Sacrifício: de louvor ou de terror?

Sacrifício: de louvor ou de terror?
Por Joeblack (joevex@hotmail.com)

“Como flores formosas, com cor, mas sem aroma, são as doces palavras para o que não vive de acordo com elas” (Buda).
“Somente saltamos de pára-quedas se o avião está em chamas” (Rubem Alves).
“Toda sociedade humana é um bando de pessoas reunidas diante da morte” (Rubem Alves).
“A ingratidão é filha da soberba” (Miguel de Cervantes).
“As pessoas felizes lembram do passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo” (Epicuro).


No texto bíblico de Hebreus 13.15 está escrito:“Por meio de Jesus, ofereçamos sempre a Deus sacrifícios de louvor, isto é, frutos dos que confessam o seu nome”. Inspirado na vida de piedade, no amor que nos trouxe a esperança, ofereçamos, ao Mistério invisível, sacrifícios de amor aqueles que são visíveis. Lembre-se: “O rosto de Deus é se visualizado nas relações comunitárias”. Leonardo Boff diz que “cada um revela a faceta de Deus que o outro não pode revelar”.
A palavra sacrifício no grego é thusia que significa ofertar. A palavra louvor é ainesis que é ações de graça. Enfim, sacrifício de louvor nada mais é do que oferta de gratidão. Agradecemos a Papai do céu por que Ele é do céu e do mar, porque ele é misterioso e bondoso. Sua bondade é visualizada na nossa liberdade de decidir o que é bom e o que é ruim. A bondade desse mistério é vislumbrada nas nossas comunidades, onde a liberdade depende da reciprocidade dos nossos irmãos da terra. Ser livre é ser dependente uns dos outros. Ser livre é ser gratos uns aos outros. Observe que dentro da palavra portuguesa DEUS, têm a palavra EU, portanto, eu estou em Deus e Ele está em mim, por isso, como brasileiro que sou, agradeço pela sua presença constante em nossa terra e nas outras terras também. Embora, haja violência, falta de educação, corrupção, riscos, mesmo assim, devemos ser gratos porque estamos vivos.
Aqueles que confessam o nome de Deus, reconhecem o amor e a gratidão como ingredientes da torta da vida. Na torta da vida, às vezes o sabor é afetado pelas instabilidades, e nosso apetite é torturado por essas inconveniências. Se ligue! Os caminhos da vida são tortuosos. A vida não é apenas feita de bolas redondas, ou de quadrados, ou de linhas retas, mas ela comporta desvios que nos obrigam a criar mecanismos para chegarmos até o caminho do gol. Mas o mais legal é que podemos comemorar cada vitória, e podemos crescer com cada derrota. Podemos chorar e nos alegrar, pois a vida, tem altos e baixos. Quem entende isso, também entende o valor da gratidão independente das circunstâncias.
No versículo seguinte, em Hebreus 13.16 está escrito:“Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois com tais sacrifícios, Deus se agrada”. Esses sacrifícios devem beneficiar o próximo. Muitas pessoas se omitem a fazer isso porque são metidos, só pensam em si mesmos, em acumular riquezas para si. Santo Agostinho disse que “não há riqueza mais perigosa do que uma pobreza presunçosa”. Homero dizia que “a fortuna é como um vestido: muito folgado nos engravida, e muito estreito nos oprime”. Buda dizia que “aquele que age com discernimento e se esforça pacientemente, obtém riquezas. Com a retidão, alcança fama e praticando doações cria laços de amizade”. “O prazer de fazer o bem, é maior que recebê-lo” (Epicuro).
No texto grego de Hebreus 13.16, aparece a palavra Koinonia dando o sentido de mútua cooperação. Quem oferece sacrifícios de louvor, se sacrifica em nome da comunhão; valoriza a associação, o companheirismo, a participação, o altruísmo, enfim, agradece pela generosidade uns dos outros. Sacrificar é levar as cargas uns dos outros para assim cumprir a lei do amor (Gálatas 6.2).
Em Filipenses 4.18 fala de um episódio no qual o Apóstolo São Paulo estava passando algumas crises e da ajuda que ele recebeu dos amigos. Observe o versículo:“Tenho tudo, tenho-o até em abundância; cheio estou, depois que eu recebi de fulano o que de vossa parte foi enviado como cheiro suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (São Paulo escrevendo aos amigos da cidade de Filipos. Enfim, pelo texto acima, deu para perceber que Paulo estava com a bola toda, e só restou agradecer aos amigos pelos donativos. Paulo registrou: Recebi o que de vossa parte foi enviado como cheiro suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. Aceitável (do adjetivo grego dektos = recebido favoravelmente) e agradável (do grego euarestos = aprovado). Esses donativos que os filipenses doaram à Paulo, fora um sacrifício para eles, pois tinham dado do pouco que tinham, porque perceberam que Paulo estava precisando naquele exato momento. Os amigos de Paulo, em meio a pobreza, mas com singeleza, obtiveram a riqueza do reconhecimento do ato de amor comprovado na gratidão de Paulo registrado em carta, que ficou registrado na história da humanidade.
Em I João 3.17 diz assim: “Ora, aquele que possuir recursos e ver seu irmão padecer necessidades e fechar-lhe o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus”? Sacrifício de louvor é sacrifício de amor. O invisível se manifesta no visível. O mistério está presente ministério. Ministrar é servir aos outros. A complexidade só é internalizada pela simplicidade e reciprocidade do amor. Amar é agradar. Quem ama a vida que vê a beleza em tudo, até mesmo nas pequenas coisas e acredita que um simples gesto de amor faz o oprimido-reprimido dançar. Cante: Olha que coisa mais linda mais cheia de graça é aquela atitude tão simples que encarna num doce balanço e a alegria se faz. “A alegria conserva a saúde e a juventude do coração” (Schopenhauer).

