Jesus era um Palhaço

Quando eu era pequeno e vivia lá no interior do estado do Pará nos anos 80 conheci um palhaço de uns 80 anos. O bicho era um velhinho de pele rabugenta, mas sabia como fazer o povo sorrir. Diariamente eu sempre lembrava das cenas engraçadas, aliás, numa cidadezinha pacata do interior, qualquer novidade era uma novidade. A gente era bobinho, no entanto, o palhaço Zezinho nos colocava dentro de um outro mundinho bem engraçadinho, sei lá, ele era um mestre do seducionismo. Hum! Me lembrei do livro O DIÁRIO DE UM SEDUTOR do filósofo dinamarquês Sören Kieekgaard. Às vezes eu entrava lá muito para baixo e saia de lá super prá cima e cheio de gás.

Lembrei me das historinhas sobre Jesus. Bem, então vamos analisar alguns episódios que esse palhaço- sedutor de multidões se meteu.

O bate papo entre Jesus X mulher samaritana....Loucura total... Rs. Como escreveu o teólogo alemão Joachim Jeremias, naquela época era inconcebível um homem ficar conversando com uma mulher ao ar livre, pior ainda, ele trocou idéias com uma inimiga numero 1 dos judeus. Papo vai, papo vem, pergunta vai e resposta vem, e o clima ficava em alto astral. Jesus seduzia com chavécos espirituais aquela mulher. Quando ele falou sobre Autonomia topográfica-postural ela simplesmente pirou na batatinha, estourou champanhe e tudo... ufa!! até que enfim posso adorar... Deus é 10... ah rá rá...

E aquela hora que ele contou a historinha do bom samaritano que cuidou das feridas do judeu. Os outros judeus passaram e falaram zombando: TÁ LÁ UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO. O bom samaritano comovido disse: TÁ LÁ UM CARENTE ESTENDIDO NO CHÃO. Daí eu pensei num Hitler abraçando e ajudando um judeu no campo de batalha em plena segunda guerra mundial...doidera total.

E que tal aquela historinha dos 5 pães e 2 peixinhos? Imagino Jesus vendo a aquele coral estomacal, e os espíritos famintos cantando em intensidades cada vez maiores: Nem só de pão o homem viverá, mas de pães e de peixes. Jesus fala do nada para distribuírem para geral... Imaginem a cara da galera... Esse cara tá de palhaçada conosco... Viajou na maionese... he he...

Vocês lembram daquela historinha que ele ficou batendo um papo com os doutores? Quando eu tinha 12 anos eu gaguejava perto dos meus colegas, que dirá dos professores... E dos doutores? Sei lá, o moleque Jesus era um sedutor no diálogo... Cheio das idéias o maluco.

E aquela cena que Ele deu porrada nos vendedores no templo. Eu falei: caraca meu!!! Jesus pirou geral. Imaginei ele de vestidão e barbudão (bem judeuzão), no meio de uma muvuca sinistra... = briga entre polícia e camelôs.

E o lance de Lázaro que já era um defunto de 4 dias? Ele chega mansinho pelas beiradas e grita: Lázaro! Sái para fora... Imaginei o He-Man gritando: "Pelos poderes de Graiscow, eu tenho a força!", e a cratera se abrindo e saindo uma múmia desfigurada. Imagine o fedor daquele defunto! Imagine Jesus abraçando aquele ser que veio de outro mundo! Mas eu acho que o abraço de Jesus foi igual um perfume para ele.

Imagine aquela cena dos porcos encapetados. Jesus fala para os capetinhas saírem do corpo do homem, e os bichinhos foram saindo desordenados e cantando: o que fazer? Pra onde ir? entraram nos porcos num empurra-empurra igual as pessoas quando mudam da linha 1 para a linha 2 do metrô carioca.

E aquela hora que ele tava no deserto cheio de fome e apareceu o satã oferecendo pão, acrobacias aéreas, salto olímpico, riquezas. Jesus com a sua palavra simples e sedutora foi na Palavra e disse: Quem ama espera. Espero para fazer a vontade de meu Pai. Você imagina Jesus cantando: "Te louvarei, não importam as circunstâncias, te adorarei, somente a ti Papai".

