Ser humano: merda ou mega?

Ser humano: merda ou mega?

“É necessário ter o caos para gerar uma estrela” (Nietzsche).
“Que é o homem dentro da natureza? Nada com respeito ao infinito: Tudo com respeito ao nada. Um intermédio entre o nada e o tudo” (Pascal).
“Só o homem resiste à força da gravidade: ele está sempre querendo cair para cima” (Nietzsche).

Você já experimentou a sensação de acordar se achando um super man ou uma super mulher e quando você foi dormir você se deitou se achando um lixo? Isso acontece, faz parte da vida. Os antagonismos e conflitos existenciais são verdadeiras guerrilhas intra-humanas. Afinal quem somos? Uma merda ou um mega ser humano? Já ouviram falar da chamada “Guerra Espiritual”? Pois é, eu apresento a “Guerra existencial”, onde as forças antagônicas chamam-se tudo ou quase nada. Nós somos um misto de ternura e bravura; de pequeneza e de altivez; de micro e macro; de humildade e de soberba. Afinal, porque o ser humano é tudo e quase nada ao mesmo tempo?
É tudo porque é um todo, uma galáxia de bilhões de inter-retroações atômicas e moleculares, um aglomerado de subsistemas, e cada parcela da sua existência é o fruto de uma formidável mobilização auto-geno-feno-eco-re-organizadora. Não é nada porque não passa de um ponto infinitesimal e fugaz no espaço da biosfera e no tempo da evolução biológica.
É tudo, porque é único e irredutível. Não é nada, porque é uma amostra, um espécime, uma cópia reprodutível aos bilhões até ao infinito.
É tudo, porque é a totalidade concreta da vida, a sua realização ontológica, o desabrochar da sua complexidade. Não é nada, porque não passa de um momento parcelar, um traço efêmero entre o nada e o esvanecimento.
É tudo, porque é o foco necessário a toda ação, interação, produção, reprodução na poliorganização viva viva. Não é nada, porque não passa de um corpúsculo agitado e desordenado, no meio de miríades de outros corpúsculos.
É tudo, porque, na sua emergência, é o portador de todas as qualidades cujo feixe se chama vida. Não é nada, porque é o ponto de queda e de desintegração destas qualidades.
É tudo, porque o devir, a evolução, o desenvolvimento da vida se jogam sempre com a aparição e o contributo de um indivíduo mutante. Não é nada, porque constitui um acontecimento aleatório, fortuito, surgido por acaso e por milagre numa hecatombe de genes, espermatozóides, ovos.
É tudo, porque é aquilo que tem identidade e personalidade. Não é nada, pois é o produto de um processo impessoal e anônimo, anterior e exterior a ele.
É tudo, porque só ele tem a existência. Não é nada, porque comporta a morte no seu nascimento.
É tudo, porque todo o indivíduo-sujeito é para ele centro do mundo e valor absoluto. Não é nada, neste universo no qual é excêntrico, minúsculo, infinitesimal, efêmero.
Este uno-todo, este todo-uno, este tudo-para-si, nasce de nada, torna a ser nada, enquanto a vida continua, precisamente por outros em outros todos nada.
Se tivermos uma visão poliscópica e rotativa, então veremos simultaneamente o todo e o nada. Cada individuo carrega dentro de si um Superman e uma verme imbutidos. As vezes acordamos achando que somos mega individuos e que podemos tudo e que somos tudo, mas as vezes vamos dormir achando que somos uma merda. Somos megas e merdas. Viemos do pó e ao pó voltaremos. Salve os antagonismos existenciais.

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