destino enquanto a forjamos como experiência: fazemos a sociedade que nos faz; fazemos a história que nos faz.

Autonomia não é escapar à dependência, mas saber aproveitar-se dela.

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