Em pleno atendimento no meio da multidão ele parou e falou: "Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino de Deus". Imaginem a cara do povão numa sociedade onde crianças e mulheres eram segundo plano.

Lembrei de outra cena. Aquela que ele grita no meio da rua ABBA PAI. O teólogo Joachim Jeremias escreveu que essa expressão era utilizada apenas no ambiente doméstico onde o filho de até 12 anos se dirigia ao seu pai de forma informal e carinhosa. Se ele falasse isso na rua tomaria umas porradas do pai. Daí vem Jesus e grita ABBA PAI, a elite ficou irada e falou: esse cara tá de palhaçada, só pode... Na verdade Jesus fez um ataque político violento a religião porque naquela época a elite sacerdotal controlava Deus no Templo de Jerusalém. Se as pessoas quisessem ter acesso parcial a Deus teria quer ir ao templo. A elite dizia: não tomarás o nome do teu Deus em vão. Se você pronunciar na sua casa, você jogará munição ao vento, porque Deus está aqui no templo. Venham seus idiotas, e tragam seus dízimos e as suas ofertas (trazei todos os dízimos à casa do tesouro) se você trouxer serás abençoado, senão trouxer, serás amaldiçoado porque és ladrão (benção e maldição = 2 ferramentas de controle de massa). Bem vindo a manipulação em Nome de Deus. E o povo vinha cantando: "Eu te busco te procuro ó Deus, mas só no templo tu estás... Na elite tu estás". Somente o sumo sacerdote tinha acesso ao “santo dos santos”. Sempre a elite come o pudim e o filé mignon e a massa come da rabada e da quentinha. Jesus ao pronunciar ABBA PAI, ele tava detonando com a elite e dizendo: Pessoal, vocês podem pronunciar o nome de Deus em qualquer lugar, inclusive de maneira super carinhosa e informal. Onde há o Espírito há a liberdade.

O Nietzsche escreveu dizendo que Jesus não morreu por nossos pecados, mas morreu pelo seu próprio “pecado” que foi peitar a cúpula em nome do amor. Quem peita a elite morre com certeza. A elite esperava um Jesus que fosse rezar a cartilha, mas ele optou por ignorar a cartilha para ensinar como se vive de verdade. A natureza por si é cruel, o mais forte engole o mais fraco. O mais forte ataca e o mais fraco se defende como pode. Mas como seres humanos, podemos decidir entre amar ou massacrar.

Jesus foi um palhaço de primeira categoria. Seus discursos deixavam platéias de boca aberta, porque ele falava sobre o amor. Ele abriu mão de dogmas religiosos, inimizades políticas, de categoria de superioridade e inferioridade, em nome do amor sem interesses, o amor que tudo suporta. Aliás, Ele até instituiu os dias das mulheres, porque enquanto ele estava circulando por aqui as mulheres cantavam a canção do J QUEST: "Dias melhores virão..." Já tá bom d++, mas ainda vai melhorar mais diziam elas. Depois que ele morreu tudo voltou ao normal. Daí o Nietzsche escreveu: "O único cristão de verdade que viveu foi Jesus porque depois da morte dele os ensinamentos se perderam, pior, foi deturpado em nome do poder". Nos tempos de Jesus os desfavorecidos experimentaram uma vida mais linda e mais cheia de graça porque aquele palhaço trazia a mensagem da graça. "Ele fazia as pessoas migrarem da vida apática para uma vida simpática" (Edson Fernando).

Havia também aqueles que duvidavam e pediam à Ele sinais, mas Ele dizia que não os viam porque eram pessoas de pouca fé. Como dizia o poeta Rubem Alves: "Ter fé é acreditar naquilo que os outros não acreditam". Nietzsche escreveu que "os sinais estão por toda a parte, no entanto, faltam olhos para vê-los". As parábolas de Jesus eram uma comédia, envolviam simplicidade e objetividade, no entanto, como diz o poeta bíblico do texto de Hebreus que Deus falou desde a antiguidade de várias maneiras e continua falando até hoje maneira multiforme. Precisamos estar com nossas antenas parabólicas acionadas para captar e enxergar as necessidades do semelhante a nossa volta. Parafraseando o Nietzsche: “os carentes estão por toda a parte, entretanto, faltam aqueles que se doem por eles”.

Joevan Caitano (Joeblack)
joeblack.blog@gmail.com

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