A oração e a dança diante do abismo

Deus é o amor que satisfaz os nossos desejos, as nossas necessidades, porque Ele é a essência da afetividade. Deus é uma lágrima de amor derramada pela miséria humana na mais profunda intimidade. Deus é o SIM da afetividade humana. Deus não gosta daquelas orações que engordam o nosso egoísmo, mas daquelas que expressam um amor incontrolável pelo próximo capaz de arremessar-nos ao chão nocauteando os nossos impulsos de dominação, de manipulação do nosso semelhante.

Na oração a gente se esquece que existe um limite para os nossos desejos e sentimo-nos felizes neste esquecimento. Espontaneamente fluem dos lábios as palavras mais inusitadas, a angústia do nosso coração arrebenta os cadeados da boca. Na oração experimentamos a interdependência em Relação ao Pai. No Pai experimentamos o sentimento de força, a consciência do seu valor, a certeza da realização dos nossos desejos; Nele está a fonte do cuidado. Vivemos como crianças despreocupadas e felizes na confiança, seguros que temos um anjo da guarda que não dorme só para nos ver dormindo ou brincando.

Quando nos sentimos só, podemos recorrer à oração comunitária que eleva o poder da afetividade, eleva a autoconfiança. O que não se consegue a sós, consegue-se com os outros. Sentimento de solidão é sentimento de limitação; sentimento de comunidade é sentimento de liberdade, sentimento de potencialidade. Onde estiverem reunidos 2 ou 3 em meu nome a força será maior porque eu estarei presente para participar desse jogo de amigos onde o gol é a comunhão. O rosto de Deus é visualizado nas relações comunitárias.

A mais profunda expressão de Deus na oração é a palavra Pai, a onipotência da bondade. Diante da onipotência dessa força sobrenatural podemos ter fé que seremos acariciados e ouvidos independente das circunstâncias. A fé desata os desejos humanos das algemas da razão, pois ela permite o que a natureza e a razão negam. Sem algemas podemos dançar na beira do abismo (“Fé é dançar na beira dos abismos” - Nietzsche).

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

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