Meio: ambiente ou deficiente

Meio: ambiente ou deficiente?
Por Joevan Caitano
Joevex@hotmail.com

“A natureza tem perfeições para demonstrar que é a imagem de Deus, e imperfeições para provar que só é uma imagem” (Blaise Pascal).

Djavan canta: “Eu quero ver o pôr do sol, lindo como ele só”. Esse trecho me lembra aquela passagem bíblica onde os irmãos comiam juntos, repartindo tudo em singeleza de coração. Imagino, eles almoçando, jogando uma pelada, e depois apreciando o pôr do sol. Apreciando juntos em amor. Acho que eles recitavam por intuição o poema de Drummond de Andrade: Natureza! “Amo por que te amo, porque o amor é estado de graça (...). Nicolau Copérnico dizia que “a sabedoria da natureza é tal que não produz nada de surpérfluo ou inútil”.
No jogo do meio ambiente, não basta ser adaptado, adaptativo, adaptador; deve-se também estar adaptado à concorrência e à competição. O próprio ecossistema deve adaptar-se por desestruturação/reestruturação, por vezes, mesmo em cadeia a acontecimentos que o modifiquem, o que leva as suas populações a adaptarem-se a essa nova adaptação. Os ecossistemas e os seres vivos devem interadaptar-se aos acontecimentos/transformações uns dos outros. A vida supõe um mínimo de conveniência, logo de adaptação às condições ecológicas que, por outro lado, permitem a vida, pois existem vidas adaptadas a meios porque existem meios aptos à vida. A adaptação é a condição primeira e geral de qualquer existência.
A diversidade genética dos indivíduos, no seio de uma população ou de uma espécie, aumenta a resistência da população ou da espécie às perturbações. Onde há homogeneidade, todos são atingidos quando um só é atingido; a homogeneidade carrega a morte, e a diversidade aumenta as chances de vida. Platão dizia que “a natureza mortal procura, segundo os seus meios, perpertuar-se e imortalizar-se; o único meio que dispõe para o seu fim é a geração que, perpetuamente, substitui o ser antigo por um novo. Este é o meio através do qual o mortal participa da imortalidade”. Cada nascimento é a representação, a presentificação de um passado. “Os indivíduos vivem a sua vida e continuam-na, mesmo após ter, eventualmente, perdido as faculdades reprodutoras; desprendem-se do ciclo das reproduções, como um foguete se desprende da órbita terrestre, e continuam a corrida até à desintegração mortal” (Edgar Morin).
Vida é sinônimo de alegria e morte sinônimo de perda dolorida. O universo comporta dor e prazer. “O sofrimento é a lei de ferro da natureza” dizia Eurípedes. O texto bíblico afirma que a natureza geme com dores de parto e cada dia que se passa, o volume aumenta. Gemidos inexprimíveis? Que nada! Já estamos na era dos gritos espremidos. É triste pensar que a natureza fala e o ser humano não a ouve porque ouve mal. Em nome do poder, o homem destrói-se sutilmente e rapidamente, pois a pior guerra é a guerra contínua contra a natureza, que é silenciosa, e que destrói ao longo do tempo. Em tempos de paz o homem belicoso ataca-se a si próprio. “É injusto e imoral tentar fugir as conseqüências dos próprios atos. A natureza é inexorável, e vingar-se à, completamente de uma tal violação de suas leis” (Gandhi).
O meio social é estático e dinâmico, é cama e camaleão, estabilidade e instabilidade, ordem e desordem. A inconstância humana é o produto necessário das variações da natureza, e das circunstâncias dos eventos. ”Nossa natureza está em movimento, o repouso absoluto é a morte” (Blaise Pascal). Essa dinâmica do meio ambiente soa como uma canção harmoniosa e cheia de nuances sujeita a pausas, ecos e sons. A música é surpresa sem surpresas. Que tal estudarmos sobre music ecologia?
“A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos. A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável” dizia Rousseau. Precisamos aderir a uma ética de civilização para restaurar felicidade original em meio à miséria e depravação humana bestial. Kant dizia que “a educação é o desenvolvimento no homem de toda a perfeição de que a sua natureza é capaz”, no entanto, Voltaire disse que “a natureza tem mais força que a educação”. Isso é uma grande verdade, pois a natureza humana deseja sempre mais, e para obter mais, é preciso ter fé na fé que remove as pessoas. Nietzsche dizia que gostamos de brincar com o peso que oprimem os outros. Somos ministros da educação catastrófica dos outros. No século 21, experimentamos várias crises em meios aos avanços da tecnociência. O saudoso sociólogo Betinho dizia que “a tecnologia moderna é capaz de realizar a produção sem emprego, mas a economia moderna não consegue inventar o consumo sem salário”. E o salário desse pecado é a morte dos mais fracos. Que coisa hein! Os erros de grandes homens são mais fecundos que a verdade de pequenos.
Gabriel pensador diz que “somos escravos da nossa falta de atitude”. É preciso agir. Precisamos colocar um pouquinho de paraíso na vida dos outros todos os dias, mesmo sabendo que no dia a dia, existem indivíduos que estão rastejando como serpentes buscando a quem possam envenenar. Paraíso é: “Um parque ecológico congrega uma série de atividades, com objetivos específicos, de uma forma harmônica, com a finalidade de integrar o homem ao meio ambiente pela valorização da natureza” (Hermórgenes). No parquinho de Deus todos somos crianças brincando prazerosamente, e “todo o prazer quer a eternidade” (Nietzsche). Penso que Deus é um orgasmo contínuo, pois sem a força da libido, não temos estímulo para fazer nada. Sem mim, nada podeis fazer dizia Jesus.
A beleza é dádiva da eficiência divina. Pecado é construção deficiente da mente demente humana. Porque todos pecaram, e deficientes estão no ambiente de Deus. Eu quero a volta à natureza original, mas essa volta não significa ir para trás, mas ir para frente. Temos que aprender com o passado, reagir ao presente e se programar para o futuro.
Onde abundou a sujeira do maltrato, superabundou a beleza mais linda, mais cheia de graça que vem e que passa num doce balanço e a grandeza se faz. Todo desprezo pelo meio ambiente é um pecado contra o espírito santo da beleza, da singularidade, da pluralidade e da eficiência da arte original.

1 Comment:

  1. Anônimo said...
    Aprendi muito

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