Música: criação ou evolução?

Música: Criação ou Evolução?
Por joeblack
“A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos” (C.S. Lewis).
“As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continuam por conta própria o seu caminho” (Mário Quintana).



Podemos dizer que a musica como fonte de prazer é um fator necessário no dia a dia no universo do ensino e aprendizagem bem como entre professor e aluno. Sem esse prazer estético, emocional e musical, não fazemos nada, pois somos movidos pela libido. Como dizem os psiquiatras: “o ser humano foge da dor e se aproxima do prazer”. Queremos sentir prazer quando tocamos as obras de vários compositores, e até mesmo as nossas. Queremos sentir prazer quando ensinamos um aluno a como tocar um instrumento. Sentimos prazer quando ensinamos o aluno a criar, isto é, geramos autonomia nesse individuo. O ser humano aprende primeiro a falar e depois aprende a escrita. A escola inverte, ensina o aluno a ler a partitura e em seguida o aluno fica mudo dizia o bom e grande músico Hermeto Pascoal. Queremos sentir prazer quando avaliamos o aluno no seu dia a dia, e avaliar é simplesmente decidir, ou seja, ou ato avaliativo implica em independência e pro-atividade, ou seja, ensina-se o aluno a decidir por conta própria o que é bom e ruim. Queremos sentir prazer quando interpretamos uma peça, e interpretar é desvendar os enigmas que estão embutidos dentro daquela obra musical.

Baseado, em algumas entrevistas, me deparei com antagonismos onde alguns afirmavam sentir imenso prazer estético no fazer musical, no entanto, outros verbalizaram o seu imenso desprazer com relação a inserção no ambiente musical. Essa presença antagônica está contida no universo como: desordens e ordens, vida e morte, dor e prazer, macho e fêmea, homossexual e heterosexual, musical e anti-musical, dependência e autonomia, inserção e exclusão, rotina e variedade. Pensando em variedade, a idéia do kamasutra, ajuda-nos a entender isso, pois a vida comporta diversidade de coisas, consequentemente, no âmbito musical, a própria musica contém aquilo que chamamos de kamasutra musical (parafraseando Rubem Alves onde ele cita que o cozinheiro é o mestre do kamasutra da boca).
Está na hora de estabelecermos uma reflexão mais acurada em relação aos nossos métodos de ensino aprendizagem. É preciso detectar a tortura inclusa no interior desses métodos. É preciso desvendar os mecanismos de domesticação que restringem a autonomia, a liberdade do aluno. Como dizia Paulo Freire na obra intitulada Pedagogia da Autonomia: o professor não deve coibir a curiosidade do educando. Nietzsche, na obra Escritos sobre Educação, aborda a tal da Pedagogia da Mentira que engana o aluno e esconde o jogo, esconde as ferramentas de extravasamento de toda a potencialidade do aluno. É preciso entregar à ele as chaves do mundo da criação pois o criacionismo interage em simbiose com o evolucionismo e ambos proporcionam prazer. O aluno criando, evoluirá consideravelmente.
Diga não a velha catequese do DEUS MANDÃO dando ordens haja isso! Haja aquilo! E as coisas apareciam prontinhas como receita de bolo e bolo na fôrma, e tudo parecia filme de ficção naquela narrativa de Gênesis 1 construída pela cúpula sacerdotal no templo de Jerusalém por volta do século V Antes de Cristo. E Deus “controlava tudo”. Os sacerdotes controlavam Deus no templo. A elite dava ordens, em nome de Deus e a massa camponesa da época dizia amém, aleluia. O Templo de Jerusalém foi uma verdadeira máquina de manipulação e controle de massa naquela época e somos frutos dessa montagem fenomenal sacerdotal até hoje tanto na igreja, na escola, na política, etc. O universo não evoluía porque o “Deus Mandão” não deixava. O aluno não evolui porque o Professor tirano e mandão não deixa. O problema é que a igreja e a escola ensinaram-nos a lermos os textos de maneira passiva como se tudo fosse palavra de Deus. Ler de forma crítica é falta de educação, melhor, é pecado diziam os catequizadores. Não forneceram-nos os dados históricos para que pudéssemos fazer um leitura crítica e ideológica nas entrelinhas dos escritos. Diga não à esses professores semi-deuses que dão ordens aos alunos, controlando os alunos, fazendo-os de boneco modelado e remodelado de acordo com o seu próprio universo de vida, desrespeitando o universo do outro.
Deus no controle ou discurso de controle? Professor no controle ou adestramento sem controle? Como dizia o sábio Einstein: o universo possui leis próprias sendo impossível haver um princípio de dirigibilidade o tempo todo. O Universo possui leis próprias de auto-regulagem. Spinoza, Einstein, e estudiosos no âmbito da moderna cosmologia e física quântica concordam com essa idéia. Eles imaginam um Deus sentado numa cadeirinha se divertindo com autonomia do universo. O aluno possui inteligência própria, possui a capacidade de se virar sozinho, de evoluir, de expandir as suas idéias, de desvendar novos horizontes. Basta a nós professores ensinarmos o caminho das pedras, quem sabe, sermos acionadores do Big Bang no ensino-aprendizagem. Os alunos clamam por implosões. Eles gritam: queremos sair da normalidade, do caos, queremos ser anormais, queremos evoluir.

Abraços: Joe! Um poeta lutando pela criação e evolução musical e por novos métodos de ensino aprendizagem.
(joevex@hotmail.com) e joevan.caitano@yahoo.com.br

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