Escrevi no início que thusia no grego significa ofertar. Mas observe que a forma verbal da palavra thusia é tho. Tho dá a idéia de assassinar, matar ou apunhalar. Antigamente ao oferecer sacrifícios de animais aos deuses, era preciso matar os animais, era preciso derramar sangue. Hoje não precisa mais disso, basta a violência do nosso dia a dia, que derrama muito sangue inocente.
O Ron Kenoly escreveu que ele todos os dias encomenda um caixão, pois ele se mata diariamente em relação aos desejos do mal. Achei isso interessante, pois devemos fazer o mesmo.
Observe 10 motivos para sermos assassinos dos nossos desejos terroristas (Talibãs do além):
1. Devemos assassinar nossa cobiça. “Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas, mas não há o suficiente para a cobiça humana” (Gandhi). O Rubem Alves disse que o homem tentou assaltar o céu ao tentar construir a torre de Babel.
2. Devemos matar a nossa inveja. A inveja é admiração sem esperança (Kierkegaard). O Invejoso emagrece com a gordura dos outros (Horácio).
3. Devemos apunhalar os nossos discursos prol castidade dos outros. “A pregação da castidade é uma incitação pública à antinatureza. Todo o desprezo da vida sexual, toda a infecção mediante o conceito de impuro, é o genuíno pecado contra o espírito santo da vida” (Nietzsche).
4. É preciso assassinar o desejo louco de ser mais espiritual que os outros. Nietzsche dizia: “Os homens espirituais, por serem os mais fortes, encontram a sua felicidade onde os outros deparariam com a sua ruína”.
É preciso parar de brincar com os pesos que oprimem os outros. Diga não à esse tipo de recreação. “A essência de toda a vida espiritual é a emoção que existe dentro de você; é a sua atitude para com os outros” (Dalai Lama).
5. É preciso assassinar o desejo da vaidade. “Vaidade é a tendência espontânea a apresentar-se como indivíduo sem sê-lo, ou seja, como independente sendo dependente” (Nietzsche).
6. É preciso assassinar o desejo de desprezar os outros. “Nunca desprezes os teus amigos, porque se um dia eles te esquecerem, só teus inimigos se lembrarão de ti” (Mário Quintana).
7. É preciso matar o desejo de usar o dedo de Deus para manipular os outros. Corte esse dedo. Usa-se esse dedo para falar de fé que remove as pessoas. Para esses manipuladores, a fé não remove montanhas, mas põe onde não existiam para dificultar a caminhada dos outros. “Deus é um conceito econômico. À sua sombra fazem a sua burocracia metafísica os líderes das religiões todas” (Fernando Pessoa).
8. É preciso assassinar a ingratidão, pois a ingratidão é filha da soberba. “A soberba não é grandeza, mas sim inchaço; o que está inchado parece grande, mas não está são” (Santo Agostinho);
9. É preciso assassinar nossa inflexibilidade, pois tropeçamos em palavras eternizadas, pois nossas convicções são prisões. Para esses “devotos”, o almoço cotidiano é mais importante do que a última ceia. O sábio pode mudar de opinião, mas o ignorante nunca (Kant).
10. É preciso aprisionar e depois apunhalar os três cachorros perigosos: a ingratidão, a soberba e a inveja porque quando eles mordem deixam uma ferida profunda dizia Lutero.
Freud dizia que o amor está em oposição aos interesses da civilização. Mas é preciso reverter isso. Precisamos tomar parte nas aflições dos outros, mas para isso precisarmos ser proativos. Só falar não adianta, é preciso agir. Agir é se sacrificar pelo bem de todos. Sacrificar é se arriscar. Sem atitudes em meio aos riscos, os canalhas terroristas irão nos riscar do mapa. “Tudo vai melhorar quando a maioria das pessoas de bem forem mais ousadas que os canalhas” (Arnaldo Jabor).

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